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terça-feira, 26 de abril de 2022

Biografia autorizada de Jouberto Uchôa, reitor da Unit, será lançada em Aracaju

Publicado originalmente no site F5 NEWS, em 25 de abril de 2022 

Biografia autorizada de Jouberto Uchôa, reitor da Unit, será lançada em Aracaju

Obra de Milton Alves Júnior homenageia os 60 anos do Grupo Tiradentes  

O jornalista e escritor sergipano, egresso da Universidade Tiradentes, Milton Alves Júnior, lançará seu mais novo livro:  ‘Uchôa – Multiplicador de sorrisos’ neste dia 28. Com cerimônia aberta ao público, a biografia conta a trajetória do ex-vigilante visionário responsável em erguer um dos maiores conglomerados educacionais do país, o Grupo Tiradentes, que é também reitor da Unit em Sergipe: Jouberto Uchôa de Mendonça.

A obra literária apresenta detalhes dos 85 anos de vida do responsável pelo progresso do ensino superior em Sergipe. Já que, nos idos da década de 1970, professor Uchôa previu que o progresso no Estado se daria, principalmente, por meio de uma Educação de qualidade. Tamanha dedicação se desmembrou também em prol do fortalecimento da cultura sergipana, com as ações de responsabilidade social, ambiental, de inclusão social e de valorização do ser humano que Uchôa sempre priorizou na Unit. Tudo isso, junto ao elo familiar fundamental para construir seu legado, é contado em uma narrativa envolvente e cheia de minúcias pouco conhecidas por todos.

A biografia de Milton Alves Júnior tem prefácio assinado pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, o sergipano Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, além de ilustrações exclusivas produzidas por artistas regionais. “Aposto que não haverá um só leitor que, ao consumar a obra, não ficará ainda mais apaixonado pela trajetória de vida traçada pelo aracajuano que, ainda na infância, precisou ir morar com os avós no município alagoano de Girau do Ponciano. Professor Uchôa é um ser multiplicador de sorrisos! Foi, e é, através da sua ideologia, que milhares de famílias puderam desfrutar da conquista pelo ensino superior de qualidade”, destaca o autor. “Garanto que todos irão se apaixonar pela história de vida do biografado. É linda demais”, celebra.

Sem apresentar mais detalhes do conteúdo presente na obra, Milton Alves Júnior destaca que poucas pessoas tiveram a oportunidade de ler o livro. “Minha preocupação era produzir e concluir uma obra que estivesse integralmente de acordo com a cronologia dos fatos. São 354 páginas repletas de fotos e depoimentos conferidos e aprovados pelo biografado, porém, há detalhes especiais, criados com exclusividade por ilustres artistas sergipanos, os quais, de forma estratégica, não foram revelados aos professores Jouberto Uchôa e Amélia Cerqueira”, revela. 

O biografado reconhece tamanho prestígio. “Deus foi generoso demais comigo! É um grande privilégio ser homenageado em vida e ainda mais no mês em que celebramos os 60 anos de Grupo Tiradentes. Estou muito emocionado com esse momento. Espero que todos que tenham acesso à obra possam se inspirar de alguma forma”, declara o reitor da Unit, professor Jouberto Uchôa.

Lançamento da Biografia

O evento de lançamento da obra literária sergipana acontecerá no próximo dia 28, às 17h, no Foyer do prédio da Reitoria, campus Unit Farolândia. Aberto para toda a sociedade, o momento será também uma oportunidade de valorizar a cultura sergipana e, claro, de parabenizar o homenageado por sua história de vida e todos esforços dedicados em prol do Grupo Tiradentes que comemora 60 anos neste mês.

“A solenidade de lançamento também terá atrações incríveis não reveladas, mas tenho plena convicção que será emocionante para todos que estiverem participando deste dia repleta de homenagens”, completa o autor Milton Alves Júnior, reforçando que o momento é também em homenagem ao marco histórico do Grupo Tiradentes: há 60 anos em atividade em Sergipe.

Com valor simbólico de R$50, no dia do evento, o interessado poderá ter acesso a obra com direito a dedicatória do autor e do biografado. Após a solenidade, a obra estará disponível em livrarias Escariz (em Aracaju), com possibilidade de envio para outras localidades. Para isso, basta entrar em contato com o autor pelo número: 79 99180-1180 (ligação e whatsapp).

A publicação da obra contou com o apoio da Editora Diário Oficial do Estado de Sergipe (Edise).

Fonte: Ascom UNIT

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

sábado, 10 de outubro de 2020

Professor Uchôa entra na Academia de Educação

O pioneirismo do professor Uchôa é um 
atributo digno de reconhecimento

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 10 de outubro de 2020

Professor Uchôa entra na Academia de Educação

O fundador do Grupo e reitor da Universidade Tiradentes, Jouberto Uchôa de Mendonça, será empossado na Academia Sergipana de Educação. A ASE reconhece assim o pioneirismo do novo acadêmico é um atributo além de intransferível, digno de reconhecimento. Afinal, o visionário educador transformou sua trajetória pessoal em uma oportunidade de impulsionar e inspirar vidas de milhares de sergipanos por meio da Educação, há 58 anos.

Para endossar tamanho prestígio e pensando na Educação de Sergipe, no próximo dia 15, professor Jouberto Uchôa de Mendonça será empossado na cadeira nº 15 da Academia Sergipana de Educação, cujo Patrono é Manoel Joaquim. A solenidade virtual acontecerá a partir das 19h e pode ser acompanhada por todos. “Estou muito feliz com esta homenagem de uma entidade tão respeitada e importante na sociedade”, comenta Uchôa.

Este novo título se consolidará junto aos demais que Jouberto Uchôa de Mendonça já possui. Hoje, além de suas atribuições enquanto presidente do Grupo Tiradentes e reitor da Unit Sergipe, professor Uchôa também é membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira nº 23, sucedendo ao intelectual Luiz Antônio Barreto; é membro da Academia Sergipana de Letras Jurídicas, cujo Patrono é professor Balduino Ramalho; e membro da Academia Sergipana de Administração.

A mais alta condecoração concedida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a Medalha da Ordem do Mérito Pontes de Miranda, foi destinada ao professor Uchôa. Além desta, a Medalha do Mérito da Justiça Criminal (Tribunal de Alçada Criminal, Rio de Janeiro); a Medalha do Mérito do trabalho (TRT 20ª Região, Aracaju); Medalha do Mérito Alvorada (Diários Associados); a Medalha 25 anos do Conselho Estadual de Educação; Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar – Assembleia Legislativa de Sergipe; a Comenda do Mérito Aperipê; a Comenda de Mérito Serigy no grau de Comendador.

Professor Uchôa ainda possui título de Cidadão Honorário de Maceió, concedido pela Câmara Municipal da capital Alagoana; Título de Cidadania Caruaruense, concedido pela Câmara Municipal de Caruaru; Comenda do Mérito Maçônico, concedida pela Grande Loja Maçônica do Estado de Sergipe; Comenda Manoel Prado Vasconcelos, concedida pela Associação Comercial e Empresarial de Sergipe.

Academia Sergipana de Educação

A Academia Sergipana de Educação tem o objetivo de difundir discussões que apontem propostas para melhorias na Educação do Estado. Além disso, deve cumprir o papel de fazer memória a grandes nomes significativos que contribuíram para a história da educação em Sergipe.

Fonte e foto Assessoria de Imprensa

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Thaís Bezerra ENTREVISTA Jouberto Uchôa

Foto: Divulgação

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 3 de outubro de 2018

TB entrevista Jouberto Uchôa

O marco dos 40 anos de jornalismo sergipano praticado com ética, garra e responsabilidade neste caderno semanal rememora instituições genuínas do Estado que atuam com lisura, como a Universidade Tiradentes. Em 2018, a Unit comemorou 56 anos de história e vem se destacando cada vez mais pelo alto nível de qualificação do corpo docente e das modernas instalações. Vamos conhecer mais essa história pelo olhar de seu magnífico reitor, professor Jouberto Uchôa de Mendonça.

THAIS BEZERRA – A maioria das empresas contratantes de Sergipe já sabe que se o profissional for egresso da Unit, é sinônimo de mão de obra qualificada. Sempre foi assim?

JOUBERTO UCHÔA – Não foi sempre assim. Foi preciso muita luta e trabalho para que alcançássemos esse patamar. Tudo começou no ano de 1962, há 56 anos, com a criação do Colégio Tiradentes, que foi alçado à faculdade em 1972 e à universidade em 1994. A partir daquele instante, sabíamos que a responsabilidade com a qualidade do ensino só aumentaria, e passamos a ter atuação em quase todos os estados do Nordeste, com a consolidação do Grupo Tiradentes em Alagoas, Pernambuco e Boston, nos Estados Unidos.

TB – Como está estruturado o Grupo Tiradentes?

JU – Hoje, além da Universidade Tiradentes, o Grupo Tiradentes mantém a Faculdade São Luís de França, em Aracaju; o Centro Universitário Tiradentes, em Maceió (AL); e a Faculdade Integrada de Pernambuco, no Recife. Juntas, as instituições ultrapassam a marca de 55 mil universitários. Só na Unit Sergipe há mais de 38 mil alunos em mais de 60 graduações, MBAs e programas de mestrado e doutorado. Acredito que a partir de tantos esforços em prol da qualidade do ensino superior no Brasil e além-fronteiras, com a inauguração do Tiradentes Institute, em Boston, possamos contribuir cada vez mais na qualificação e globalização do cidadão.

TB – Como o senhor disse, a qualidade da Unit tem ultrapassado fronteiras e cada vez mais se posiciona no mundo. De que forma?

JU – Professores e alunos de graduação e pós-graduação da Unit percorrem o mundo, produzem ciência e tecnologia em parceria com renomados pesquisadores, das mais bem conceituadas instituições de ensino superior do mundo, em países como Estados Unidos; Canadá; Portugal; Espanha; França; República Tcheca; Bélgica; Suécia; Alemanha; Itália; Holanda; Colômbia; Peru e Chile. No mercado profissional, talentos formados pela nossa Unit atuam em multinacionais como Google, Volkswagen e Microsoft.

TB – Quais são os projetos relacionados à tecnologia?

JU – Atualmente, estamos com o Google for Education, investindo nos educadores do futuro, capacitando nossos alunos de licenciaturas para que se qualifiquem com o programa de formação Google (certificação internacional que os coloca em pé de igualdade com os de demais países). Estamos preparando ações de inovação como o Inovation Center, um grande empreendimento que em breve inauguraremos no campus Farolândia. A Unit busca colaborar com a história da transformação digital da educação superior. 

TB – A Unit oferece serviços de saúde gratuitos à sociedade e ensino básico a crianças e adolescentes do Bairro Industrial. Como?

JU – Nossos alunos aprendem em sala de aula e em laboratórios de alta tecnologia destinados a cada área de ensino e colocam todo conhecimento em prática em nossa estrutura de extensão universitária, compreendida por: Clínica de Psicologia; Laboratório Central de Biomedicina; Núcleo de Práticas Jurídicas e Centro de Educação e Saúde Ninota Garcia. São atendimentos de saúde gratuitos e de qualidade. Este último, registrado no Conselho Estadual da Educação de Sergipe, já foi destaque nacional na Provinha Brasil (MEC) e foi totalmente revitalizado em junho. Entendemos que a comunidade pode desfrutar desse conhecimento, supervisionado sempre por professores, com muita dignidade. Afinal, os estudantes aplicam, com muito carinho, na prática o conhecimento adquirido em sala de aula. É um orgulho!

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net/thais-bezerra

sexta-feira, 21 de abril de 2017

“Ninguém canta o hino de Sergipe. É preciso mudar”





Publicado originalmente no site JL Política, em 15 de abril de 2017.

“Ninguém canta o hino de Sergipe. É preciso mudar”
Por Jozailto Lima

Uchoa: “Eu canto os pedaços, mas as vezes misturo devido a sua abusiva extensão”
Naquele seu estilo despojado, do alto dos seus 80 anos e com o comprometimento que diz ter com as coisas de Sergipe, o professor Jouberto Uchoa de Mendonça, reitor da Universidade Tiradentes, não faz rodeios e vai direto ao alvo: o hino de Sergipe desmerece o Estado e rebaixa a autoestima sergipana ao rés do chão. “Ninguém o canta”, determina ele.

Fazer o quê, então? Jouberto Uchoa não se perde em arrodeios: deve ser feito um outro hino. Sim. “Minha sugestão é a de que o hino de Sergipe seja transformado em hino do sesquicentenário e, a partir daí, o Governo abra um concurso nacional – não sergipano – para escolher entre os poetas brasileiros e locais as contribuições. Que o melhor escolhido seja premiado inicialmente com R$ 100 mil, pagos através de contribuições de empresas, inclusive da Unit. Ou seja, sem nenhuma despesa para o Estado”, diz ele.

Esta pregação dele lhe rendeu um desafeto, como diria os empolados, sepulcral, vindo da professora e pesquisadora Aglaé Fontes, sua confrade na Academia Sergipana de Letras. Os dois se tornaram inimigos nesta causa. Aglaé prefere ver o cão crivado de guizos a Uchoa falando em mudar letra e música do hino de Sergipe, uma instituição composta em 1836, mas que, convenha-se, é muito ruim.

Tese dela: em hino não se mexe. Visão dele: mexe, e o hino nacional brasileiro já teria passado por três atualizações. Uchoa insiste: “o hino de Sergipe não contribui com a autoestima do sergipano. Os poetas da época quiseram encher de informações para justificar o gesto de grandeza, de homenagear as autoridades de então. Mas isso não acrescentou nada para o Estado e seu hino. Pelo contrário. Afastou das escolas, da família, dos movimentos líricos”, diz o professor.

Jouberto Uchoa, ao lado da esposa, Amélia, e dos filhos Júnior, Marília, Dionísio e Marilda, pilota um dos maiores negócio de educação superior do país. Fundada em 20 de abril de 1962, a Unit faz nesta quinta-feira 55 anos. A partir de Sergipe, abriu tentáculos sobre a Bahia, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, e reúne hoje cerca de 48 mil alunos, com 36 mil deles presencialmente e 12 mil a distância. Gera 3,2 mil empregos diretos.

Bem sucedido, dói nele as insinuações de Aglaé Fontes de que estaria usando o seu poderio econômico para travar a guerra da mexida no hino. “Achei uma atitude impensada dela. Não tenho interesse econômico nenhum nisso. Para mim, não virá nenhum benefício, a não ser a realização moral e espiritual de ver que meu Estado vai ser cantado de maneira convincente, com gosto e emoção”, diz. Leia a seguir entrevista com ele.

JLPolítica – Qual o conceito que o senhor tem do hino sergipano?
Jouberto Uchoa de Mendonça – É o pior possível. Eu lamento profundamente que os autores, na época, para agradar ao Governo de então e prestar uma homenagem, fizessem uma letra extensa demais, com erros de melodia e até uma parte de plágio de Rossini, e repetição constante das informações que o hino quer transmitir para os estudiosos. Então, lamentamos profundamente, porque o hino deveria ser algo para ser cantado em todos os ambientes e por todos os sergipanos e brasileiros.

JLPolítica – E o hino sergipano não se canta não?
JUM – O nosso não se canta. Você chega numa solenidade na Assembleia Legislativa, por exemplo, e ninguém o canta. Eu canto sozinho, porque as pessoas não sabem e não se interessam. Aquela sugestão que foi dada e aceita por alguns conselheiros, de que fossem cantadas duas estrofes, é o clássico reconhecimento de que o hino não pode ser cantado. Não serve. Cantar apenas duas estrofes de um hino de 18 estrofes não é possível.

JLPolítica – Quando se compara o hino sergipano, com 18 estrofes, ao brasileiro, com 13, o senhor acha que há um excesso, um exacerbamento de tamanho?
JUM – É exatamente isso que estou dizendo: os poetas da época quiseram encher de informações para justificar o gesto de grandeza, de homenagear as autoridades de então. Mas isso não acrescentou nada para o Estado e seu hino. Pelo contrário. Afastou-o das escolas, da família, dos movimentos líricos. Ninguém canta o hino de Sergipe.

“O nosso (hino) não se canta.
Você chega numa solenidade
na Assembleia Legislativa, por
exemplo,e ninguém canta.
Eu canto sozinho, porque as
pessoas não sabem e não
se interessam”.

JLPolítica – Há quem prefira não mexer e ter um hino que ninguém cante, ou alterá-lo e ter um hino que a sergipanidade acolha e cante?
JUM – Minha sugestão é a de que o hino de Sergipe seja transformado em hino do sesquicentenário e, a partir daí, o Governo abra um concurso nacional – não sergipano – para escolher entre os poetas brasileiros e locais as contribuições. Que o melhor escolhido seja premiado inicialmente com R$ 100 mil, pagos através de contribuições de empresas, inclusive da Unit. Ou seja, sem nenhuma despesa para o Estado.

JLPolítica – Mas professor, a reconfiguração do hino de Sergipe é um problema de Estado, da Academia Sergipana de Letras, do Conselho Estadual de Educação? Afinal, é um problema de quem?
JUM – Temos pessoas que eu respeito e que têm a tese de que hino não se muda. Isso é uma questão de ponto de vista. Não me digladio contra ninguém, simplesmente tenho meu ponto de vista. Este mesmo portal colocou que eu tenho problema com a professora Aglaé Fontes. Isso não existe, sob espécie alguma. Meu relacionamento com ela já tem mais de 50 anos, não tenho nada contra ela e respeito o ponto de vista dela. Mas estou com um documento de 1934, escrito por Amarílio de Albuquerque, da família de Leandro Maciel, onde consta toda a documentação do hino nacional, e lá está confirmado que foi mudado três vezes. E isso não deixou de valorizá-lo.

JLPolítica – Qual é a tese central da professora Aglaé, além de o hino ser imexível?
JUM – É essa de que, por tradição, não se muda. Que hino é intocável. Mas a tradição vai continuar. Ele vai ficar como hino de referência de uma época e teríamos também um hino de hoje, para a juventude cantar, com emoção, e sair das fronteiras de Sergipe.

“Os poetas da época quiseram encher de
informações para justificar o gesto de
grandeza, de homenagear as autoridades
de então. Mas isso não acrescentou nada
para o Estado e seu hino. Pelo contrário.
Afastou das escolas”

JLPolítica – Há quanto tempo se arrasta essa questão de mexer ou não?
JUM – Isso já vem desde há muitos anos e passa pelo Conselho de Cultura, quando alguns conselheiros sugeriram que ele fosse modificado. Alguns apoiaram, outros acharam que não devia mudar. Depois, surgiu aquela possibilidade de cantar apenas as duas estrofes. Ora, se pode cantar só duas estrofes, é porque se reconhece que não é cantável.

JLPolítica – E o que diz a professora Olga Andrade, especialista na área?
JUM – Ela diz que é lamentável que isso aconteça. Inclusive a Olga foi constrangida num evento na Academia e apresentou ao Conselho a posição dela de que o hino criava dificuldade até para ser cantado pelo Coral da Sofise. O exímio professor de música Rivaldo Dantas também disse no Conselho que o hino não pode continuar, porque tem plágio, não combina as notas musicais com a letra. Coisas de especialistas. Então minha posição continua sendo essa: acho que a gente tem que preservar o hino atual de Sergipe como um fato histórico, com outra denominação, e abrir o concurso público. Toda hora eu repito: um concurso nacional, porque vamos ter poetas de todo o País. As escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo, têm os sambas-enredo feitos por poetas que só têm o primeiro grau, mas que dão o recado. Então, que venha de onde vier, mas que seja escolhido, por uma comissão de alto nível, o melhor.

JLPolítica – O senhor, inclusive, já escreveu um artigo sobre isso, no qual defende alguns temas que poderiam entrar na letra. Quais seriam os valores que deveriam constar do hino?
JUM – Trabalho, cultura, educação, valores morais e sociais. Para que eles cheguem à juventude com informações de que, ao cantar, a pessoa já está praticando, aprendendo esses valores.

JLPolítica – Olhando as 18 estrofes do hino sergipano, o senhor diria que ele trabalha a favor da autoestima sergipana ou a solapa?
JUM – Digo que não contribui com a autoestima do sergipano. Ele só faz contar os fatos da época que acharam importantes. Inclusive, até problemas com a Bahia, que não deviam ser colocados num hino. Temos que botar ali amor, solidariedade, relacionamento. Isso que tem fazer, e não guardar rancor de ninguém.

JLPolítica – Ele é de 1836, a emancipação sergipana em relação à Bahia é de 1820. Ou seja, é de apenas 16 anos depois. O senhor acha que o calor da hora implicou nessa letra assim confusa?
JUM – Os autores se preocuparam em agradar o Governo. As transformações vão acontecendo depois de cada fase. Como isso aconteceu, eles surgiram e trataram de oferecer uma minuta de hino que julgaram que seria importante para a época. Mas acontece que é uma poesia pobre, que não estimula ninguém e não mostra os valores morais e sociais de Sergipe.

JLPolítica – Em 2020, o Estado completa 200 anos de emancipação com relação à Bahia. O senhor acha o momento oportuno?
JUM – Eu acho que o momento oportuno é ontem. Há muito tempo que todos nós sergipanos e as pessoas que defendem a permanência dele não veem nem 5% das pessoas cantando-o em qualquer acontecimento social que se mande cantar o hino de Sergipe.

JLPolítica – O senhor que é um exímio cantador de hinos, seria capaz de lembrar a letra dele de cor?
JUM – Eu canto os pedaços, mas as vezes misturo devido a sua abusiva extensão.

JLPolítica – Por onde deve passar a normatização desse eventual concurso que o senhor defende?
JUM – O governador mandaria a minuta do projeto para a Assembleia Legislativa e, uma vez aprovado, seria aberto o concurso nacional e, depois, retornaria à Assembleia para que o hino resultado disso seja transformado em lei. E essa proposta seria sancionada pelo governador. Eu propus em um acontecimento formal no Palácio Museu, na Praça Fausto Cardoso, com escolas públicas e privadas, bandas de música e toda a sociedade. E esse hino seria transformado em CD, seria tocado nesse dia e quem tivesse interesse poderia levar para casa, e aí seria como aquelas músicas de “iê iê iê” e a pessoa ia querer aprender porque, agora, seria uma música que agrada ao coração.

JLPolítica – Essa proposição de lei não poderia passar por um deputado estadual?
JUM – Apresentei a um deputado, que disse ter interesse. Mas quero ouvir os demais parlamentares e mostrar a eles o valor que tem essa iniciativa.

JLPolítica – A professora Aglaé tem deixado vazar que o senhor está usando a sua importância socioeconômica para mexer no hino. O senhor vê isso na sua pessoa?
JUM – Lamento profundamente, mas reitero que tenho o maior respeito por ela. Quando propusemos que no concurso o Estado daria um prêmio de R$ 100 mil e que nós iríamos buscar as empresas para não onerar o Estado, foi dito por ela que estaríamos usando o poder econômico. Será que eu estaria comprando a consciência das pessoas para aprovar uma coisa que elas não querem? Eu não sou político. Não tenho interesse econômico nenhum nisso. Para mim, não virá nenhum benefício, a não ser a realização moral e espiritual de ver que meu Estado vai ser cantado de maneira convincente, com gosto e emoção. Achei uma atitude impensada dela. Lamento profundamente, mas continuo tendo respeito por ela, porque entendo que ela tem o direito de pensar da maneira como julgar correto.

“Não me digladio contra ninguém,
simplesmente tenho meu ponto de
vista. Meu relacionamento com Aglaé
Fontes já tem mais de 50 anos, não
tenho nada contra ela e respeito o
ponto de vista dela. Mas hino se muda”

JLPolítica – O senhor e ela compartilhariam um sorvete num shopping?
JUM – A qualquer hora que ela queira. Veja, tivemos uma audiência, pois ela me representou ao Ministério Público. Ao me ver, ela disse que eram questões de ponto de vista. E eu respondi que ela não precisava fazer isso. Lá, ela disse que estávamos destruindo um símbolo do Estado e que não era interessante que isso acontecesse. Ela foi acompanhada pelo presidente do Instituto Histórico. Ela, inclusive, denunciou o presidente da Academia Sergipana de Letras, que só fez encaminhar o processo que dei entrada.

JLPolítica – Voltemos a tema: há muita discussão acerca da autoestima da sergipanidade. O senhor acha que o hino contribui para que essa autoestima seja sempre posta em questão?
JUM – E como! Para se ter uma ideia, se você pegar o acontecimento francês, quando toca A Marselheza as pessoas se levantam, se arrepiam, cantam, gritam. Por que? Porque ele levanta as pessoas com o sentimento de grandeza, de orgulho. Elas se sentem representadas. O hino americano tem duas estrofes, mas a emoção é grande quando ele é tocado. O que estamos propondo com o nosso não vai tirar nenhum mérito dele e da sua época. Quem quiser cantá-lo, cante-o. Mas quem quiser uma versão atual, que cause emoção, parta para o novo.

JLPolítica – Um Estado com 196 anos é um “bebê”. O senhor acha que mexer agora é mais pertinente do que deixar para o futuro?
JUM – Quando eu estiver errado, quero consertar hoje. No agora. Na instituição que eu dirijo, digo para todo mundo – do jardineiro ao diretor – que leal para mim é quem diz que estou errado. Porque quem diz apenas que eu sou bom, age com falsidade. Quero que digam o que pensam.

JLPoítitica – Na base do chute, o senhor acha que se fizesse uma pesquisa séria junto aos sergipanos, quanto por cento aprovariam o hino como ele o é?
JUM – Acredito que 10%, e olhe lá. A maioria aprovaria a mudança. E esta pesquisa até pode ser feita, para que as pessoas se manifestem.

JLPolítica – Entre os seus 40 confrades de Academia, quanto por cento topariam essa mudança?
JUM – O problema da Academia é que mais da metade não frequenta. Só temos 8, 10, quando muito, 12, frequentes semanalmente. Acontece que quando apresentei, o presidente teve o cuidado de submeter à apreciação de todos, nomeou uma comissão, que, por sua vez, apresentou um projeto, aprovando. E foi para o plenário, que também aprovou. Foi quando a professora Aglaé declarou que tinha vergonha de fazer parte da Academia por ter aprovado a proposta.

JLPolítica – Sendo reitor de uma instituição de educação superior particular, o senhor acha que a sua postura afasta um pouco os acadêmicos da UFS, por exemplo?
JUM – Não. De jeito nenhum. Isso aí não tem universidade federal ou particular. Isso é uma causa sergipana, e está acima de qualquer justificativa.

JLPolítica – Qual das 18 estrofes o senhor acha mais bonita?

JUM – Só a primeira: “Alegrai-vos, sergipanos,/ Eis que surge a mais bela aurora/ Do áureo jucundo dia/ Que a Sergipe honra e decora”. Apesar do áureo jucundo.

Texto e imagens reproduzidos do site: jlpolitica.com.br/entrevista

domingo, 26 de março de 2017

O imortal Jouberto Uchôa de Mendonça


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 16/04/2013.

O imortal Jouberto Uchôa de Mendonça

Quatro livros publicados e uma vida dedicada à educação e à preservação da memória sergipana. Estes foram os requisitos que fizeram do professor Jouberto Uchôa de Mendonça, reitor da Universidade Tiradentes, o mais novo imortal da Academia Sergipana de Letras. A posse do homem que começou a vida como tecelão, foi vigilante de escola e, nos últimos 50 anos, construiu um dos maiores grupos educacionais do Nordeste aconteceu na noite dessa segunda-feira, 15, no Salão de Festas Sônia Lima, Bairro Atalaia, zona sul de Aracaju.

O professor Uchôa assume a cadeira número 23 da ASL, que tem como patrono o jurista Ciro Franklin de Azevedo e como último sucessor o historiador e jornalista Luiz Antônio Barreto, considerado um dos maiores pesquisadores de Sergipe. “Luiz Antônio foi meu aluno e isso para mim é uma glória. Deixou o exemplo de dignidade, dedicação, humildade por excelência. É um marco que Sergipe não pode esquecer e eu me sinto honrado em poder sentar na cadeira que ele sentou e defender com unhas e dentes aquilo que ele defendia – a cultura, a história e a educação da nossa terra”, afirma o professor Uchôa.

Diretora do Instituto Tobias Barreto, a professora Raylane Navarro, viúva de Luiz Antônio Barreto, ressalta que tanto o último sucessor, quanto o novo titular da cadeira 23 da ASL são de origem humilde e, com estudo e trabalho, se tornaram referência naquilo que se propuseram como missão de vida.

“O professor Uchôa foi aquele com quem Luiz Antônio contou para fazer com que o produto de seu trabalho, o Instituto Tobias Barreto, sobrevivesse a ele. Além disso, o papel de agente cultural, para além de professor, escritor e reitor, dará orgulho a Academia Sergipana de Letras. Penso que tais motivos são mais do que suficientes para dizer que a cadeira número 23 da Academia tem, no professor Jouberto Uchôa de Mendonça, um legatário a altura de Luiz Antonio Barreto, aquele que com certeza deu muito orgulho a esta casa”, ressalta Raylane.

Para o presidente da ASL, José Anderson do Nascimento, a posse do professor Uchôa representa um momento de transformação dentro da Academia Sergipana de Letras. “É a chegada de um agente educacional, um empresário e professor militante, ligado à educação e à cultura também. A importância de Jouberto Uchôa dentro da sociedade é a atividade sociocultural que vem desenvolvendo ao longo de 50 anos, desde a fundação do Colégio Tiradentes. Ele entra na Academia com essa visão de contribuir ainda mais para o desenvolvimento do Estado”, avalia.

Biografia

Jouberto Uchôa de Mendonça nasceu em Aracaju, no dia 17 de setembro de 1936. Filho de uma merendeira e um motorista da rede pública, foi tecelão, balconista, auxiliar de laboratório e auxiliar de fiscal de cinema. Iniciou as atividades ligadas à educação em 1954, no antigo Ginásio Pio X, onde atuou como vigia, servente, inspetor de alunos, professor de matemática, secretário e diretor. Fez o curso comercial básico na Escola Técnica de Comércio Tobias Barreto e o curso de Contabilidade na Escola Técnica de Sergipe. É bacharel em Ciências Jurídicas e pós-graduado em Administração de Unidades de Ensino.

Hoje o professor Uchôa é reitor da Universidade Tiradentes, uma das maiores e mais conceituadas instituições de ensino superior do Nordeste, e preside o conselho do Grupo Tiradentes, mantenedor da Unit, em Sergipe; da Faculdade Integrada Tiradentes – Fits –, considerada pelo MEC como a melhor IES de Alagoas; e da Faculdade Integrada de Pernambuco – Facipe –, que possui cinco unidades de ensino, pesquisa e extensão em Recife.

Na luta incansável pela preservação da história do povo sergipano, o professor Uchôa mantém, além do Instituto Tobias Barreto – com acervo de mais de 30 mil itens, entre livros, fotografias, arquivos digitais e audiovisuais –, estruturas como o Memorial de Sergipe e o Centro de Memória Lourival Baptista – com um acervo de mais de 20 mil objetos – e o Laboratório de Imagens Lineu Lins de Carvalho, com mais de 500 mil fotos.

Produção Literária

O reitor da Unit chega à Academia Sergipana de Letras aos 76 anos. Sua vida literária começou em 2002, quando escreveu e publicou, em parceria com a pesquisadora Maria Lúcia Marques, a primeira edição de “Sergipe Panorâmico”, guia histórico, político, cultural e geográfico do Estado serve como importante fonte de pesquisa e que ganhou uma nova edição em 2009.

Ainda em parceria com Lúcia Marques, Jouberto Uchôa lançou outros dois livros. “Caminhos da Capital: 150 motivos para viver as ruas de Aracaju” foi publicado em 2007; “Universidade Tiradentes – do ginasial ao superior: 50 anos na educação brasileira”, em 2012. A quarta obra, “Jouberto Uchôa de Mendonça: vida & experiência” é a biografia do reitor, foi lançada no ano passado e tem coautoria de Luiz Antônio Barreto.

“Chegar à Academia Sergipana de Letras é um prêmio, um presente que recebo com imensa gratidão àqueles que sugeriram e aceitaram o meu nome. Tenham a certeza de que continuarei com o mesmo compromisso de defender e preservar o nome dos homens e mulheres que fizeram e fazem a história de Sergipe”, garante o professor Uchôa.

Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.

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