segunda-feira, 28 de julho de 2014

Uma Noite para Clemilda.



Publicado originalmente no Jornal da Cidade.Net

Uma Noite para Clemilda.
Por Araripe Coutinho.

Ela já exaltou Sergipe em algumas de suas canções e o chamou de querido dos seus sonhos, mas nesta quarta-feira, (18/07/2014), foi a vez de Sergipe exaltá-la e agradecer-lhe pela devoção e respeito à terra que escolheu como sua. Essa pessoa encantada pelas terras sergipanas é Clemilda Ferreira da Silva, homenageada com muita justiça e carinho pelo Instituto Banese e pelo Governo de Sergipe com a exposição ‘Clemilda Morena dos Olhos Pretos’.

A bela homenagem não poderia deixar de contar com a presença do povo sergipano, agraciado ao longo dos 50 anos de carreira da cantora com a sua alegria e com o seu autêntico modo de fazer forró, foi por isso que o foyer do Museu da Gente Sergipana foi tomado por apreciadores da Clemilda artista e da Clemilda mulher. “Eu não tenho modéstia pra falar de Clemilda. Participei com muito prazer e orgulho de momentos importantes de sua vida e por isso digo que essa homenagem linda já poderia ter acontecido, afinal ela é uma diva nacional, respeitada até por Luiz Gonzaga, uma cantora que marca o forró com muita cadência e por isso se tornou um nome importante na música brasileira. Ela merece tudo isso que está aqui. Parabéns pela iniciativa”, afirma Augusto Barreto, o palhaço cheiroso, como é chamado pela artista.

Fotos e texto reproduzidos do site: jornaldacidade.net/araripe-leitura   

Festa do Mastro no município de Maruim (Dias 26 e 27/07/2014)


Festa do Mastro no município de Maruim/SE.

A tradicional Festa do Mastro acontece nos dias 26 e 27 de julho, sábado e domingo, respectivamente.

Organizada pelos moradores do bairro Coelho, a festa tem apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

“A festa faz parte do calendário festivo de Maruim e além de proporcionar entretenimento proporciona fonte de renda para vários comerciantes”, destacou o secretário municipal de Cultura e Turismo, Gilton Rezende.

Festa acontece neste sábado e domingo.

Foto e informação do site: infonet.com.br/cultura

Antigo prédio da Alfândega vai se tornar um Centro de Cultura e Lazer


Publicado originalmente no site f5news, em 20/07/2014.

Antigo prédio da Alfândega vai se tornar um Centro de Cultura e Lazer

Notícias Sergipe.

A Prefeitura de Aracaju está prestes a entregar à população mais um espaço de cultura e lazer. A obra de reforma do antigo prédio da Alfândega está em fase de conclusão e será entregue até o final deste ano. Totalmente reformado o prédio passará a abrigar o Centro Cultural de Aracaju.

O secretário do Planejamento e Orçamento de Aracaju, Igor Leonardo Moraes Albuquerque explica que a reforma foi possível graças à parceria firmada entre a Prefeitura de Aracaju e o Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. "Trata-se de um importante centro cultural que vai expor a história de Aracaju, portanto fortalecerá a cultura, sendo mais um espaço para a classe artística apresentar sua arte", diz.

A convite da Seplan participaram de uma visita técnica de apresentação o presidente da Câmara de Vereadores de Aracaju, Vinícius Porto, o secretário da Articulação Política e das Relações Institucionais, Juvêncio Oliveira, e a presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização, Maria do Socorro Barros Andrade Cacho. A secretária adjunta de Cultura, Aglaé D'Ávila Fontes, também acompanhou a visita.

Localizado no Marco Zero de Aracaju, no coração do centro comercial da capital, a Praça General Valadão, o prédio foi erguido na segunda metade do século XIX, passando por reformas somente em meados do século seguinte, para então sediar a Receita Federal, depois foi desativado. Tombado por meio do decreto estadual nº 21.765, de 09 de abril de 2003, o prédio foi transferido da União para a Prefeitura dois anos depois.

"O Centro Cultural abrigará uma série de bens culturais da cidade de Aracaju", observa e comemora Aglaé Fontes. O espaço contará com salas de aulas, loja de lembranças de Aracaju, biblioteca, espaços para exposições, Cyber Café, Memorial da Receita federal, teatro, sala de cinema, entre outros. As obras de reforma do antigo prédio da antiga Alfândega de Aracaju se configuram em mais um investimento da administração municipal na restauração de prédios públicos.

Foto: Sérgio Silva
Fonte: Agência Aracaju de Notícias.
Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br


Infonet - Cultura - Noticias - 24/07/2014.

IPHAN faz vistoria no novo Centro Cultural de Aracaju
Casarão está sendo restaurado e será inaugurado no fim do ano.

Em vias de conclusão de obra, o antigo prédio da Alfândega foi visitado, nesta quinta-feira, 24, por representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O casarão está sendo restaurado para abrigar o novo Centro Cultural Cidade de Aracaju, que deve ser inaugurado até o final deste ano.

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a superintendente de Sergipe do IPHAN, Terezinha Oliva e o arquiteto, Kleber Rocha Queiroz, fizeram uma vistoria técnica pelo prédio. A visita foi guiada pela vice-presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), Aglaé Fontes, que é responsável pelo planejamento cultural do espaço, e acompanhada pelo assessor, Gustavo Aguiar e o restaurador encarregado pela obra, Cristiano Lopes.

"Independentemente do pedido do Ministério, há um interesse do IPHAN de sempre acompanhar qualquer projeto que envolva o patrimônio histórico e cultural das cidades", afirmou Terezinha Oliva, que disse estar encantada pela beleza da edificação.

Localizado na Praça General Valadão, Marco Zero de Aracaju, o prédio foi erguido na segunda metade do século XIX. Porém, foi em 1928, depois de uma grande reforma, que ele ganhou os moldes resgatados hoje. "Observamos nesta vistoria que a reforma toda foi baseada em um levantamento histórico prévio sobre arquitetura original, o que atende as exigências e ressalta ainda mais beleza do prédio no passado", destacou o arquiteto do IPHAN.

A restauração buscou preservar as características arquitetônicas do prédio influenciadas pelo ecleticismo do século XX. Segundo o restaurador, o principal objetivo do projeto era a fidelidade estética, histórica e artística da construção original. "Através das diferentes técnicas de restauro, buscamos respeitar os princípios básicos da legibilidade, durabilidade e reversibilidade", explica Cristiano Lopes.

O casarão, tombado como Patrimônio Histórico Estadual, foi todo reorganizado para abrigar salas de oficinas, museu, memoriais, teatro, biblioteca, sala de exposições, cine clube, entre outras ocupações. "É por isso que chamamos de Centro Cultural, pois esse espaço vai oferecer uma grande diversidade de atividades artísticas e culturais para a nossa cidade", enfatizou Aglaé Fontes.

Fonte: AAN.
Foto: divulgação.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Livro imortaliza ex-governador Marcelo Déda


Infonet - Cultura - Noticias - 22/07/2014.

Livro imortaliza ex-governador Marcelo Déda
“Improvável Poética” será lançado nesta quarta-feira, 23/07/2014

Nesta quarta-feira, 23, o Museu da Gente Sergipana será palco para o lançamento do livro “Improvável Poética”, que destaca 44 poemas de autoria do ex-governador Marcelo Déda, produzidos em diferentes momentos do autor. Os poemas e as fotografias que ilustram a obra foram selecionados pessoalmente pelo próprio ex-governador e editado pela Editora Imago, no Rio de Janeiro.

O lançamento está previsto para às 19h e será regado por um sarau “Homenagem ao Poeta”, com participação de músicos, poetas e atores sergipanos. Familiares e organizadores do evento deixam claro que o convite está aberto a todos interessados em participar da homenagem que será feita à memória do ex-governador.

A viúva Eliane Aquino, uma das organizadoras do lançamento do livro, acredita que esta será uma das obras que o tornará imortal. Ela revela que possui um grande acervo poético do ex-governador suficiente para publicar outros dois livros.

Outras obras poderão ser lançadas, mas vai depender da captação de recursos, conforme afirma a viúva. O próximo lançamento já está em andamento. Trata-se de um livro contendo os 100 melhores discursos do ex-governador. Os discursos já estão sendo compilados pelo professor Jorge Carvalho e, posteriormente, serão selecionado por um grupo de amigos e familiares do ex-governador.

Eliane Aquino destaca a importância da preservação da memória do ex-governador, que morreu em dezembro do ano passado, especialmente como exemplo para as futuras gerações no respeito aos princípios éticos e cuidado com o erário. Para a viúva, a obra será um meio de mostrar à nação o lado poético de Marcelo Déda, que também era um homem amante da literatura e da arte.

O economista Oliveira Júnior, que atuou como preparador de originais dos poemas, destaca que o Instituto Marcelo Déda também será um dos pilares para a disseminação do pensamento do ex-governador. O Instituto nasce com um espaço virtual, onde estão postatadas cerca de 130 mil fotografias e mais de 50 mil posts relativos à atuação política de Marcelo Déda enquanto prefeito de Aracaju e governador de Sergipe. "O Instituto já nasce com o maior acervo digital do Estado", destaca Oliveria Júnior. Para conhecer o acervo, o internauta pode acessar www.institutomarcelodeda.com.br.

Por Cássia Santana.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

Foto: Reprodução/Divulgação.

Insaite por Marcelo Déda


(Insaite por Marcelo Déda)

Das certezas

Na última mesa onde nos encontramos, de você, esquálido, mas brilhante como sempre, acho que o ouvi dizer:
– Perdi todas as certezas.

A frase ricocheteou na louça, ofendeu o arranjo florido que enfeitava a mesa, tirou fino na minha conveniente circunspecção e penetrou lancinante bem aqui no coração do poeta.

Digo-lhe que as certezas de várias gerações se embaralham com as suas, cabra!
Nossos ganhos morais, a inteligência que nos resta e o épico de nós,
são as certezas que enriquecem a nossa história e que lhe foram confiadas.
Guardamos em você a preciosa certeza de que temos de mudar o mundo, haja na vida, ou na morte, o que houver!

Como então, companheiro, as declara perdidas?
Você não diga mais isso, poeta, pelo menos em minha presença.

Entrelaçamos bilros frágeis no travesseiro da história, linhas sensíveis, beleza arisca que se destina a contemplações futuras.

Fico aqui, tranquilo, adereçando babados, porque lhe confiei a guarda dos meus trançados, a paz da minha janela, a água fresca no pote,
a guarda dos meus sonhos mais revolucionários.

Você é o nosso único Marcelo Deda, lembre-se sempre.

Amaral Cavalcante -16/12/2009

Post migrado da página do Facebook/MTéSERGIPE

terça-feira, 22 de julho de 2014

Aracaju sob um novo olhar histórico.




Artigo publicado pelo Portal Infonet, quando da comemoração dos 150 anos da Cidade de Aracaju. (2005)

Aracaju sob um novo olhar histórico.

Aracaju 150 anos. Esta é uma idade a qual os homens nem sonham em chegar. Contudo, quando falamos dela nos referindo a uma cidade, isto pode parecer apenas uns poucos anos de vida... A aniversariante, então, se torna uma jovem de poucos 150 anos. Ou, como alguns gostam de dizer, a cidade assume o papel da debutante centenária. Esse é, hoje, o lugar que Aracaju ocupa diante dos olhos de quem nela vive, passa ou ouve falar.

É dessa Aracaju que fala José Gentil Leite nos versos do hino, escolhido através de um concurso pela Prefeitura de Aracaju, do Sesquicentenário. “Cajueiro dos Papagaios/ É o seu nome que vem do Tupi/ Tu és bela, Cidade Menina/ Tuas praias tão lindas, sem fim!/ Teus recantos de rara beleza / São encantos pra quem vem aqui/ Deslumbrante morena praieira/ Nós morremos de amor só por ti”.

E esta jovem de 150 anos já possui muita história para contar. Uma história às vezes controversa, cheia de nuances e cores, a depender do foco que escolhe quem a observa. Entrevistado pelo Portal InfoNet, o professor doutor em História da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Antônio Lindvaldo Sousa, expôs o próprio olhar sobre a história da cidade. De antemão, ele expõe o ponto de vista que utiliza em suas pesquisas.

“Hoje em dia, o meu conceito de história é o de quem trabalha com o cotidiano, com os homens comuns que choraram e sofreram. É a história de carne e osso. Não a história das estruturas, dos grandes nomes, dos heróis”, esclarece. Sob esta ótica, o professor fez uma relato extenso da evolução da capital nestes 150 anos, tendo como ponto de partida a sua gênese, em uma antiga vila de pescadores. Ele também fala se, através da história, é possível descobrir a ‘marca’ de Aracaju e um pouco mais sobre o seu povo.

O NASCIMENTO - Colina do Santo Antônio. Esse é o local onde boa parte da população acredita que Aracaju nasceu. Antes de ganhar o status de cidade, a capital sergipana era apenas o povoado Santo Antônio do Aracaju. É, a partir desse arraial de pescadores estabelecido em torno da capela de Santo Antônio, na sesmaria de Pero Gonçalves, que muitos imaginam o início de tudo.

Idealizada para ser a capital de Sergipe Del Rey, Aracaju surge da visão futurista, pode-se assim dizer, do governador da Província em 1853, Inácio Joaquim Barbosa. Para planejar a cidade com o que tinha de mais moderno no século XIX, o governador contrata o engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro. O projeto foi feito a partir da construção de quarteirões simétricos e linhas retas que lembram um tabuleiro de xadrez, hoje chamado de Quadrado de Pirro em função do seu idealizador.

Em 17 de março de 1855, Aracaju passa a ser cidade através da Lei nº 413. No entanto, há inúmeros pontos de discordâncias dentro da história de nascimento da capital sergipana. Segundo Lindvaldo, Aracaju teria surgido no quadrante onde se localiza hoje o Edifício Maria Feliciana e a avenida barão de Maruim. Segundo ele as pessoas tentam encontrar a origem da cidade na colina de Santo Antônio baseando-se na resolução que determina a transferência da capital de São Cristóvão para o então povoado. Esta dizia que a capital de Sergipe passa de São Cristóvão para onde fica a aldeia, ou seja, a região de povoamento do Santo Antônio.

"Isso acontece porque as resoluções, todas elas, obedeciam à regra de que não havia nenhuma construção de cidade em um espaço vazio. Tinha que ser próximo a um determinado núcleo de povoamento para daí surgir. Mas se isso consta na documentação, há também vários documentos do próprio Inácio Barbosa, e da elite que o acompanhava, que demonstram um certo preconceito sobre as cidades históricas de ladeiras, de ruas tortas, do tipo de São Cristóvão, que era capital”, explica o historiador, que também destaca que ao se pensar em uma nova capital para Sergipe, o governo da época não considerou apenas nos aspectos geográfico e econômico.

“Pensa-se, também, na idéia de um futuro promissor para Sergipe, acompanhado de desenvolvimento econômico. Hora, se há uma idéia futurista, uma mentalidade progressista, acredita-se que essa cidade tem que ser uma cidade planejada a partir do que há de mais novo no final do século XIX”, revela. O professor informou que, naquele período, foi justamente quando aconteceu o florescimento da produção da cana de açúcar no Vale do Cotinguiba. “Sendo assim, um dos motivos para transferência é a economia, pois Aracaju ficava perto da região produtora. Mas essa não é a única explicação para a mudança de capital. Há um pensamento maior. E é aí que muita gente não dá conta, porque isso é uma questão da historiografia da Universidade, de uma corrente de pensamento que inclui a história cultural”, acrescenta.

Levando em conta todos estes fatores, o professor concluiu algo que, para muitas pessoas acostumadas a ouvir a tradicional história sobre o nascimento da cidade, é surpreendente. “Ninguém construiria uma cidade onde o centro seria na Colina do Santo Antônio. Se fosse assim, somente se iria repetir São Cristóvão. Dessa forma, a cidade é construída com o que há de modelo, até porque só existiam duas cidades planejadas na época: Teresina e Aracaju, que na verdade é um tabuleiro de xadrez. A partir disso, Aracaju é construída no mangue, no areal. Então, se a questão fosse fazer o mais fácil, este seria começar a cidade a partir do povoado que já existia, mas não era isso o que Inácio Barbosa queria”, defende.

Para confirmar o ponto de vista, o historiador afirma que a noção de cidade no alto era uma idéia dos séculos XVII e XVIII, pois estas eram construídas contra as invasões holandesas, francesas, de índios e negros. “É um visão retrógrada acreditar que Aracaju surge no Santo Antônio. Idéia de cidade planejada, indo para o mar, é do final do século XVIII. Cidade no alto é cidade da época da colonização. 1855 era fase do Gabinete do Imperador Dom Pedro II, período em que Inácio Barbosa quis fazer a transferência de capital de São Cristóvão para Aracaju porque acreditava que chegariam verbas diretamente do Império. Os cofres públicos, em Sergipe, por mais que tenham aumentado devido a produção de cana-de-açúcar e de algodão, não tinham condições suficientes para bancar uma ousadia destas em pleno século XIX. Só existiam duas regiões planejadas na época, nem Belo Horizonte, onde eu morei, é desse período. Ao contrário. É de muito tempo depois”, destaca.

Por fim, o professor Lindvaldo Sousa também traçou um retrato das idéias daquela época. “Há uma idéia de progresso que vem do gabinete de Dom Pedro II, justamente na fase em que os liberais conseguem algumas vantagens. A idéia de mudança de capital atende a ala progressista, senão eles não a teriam aceitado. Contudo, em termo de condições econômicas, sociais e políticas Sergipe não era muito representativo lá no Império”, revela o professor.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias

Uma cidade que vive no futuro.


Publicado originalmente pela Infonet/Reportagem, em 17/03/2005

Uma cidade que vive no futuro.

Aracaju tem uma marca? Uma cara? Muito já se discutiu, se especulou, concordou e discordou sobre isto. Mas, ainda, está longe de se chegar a um consenso. Será que as araras, os cajus, o caranguejo, até os arcos da Orla (todos estes já utilizados como símbolos aracajuanos) realmente representam a capital? Representam a sua cultura, a sua tradição, a sua identidade? Para muitos a resposta seria sim. Entretanto, há também quem diga que não. Encontrar algo que simbolize a capital sergipana não é tarefa fácil. Mas o professor Lindvaldo Sousa propõe uma resposta, singular, para a questão.

Para ele deve-se partir, antes de tudo, de outra questão: Aracaju foi construída em que período da história do Brasil? Tendo este ponto de partida, o historiador observa que, através do tempo, a cidade acabou criando uma marca. “Quando a capital foi transferida, era o período da Lei Euzébio de Queiroz, do processo de abolição da escravatura. Um paralelo da situação peculiar que nossa nova capital vivia, naquela época, junto a população pobre (principalmente junto daqueles que não estavam mais sob o jugo da escravidão), é com a São Paulo do século XX, que se tornou um refúgio para aqueles que fugiam da seca e da fome. Aracaju, quando foi construída, era uma esperança”, analisa.

“E foi este povo pobre que ajudou a construí-la. Então eu pergunto: o que é a marca de Aracaju? Acredito que é esconder a favela, a pobreza. Aracaju sempre cria a idéia de que é uma cidade moderna, nova, que vai acontecer. Por outro lado, esta mesma cidade nunca se pergunta onde estão os outros. Não os heróis, mas os homens pobres, a população anônima que também foi responsável por sua existência”, alerta o historiador.

Ele continua: “Aracaju tem passado? Parece que quando você abre os jornais o que se vê é apenas a nova Aracaju. Então, a marca de Aracaju é a idéia de que ela tem sempre um futuro promissor. Que tem futuro e que não tem passado. O passado é São Cristóvão e Laranjeiras”, ressalta. Por mais chocante que pareça a afirmação, não deixa de ser um ponto de vista que vale ser analisado. Enquanto explica a análise tão crua que faz da cidade, o professor não deixa de se cercar de argumentos. Entre eles o de que a capital não só surgiu sob a égide da modernidade – com o traçado do projeto de Pirro e tudo mais – mas que também guarda em si um elemento de colônia, que é a igreja. E esta também é outra marca da cidade.

“A Igreja Nossa Senhora da Conceição, hoje a Catedral Metropolitana, também foi pensada. Sendo assim, reforça que a marca de Aracaju, em plena modernidade, abriga elementos da religiosidade. E não só a católica. Por isso a cidade também pode ser pensada através da festa de Bom Jesus, da festa de Santo Antônio, das praças que eram sempre ocupadas para festas de final do ano, de Reis. Desse modo, Aracaju é uma cidade que, por mais que a historiografia não revele isso, une o novo e o velho”, destaca o professor. Segundo ele, fatos pequenos, de um cotidiano que se afasta mais e mais da memória popular, são os verdadeiros traços que formam a fisionomia da cidade. “Se analisarmos bem, Aracaju ainda simboliza prédios, mas é um lugar onde a pessoas convivem e andam. E eu acredito que esta é uma marca importante”, defende Sousa.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias

A Cidade Jardim e a Cidade de Palha




Publicado originalmente pelo Portal Infonet 
Reportagem, em 17/03/2005.

A Cidade Jardim e a Cidade de Palha

Naturalmente, do período em que passou a ocupar o posto de capital do Estado até os nossos dias, Aracaju passou por uma série de transformações. Apesar do planejamento inicial, a cidade cresceu gradativamente. Uma das conseqüências foi que a população mais pobre, aos pouco, foi afastada do projeto original. Desta forma nascem os bairros da cidade.

“Quem sobrevoa a cidade percebe que, dentro do ‘Quadro de Pirro’, as ruas Arauá e Itabaiana, por exemplo, são quadradinhos muito bem arrumados. A população pobre não tinha condições de ficar ali e as que ficaram paulatinamente foram expulsas, passou a morar nos arredores do Quadrado de Pirro”, descreve Sousa. Entre os novos bairros que surgem estão o Carro Quebrado (hoje bairro São José), o antigo Aribé (hoje Siqueira Campos), o Manuel Preto e o Chica Chaves (hoje Bairro Industrial).

Por volta das primeiras décadas do século XX, nas administrações de Pereira Lobo e Graccho Cardoso, a cidade adota o modelo da belle époque,a bela época francesa, com as praças ajardinadas. “Busca-se dar a Aracaju uma feição parecida com a que existia em cidades européias. Paris, Rio de Janeiro e São Paulo também eram assim. Por isso, nas décadas de 10 e 20, ela ganha o status de cidade jardim do Nordeste”, revela Lindvaldo Sousa. Quanto a população pobre, o paradeiro era outro. “Eles viviam na rua do Bomfim, no Areal, nos morros e mangues. São estas mesmas pessoas que vão trabalhar nas fábricas de tecido, de sabão, de algodão, assim por diante. Elas também fazem o cotidiano que não aparece e não é lembrado, quando muitos historiadores contam porque Aracaju ficou conhecida como o símbolo da Fênix. Essa analogia surge pelo fato de que Aracaju foi transferida para cá mas, por conta de muitas doenças provindas dos mangues, a cidade ficou em cinzas. O próprio Inácio Barbosa morre pouco tempo depois da nova capital instalada”, relembra.

Foi também durante as décadas de 10 e 20 que o poder público iniciou o trabalho de higienização da cidade, alongando ruas, criando as primeiras redes de esgoto e fazendo as praças com o aspecto que mantêm até hoje. Apesar disso, os subúrbios continuaram ignorados. Lindivaldo cita o livro “Os Corumbas”, de Amado Fontes, como um retrato das condições precárias de quem habitava as redondezas do Quadrado de Pirro. E, nesta dinâmica que permanece, por trás dos edifícios que são construídos pelos ricos que vêm se instalar na capital, existe uma “Cidade de Palha”. Por sinal, muitos estrangeiros que visitavam a cidade se referiam assim a cidade.

“Existe então o Quadrado de Pirro onde, 15 anos depois, já se encontram casas. Neste período também já existe o porto, a Igreja Matriz, a Alfândega, o Palácio do Governo. Dentro do projeto, vez por outra se encontra alguns casebres. Contudo, em volta do Quadrado nós também encontramos esses conglomerados de palha que faz parte de Aracaju. Então, no meu olhar, a cidade não é só o quadrado de Pirro. É mais que isso. Ela é, também, o Aribé e a Colina do Santo Antônio onde ficam os pobres. É onde fica o antigo Carro Quebrado e o Manuel Preto, e assim por diante”, defende o historiador.

E é esta enorme massa anônima que, aos poucos, vai se moldando às novidades da nova capital. No início do século XX, com a implantação de fábricas e grande produção de algodão, além da Primeira Guerra Mundial, é registrado um boom na produção de tecidos. Consequentemente cresce a demanda por mão de obra. Aracaju passa, assim, a ser destino de um povo, nas palavras do historiador, acostumado “com o sol e com o canto do galo”. Aqui, estas pessoas passam a viver o cotidiano das fábricas, com vigilância, apitos, multas e, principalmente, relógios.

“A cidade passa a representar um lugar urbanizado onde, ao mesmo tempo, vivem homens e mulheres pobres. Gente que carrega seus elementos. Por isso, o mercado Thales Ferraz torna-se um lugar simbólico, onde o povo vai se encontrar e narrar os acontecimentos revivendo, milenarmente, as histórias de seus ancestrais. É também aí, no mercado, que além de produtos e gêneros alimentício vamos encontrar a presença de outras culturas que muitas vezes não evidenciamos. Nesse espaço nós vamos encontrar objetos que servem para fazer os rituais afros. Dessa forma Aracaju não é só uma cidade cristã, católica. Nesta cidade existia o velho preto, que fazia as garrafadas, e a cartomante que lia a mão. Em todas essas localidades tinham as festas do Samba de Coco. Na cidade também encontramos rituais que veio com essa população, como a Chegança e o Bumba Meu Boi. Tudo isto, Aracaju teve ao longo das décadas em que foi, paulatinamente, construída”, descreve o professor.

O historiador acredita na possibilidade de narrar uma história diferente. Para isto, segundo ele, basta se dispor a vê-la por outros ângulos. “É impossível falar da história de Aracaju sem as vozes dos que foram silenciados e que estavam a margem em certos sentidos. E aí entram uma série de personagens até recentemente. Não podemos, ainda, desconsiderar que aquilo que ocorre a nível nacional também ocorre aqui. O regime militar com a ‘Operação Cajuana’, por exemplo. Esta é uma página da história que a gente sempre deve lembrar se não vamos cair no ufanismo. Dentro dessa idéia de comemoração é preciso pensar as contradições dessa cidade, dessa jovem de 150 anos” avisa o historiador.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias

19 de julho - Dia Municipal da Literatura de Cordel


19 de julho, em Aracaju, foi o Dia Municipal da Literatura de Cordel.

O Projeto de Lei nº 51/2014 foi aprovado na Câmara de Vereadores de Aracaju. A Proposta construída coletivamente pelos Poetas Cordelistas reunidos no Espaço Cultural Pedro Amaro do Nascimento - Casa do Cordel - foi apresentada e defendida pelo Vereador Iran Barbosa (PT).

O documento define o dia 19 de julho, dia em que o Poeta João Firmino Cabral, patrono da Primeira Cordelteca do Brasil, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

João Firmino, nascido em 1º de janeiro de 1940, viveu exclusivamente da Literatura de Cordel. Em 1º de fevereiro de 2013, faleceu em Aracaju.

Os Poetas Cordelistas, Apoiadores e Apreciadores do Cordel reuniram-se em um Encontro onde o Grande Mestre Firmino foi lembrado.

19 de julho - Dia da Literatura de Cordel - teve, em Aracaju, sua primeira Comemoração.

Foto e informação extraída do Facebook/Fan Page/Leituras Leituras.

157 anos. Por que Aracaju é apaixonante ao primeiro olhar?

Foto: Sílvio Oliveira

Publicado originalmente no site f5news, em 17/03/2012.

157 anos. Por que Aracaju é apaixonante ao primeiro olhar?
Carioca, mineiro, catarinense, baiano, todos num só coração aracajuano

Por Silvio Oliveira

“Comer muito siri, andar de pé no chão, descer a Laranjeiras, entrar no calçadão. (...) então à noite eu vou lá no Fan’s, tomar chopp com Pascoal, papo vai, papo vem, fofocar na faz mal (...). E quando o dia raiar, vou ver o dia nascer, te amo Aracaju, resolvi te viver!”. Foi no caminho voltando para casa, perto dos bares e recantos da capital sergipana, que o compositor Ismar Barreto compôs “Viver Aracaju”, considerada por muitos como a música mais representativa da cidade.

Nos 157 anos da capital, muitos sergipanos e naturalizados acreditam que Aracaju é o melhor lugar para se viver. O privilégio de estar à beira do rio e do mar, a gastronomia, o jeito de viver desconfiado e hospitaleiro do aracajuano, a qualidade de vida e um misto de cidade pequena com tudo que o progresso pode dispor, diferencia-a de qualquer outra capital, transformando-a num lugar impar para morar.

Mineiros, cariocas, catarinenses, baianos, paulistas. Aracaju cada vez mais recebe imigrantes apaixonados por suas peculiaridades, convergindo para ela trabalhadores, desempregados, turistas e simplesmente, futuros cidadãos aracajuanos. “Aracaju é como um flerte, apaixonante no primeiro olhar”, afirma Júlio Morais, baiano, morador de Aracaju há quatro anos.

O baiano tinha uma vida tranquila em Salvador, mas, como bom concurseiro, resolver passar por um processo seletivo para uma vaga de uma empresa de fertilizantes em Sergipe. O concurso lhe rendeu a mudança de vida e de rumo, deixando de lado o jeito baiano de morar, para viver na tranquilidade capital sergipana.

Sandra Maria Coêlho Nunes, consultora organizacional, cearense, diz logo que seu coração é sergipano, até mesmo por concessão da Assembleia Legislativa de Sergipe, que irá, brevemente, intitulá-la como cidadã de Aracaju. Admiradora do jeito sergipano de ser, Sandra Coelho fixou residência há mais de 38 anos e aqui fez crescer a família, conviver com bons amigos e ter uma vida profissional agitada.

“Adoro Aracaju pelo acolhimento do seu povo, a oportunidade de crescimento profissional, a possibilidade de criar raízes, ver minha família crescer no seio de amigos leais e verdadeiros. Aqui eu consegui realizar projetos de vida, tanto pessoal quanto profissional. Amo Aju, suas praias de areias douradas e águas serenas. Aqui é o meu lugar”, confirma.

Diferente de Sandra Coêlho, a psicóloga carioca Elenrose Paesante tem mãe sergipana e pai carioca e, quando criança, de férias, sempre vinha para Sergipe. Da infância carrega a lembrança das praias, das brincadeiras e, principalmente, da liberdade, o que a fez crescer com o pensamento de que iria futuramente morar em Aracaju.

Elenrose Paesante casou, teve uma filha no Rio de Janeiro, e vindo para Sergipe em busca de traquilidade, passou apenas a ser chamada de Elen, por conta da acolhida sergipana.

“Queria um lugar tranquilo para criar minha filha, onde eu pudesse trabalhar e estar mais próxima dela. No Rio não havia possibilidade de almoçar em casa, saia e ficava o dia todo na rua. Aqui consegui conciliar. A cidade vem crescendo bastante desde que vim para cá e hoje já tem coisas que na época de infância não tinha”, destaca Elenrose.

Dos milhares de imigrantes que Aracaju recebe, muitos se apaixonam pela cidade quando vêm de férias, outros são convidados a trabalhar, e, em sua maioria, não planejaram vir morar em Aracaju, mas por ironia do destino, em Sergipe fixaram residência. “Estou aqui pelo simples fato de ter morado em muitos lugares antes e nunca ter sentido paz e tranquilidade como encontrei aqui. Acabei constituindo família (casei com um mineiro, que mora aqui há17 anos e tive uma filha aracajuana)”, relata Daniele Rodrigues Dutra, bióloga, paulista.

Para ela, os 157 anos de Aracaju vêm produzindo conquistas, mas ao mesmo tempo, com muita coisa para se conquistar ainda. “Acho que ainda falta aos próprios aracajuanos se envolverem mais com a busca de soluções para nossos problemas... Se houvessem mais participação da própria população, acredito que as conquistas para a cidade seriam bem mais rápidas”, avalia.

Se perguntado por que veio morar em Aracaju, o mineiro Marcélio Couto, comunicólogo, brinca ao tirar do senso comum a frase: “Todo mineiro sonha em morar perto do mar”.

Ele conta que quando chegou a Aracaju, percebeu que os sergipanos pareciam muito com os mineiros, no ponto de vista de serem desconfiados, porém, não demorou muito para adquirir confiança e ver que os aracajuanos são acolhedores, receptivos e solícitos. “Vim para cá a trabalho e não demorou muito para me acostumar. Percebi que os sergipanos acolhem mais do que em outros lugares”, afirma.

Ruas de Ará

A capital sergipana engloba 0.79% do território do Estado, com uma população de mais de 570.937 habitantes. Somando-se as populações dos municípios que formam a Grande Aracaju: Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros e São Cristóvão, o número passa para 835.564 habitantes.

Aracaju é apontada como a capital com menor desigualdade do Nordeste brasileiro e como a cidade com os hábitos de vida mais saudáveis do país, a exemplo do menor índice de fumantes, segundo o Ministério da Saúde. Também é responsável por praticamente maior parte do comércio sergipano, detém 47% da frota de veículos, metade das importações do Estado e 30% da corrente de comércio de exportações dos produtos mais importantes.

Da Colina do Santo Antônio a orla da praia de Atalaia, a hospitalidade aracajuana pode ser conferida, quer seja nas conversas com Zé Peixe ou no encontro com o último fotógrafo lambe-lambe do Mercado Central. Há algo mais aracajuano do que uma caminhada no calçadão da 13 de Julho, observando a poluição de cidade grande e o traçado arquitetônico do progresso através dos prédios a beira-rio?

A capital sergipana também é uma miscelânea de cores e cultura nos mercados Thales Ferraz, Albano Franco e Antônio Franco. Lá encontra-se desde a maniçoba de Lagarto, aos doces de batata de Propriá, marisco de Pirambu, laticínios de Nossa Senhora da Glória, verduras e frutas do cinturão verde de Itabaiana. Do interior, vem a força do trabalho, fazendo de Aracaju um grande centro cultural e econômico.

A moderna ponte Construtor João Alves e a ponte Joel Silveira incorporaram-se, nos últimos anos, ao traçado arquitetônico que, inicialmente, ganhou forma de um tabuleiro de xadrez projetado pela equipe do engenheiro Sebastião Basílio Pirro.

O antigo Fan’s não existe mais, porém, o bar João do Alho continua fazendo história no bairro 13 de Julho. A orla de Atalaia continua sendo a mais lembrada pelos turistas que lá visitam e a orlinha do bairro Industrial, dá as boas-vindas para quem quer visitar o bairro proletário. “Achei Aracaju uma cidade limpa, bem cuidada. Falta melhorar os serviços nos bares, mas aqui tem tudo que um visitante precisa. Realmente conferi que a orla de Atalaia é muito boa”, ressalta Niche de Souza, turista paulista.

Imagem e texto reproduzidos do site: f5news.com.br