quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Crítica ao "Oxente! Essa é a nossa gente"


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 28/09/2004.

"Oxente! Essa é a nossa gente".

O médico humanista, o garçom boa-praça, o engraxate confiável, o padre contestador, o intelectual comunista que virou cristão, o empresário folclórico, a prostituta que era odiada pelas damas e amada pelos esposos destas. Estas são alguns dos 85 personagens que desfilam, sem cerimônia, pelas 518 páginas do livro “Oxente! Essa é a nossa gente” que o jornalista Osmário Santos estará lançando, às 20 horas desta sexta-feira, no Clube do Banese. “Os homens e mulheres que figuram nesse novo livro de Osmário ocupam, na memória sergipana, lugares especiais, por conta do modo como viveram ou vivem”, escreve em seu prefácio o jornalista e pesquisador Luiz Antônio Barreto.

E Luiz Antônio Barreto prossegue afirmando que o leitor terá uma agradável surpresa ao folhear e ao consultar o novo livro de Osmário Santos “e apreenderá, de forma simples, com quantos sergipanos se faz uma cultura”. Já o diretor de redação do Jornal da Cidade, Marcos Cardoso, revela que o autor “é o Armindo Guaraná do nosso tempo, com a vantagem de que sua obra dispensa o cunho elitista do Dicionário Bio-Bibliográfico Sergipano”. Responsável pela apresentação da orelha do livro, Cardoso prossegue afirmando que os personagens de “Oxente! Essa é a nossa gente”, “por esses desígnios inexplicáveis da vida, meio sem querer, tornaram-se, cada um no seu ramo de atividade, figuras emblemáticas de Aracaju”.

E por que Osmário resolveu enveredar pela literatura? Ele explica que decidiu publicar os dois livros para que o seu trabalho de jornalista memorialista não ficasse somente nas páginas do jornal, “para garantia das gerações futuras e facilidade de pesquisadores e estudantes”. Luiz Antônio Barreto concorda: “Os livros de Osmário, bem preparados, mantendo informações substanciosas, são singulares, únicos e estão destinados a cumprir um papel referencial igualmente destacado”, elogia. Barreto continua afirmando que “tudo começa com a escolha das personalidades entrevistadas, espécie de calçada da fama, ditada pelo prestígio de cada um, no seu ambiente de convivência”.

RECEITA DE SUCESSO - Assim como o primeiro livro de Osmário Santos, “Memórias de Políticos do Século XX em Sergipe (824 páginas)”, a obra é fruto das inúmeras entrevistas produzidas pelo autor para a página dominical do Jornal da Cidade. “É um trabalho jornalístico que quebra a frieza do texto puramente noticioso por conta do relato da história dos entrevistados, que, diante das perguntas e provocações, revelam espontaneamente os fatos mais interessantes de suas vidas, alguns deles até desconhecidos da própria família”, afirma o autor como se estivesse ensinando parte da fórmula do sucesso da página que produz ininterruptamente há 15 anos.

Osmário precisou de muito mais para tornar a página dominical do Jornal da Cidade uma leitura obrigatória. Não é para qualquer um arrancar segredos de políticos tradicionais com a mesma facilidade de quem refresca a memória de octagenários que nunca se imaginaram diante de um gravador. Conquistada a confiança para remexer no baú do passado alheio, o autor precisou de muita paciência e sutileza para “enxugar” a longa conversa e, naturalmente, todo o cuidado do mundo para entrar, sem invadir, a intimidade do entrevistado. São necessários, portanto, muitos anos de estrada e sensibilidade aguçada para juntar estes e outros condimentos e não estragar a receita. Convenhamos, Osmário conseguiu.

Por Adiberto de Souza.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

O que diz a crítica sobre o livro “Oxente! Essa é a nossa gente”

Foto reproduzida do site: infonet.com.br

Publicado no site Osmário Santos, em 16/10/2004.

O que diz a crítica sobre o livro “Oxente! Essa é a nossa gente”.

(...) Comentários da crítica sobre o livro do jornalista Osmário Santos, que ao longo de 15 anos vem trabalhando na organização da memória sergipana...
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Um novo livro de biografias.
Por Luiz Antonio Barreto.

Osmário Santos, autor do livro Memórias de Políticos de Sergipe no Século XX (Aracaju: UFSE/Fundação Oviêdo Teixeira/Banese, 2002), organizado com a colaboração do professor Afonso Nascimento, repete o feito de retirar das páginas domingueiras do JORNAL DA CIDADE os textos que emolduram biografias sergipanas. Não há mesmo como não comparar um e outro livros. “Oxente! Essa é a nossa gente”, de 450 páginas, 71 nomes, não tendo a pretensão de ser um dicionário de memórias, ao final complementa o livro anterior, ampliando não apenas as 123 biografias, distribuídas em 824 páginas, mas a visão do Estado e especialmente da vida política e social de Aracaju.

Um livro sobre ou de políticos é sempre alguma coisa pesada e medida, rebuscada para deixar a melhor das impressões, como uma exigência comportamental, perante um leitorado que julga, aplaude e vota. Já um livro de pessoas simples, flagradas em seu cotidiano e urdidas em suas histórias de vida, é outra coisa, mais livre, límpida, sincera.

Os jornais são fontes preciosas de documentos, sempre fornecendo dados, fatos, opiniões, perfis, que podem servir de roteiro ao conhecimento ampliado da realidade. O dia-a-dia do jornal nas mãos dos leitores encobre essa função profunda, exclusiva, que a imprensa desempenha ao fixar na memória social as suas páginas, e notadamente as suas colunas. Osmário Santos fez da sua página semanal um amplo registro e agora seleciona, organiza e oferece, de uma só vez, o produto de anos de trabalho.

Os livros de Osmário Santos, bem preparados, mantendo informações substanciosas, construídas através dos depoimentos tomados e gravados, são singulares, únicos e estão destinados a cumprir, no futuro bem próximo, um papel referencial igualmente destacado. Tudo começa com a escolha das personalidades entrevistadas, espécie de calçada da fama, ditada pelo prestígio de cada um, no seu ambiente de convivência. Depois, a edição, limitada ao espaço de uma página, deixando aparas e sobras que passam desapercebidas do leitor comum. Por fim, depois de anos nas estantes das bibliotecas, quase sem consulta, eles ganham nova vida nas páginas dos livros, onde vão recircular.

A fórmula de Osmário Santos deu certo. Tanto ele já produziu um número gigantesco de horas gravadas, com centenas de pessoas, como soube selecionar dois conjuntos de personagens, primeiro os do mundo da política, agora os dos vários segmentos sociais, apanhados como se fossem tipos populares, sem aquela conotação de pessoas excêntricas, portadoras de singularidades.

Os homens e mulheres que figuram em “Oxente! Essa é a nossa gente” ocupam, na memória sergipana, lugares especiais, por conta do modo como viveram ou vivem. São pessoas das mais variadas profissões e condição social, alguns dos quais marginalizados pelas suas opções de vida, e que engrossam os grupos que dão calor e ritmo ao viver sergipano. Explorando particularidades, Osmário Santos produz a oportunidade de revelar, integralmente, pessoas que nem sempre o tempo glorifica.

O leitor terá uma agradável surpresa ao folhear e a consultar “Oxente! Essa é a nossa gente” e aprenderá, de forma simples, com quantos sergipanos se faz uma cultura. E terá, ainda, a certeza de que os jornais guardam tesouros em suas páginas, como as entrevistas de Osmário Santos. Uma riqueza agora partilhada, como exercício jornalístico da melhor validade.

O livro de Osmário Santos repete a fórmula de transpor textos das páginas de jornais para as páginas do livro, como a verter jornalismo em literatura, combinação que tem dado muito certo no Brasil. São poucos os intelectuais, fora da academia, que não exercem papéis de cronistas, críticos, articulistas, nos jornais e revistas nacionais. Basta conferir entre os imortais da Academia Brasileira de Letras aqueles que, como Antonio Calado, Arnaldo Neskier, Murilo Melo Filho, têm uma militância na imprensa. Outros, como Austregésilo de Ataide, Carlos Castelo Branco, Roberto Marinho, que já morreram, elevaram o texto diário às mais altas ressonâncias da escritura literária.
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Dois olhos muito acesos.
Por Araripe Coutinho.

Dois olhos muito acesos e “Oxente! Essa é a nossa gente”. A forma desproposital com que Osmário Santos, jornalista, professor e quase multimídia, desenvolve seus personagens no livro recém-lançado pela Ós Editora, envolvendo vultos sergipanos vivos e alguns de recente e saudosa lembrança, é um trabalho de fôlego, colhido em 15 anos de trabalho quase insano deste que é o jornalista que mais contribui, hoje, para a nossa memória biográfica.

Carente e pobre de biografias, as pessoas importantes para a cidade, para a sua identidade cultural ou sociológica, são enfocadas no livro “Oxente! Essa é a nossa gente”. Mais que um resultado dos anos de publicação no JORNAL DA CIDADE, o livro é um atestado vivo da existência de um povo multifacetado, interessante, comovente e, sobretudo, ímpar. As histórias de vida vão se revelando num mosaico vivo, com fatos interessantes, prosaicos e às vezes surpreendentemente reveladores.

A existência em Aracaju de personagens tão únicos faz do leitor uma presa do livro de Osmário Santos. “Oxente! Essa é a nossa gente” traduz bem o espírito do autor, descompromissado com chavões rebuscados e interessado apenas em revelar o propósito da obra, que é trazer à luz a existência de personagens, figuras ilustres, anônimas ou mesmo folclóricas de uma sociedade que vai se esvaindo a cada dia, e perdendo os seus referenciais humanos. “Oxente! Essa é a nossa gente” usa um termo de linguagem nordestina, “oxente”, para exatamente chamar a atenção do leitor para a sua identidade, quer no falar, no andar ou mesmo no existir numa sociedade aracajuana dos anos 40 aos nossos tempos atuais.

Osmário Santos, que assina uma página diária no JORNAL DA CIDADE, presta assessorias e mantém um site, é um jornalista incomum. Ansioso, apaixonado pelo seu ofício, ele busca os seus personagens, que ele prefere chamar de vultos sergipanos, quase que aleatoriamente e aí aperta o play e dá a redação daquele que terá a sua vida esmiuçada e traduzida para o público. Conta o autor que fez uma de suas entrevistas no hospital. Como a família achava que o doente precisava de descanso, ele voltava e voltava de novo, até conseguir por completo a sua entrevista. É claro que Osmário também é um coadjuvante de todas essas histórias.

A cultura de um povo se mostra pela diversidade que ele produz. No “Oxente! Essa é a nossa gente” este retrato é revelado. Mesmo as pessoas discriminadas, marginalizadas, que não vivem de acordo com o preestabelecido pela sociedade, estão no livro, e é esta a riqueza maior do volume de 525 páginas, ilustrado pelo artista plástico José Fernandes. Riqueza esta que não está na conta bancária, termômetro usado pelo sul para compendiar pessoas em livros, mas no valor histórico de cada pessoa, indistintamente. Este, talvez, seja o maior mérito do autor.

Além do aparecimento de nomes que aparentemente vivem esquecidos da vida cultural sergipana, “Oxente! Essa é a nossa gente” revela no decorrer da narrativa também mágoas, nomes, vitórias e fatos prosaicos da vida dos enfocados.

Antonio Gonçalves, o popular Feola, “foi jogador, técnico e dono de time de futebol. Uma figura das mais conhecidas da cidade das mais reverenciadas no calçadão da João Pessoa...”, Caio: o engraxate modelo de Aracaju, “com a magia da sua cadeira de engraxar, seu Caio, como é chamado por todos, é o engraxate modelo de Aracaju. São 60 anos de profissão. Seu ponto é na rua Laranjeiras, quase na esquina com a rua Itabaianinha...”. Candelária: uma vida de luta e martírio, “afastada da prostituição há 21 anos, vivendo com seus quatro filhos e criando mais um, que foi abandonado na porta de sua casa, Candelária é hoje uma outra mulher...”; Ciganinha abre o jogo sobre a sua e outras vidas: “Muito já se falou da condição de vida das mulheres que se envolvem ou são envolvidas com a difícil vida fácil...”. E por aí vai, Djalma Borboleta, Cleomar Brandi, Dom Altamiro, Domingo Félix, dona Ana, a lavadeira, dona Carlota, dona Finha, dona Hildete Falcão, padre Enaldo, Erotildes Araújo, Eurico Luiz, Eurípedes, Expedita, a filha de Lampião, Galego, Geraldão, Ginaldo, Herílio Alves, Hilton Lopes, Ilma Fontes, Ildete Nabuco Teixeira, Jácome Góes, J. Inácio, João da Cruz, João de Barros, João do Alho, José Eugênio de Jesus, José Orico, José Ramos, Josias Passos, Juca Beato, Lídio da Cocada, Lisboa, Luiz Adelmo, Manequito, Manoel D’Almeida Filho, Manoel Felizardo, Maria Feliciana, Mário, o bedel do Tobias, Mãe Marizete, Mestre Euclides, Nestor Braz, Orlando Machado, Osório de Matos, Osvaldo Tavares, Padre Pedro, Pinga, Popó, Ribeiro, Rita Peixe, Roberto Tunes, Rubens Chaves, Sapatão, Sargento José Luiz, Seu Álvaro, Seu Jonas, Seu Oscar, Seu Osvaldo, Seu Ribeiro, Silvio Santos, Sobó do Iate, Thenisson Araújo, Tia Rute, Tote Ajeitando, Tonho do Mira, Toni Chocolate, Tuca, Ursino Ramos, Valadão, Wellington Elias, Wilson Silva, Zamor, Zé de Raul, Zé Peixe, Zelito Machado. “Oxente! Essa é a nossa Gente”, o barbeiro de gente famosa, o engraxate mais antigo, o padre caridoso, o bon vivant da década de 60, o Chiquinho Scarpa Roberto Tunes, a lavadeira que hoje mora numa cobertura no Jardins, a mais fervorosa torcedora de futebol, o carnavalesco advogado e o colunista social mais antigo de Sergipe, todos estes são personagens que fazem ou fizeram a nossa história.

Como a vida é uma paixão inútil, no dizer de Sartre, estes radiografados por Osmário Santos têm seus 15 minutos de fama, que na verdade tornam-se atemporais, vítimas ou culpados, alegres ou tristes, donos de matizes únicos que só um espelho multifacetado de um sociedade plural consegue construir e os olhos bem acesos de um Osmário pode, em boa hora, imortalizar.
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Nossa Gente.
Por Gilfrancisco.

Quem é o jornalista? Michel Foucault (1926-1984), o filósofo da loucura universal, em conferência, na Bahia, a 3 de novembro de 1976, definiu assim: “O jornalista é o filósofo do século XX. Cada época tem as forças de filosofia que é capaz de produzir. Na nossa época, a filosofia voltou-se para aquilo que somos, a direção que seguimos e a que não devemos tomar. E isso é jornalismo”.

O jornalista é um semeador de amanhãs, explora terrenos moralmente ambíguos em que se movem os indivíduos sobre os quais escrevem, pela sensação de se poder ser testemunha ocular da história e do tempo. Porque a história ocorre sempre na “rua”, nunca numa redação de jornal. Ou seja, o jornalista planta o instante no chão cotidiano, porque o futuro é a própria história. Osmário Santos é um profissional do amanhã e por isso exige-se muito mais de transpiração do que inspiração.

O recém-lançado livro “Oxente! Essa é a nossa gente”, do colega Osmário Santos, aborda pessoas que fizeram ou fazem cotidianamente a história da cidade de Aracaju. O livro de grandes e memoráveis surpresas trata da “nossa gente”, gente sergipana de nascimento e de adoção, temática por excelência de sua vida harmoniosa, fecunda e intensa.

Osmário Santos é um jornalista memorialista, que tem a capacidade de extrapolar os limites de suas páginas dominicais, com uma espontaneidade, uma naturalidade, uma sagacidade de servir de exemplo aos novos profissionais. Sabe ser fiel à sua verdadeira inclinação, embora nem sempre consiga conter a força diabólica da irreverência.

Jornalista que possui vocação traz consigo uma trajetória de sucesso. Ós, como é carinhosamente chamado pelos colegas de redação e amigos, gosta de falar, de conversar, de provocar debates porque sente a necessidade impiedosa de comunicação oral. Porém emprega a forma escrita para expressar seu pensamento. “Oxente! Essa é a nossa gente” é o segundo volume de uma trilogia (Memórias de Políticos do Século XX em Sergipe, 824 páginas, 2002) do rico acervo das suas entrevistas realizadas nessas duas décadas.

É o que acontece com esse conjunto de retratos aracajuanos – entendidos como “vultos populares” por Marcos Cardoso. Não importa que cada um dos seus 85 retratos ou entrevistas já tenham vindo a público isoladamente, quando foram publicados nas páginas dominicais do JORNAL DA CIDADE. O fato é que ao aparecerem agora reunidas formam um todo. É um livro com suas 525 páginas repletas de curiosidades, ricamente ilustradas pelo renomado artista plástico lagartense José Fernandes, aba assinada pelo diretor de Redação do JORNAL DA CIDADE, Marcos Cardoso, e prefaciado pelo jornalista e escritor Luiz Antonio Barreto e teve patrocínio do Banese, dentro da programação dos seus 40 anos. “Oxente! Essa é a nossa gente” finalmente chega às mãos da comunidade de onde se origina e para onde, de direito, deve voltar, para ensinar a todos nós, profissionais e leitores.

Essa publicação é apenas mais uma conquista na carreira do jornalista Osmário Santos, ou como costuma dizer: “Que a vida é um eterno aprender e desaprender”, e demonstra sua disposição em continuar surpreendendo e emocionando seus leitores. É fruto da sua incansável busca pela simplicidade, algo muito difícil de atingir, segundo ele próprio.

Esses relatos, sem dúvida, compõem uma significativa parcela da história de Sergipe, um trabalho que resgata nossa “memória cultural” e, de certa forma, é uma grande contribuição aos estudos antropológicos da cultura sergipana, onde estão presentes vários tipos humanos: médicos, jornalistas, garçons, políticos, padres, engraxates, empresários, boêmios, radialistas, esportistas, dentre outros.

O livro é um grande caldeirão antropofágico, que suscita um repensar de determinados problemas relativos aos estudos já realizados sobre a historiografia sergipana. “Oxente!...” é mais uma fonte de pesquisa, mais uma referência para estudiosos carentes de informação substanciosas. É leitura obrigatória e pode ser encontrado nas melhores livrarias da cidade.

Para encerrar a conversa, parafraseando o saudoso amigo Jorge Amado, Sergipe são todos aqueles que conduzem pelo mundo afora a flama do humanismo que o marca e o define.
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Ilustres vultos populares.
Por Marcos Cardoso.

O médico humanista, o garçom boa-praça, o engraxate confiável, o padre contestador, o intelectual comunista que virou cristão, o empresário folclórico, a prostituta que era odiada pelas damas e amada pelos esposos destas. O que essas pessoas têm em comum além de comporem a trama de uma mesma sociedade, no caso, de Aracaju? É que todas, por esses desígnios inexplicáveis da vida, meio sem querer, tornaram-se, cada uma no seu ramo de atividade, figuras emblemáticas desta cidade. São vultos populares da sociedade aracajuana na segunda metade do século XX.

Osmário Santos, um dos principais nomes do colunismo de variedades de Sergipe — para não dizer o maior deles —, é jornalista possuidor de um senso de oportunidade rara. Daí saber ampliar seus interesses — com seriedade e ética — a outros campos, como o da mídia eletrônica e ao editorial. Assim, na Internet e nos livros, reverbera a voz que tem no JORNAL DA CIDADE, aonde milita há um par de décadas.

O jornalismo memorialista que produz semanalmente naquele que é o principal jornal diário sergipano cresceu em importância quando publicou, há dois anos, o livro “Memórias de Políticos de Sergipe no Século XX”. Com este “Oxente! Essa é a nossa gente”, reservada aos vultos populares, consolida seu obstinado trabalho de pesquisa.

Obstinada porque, além de perseverante, Osmário é relutante, teimoso e até birrento. Persegue um objetivo e não pára até consegui-lo. Mas não tem veleidades acadêmicas, pois é jornalista acima de tudo, um caçador de novidades — e não um caçador de relíquias. Ele é o Armindo Guaraná do nosso tempo, com a vantagem de que sua obra dispensa o cunho elitista do “Dicionário Bio-Bibliográfico Sergipano”, publicado no início do século passado.

A expressão vultos populares, usada aqui, insinua alguma contradição, porque se vulto designa a pessoa importante, aquele de alguma notabilidade, contrapõe-se ao popular, que é próprio do ou agradável ao povo, que tem as simpatias dele, sem ser vulgar ou ordinário. Mas a combinação do substantivo com o adjetivo dá uma noção mais precisa sobre quem é ou torna-se popular a partir ou apesar da sua importância social. Daí porque preferi classificar os personagens deste livro de vultos populares.

Para ampliar as qualidades que os distinguem, acrescentei outro adjetivo, ilustre, que tanto pode significar célebre, nobre ou esclarecido. E, de alguma forma, todos os que freqüentam este novo livro de Osmário Santos têm algo de nobre sem deixar de ser simpático ao povo, de célebre sem ser ordinário, de esclarecido, sendo ao mesmo tempo agradável.

Texto reproduzido do site: osmario.com.br

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

FPI descobre novo sítio arqueológico em Gararu

Foto: Divulgação/MPF/SE.

Publicado originalmente pelo site G1/SE., em 24/11/2016.

FPI descobre novo sítio arqueológico em Gararu.
Visita constatou algo inédito para a região.
Drone sobrevoou a área e registrou imagens.

Do G1 SE.

O Ministério Público Federal em Sergipe divulgou, nesta quinta-feira (24), que em visita ao sítio fossilífero Fazenda Elefante, localizado no município sergipano de Gararu, onde foram registradas ocorrências de ossos fossilizados de fauna extinta há 10 mil anos, a equipe de Patrimônio Cultural e Comunidades Tradicionais da Fiscalização Preventiva Integrada do São Francisco da Tríplice Divisa (FPI) do São Francisco revelou que estudos prévios já relataram a presença de duas espécies de preguiças terrestres, uma delas gigante (com mais de 3 metros de altura), tatus gigantes, tigres dente de sabre, uma espécie extinta de elefante chamada de estegomastodonte, camelídeos e equídeos, entre outros mamíferos extintos de grande porte.

Ainda durante os trabalhos da FPI, foi identificado um nível sedimentar com ocorrência ‘in situ’ de fósseis, o que permitirá entender sob qual ambiente foram depositados e quais processos pós-morte atuaram nestes elementos.

Nessa visita, constatou-se algo inédito para a região, um sítio arqueológico dentro da mesma área na qual principalmente sítio paleontológico. Entre os artefatos arqueológicos foram observadas principalmente peças líticos, que são artefatos de pedra trabalhadas pelos homens da antiguidade. O reconhecimento de sítios com materiais tão distintos só foi possível com o trabalho conjunto de paleontólogos e arqueólogos da equipe de Fiscalização Preventiva Integrada de Sergipe.

Para se compreender melhor toda a complexidade deste sítio, a equipe do FPI contou ainda com a utilização de um drone, que sobrevoou a área e registrou imagens aéreas possibilitando a determinação e reconhecimento de toda a área do sítio.

O registro e cadastro do novo sítio arqueológico no banco nacional de sítios arqueológicos foi realizado, para que, então, se possa proceder com os projetos de resgate, pesquisa e preservação deste patrimônio natural e cultural.

A equipe de Patrimônio Cultural e Comunidades Tradicionais é composto pelos órgãos: Iphan/SE; Secult/PDHAC; Incra; PRF; UFS/MAX; Corpo de Bombeiros; FCP.

Mais de 400 profissionais - Estão participando da Fiscalização Preventiva Integrada do São Francisco da Tríplice Divisa (FPI) mais de 400 profissionais que envolve os estados de Sergipe, Bahia e Alagoas. Em Sergipe, a FPI tem a participação de 32 entidades, entre elas órgãos federais e estaduais, e instituições da sociedade civil, sob a Coordenação Geral do Ministério Público Estadual e Federal, promotora de Justiça Allana Rachel Monteiro e procuradora da República Lívia Tinôco, com o apoio do CBHSF.

Esta é a segunda etapa da FPI do São Francisco em Sergipe, porém, é a primeira de grande porte, já que dessa vez conta com 12 equipes em campo: saneamento (resíduos sólidos/esgotamento sanitário/ abastecimento de água) mineração e cerâmica; fauna; flora; espeleologia; aquática; abate clandestino; patrimônio cultural; comunidades tradicionais; gestão ambiental; agrotóxicos; e apoio e inteligência.

*Com informações do MPF/SE.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

domingo, 4 de dezembro de 2016

Quirino: A Cabine do Tempo, na Rua Geru, em Aracaju


Fotos: Miss Check-In/Anna Guimarães.

Miss Check-In | Por Anna Guimarães, em 7 de janeiro de 2016

Quirino: A Cabine do Tempo na Rua Geru - Aracaju. 
Por Anna Guimarães | Miss Check-in.

No caminho para o centro da cidade, na quadra desenhada pelo encontro das ruas Geru com Lagarto, uma portinha simplória, aberta há mais de 40 anos, toca músicas antigas em alto volume.

Seguindo a trilha sonora – que vai de Altemar Dutra a Blitz – fui magneticamente atraída pela atmosfera dos anos 80 espalhada entre vinis e fitas, tocando histórias guardadas na minha memória afetiva. Descobri, então, meu lugar preferido nas manhãs de sábado: o banquinho da paciência na Loja do Quirino.

Passo horas nesse banquinho procurando vinis antigos. Assim como passava horas viajando nos vinis do meu pai, fascinada com as imagens dos encartes.

Com o tempo, os vinis foram embora e o chiadinho das músicas da minha infância ficou esquecido naquele cantinho de saudade onde guardamos os pequenos e saborosos detalhes do começo das nossas vidas.

A loja do Quirino trouxe tudo de volta. A R$1,00 – a fita cassete ou vinil – com R$20,00 fui de ‘É proibido fumar’ (1964) até o hit do Menudo, ‘Não se reprima’ (1984).

O comércio compra e vende discos e fitas. Os discos velhos, aqueles que a ‘mãe’ não quer mais ou o ‘pai’ quase joga fora? Leva no Quirino que ele compra. Como resultado dessa ‘troca’, várias histórias vão se amontoando no meio dos LPs, em rabiscos de afeto nas dedicatórias que acompanham os discos

E as capas e encartes continuam sendo uma viagem, retratos das gerações embaladas por aquela meia dúzia de faixas em cada lado do disco.

O Quirino é um alagoano de Penedo que começou a trabalhar aos 10 anos, caçando passarinhos.  Conta com orgulho que é bisneto de escravos, citando que sua avó, Marcelina, foi agraciada pela Lei do Frente Livre(1871). Sorriso largo e uma disposição invejável, dessas pessoas cheias de vida.

Eu saio de lá sempre uns quarenta anos mais pesada… Feliz da vida. Uma vermelhinha aqui em casa não abre mão dos meus achados na cabine do tempo do Seu Quirino.

Endereço: Rua Geru, n° 345, no trecho entre as ruas Lagarto e Capela.

Texto e foto reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Praça Assis Chateaubriand, a popular Praça do Galego, em Aracaju

Foto: Google Maps/Google Earth

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 11 10/2016.

Senta que lá vem história, por Osvaldo Ferreira Neto.

Praça Assis Chateaubriand, a popular Praça do Galego.
Por Osvaldo Ferreira Neto.

A Praça Assis Chateaubriand é uma praça muito conhecida pelos aracajuanos, mas não por sua toponímia correta e sim pelas populares. A praça tem vários nomes populares: Praça do “Haiti”, por ter uma loja famosa de vestidos de noivas nas proximidades com o nome do país caribenho; Praça do “English Planet”, por nela localizar a escola de inglês citada; Praça do “Açaí Aju”, por nela ficar um estabelecimento de lanches e açaí na tigela famoso em nossa capital. Porém, o mais famoso termo para o logradouro é a Praça do “Galego”, pois há mais de 15 anos existe uma famosa lanchonete de Aracaju, o Galego Lanches, que é conhecido por todos e todas por seu molho saboroso, seus sanduíches  e o atendimentos até altas horas da madruga, matando a fome de inúmeros festeiros de nossa cidade, principalmente nos grandes eventos de nossa terra. Mas o nome correto é Praça Assis Chateaubriand. Quem foi Assis Chateaubriand? E por que esse nome?

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, nasceu em Umbuzeiro-PB., em 4 de outubro de 1892, foi um jornalista, empresário, mecenas e político, destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 1960. Foi também advogado, professor de direito, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.

Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica. Ele foi o primeiro monopolizar a mídia do nosso Brasil. Também é conhecido como o cocriador e fundador, em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi, e ainda como o responsável pela chegada da televisão ao Brasil, inaugurando em 1950 a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi.

Foi Senador da República entre 1952 e 1957. Uma figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand já foi chamado de “Cidadão Kane” brasileiro, e acusado de falta de ética por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por supostamente insultar empresários com mentiras, como o industrial Francisco Matarazzo Jr.. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada porém rentosa com o Presidente Getúlio Vargas.

Em fevereiro de 1960, Assis Chateaubriand foi acometido de uma trombose. Morreu em 4 de abril de 1968, em São Paulo, depois da pertinaz doença, a que ele resistiu por longos anos, continuando, mesmo paraplégico e impossibilitado de falar, a escrever seus artigos. Foi velado ao lado de duas pinturas dos grandes mestres: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo seu protegido, o arquiteto italiano e organizador do acervo do MASP Pietro Maria Bardi, as três coisas que mais amou na vida: O poder, a arte e a mulher pelada. Seu cortejo fúnebre reuniu mais de 60 mil pessoas pelas ruas de São Paulo. Está sepultado no Cemitério do Araçá na cidade de São Paulo.

No mesmo ano da morte de Assis Chateaubriand, o prefeito nomeado pela ditadura José Aloísio de Campos determinou o nome do triangular espaço público entre as rua Construtor João Alves, Américo Curvelo, Professor Figueiredo Martins e Urquiza Leal no bairro Salgado Filho passeasse a se chamar Praça Assis Chateaubriand, através da Lei n. 45/68 de 29 de novembro de 1968. Logo no início a praça era um descampado cercado de sítios e poucas casas. Um local ermo que só terá feições de uma praça pública na gestão de outro prefeito biônico da ditadura, o Cleovansóstenes Pereira de Aguiar em 1972 e só recebendo outra reforma já na gestão do prefeito José Almeida Lima em 1996, reforma essa que determina os traços paisagísticos que a praça tem hoje.

Agora já sabe um pouca da história da praça e de seu nome ao usufruir deste espaço público tão famoso no Centro-Sul da nossa cidade.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

domingo, 27 de novembro de 2016

João Firmino Cabral



Publicado originalmente no site do Portal Infonet/Cultura, em 21/08/2003.

“O cordel mais que encantado do sergipano João Firmino”.
Por Najara Lima.


“Aqui nesta barraca ninguém tem prejuízo, porque ler não é prejuízo. Ler é cultura”. É assim que João Firmino Cabral chama as pessoas para conhecerem o que há de melhor em literatura de cordel. E quem por ali chega, encontra um vendedor diferente. Ele recita versos e conta histórias, com a sabedoria de um ancião e a alegria de uma criança. Além de fazer da venda dos “folhetos de feira” o seu meio de vida, há 46 anos ele faz do cordel a sua arte. Bastante premiado no país, o cordelista já recebeu prêmios inclusive das mãos do ilustre pernambucano Ariano Suassuna. Para o cordel de João Firmino não há fronteiras. Suas obras podem ser encontradas fora do país, circulando inclusive no meio acadêmico. A Universidade de Nova Lisboa, em Portugal, e a Biblioteca Universitária de Versalhes, na França, exibem obras desse cordelista itabaianense tido como um dos melhores do Brasil em seu estilo literário. Sem nunca ter frequentado uma escola, ele começou a fazer cordel aos 17 anos de idade, espelhando-se em Manoel D´Almeida Filho, seu grande mestre. Em 1957, na cidade de Alagoinhas, João Firmino lançou seu primeiro trabalho. Um folheto com oito páginas, intitulado As bravuras de Miguel, o valente sem igual. “Este meu livro foi cheio de falhas, assim como todo primeiro trabalho”, afirma ele. Seu mestre, Manoel D´Almeida, gostou muito da obra, apesar de apontar-lhe alguns defeitos, inclusive de métrica. Mesmo assim, o cordelista não desanimou e continuou a escrever. A última carta do padre Cícero Romão, seu segundo trabalho, tornou-se um grande sucesso por suas várias edições. A este livro, seu mestre deu nota dez, e afirmou que João seria seu sucessor. “Nunca pensei em ser sucessor de alguém. Cada um tem seu jeito, seu trabalho”, declara ele. O autor se queixa da falta de interesse pela literatura, em especial pela literatura de cordel. E culpa os meios de comunicação por isso. “Hoje o cordel não tem mais a afluência que já teve em sua época áurea. O povo tinha muito desejo de ler o livro. O livro era a diversão, a novela da época. Mas antes não existia a TV, e mesmo o rádio ainda tinha pouca expressão”, contesta João Firmino. Para ele, até mesmo os estudantes lêem forçosamente. Se lerem, não o fazem porque gostam, e sim em troca de algum benefício concedido pelo professor. “Hoje ninguém tem tempo para ler. A TV toma o tempo das pessoas”, diz ele. Casado há 37 anos com dona Carmelita Cabral, ele tem sete filhos e cinco netos que, apesar de gostarem muito de ler, não quiseram seguir os passos do pai. “Não basta querer ser cordelista. Esse dom não se compra, se recebe de Deus”, explica João. Referência para os que passam pelo Mercado Albano Franco, seu João Firmino ocupa hoje um espaço cedido pela Funcaju juntamente com a Emsurb. Sua banca faz sucesso com os turistas, que param para comprar e acabam desfrutando da sabedoria do maior cordelista do Estado. Apesar de amar sua terra, João afirma que o valor atribuído ao cordel, em Sergipe, é muito menor que o merecido. “Hoje quem mantêm minha banca são os turistas, não são os sergipanos”, declara. João Firmino afirma que só quem tem conhecimento sabe dar valor ao cordel. Hoje ele serve de modelo para muitos cordelistas sergipanos, a exemplo de Zé Antônio e Gilmar Santana, que na revisão poética de suas obras, sempre recorre ao mestre. Indagado sobre sua relevância no Estado, ele demonstra uma humildade sem igual. “Não sou maior nem melhor do que ninguém. Sou apenas aquilo que Deus quis que eu fosse”, afirma. Ele orienta os mais jovens quanto a essa humildade que, segundo ele, deve ser sempre conservada. Sobre isso, ele gosta de lembrar um versinho que, quando criança, ouvia de sua avó. “Quem aos altos quer subir e as nuvens quer pegar, as estrelas vão sorrir da queda que vai levar”. Foi a humildade e a sabedoria que fizeram de João Firmino um dos cordelistas mais respeitados do Brasil. Aos 63 anos, ele permanece de segunda a sábado, das 08h30 às 16h30 em sua banca. Lá ele vende o que há de melhor em literatura de cordel, expondo sua obra e conservando uma parcela valiosa da nossa cultura. Com 50 trabalhos publicados, o cordelista, que vê no cordel a razão de sua vida, é um nome a ser imortalizado na história sergipana.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

sábado, 26 de novembro de 2016

O Bonde na Literatura Sergipana, por Amâncio Cardoso



Imagens para simples ilustração de artigo, postado por MTéSERGIPE.
Créditos das Imagens - Pesquisador norte-americano Allen Morrison,
de New York/EUA (Reproduzidas do site: novomilenio.inf.br).
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Nas fotos, bondes elétricos circulam pelas ruas da capital sergipana no início do século XX. Aracaju foi a última capital estadual no Brasil a instalar bondes com tração animal e também a última a contar com bondes elétricos, 
sendo também a única cidade sergipana a ter bondes.
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Publicado originalmente no Blog Primeira Mão, em 27/12/2015.

O Bonde na Literatura Sergipana
Por Amâncio Cardoso.[1]

Ao prof. Francisco José Alves (UFS-Dept. História),
por me apresentar o bonde na literatura.

Houve um tempo em que o aracajuano andava de bonde. Entre 1908 e 1925, os puxados por burros; e entre 1926 e 1951, os bondes elétricos.
Os bondes deixaram fundas marcas na vida e na memória dos citadinos. Isto se expressa, sobremaneira, nos escritos literários que evocam os antigos veículos; textos que apresentam o tempo dos bondes em Aracaju de forma lírica, saudosista, realista e até satírica. São sonetos, quadras, crônicas, monólogo e memórias. Estas obras rememoram aquele meio de transporte que mudou hábitos e estabeleceu costumes.
Iniciemos com a visão lírica e saudosista expressa por Jacintho de Figueiredo (1911-1999), publicada no livro Motivos de Aracaju, em 1955; uma homenagem, em versos, aos 100 anos da capital. O primeiro poema é “Crônica”. Nele, o poeta lembra com lirismo e saudade os bondinhos de tração animal na sua pitoresca lentidão, vencendo dunas e apicuns da antiga e tranquila Aracaju. Leiamos: “Os bondinhos de burro... – que poesia! .../ “Fundição”, “Santo Antônio”, “Circular” .../ Tempo feliz aquele! Não havia/ Essa pressa da hora de chegar! .../ (...)/ Mas a cidade, aos poucos, foi crescendo .../ Transpondo as dunas, apicuns vencendo,/ Tornando imprescindível a condução./ E em consequência, pelas ruas,/ Que ao tempo do bondinho eram tão nuas .../ Não mais aquela placidez de então!”.[2]

O segundo poema é “O Último Bonde”, no qual Figueiredo refaz o trajeto do bonde elétrico que rodava até 11 horas da noite, entre os bairros Santo Antônio e Fundição (final da atual avenida Ivo do Prado), e se recolhia no Aterro do Tecido (atual avenida João Rodrigues); onde se encontrava a garagem e a casa de força que transmitia energia aos bondes da E.T.E.A. (Empresa de Transportes Elétricos de Aracaju). Eis as duas últimas estrofes: “O último bonde, como era chamado,/ Vinha do Santo Antônio, acelerado,/ Fazendo a volta pela Fundição;/ Rua da Frente, Aterro do Tecido,/ Em busca do repouso merecido,/ Depois de percorrer léguas de chão”.[3]

É sintomático que o bonde seja o único tema abordado por duas vezes num livro de homenagem ao centenário de Aracaju. Assim, vê-se como o velho transporte tinha importância na vida da cidade e na sensível alma do poeta.
Mas o bonde não foi objeto apenas da poesia lírica. Poemas satíricos aparecem nos jornais. Em 1926, por exemplo, um certo “Léo” escreve cinco quadras (estrofes de quatro versos) satíricas sobre os defeitos e descarrilamentos dos novos elétricos: “Engasgado traz antonte,/ Na rua de Itabaiana,/ Encontrava-se um bondão,/ Da boa dona ÉTÉANA!.../ Trepados por sobre o cujo/ Os pobres dos condutores/ Gritavam desesperados:/ Que bondes encrencadores!/ (...) /Quando menos se esperava/ Um Jones apareceu,/ Que é isto, meus rapazes?!/ O que foi que aconteceu?/ - O bonde pulou da linha,/ E o arco se arrebentou!.../ Vosmecê seu Jone, vá/ Chamar seu Jone doutô!...”.[4]

“Boa Dona Étéana” é a ETEA, empresa que operava os bondes elétricos à época, como vimos. Os condutores eram funcionários que faziam cobrança das passagens e os “Jones” é uma alusão jocosa aos sócios proprietários da ETEA, João Campos e João Andrade. Um deles, se arvorava de engenheiro para consertar os bondes, mas o acusavam de não ter formação para tal, daí a alcunha irônica de “Jone doutô”.
A sátira se justificaria porque os sócios da “boa Dona Étéana” teriam sido privilegiados na concessão dos serviços dos bondes elétricos da capital pelo então governador Graccho Cardoso (1874-1950), que se tornara inimigo político tanto do diretor do Sergipe-Jornal, onde se publicaram as quadras, o deputado federal Antônio Batista Bittencourt (1893-1940); quanto do ex-governador, senador e líder do Partido Republicano, Pereira Lobo (1864-1933). Batista Bittencourt e Pereira Lobo fizeram pesadas críticas ao governo Graccho, de 1922 a 1926. Dentre elas, acusavam de corrompido o contrato de concessão dos serviços de bonde; o que motivou graves denúncias e sátiras políticas em diversas edições do Sergipe-Jornal controlado por eles.[5]

Ainda no campo da sátira, encontramos o monólogo “No bond”, publicado no jornal humorístico “O Espião”, editado em Aracaju de 1909. O autor, José Rodrigues Vianna, recitou os versos no Teatro Carlos Gomes (depois Cine Teatro Rio Branco, no centro da capital), trajando a farda dos condutores de bonde.
Rodrigues Vianna era diretor da Companhia Dramática, Lírica e Cômica, e fez diversas apresentações no antigo teatro. Seu monólogo faz o caminho inverso das reclamações neste serviço, pois eram comuns denúncias dos passageiros contra os condutores. Mas aqui temos um raro momento em que o condutor expõe, com humor, as desventuras de sua faina contra os passageiros. Dentre elas se destacam
- a cobrança do fiscal: “N’um bond cheio de gente/ Faço a cobrança geral,/ Destaco cupons a ufa/ Quando me surge o fiscal/ Tomando no assentamento/ Depois de várias contagens/ Sempre nos diz: Condutor;/ Olhe, faltam três passagens”.
- a solicitação de parada longe do ponto: “Não é só. Qualquer velhusca/ Quando lhe dá na ideia/ Manda parar de Palácio/ O bond lá na Cadeia”.
- o ensino aos idosos a pongar (subir no bonde em movimento): “Inda é preciso que a gente/ Cortês se faça mostrar/ Em ensinar à velhusca/ Como se deve ... trepar”.
- o não pagamento da passagem por algum malandro: “Qualquer pelintra querendo/ uma passagem engolir/ Pergunta com a cara dura:/ Condutor já vai partir?/ Ao nosso sinal se trepa/ Com a maior descaração.../ Mas quando o cobre pedimos/ Nos responde alevantado:/ Condutor, não seja ousado/ Deixe de amolegação!”.
Por tantos dissabores, o condutor por fim desabafa: “Não posso mais esta vida,/ Muita desventura esconde/ Por isso não quero ser/ Condutor, jamais de bond./ Vou entregar o apito/ Sacola, cupons e prego/ E com o doutor Venâncio/ Renovamente me emprego”.[6]

Saindo dos versos e passando para prosa, temos a crônica “Os Bondinhos” do professor e magistrado Bonifácio Fortes (1926-2004), publicada no Sergipe-Jornal em 1950; nos últimos suspiros dos bondes aracajuanos. Assim, todo o texto é um lamento por conta da iminente extinção dos “bondinhos” na capital. Por isso, escreve o autor, a cidade perdera seu “sentido poético”. O título da crônica no diminutivo já exprime certo afeto pelo veículo. Prova disso é que Bonifácio Fortes personifica os bondes, chamando-os de “heroicos bondinhos”, pelo fato de rodarem mais horas que o de outras cidades em ruas arenosas e de não terem seu maquinário renovado. Aracaju sempre possuiu os mesmos dez bondes elétricos e um reboque, desde 1926 a 1951, período em que o número da população aumentou significativamente.
Vamos a um trecho da crônica: “Heroicos bondinhos de Aracaju, infatigáveis veículos que giravam desde as seis horas da manhã até as 11 da noite, quase sem paradas, subindo a poeirenta rua do Bomfim ou as constantes areias da Pedro Calasans”. Em outra passagem, Bonifácio Fortes revela o amor dos aracajuanos pelos bondes: “O aracajuano ama os bondinhos no que eles têm de mais pitoresco, no que eles oferecem de mais anedótico, no seu próprio inconforto e vagareza”.[7]

Encontramos outras crônicas, mas agora numa página clássica de nossa literatura, “Roteiro de Aracaju”, de Mário Cabral (1914-2009), com primeira edição de 1948. O livro reúne diversas crônicas sobre a cidade, formando um guia sentimental. Extraímos duas em que os bondes são personagens principais.
Na primeira, “Os Transportes”, apesar do título Cabral aborda apenas sobre os bondes a burro e elétricos; deixando de lado outros meios. Fica patente, mais uma vez, como os bondes vincaram a memória dos escritores. Ele relembra linhas, trações, defeitos, horários e superlotação. Escreve: “Mesmo assim os bondes andam superlotados, gente em todos os lugares, pendurada dos lados, gente equilibrada, atrás, sobre o dorso do engate”.[8]

Ao contrário da primeira, a segunda crônica, “Os Bairros”, destaca o romântico passeio de casais de namorados nos bondes. Cabral relembra o “bonde dos namorados” que passava pelas fábricas do bairro Industrial, onde rapazes, inclusive o autor, esperavam a saída das operárias para levá-las nos bondinhos. Vejamos uma passagem: “Ali é Piturita que toma o bonde. Mais adiante é Neto, é Walter, é Armando da Farmácia, sou eu próprio, é mais meia dúzia de namorados. E o bonde segue dançando, aterro afora, rumo da cidade, cheio de namorados, exclusivamente de namorados”.[9]

Saindo da crônica passemos para memorialística; outro gênero literário que tomou o bonde de Aracaju como tema. Levantamos dois autores, Genolino Amado (1902-1989) e Murilo Melins (1928- ).
O imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado, escreveu “Um menino sergipano” em 1977. Um dos capítulos de suas memórias (passadas na cidade natal, Itaporanga, e em Aracaju) se intitula “O Bonde”. Ele remonta ao tempo dos bondes puxados a burro em Aracaju. Na primeira frase sentencia com pilhéria: “Na terra dos inteligentes, bonde de burros”. Alude à plêiade da inteligência nacional nascida em Sergipe como Tobias Barreto (1839-1889), Silvio Romero (1851-1914), Manoel Bomfim (1868-1932), Fausto Cardoso (1864-1906), João Ribeiro (1860-1934), Gumercindo Bessa (1859-1913), Felisbelo Freire (1858-1916), entre outros.
Embora inicie com um chiste, o texto de Genolino é atravessado por líricas memórias dos bondinhos de tração animal. Escreve que o veículo foi um de seus “deslumbramentos” quando aportou em Aracaju ainda menino. E afirma que “a qualificação há de parecer excessiva, mas quem é pequeno engrandece as coisas. E aquele bondinho me maravilhou”.
Conta Genolino que o que mais o “encantou” não foi o bonde comum, mas o bonde especial, exclusivo do presidente (atual governador) do Estado. Relembra embevecido: “Era o bonde especialíssimo do Presidente, que, em noites de verão, nele passeava com algumas excelências da sua roda. Sem os bancos duros do bonde plebeu, tinha jeito de um pequeno salão, paródia de carro pullman, com poltronas de vime e iluminação que me parecia feérica. Dava gosto olhar. Dava também inveja. Que beleza!”.[10]

Outro memorialista dos bondes de Aracaju é Murilo Melins. Suas memórias evocam os bondes elétricos nos idos de 1940. Elas foram publicadas no livro “Aracaju romântica que vi e vivi, anos 40 e 50”, cuja primeira edição é de 1999. Assim como Mário Cabral, ele dedica aos bondes dois textos, quais sejam “Bondes” e “De bonde para o Bairro Industrial”.
Em “Bondes”, o autor apresenta fotos dos veículos e da usina geradora de energia que movia os vagões. Ele Confirma a procedência alemã dos elétricos de Aracaju. Nossos bondes foram comprados à fabrica Van der Zypen & Charlier, na cidade de Köln (Alemanha).[11]

Melins segue descrevendo os vagões, o funcionamento e as linhas, além da tripulação (motorneiro e condutor) e funcionários da empresa (limpadores de trilhos). O autor tem uma prosa graciosa e leve. A exemplo do trecho em que a empresa, para justificar a paralisação dos bondes por falta de energia, dizia em nota que havia quebrado o eixo do motor; com isso Melins nos brinda com a seguinte anedota: “Conta-se que um vendedor de quebra-queixo, que era tato, passando pelo estabelecimento do Diretor da Luz e Força, anunciando seu produto, gritou: ‘quebra eixo’, omitindo o ‘Q’ devido a sua deficiência. Funcionários do Diretor levaram o pobre homem à presença do chefe, e depois das devidas explicações ele foi liberado”.[12]

No texto “De bonde para o Bairro Industrial”, Melins sugere a um amigo um passeio imaginário de bonde por Aracaju dos anos 1940. Eles partem do Centro, próximo à praça Fausto Cardoso, em direção à avenida Augusto Maynard, apreciando paisagens, monumentos, instituições, hotéis, casarios, palácios, fábricas, estação de trem, ruas e praças até chegar ao ponto final, na praia do Bairro Industrial, mais precisamente na velha construção da “Chica Chaves”, antiga moradora que emprestara seu nome ao primitivo topônimo do bairro.
Melins em suas memórias e “passeio” alude também ao “bonde dos namorados”, ao tempo em que nos informa como se fazia o retorno do bonde no fim da linha. Ouçamo-lo: “É hora de o ‘Bonde dos Namorados’ voltar. O condutor e o motorneiro viram os bancos e o arco que leva energia para o velho motor ‘Siemens’. O nosso bondinho rodará em direção ao centro da cidade”.

Aqui, neste ponto final, peço licença a Murilo Melins para encerrar esse texto com suas próprias palavras: “Vamos fazer o retorno, (...), pois o Bonde do Passado já passou, deixando apenas boas reminiscências”.[13]

Os bondes de Aracaju, como vimos, vincaram a literatura sergipana. Ele foi representado não apenas como um meio de transporte, mas também como um patrimônio sentimental da cidade. Nada se preservou dos românticos bondinhos. O tempo do bonde passou; ficaram, todavia, os registros literários.

[1] Professor dos Cursos de Turismo do IFS. E-mail: acneto@infonet.com.br
[2] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 31.
[3] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 77.
[4] LÉO. Piparotes. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 1.400, 18 de agosto de 1926. p. 01.
[5] Ver críticas ao governo Graccho Cardoso e ao serviço de bondes no Sergipe-Jornal de fev. de 1925 a out. de 1926.
[6] VIANNA, Rodrigues. No bond. O Espião. Aracaju, nº 37, 21 de março de 1909. p. 01.
[7] FORTES, Bonifácio. Os Bondinhos. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 12.477, 24 de maio de 1950. p. 04.
[8] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 113-114.
[9] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 176.
[10] Amado, Genolino. Um menino sergipano. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 104-105.
[11] Disponível em: <http://www.tramz.com>. Acesso em: 14 de set. 2015.
[12] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 195-201.
[13] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 317-322.

Texto reproduzido do site: primeiramao.blog.br

Livro sobre a história de Almir do Picolé é lançado

Foto: Fredson Navarro/G1/SE.

Publicado originalmente no site G1/SE., em 23/11/2016.

Livro sobre a história de Almir do Picolé é lançado nesta quinta
Nome do trabalho foi intitulado ‘Um Presente Secreto’.
Evento acontece na sede da Creche de Almir do Picolé, às 15h.

Do G1 SE

O livro intitulado “Um Presente Secreto”, escrito pelo poeta Euvaldo Lima, membro fundador da Academia Gloriense de Letras, cadeira n° 5, conta a história de vida de Almir do Picolé e será lançado no dia 24 de novembro, às 15h, na sede da Creche de Almir do Picolé.

Segundo o poeta Euvaldo Lima, o nome do livro foi motivado por uma situação inusitada. Ele, que desconhecia a história de vida de Almir do Picolé, depois de negar-lhe uma ajuda no semáforo e quando passou a conhecê-la, resolveu escrever um livro em forma de cordel sobre a trajetória desse homem que sempre destinou uma parte do seu salário para promover festas no Natal e no Dia das Crianças para comunidades carentes. O poeta decidiu narrar em versos de cordel a vida desse homem iluminado que aos quatro anos de idade foi abandonado e permaneceu até os 17 anos em um orfanato, mas que hoje mantém uma creche para ajudar outras pessoas.

O escritor Euvaldo Lima sensibilizou outros colaboradores e conseguiu a publicação. Desde setembro de 2014, o livro está pronto e só agora será lançado. Serão 3.000 exemplares, que serão doados nos semáforos, pois o valor de cada livro será o que cada um sentir no coração.

O lançamento acontecerá também no dia 01 de dezembro, em Nossa Senhora da Glória. Na ocasião, haverá o lançamento em praça pública e um ato solene na Câmara Municipal, com exposição de arte, apresentação do balé “Entre Olhares”, além da participação de outros membros da Academia Gloriense de Letras.

*Com informações da assessoria.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

Equipe fundadora da AMO - Associação dos Amigos da Oncologia


A AMO - Associação dos Amigos da Oncologia, está completando 20 anos de atividades, cumprindo sua missão com sucesso. A foto registra a equipe fundadora, com o seu primeiro Presidente - Silvio Renato, e a atual - Conceição Balbino, bem como alguns membros da atual equipe diretiva.

Postagem originária do Facebook/MTéSERGIPE/Lygia Prudente.

AMO comemora 20 anos de fundação


AMO comemora 20 anos de fundação.

História da AMO.

A Associação dos Amigos da Oncologia - AMO foi fundada, em 21 de novembro de 1996, por uma equipe de profissionais de saúde vinculados ao Hospital de Clínicas Dr. Augusto Leite, popularmente conhecido como Hospital de Cirurgia, e pelo grupo “Rainha da Paz” que realizava trabalho voluntário e que estava vinculado ao Serviço Social do mesmo centro de saúde.

Nessa época, a Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe – Avosos foi convidada para administrar o novo centro de oncologia do Estado, que fica numa área anexa ao Hospital de Urgência de Sergipe. A transferência desse serviço deixou um vazio na assistência à criança e ao adolescente com câncer no Hospital de Cirurgia, que foi imediatamente preenchido pelos voluntários da AMO.

Voltando ao passado...

No ano de 1996, uma junta médica sentiu muita falta dos serviços prestados pela Avosos e convidou os voluntários do grupo “Rainha da Paz”, os médicos oncologistas e as assistentes sociais do hospital para criar uma associação que prestasse assistência a pessoas com câncer sem restrição de idade, cuidando não apenas de criança e adolescente, mas também do adulto e do idoso, que são os principais públicos atingidos pelo câncer.

Colhendo os primeiros frutos

A partir de pequenas ações, a associação foi crescendo e mostrando resultados. O primeiro deles foi a aquisição de uma capela de fluxo laminar (equipamento de preparação da quimioterapia). Naquele momento, o hospital passou por dificuldades financeiras, não teve condições de comprar o material e essa era uma das condições primordiais para que o serviço de oncologia continuasse a funcionar.

Em poucos anos, a AMO ajudou a revolucionar os serviços em oncologia do Hospital de Cirurgia. Adequou todas as unidades de tratamento oncológico, o ambulatório de quimioterapia e de radioterapia, a enfermaria pediátrica, a unidade de braquiterapia, e a unidade de internamento clínico e cirúrgico Anna Maria Maynard Garcez, que foi uma das primeiras voluntárias e sócio-fundadora da associação.

Sócio-fundadores

A associação é resultado de um trabalho voluntário e coletivo. Veja, abaixo, lista com os 29 nomes dos sócio-fundadores:

Anna Maria Maynard Garcez
Ana Luiza Oliveira Ribeiro
Cândida Maria Pinheiro Torres
Elida Freire Caetano
Heloísa Castro
Josefa Costa do Nascimento
Libânia Santos Silva
Lígia Silva Santos
Lourdes Maria Sampaio Oliveira Dias
Kássia Rita Ramos Peixoto
Marileide Maciel Silva Pires de Carvalho
Márcio César Botelho do Nascimento
Marta Oliveira dos Santos
Maria da Conceição Balbino dos Santos
Maria da Conceição do Nascimento Melo
Maria do Carmo Silva
Maria do Carmo Santos Góis
Maria das Graças Prado de Araújo
Maria Inês Moreira do Nascimento
Maria de Lourdes do Nascimento
Maria de Lourdes Oliveira
Maria Lourdes Lopes
Maria Therezinha Góis de Vasconcelos
Norma Maria Ramos Pereira
Sheila Virgínia Lopes
Sílvio Renato Garcez
Sônia Vahle Franco
Verônica Passos Barboza Moura
Violeta de Lourdes Coutinho Torres Franco.

Texto e imagem reproduzidos do site: amigosdaoncologia.org.br
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AMO - Associacao dos Amigos da Oncologia
Rua Perminio de Souza, 270, bairro Cirurgia
Aracaju-SE. CEP 49055-530
(79) 2107-0077 amigosdaoncologia@gmail.com