quinta-feira, 21 de junho de 2018

Fórum do Forró homenageia Jacinto Silva

Jacinto Silva foi um intérprete peculiar da música nordestina
Foto: divulgação

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 20/06/2018  

Fórum do Forró homenageia Jacinto Silva

Jacinto Silva foi um intérprete peculiar da música nordestina

O XV Fórum do Forró começou nesta quinta-feira, 21,  no Centro Cultural com o tema ‘ O Coco na Tradição do Forró’ em homenagem ao músico alagoano Jacinto Silva. O evento é parte da programação dos festejos juninos da Prefeitura de Aracaju, através da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju). 

Jacinto Silva foi um intérprete peculiar da música nordestina, interpretava como ninguém suas canções, inclusive o coco sincopado, gênero do qual era senhor absoluto. Além de cantar, Jacinto também compunha suas músicas ao lado de compositores famosos como Onildo Almeida, Juarez Ferraz, Sebastião França, Luiz Queiroga, Florival Ferreira, João Silva, Zé do Rojão, Geraldo Lopes e Zé do Brejo. As suas músicas marcavam presença quase constante na Série Pau de Sebo, da extinta CBS.

Nesta edição, um dos palestrantes convidados é Silvério Pessoa, que é músico, compositor, instrumentista e pesquisador da cultura nordestina e profundo conhecedor da obra de Jacinto Silva. O pernambucano também já homenageou Jacinto com a gravação do CD Bate o Mancá (O povo dos Canaviais), onde regrava 12 faixas do artista.

No primeiro dia de Fórum, houve a palestra ‘A quebra do Coco, no sincopado de Jacinto Silva’ com o professor Luciano José, biógrafo do homenageado e shows de Silvério Pessoa.

O evento prossegue nesta quinta-feira, 21, com a palestra ‘Jacinto Silva, o Forró como cultura popular: da nostalgia a contemporaneidade’, cujo ministrante é Silvério Pessoa.

Com informações da PMA

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Arraiá do Povo segue agradando sergipanos e turistas

  




Fotos: Diego Di Souza

Publicado originalmente no site da SECULT, em 20 de junho de 2018

Arraiá do Povo segue agradando sergipanos e turistas

No palco Clemilda ou no coreto, adultos e crianças se divertem ao som do tradicional forró pé de serra

A programação, as variadas comidas típicas e a segurança do local levaram famílias inteiras e turistas à Orla da Atalaia prestigiar a 11º edição do Arraiá do Povo, em Sergipe. O evento continua sendo uma das atrações mais belas do São João em Sergipe. Os bares, restaurantes e barracas de artesanato estão sendo cada vez mais procurados. Adultos e crianças prestigiam a festa que já é tradição no estado.

Tereza Mendonça, 59 anos, que participa de todas as edições desde o começo, compareceu à segunda noite do evento, que compõe o Encontro Nordestino de Cultura, acompanhada de toda sua família. “Não quero que esta festa acabe nunca porque é um ambiente tranquilo para trazer as crianças e a família. Este ano está sendo maravilhoso”, comenta enquanto aponta o coreto, o palco e as barracas de comidas típicas.

Enquanto Jussara, 43 anos, conta ser a primeira vez que vai ao evento, garantindo que voltará ano que vem porque é “organizado, bonito e animado”.  A sua neta de 5 anos, Janaina, insiste em dar a sua declaração. “Eu vou pedir pra minha avó me trazer outros dias porque gostei muito”, diz sorrindo e comentando sobre como sua irmã mais nova ficou observando a estátua humana que circula pelo espaço.

Diogo Tavares é de Maceió e está pela primeira vez em Aracaju, acompanhado de sua esposa. “Gostei muito das apresentações do coreto. É uma festa pacífica, com atrações muito boas, e ano que vem estarei aqui novamente. O São João em Sergipe está de parabéns”, reconhece Diogo.

Comidas







 O Arraiá do Povo é composto de uma representação muito forte da gastronomia do nordeste. Neste ano, conta com várias opções de alimentação, como o estande com doze barracas de comidas típicas e mais seis restaurantes. Outra atração é uma bodega com várias bebidas, localizada próximo ao Coreto e à igreja cinematográfica.

Como evidenciou Plínio Marcos, que trabalha com a sua família há três anos neste grande encontro, junho é o mês mais esperado do ano, não só pelos festejos juninos que o caracterizam, mas também por causa das suas comidas típicas.  “Caruru, arroz doce, mungunzá, bebidas de todos os tipos e demais comidas típicas, mas pra mim, o carro chefe daqui é o bobó de camarão”, pontua Plínio, que deixa claro que, apesar de ser cansativo passar vários dias seguidos trabalhando, é muito gratificante fazer parte dessa tradição no mês em que o forró é ainda mais enaltecido.

Os doces também não ficam de fora, segundo Valdeci – que integra o evento há oito anos – os sergipanos e turistas adoram os doces caseiros. “O que me deixa mais feliz é ver todo mundo gostando do que faço. Aqui é uma excelente oportunidade para a gente vender e também se divertir com as apresentações”, declara.

Programação







Na última terça-feira, 19, a programação foi repleta de atrações, reunindo um grande público. A banda Luiz Rodrigues Retalhos Nordestinos abriu a noite com mais de uma hora de show, tocando canções que homenagearam grandes vozes do forró como Clemilda e Luiz Gonzaga.

Outra atração da noite foi Jorge de Altinho, que expressou sua satisfação em participar mais um ano do Arraiá do Povo no mês em que faz aniversário. “Eu sou apaixonado por Sergipe, principalmente Laranjeiras e São Cristóvão, porque adoro cidades antigas, estou muito feliz em dividir o palco com grandes nomes do forró. Minha alegria é cantar e levar a felicidade para todas as pessoas”, alega Jorge. Além do amor pelo forró, o cantor deixa claro que as manifestações gastronômicas típicas dos festejos são garantia para uma comemoração ainda melhor.

A última atração musical a tocar no palco de Clemilda foi Wilson Segal. A noite contou também com apresentações de duas quadrilhas semifinalistas do concurso do Arraiá do Arranca Unha. O marcador da quadrilha ‘Poeirinha do Sertão’, Damaneí, expressa o seu empenho para participar, dançar e se alegrar junto a todos nesta grande festa. “Aqui nós valorizamos nossa cultura popular e a cada ano é um evento mais belo que o outro”, afirma Damaneí.

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Heróis Sergipanos - Que é um Herói?

Publicado originalmente no site Infonet/blogs/odilonmachado, em 19/06/2018  

Heróis Sergipanos

Que é um Herói?

Por Odilon Cabral Machado* 

Em recente artigo, publicado na edição de 20/06 do Le Monde, Stéphane Ratti, pofessor de História da Antiguidade da Universidade de Bourgogne Franche-Conté, apreciando o feito inusitado realizado por Mamoudou Gassama, o “homem aranha” malês que salvou uma criança pendurada na sacada de um edifício, se questionava o que seria um herói.

Quem pode ser considerado um herói, nesses nossos tempos de conceitos relativos, transitórios e mutáveis, à luz da ampla opinião midiática e fugacidade de interpretações, nunca isentas da imparcialidade que separa gostos, odios e indiferenças ressentidas?

A pergunta feita pelo professor, refletia o feito, inusitado também, da recepção no Palácio do Eliseu, pelo Presidente Macron, deste imigrante irregular, cujo gesto heróico impressionara o mundo.

Dissera o Presidente Francês, exaltando o feito de Mamoudou: “Você se tornou um exemplo para muitas pessoas. É normal que a nação demonstre seu reconhecimento, e por isso, a partir de hoje, todos seus documentos serão regularizados e vamos dar início a um processo para que você possa obter sua cidadania francesa”.

Nesta declaração de heroísmo a um imigrante indesejado, inseriu-se o tema da irregular imigração, objeto político separatista dos países da união europeia, uma inserção com pintas de tolerância e aceitação das diferenças, assunto tão fustigado pelas intolerâncias ressurgidas recentemente, em forte viés nacionalista, quase um latente e crescente secessionismo europeu, justamente quando se pensava tudo isso já estar abolido e sepultado frente ao que sereia um germe cristalizador dos “Estados Unidos da Europa”, com bandeira azulina e uma aliança de estrelas.

Que seria então um herói?, pergunta o Professor Ratti.

E respnde, instigador: “A meu sentir, há quatro espécies daquilo que se poderia classificar como herói; o guerreiro épico (Aquiles), o santo cristão (o mártir), o gênio (Sócrates) e o pioneiro (o aventureiro)”.

Segundo sua classificação, estas categorias corresponderiam a quatro valores fundamentais: “patriotismo e busca da glória pelo exemplo de Aquiles; devoção e compaixão dos Santos; sabedoria e conhecimento pelo filósofo Sócrates; defesa da civilização pelo pioneiro.

E se aprofunda o Professor: “Em Homero luta-se para a imortalidade pela Glória (Kleos) e essa preocupação, imaginada por vaidade muitas vezes, é vestida com o ouropel do patriotismo, do épico, narrado nos poemas homéricos e, especialmente, na Eneida de Virgílio, patrocinada pelo Imperador Augusto (27 a.C. – 14d.C.), para evocar o nascimento Nacional”.

“A partir de Tertuliano”, prossegue Ratti: “agora no terceiro século, e, especialmente com a perseguição contra os cristãos no início de quarto século, o conceito de herói antigo é substituído pelo do Santo cristão”.

Ora, entre os Santos há primeiro, o mártir, o que testemunha sua fé pela morte e sofrimento, mas também o soldado de Deus que se realiza pelo seu pacifismo e por sua recusa a dobrar-se frente ao Estado, ou ao Príncipe que o governa, uma façanha digna de ser cantada em versos como aqueles dos antecessores pagãos.

Santo Augustinho, na cidade de Deus (10, 21), diz, referindo-se aos mártires, que "se o uso da Igreja o permitisse, seria mais relevante chamá-los ‘nossos heróis’”.

“Uma semelhança com o herói “profano”, como imitação consciente advinda da mesma inspiração civilizacional, a Paidéia Greco-romana, sendo que o mártir procura atingir a vida eterna, não uma fugacidade etérea”.

Para o Professor Ratti, “O gênio e o filósofo são comemorados desde a antiguidade como um herói verdadeiro”.

E exemplifica como a bela página de Lucrécio que no século I a.C. destaca seu mestre Epícuro em De Natura Rerum, como o herói que libertou os homens do terror que sentiam perante os deuses, e que, “o ensino epicurista enfatizava a despreocupação quanto ao destino, não havendo razão para o medo”.

Como se sabe, o epicurismo atribuía a infelicidade dos homens ao duplo medo; da morte e dos deuses.

Assim, “o primeiro homem, um grego, ousou levantar seus olhos mortais contra a religião, sendo o primeiro, também, a se erguer contra ela" (1, 66-67)

Medos à parte, prossegue o Professor Ratti, autor também de “Le Premier saint Augustin”, Edition Les Belles Lettres, 2016, livro bastante elogiado pela crítica francesa; “Tertuliano, em seu grande tratado datado de 197, ‘A Apologética’, explica que os valores morais defendidos pelos mártires cristãos e pelos filósofos gregos são basicamente os mesmos, ou seja, o bem e a verdade”.

O que não impede que os cristãos possam inserir e defender uma escatologia própria a separá-los, com base na fé em Crtisto e na Sua Ressurreição.

Se falamos do gênio, do filósofo e do santo, o quarto tipo de herói estaria ligado ao pioneirismo surgido a partir do século XIX e estaria exemplificado na figura emblemática de Jules Verne, com sua ilha maravilhosa e seu Nautilus, confluindo o progresso como fé na humanidade, ensejando jardins Hespérides, repletos de ninfas em substituição do Paraíso.

Permanecendo na relação dos vivos perante seus mortos destacáveis, e sem enveredar pela recompensa aos mortos, enquanto heróis, o professor Ratti não fala de outros paraísos como a Valhala dos Vikings, nem aqueles dos Druidas celtas, muito menos o paraíso muçulmano com suas hipotéticas setenta e duas virgens, em enleios confortadores para os super-homens falecidos, recompensas extensivas também às supermulheres ou heroínas com sua recepção paradisíaca pelos “ghilmaan”, rapazes brancos ornados com pérolas; ambos de tradição medieval, por interpretação de palavras e atos de Maomé.

De qualquer maneira, para a criação do herói, e sua permanência resistindo à ferrugem e aos vermes, enquanto erosões do tempo e esquecimento, é necessário que a este seja acrescida uma dimensão literária.

Não uma que lhe seja falsa como aquela ficcional de Dorothy M. Johnson, texto do notável filme de John Ford, “The Man Who Shot Liberty Valance”, que no Brasil passou como “O Homem que Matou o Facínora”.

Liberty Valence, o facínora (Lee Marvin), Ramson Stoddard 
em avental de lava louças, o que ficou famoso (James Stewart), 
e Tom Doniphon, o matador não tão corajoso (John Wayne)

Ali o herói era outro, não o advogado e político Ramson Stoddard, vivido por James Stewart , mas o valente Tom Doniphon na pele de John Wayne.

Diga-se, entretanto, que Wayne, não fora tão herói assim, porque ao matar o facínora Liberty Valence, vivido por Lee Marvin, o fizera escondido na tocaia, revelando uma vergonhosa covardia.

E o filme termina bem consistente com o real, comum e ominoso, a publicação do falseado por ensejar melhor querência de leitores, afinal aqui e ali no “Velho Oeste, senhor, quando a lenda vira um fato, publique-se a lenda”.


O assunto me veio à mente porque nestes últimos quinze dias faleceram figuras notáveis da sociedade sergipana; o Arcebispo Emérito de Aracaju, Domo Luciano José Cabral Duarte, o Ex-Vice-Governador, José Carlos Teixeira, o Ex-Prefeito de Aracaju e Médico, Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, destaques heroicos que se somam aos policiais Capitão Oliveira e a Sargento Eliana Costa Silva, ambos mortos por balas covardes.

Dom Luciano Cabral Duarte e sua irmã Carmen Dolores
Duarte, grande divulgadora de sua obra literária e filosófica.

Dom Luciano é dessas figuras que ultrapassam críticos e admiradores, afinal sucedidas como todas em missão necessária, restam bem substituídas, muito raramente.

Relembro o Padre Luciano de bicicleta pelas ruas de Aracaju, isso nos anos 1950, já um aguerrido combatente da pureza da sua fé.

Firme nos seus conceitos, audaz lutador, jamais temente à luta aberta em defesa das suas crenças.

Relembro-o também veraneando em Atalaia Nova, promovendo quermesses, bazares e danças de guerreiro de crianças e de jovens, incluindo veranistas e nativos no esforço de congraçamento e convivência para o erguimento da pequena igrejinha do Oró.

Vejo-me inclusive fantasiado com chapéu colorido e espadim de madeira, dançando o guerreiro das crianças, para arranjar fundos e construir a igrejinha que surgiria logo.

Por sua inteligência, caráter, coragem e ousadia, Dom Luciano foi uma figura bem acima da comezinha mediocridade daqueles que temendo a porfia, persistem na razia cupinicida, que teima em roer as colunas monolíticas de não seu agrado.

Seus críticos não percebiam em equivocada tetraplegia ideológica a multifacetada atuação do Padre em tarefa incansável de convencimento e conversão.

Quando se envereda pelo equívoco, a estupidez norteia vidas para o além do erro, mesmo que santos tentem converter almas, e sábios ao intelecto convencer.

E nem o envelhecimento, a inapetência dos gostos, o cansaço e a dissolução dos sonhos perdidos, amaina os passos tardos no reconhecimento de erros em prece de arrependimento.

Erra-se em cascata, nos mesmos rios e em motivações renovadas, mesmo quando não se banha mais em antigas águas. Um desafio à profilaxia do erro, onde a reeducação é uma quimera, e o perdão uma missão exclusiva dos santos piedosos.

Não fora assim, o sofrimento de castigos e privações dos outros, próximos ou distantes nos gulags, revelaria um antidotismo necessário, a prescrever reincidências.

O problema é que ninguém resta convencido com palavras e argumentos.

Vale, nesse caso, o ilogismo bronco; “Não li e não gostei”, tão comum ao apedeuta que se crê letrado, ou também àquela chacota atribuída a Georges Clemenceau, “o tigre”, lida pela metade: “Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração..”

Esquecem, convenientemente, por continuada estultice, a outra metade de seu pensamento, bem mais sábio, por irônico: “Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cabeça”.

Por ser um homem notável em raciocínio, cultura e argumento, o padre Luciano incomodava sobretudo o vulgo que não se acreditava assim.

Como ser laureado com “Mention très honorable avec félicitations du jury”, da Universidade de Sorbonne, em Paris, França, e retornar para se enterrar na terrinha, perante tantos espíritos micuins, que mordem e coçam em demasia, cheiram como pé-de-atleta, sugam hemácias quais morcegos, e arranham suas cordofonias desafinadas aos ouvidos dos incautos, em sinfonia tão comuns aos pântanos e muriçocas dos Aracajus?

Não conseguiu também calar os socialistas inférteis em imaginação e desérticos na ação contra o latifúndio improdutivo, que desejavam coletivizar a produção e desapropriar a terra alheia, mesmo sendo um vitorioso pioneiro na pastoral da terra e na promoção do homem do campo.

Vitórias que geravam antipatia e ciúmes e também o despeito e a injúria, afinal destacava-se como escritor e pensador, ensaísta notável, jornalista da Revista O Cruzeiro, creditado no Concílio Vaticano II, debatedor apolíneo, polemista corajoso em defesa de sua fé externada no tema episcopal escolhido, “Scio Cui Credidi” (Sei em quem acreditei).

Cronista amoroso e terno de “Europa Ver e Olhar” e de “Índia a “Voo de Pássaro” e sábio por teses como "La Nature de l'intelligence dans le thomisme et dans la philosophie de Hume"(Tese de doutorado em Filosofia, na Sorbone) e outros escritos.

Escritos que estariam perdidos sob poeira de bibliotecas vazias, se não fosse o trabalho de sua irmã, Carmen Dolores Cabral Duarte, resgatando áudios e vídeos de sua monumental obra enquanto pensador e prelado.

Porque Dom Luciano era alguém que falava e escrevia com conteúdo, sempre atualizado e merece ser ouvido, estudado e reverenciado.

Um pensador notável, mas que seria esquecido não fosse o esforço de sua irmã Carminha, que recupera incansavelmente diuturnamente os seus trabalhos, e de seus muitos amigos e admiradores da fraternidade cristã surgida a partir de suas prédicas, retiros espirituais em pastoral da inteligência, estimulando peregrinações como a de Divina Pastora, trazendo da Europa tal devoção medieval como as de Lourdes, Lisieux e Santiago de Compostela.

Hoje milhares de pessoas sobem a colina da cidade de Divina Pastora, sem perquirir como tal devoção aconteceu, só para contemplar a face daquela mãe querida, que estaria esquecida não tivesse sido desvendada pelo Padre Luciano, levando em 1958, jovens universitários até a cidade de Riachuelo, tão poucos então, em partida da primeira peregrinação a Nossa Senhora Divina Pastora.

E eu lembro bem disso, porque eram tão poucos universitários, que até eu, um menino de 12 anos fui incluído também no ônibus, seguindo a estrada em grupos de prece e meditação, sob a orientação do Padre Luciano, do Frei Edgar Stanowski e do Padre Claudionor de Brito Fontes, com direito a almoço comunitário, que cada um trouxera de casa com bornal e cantil, e pequena sesta à sombra de um aprazível bambuzal na fazenda Salobro.

Dir-se-á, eis o grande crime! Dom Luciano não era um homem de esquerda, esta hemiplegia sempre na moda, e jamais fora de moda. Se o fosse receberia a mesma troça.

E porque assim não foi, bem poderiam ser destinadas no seu túmulo as palavras que o antropólogo Darcy Ribeiro afirmara em panegírico do Filósofo e Ensaísta, José Guilherme Merquior: “Eu tenho raiva desta direita porque eles são mais inteligentes do que nós”.

Quando aconteceu o golpe cívico-militar de 1964, nesta terra de poucas araras e cajus, a esquerda jururu, queria que Dom Luciano terçasse armas contra o regime autoritário instaurado, quando sua melhor missão era promover os meios para evitar a incidência dos comuns excessos, até mesmo arriscando incompreensões e suspeitas.

Diferente de muitos que ao temor se escafediam, ele visitava os presos políticos no 28o Batalhão de Caçadores, evitando-lhes acréscimos de torturas e sofrimentos, dando-lhes inclusive o conforto da oração, celebrando Missa para crentes ou incréus, e lhes dando a comunhão.

Suportaria, por agir assim, similar injúria de Martin Heidegger; ter sido memorável reitor da Universidade de Frieiberg, sem jamais permitir perseguições políticas e pregações antissemitas no seio da universidade, isso em 1933, quando Adolf Hitler era uma unanimidade e toda a Alemanha o idolatrava como ideal líder.

Padeceria essa injustiça comum de viver em tempos trevosos e ser aviltado em hora posterior de denúncias cavilosas e heroísmos nebulosos.

Dom Luciano foi o esteio vivificador da Ação Católica em Sergipe, dos movimentos JEC, JOC, JUC, e sobretudo da LUC, Liga Universitária Católica, coluna fundamental que sustentou a nascente Faculdade de Filosofia e até da Universidade Federal de Sergipe.

Universidade que fundada há 50 anos, teve sua origem a partir de seu trabalho, pioneiro e incansável, junto ao Ministério da Educação e ao Conselho Federal de Educação.

Projeto de Universidade que sofreu campanhas deletérias na terrinha miúda, aí inseridos vastos segmentos intelectuais que rejeitavam a “Fundação Universitária”, conceito inaugurado pelo Regime Militar vigente, a Ditadura Militar como se fala amplamente agora em unânime reprovação, um resquício de que toda unanimidade continua emburrecida, porque a “Fundação Universitária Federal de Sergipe”, mesmo concebida em viés norte americano como se desprezava então, restou aberta a todos os saberes e jamais uma instituição “criada para ser reacionária”, como era comum repetir.

Incompreensões repetidas como um ataque rasteiro desferido contra Dom Luciano, porque em sendo Professor Titular da Universidade Federal continuava destacado membro do Conselho Federal de Educação.

Era uma denúncia escandalosa, injuriosa mesmo, digna de um François Ravaillac, o assassino de Henrique IV, o rei francês Huguenote, para quem “Paris bem merecia uma Missa”, uma frase que bem valia a conciliação de Católicos e Protestantes.

Seria digna de um Ravaillac, repito, se não fosse apenas um escarro de garganta sem firmeza de punho, afios de punhal, e avios de coragem.

Coragem que faltou a quem devia defende-lo e ainda ouço por desbrio a pior explicação: “Melhor é o silêncio, fingir que não houve ofensa. Responder seria nivelar rasteiro a figura de Dom Luciano, com a deste falastrão sem mérito”.

Meritocracias, vilanias e pusilanimidades à parte, o fanfarrão o inerte e o cobarde se acham detentores de todas as razões.

Raciocínio que vale também para negar valor a outro dos nossos falecidos exemplares; José Carlos Teixeira, o grande líder da resistência democrática em Sergipe.

Zé Carlos, como todos assim o tratavam, não era um homem de esquerda. Nunca o foi, nem por origem de seus familiares empresários do Comércio e da Industria da Construção Civil.

Zé Carlos Teixeira e este articulista.

Nestes tempos de facciosas “Comissões de Verdade”, o excedente heroísmo em carência de cadáveres está a listar sofrimentos de feridas permanentemente doridas.

São lesões rotineiramente reabertas, só para mostrar uma hemorragia exangue, maximizar o mal terrível acontecido, restando pior enquanto inconcluso e obtuso, por jamais denunciar o causador, deslindar a autoria e a materialidade, como se melhor findassem, estendendo-a “erga omines”, a todos, senão “urbi et orbe”, pelo menos bem além do universo circundante e circunstante.

Nivela-se a todos no crime denunciado inafiançável e hediondo de tortura, colocando no mesmo caldeirão de iniquidades: os verdugos escafedidos, os eventuais beneficiários mal escandidos, e tantos que a história não conta, porque no anonimato dos seus gestos lutaram e conseguiram o arrefecimento dos ânimos.

Mas, voltando a Zé Carlos, dizem por mote de releitura histórica, ser um homem de esquerda. Não era!

De esquerda, ideológica ou demagógica, eram e não são mais assim, muitos daqueles que usaram o palanque e os microfones bancados financeiramente por Zé Carlos e Oviedo, seu pai, que embarcou nesta aventura de muitos militantes, aí incluídos alguns idealistas, excedentes espertos e disfarçados farsantes.

Zé Carlos nunca vira tantos assim, preferia destacar-se desde jovem como realizador e inventivo.

Esteve, desde sua fundação, à frente da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe, da Aliança Francesa, dos grupos de Teatro e cinemateca de arte, num tempo em que Sergipe se desejava mais apolíneo que dionisíaco.

Não sendo um homem de esquerda, Zé Carlos elegeu-se Deputado Federal pelo Partido Social Democrático, o PSD, em 1962, tempo em que várias siglas de esquerda poderiam ser por ele escolhidas.

Foi o mais votado Deputado Federal da Coligação PSD-PR que elegeu Seixas Dória Governador.

Pelo seu líder maior, Francisco Leite Neto, em discurso no Cine Teatro Rio Branco, naquele distante 1962, afirmava, que diferente do seu homônimo europeu, o PSD não era uma agremiação de esquerda, mas de centro-esquerda; reformista, dir-se-ia hoje, mesmo porque ser “gauche” na vida sempre fora receita de sucesso.

Em 1964 dá-se a morte no mês de fevereiro do líder pessedista, o Senador Leite Neto, sem que este visse o Golpe Militar de inspiração udenista se fazer vitorioso no país, e colocando o PSD, o partido de Zé Carlos, no comando do Estado com o Governador Celso Carvalho.

Viria depois a reforma partidária extinguindo o multipartidarismo.

Os militares acreditavam que o problema do país seria melhor resolvido com o bipartidarismo, talvez por inspiração norte americana. Seriam criados a ARENA, Aliança Renovadora Nacional, e o MDB, Movimento Democrático Brasileiro.

Horácios, Curiácios, pancrácios e pascácios ingressaram festivamente na ARENA.

Zé Carlos, talvez porque quisesse comandar um partido, assumiu o MDB, preferindo batear aridez desértica de homens e ideias, envolvendo seu próprio pai, Oviedo, numa campanha difícil; impossível mesmo.

Oviedo, o “bom sujeito”, perdeu a eleição para o Senado, e Zé Carlos, quase não renova o seu mandato de Deputado Federal em 1966.

Em 1970, novas eleições, o “bom sujeito” novamente concorria ao Senado, logrando nova derrota, desta vez acachapante, porque nem Zé Calos, o grande líder, conseguiria a suplência para a Câmara Federal, embora obtivesse a segunda maior votação, em termos absolutos, faltando-lhe o MDB em suficiência de legenda.

Como ser um líder político sem mandato, se comandados sempre resistem à obediente hierarquia?

Eis que1974 se aproxima. Ulysses Guimarães tenta conter moderados e autênticos no MDB nacional. Encara uma anticandidatura à Presidência da República, para denunciar o Colégio Eleitoral.

Idas e vindas aconteciam, o mar ficando revolto, um desafio a timoneiros nas tormentas,

Por estas e outras, e porque não mais ousassem lançar-se nas procelas desconhecidas das urnas, nem Oviedo, nem Zé Carlos ousam pleitear o Senado como muitos o queriam. Irão concorrer às Câmaras Federal e Estadual, desta vez obtendo sucesso.

Uma decisão que não se lhes revelou de todo feliz, afinal 1974 fora um ano em que o MDB se vitoriara, Brasil afora, desferindo profunda, mas não fatal, punhalada no regime militar produzindo 16 derrotas que abalaram o país.

Analisando tal debacle, Sebastião Nery, diria que diferente do resto do país, um médico que nunca fora político, Gilvan Rocha, elegeu-se Senador por Sergipe.

Era o palanque dos Teixeira sendo bem mais fértil aos correligionários, que a si próprios.

Na eleição seguinte, a de 1978, vigia o “pacote de abril de 1977”, editado pelo General Geisel, criando a figura do “Senador Biônico”, a ser eleito indiretamente, e a sublegenda partidária, o que evitaria as surpresas oposicionistas da eleição anterior.

Por repetida insuficiência de avaliação, Zé Carlos achou que era agora sua a vez de se vitoriar ao Senado.

Ledo engano. A sublegenda o derrotaria mais uma vez.

Ei-lo de novo na planície, sem mandato, com outras lideranças assumindo o proscênio da oposição, entre autênticos e moderados.

Viria agora o retorno dos cassados, daqueles que mourejaram inelegibilidades políticas por longos anos.

A eleição de 1982 mostraria, em equivocada porfia, que em Sergipe não vinga Fênix. Candidato à Câmara Federal, Seixas Dória, “o réu sem crime” não teria sucesso, restando suplente de Zé Carlos em sua penúltima disputa eleitoral.

Penúltima, porque na última, em 1986, faltaram-lhe 52 mil votos, aí incluídos muitos dos seus antigos liderados, na tentativa de empalmar o Governo de Sergipe.

Sergipe é difícil. Foge aos padrões nacionais.

Se foi dito acima que aqui não nasce Fênix, na eleição de 1986 o MDB foi vitorioso em todo o país, em alvíssaras de Nova República e em revérbero do Plano Cruzado.

Em Sergipe, lamentável, o MDB, agora como PMDB, seria o único derrotado.

De Zé Carlos poder-se-ia dizer muitas coisas, seu amor à cultura, sua atuação como último Prefeito Biônico de Aracaju quando demonstrou uma eficiência jamais imitada pelos que o sucederam, sua atuação como Secretário da Cultura, incentivando a nossa Orquestra Sinfônica.

Zé Carlos, porém, não seria escandido ao lixo da História. Seria ainda um Vice-Governador na eleição de 1990, agora como companheiro de chapa de João Alves Filho.

Depois a fragilidade tolheu-lhe os passos.

Igual a Dom Luciano, foi um herói dos novos tempos, um combatente retirado da luta, antes da hora. Oportunidade para que outros pudessem fazer melhor história.

Continuando a rememorar feitos, se já escrevi bastante, desejo enaltecer também a figura do Médico José Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, Professor da Universidade Federal de Sergipe, Ex-Prefeito de Aracaju, “Prefeito Biônico”, como se dizia a razia carrapata de então, para denunciar uma ilegitimidade eleitoral.

Um grande homem de Sergipe

Os homens têm que ser dignos, corretos e responsáveis. E Dr. Sóstenes o foi.

Foi um prefeito admirável como poucos antes dele sobretudo depois, eleitos ou nomeados.

Um verdadeiro varão de Plutarco sem perquirir vãs homenagens nem vantagens vis.

Vejo-o, voz frágil, em terna e tosca eloquência, dirigindo por décadas a oração ao cadáver desconhecido, nas formaturas dos novos médicos, recomendando a temperança na vida e na profissão.

Dr. Sóstenes foi outro combatente retirado da luta antes do tempo, deixando como Dom Luciano e Zé Carlos Teixeira uma abundante saudade.

Quanto aos policiais Capitão Oliveira e a Sargento Eliana Costa Silva, ambos mortos por balas covardes, diferentes de Aquiles, Ulysses ou Sócrates sacrificaram suas vidas por sua cidade ou pela de seus concidadãos.

Eles não tiveram absolutamente medo da morte, pensaram talvez em Cristo ao escolher a morte para salvar os outros.

Sócrates aceitando a sentença de seus concidadãos não salvou ninguém, nem deu a vida por eles.

Sêneca, que o imitou três séculos depois, não salvou nem por seu suicídio o seu carrasco, o Imperador Nero.

A que categoria pertencem o homem que arriscou sua vida para salvar uma criança na França, os policiais falecidos em combate e os sergipanos notáveis pranteados?

Nas Gáleas houve celebração pelas redes sociais como heróis, até com direito a discurso presidencial. Aqui nem tanto.

Será suficiente para salvar suas memórias do esquecimento?

O feito destes homens e mulheres demonstrando a Virtus do Guerreiro, a força do soldado, a inteligência prática do atleta, a cultura e os saberes são suficientes para firmá-los como heróis?

Para o Professor Ratti, isso não é suficiente; é preciso haver uma dimensão literária para a ereção do herói.

Alexandre Magno visita a tumba de Aquiles, 
o Herói troiano cantado por Homero.

E arrima-se, sem citar Plutarco, o Historiador latino do final da antiguidade, narrando o desejo realizado por Alexandre, o grande, em visitando o túmulo de Aquiles, para adorná-lo com uma coroa.

Afinal diante da sepultura de Aquiles, o grande herói macedônio dissera referindo-se à história de seus feitos amplificados na Ilíada por Homero: "Tu, ó jovem herói, tivestes a sorte, por ter encontrado um escritor igualmente notável para enfatizar os  feitos”.

No pensar do Professor Ratti, por arrimo de Plutarco, não há heróis sem grande memorialista, e Cicero já reclamara que ninguém, entre os seus amigos, concordara em celebrar a sua Glória.

É necessário, portanto, que os valores incorporados por um herói sejam repetidos por leitores em potencial, o que nos faz voltar à questão dos sentimentos partilhados entre um protagonista, seu autor, e o público que tudo vê aplaude, apupa ou desdenha; uma questão comparável de cota e grandeza, engrandecida ou amiudada.

Seriam Dom Luciano Duarte,  Zé Carlos Teixeira, Cleovansóstenes Aguiar e os policiais mortos, heróis combatentes e exemplos notáveis a exibir na história sergipana?

Creio que sim, e aqui estou eu a louvar a passagem deles entre nós.

A estes bem vale ouvir de Mozart o seu requiem lacrimoso > youtu.be/k1-TrAvp_xs
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* Professor emérito da Universidade Federal de Sergipe, onde foi chefe do Departamento de Física e Diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Vem colaborando como articulista com o Jornal de Sergipe, Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade e o Correio de Sergipe. É autor do livro de crônicas "Despercebido, ...mas não indiferente", e outros trabalhos de interesse acadêmico.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/odilonmachado

Diversidade é destaque na terceira noite de eliminatórias do Arranca Unha












Fotos: Pritty Reis

Publicado originalmente no site da SECULT, em 18 de junho de 2018

Diversidade é destaque na terceira noite de eliminatórias do Arranca Unha

Não existe idade certa, tamanho ou largura. Mulher pode fazer o papel do homem, e vice versa; o lema é diversificar e incluir. Esse foi o sentimento compartilhado com o público que prestigiou o terceiro dia de eliminatórias do Arraiá do Arranca Unha, no último domingo, 17. O evento faz parte do Encontro Nordestino de Cultura, promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

O marcador da quadrilha junina Buscapé, José Vinicius, se orgulha da diversidade do seu grupo. “A nossa quadrilha é muito inclusiva pelo fato de não existir distinção nenhuma de uma pessoa para outra. Temos dançarinos idosos, crianças, transexuais, e isso nos dá muito orgulho. Acredito que estamos aqui para somar e fazer nosso melhor, independente de competição”, destacou.

Exemplo disso é dona Claudinete de 62 anos, que faz parte da Buscapé há mais de 20 anos e acompanhou o crescimento da quadrilha. “As gerações se misturam e a cada ano que passa eu me sinto mais à vontade e disposta a continuar. Sempre me sentir muito acolhida, a dança está no meu sangue. Quero dançar até os últimos dias da minha vida,” afirma.

Classificadas

O Arranca Unha marca a nova e repaginada fase do Centro de Criatividade, que passou por uma ampla e boa reforma. As classificadas da noite que disputarão as semifinais foram as quadrilhas Arryba Saia e Cacimba Nova, que se juntaram na disputa com as quadrilhas Xodó da Vila, Assum Preto e Cangaceiros da Boa, classificadas na primeira noite de competição, e  Meu Sertão e Amor Caipira, que garantiram vaga no segundo dia de eliminatórias.

Na próxima sexta-feira, 22, serão escolhidas as últimas semifinalistas. As apresentações iniciam a partir das 20h, com as quadrilhas Unidos em Asa Branca, Pioneiros da Roça, Apaga a Fogueira, Meu Xodó, Balança Mas Não Cai e Século XX...

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br

Início dos Festejos do Arraiá do Povo, na Orla de Atalaia, em Aracaju









Fotos: Pritty Reis

Publicado originalmente no site da SECULT, em 19 de junho de 2018

Governo de Sergipe dá início aos festejos do Arraiá do Povo

Com um emocionante concerto junino, a Orquestra Sinfônica de Sergipe (Orsse) abriu a programação da 11ª edição do Arraiá do Povo, acompanhada do grupo Crav&Rosa. Em seguida a Quadrilha Junina Pioneiros da Roça animou o público presente. O Trio Nordestino deu continuidade a festa fazendo com que o público fizesse uma viagem no tempo através de canções consagradas pelo grupo. Logo após o cantor Geraldo Azevedo, seguido pelo grupo Pavio do Forró, encerraram a noite de muita festa, alegria e forró.

O Arraiá do Povo, que faz parte do Encontro Nordestino de Cultura, evento promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), tem como objetivo manter vivas as tradições do ciclo junino no Estado de Sergipe, como explica o governador, Belivaldo Chagas. “É indispensável a realização do Arraiá, pois aqui podemos reunir em um só lugar diversas manifestações culturais do nosso Estado. Aqui a família se sente em paz e é assim que queremos que o povo sergipano se sinta”, diz.

Um dos nomes mais esperados da noite foi o cantor pernambucano, Geraldo Azevedo, que conta como esse momento com o público sergipano foi especial. “Voltar para Aracaju é sempre muito bom, aqui há sempre um encontro maravilhoso, uma interação muito grande do público comigo. Não podia deixar de tocar aqui, onde tenho uma ligação muito grande”, afirma.

A jornalista Regiane Sá se divertiu muito e segundo ela, essa é a melhor época do ano. “Gosto do Arraiá do Povo, pois me sinto segura aqui. Além do Governo do Estado valorizar as bandas sergipanas, também valoriza o forró nordestino, e resgatar tradições através da música e das quadrilhas é muito bom. O show de Geraldo Azevedo foi maravilhoso e sem dúvidas o período junino é o melhor”, destacou.

Os Festejos Juninos do Encontro abrigam também o Arraiá do Arranca Unha, no Centro de Criatividade, localizado no bairro Getúlio Vargas, com o concurso de quadrilhas que começou no dia 15 de junho, e o concurso de quadrilhas do Arraiá do Gonzagão, que terá início nesta sexta-feira, 22. “Vemos um apreço muito grande da população por esses eventos realizados pelo Governo do Estado, pois são festas que envolvem as famílias, com tranquilidade, segurança e atrações que exaltam nossa cultura popular”, destaca o secretário de Estado da Cultura, João Augusto Gama.

Já no Coreto Ismar Barreto, o público assistiu a apresentação dos grupos Menestréis No Arraiá, Iracema Do Forró, Tuica e A Boneca Sebastiana, Odir Caius e Forró Da Intimidade. A festa, que segue até o dia 30, reunirá mais de 60 atrações entre artistas e bandas sergipanas, nordestinas e de destaque nacional, quadrilhas e grupos folclóricos, selecionadas via edital. Mais uma vez, o espaço conta com toda infraestrutura para os visitantes, formando uma verdadeira vila do interior, com igreja, bodega, estandes de comidas típicas, artesanato, além de espaço kids, tablado e palco.

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pesquisador explica os significados dos símbolos juninos

Bandeirolas eram usadas com imagem de santos
Foto: Arquivo Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 19/06/2018 

Pesquisador explica os significados dos símbolos juninos

Cada item característico do período tem razão para tal função

Bandeirolas, fogueira, comidas típicas, quadrilhas, milho, fogos. Impossível não associar esses itens ao período junino. Cada um desses símbolos, no entanto, tem uma razão para figurar como característica do São João. O pesquisador Lindolfo Amaral conversou com nossa reportagem e explicou.

Confira a matéria no vídeo abaixo:


Texto, imagem e vídeo reproduzidos dos sites: youtube.com e infonet.com.br

Abertura da 11ª edição do Arraiá do Povo, da Orla da Atalaia















(Clique nas fotos para ampliar)
Abertura da 11ª edição do Arraiá do Povo, 
da Orla da Atalaia, na noite desta segunda-feira (18)
Fotos: André Moreira/ASN

Publicado originalmente no site da ASN, em 18 de Junho de 2018

Belivaldo Chagas participa da abertura dos festejos juninos do Arraiá do Povo 2018
Evento começou hoje (18), na Orla da Atalaia, e segue até o dia 30 deste mês, reunindo grandes atrações locais e nacionais. O Arraiá do Povo faz parte do Encontro Nordestino de Cultura 2018, que também engloba as festas do Gonzagão e do Centro de Criatividade
O governador Belivaldo Chagas abriu os festejos juninos da abertura da 11ª edição do Arraiá do Povo, da Orla da Atalaia, na noite desta segunda-feira (18). A festa seguirá até o dia 30 deste mês e faz parte do Encontro Nordestino de Cultura 2018, que também engloba as festas do Gonzagão e do Centro de Criatividade.

Realizado pelo Governo de Sergipe através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o Arraia do Povo reúne shows com atrações locais e nacionais, além de quadrilhas, grupos folclóricos, trios pé de serra e muitas comidas típicas. Os artistas e grupos foram selecionados através de edital, que priorizava a autenticidade da cultura regional e do forró. Na noite de abertura, se apresentaram a Orquestra Sinfônica de Sergipe, a Quadrilha Pioneiros da Roça, o Trio Nordestino, o grupo Pavio do Forró e o cantor Geraldo Azevedo.

Para Belivaldo, o Arraiá do Povo representa a valorização da cultura nordestina e do autêntico forró. “Esse é um dos mais importantes encontros culturais nordestinos, que acontece na Orla de Atalaia, e mais uma etapa das festividades do mês de junho, em Aracaju. Aqui, o Governo do Estado, ao lado de vários parceiros, garante a continuidade dessa festa, que é sucesso de público há anos, com uma vasta programação, composta por artistas sergipanos e algumas atrações de renome nacional. De hoje até o dia 30, teremos shows todos os dias para que as famílias possam comparecer e se divertir neste evento, que também é uma das portas de entrada para os turistas de todo Brasil”, destacou.

O secretário de Turismo, Cincinato Júnior, que também esteve no evento, afirma que o Arraiá do Povo é uma festa que já está consolidada no calendário de festejos juninos do estado, e é de extrema importância, tanto do ponto de vista cultural e artístico, quanto para todo trade turístico da Capital. “A prova desse sucesso é que estamos na 11ª edição dessa festa, que atrai turistas para Sergipe e melhora toda cadeia de produção da rede hoteleira, dos bares e restaurantes, e dos ambulantes que comercializam no entorno da orla da Atalaia”, ressaltou.

E um dos exemplos dessa movimentação turística, relatada pelo secretário, é a visita do aposentado Wanderley Serra, de Santos (SP), que elogiou bastante o evento, e está em Aracaju pela primeira vez. "Fico aqui com minha família até quinta-feira e, até lá, espero curtir mais dessa festa. Achei o evento ótimo, assim como essa cidade. Tudo muito bom mesmo", reconheceu.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, também esteve na abertura do Arraiá do Povo e falou sobre a importância da festa. “O São João é uma festa muito importante para Sergipe porque envolve três fatores fundamentais. Primeiro a cultura, com o resgate daquilo que temos de mais profundo, do ponto de vista das nossas raízes e tradições. Segundo, temos a economia, com o fomento ao turismo, ao emprego e à renda de artistas e comerciantes. Por fim, a alegria do nosso povo, pois é uma festa que mexe muito com nossa alma e nossa história. Esse último ponto, no caso do Arraiá do Povo, pode ser notado até mesmo na estrutura do evento, que reconstrói uma cidade cenográfica, revivendo aquela ideia de cidade pequena, e das origens do forró”, complementou.

Encontro Nordestino de Cultura 2018

Os recursos captados para o Encontro Nordestino de Cultura 2018 são de origem pública e privada. A festa conta com verbas dos Ministérios da Cultura e do Turismo, além do patrocínio da Caixa Econômica Federal e Banese, Instituto Banese e Governo do Estado.  O investimento total é de R$ 2 milhões. Os recursos serão destinados prioritariamente às atrações sergipanas, que representam 87% do elenco de artistas participantes.

Também se iniciam hoje os festejos do Gonzagão, que neste ano contará com um concurso de quadrilhas, até o dia 30 de junho. No Centro de Criartividade, o Arraia Arranha-Unha e o Concurso de Quadrilhas começaram na última sexta-feira (15), e seguem também até o dia 30.

Presenças

Também estavam presentes na abertura do Arraiá do Povo, o ex-governador, Jackson Barreto; o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, Luciano Bispo; o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira; o secretário de Estado da Cultura, João Augusto Gama; a secretária da Casa Civil, Conceição Vieira; o secretário do Turismo, Cincinato Júnior; o secretário de Comunicação, Sales Neto; o diretor-presidente da Fundação Aperipê, Givaldo Ricardo; e os ex-deputados, Rogério Carvalho e Márcio Macêdo.

Programação do Arraiá do Povo – Palco Clemilda

Dia 18 de Junho – Segunda-feira
20:00 – Orquestra Sinfônica de Sergipe
21:00 - Quadrilha Pioneiros da Roça/
21:30 - Trio Nordestino (PE)
23:30 - Geraldo Azevedo (PE)
01:00 - Pavio do Forró

Dia 19 de Junho – Terça-feira
19:00 - Quadrilha Poeirinha do Sertão
19:30 – Luiz Rodrigues Retalhos Nordestinos
21:30 - Quadrilha Xodo da Vila
22:00 - Jorge de Altinho (PE)
00:00 - Wilson Segal

Dia 20 de Junho – Quarta-feira
19:00 – Quadrilha Balança Mais Não Cai
19:30 - Galego do Acordeon
21:30 - Quadrilha Retirante do Sertão
22:00 - Os Três Muleques do Forró/ 00:00 - Falamansa (SP)

Dia 21 de Junho – Quinta-feira
19:00 - Cacimba Nova
19:30 - Fecho de Lenha
21:00 - Quadrilha Unidos em Asa Branca
21:30 - Thays Nogueira
23:00 – Mestrinho
00:30 - Erivaldo de Carira

Dia 22 de Junho – Sexta-feira
18:30 – Quadrilha Nova Vida “Sesc Socorro”
19:00 - Quadrilha Tradição Junina “SEIDH”
19:30 – Aurelino, o Bom do Forró (SE)
21:30 - Quadrilha Assum Preto (SE)
22:00 - Joquinha Gonzaga (PE)
23:30 - Fernando Crateús (CE)
01:00 - Correia dos Oito Baixos

Dia 23 de Junho – Sábado
19:00 – Chiquinho do Além Mar e Forró de Mala e Cuia
20:30 - Quadrilha Cangaceiro da Boa
21:00 - Tata Di Tao
23:00 - João da Passarada
01:00 - Valtinho do Acordeon

Dia 24 de Junho – Domingo
17:00 - Eitcha Companhia de Teatro
18:00 - Grupo Vocal Vivace
19:00 - Batista Do Acordeon
21:00 - Quadrilha Meu Sertão
21:30 - Balança Eu
23:30 - Bicho De Pé (SP)

Dia 25 de Junho – Segunda-feira
19:00 - Quadrilha Apaga a Fogueira
19:30 - Glaubert do Acordeon
21:30 - Quadrilha Pisa na Brasa
22:00 - Lucy Alves (PB)
00:00 - Virgínia Fontes

Dia 26 de Junho – Terça-feira
19:00 - Quadrilha Rosa Dourada
19:30 - Candieiro de Prata
21:30 - Quadrilha Seculo XX
22:00 – Sergival
00:00 - Dorgival Dantas (RN)

Dia 27 de Junho – Quarta-feira
19:00 – Quadrilha Divas Guerreiras da AAACASE
19:30 - Robertinho Dos Oito Baixos
21:30 - Quadrilha Meu Xodó (SE)
22:20 - Antônio Carlos Du Aracaju
00:00 - Targino Gondim (BA)

Dia 28 de Junho – Quinta-feira
19:00 - Mimi do Acordeon
21:00 - Quadrilha Amor Caipira
21:30 - Valter Nogueira
23:00 - Waldonys (CE)
01:00 - Os Gonzagas (PB)

Dia 29 de Junho – Sexta-feira
19:00 - Nana Trio
20:30 - Quadrilha Balanço do Nordeste
21:00 - Sena e o Forró da Roça
23:00 - Luiz Paulo
01:00 - Sérgio Lucas

Dia 30 de Junho – Sábado
19:00 - Sofiva Baiões
20:30 - Quadrilha Arriba a Saia
21:00 - Cebolinha do Forró Biss
23:00 – Petrucio Amorim (PE)
01:00 - Forró Maturi

Texto e imagens reproduzidos do site: agencia.se.gov.br