sexta-feira, 28 de abril de 2017

Livro sobre diversidade religiosa será lançado em maio


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 27/04/2017.

Livro sobre diversidade religiosa será lançado em maio.

O lançamento está marcado para a próxima terça-feira, 02

A relação entre direito e religião configura a abordagem central do livro “Religião e Legislação: Uma questão de direito”, do servidor da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, Fábio Dantas de Oliveira. O lançamento está marcado para a próxima terça-feira, 02 de maio, às 19 horas, na Sede da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB-SE).

Segundo o autor, este tema tem ganhado destaque nos últimos tempos do Brasil, sobretudo diante dos diversos casos de intolerância religiosa, amplamente divulgados nos meios de comunicação.  O livro reforça que direito de ter ou não uma religião é assegurado pela Constituição Federal de 1988 e por tratados internacionais dos quais o país é signatário.

Sobre o livro

O livro aborda diversos temas como religião no espaço público, nas relações de trabalho, no direito de vizinhança, na perturbação de sossego e na poluição sonora, no ensino religioso, relacionada à imunidade tributária dos templos, no trato com as crianças e adolescentes, na realização de provas e concursos públicos, no conflito entre o direito à vida diante da proibição de transfusão de sangue por Testemunhas de Jeová, o fundamentalismo religioso, as teologias políticas e a (in) tolerância religiosa, fazendo uma ligação com os aspectos criminais sobre o assunto. Trata ainda da estrutura estatutária das Organizações Religiosas, com o escopo de ensinar como legalizar uma instituição religiosa e quais as obrigações que ela deve cumprir após o registro e demais assuntos correlatos à legalização.

Sobre o autor

Sergipano, nascido em Frei Paulo, Fábio Dantas de Oliveira é formado em Direito e Letras, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, especialista em Ciência das Religiões, em Direito Educacional, em Direito Penal e Processual Penal e em Gestão Pública. Advogado, Gestor Governamental do Estado de Sergipe, Presidente do Centro de Formação Espiritual Águas de Aruanda (CFEAA) e associado da Casa de Sossego Vó Tereza. Membro da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB-SE. Outros livros como “Aspectos Criminais da Lei Maria da Penha”, “Cura pela Fé”, “Águas de Aruanda” e “Afagos do Passado” entre outros artigos jurídicos.

Fonte: ascom Secult

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Dossiê do Patrimônio Cultural Praça São Francisco, em São Cristóvão

Praça São Francisco. São Cristóvão-SE.
Foto: Gilton Rosas.

Publicado originalmente no site Defender, em 4 de agosto de 2016.

Dossiê do Patrimônio Cultural Praça São Francisco – SE
Por Viviane Oliveira de Jesus*

A Praça São Francisco foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1º agosto de 2010, na 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), realizada em Brasília. Considerada referência arquitetônica e urbana da colonização colonial Américo-Hispânica, São Cristóvão foi fundada em 1590 e elevada a categoria de cidade em 1823 sendo testemunho da permanência da Ordem Religiosa Franciscana e das Irmandades consorciadas na Colônia Portuguesa no Brasil.

Durante a invasão holandesa de 1630 a 1654, São Cristóvão foi destruída e somente após a saída dos holandeses teve sua formação urbana definida. O processo de urbanização é caracterizado pela presença dos edifícios religiosos, marcos delimitadores do perímetro urbano que define como Conjunto Arquitetônico, Urbano e Paisagístico a Cidade de São Cristóvão, inscrito no Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 1967 como patrimônio nacional.

De acordo com o Dossiê enviado a UNESCO, disponível no site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Praça São Francisco é resultado das influências da formação de núcleos urbanos da colonização espanhola e portuguesa, durante o período o qual Portugal e Espanha estiveram unidos sobre única coroa nos reinados de Felipe II e Felipe III, entre 1580 e 1640.

O conjunto da Praça São Francisco compreende um quadrilátero com quatro vias principais e secundárias convergindo para os quatro vértices, características da Praça Maior de uma cidade, compreendendo suas relações de comprimento e largura ajustados ao preconizado na Lei IX das Ordenações Filipinas, tornando-a singular.

O conjunto arquitetônico localizado na praça é de grande destaque para todo o perímetro tombado pelo Iphan além de manter as características originais preservadas contribuindo para registro arquitetônico, urbanístico e histórico da formação da cidade. O conjunto franciscano, exemplo do Barroco Nacional, é de grande destaque para o conjunto, com a Igreja de São Francisco, o Convento de Santa Cruz e a Capela de Ordem Terceira (atual Museu de Arte Sacra). Ainda nesse espaço arquitetural está localizada a antiga Santa Casa de Misericórdia, o Palácio Provincial (atual Museu Histórico de Sergipe), antiga Ouvidoria (atual Casa do Patrimônio do Iphan) e o conjunto de casarios colonial.

Além do conjunto arquitetônico e urbanístico, outro destaque é o valor e permanência histórica da Praça São Francisco como local de manifestações culturais tradicionais e populares. A representatividade religiosa e civil consolida a estrutura espacial e marca como referência urbana para tais expressões culturais material e imaterial.

O reconhecimento e consagração da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade certifica a significância cultural do bem patrimonial. Destacam-se algumas especificidades que fortalece a chancela adquirida: o testemunho único e excepcional da formação de uma cidade colonial no Brasil que permanece íntegra e com qualidades arquitetônicas e urbanísticas; a unidade arquitetônica e a integridade estético-visual, harmonia e autenticidade; os valores culturais, de memória e de história do período colonial brasileiro e; o registro das modificações ao longo do tempo caracterizando sua paisagem.

A Praça São Francisco além de outros bens culturais inseridos na Lista do Patrimônio Mundial são regidos por uma convenção internacional para proteção, cooperação e assistência que garante a integridade e longevidade do bem cultural. No início do século XX protegia-se em face a guerra, mas com o surgimento da UNESCO o conceito e ideia de preservação foi ampliado e outros fatores de risco são levados em consideração, como ações destrutivas do meio ambiente, crescimento desordenado, ameaças ao entorno, catástrofes naturais e precauções e fluxos de turistas.

É papel do arquiteto e urbanista, enquanto cidadão e gestor, a importância do conhecimento técnico aplicado ao planejamento, desenvolvimento e preservação dos sítios históricos dado a importância que representam para toda a humanidade. Preservar não apenas para as gerações futuras mas, preservar para o hoje, para a permanência dos valores culturais e históricos, preservar em respeito aos fatos e acontecimentos ao longo dos séculos, preservar pela relação que o homem tem com os antepassados e pelas tradições.

*Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Tiradentes (2004) e é Especialista em Conservação e Restauração pela Universidade Federal da Bahia (2006). Exerceu cargo de Chefe de Divisão Técnica da Superintendência em Alagoas do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (2009). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Projeto Arquitetônico, Urbanístico, Conservação e Restauração de Monumentos e Cidades Históricas e trabalhos em Educação Patrimonial. Professora Curso de Arquitetura e Urbanismo (desde 2012) da Universidade Tiradentes.

Fonte original do artigo: CAU SE.

Texto e imagem reproduzidos do site: defender.org.br

17 sítios arqueológicos indígenas são descobertos em Sergipe


Publicação originária do site Defender, 6 de novembro de 2014.

17 sítios arqueológicos indígenas são descobertos em Sergipe.

Por Defender.

Alguns deles podem ter até 12 mil anos de idade, o que aumenta a relevância histórica da região da cidade de Santa Isabel.

A Reserva Biológica (Rebio) de Santa Isabel (SE) descobriu 17 sítios arqueológicos dentro do seu território entre os meses de junho e setembro deste ano. Durante o período, foi executado o Programa de Prospecção Arqueológica na Área de Implantação da Rodovia SE-100, rodovia estadual que será pavimentada pelo governo. O objetivo foi localizar e identificar o patrimônio arqueológico nas áreas de influência do empreendimento.

“A Rebio de Santa Isabel é uma área de influência indireta, ou seja, onde os impactos ambientais não são causados diretamente pelas obras, mas pelo empreendimento em si”, explicou o chefe da Unidade de Conservação, Paulo Faiad.

Os sítios localizados nos limites da Rebio receberam os seguintes nomes: Sítios 3 dunas, Lagoa Seca, Esporão, Palmeira, Cabrito, Vale das Dunas, Cardoso, Dicuri, Ferroso, Sapucaia, Duna Branca, Pé de Duna, Areia Preta, Tigre, Catenga, Curral de Baixo e Maria Farinha. Os pesquisadores utilizaram referências físicas ou indicação de comunitários do entorno para escolher os nomes.

“A maior parte dos sítios arqueológicos são indígenas, possivelmente datados antes da chegada do europeu no território que viria a ser o Brasil, em 1500. Isso quer dizer que essas regiões podem ter até 12 mil anos, mas ainda vamos fazer a datação do carbono para saber a idade exata de todas essas regiões”, destacou Faiad.

Também foram encontrados indícios de grupos indígenas, quilombolas e produtos de origem europeia do século XIX. A coleção arqueológica contém artefatos cerâmicos, ferramentas, fragmentos de cachimbo e de faiança fina, uma espécie de cerâmica utilizada em objetos de louça, como pratos e copos.

Todas essas descobertas indicam a existência de ocupações por todo o litoral norte de Sergipe, na Idade Média, de grupos que compartilhavam as mesmas estratégias de exploração do meio ambiente no litoral e que moravam em cima das dunas que compõem o ambiente natural da Rebio de Santa Isabel.

Para o chefe da Unidade de Conservação, os sítios arqueológicos aumentam ainda mais a importância de conservação da área, que agora além da proteção ambiental também possui relevância histórica. “Com artefatos arqueológicos diversos e técnicas de confecção especializadas, o patrimônio arqueológico localizado na área da Reserva aponta para um grande potencial de pesquisas futuras, podendo levantar considerações sobre o processo de colonização em Sergipe e o papel dos grupos excluídos socialmente nessa formação”, comemorou Paulo Faiad.

A pesquisa foi financiada pelo Departamento de Estradas e Rodagem de Sergipe (DER/SE), executada pela Contextos Arqueologia e coordenada pelos arqueólogos Luis Felipe Santos e Fernanda Libório.

O projeto contou com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e recebeu consultoria científica do professor e doutor Paulo Jobim Campos Mello.

No dia 31 de outubro, a equipe da Contexto Arqueologia esteve no auditório do Centro de Educação Ambiental da Rebio Santa Isabel para apresentar os resultados da pesquisa à comunidade de Pirambu, onde fica a sede da Rebio Santa Isabel, e alunos do Instituto Federal de Alagoas (IFA).

Em novembro e dezembro serão feitas outras palestras de divulgação e uma feira de arqueologia com as escolas para os alunos aprenderem a fazer fogo, argila e cerâmica usando os métodos da Idade Média.

Sobre a Rebio de Santa Isabel

Criada em 20 de outubro de 1988, a Rebio de Santa Isabel possui uma área de 5,5 mil hectares e preserva o ecossistema litorâneo que abriga a mais importante área de reprodução das tartarugas olivas do Brasil.

Dunas com vegetação de restinga, remanescentes de mata atlântica, manguezais, lagoas e praias desertas de areia fina e plana são os cenários encontrados na UC, que possui 45 quilômetros de extensão.

Situada em Sergipe, abrange os municípios de Pirambu e Pacatuba. O principal trabalho realizado na Rebio é o de preservação das tartarugas marinhas, desenvolvido pelo Projeto Tamar. Por Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Fonte: Portal Brasil.

Texto e imagem reproduzidos do site: defender.org.br

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Aaron Lino, poeta

 Aaron Lino, poeta.

Essência da Morte, livro de Aaaron Lino.

Quando a alma é de poeta
Por Joangelo Divino*

Berço de tantos nomes consagrados, Sergipe ainda consegue revelar no garimpo das letras algumas raridades com potencial banhado a ouro, a exemplo de Aaron Lino: o “poeta maldito”

Escrever poesia é uma das atividades mais bonitas e prazerosas que existe. Rico na criatividade de brincar com os sentidos das palavras, o poema nasce no sumo da inquietude, se desenvolve em versos e se alimenta de metáforas e prosopopeias que enfeitam as inspirações durante as noites insoniosas. Mas, para fazer florescer esta arte, é preciso nascer com alma poética para retirar os sentimentos das prateleiras da memória e dar vida a um pedaço pálido e frio de papel, transformando-o em obra prima.

Esta mesma arte, que penetrou na alma de sumidades da poesia mundo afora com obras que singraram os mares da excelência, ainda inspira os poetas contemporâneos, nutrindo-os conforme seus devaneios, alegrias e infortúnios.

Berço de tantos nomes consagrados, Sergipe ainda consegue revelar no garimpo das letras algumas raridades com potencial banhado a ouro. A exemplo do sergipano Aaron Lino: o “poeta maldito” – como ele mesmo se define.

Inquieto, de sangue nazareno, músico, filósofo, escritor, professor de Português, Aaron é uma dessas figuras raras que se aventura a escrever por paixão, com destreza para externar os pensamentos mais surrealistas. No caso dele, os mais obscuros, fatídicos, extraídos de uma infância/adolescência não muito lépida. “A poesia maldita ocultamente fazia parte de mim, desde pequeno. A vontade de reunir num livro tudo que tinha escrito era antiga, antes mesmo de entrar para universidade”, revela.

Aaron Lino se encontrou como poeta numa ocasião especial: Natal de 2006, na casa do consagrado poeta sergipano Santo Souza, conhecido como o ’Bruxo de Riachuelo’ (município situado na região Leste de Sergipe). Encontro que só foi possível por intermédio de Thiago Souza, neto de Santo Souza e colega/amigo do curso de Letras.

“Santo Souza orientou para eu tornar minha linguagem mais universalizada. Perguntei: como assim?  Ele pegou um poema de sua autoria chamado ’A Inspiração’ e recitou para mim. É engraçado que ainda hoje eu ouço a voz dele recitar. Depois disso, passei a ver a poesia de forma diferente, ou seja, minha concepção de poesia mudou completamente. Há algo interessante, porque ele é fã de Fernando Pessoa e Drummond; e eu os abandonei imediatamente ligando-me a William Blake e Rimbaud que tinham mais a ver com minha ’nova’ concepção. Foi aí que decidi me entregar ao mundo obscuro de vez”, conta Aaron.

Ainda no dia da visita, Aaron levou dois poemas de sua autoria para Santo Souza avaliar. De pronto, ao término da leitura, o imortal da Academia Sergipana de Letras sentenciou: “Você tem alma de poeta, o grande influenciador”. Dois dias depois do encontro, Aaron escreveu o poema ’Eu sou o dedo que apaga’, que abre a terceira parte de seu primeiro livro, numa linguagem mais complexa e insólita. Santo Souza morreu este ano aos 95 anos e teve mais de 15 livros publicados. “Um cara fascinante”, define Aaron Lino, ao lembrar com orgulho os momentos em que esteve proseando com o ’Bruxo’.

Essência da Morte

Em janeiro deste ano, já graduado em Letras Vernáculas, o sonho do rapaz aracajuano de 28 anos chamado Wellington Lino (é o nome de nascimento de Aaron), criado no conjunto Parque dos Faróis, povoado de Nossa Senhora do Socorro, de publicar seu primeiro livro de poesias foi concretizado e intitulado “Essência da Morte”.

Numa leitura superficial, o livro carrega nas costas um tema pesado, nebuloso. Aí é que você se engana. Ao beber da leitura, nas curvas das entrelinhas, as mensagens do autor certamente servirão de alento para alguns e para outros se juntarão na alcova para chorarem suas sinas. Como no poema “A tempestade”, na página 14. “É só uma tempestade. Mas que vai trazer: Dor, tristeza e saudade.”

“A morte no livro fala de experiências de vida e intelectuais das quais eu passei. A morte era muito comum na minha adolescência no sentido de desejo para mim, sempre fui autodestrutivo”, recorda o poeta maldito.

O livro é dividido em três fases da vida do autor: (1) O poeta ingênuo: reflexos; (2) o poeta ingênuo: influxos; (3) o poeta identidade. Segundo ele, os leitores sentirão a diferença da linguagem em cada etapa. “A primeira parte é mais simples; a segunda uma linguagem com certa profundidade.”

O jeito culto, as palavras e sentidos pomposos dos poemas da terceira fase do livro já evidenciam o carimbo de um poeta com as tintas da caneta delineadas em força intelectual, é o que Aaron sabe fazer daí em diante. “É mais complexa. É da terceira parte que digo que a poesia ou a arte é pra poucos. Eu volto aos simbolistas que defenderam essa ideia: Cruz e Souza, o pré-modernista Augusto dos Anjos. A poesia é feita para poucos e defendo isso. Tenho influência do simbolismo, ultrarromantismo, não vou negar que tenho influência dos modernos poetas.”

Em síntese, no livro “Essência da Morte” o leitor vai encontrar vários caminhos e seguirá o itinerário mais bonito. “Vai passar pelos meus momentos de vida e perceber que vou ajudá-los a encontrar caminhos para seguir na vida. Não é um livro totalmente ruim não (risos), que só fala de tragédias, embora seja com elas que aprendemos e conseguimos melhorar nosso caráter”, contextualiza o mais novo poeta.

Força de vontade

Para publicar o livro “Essência da Morte”, Aaron teve que subir uma ladeira de força de vontade, peregrinou um bocado. Ele pediu dinheiro emprestado a vizinhos, se deparou com a inércia de políticos e membros da universidade, e o que ele mais ouviu foi advérbios de negação fustigar seus tímpanos. No entanto, como todo brasileiro batalhador que não tem medo da luta -, a solução foi apertar no bolso. “Ou seria eu quem iria bancar ou somente eu”, desabafa Aaron.

Se o autor não tiver iniciativa e determinação para fazer sua publicação, continua Aaron, é difícil alguém investir em desconhecidos. “Só quando elas (as editoras) notam no autor se vai dar lucro, é que se interessam. Quando o assunto é poesia, há até certa resistência de alguns leitores. Valorizam livros de ciências, porque dizem que vão aprender mais coisas. Podem até aprender, mas poesia é muito mais que ciência, ela vai muito além, cabe ao leitor observar seus pontos de vista. E na poesia há diversos tipos de conhecimento.”

Além de conhecimento, quem escreve poesias carrega na alma a ternura de simplesmente emocionar. E quando emociona, vai além, pode ser sentida na música, até mesmo na mescla das cores das telas do pintor, as quais pedem para ser verbalizadas num grito silencioso que só as retinas e o coração sensíveis conseguem ouvir. Aí, não sobram lápis, nem palhetas e godês, tudo é puramente arte.

* É jornalista.

Texto e imagens reproduzidos do site: onordeste.com

Antônio Martins de Menezes, um desbravador


Fotos de Júnior Vieira.

Publicação originária do site Lagarto Notícias, em 9 de maio de 2016.

Antônio Martins de Menezes, um desbravador.
Por Claudefranklin Monteiro.

A noite do dia 29 de abril, do corrente ano, entrou para a história do livro em Lagarto. Centenas de pessoas compareceram ao Rotary Clube de Lagarto para prestigiar o lançamento do livro do Jornalista Pedro Menezes: “Antônio Martins de Menezes, o Desbravador”. Foi sucesso de público e de vendas.

Em tempos de muita carência política, de turbulências ideológicas e desmandos de toda ordem, a memória de significativos líderes podem nos apontar caminhos alvissareiros. Mais do que um culto à personalidade, de enaltecer por enaltecer figuras representativas, o registro e o conhecimento de trajetórias de vida se apresentam como um promissor e oportuno momento de educação política.

Partindo deste princípio, o livro “Antônio Martins de Menezes, um Desbravador”, de autoria do jornalista Pedro Menezes, é bastante animador. Em que pese a necessidade de se debruçar sobre a rica quadricentenária História de Lagarto, trata-se de uma densa e profunda biografia de um dos mais importantes líderes políticos da região, que se notabilizou, entre tantas façanhas e facetas, por ter sido o fundador do Povoado Colônia Treze, pelos idos da segunda metade o século XX, aos moldes da tão desejada reforma agrária.

Nascido no dia 28 de agosto de 1913, Antônio Martins de Menezes ocupou algumas das mais dignificantes funções públicas de Lagarto. Foi Vereador nos anos 1950, quando chegou a ser Presidente da Câmara, Prefeito de 1958 a 1962. E vice do Prefeito Artur de Oliveira Reis de 1983 a 1989.

Seu grande legado em muito se assemelha ao do saudoso Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro: o estímulo ao desenvolvimento da pequena propriedade e a distribuição de terras a famílias menos abastadas, que pudessem tirar seu sustento da atividade agrícola.

O espírito desbravador de Antônio Martins de Menezes não esteve apenas presente na fundação da Colônia Treze. Coube a ele expandir o perímetro da cidade além do antigo Tanque Grande, sendo responsável pela abertura de uma via que ligava o centro da cidade ao Bairro Horta, hoje uma das principais artérias do comércio lagartense, que dá acesso à popular feira livre. Sem falar em outro dado importante que foi a valorização da cultura popular e religiosa da cidade, tendo dado ênfase, sobretudo, ao folclore e ao civismo.

Estas e outras histórias do biografado estão presentes no livro de Pedro Menezes. Este, por sua vez, é natural do Município sergipano de Gararu, de origem humilde, Povoado Providência, onde nasceu no dia 15 de março de 1928. Ao longo dos seus mais de oitenta anos, cultiva ainda uma voz marcante, cativante e particular, além de uma escrita rara no jornalismo atual: limpa e clara.

Com Lagarto e com os lagartenses, Seu Pedro, como o conhecemos, carinhosamente, estabeleceu uma relação de pertencimento sem precedentes em nossa história, e, certamente, o convívio como o saudoso Abelardo Romero, lhe permitiu provar do sabor da jaca e ser envolvido pelo seu visgo contagiante.

O livro “Antônio Martins de Menezes, o Desbravador”, teve, em sua essência, muitas das marcas do homenageado. O sonho, de Antonio Martins Filho, o Toinho. Sonho acalentado em família, com Dona Renildes e com as Doutoras Andreia e Alessandra. Perseverança, a qualidade dos visionários, daquelas cuja perspectiva supera a ideia de fracasso e do desânimo. E desprendimento. Como foram desprendidas a alma e o coração do fundador da Colônia Treze, fincadas, em definitivo, pela tecedura do jornalista Pedro Menezes.

Aos que um dia, por deboche ou despeito, recalque ou inveja, arrogância ou presunção, ousaram dizer a Pedro Menezes, que Antônio Martins de Menezes não foi o que pintam ou que vale, ficam registrados e sentenciados, neste livro, o peso da história, o braço forte da eternidade das letras, o julgo efetivo e sem piedade da crítica e a gratidão dos verdadeiros amantes das causas, das coisas, da gente, da cultura e da história lagartenses.

(Artigo publicado, originalmente, no Jornal CINFORM, Caderno Municípios,
página 02 (09 a 15 de maio de 2016).

Texto e imagens reproduzidos do site: lagartonoticias.com.br

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Festival: maratona de dança movimenta o TTB

 Clique nas fotos para ampliar.







Fotos: Ascom/Secult.

Publicado originalmente no site SECULT, em 23 de abril de 2017.

Festival: maratona de dança movimenta o TTB

Quatorze grupos compareceram à apresentação.

Variados ritmos musicais entoaram no Teatro Tobias Barreto (TTB) no último sábado, 22, com a realização da segunda edição da Maratona de Dança. As apresentações fazem parte da programação do Festival Sergipano de Artes Cênicas, realizado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura, com recursos do Fundo Estadual de Desenvolvimento Cultural e Artístico (Funcart).

A maratona é um capítulo à parte do Festival de Artes Cênicas e a cada ano ganha mais destaque. Através dela, grupos de dança de escolas ou de comunidades, tem a oportunidade de se apresentar para o grande público como forma de incentivo e valorização.  Este ano, 14 grupos subiram ao palco do TTB e os ritmos passearam da dança clássica a contemporânea, passando pelo funk e pagode.

Entre os bailarinos e coordenadores dos grupos a animação era contagiante, não só pelo nervosismo da apresentação, mas também pela expectativa em subir ao palco do maior teatro do estado. “É uma emoção muito grande. Quando descobri a dança, percebi que era isso que queria pra mim, e me ver hoje, prestes a subir nesse palco, me deixar muito feliz”, comemorou o bailarino John Kleber, do grupo Geração do Gueto, do bairro Bugio.

“Para nós que realizarmos trabalhos sociais e procuramos mostrar outras oportunidades e atividades para os jovens da nossas comunidades, essa Maratona está sendo fundamental. Alguns que assistiram no ano passado, hoje estão aqui para dançar. Isso é muito importante para mostrar a seriedade do nosso trabalho, e é sem dúvida, uma grande ação do Governo, por meio da Secult”, afirmou José Aragão Barroso, também do grupo Geração do Gueto.

Participaram da tarde de maratona o grupo de dança de colégio CEPJSS, a companhia de dança Cordão de Ouro, grupo Jumanah, Elite Dance, a Companhia de Dança Mari Lima, Allegro Companhia de Dança, Geração Gueto, Black Dance, Stylu’s D’Gueto, grupo Nova Era, Swing do Gueto, Loucurarte, FBI e Free Step.

A bailarina do grupo Swing do Gueto, Ariane Launda, de 19 anos, também foi só elogios à Maratona. Ela que está no grupo há  seis anos e participa da maratona pela segunda vez, falou sobre a importância de trazer variados estilos musicais para o evento. “Nós, por exemplo, estamos com uma coreografia de pagode com o tema ‘favela’, de Mário Rodrigues, e montamos um trabalho todo especial para hoje”, disse.

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br

Núcleo de Produção Digital (NPD) Orlando Vieira

Hoje o prédio abriga o sonho de expansão de um audiovisual.
Foto: Marco Vieira.


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 24/04/2017.

Núcleo de Produção Digital começa a resgatar audiovisual

Hoje o prédio abriga o sonho de expansão de um audiovisual

Mais de uma década se passou desde que o Núcleo de Produção Digital (NPD) Orlando Vieira foi criado. Em 2006, ainda na primeira gestão do prefeito Edvaldo Nogueira, o local foi estruturado para abrigar e fomentar a produção audiovisual não só de Aracaju, mas de todo o estado. Agora, passado esse período, o núcleo tem o desafio de se reinventar e reerguer a base que norteou o projeto da sua criação: a disseminação da cultura e arte sergipanas por meio das telas.

O núcleo teve sua primeira sede instalada na rua Lagarto, bairro São José, e Sergipe foi o primeiro dos 11 estados brasileiros que, na época, foi selecionado para participar da Rede Olhar Brasil - um programa federal do extinto Ministério da Cultura (MinC) - com seu núcleo próprio. Na ocasião, um investimento maciço em equipamentos e ações de formação contemplou um projeto que tinha como objetivo levar a produção audiovisual sergipana a atravessar divisas e fronteiras.

Além de fomentar a produção independente de Sergipe, o espaço foi instituído para capacitar novos realizadores para o audiovisual, requalificar os que já estavam no mercado e promover a inclusão digital de jovens. No entanto, passados alguns anos de intensa produção, desde 2013 o núcleo ficou esquecido pela gestão municipal.

Segundo a coordenadora do NPD, Carol Westrup, na época começaram a circular rumores sobre o fechamento do espaço. "O núcleo permaneceu, porém, sucateado, assim como a parte da Cultura como um todo", revelou Carol.

Nova perspectiva

Durante os anos seguintes, o núcleo perdeu sua sede própria, engavetou projetos e equipamentos ficaram inutilizados por falta de investimento. No final do mês de 2014, com a inauguração do Centro Cultural de Aracaju, o NPD mudou de sede e passou a se instalar naquele que era o antigo prédio da Alfândega. Com a mudança, mesmo com a redução do espaço em que o núcleo funcionava, as expectativas com relação ao futuro ainda eram e são grandiosas.

Hoje o prédio abriga o sonho de expansão de um audiovisual que é produzido em Sergipe desde a década de 1950 e, pelos últimos quatro anos, foi abandonado. "Agora em 2017, temos um outro olhar para as atividades do núcleo, pois estamos tendo uma resposta positiva por parte da atual gestão de Aracaju. Em termos de projeção de imagem, nós temos o melhor cinema de Sergipe, nem os multiplex conseguem atingir a qualidade de imagem que a gente tem de projeção. Só que as pessoas não sabem que existe. Entendemos que a sala de exibição não é da Prefeitura, é pública, mas só damos valor àquilo que sabemos que existe", ressaltou Carol.

O núcleo funciona com duas propostas principais. A primeira é trabalhar com formação que, neste quesito, está se reestruturando esse ano, através da aquisição de equipamentos e realização de convênios. O segundo importante papel é a formação de público. Enquanto os cinemas têm uma vertente comercial e trabalham com circuito de filmes nacionais, o NPD é a janela por onde passam os curtas sergipanos.

"Mas a gente tem um grande problema. Os documentários são produzidos, mas acabam sendo engavetados porque não há onde passar. É o núcleo, através da sala de exibição, que vai fazer com que as pessoas assistam, de forma gratuita, curtas produzidos aqui em Sergipe, sobre a nossa gente, fortalecendo a nossa identidade. O audiovisual também é uma ferramenta de inclusão, de protagonismo, de emancipação, e o núcleo é o único equipamento público que pensa no audiovisual aqui no estado", frisou a coordenadora do NPD.

Um novo olhar para o futuro

Novas expectativas surgem com a nova administração municipal. Com uma sala de exibição com 89 lugares, som digital 5.1 e capacidade para exibir filmes HD e 3D, o NPDOV iniciou o ano dando os primeiros passos para a concretização daquilo que, até pouco tempo atrás, estava guardado no campo do imaginário.

Neste ano, somente nos primeiros três meses já foram realizadas diversas atividades. A Mostra de Cinema Sergipano "Meu povo, meu chão", a Mostra "Semeando Sorrisos" que homenageou Marcelo Déda, a Mostra "Aracaju Como Eu Vejo", como parte das comemorações pelo aniversário da capital, e o lançamento do filme Câmara de Espelhos, da diretora pernambucana Déa Ferraz, foram algumas exibições já feitas.

"Temos que deixar claro que há potencial para fazer muita coisa rica na área do audiovisual, afinal, só pela nossa sala de exibição, já temos um importante aparato. Hoje, temos outra visão das nossas possibilidades, pois sentimos que há uma nova expectativa e uma nova construção para a cultura sergipana, além de uma empolgação por parte das pessoas que fazem o audiovisual por aqui. Por isso, continuamos a acreditar nesse projeto", completou a coordenadora do núcleo.

Orlando Vieira, uma história que dá nome ao núcleo

Um dos primeiros trabalhos do NPD neste ano foi homenagear aquele que deu nome ao núcleo, mais do que isso, contribuiu e continua colaborando com a arte em Sergipe. Aos 86 anos, Orlando Vieira ainda respira arte e inspira centenas de jovens que, assim como ele, decidiu se entregar à paixão pelo cinema.

Nascido em Capela, Orlando Vieira é técnico em desenho, passou pelo seminário para ser padre e, em 1948, quando saiu de lá, se tornou funcionário público, percorreu vários estados do Brasil, fugiu da ditadura militar e somente aos 42 anos decidiu ser ator. Foi em 1982 que ele ganhou um destaque ainda maior quando o longa-metragem Sargento Getúlio veio ser filmado em Sergipe.

Após outras tantas realizações, em 2006, em seu primeiro mandato como prefeito, Edvaldo Nogueira decidiu fazer uma homenagem a quem estava vivo na memória sergipana e deu ao núcleo de produção o nome de Orlando Vieira. "Ele foi de uma sensibilidade enorme, achou de premiar um artista da terra e, evidentemente, eu estava na lista e peguei essa premiação de receber o núcleo de produção com o meu nome. Edvaldo Nogueira foi genial. Abriu o núcleo, montou totalmente do necessário, uma verdadeira primeira escola", considera Orlando Vieira.

Questionado sobre a importância do NPD, Orlando Vieira aposta nas novas gerações para o resgate do audiovisual. "Estou aposentado, mas estou vibrando com esses novos atores e multiplicadores do audiovisual. Com oportunidade, a moçada sempre mostra maior interesse e maior produtividade, e assim o núcleo continua de pé e vai melhorando a oportunidade de um número maior de verdadeiros artistas", completou.

Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação/Prefeitura de Aracaju.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Aracaju sob ataque?...

 Ataque da Força Aérea dos Estados Unidos ao submarino U-507

Professor Dilton Maynard: "foram mais de 500 pessoas morrendo
 e parte desses corpos chegando a uma cidadezinha de 50 mil habitantes" 
Foto: Adilson Andrade/Ascom.

Caroline Barbosa: "a guerra, apesar de ser distante, 
afetou diretamente o cotidiano de nossos antepassados".
Foto: Adilson Andrade/Ascom.

Publicado originalmente no site Ciência UFS, em 24 de abril de 2017.
  
Aracaju sob ataque? Como a vida na cidade foi afetada pela Segunda Guerra Mundial.

Bombardeio a navios na costa sergipana causou mudanças na rotina dos aracajuanos, mostra estudo.

Era o ano de 1942. Todas as noites, Aracaju ficava às escuras e com suas ruas completamente desertas por conta de blecautes programados e toques de recolher. Havia o receio de que a cidade, com as luzes acesas, se tornasse alvo fácil e fosse bombardeada.

Situações como essa se tornaram corriqueiras após três navios mercantes próximos à costa de Sergipe serem torpedeados, causando a morte de 551 pessoas. Os ataques foram atribuídos ao submarino alemão U-507 e as embarcações atingidas foram o Baependi (270 mortos), Araraquara (131) e Annibal Benevolo (150). No dia seguinte, 17 de agosto, outros dois navios foram atacados: Itagiba e Arará, na costa da Bahia, vitimando mais 56 pessoas.

Durante esse mesmo período, o mundo acompanhava atônito aos desdobramentos de um dos maiores massacres de que se têm registros na história da humanidade: a Segunda Guerra Mundial. O Brasil assistia ao embate entre nações sem tomar uma declarada posição, até que os torpedeamentos nas costas sergipana e baiana forçaram o então presidente, Getúlio Vargas, a declarar guerra contra os países do Eixo – grupo formado por Alemanha, Itália e Japão.

O submarino U-507 viria a ser afundado em 1943 no litoral norte brasileiro, pela Força Aérea dos Estados Unidos, mas seus ataques já haviam deixado, além das centenas de mortos, marcas no cotidiano dos sergipanos.

Ainda quando era estudante, Dilton Candido Santos Maynard começou a pesquisar sobre o cotidiano de Aracaju na Segunda Guerra, como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), mas acabou interrompendo temporariamente as pesquisas. Agora, como professor do Departamento de História e orientador, resgata o assunto.

“Duas coisas me fizerem retomar o tema: a ausência de trabalhos que tratassem com maior cuidado o período, e ao mesmo tempo, o aspecto político e simbólico que esses torpedeamentos tiveram para o Brasil e para Sergipe naquele momento”, conta o professor.

Além de abordar aspectos históricos e sociais, como as mudanças ocorridas no cotidiano do povo de Aracaju após os ataques, a pesquisa tem por objetivo analisar como os jornais da época tratavam o tema e como a visão dos populares a respeito do conflito foi alterada.

O professor exemplifica como alguns problemas enfrentados ainda hoje pela população aracajuana já afetavam a vida de seus antepassados ainda na primeira metade do século XX, como o transporte público. “As poucas marinetes que a sociedade tinha enfrentavam dificuldades no que diz respeito a peças, ao tratamento dos motoristas, dos condutores. Esses problemas acabaram se aprofundando porque com o passar do tempo e com o avanço da guerra ficou mais difícil chegarem peças aqui”.

Dilton Maynard revela que além de informações sobre os transportes, os jornais traziam notícias sobre a má qualidade do serviço de fornecimento de energia elétrica e dificuldade com os preços que dispararam na época, embora houvesse uma tentativa de controle por parte do governo.

“Não somente as notícias da guerra aparecem – como, por exemplo, a invasão à França, os avanços de Hitler, a preparação da Inglaterra - mas o próprio linguajar dos jornais é tomado por um certo belicismo. Fala-se em promoções do tipo Blitzkrieg (termo alemão para ‘guerra relâmpago’) contra as tristezas da vida. Quando se fala de um jogo, tratam como um combate entre os dois times. Vários termos ligados ao conflito acabam entrando no linguajar dos jornais”.

Para facilitar a compreensão do que foi aquele momento para os habitantes de Aracaju, o professor compara a um fato mais recente: o incêndio da boate Kiss na cidade de Santa Maria (RS), em 2013, tragédia que vitimou mais de 240 jovens.

“Se em pleno século XXI não conseguimos conceber a perda de tanta gente, tantos jovens morrendo quando deveriam estar apenas se divertindo, pense o que são mais de 500 pessoas morrendo e parte desses corpos chegando a uma cidadezinha de 50 mil habitantes, onde a coisa mais diferente que havia na rotina do local era o ano novo, ou o carnaval”.

Outro aspecto importante da pesquisa para Dilton Maynard é o fato de Aracaju ser uma das únicas cidades do continente americano a sofrer diretamente as consequências da Segunda Guerra. O outro caso lembrado foi a Batalha do Rio da Prata, ocorrida em Montevidéu, Uruguai, ocasião em que um navio alemão com pesada artilharia foi cercado por três embarcações britânicas e se viu obrigado a bater em retirada.

O pesquisador lamenta haver desconhecimento sobre esse evento histórico ocorrido em Sergipe até por seus próprios habitantes. Entretanto, lembra que existem alguns indicativos que têm como objetivo não permitir que esse fato caia no esquecimento, como a rodovia, o cemitério e a praia dos Náufragos – neste trecho do litoral aracajuano chegou grande parte dos corpos, trazidos pelo mar, vitimados pelos naufrágios. Na capital, há também um monumento dedicado aos pracinhas – soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviados à Itália para integrarem as forças aliadas, comandadas pelos Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética, na luta contra os regimes nazista e fascista, representados pelo Eixo - no bairro Siqueira Campos.

Contudo, Maynard destaca o problema de não existir um trabalho que articule essas memórias em torno dos navios torpedeados na costa sergipana. “Existem a praia, o cemitério e a rodovia dos Náufragos. Mas existem náufragos desde o tempo em que o homem começou a navegar. Isso não vai colar a memória sergipana a esse acontecimento. A grande exceção, claro, são as pessoas mais velhas que sabem que isso está ligado a esse momento triste de nossa história, mas os mais novos, não”.

O professor conclui que o estudo sobre o cotidiano de Aracaju mostra que, mesmo enfrentando dificuldades para obter alimentos e outros utensílios, os cidadãos acabaram se adaptando ao clima de guerra e seguiram sua rotina. “As procissões continuaram ocorrendo, os cinemas continuaram existindo, a ida às praças, ao futebol. Num determinado momento há o choque como é normal, mas você percebe que aos poucos as pessoas voltam a circular por esses ambientes”.

Um estado que tem história... e muita

Outra integrante da pesquisa é Caroline de Alencar Barbosa, graduada em História e hoje mestranda em Educação. A estudante lembra que antes de ingressar no Pibic já gostava de pesquisar sobre o tema. Conta que o que mais lhe chamou atenção sobre o assunto foi a circunstância de Sergipe, o menor estado do país, ter uma participação tão grande no maior conflito do século XX. “O fato é trágico, já que todos os mortos eram civis e sequer participavam da guerra, mas é impressionante ver que Sergipe faz parte dessa história”.

Caroline analisou principalmente os jornais da época para entender como as pessoas de Aracaju utilizaram os espaços da cidade após os torpedeamentos. Ela explica que por conta dos blecautes e do racionamento de produtos básicos, e também pelo medo de que os ataques se repetissem, a população teve que encontrar meios para conviver com a nova realidade.

“As festas também passaram a sofrer censuras, como o São João, Natal, Carnaval. Uma das manchetes encontradas em um dos jornais dizia que o São João não havia sido tão bom quanto os outros porque os fogos de artifício estavam caros e a população acabou não usando esses produtos. Assim, podemos ver como a guerra, apesar de ser distante, afetou diretamente o cotidiano de nossos antepassados”.

Ainda sobre a abordagem jornalística, a aluna lembra que naquele momento histórico as publicações passavam pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura instaurado na era Vargas. Segundo Caroline, as notícias consistiam basicamente em apoiar a participação do Brasil na guerra. Além disso, grande parte dos cidadãos, principalmente donas de casa, enviavam cartas aos jornais reclamando dos preços dos alimentos, pois muitos comerciantes agiam com desonestidade: os preços naquele período eram tabelados, mas alguns comércios cobravam acima do valor definido.

A estudante diz que é difícil encontrar depoimentos sobre o período, pois muitos dos que vivenciaram a época, devido ao tempo transcorrido, não se lembram de muitos detalhes. “O problema de se trabalhar com história oral é justamente a memória seletiva: as pessoas que, de alguma forma, concordaram ou não com o posicionamento do país têm opiniões diferentes”.

A respeito da importância da pesquisa, Caroline enfatiza que os estudos resgatam uma história pouco lembrada e que Sergipe foi o principal estado afetado pela Segunda Guerra.

“Os torpedeamentos aconteceram em nosso litoral, os corpos chegaram ao nosso litoral e por isso o Brasil entrou na guerra; e isso contribui para a história do estado. Sergipe tem história, e muita. Se essa pequena parte tem um grande leque de informações, imagine as outras que continuam ocultas”, conclui.

Outras leituras

Frutos da pesquisa sobre o tema, o professor Dilton Maynar publicou dois livros: “Dias de Luta” e “Leituras da Segunda Guerra Mundial em Sergipe”. A pesquisa também contribuiu para alimentar o Getempo, coluna do portal Infonet – espaço que o veículo disponibiliza para a divulgação científica.

Os estudos foram publicados também em duas revistas eletrônicas: “Cadernos do tempo presente” e “Boletim Historiar”.

Guilherme Almeida (bolsista)
Marcilio Costa
comunica@ufs.br

Texto e imagens reproduzidos do site: ciencia.ufs.br

Escultor Véio ganha primeira individual no Rio

JLV/Divulgação.

Publicado originalmente no site da revista Veja, em 23 abr 2017.

Escultor Véio ganha primeira individual no Rio.

Artista sergipano usa madeira como matéria-prima de suas obras.

Por Renata Magalhães 

Conhecido como Véio, o sergipano Cícero Alves dos Santos fez nome ao usar madeira para retratar sua visão sobre o sertão nordestino. 

Em sua primeira individual no Rio, De Surpresa no Mundo, foram reunidas esculturas talhadas com canivete em troncos, galhos e raízes.

Aspectos da tradição popular são representados por meio de cores intensas e constroem uma espécie de fauna imaginária e enigmática, com seres como o da foto acima. 

Gustavo Rebello Arte. Avenida Atlântica, 1702, loja 8. Segunda a sexta, 12h às 20h. Grátis. Até 26 de maio. A partir de terça (25).

Texto e imagem reproduzidos do site: vejario.abril.com.br

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Casa do Folclore Zeca de Norberto, em São Cristóvão








Publicado originalmente no Instituto Marcelo Déda, em 28 de agosto de 2012.

São Cristóvão ganha novo espaço para cultura popular

A cultura popular sergipana ganhou um novo espaço, totalmente repaginado e preparado para receber estudantes, turistas e pesquisadores do folclore existente em Sergipe. É a casa do folclore Zeca de Norberto, localizada na Praça São Francisco, em São Cristóvão, e que foi reinaugurada na manhã desta terça-feira, 28, com a presença de dezenas de mestres e brincantes da cultura local.

A casa funciona como um grande reduto dos folguedos da cidade e conta a história desses grupos através de bonecos, cartazes e objetos que formam a cultura popular em Sergipe. Intitulada Casa do Folclore ‘Zeca de Norberto’, o local homenageia um dos grandes mestres da cultura naquele município, que fez história através da sua precoce liderança em grupos como a Caceteira e Chegança.

Jandira Lourenço, filha de Zeca, esteve presente na abertura e ficou muito feliz em ver o nome do seu pai batizando um espaço tão importante para a cultura em Sergipe. “Eu e toda minha família ficamos muito felizes com essa homenagem, afinal, meu pai lutou muito para que a cultura acontecesse em Sergipe, e ver que hoje ele está sendo homenageado é muito gratificante”, destacou.

Sobre a casa

A casa do folclore já funcionava há muitos anos e era conhecida por todos da cidade. Ela foi criada inicialmente por um grupo de jovens que tiveram a idéia de ter um espaço onde o folclore sergipano fosse valorizado. Porém, a partir deste momento com tudo reformado, a casa amplia seu leque de ações e traz para a comunidade uma estrutura ainda melhor para a população.

“Esta casa será naturalmente o retrato da cultura imaterial de São Cristóvão. Quem entrar aqui verá que tudo que temos aqui é fruto de pesquisa, um compromisso cientifico com a cultura e a valorização com aquilo que é São Cristóvão”, explicou a historiadora e secretária de Cultura do município, Aglaé Fontes.

Homenagem aos mestres

Outro ponto importante da nova Casa do Folclore, diz respeito a homenagens aos mestres do município. Nomes como Satu, Rindu, Madalena, Jorge, Acácia e muitos outros estão estampados nas paredes do local.

Para o mestre Jorge, do Batalhão de São João, a casa e a homenagem o deixam muito feliz, afinal, ele passou muito tempo longe de Sergipe, mas não deixou de amar sua cultura. “Carrego a tradição dos grupos folclóricos há mais de 65 anos, por isso fiquei muito feliz com essa homenagem, ainda mais porque essa homenagem veio junto com a homenagem a Zeca de Norberto, que foi meu mestre desde o início”, comemorou.

A Casa do Folclore Zeca de Norberto, fica aberta ao público de diariamente, das 9h às 17h. As visitas são monitoradas por pesquisadores da área que explicam um pouco da trajetória dos grupos e mestres que estão estampados no local.

Texto e imagens reproduzidos do site: institutomarcelodeda.com.br