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domingo, 16 de janeiro de 2022

Zé Peixe é homenageado em vídeo do ator Nelson Freitas

Publicação compartilhada do site do Portal INFONET, em 15 de janeiro de 2022 


Zé Peixe é homenageado em vídeo do ator Nelson Freitas 


O ator, produtor e humorista brasileiro Nelson Freitas expressou sua admiração pelo lendário Zé Peixe em seu canal do YouTube. No vídeo, o artista usa a história do prático sergipano para destacar o quanto é importante que as pessoas trabalhem com aquilo que amam verdadeiramente. A homenagem faz parte de uma série de vídeos na qual o ator faz reflexões sobre a vida. 


No vídeo, Nelson conta a história de Zé Peixe e tudo que ele realizou por amor à sua profissão na Marinha. O ator se refere ao sergipano como a “figura lendária dos mares do nordeste do Brasil” e destaca que Zé Peixe amava o que fazia e se tornou famoso entre homens e mulheres do mar por uma maneira muito incomum de fazer a praticagem. 


“Para que não sabe, o prático é um profissional que conduz o navio de fora da barra até o porto e, depois da operação, faz o inverso. Quando o navio já está em segurança lá fora, ele entra em uma lanchinha e volta para o porto. Mas o Zé Peixe não entrava na lancha, ele se jogava e vinha a nado de volta para Aracaju. Dependendo das condições do mar e do evento, isso poderia levar até 3 horas. Muitas vezes, os tripulantes dos navios mercantes estrangeiros, que não o conheciam, entravam em pânico vendo aquele homem franzino saltar e voltar no braço para terra”, conta. 


Nelson destaca ainda que Zé Peixe era um homem alegre e que não ficava preso aquilo que sua profissão exigia. “Ele já salvou náufragos, combateu incêndios a bordo, salvou gente afogamento. Foi ganhando prestígio de herói, condecorado diversas vezes com várias medalhas pelos seus feitos que o levaram se tornar uma lenda entre marinheiros do mundo todo”, relembra. 


O ator finaliza o vídeo comentando que a história de Zé Peixe serve para inspirar as pessoas neste novo ano. “Que essa história possa inspirar você a fazer aquilo que gosta, a sua profissão, não importa o quanto isso demore a acontecer. O homem que remove montanhas sempre começa retirando pequenas pedras do caminho”. 


A publicação rendeu diversos comentários e elogios, principalmente, de sergipanos e de pessoas que conheceram ou conviveram com Zé Peixe: 


“Parabéns pelo vídeo e a homenagem lembrança do nosso Zé Peixe, meu pai era da Capitania dos Postos aqui de Aracaju, e muito amigo de Zé, que por muitas vezes ia em nossa casa bater papo com meu pai. Homem simples que andava descalço em sua bicicleta enferrujada, de bom caráter e dedicado ao que fazia. Parabéns Nelson”, dizia um dos comentários.

 

“Muito obrigada, Nelson. A sobrinha neta e afilhada de Zé Peixe, emocionada agradece de coração”, comentou Lucian Shunk, parente de Zé Peixe.  


“A sua simplicidade e seu amor pelo mar, o tornou lenda, e merece ser sempre reverenciado. Salve Zé peixe! Valeu , Nelson Freitas!”. 


Zé Peixe 


José Martins Ribeiro Nunes, o “Zé Peixe “, nasceu em 05 de janeiro de 1927, e desde a mais tenra idade mostrava desenvoltura a nadar. Aos 11 anos já era um exímio nadador e aos 20 foi contratado, pela Capitania dos Portos, para atuar como prático, conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju. 


Zé Peixe se tornou figura lendária no estado de Sergipe e no exterior por exercer o seu trabalho de uma maneira bem diferente: nadava até o navio e depois  voltava conduzindo a embarcação à nado.  O prático ganhou destaque em diversas publicações [jornais, revistas e reportagens televisivas] e serviu de inspiração para músicas, livro infantil, peça teatral e exposições. 


O prático também era conhecido pela sua simplicidade e atos de grandeza e heroísmo [foi responsável por inúmeros salvamentos, tendo destaque para a ação que resgatou a tripulação do navio Mercury, em chamas, no alto mar, na década de 1970]. 


Grande conhecedor das águas da costa aracajuana, Zé Peixe faleceu em 2012, mas continua vivo no imaginário do povo sergipano. Em 2015, o Governo de Sergipe transformou o antigo hidroviário de Aracaju no Espaço Cultural Zé Peixe. No local, é possível encontrar painéis do artista plástico Elias Santos, além de um busto de bronze do homenageado, peças e fotografias. 


Por Luana Maria e Verlane Estácio com informações da ASN 


Texto e vídeo reproduzidos dos sites: infonet.com.br e youtube.com 


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Espaço Zé Peixe abre exposições e realiza programação de aniversário

Neste domingo, 19 de maio, o Espaço Zé Peixe
completa quatro anos (Foto: Pritty Reis)

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 16 de maio de 2019 

Espaço Zé Peixe abre exposições e realiza programação de aniversário

Neste domingo, 19 de maio, o Espaço Zé Peixe completa quatro anos. Fundado em 2015 a partir de uma grande reforma do antigo terminal hidroviário de Aracaju, o espaço se tornou um ponto de referência no centro histórico da capital, recebendo turistas e alunos de escolas da rede pública e particular de ensino, em visita ao Memorial que conta a história da vida do mais notável prático sergipano. Nesta sexta, 17, a secretaria de Estado da Inclusão Social (Seit) inicia uma programação comemorativa ao aniversário do Espaço, com a abertura de duas exposições.

A primeira delas é a exposição “Recriando”, que reúne 11 réplicas de embarcações pelo olhar de Mestre Passos, além da maquete representativa do Largo da Gente. Com expografia de Jorge Luiz Barros, curadoria de Sayonara Viana e fotografia de Mozart Daltro, “Recriando” traz reproduções da canoa de tolda (patrimônio cultural de Sergipe), do famoso tototó, do bote de São Cristóvão, da canoa cearense, entre outras embarcações. De acordo com Sayonara Viana, é um trabalho que faz parte do imaginário do artista, que remonta à infância. “É como se ele estivesse brincando com a madeira e nos presenteando com belas obras que estão na história de Sergipe”, explica a curadora da exposição.

José Santos de Araújo – o Mestre Passos – é filho da cidade de São Cristóvão. ‘Mestre’ por criar, ensinar, restaurar e transformar madeira em arte; ‘Passo’s por ter nascido no dia da Festa de Nosso Senhor dos Passos. Ele herdou o ofício da marcenaria do seu pai, mas trilhou caminhos musicais, tornando-se primeiramente luthier e restaurador de mão cheia; depois, artista plástico e nautimodelista, se dedicando à construção embarcações e de réplicas reduzidas.

A segunda exposição que ocupa o Espaço Zé Peixe a partir desta sexta-feira é a ‘Art In África’, reunindo 20 peças originais do continente africano, integrantes do acervo pessoal do produtor cultural Guga Viana. De acordo com ele, o acervo completo é composto por 2.500 peças, reunidas durante os mais de dez anos em que residiu na África. “Tive o privilégio de morar em diversos países do continente e me apaixonei pela cultura maravilhosa que eles têm. As peças são de uma beleza rara, trazendo consigo a força e a representatividade mística de uma religiosidade pujante”, disse Guga.

Sarau do Zé e Feira de Artesanato

Além das artes plásticas, o Zé Peixe também abre espaço para a música, a poesia e o artesanato. Na quarta-feira, 22, se inicia uma feirinha, que colocará no centro das atenções a riqueza do artesanato sergipano, todos os dias, a partir das 10h. Na sexta-feira, 24, a programação culminará com o ‘Sarau do Zé’, uma continuidade do ‘Sarau com Elas’, realizado em março, durante a programação ‘Todxs por Todas’. Além do espaço aberto para a declamação de poesias, o cantor Gladston Rosa se apresentará a partir das 18h.

Fonte: ASN

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Zé Peixe, o Tritão Sergipano







Publicado originalmente no site sereismo.com, em 25 de janeiro de 2017.

Zé Peixe, o Tritão Sergipano. 

Quem é Sereia levanta a mão! Bate o cabelo, balança a cauda, sacode as conchinhas… E quem é Tritão? Se mostra também, porque não?!

Em novembro de 2016 mostramos aqui no Sereismo que existem diversos tritões espalhados pelo Oceano do Brasil e do Mundo, todos belíssimos com as suas caudas incríveis, estilos de vida e personalidade única.

O homem também tem todo o direito de declarar o seu amor ao mar e revelar a sua Alma de Tritão para o mundo. Porque ser feliz é a melhor maneira de encarar os desafios da vida. Graças a Poseidon, a força de nosso cardume só aumenta, e a cada dia que passa, podemos expor livremente a nossas caudas ao Sol por todo o litoral do continente.

E vocês sabiam que no Brasil também existiu um incrível Tritão que amava o Mar? Seu nome era José Martins Ribeiro Nunes, nascido no Sergipe no dia 05 de Janeiro de 1927. Ele era um Tritão com pernas, nas horas em que não estava na água…

Cresceu em uma casa as margens do Rio Sergipe na cidade de Aracaju. Com a ajuda dos seus pais, aprendeu a nadar ainda criança e aos onze anos já era um exímio nadador. José adorava se aventurar nas águas – uma de suas travessuras favoritas era atravessar o rio a nado para comer caju das árvores localizadas na margem oposta. Enquanto os seus colegas iam se divertir na praia do Atalaia e usavam barcos para chegar até o destino, o menino já despertava a sua alma de Tritão e optava chegar até a praia nadando.

A sua casa estava localizada bem próximo a Capitania dos Portos. Em um dia radiante, um comandante de uma das embarcações notou a incrível destreza do pequeno José Martins nas águas e, impressionado ao conhece-lo, o apelidou de Zé Peixe. E este apelido maravilhoso pegou!

Zé era o terceiro filho no total de seis crianças. E entre os seus irmãos também tinha uma Sereia, a Rita (uma coincidência incrível, pois é o mesmo nome da personagem sereia de Isis Valverde na novela A Força do Querer). A Sereia Rita também ganhou o “sobrenome” Peixe, afinal ela sempre acompanhava o irmão em suas aventuras aquáticas no Rio, mesmo durante a noite. Mas seus pais não achavam que este era um comportamento adequado para uma menina…

Como castigo, Ritinha tinha suas roupas de banho escondidas, mas isto não  adiantava  muita coisa. A Sereia e o Irmão Tritão nadavam com o uniforme da escola e, quando chegavam em casa, arrumavam um jeito de deixar as roupas secarem escondidas em algum lugar no quintal dos fundos. Coisas de crianças livres que interagiam com a natureza de forma plena!

Zé Peixe, além de nadar, adorava ir à praia e ficar observando o fluxo dos barcos da região. Gostava de desenhar navios e tinha um imenso prazer em informar aos Capitães que chegavam no Porto sobre a mudança nos bancos de areia do Rio Sergipe.

Os anos se passaram e o Tritão continuou vivendo em sua região. Completou o Segundo Grau e, ao completar vinte anos, passou a trabalhar para a Marinha através de um concurso, exercendo uma função conhecida como Prático do Estado na Capitania dos Portos de Sergipe. Na atuação, o Prático (ou Praticagem) é o profissional responsável por orientar os navegantes que precisam desembarcar mercadorias em Portos do Litoral.

Para auxiliar o Capitão, o Prático indica o melhor caminho para que o navio chegue em seu destino. E para isso, o profissional precisa estar sempre atualizado sobre informações geográficas e climáticas do local. Além disso, o Prático também deve se preocupar com a segurança dos tripulantes, embarcações, patrimônio público e também proteger o meio ambiente marinho local – atitude que as Sereias e Tritões conhecem bem!

Por conhecer detalhadamente a região onde estava localizada a Capitania dos Portos, logo Zé Peixe se destacou em seu ofício. O Tritão conhecia detalhes como profundidade, correnteza, mudança de ventos e todas  as suas características gerais. O seu mágico conhecimento contribuiu de forma exemplar para a movimentação na Barra do Sergipe, que era conhecido como uma das “piores” entradas portuárias do país.

Zé Peixe atuava como excelente guia, mas algo mágico o diferenciava dos demais profissionais. Ele exercia o seu ofício sempre a nado!

Quando um Capitão precisava de seu auxílio para sair do porto e chegar até a entrada do Oceano, Zé subia no navio, mostrava o melhor caminho a ser navegado e, quando chegava no Mar em uma altura em que o navio pudesse seguir o seu rumo, o incrível Zé Peixe amarrava os seus documentos na bermuda e em um ato de coragem admirável, saltava nas águas do parapeito do navio em uma altura de 17 metros (o equivalente a um prédio de 5 andares) e nadava 10km durante 2 horas até a praia.
  
Quando chegava na areia, retomava a sua forma humana  e percorria a pé mais 10km até a sede da Capitania. Existiam situações que, sabendo que alguma embarcação estava com dificuldade de chegar até a entrada do canal devido a fortes ventos ou mudanças de marés, Zé nadava utilizando como auxílio uma prancha de body boarder até uma boia que ficava localizada a 12km da praia. Lá ele subia na boia e aguardava sentado o navio aparecer no horizonte. Por vezes a espera atravessava a noite ou até mesmo durante um dia inteiro de mau tempo.

Imagine ficar sentado na superfície da água, com a maré agitada, céu acinzentado ou na escuridão da noite sozinho acompanhado pelo som das águas… Só um Ser do Mar consegue esta façanha!

Houve uma situação em que o Tritão quase foi impedido de pular. Um Comandante Russo que não sabia de seu modo diferente de exercer o seu ofício, acreditava que aquela atitude era um momento de loucura.

Zé Peixe realizou diversas façanhas que lhe renderam importantes homenagens e condecorações. Aos 25 anos, Zé estava orientando a embarcação a vela Iole Potiguar para fora da Barra. O barco virou e arremessou os três velejadores no mar revolto. O Tritão conseguiu levar os três tripulantes a salvo para a praia, e neste feito teve a ajuda da irmã Sereia Rita. Por este ato, Zé recebeu uma medalha em ouro de Honra ao Mérito do Rio Grande do Norte.

Em outra ocasião, um navio da Petrobras que saía de uma plataforma pegou fogo. Zé, então, adentrou na embarcação em chamas e orientou o navegante a conduzir o veículo até um ponto seguro, onde todos a bordo pudessem saltar no mar e nadar em segurança até a praia.

Zé Peixe recebeu a Medalha Almirante Tamandaré em homenagem aos anos de dedicação e fortalecimento das tradições da marinha do Brasil. Recebeu também a Medalha de Ordem ao Mérito de Serigy, a mais alta condecoração do município de Aracaju. Além disso, foi eleito o cidadão Sergipano do séc. XX e possui estátuas em sua homenagem em pontos diferentes da sua cidade natal.

Ele também conduziu a tocha dos Jogos Pan Americanos de 2007 em um cortejo de barco pelo Rio Sergipe, saiu em diversas reportagens em telejornais, jornais e revistas nacionais e internacionais.

Zé Peixe atuou como Prático até avançada idade e, em 2009, aos 82 anos, solicitou o seu afastamento da Marinha em definitivo.

Com o tempo, passou a sofrer os sintomas do Mal de Alzheimer e teve de se afastar do mar. Faleceu aos 85 anos no dia 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória. Se estivesse vivo, Zé Peixe teria completado 90 anos este mês.

Para finalizar, além de todas as suas incríveis e admiráveis façanhas, o Zé Peixe tinha um estilo de vida bem diferente:

Na parte da manhã tomava café e comia pães, e ao longo dia só se alimentava com frutas;
É incrível, mas ele não bebia água!
Não se banhava com “água doce” desde a infância, só tomava banho de água salgada pois ele só vivia no mar;
Apesar destes hábitos, gostava de manter os cabelos e barba sempre bem cortados;
Não fumava e nem consumia bebida alcoólica;
Dormia às 20h da noite e acordava sempre às 6h da manhã;
Andava descalço todo o tempo e só calçava os sapatos quando ia para a Missa;
Zé Peixe era o único que tinha autorização para circular sem farda nas dependências da Marinha;
Sua locomoção em terra era feita somente a pé ou com a sua bicicleta;
Morou por toda a sua vida na mesma casa simples, na margem do rio Sergipe;
Em sua casa guardava diversas miniaturas de embarcações, e pelas paredes colecionava diversos desenhos de navios de todos os tipos, em sua maioria desenhados pelo próprio Tritão.
Espero que tenham gostado desta história e que, de alguma forma, ela te inspire a viver perto do mar. E que todos nós, em algum momento de nossas vidas, tenhamos a chance de interagir de forma saudável, segura e plena com o universo marinho.

Fiquem com este vídeo onde é  possível ver um pouco de como era o Incrível Tritão Sergipano…

Vídeo do canal do YouTube: Fernando Penteado.
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Texto e imagens reproduzidos do site: sereismo.com

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Zé Peixe - José Martins Ribeiro Nunes (1927 - 2012)


Zé Peixe - José Martins Ribeiro Nunes (1927 - 2012).

José Martins Ribeiro Nunes, mais conhecido como Zé Peixe (Aracaju, 5 de janeiro de 1927 - Aracaju, 26 de abril de 2012), foi um prático brasileiro que se tornou uma figura lendária no estado de Sergipe, devido a seu modo incomum de exercer sua atividade. Foi agraciado com diversos prêmios e homenagens, e é lembrado como uma dos sergipanos mais notórios de todos os tempos.

Por muitos anos, Zé Peixe atuou como prático conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe. O inusitado, em sua tarefa, se devia ao fato de não necessitar de embarcação de apoio para transportá-lo até o navio. Quando havia um navio necessitando entrar na barra do rio Sergipe, ele nadava até o navio. Da mesma forma, após conduzir o navio até fora da barra, ele saltava e voltava à terra nadando. Algumas vezes ele saía numa embarcação e nadava até uma boia que sinalizava o acesso à barra de Aracaju, onde aguardava as embarcações que necessitavam de seus serviços para entrar na barra.

Biografia.

Nascido em Aracaju, filho de Vectúria Martins, uma professora de matemática, e de Nicanor Nunes Ribeiro, um funcionário público, terceiro de uma prole de seis crianças, foi criado numa casa em frente ao rio Sergipe, na atual avenida Ivo do Prado, próximo à capitania dos portos, e que pertencera a seus avós. Lá, viveu até sua morte. Aprendeu a nadar com seus pais, e desde a infância brincava no rio ou o atravessava a nado para pegar os frutos dos cajueiros na outra margem.

Com 11 anos, já era um exímio nadador. Enquanto os outros meninos iam de canoa até a praia de Atalaia, ele ia a nado. Um dia, o comandante da marinha Aldo Sá Brito de Souza estava desembarcado na Capitania dos Portos, pois sua âncora tinha se enganchado no fundo do rio, e ao observar a destreza do garoto José Martins, o apelidou de "Zé Peixe", alcunha que se firmou.

Dos irmãos, Rita (que também ganhou o apelido "Peixe") era a única que o acompanhava nas aventuras no rio, mesmo à noite, com a desaprovação dos pais, que achavam que este não era um comportamento adequado para uma menina. Sempre lhes dava broncas e até escondiam as roupas de banho da garota (o que nada adiantava, pois iam nadar com o uniforme escolar mesmo, o qual colocavam para secar depois nos fundos da casa). Seus pais também preferiam que Zé Peixe se ativesse aos estudos e lições de casa, mas ele só queria saber de ficar na praia vendo o fluxo dos barcos e desenhando navios; ou no rio. orientando os capitães sobre as mudanças dos bancos de areia em seu leito.

Fez o ginásio no Colégio Jackson de Figueiredo e concluiu o segundo grau no Colégio Tobias Barreto. Ao completar 20 anos, ingressou no serviço de “prático” da Capitania dos Portos. Casou-se na década de 60, mas nunca teve filhos. Foi viúvo durante 25 anos da sra Maria Augusta de Oliveira Nunes.

Seu jeito vigoroso, corajoso, independente e trabalhador sempre foram vistos como exemplos de caráter e de envelhecimento digno. Ao longo de décadas, foi tema de vários jornais, revistas, livros, entrevistas e reportagens televisivas, tanto nacionais quanto internacionais. Foi uma das atrações que conduziu a tocha pan-americana em Sergipe durante os Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, fazendo o trajeto de barco.

Antes de falecer, se afastou do mar, pois sofria de Mal de Alzheimer, que o deixou limitado e restrito a sua casa, onde era assistido pela família.

Praticagem.

Em 1947, seu pai o fez ir até o serviço da Marinha, onde, mediante concurso, foi admitido como Prático do Estado, lotado na Capitania dos Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século (naquela época a remuneração de prático era bem mais modesta).

A barra do Rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do país. Zé Peixe, por sua dedicação e seu conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e da direção do vento, sempre se destacou no serviço de praticagem.

Mas foi seu modo peculiar de trabalhar que o fez famoso em vários meios de comunicação. Quando um navio tinha que sair do porto guiado pelo prático, Zé Peixe não utilizava um barco de apoio: subia a bordo e, uma vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água (uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania dos portos.

Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes se utilizava duma prancha para ir em busca das embarcações mais distantes, e as aguardava em cima da boia de espera (a 12 km da praia) durante a noite toda ou mesmo durante um dia todo, até a maré ser propícia à aproximação e ao desembarque no porto. Zé Peixe realizou esses feitos até em sua idade avançada, o que surpreendia tripulação e comandantes desavisados. Certa vez, um comandante russo ordenou que o segurassem antes do salto, pois pensou que o mesmo estava fora de si.

Várias outras situações demonstravam sua bravura na profissão, o que lhe rendeu muitas homenagens. Já aos 25 anos, salvou três velejadores do Rio Grande do Norte. Quando vinha orientando uma embarcação a vela para fora da barra, a mesma virou e lançou todos os tripulantes ao mar revolto. Zé Peixe e sua irmã Rita conseguiram trazer os velejadores a salvo até a praia. Outro acontecimento foi com o navio Mercury. Vindo com funcionários duma plataforma da Petrobras, pegou fogo em alto mar. O prático chegou ao navio em chamas num barco de apoio e, apesar do risco de explosão, subiu a bordo e orientou a embarcação até um ponto mais seguro onde todos pudessem saltar e nadar à terra firme.

Foi agraciado com vários prêmios e medalhas: pelo salvamento da iole potiguar (barco a vela) recebeu a medalha ao mérito em ouro do Rio Grande do Norte; por seus dedicados anos de trabalho recebeu a Medalha Almirante Tamandaré (criada em 1957, homenageia instituições e pessoas que tenham prestado importante serviço na divulgação ou no fortalecimento das tradições da Marinha do Brasil); homenageado com a Medalha de Ordem ao Mérito Serigy, a mais alta condecoração do município de Aracaju; e eleito o Cidadão Sergipano do Século XX. Em 2009, com 82 anos e já enfermo, solicitou junto à Marinha seu afastamento definitivo da praticagem (Portaria N 141/DPC, 13/10/2009).

Estilo de Vida.

Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg, sempre cativante por sua humildade, dignidade e simpatia, Zé Peixe quase nunca comia e não se banhava com água doce. Sua dieta se baseava em pães com café pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fumava, nunca bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 6h. Apesar da insistência dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar. No entanto, tinha o ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.

Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus botes atracados em frente à capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar de bicicleta até o mercado, onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só andava descalço. Usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano.

Nunca saiu do lugar onde nasceu. A antiga casa, toda pintada de branco por fora e azul por dentro, é muito simples. Entulhada de lembranças, títulos e medalhas que Zé Peixe juntou na vida, além de miniaturas e desenhos de barcos, e de imagens de santos católicos. Morreu em Aracaju na tarde de 26 de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre [ pt.wikipedia.org ].

Montagem foto reproduzida do blog: guiafd-br.blogspot.com.br

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Um espaço para um mito sergipano!


Publicado originalmente no Blog Celi Hotel, em 21 de maio de 2015.

Um espaço para um mito sergipano!

Todo lugar guarda suas histórias, suas lendas e seus mitos. Aqui em Sergipe não é diferente! E esta semana um mito sergipano dos dias atuais recebeu uma grandiosa homenagem: um espaço de turismo com seu nome. O antigo terminal hidroviário de Aracaju, desativado há alguns anos, transformou-se num ambiente modernizado, aconchegante e com uma vista belíssima para o Rio Sergipe, chamado de Espaço Zé Peixe. Os mais novos podem não saber de quem se trata, os mais velhos contam seus feitos como lendas, mas José Martins Ribeiro Nunes, ou apenas Zé Peixe, foi, sem dúvida, o prático mais famoso na marinha brasileira. “Prático”?! Sim, e para quem não conhece a profissão, o sr. José Martins era responsável por guiar as embarcações que vinham de alto mar para o porto local, de modo que elas não encalhassem ao se aproximar da costa; depois, guiava-as de volta ao mar, atravessando o Rio Sergipe. Até aí, tudo bem. Mas o diferencial dele é que seu transporte até os navios era feito sempre à nado!

Parece história de pescador, mas não é, não! Sua fama foi tão longe que se espalhou pelo país em matérias de programas de TV ou entrevistas com medalhões, como Jô Soares e Glória Maria. A vida de Zé Peixe, como ficou carinhosamente conhecido, virou documentário, artigo acadêmico, temática de eventos sobre a história de Sergipe e até livro! Sem falar de todas as premiações que recebeu ao longo dos seus 85 anos de vida, sendo 65 deles como prático: Medalha Almirante Tamandaré, Grão-Mestre da Ordem do Mérito Serigy, Cidadão Sergipano do Século XX, Condecorado com Escudo em ouro do Rio Grande do Norte… Alguns deste prêmios, foram resultados de atos verdadeiramente heroicos, como salvamento de velejadores que vieram do Rio Grande do Norte e quase naufragaram na costa sergipana, entre outros, que chegam a contar mais de 100!

Enfim, uma pessoa que teve tamanha importância e reconhecimento, até em nível nacional, precisava de um espaço para lhe representar. E que espaço melhor do que um prédio que fica às margens do rio que por tantas vezes Zé atravessou? Uma justa homenagem para o prático sergipano e um local que deve ser conhecido pelos turistas, para que descubram um pouco mais sobre Sergipe e sua história. E, finalmente, isto se concretizou!

Falecido em 2012, Zé Peixe recebeu inúmeras homenagens durante toda sua vida. Infelizmente, não está mais presente para conhecer o espaço que leva o seu nome, mas vários representantes da família, como sua irmã e sobrinhos, participaram da inauguração. O espaço, que tem como foco o público turístico que vem à Sergipe, integra o centro histórico de Aracaju e conta com um balcão de informações, lojas com artigos de artesanato, restaurante e um ambiente destinado à contemplação do mar. A estátua de bronze do homenageado que foi erguida no local é uma representação do seu trabalho e do que fez com que o sr. José Martins deixasse de ser apenas mais um prático para se transformar no Zé Peixe, mito sergipano.

Seja sergipano ou turista, conhecer o Espaço Zé Peixe é uma oportunidade de descobrir mais sobre este ilustre sergipano, nossa cultura e ainda admirar a beleza do rio. Um novo cartão postal a ser incorporado à nossa bela cidade. Mais um motivo para conhecer Aracaju e descobrir que Sergipe tem muito a te oferecer.

Fotos: site Turismo Sergipe e Jornal do Beltrão.

Texto e imagem reproduzidos do blogcelihotel.wordpress.com

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Espaço em homenagem a Zé Peixe é inaugurado em Aracaju




Fotos: Portal Infonet.

Infonet - Cultura - Noticias - 19/05/2015.

Espaço em homenagem a Zé Peixe é inaugurado em Aracaju
Obra foi feita em antigo terminal hidroviário de Aracaju

Foi inaugurado nesta terça-feira, 19, o Espaço Zé Peixe, localizado no antigo prédio do terminal hidroviário de Aracaju. O ambiente é mais uma opção de turismo e cultura para a população, e homenageia José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe (1927-2012). O local revive a história do ícone sergipano através de fotos, objetos, e estátua do homenageado.

Familiares do homenageado prestigiaram a celebração organizada pelo governo de Sergipe, discursaram e agradeceram o empreendimento criado em memória do familiar. Emocionada, a irmã de Zé Peixe, Rita Peixe de 78 anos, descreveu seus sentimentos. “É muita felicidade ver essa obra, mas tristeza por ele não estar aqui vendo isso. Sinto agradecida e sei que ele merecia esse memorial, pois representa muito a história dele”.

A celebração do novo espaço também contou com a presença do Governador Jackson Barreto, que em discurso, caracterizou o espaço como um marco para o memorial de Sergipe. “Aqui não se fez apenas uma obra, vai além, é um espaço de memória para que as futuras gerações se lembrem e conheçam quem foi o Zé Peixe. E não teria lugar melhor senão de frente para o Rio Sergipe, que fez parte da sua vida, luta e história”, disse.

A secretária Marta Leão, da Secretaria de Estado da Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (SEIDH), citou em discurso que “o ambiente foi criado para todas as classes, e terá preços acessíveis”. Segundo ela, a iniciativa vai fomentar o turismo no centro comercial de Aracaju.

O Espaço Zé Peixe possui dois pavimentos que contemplam: loja de artesanato sergipano, mirante para o Rio Sergipe, cafeteria, restaurante, um ponto Banese, loja de doces caseiros da terra, espaço reservado para o Memorial Zé Peixe e sua trajetória de vida, além de exposição de painéis do artista plástico Elias Santos. O espaço atende também aos critérios de acessibilidade com banheiros, rampas e elevador para portadores de deficiência.

José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe, filho de Vectúria Martins, uma professora de matemática e de Nicanor Nunes Ribeiro, um funcionário público, nasceu no dia 05 de janeiro de 1927, em Aracaju e faleceu no dia 26 de abril de 2012. Foi criado em uma casa em frente ao Rio Sergipe, na atual Avenida Ivo do Prado, próximo a Capitania dos Portos e que pertenceu aos seus avós, onde viveu até sua morte. Aos 11 anos de idade já era um excelente nadador. Certo dia, o comandante da marinha, conhecido como Aldo Sá Brito de Souza estava desembarcado na Capitania dos Portos e sua âncora havia enganchado no fundo do rio, e ao observar a destreza do garoto José Martins, o apelidou de "Zé Peixe", apelido que se firmou.

Em 1947, seu pai o levou ao serviço da Marinha, onde mediante concurso foi admitido como Prático do Estado lotado na Capitania dos Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século. A barra do rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do país e Zé Peixe com sua dedicação e conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e da direção do vento sempre se destacou no serviço de praticagem. Essa profissão lhe deu fama nacionalmente, sendo destaque na imprensa pelo trabalho desenvolvido.

Por Ícaro Novaes e Verlane Estácio com informações da ASN.

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