Publicação compartilhada do site do Portal INFONET, em 15 de janeiro de 2022
Zé Peixe é homenageado em vídeo do ator Nelson Freitas
O ator, produtor e humorista brasileiro Nelson Freitas expressou sua admiração pelo lendário Zé Peixe em seu canal do YouTube. No vídeo, o artista usa a história do prático sergipano para destacar o quanto é importante que as pessoas trabalhem com aquilo que amam verdadeiramente. A homenagem faz parte de uma série de vídeos na qual o ator faz reflexões sobre a vida.
No vídeo, Nelson conta a história de Zé Peixe e tudo que ele realizou por amor à sua profissão na Marinha. O ator se refere ao sergipano como a “figura lendária dos mares do nordeste do Brasil” e destaca que Zé Peixe amava o que fazia e se tornou famoso entre homens e mulheres do mar por uma maneira muito incomum de fazer a praticagem.
“Para que não sabe, o prático é um profissional que conduz o navio de fora da barra até o porto e, depois da operação, faz o inverso. Quando o navio já está em segurança lá fora, ele entra em uma lanchinha e volta para o porto. Mas o Zé Peixe não entrava na lancha, ele se jogava e vinha a nado de volta para Aracaju. Dependendo das condições do mar e do evento, isso poderia levar até 3 horas. Muitas vezes, os tripulantes dos navios mercantes estrangeiros, que não o conheciam, entravam em pânico vendo aquele homem franzino saltar e voltar no braço para terra”, conta.
Nelson destaca ainda que Zé Peixe era um homem alegre e que não ficava preso aquilo que sua profissão exigia. “Ele já salvou náufragos, combateu incêndios a bordo, salvou gente afogamento. Foi ganhando prestígio de herói, condecorado diversas vezes com várias medalhas pelos seus feitos que o levaram se tornar uma lenda entre marinheiros do mundo todo”, relembra.
O ator finaliza o vídeo comentando que a história de Zé Peixe serve para inspirar as pessoas neste novo ano. “Que essa história possa inspirar você a fazer aquilo que gosta, a sua profissão, não importa o quanto isso demore a acontecer. O homem que remove montanhas sempre começa retirando pequenas pedras do caminho”.
A publicação rendeu diversos comentários e elogios, principalmente, de sergipanos e de pessoas que conheceram ou conviveram com Zé Peixe:
“Parabéns pelo vídeo e a homenagem lembrança do nosso Zé Peixe, meu pai era da Capitania dos Postos aqui de Aracaju, e muito amigo de Zé, que por muitas vezes ia em nossa casa bater papo com meu pai. Homem simples que andava descalço em sua bicicleta enferrujada, de bom caráter e dedicado ao que fazia. Parabéns Nelson”, dizia um dos comentários.
“Muito obrigada, Nelson. A sobrinha neta e afilhada de Zé Peixe, emocionada agradece de coração”, comentou LucianShunk, parente de Zé Peixe.
“A sua simplicidade e seu amor pelo mar, o tornou lenda, e merece ser sempre reverenciado. Salve Zé peixe! Valeu , Nelson Freitas!”.
Zé Peixe
José Martins Ribeiro Nunes, o “Zé Peixe “, nasceu em 05 de janeiro de 1927, e desde a mais tenra idade mostrava desenvoltura a nadar. Aos 11 anos já era um exímio nadador e aos 20 foi contratado, pela Capitania dos Portos, para atuar como prático, conduzindo embarcações que entravam e saíam de Aracaju.
Zé Peixe se tornou figura lendária no estado de Sergipe e no exterior por exercer o seu trabalho de uma maneira bem diferente: nadava até o navio e depois voltava conduzindo a embarcação à nado. O prático ganhou destaque em diversas publicações [jornais, revistas e reportagens televisivas] e serviu de inspiração para músicas, livro infantil, peça teatral e exposições.
O prático também era conhecido pela sua simplicidade e atos de grandeza e heroísmo [foi responsável por inúmeros salvamentos, tendo destaque para a ação que resgatou a tripulação do navio Mercury, em chamas, no alto mar, na década de 1970].
Grande conhecedor das águas da costa aracajuana, Zé Peixe faleceu em 2012, mas continua vivo no imaginário do povo sergipano. Em 2015, o Governo de Sergipe transformou o antigo hidroviário de Aracaju no Espaço Cultural Zé Peixe. No local, é possível encontrar painéis do artista plástico Elias Santos, além de um busto de bronze do homenageado, peças e fotografias.
Por Luana Maria e Verlane Estácio com informações da ASN
Texto e vídeo reproduzidos dos sites: infonet.com.br e youtube.com
Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 16 de maio de 2019
Espaço Zé Peixe abre exposições e realiza programação de
aniversário
Neste domingo, 19 de maio, o Espaço Zé Peixe completa quatro
anos. Fundado em 2015 a partir de uma grande reforma do antigo terminal
hidroviário de Aracaju, o espaço se tornou um ponto de referência no centro
histórico da capital, recebendo turistas e alunos de escolas da rede pública e
particular de ensino, em visita ao Memorial que conta a história da vida do
mais notável prático sergipano. Nesta sexta, 17, a secretaria de Estado da
Inclusão Social (Seit) inicia uma programação comemorativa ao aniversário do
Espaço, com a abertura de duas exposições.
A primeira delas é a exposição “Recriando”, que reúne 11
réplicas de embarcações pelo olhar de Mestre Passos, além da maquete
representativa do Largo da Gente. Com expografia de Jorge Luiz Barros,
curadoria de Sayonara Viana e fotografia de Mozart Daltro, “Recriando” traz
reproduções da canoa de tolda (patrimônio cultural de Sergipe), do famoso
tototó, do bote de São Cristóvão, da canoa cearense, entre outras embarcações.
De acordo com Sayonara Viana, é um trabalho que faz parte do imaginário do
artista, que remonta à infância. “É como se ele estivesse brincando com a
madeira e nos presenteando com belas obras que estão na história de Sergipe”,
explica a curadora da exposição.
José Santos de Araújo – o Mestre Passos – é filho da cidade
de São Cristóvão. ‘Mestre’ por criar, ensinar, restaurar e transformar madeira
em arte; ‘Passo’s por ter nascido no dia da Festa de Nosso Senhor dos Passos.
Ele herdou o ofício da marcenaria do seu pai, mas trilhou caminhos musicais,
tornando-se primeiramente luthier e restaurador de mão cheia; depois, artista
plástico e nautimodelista, se dedicando à construção embarcações e de réplicas
reduzidas.
A segunda exposição que ocupa o Espaço Zé Peixe a partir
desta sexta-feira é a ‘Art In África’, reunindo 20 peças originais do continente
africano, integrantes do acervo pessoal do produtor cultural Guga Viana. De
acordo com ele, o acervo completo é composto por 2.500 peças, reunidas durante
os mais de dez anos em que residiu na África. “Tive o privilégio de morar em
diversos países do continente e me apaixonei pela cultura maravilhosa que eles
têm. As peças são de uma beleza rara, trazendo consigo a força e a
representatividade mística de uma religiosidade pujante”, disse Guga.
Sarau do Zé e Feira de Artesanato
Além das artes plásticas, o Zé Peixe também abre espaço para
a música, a poesia e o artesanato. Na quarta-feira, 22, se inicia uma feirinha,
que colocará no centro das atenções a riqueza do artesanato sergipano, todos os
dias, a partir das 10h. Na sexta-feira, 24, a programação culminará com o
‘Sarau do Zé’, uma continuidade do ‘Sarau com Elas’, realizado em março,
durante a programação ‘Todxs por Todas’. Além do espaço aberto para a
declamação de poesias, o cantor Gladston Rosa se apresentará a partir das 18h.
Fonte: ASN
Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br
Publicado originalmente no site sereismo.com, em 25 de janeiro de 2017.
Zé Peixe, o Tritão Sergipano.
Quem é Sereia levanta a mão! Bate o cabelo, balança a cauda,
sacode as conchinhas… E quem é Tritão? Se mostra também, porque não?!
Em novembro de 2016 mostramos aqui no Sereismo que existem
diversos tritões espalhados pelo Oceano do Brasil e do Mundo, todos belíssimos
com as suas caudas incríveis, estilos de vida e personalidade única.
O homem também tem todo o direito de declarar o seu amor ao
mar e revelar a sua Alma de Tritão para o mundo. Porque ser feliz é a melhor
maneira de encarar os desafios da vida. Graças a Poseidon, a força de nosso
cardume só aumenta, e a cada dia que passa, podemos expor livremente a nossas
caudas ao Sol por todo o litoral do continente.
E vocês sabiam que no Brasil também existiu um incrível
Tritão que amava o Mar? Seu nome era José Martins Ribeiro Nunes, nascido no
Sergipe no dia 05 de Janeiro de 1927. Ele era um Tritão com pernas, nas horas
em que não estava na água…
Cresceu em uma casa as margens do Rio Sergipe na cidade de
Aracaju. Com a ajuda dos seus pais, aprendeu a nadar ainda criança e aos onze
anos já era um exímio nadador. José adorava se aventurar nas águas – uma de
suas travessuras favoritas era atravessar o rio a nado para comer caju das
árvores localizadas na margem oposta. Enquanto os seus colegas iam se divertir
na praia do Atalaia e usavam barcos para chegar até o destino, o menino já
despertava a sua alma de Tritão e optava chegar até a praia nadando.
A sua casa estava localizada bem próximo a Capitania dos
Portos. Em um dia radiante, um comandante de uma das embarcações notou a
incrível destreza do pequeno José Martins nas águas e, impressionado ao
conhece-lo, o apelidou de Zé Peixe. E este apelido maravilhoso pegou!
Zé era o terceiro filho no total de seis crianças. E entre
os seus irmãos também tinha uma Sereia, a Rita (uma coincidência incrível, pois
é o mesmo nome da personagem sereia de Isis Valverde na novela A Força do
Querer). A Sereia Rita também ganhou o “sobrenome” Peixe, afinal ela sempre
acompanhava o irmão em suas aventuras aquáticas no Rio, mesmo durante a noite.
Mas seus pais não achavam que este era um comportamento adequado para uma
menina…
Como castigo, Ritinha tinha suas roupas de banho escondidas,
mas isto não adiantava muita coisa. A Sereia e o Irmão Tritão
nadavam com o uniforme da escola e, quando chegavam em casa, arrumavam um jeito
de deixar as roupas secarem escondidas em algum lugar no quintal dos fundos.
Coisas de crianças livres que interagiam com a natureza de forma plena!
Zé Peixe, além de nadar, adorava ir à praia e ficar
observando o fluxo dos barcos da região. Gostava de desenhar navios e tinha um
imenso prazer em informar aos Capitães que chegavam no Porto sobre a mudança
nos bancos de areia do Rio Sergipe.
Os anos se passaram e o Tritão continuou vivendo em sua
região. Completou o Segundo Grau e, ao completar vinte anos, passou a trabalhar
para a Marinha através de um concurso, exercendo uma função conhecida como
Prático do Estado na Capitania dos Portos de Sergipe. Na atuação, o Prático (ou
Praticagem) é o profissional responsável por orientar os navegantes que
precisam desembarcar mercadorias em Portos do Litoral.
Para auxiliar o Capitão, o Prático indica o melhor caminho
para que o navio chegue em seu destino. E para isso, o profissional precisa
estar sempre atualizado sobre informações geográficas e climáticas do local.
Além disso, o Prático também deve se preocupar com a segurança dos tripulantes,
embarcações, patrimônio público e também proteger o meio ambiente marinho local
– atitude que as Sereias e Tritões conhecem bem!
Por conhecer detalhadamente a região onde estava localizada
a Capitania dos Portos, logo Zé Peixe se destacou em seu ofício. O Tritão
conhecia detalhes como profundidade, correnteza, mudança de ventos e todas as suas características gerais. O seu mágico
conhecimento contribuiu de forma exemplar para a movimentação na Barra do
Sergipe, que era conhecido como uma das “piores” entradas portuárias do país.
Zé Peixe atuava como excelente guia, mas algo mágico o
diferenciava dos demais profissionais. Ele exercia o seu ofício sempre a nado!
Quando um Capitão precisava de seu auxílio para sair do
porto e chegar até a entrada do Oceano, Zé subia no navio, mostrava o melhor
caminho a ser navegado e, quando chegava no Mar em uma altura em que o navio
pudesse seguir o seu rumo, o incrível Zé Peixe amarrava os seus documentos na
bermuda e em um ato de coragem admirável, saltava nas águas do parapeito do
navio em uma altura de 17 metros (o equivalente a um prédio de 5 andares) e
nadava 10km durante 2 horas até a praia.
Quando chegava na areia, retomava a sua forma humana e percorria a pé mais 10km até a sede da
Capitania. Existiam situações que, sabendo que alguma embarcação estava com
dificuldade de chegar até a entrada do canal devido a fortes ventos ou mudanças
de marés, Zé nadava utilizando como auxílio uma prancha de body boarder até uma
boia que ficava localizada a 12km da praia. Lá ele subia na boia e aguardava
sentado o navio aparecer no horizonte. Por vezes a espera atravessava a noite
ou até mesmo durante um dia inteiro de mau tempo.
Imagine ficar sentado na superfície da água, com a maré
agitada, céu acinzentado ou na escuridão da noite sozinho acompanhado pelo som
das águas… Só um Ser do Mar consegue esta façanha!
Houve uma situação em que o Tritão quase foi impedido de
pular. Um Comandante Russo que não sabia de seu modo diferente de exercer o seu
ofício, acreditava que aquela atitude era um momento de loucura.
Zé Peixe realizou diversas façanhas que lhe renderam
importantes homenagens e condecorações. Aos 25 anos, Zé estava orientando a
embarcação a vela Iole Potiguar para fora da Barra. O barco virou e arremessou
os três velejadores no mar revolto. O Tritão conseguiu levar os três
tripulantes a salvo para a praia, e neste feito teve a ajuda da irmã Sereia
Rita. Por este ato, Zé recebeu uma medalha em ouro de Honra ao Mérito do Rio
Grande do Norte.
Em outra ocasião, um navio da Petrobras que saía de uma
plataforma pegou fogo. Zé, então, adentrou na embarcação em chamas e orientou o
navegante a conduzir o veículo até um ponto seguro, onde todos a bordo pudessem
saltar no mar e nadar em segurança até a praia.
Zé Peixe recebeu a Medalha Almirante Tamandaré em homenagem
aos anos de dedicação e fortalecimento das tradições da marinha do Brasil.
Recebeu também a Medalha de Ordem ao Mérito de Serigy, a mais alta condecoração
do município de Aracaju. Além disso, foi eleito o cidadão Sergipano do séc. XX
e possui estátuas em sua homenagem em pontos diferentes da sua cidade natal.
Ele também conduziu a tocha dos Jogos Pan Americanos de 2007
em um cortejo de barco pelo Rio Sergipe, saiu em diversas reportagens em telejornais,
jornais e revistas nacionais e internacionais.
Zé Peixe atuou como Prático até avançada idade e, em 2009,
aos 82 anos, solicitou o seu afastamento da Marinha em definitivo.
Com o tempo, passou a sofrer os sintomas do Mal de Alzheimer
e teve de se afastar do mar. Faleceu aos 85 anos no dia 26 de abril de 2012,
vítima de insuficiência respiratória. Se estivesse vivo, Zé Peixe teria
completado 90 anos este mês.
Para finalizar, além de todas as suas incríveis e admiráveis
façanhas, o Zé Peixe tinha um estilo de vida bem diferente:
Na parte da manhã tomava café e comia pães, e ao longo dia
só se alimentava com frutas;
É incrível, mas ele não bebia água!
Não se banhava com “água doce” desde a infância, só tomava
banho de água salgada pois ele só vivia no mar;
Apesar destes hábitos, gostava de manter os cabelos e barba
sempre bem cortados;
Não fumava e nem consumia bebida alcoólica;
Dormia às 20h da noite e acordava sempre às 6h da manhã;
Andava descalço todo o tempo e só calçava os sapatos quando
ia para a Missa;
Zé Peixe era o único que tinha autorização para circular sem
farda nas dependências da Marinha;
Sua locomoção em terra era feita somente a pé ou com a sua
bicicleta;
Morou por toda a sua vida na mesma casa simples, na margem
do rio Sergipe;
Em sua casa guardava diversas miniaturas de embarcações, e
pelas paredes colecionava diversos desenhos de navios de todos os tipos, em sua
maioria desenhados pelo próprio Tritão.
Espero que tenham gostado desta história e que, de alguma
forma, ela te inspire a viver perto do mar. E que todos nós, em algum momento
de nossas vidas, tenhamos a chance de interagir de forma saudável, segura e plena
com o universo marinho.
Fiquem com este vídeo onde é
possível ver um pouco de como era o Incrível Tritão Sergipano…
Vídeo do canal do YouTube: Fernando Penteado. --------------------------------------------
Texto e imagens reproduzidos do site: sereismo.com
Zé Peixe - José Martins Ribeiro Nunes (1927 - 2012).
José Martins Ribeiro Nunes, mais conhecido como Zé Peixe
(Aracaju, 5 de janeiro de 1927 - Aracaju, 26 de abril de 2012), foi um prático
brasileiro que se tornou uma figura lendária no estado de Sergipe, devido a seu
modo incomum de exercer sua atividade. Foi agraciado com diversos prêmios e
homenagens, e é lembrado como uma dos sergipanos mais notórios de todos os
tempos.
Por muitos anos, Zé Peixe atuou como prático conduzindo
embarcações que entravam e saíam de Aracaju, pelo Rio Sergipe. O inusitado, em
sua tarefa, se devia ao fato de não necessitar de embarcação de apoio para
transportá-lo até o navio. Quando havia um navio necessitando entrar na barra
do rio Sergipe, ele nadava até o navio. Da mesma forma, após conduzir o navio
até fora da barra, ele saltava e voltava à terra nadando. Algumas vezes ele
saía numa embarcação e nadava até uma boia que sinalizava o acesso à barra de
Aracaju, onde aguardava as embarcações que necessitavam de seus serviços para
entrar na barra.
Biografia.
Nascido em Aracaju, filho de Vectúria Martins, uma
professora de matemática, e de Nicanor Nunes Ribeiro, um funcionário público,
terceiro de uma prole de seis crianças, foi criado numa casa em frente ao rio
Sergipe, na atual avenida Ivo do Prado, próximo à capitania dos portos, e que
pertencera a seus avós. Lá, viveu até sua morte. Aprendeu a nadar com seus
pais, e desde a infância brincava no rio ou o atravessava a nado para pegar os
frutos dos cajueiros na outra margem.
Com 11 anos, já era um exímio nadador. Enquanto os outros
meninos iam de canoa até a praia de Atalaia, ele ia a nado. Um dia, o
comandante da marinha Aldo Sá Brito de Souza estava desembarcado na Capitania
dos Portos, pois sua âncora tinha se enganchado no fundo do rio, e ao observar
a destreza do garoto José Martins, o apelidou de "Zé Peixe", alcunha
que se firmou.
Dos irmãos, Rita (que também ganhou o apelido
"Peixe") era a única que o acompanhava nas aventuras no rio, mesmo à
noite, com a desaprovação dos pais, que achavam que este não era um
comportamento adequado para uma menina. Sempre lhes dava broncas e até
escondiam as roupas de banho da garota (o que nada adiantava, pois iam nadar
com o uniforme escolar mesmo, o qual colocavam para secar depois nos fundos da
casa). Seus pais também preferiam que Zé Peixe se ativesse aos estudos e lições
de casa, mas ele só queria saber de ficar na praia vendo o fluxo dos barcos e
desenhando navios; ou no rio. orientando os capitães sobre as mudanças dos
bancos de areia em seu leito.
Fez o ginásio no Colégio Jackson de Figueiredo e concluiu o
segundo grau no Colégio Tobias Barreto. Ao completar 20 anos, ingressou no
serviço de “prático” da Capitania dos Portos. Casou-se na década de 60, mas
nunca teve filhos. Foi viúvo durante 25 anos da sra Maria Augusta de Oliveira
Nunes.
Seu jeito vigoroso, corajoso, independente e trabalhador
sempre foram vistos como exemplos de caráter e de envelhecimento digno. Ao
longo de décadas, foi tema de vários jornais, revistas, livros, entrevistas e
reportagens televisivas, tanto nacionais quanto internacionais. Foi uma das
atrações que conduziu a tocha pan-americana em Sergipe durante os Jogos
Pan-Americanos de 2007 no Rio, fazendo o trajeto de barco.
Antes de falecer, se afastou do mar, pois sofria de Mal de
Alzheimer, que o deixou limitado e restrito a sua casa, onde era assistido pela
família.
Praticagem.
Em 1947, seu pai o fez ir até o serviço da Marinha, onde,
mediante concurso, foi admitido como Prático do Estado, lotado na Capitania dos
Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século (naquela época
a remuneração de prático era bem mais modesta).
A barra do Rio Sergipe era uma das piores entradas
portuárias do país. Zé Peixe, por sua dedicação e seu conhecimento detalhado da
profundidade das águas, das correntezas e da direção do vento, sempre se
destacou no serviço de praticagem.
Mas foi seu modo peculiar de trabalhar que o fez famoso em
vários meios de comunicação. Quando um navio tinha que sair do porto guiado
pelo prático, Zé Peixe não utilizava um barco de apoio: subia a bordo e, uma
vez guiada a embarcação para o mar aberto, amarrava suas roupas e documentos na
bermuda e saltava do parapeito da nave em queda livre de 17 metros até a água
(uma altura equivalente a 5 andares), nadava até 10 km para chegar à praia, e
ainda percorria a pé outros 10 km até a sede da Capitania dos portos.
Nas chegadas dos navios ao porto, as vezes se utilizava duma
prancha para ir em busca das embarcações mais distantes, e as aguardava em cima
da boia de espera (a 12 km da praia) durante a noite toda ou mesmo durante um
dia todo, até a maré ser propícia à aproximação e ao desembarque no porto. Zé
Peixe realizou esses feitos até em sua idade avançada, o que surpreendia
tripulação e comandantes desavisados. Certa vez, um comandante russo ordenou
que o segurassem antes do salto, pois pensou que o mesmo estava fora de si.
Várias outras situações demonstravam sua bravura na
profissão, o que lhe rendeu muitas homenagens. Já aos 25 anos, salvou três
velejadores do Rio Grande do Norte. Quando vinha orientando uma embarcação a
vela para fora da barra, a mesma virou e lançou todos os tripulantes ao mar
revolto. Zé Peixe e sua irmã Rita conseguiram trazer os velejadores a salvo até
a praia. Outro acontecimento foi com o navio Mercury. Vindo com funcionários
duma plataforma da Petrobras, pegou fogo em alto mar. O prático chegou ao navio
em chamas num barco de apoio e, apesar do risco de explosão, subiu a bordo e
orientou a embarcação até um ponto mais seguro onde todos pudessem saltar e
nadar à terra firme.
Foi agraciado com vários prêmios e medalhas: pelo salvamento
da iole potiguar (barco a vela) recebeu a medalha ao mérito em ouro do Rio
Grande do Norte; por seus dedicados anos de trabalho recebeu a Medalha
Almirante Tamandaré (criada em 1957, homenageia instituições e pessoas que
tenham prestado importante serviço na divulgação ou no fortalecimento das
tradições da Marinha do Brasil); homenageado com a Medalha de Ordem ao Mérito
Serigy, a mais alta condecoração do município de Aracaju; e eleito o Cidadão
Sergipano do Século XX. Em 2009, com 82 anos e já enfermo, solicitou junto à
Marinha seu afastamento definitivo da praticagem (Portaria N 141/DPC,
13/10/2009).
Estilo de Vida.
Um homem franzino e introvertido de 1,60m de altura e 53 Kg,
sempre cativante por sua humildade, dignidade e simpatia, Zé Peixe quase nunca
comia e não se banhava com água doce. Sua dieta se baseava em pães com café
pela manhã e era rica em frutas durante todo o dia. Também não fumava, nunca
bebeu álcool, dormia às 20h da noite e acordava às 6h. Apesar da insistência
dos pais, desde criança não tomava banho de água doce, pois vivia no mar. No
entanto, tinha o ritual de manter barba e cabelos sempre cortados.
Quando fora de serviço, gostava de ir cedo cuidar de seus
botes atracados em frente à capitania dos portos, ir tomar banho de mar e andar
de bicicleta até o mercado, onde comprava frutas. A pé ou em bicicleta, só
andava descalço. Usava sapatos somente em ocasiões especiais ou quando ia às
missas da Igreja do São José ou do Colégio Arquidiocesano.
Nunca saiu do lugar onde nasceu. A antiga casa, toda pintada
de branco por fora e azul por dentro, é muito simples. Entulhada de lembranças,
títulos e medalhas que Zé Peixe juntou na vida, além de miniaturas e desenhos
de barcos, e de imagens de santos católicos. Morreu em Aracaju na tarde de 26
de abril de 2012, vítima de insuficiência respiratória, aos 85 anos.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre [ pt.wikipedia.org ].
Montagem foto reproduzida do blog: guiafd-br.blogspot.com.br
Publicado originalmente no Blog Celi Hotel, em 21 de maio de
2015.
Um espaço para um mito sergipano!
Todo lugar guarda suas histórias, suas lendas e seus mitos.
Aqui em Sergipe não é diferente! E esta semana um mito sergipano dos dias
atuais recebeu uma grandiosa homenagem: um espaço de turismo com seu nome. O
antigo terminal hidroviário de Aracaju, desativado há alguns anos,
transformou-se num ambiente modernizado, aconchegante e com uma vista belíssima
para o Rio Sergipe, chamado de Espaço Zé Peixe. Os mais novos podem não saber
de quem se trata, os mais velhos contam seus feitos como lendas, mas José
Martins Ribeiro Nunes, ou apenas Zé Peixe, foi, sem dúvida, o prático mais
famoso na marinha brasileira. “Prático”?! Sim, e para quem não conhece a
profissão, o sr. José Martins era responsável por guiar as embarcações que
vinham de alto mar para o porto local, de modo que elas não encalhassem ao se
aproximar da costa; depois, guiava-as de volta ao mar, atravessando o Rio
Sergipe. Até aí, tudo bem. Mas o diferencial dele é que seu transporte até os
navios era feito sempre à nado!
Parece história de pescador, mas não é, não! Sua fama foi
tão longe que se espalhou pelo país em matérias de programas de TV ou
entrevistas com medalhões, como Jô Soares e Glória Maria. A vida de Zé Peixe,
como ficou carinhosamente conhecido, virou documentário, artigo acadêmico,
temática de eventos sobre a história de Sergipe e até livro! Sem falar de todas
as premiações que recebeu ao longo dos seus 85 anos de vida, sendo 65 deles
como prático: Medalha Almirante Tamandaré, Grão-Mestre da Ordem do Mérito
Serigy, Cidadão Sergipano do Século XX, Condecorado com Escudo em ouro do Rio
Grande do Norte… Alguns deste prêmios, foram resultados de atos verdadeiramente
heroicos, como salvamento de velejadores que vieram do Rio Grande do Norte e
quase naufragaram na costa sergipana, entre outros, que chegam a contar mais de
100!
Enfim, uma pessoa que teve tamanha importância e reconhecimento,
até em nível nacional, precisava de um espaço para lhe representar. E que
espaço melhor do que um prédio que fica às margens do rio que por tantas vezes
Zé atravessou? Uma justa homenagem para o prático sergipano e um local que deve
ser conhecido pelos turistas, para que descubram um pouco mais sobre Sergipe e
sua história. E, finalmente, isto se concretizou!
Falecido em 2012, Zé Peixe recebeu inúmeras homenagens
durante toda sua vida. Infelizmente, não está mais presente para conhecer o
espaço que leva o seu nome, mas vários representantes da família, como sua irmã
e sobrinhos, participaram da inauguração. O espaço, que tem como foco o público
turístico que vem à Sergipe, integra o centro histórico de Aracaju e conta com
um balcão de informações, lojas com artigos de artesanato, restaurante e um
ambiente destinado à contemplação do mar. A estátua de bronze do homenageado
que foi erguida no local é uma representação do seu trabalho e do que fez com
que o sr. José Martins deixasse de ser apenas mais um prático para se
transformar no Zé Peixe, mito sergipano.
Seja sergipano ou turista, conhecer o Espaço Zé Peixe é uma
oportunidade de descobrir mais sobre este ilustre sergipano, nossa cultura e
ainda admirar a beleza do rio. Um novo cartão postal a ser incorporado à nossa
bela cidade. Mais um motivo para conhecer Aracaju e descobrir que Sergipe tem
muito a te oferecer.
Fotos: site Turismo Sergipe e Jornal do Beltrão.
Texto e imagem reproduzidos do blogcelihotel.wordpress.com
Espaço em homenagem a Zé Peixe é inaugurado em Aracaju
Obra foi feita em antigo terminal hidroviário de Aracaju
Foi inaugurado nesta terça-feira, 19, o Espaço Zé Peixe,
localizado no antigo prédio do terminal hidroviário de Aracaju. O ambiente é
mais uma opção de turismo e cultura para a população, e homenageia José Martins
Ribeiro Nunes, o Zé Peixe (1927-2012). O local revive a história do ícone
sergipano através de fotos, objetos, e estátua do homenageado.
Familiares do homenageado prestigiaram a celebração
organizada pelo governo de Sergipe, discursaram e agradeceram o empreendimento
criado em memória do familiar. Emocionada, a irmã de Zé Peixe, Rita Peixe de 78
anos, descreveu seus sentimentos. “É muita felicidade ver essa obra, mas
tristeza por ele não estar aqui vendo isso. Sinto agradecida e sei que ele
merecia esse memorial, pois representa muito a história dele”.
A celebração do novo espaço também contou com a presença do
Governador Jackson Barreto, que em discurso, caracterizou o espaço como um
marco para o memorial de Sergipe. “Aqui não se fez apenas uma obra, vai além, é
um espaço de memória para que as futuras gerações se lembrem e conheçam quem
foi o Zé Peixe. E não teria lugar melhor senão de frente para o Rio Sergipe,
que fez parte da sua vida, luta e história”, disse.
A secretária Marta Leão, da Secretaria de Estado da Mulher,
da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (SEIDH),
citou em discurso que “o ambiente foi criado para todas as classes, e terá
preços acessíveis”. Segundo ela, a iniciativa vai fomentar o turismo no centro
comercial de Aracaju.
O Espaço Zé Peixe possui dois pavimentos que contemplam:
loja de artesanato sergipano, mirante para o Rio Sergipe, cafeteria,
restaurante, um ponto Banese, loja de doces caseiros da terra, espaço reservado
para o Memorial Zé Peixe e sua trajetória de vida, além de exposição de painéis
do artista plástico Elias Santos. O espaço atende também aos critérios de
acessibilidade com banheiros, rampas e elevador para portadores de deficiência.
José Martins Ribeiro Nunes, o Zé Peixe, filho de Vectúria
Martins, uma professora de matemática e de Nicanor Nunes Ribeiro, um
funcionário público, nasceu no dia 05 de janeiro de 1927, em Aracaju e faleceu
no dia 26 de abril de 2012. Foi criado em uma casa em frente ao Rio Sergipe, na
atual Avenida Ivo do Prado, próximo a Capitania dos Portos e que pertenceu aos
seus avós, onde viveu até sua morte. Aos 11 anos de idade já era um excelente
nadador. Certo dia, o comandante da marinha, conhecido como Aldo Sá Brito de
Souza estava desembarcado na Capitania dos Portos e sua âncora havia enganchado
no fundo do rio, e ao observar a destreza do garoto José Martins, o apelidou de
"Zé Peixe", apelido que se firmou.
Em 1947, seu pai o levou ao serviço da Marinha, onde
mediante concurso foi admitido como Prático do Estado lotado na Capitania dos
Portos de Sergipe, profissão que exerceu por mais de meio século. A barra do
rio Sergipe era uma das piores entradas portuárias do país e Zé Peixe com sua
dedicação e conhecimento detalhado da profundidade das águas, das correntezas e
da direção do vento sempre se destacou no serviço de praticagem. Essa profissão
lhe deu fama nacionalmente, sendo destaque na imprensa pelo trabalho
desenvolvido.
Por Ícaro Novaes e Verlane Estácio com informações da ASN.
Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura