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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Museu promove exposição sobre Arthur Bispo do Rosario

A exposição é um recorte do universo de Arthur Bispo do Rosario

Legenda da foto: A mostra é composta por peças inspiradas na obra de Arthur Bispo - (Crédito das fotos: Diego DiSouza)

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 22 de setembro de 2022

Museu promove exposição sobre Arthur Bispo do Rosario

Em um labirinto chamado ‘Nossas Histórias’ todos os caminhos levam a elementos da identidade cultural sergipana. E a partir desta terça-feira, dia 20, mais referências de sergipanidade são encontradas no Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda. É que foi lançada a exposição ‘Arthur Bispo e seu rosário’, composta por peças inspiradas na obra do artista sergipano Arthur Bispo do Rosario.

A inauguração abriu a programação da 16ª Primavera dos Museus, que esse ano tem como tema ‘Independências e Museus – outros 200, outras histórias’, com a proposta de refletir sobre o Bicentenário da Independência, a partir da avaliação sobre quais independências o Brasil conquistou nesses 200 anos e o que ainda é preciso conquistar.

Foi nessa perspectiva que o sergipano Arthur Bispo do Rosário, um expoente das artes, foi escolhido como referência para toda a programação da Primavera dos Museus no Museu da Gente Sergipana, uma vez que é um artista marcante na construção da história da arte e da cultura ao longo dos últimos 200 anos, mas que ainda não recebeu o devido reconhecimento por sua vasta contribuição.

Vida e obra de Arthur Bispo

A exposição, de curadoria de Solange de Oliveira, desempenha o importante papel de reconhecimento da importância de Arthur Bispo, apresentando aos visitantes o modo como o próprio artista via a sua obra e como ela passou a ser reconhecida. “A exposição rememora a posição de Bispo em relação ao seu acervo, que para ele era uma profissão de fé, mas que para nós é obra de arte. E através de exposições como essa damos voz a ele que passou a vida silenciado. Foi com muita felicidade que recebi o convite para fazer essa curadoria nessa casa linda que é abrigo das tradições cultivadas pelos sergipanos e que agora apresenta um acervo exuberante e emocionante sobre Bispo”, destaca Solange.

A exposição reúne peças confeccionadas por artistas e artesãos sergipanos inspiradas nas obras de Arthur para o filme ‘O Senhor do Labirinto’. São fardões, miniaturas, vitrines e estandartes, todos produzidos com técnicas utilizadas por Bispo, a exemplo da assemblage, do bordado, da costura, da marcenaria, da colagem e da pintura.

A exposição é um recorte do universo de Bispo capaz de contar a sua história, resguardar o seu legado e tornar cada vez mais públicas as suas obras, integrando o valor cultural do artista ao contexto nacional e local, sendo essa uma das responsabilidades do Instituto Banese, através do Museu da Gente Sergipana. “Esse espaço é para dar voz, visibilidade e para eternizar essas manifestações da nossa cultura e os nossos artistas. O filme O Senhor do Labirinto, patrocinado pelo Banco Banese e pelo Governo de Sergipe na época, movimentou uma cadeia produtiva muito grande, incluindo artesãos locais que foram capacitados para produzirem essas peças, além da gravação de uma das cenas ter sido aqui no pátio do museu quando o prédio ainda estava em ruínas. Então, é muito simbólico incluirmos essa exposição no acervo. Arthur Bispo vem para o lugar que lhe é de direito através dessas peças que são muito representativas”, afirma Ezio.

Fonte e foto: MGS

Texto e imagens reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Museu Bispo do Rosário abre exposição com peças inéditas do artista


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 24 DE setembro de 2019

Museu Bispo do Rosário abre exposição com peças inéditas do artista

Exposição apresenta 50 obras do sergipano Bispo do Rosário

O Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, abre amanhã (25) a exposição Utopias: A Vida Para Todos os Tempos e Glória, que apresenta 50 obras do sergipano Bispo do Rosário, entre as quais duas inéditas.

Um deles é um objeto que remete a um relógio, antes nunca exposto, e outro é uma uma capa que Bispo usava para proteger as vitrines onde organizava os artefatos que construía, com materiais que trocava com outros pacientes da antiga Colônia Juliano Moreira. Localizado em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, o antigo hospital psiquiátrico abrigou o artista por mais de 50 anos. A capa traz um texto manuscrito que faz referência à ascensão das virgens aos céus.

“Bispo criava suas próprias peças, em um trabalho de artesão. As capas nunca foram mostradas. Ficaram guardadas e até esquecidas na reserva técnica e, agora, com o trabalho de catalogação. Resende informou que muitos trabalhos de Bispo do Rosário foram descobertos. Ele protegia as capas com sacos de embalagens de plástico. Ele tinha a mania de acumular esses objetos, como canecas de alumínio, sandálias havaianas, e depois organizar isso chamando de vitrines. Cobria essas vitrines com as capas. Trocava os materiais descartados com outros pacientes e levava para o trabalho dele”, explicou o novo curador do museu, Ricardo Resende. Ricardo Resende.

O curador revelou que Bispo ouvia vozes que diziam para ele organizar o caos do mundo. “Essa ideia de acúmulo que existe na obra dele levava-o a organizar esses materiais todos, que nada mais é do que uma catalogação dessas coisas”. Nos bordados que fazia, o artista dizia a função daqueles objetos. Artistas plásticos foram convidados a pintar partes das paredes da sala onde a exposição foi montada.

Catalogação

Mais de 900 obras de Bispo do Rosário que integram o acervo do museu foram catalogadas. Elas foram tombadas no ano passado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan). De acordo com o curador do museu, a medida dá mais visibilidade para o trabalho do artista e facilita a obtenção de novos apoios e parcerias para a conservação. A cela onde Bispo viveu por cerca de sete anos também foi tombada.

Começa este ano o trabalho de reforma do pavilhão que abriga a cela e sua restauração. Está prevista a limpeza de várias camadas de pintura nas paredes, que permitirão ver desenhos feitos pelo artista, bem como várias inscrições. Depois de restaurada, a cela funcionará como espaço expositivo permanente para as obras de Bispo do Rosário.

Alguns recursos foram gerados pela taxa de conservação, cobrada pelo museu quando empresta obras para exposições em outros equipamentos. “Essa taxa tem ajudado a gente a conservar a obra de Bispo. Já as obras de restauração serão viabilizadas por financiamento da Fundação Marcos Amaro, de São Paulo, no valor de R$ 350 mil”. Em 2018, a instituição ajudou na reforma e restauração da sala expositiva e, no ano anterior, na readequação da reserva técnica, para melhorar as condições de conservação da obra do artista.

A direção do Museu está buscando também recursos, por meio de editais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de fomento do Imposto sobre Serviços (ISS), para a restauração do quadro O Grande Veleiro e para construção de um laboratório de restauro.

Casa B

Na Colônia Juliano Moreira, começou a funcionar um programa de residência denominado Casa B, que abriga educadores, curadores e artistas para o desenvolvimento de pesquisas e produções por meio do diálogo com a comunidade e com outros programas desenvolvidos pelo Museu Bispo do Rosário, informou a assessoria de imprensa do equipamento cultural. “A Casa B continua a pleno vapor”, comentou Resende.

A exposição funcionará para visitação gratuita da população de 25 de setembro até 25 de janeiro de 2020, sempre no horário das 10h às 17h, de terça a sexta-feira, e nos últimos sábados de cada mês.

Com informações da Agência Brasil

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Arthur Bispo do Rosário ganha exposição na Casa Museu Eva Klabin, no Rio

Obra ‘Balança’ faz parte da mostra ‘Flutuações’.

Fotos: Rodrigo Lopes/ Divulgação.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 19/09/2017

Arthur Bispo do Rosário ganha exposição na Casa Museu Eva Klabin, no Rio

“Flutuações” apresenta obras inesquecíveis de um dos maiores nomes da arte contemporânea brasileira.
 
A Casa Museu Eva Klabin apresenta, novamente à Zona Sul do rio de Janeiro, obras de Arthur Bispo do Rosário em Flutuações, exposição que marca a 22ª edição do projeto Respiração, com curadoria de Marcio Doctors. Considerado uma das maiores referências da arte contemporânea brasileira, Bispo do Rosário é o primeiro artista morto a ser convidado para participar do projeto, que faz parte do circuito vip do ArtRio. A exposição acontece até o dia 14 de janeiro de 2018.

Em Flutuações, nada na Casa será tirado do lugar e as obras de Bispo do Rosário não encostarão em nenhum objeto já presente. As doze obras selecionadas ficarão suspensas, como se estivessem flutuando, espalhadas pela sala renascença, hall principal, sala inglesa, sala de jantar, sala verde, quarto de dormir, closet e banheiro. No auditório com capacidade para 80 pessoas, será exibido o filme “O Prisioneiro da Passagem” (Hugo Denizart, 1982), onde é possível conferir depoimentos e imagens exclusivas de Bispo do Rosário.

“’Flutuações’ nos traz dois personagens que viveram em uma mesma época, numa mesma cidade, atravessaram o mesmo tempo, mas que eram totalmente distintos. Com diferentes perspectivas e percepções do mundo que os cercava, criaram suas próprias realidades, que podem ser interpretadas a partir de suas particularidades e diferenças sociais, nos deixando um legado singular de suas passagens pelo mundo. Hoje, duas grandes potências espirituais, Eva Klabin e Arthur Bispo do Rosário, se encontram, sem se encostar, como foi assim em vida, em uma intervenção reflexiva e emocionante, marcando a 22ª edição do Respiração”, disse o curador Marcio Doctors.

O artista

Arthur Bispo do Rosário nasceu em 1909, na cidade de Japaratuba, em Sergipe. Nordestino, negro e semianalfabeto, alistou-se como marinheiro no Quartel Central do Corpo de Marinheiros Nacionais, no Rio de Janeiro, em 1926. Sete anos depois, foi desligado da Marinha por indisciplina.

Em 1938, teve seu primeiro surto. Na noite de 22 de dezembro daquele ano, saiu em uma espécie de peregrinação para uma apresentação na igreja da Candelária. Foi dado como louco e encaminhado ao Hospital Nacional dos Alienados, na Praia Vermelha, onde o diagnosticaram como portador de esquizofrenia paranoide. Tempos depois, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, e alojado em uma ala reservada aos pacientes mais agressivos e agitados.

Após uma série de idas e vindas a instituições psiquiátricas diversas, Bispo retornou definitivamente à Colônia em 1964 e, a partir daí, iniciou sua extensa produção de objetos. Ainda naquele ano, após ser preso em uma solitária, ouviu uma voz, que lhe deu sua missão: a de representar “os materiais existentes na Terra para o uso do homem”. Com o aumento de sua produção, expandiu seu espaço para as dez solitárias do pavilhão.

Ao longo de 50 anos, Bispo produziu mais de 800 objetos em um processo contínuo. Em seu processo criativo, aproveitou-se de tudo que tinha à mão para a produção de bordados, objetos e esculturas. Em um trabalho meticuloso, desmanchava os uniformes dos internos, retirando deles as linhas que serviriam como matéria-prima para a trama de suas peças. Talheres, tênis e garrafas - tudo era reaproveitado pelo artista que, ordenado por um deus, era incumbido a inventariar o mundo.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaldacidade.net

sábado, 22 de abril de 2017

Arthur Bispo do Rosário, arte e insanidade


Publicado originalmente no site da Revista Mais Glória, em 4 de junho de 2014.

Arthur Bispo do Rosário, arte e insanidade.
Por Pedro Ivo Ambrosoli*

Muito antes dos surrealis­tas, a linha tênue entre o insano e o consciente vem sendo abordada na arte. No Brasil, uma figura expoente na arte popular vivia nesse meio. Seu nome era Arthur Bispo do Rosário (1911- 1989) cujas obras produzidas no hos­pital psiquiátrico onde ficou internado grande parte da vida ganharam tanto reconhecimento do circuito artístico que parte delas representou o Brasil na Bienal de Veneza em 1995. Na véspera do natal de 1938, o ex-pugilista e lavador de ônibus apa­receu num mostei­ro no Rio de Janeiro afirmando que tivera um delírio místico, dizendo ser um en­viado de Deus, en­carregado de julgar os vivos e os mortos. Diagnosticado como esquizofrênico-para­nóico foi internado primeiramente no Hospício Pedro II e depois na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde viveu por 50 anos não-consecutivos.

Ele agrupava canecas, chapéus botões, garrafas, miniaturas de navios de guerra e caminhões, entre outros objetos, com a intenção de criar um inventário do mundo para ser entre­gue a Deus num trabalho que ques­tiona o limite entre arte e insanidade. Foi comparado, pelos críticos, ao fun­dador do dadaísmo, Marcel Duchamp. A sua obra mais conhecida é o “Manto da Apresentação”, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final, com ele, pretendia marcar a passa­gem de Deus na Terra. Os objetos re­colhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos in­divíduos, preparados com preocupa­ções estéticas, onde se percebem carac­terísticas dos concei­tos das vanguardas artísticas e das pro­duções elaboradas a partir de 1960. Esses objetos na obra de Bispo eram dados por funcionários e outros pacientes do mani­cômio que o faziam por escambo ou compaixão.

Utilizava a palavra como elemen­to pulsante. Ao recorrer a essa lingua­gem, manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados de sua vida. Inserido em um contexto ex­cludente, Bispo driblava as instituições a todo momento: a instituição psiquiá­trica na recusa ao receber tratamentos médicos, retirando dela subsídios para elaborar sua obra, além dos museus, quando foi marginalizado e excluído, sendo consagrado como referência da arte contemporânea brasileira.

Bispo tinha o costume de apagar o seu passado, dizendo apenas: “Um dia eu simplesmente apareci”. Manti­nha o mistério sobre sua cidade natal, apesar de os dados biográficos revela­rem a verdade: nasceu em Japaratuba, Sergipe. Para escapar da realidade do centro psiquiátrico, ele criou um mun­do só seu, passava horas em sua cela, imerso em pensamentos. Sobre a sua própria situação e a de seus colegas, tinha opiniões muito particulares: “O louco é um homem vivo guiado por um morto”, dizia. Ou: “Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.

Em 1982 o Museu de Arte Mo­derna do Rio de Janeiro expôs alguns exemplares do universo de Bispo numa exposição coletiva intitulada “À margem da vida”, reunindo presi­diários, menores infratores e idosos. A princípio ele não quis participar, mas depois cedeu algumas obras. Na época, o crítico de arte Frederico Mo­rais ofereceu-lhe uma sala inteira para exposição no MAM, onde Bispo pode­ria se alocar por um tempo, ele nem pensou no assunto. Morreu na solidão de sua cela, em 1989, sem ver seu im­pério, seu mundo, classificado como obra de arte, percorrendo o mundo. Mas, aos olhos da crítica e do público, ele já era um artista em vida.

* Pedro Ivo Ambrosoli - Artista desde 2001, estudava Arquitetura e Urbanismo na UFRJ até 2012 quando mudou o seu curso para História da Arte na mesma universidade.

Texto e imagem reproduzidos do site: revistamaisgloria.com

quinta-feira, 30 de março de 2017

'O Grande Veleiro' apresenta a vida de Bispo do Rosário


Publicado no Portal Infonet, em 27/03/2017.

'O Grande Veleiro' apresenta a vida de Bispo do Rosário
A exposição será lançada oficialmente no dia 6 de abril

Entre 6 de abril e 23 de maio, o Sesc apresenta a exposição "O Grande Veleiro", realizada pelo Departamento Nacional do Sesc em parceria com o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (mBrac), instituição responsável pela preservação, conservação e difusão da obra do sergipano Arthur Bispo do Rosário – um dos expoentes da arte contemporânea, de reconhecimento nacional e internacional.

A exposição será lançada oficialmente em Aracaju no dia 6 de abril, onde iniciará a itinerância pelo país. Além da mostra, o Sesc irá realizar uma vasta programação que envolverá oficinas de capacitação e de arte, apresentações artísticas com grupos locais e o seminário “O Bispo em Nós”, com a participação da escritora e pesquisadora, Luciana Hidalgo (RJ); e dos professores Romero Venâncio e Alexandra Dumas, da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Ação educativa

O Grande Veleiro é uma exposição educativa, que através de estações sensoriais, convida o público a interagir com os diversos elementos que constituem a vida e a obra poética de Arthur Bispo do Rosário.

O visitante é convocado a embarcar nessa exposição como um marinheiro - uma das ocupações de Bispo ao longo da sua vida. A mostra aposta na experiência multissensorial como elemento fundamental no processo educativo, incentivando o visitante a juntar-se a Bispo e desbravar o mundo da arte e da cultura, navegando pelo conhecimento.

Dividida em módulos autoportantes a mostra apresenta Correntes Marítimas do Conhecimento, Mapa da Passagem de Bispo pela Terra, Lounge de Leitura, exibição do filme O Prisioneiro da Passagem e Espaço do Brincar com a Caixa dos Escolhidos.

Segundo Vanderléa Cardoso, arte-educadora do Sesc, em Sergipe, O Grande Veleiro tem como objetivo complementar o programa pedagógico a que se propõe o projeto Caixa dos Escolhidos, material educativo em formato de caixa de conhecimento, que utiliza os jogos como estratégia de educação para a formação cultural. “Tendo como eixo principal a vida e obra de Arthur Bispo do Rosário, a exposição contribui de forma lúdica com a contextualização de suas singularidades, possibilitando um espaço para o desenvolvimento de atividades educativas e recreativas interdisciplinares, atuando entre literatura, música, arte popular, história, história da arte, ciências e pedagogia”, acrescentou.

Nos três dias que antecedem a abertura da exposição haverá o trabalho de montagem e formação, para os mediadores que irão receber o público nas visitas orientadas. As aulas serão ministradas por Caroline Soares de Souza, representante do Departamento Nacional do Sesc; Jocelino Pessoa, Raquel Fernandes e Ricardo Resende, membros da diretoria do mBrac; e Vanderléa Cardoso.

Arthur Bispo do Rosário

Artista plástico brasileiro, natural de Japaratuba, município sergipano, foi considerado louco por alguns e gênio por outros. A produção de Arthur Bispo do Rosário durou 50 anos dentro da Colônia Juliano Moreira e viabilizou discussões sobre arte e loucura, identidade e territórios, tanto no campo das artes quanto na psicologia e na sociologia, através da literatura, com a biografia produzida pela escritora Luciana Hidalgo.

Segundo pesquisas realizadas pelo crítico de artes, Frederico Morais, a partir da década de 60 Bispo passou a produzir objetos com diversos itens oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, foram classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de misses e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final.

Serviço:
Abertura: 06/04
Horário: 18h30
Local: Galeria de Arte do Sesc
Rua Senador Rollemberg, 301, Bairro São José
*Programação completa no www.sesc-se.com.br

Fonte: Sesc.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

sábado, 30 de maio de 2015

Arthur Bispo do Rosário (1909 - 1989)






Arthur Bispo do Rosário (80 anos), Artista Plástico.
* Japaratuba, SE (14/05/1909).
+ Rio de Janeiro, RJ (05/07/1989).

Arthur Bispo do Rosário foi um artista plástico brasileiro que viveu por meio século recluso em um hospital psiquiátrico. Transitando entre a realidade e o delírio, acreditava estar encarregado de uma missão divina e utilizava materiais dispensados no hospital para produzir peças que mapeavam sua realidade. Valendo-se da palavra como elemento pulsante, manipulou signos e brincou com a construção e desconstrução de discursos para criar bordados, assemblages, estandartes e objetos que seriam, posteriormente, consagrados como obras referenciais da arte contemporânea brasileira.

Pouco se conhece de sua infância e adolescência. O que se sabe é que nasceu na cidade de Jarapatuba, em Sergipe. Uns dizem que em julho de 1909. Outros, em março de 1911. A data mais aceita é 14 de maio de 1909. Aos 16 anos, foi inscrito pelo pai na Escola de Aprendizes de Marinheiros de Sergipe e embarcou num navio como ajudante-geral. Ficou na instituição até 1933, viajando pelo País e colecionando advertências por comportamentos inadequados. Mas também se tornou um bom boxeador. Foi campeão sul-americano na categoria peso-leve.
Quando foi afastado da instituição, estava no litoral do Rio de Janeiro. Sua rotina era perambular pela cidade, fazendo pequenos bicos. Até ser aceito como lavador de bondes da Light. Um dia sofreu um acidente de trabalho e ao levar o caso à Justiça, conheceu o advogado Humberto Magalhães Leoni, que, sensibilizado, convidou Bispo do Rosário para morar num quartinho em sua casa. O sergipano tornou-se ajudante geral da família. Tudo ia bem até que vozes mudaram seu destino.

Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis - doentes psiquiátricos, alcoólatras e desviantes das mais diversas espécies.

Na noite 22 de dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Saiu da casa e começou uma peregrinação por igrejas cariocas. Depois de peregrinar pela Rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar os vivos e os mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como "negro, sem documentos e indigente", e conduzido ao Hospício Pedro II, o hospício da Praia Vermelha, primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto.

Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranoico". Na Colônia Juliano Moreira recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos e, dentro de um quartinho apertado, produziu um dos mais fantásticos conjuntos de obras do País. Tudo alheio ao que acontecia além dos limites do hospício. De forma absolutamente intuitiva, sem frequentar escolas de arte ou ler livros, Arthur Bispo do Rosário deixou acadêmicos abobados com sua expressividade e originalidade.

Na Colônia Juliano Moreira, Bispo do Rosário repetia a história para quem quisesse ouvir: "Vozes dizem para me trancar num quarto e começar a reconstruir o mundo". E assim fez.

Produzia sem parar, mesmo sob forte medicação e choques elétricos. Os companheiros de manicômio o ajudavam na missão, buscando entulhos e papelões que serviriam para seu trabalho. Às vezes ficava meses sem sair do quarto, numa jornada de 16, 18 horas por dia. Sete anos depois, a voz reapareceu: "A obra está concluída".

Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp, o francês que criou o conceito de que objetos do cotidiano poderiam ser levados para o campo das artes. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de misses e objetos domésticos. Tudo com beleza, ineditismo, múltiplos significados. Seguia uma linha convergente ao que se discutia sobre arte contemporânea mundial, mesmo sem ter nenhum contato com influências exteriores.

Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.

Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.

Inserido em um contexto excludente, Bispo do Rosário driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e museus, quando sendo marginalizado e excluído, é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.

Cavalheiro e Solitário.

A fama de Bispo do Rosário se alastrou pela cidade e, depois, pelo país. Bispo do Rosário recebia visitas de estudiosos, artistas, curiosos. Aos que queriam conhecer seu ateliê improvisado, fazia uma intrigante pergunta: "Qual é a cor do meu semblante?". Se não gostasse da resposta, encerrava a visita.

Para quem o chamava de artista, rebatia: "Não sou artista. Sou orientado pelas vozes para fazer desta maneira".

Tornou-se uma lenda, estudado por várias correntes do conhecimento. "É possível analisá-lo pela Psicanálise, pela Sociologia, pela História da Arte, pela Semiótica e pela Antropologia", avalia Jorge Anthonio e Silva, autor de "Arthur Bispo do Rosário – Arte e loucura" (Quaisquer, 2003).

Entre as suas obras de maior impacto, está o "Manto da Apresentação", que Bispo do Rosário deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo do Rosário pretendia marcar a passagem de Deus na Terra. O "Manto da Apresentação" é uma veste com um emaranhado de pequenos símbolos e figuras, como tabuleiros de xadrez, mesas de pingue-pongue, ringues de boxe, crucifixos. Destaca-se também uma espécie de Arca de Noé, construída com papelão e pano, destinada a salvar o mundo. Além de uma nave que o levaria para o céu. Suas obras foram expostas em galerias de arte da cidade. Mas Bispo do Rosário não era muito favorável a que elas saíssem do ateliê. As tratava como filhas, perguntava até se estavam bem.

Bispo do Rosário era um homem sério, de poucas palavras. Um cavalheiro com as mulheres. Gostava de andar limpo e ficava semanas sem se alimentar. Sentia-se um enviado de Deus, uma espécie de Cristo. Gostava de concurso de misses e quase nunca era violento. Mas sempre solitário.

"Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam sempre a dois metros do chão", costumava dizer.

Morte.

Em 5 de junho de 1989, se sentiu mal e foi atendido no setor médico. Estava muito magro pelos jejuns. Morreu horas depois, vítima de infarto, aos 80 anos.

"Ele morreu na solidão de sua cela, sem ver seu império classificado como obra de arte, percorrendo o mundo", disse a escritora Luciana Hidalgo, autora de "Arthur Bispo do Rosário - O Senhor do Labirinto" (Rocco, 1997). "Mas, aos olhos da crítica e do público, já era um artista".
Após várias exposições pelo país, a obra de Bispo do Rosário representou o Brasil na prestigiada Bienal de Veneza, na Itália, em 1995.
Hoje a Colônia Juliano Moreira não funciona mais como manicômio. O espaço abriga o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea.

Fonte: Wikipédia e Almanaque Brasil.

Texto e imagens reproduzidos do blog: famososquepartiram.com

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Arthur Bispo do Rosário, arte e insanidade.



Arthur Bispo do Rosário, arte e insanidade.
Por Pedro Ivo Ambrosoli.

Muito antes dos surrealis­tas, a linha tênue entre o insano e o consciente vem sendo abordada na arte. No Brasil,uma figura expoente na arte popular vivia nesse meio. Seu nome era Arthur Bispo do Rosário (1911- 1989) cujas obras produzidas no hos­pital psiquiátrico onde ficou internado grande parte da vida ganharam tanto reconhecimento do circuito artístico que parte delas representou o Brasil na Bienal de Veneza em 1995.

Na véspera do natal de 1938, o ex-pugilista e lavador de ônibus apa­receu num mostei­ro no Rio de Janeiro afirmando que tivera um delírio místico, dizendo ser um en­viado de Deus, en­carregado de julgar os vivos e os mortos. Diagnosticado como esquizofrênico-para­nóico foi internado primeiramente no Hospício Pedro II e depois na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde viveu por 50 anos não-consecutivos.

Ele agrupava canecas, chapéus botões, garrafas, miniaturas de navios de guerra e caminhões, entre outros objetos, com a intenção de criar um inventário do mundo para ser entre­gue a Deus num trabalho que ques­tiona o limite entre arte e insanidade. Foi comparado, pelos críticos, ao fun­dador do dadaísmo, Marcel Duchamp.

jA sua obra mais conhecida é o “Manto da Apresentação”, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final, com ele, pretendia marcar a passa­gem de Deus na Terra. Os objetos re­colhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos in­divíduos, preparados com preocupa­ções estéticas, onde se percebem carac­terísticas dos concei­tos das vanguardas artísticas e das pro­duções elaboradas a partir de 1960. Esses objetos na obra de Bispo eram dados por funcionários e outros pacientes do mani­cômio que o faziam por escambo ou compaixão.

Utilizava a palavra como elemen­to pulsante. Ao recorrer a essa lingua­gem, manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados de sua vida. Inserido em um contexto ex­cludente, Bispo driblava as instituições a todo momento: a instituição psiquiá­trica na recusa ao receber tratamentos médicos, retirando dela subsídios para elaborar sua obra, além dos museus, quando foi marginalizado e excluído, sendo consagrado como referência da arte contemporânea brasileira.

Bispo tinha o costume de apagar o seu passado, dizendo apenas: “Um dia eu simplesmente apareci”. Manti­nha o mistério sobre sua cidade natal, apesar de os dados biográficos revela­rem a verdade: nasceu em Japaratuba, Sergipe. Para escapar da realidade do centro psiquiátrico, ele criou um mun­do só seu, passava horas em sua cela, imerso em pensamentos. Sobre a sua própria situação e a de seus colegas, tinha opiniões muito particulares: “O louco é um homem vivo guiado por um morto”, dizia. Ou: “Os doentes mentais são como beija-flores: nunca pousam, ficam a dois metros do chão”.

Em 1982 o Museu de Arte Mo­derna do Rio de Janeiro expôs alguns exemplares do universo de Bispo numa exposição coletiva intitulada “À margem da vida”, reunindo presi­diários, menores infratores e idosos. A princípio ele não quis participar, mas depois cedeu algumas obras. Na época, o crítico de arte Frederico Mo­rais ofereceu-lhe uma sala inteira para exposição no MAM, onde Bispo pode­ria se alocar por um tempo, ele nem pensou no assunto. Morreu na solidão de sua cela, em 1989, sem ver seu im­pério, seu mundo, classificado como obra de arte, percorrendo o mundo. Mas, aos olhos da crítica e do público, ele já era um artista em vida.

Fotos e texto reproduzidos do site: maisgloria.com.br

terça-feira, 9 de julho de 2013

Artista plástico Arthur Bispo do Rosário


Artista plástico Arthur Bispo do Rosário (nasceu em 1909, na Cidade de Japaratuba e faleceu em 1989, na Cidade do Rio de Janeiro).

Ele trabalhou ao longo de 50 anos não num ateliê, mas numa cela-forte imunda, dentro de um hospício em condições precárias.

Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (doentes psiquiátricos, alcóolatras e desviantes das mais diversas espécies)... *

Com informações da Wikipédia, a enciclopédia livre.

Foto reproduzida da página do Facebook/Secult Sergipe.