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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Michel de Oliveira lança livro que questiona padrões masculinos

O lançamento ocorre dia 1º (Foto: Renata Lohmann)

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 29 de janeiro de 2019 
       
Michel de Oliveira lança livro que questiona padrões masculinos

Depois do Porto Alegre e Londrina, é a vez de Aracaju receber o escritor e jornalista Michel de Oliveira para o lançamento de “O sagrado coração do homem”, seu segundo livro de contos. A noite de autógrafos será no dia 1º de fevereiro, sexta-feira, às 18h, na Doca, localizada na Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 271, São José.

O escritor afirma que é com grande expectativa que retorna a Aracaju para o lançamento. “O plano inicial era fazer o primeiro lançamento aqui, mas precisei adiar. Agora realizo o desejo de lançar o livro em minha terra. Será uma oportunidade de reencontrar amigos e conversar sobre as coisas que tenho escrito”, revela.

Discussão necessária

A noite de autógrafos será no dia 1º de fevereiro, 
sexta-feira, às 18h, na Doca, localizada na 
Rua Nossa Senhora do Socorro, nº 271, São José 
Foto: Divulgação

O livro reúne 47 contos e excertos aforísticos sobre o universo masculino, apresentando histórias que expõem as estruturas machistas da sociedade, como a violência, a repressão dos sentimentos e os medos que são silenciados.

“Passamos por muitas transformações nas últimas décadas. Apesar disso, muitos homens insistem em repetir padrões e comportamentos danosos para a sociedade. Precisamos trazer essas questões para a discussão e a literatura é um importante meio para fazer refletir sobre o que vivemos”, destaca Michel.

“O sagrado coração do homem” foi selecionado na 3ª temporada de originais da Editora Moinhos, casa editorial que tem se destacado no cenário nacional com a descoberta de novos escritores e com a publicação de clássicos como José de Alencar, Henrik Ibsen e Adília Lopes. Um trecho da obra pode ser lido aqui.

Sobre o autor

Michel de Oliveira é natural de Tobias Barreto, graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela UFS, trabalhou em jornais e assessorias de imprensa da capital, atualmente vive em Porto Alegre, onde cursa o doutorado em Comunicação e Informação.

Estreou na literatura com o livro de contos “Cólicas, câimbras e outras dores” (Oito e Meio, 2017), obra finalista do Prêmio Sesc de Literatura e da 1ª Maratona Carreira Literária.

Fonte: assessoria de imprensa

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Entrevista | Michel de Oliveira

Foto: Renata Lohmann

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 28/01/2019

Entrevista | Michel de Oliveira 

"O livro sou eu me desnudando diante do espelho"

É em ‘O sagrado coração do homem”, que o jornalista de escrita poética e escritor de realidades individual e coletiva silenciada, Michel de Oliveira, se despe e instiga o leitor ao reboliço de entranhas nada visíveis ao reflexo do espelho. O segundo livro do jovem doutorando, em momento mais que propício, será lançado, aberto a reflexões e entendimentos no próximo dia 1º de fevereiro, às 18h, na Doca, situada à Rua Nossa Senhora do Socorro, 271, São José. Será uma noite de autógrafos e (re) encontros com amigos e ‘eus’. Foi sobre o livro e um pouco mais que o JORNAL DA CIDADE conversou com Michel de Oliveira.

JORNAL DA CIDADE - Esse segundo livro questiona a estrutura do patriarcado e é lançado em um dos momentos mais controversos que vivemos sobre o assunto. Em que ponto do debate sobre questões machistas o livro se situa?
MICHEL DE OLIVEIRA - Em um ponto primário, que é não ser condescendente com essa estrutura. Nós, homens, temos problemas e somos um problema; é importante assumir isso. Passamos por muitas mudanças sociais nas últimas décadas, temos um novo levante feminista, o fortalecimento de discussões sobre gênero, raça e classe. Nós, homens, em vez de aproveitarmos essa reformulação para se repensar e cooperar, atrapalhamos, como bons meninos mimados que somos. Há muito tempo chegamos em um ponto insustentável no que diz respeito à sociedade voltada para beneficiar os homens, e passou da hora de isso mudar. Gostaria que o livro fosse um chamado à responsabilidade que não temos assumido.

JC - Repensar a masculinidade, no livro, é resultado de um processo de autodescoberta? É possível que o leitor também embarque numa jornada de autoconhecimento?
MO - O livro sou eu me desnudando diante do espelho e lidando com o incômodo disso. Foi resultado de uma crise profunda por assumir que eu, sempre com um lindo discurso de igualdade e louvor às mulheres, também era machista. Essa consciência resultou em um profundo desconforto em descobrir que as mudanças são muito mais complexas. É muito fácil escrever ou falar frases bonitas para ganhar likes nas redes sociais, mas repensar nosso lugar no mundo e como nosso comportamento impacta na sociedade é bastante embaraçoso para nós mesmos. Ficarei muito satisfeito se os contos trouxerem algum tipo de reflexão para quem lê, em especial para os homens. Se ao terminar o livro os leitores e leitoras puderem dizer para si mesmos “eu sou machista”, será um grande passo.

JC - Tanto em “Cólicas, câimbras e outras dores” quanto em “O sagrado coração do homem”, o texto nos leva a inúmeros momentos de quebra de expectativas, com personagens que carregam uma humanidade pouco vista em obras de ficção - e, por isto mesmo, quem lê se pergunta o que, de fato, é real. De onde vêm essas histórias?
MO - A inspiração dos contos vem de vários lugares, são resultado da observação que faço das coisas ao redor. Gosto de andar na rua, de ver como as pessoas se comportam, imaginar como vivem e o que sentem. Meus personagens estão sempre em alguma margem; gosto de investigar como as pessoas resistem a situações tão duras e desgraçadas, isso me ajuda a persistir.

JC - Em qual momento da trajetória o jornalista deu lugar ao escritor?
MO - O escritor veio antes de tudo. Escrevia desabafos e cartas desde a adolescência. Escrever sempre foi a forma como me comuniquei melhor - é como eu me aproximo de maneira mais direta das pessoas. Optei pelo jornalismo porque queria escrever. Tudo o que fiz profissionalmente está ligado à escrita, inclusive me dedicar à pesquisa, que, na área das humanidades, exige um alto grau de manejo do texto. Escrever ficção sempre foi uma imaginação distante: quem sabe um dia, eu pensava. Depois de terminar o mestrado, percebi que sempre escrevia por demanda, e fiz a pergunta que todo mundo deveria se fazer: e se eu morrer agora, estarei satisfeito? Foi quando decidi escrever algo meu para jogar no mundo, aí nasceu o “Cólicas...”. Depois disso as portas da ficção se abriram e cá estou eu lançando o segundo livro e com outros projetos em andamento.

JC - Você está lançando o segundo livro em um intervalo curto em relação ao primeiro, em um momento de colapso das livrarias. Quão desafiador é ser escritor?
MO - Foi pouco mais de um ano do primeiro para o segundo livro. De fato, é um tempo curto e isso decorre da minha ansiedade e vontade de produzir. Ser escritor de ficção é um grande desafio e isso não vem de agora: a maioria dos nossos clássicos nacionais, como Machado de Assis e Lima Barreto, tinham emprego formal e a escrita era uma paixão que não colocava comida na mesa. Hoje, isso parece estar ainda mais complicado, as demandas de vida são cada vez mais ágeis, e a escrita demanda tempo, paciência e silêncio. Ser escritor nacional contemporâneo é um desafio. Além dos baixos índices nacionais de leitura, na lista de prioridades de quem lê estamos em último lugar. Primeiro vêm os mortos, com seus livros clássicos, depois os autores estrangeiros vivos, os autores nacionais consagrados e, por fim, nós, desconhecidos, buscando um lugar ao sol. Escrever é a parte fácil, por mais irônico que possa parecer. Ser publicado também não é nada impossível, ainda mais com algumas facilidades proporcionadas pela internet. Agora encontrar quem leia, eis um grande desafio. Por isso tenho profundo respeito por meus leitores, são eles que fazem o esforço valer a pena.

JC - O que significa para você lançar esse livro em Aracaju?
MO - Saí de Aracaju como jornalista e volto como como escritor iniciante. Muitos ainda não conhecem essa faceta, então o lançamento é bem significativo para demarcar essa nova fase de minha trajetória pessoal. Sergipe foi onde finquei raízes. Em Aracaju comecei minha formação e escrevi os primeiros contos, em noites de insônia. Por isso dá um frio na barriga; parece que é uma responsabilidade maior. Mas sei que é aqui o lugar onde sempre encontro acolhida, então esse lançamento será um momento de celebração. Será uma satisfação encontrar novos leitores na minha terra.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Sergipano lança o livro ‘O sagrado coração do homem’

Na próxima sexta-feira, 7 de dezembro, às 19h, 
o escritor e jornalista sergipano Michel de Oliveira lança
“O sagrado coração do homem” 
Foto: Divulgação

Publicado origunalmente no site do Portal Infonet, em 02/12/2018 

Sergipano lança o livro ‘O sagrado coração do homem’

Na próxima sexta-feira, 7 de dezembro, às 19h, o escritor e jornalista sergipano Michel de Oliveira lança “O sagrado coração do homem”, seu segundo livro de contos, na Livraria Taverna, em Porto Alegre.

A obra aponta as fragilidades do universo masculino, constituindo um catálogo de histórias em que homens são protagonistas com seus medos, violências e angústias silenciadas. Evidenciando as estruturas machistas da sociedade, que se apresentam em todos os âmbitos, como a religião, a história, a ciência e a própria literatura.

O escritor conta que a ideia do livro surgiu quando assumiu o próprio machismo e compreendeu de maneira mais aprofundada como tudo está formatado para beneficiar os homens. “Espero que os contos motivem leitoras e leitores a refletir sobre esse tema, que é urgente para repensar a sociedade”, comenta Michel.

Lançamentos

Depois de Porto Alegre, o livro será lançado em Londrina, no dia 14 de dezembro, e em Aracaju, com data a ser confirmada.

Além da versão impressa, o livro será distribuído em e-book, e já está em pré-venda na Amazon e na Livraria Cultura.

Sobre o autor

Michel de Oliveira é natural de Tobias Barreto, graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe. Atualmente vive em Porto Alegre, onde cursa o doutorado em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Estreou na literatura com o livro “Cólicas, câimbras e outras dores” (Oito e Meio, 2017), obra que foi finalista do Prêmio Sesc 2017 e da 1ª Maratona Carreira Literária.

Fonte: Capitular Assessoria Literária

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 26 de setembro de 2017

“Eu me doo, você se dói, nós nos doemos”

Foto: Renata Lohmann/Divulgação

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 25/09/2017 

“Eu me doo, você se dói, nós nos doemos”

Com empatia e uma sensibilidade a cada conto escrito, Michel de Oliveira acaba de lançar o primeiro livro, intitulado ‘Cólicas, câimbras e outras dores’.

Por: Gilmara Costa/ Equipe JC

É no encontro com a dor do outro, a qual ele não consegue mensurar, mas escreve em vãos brancos de papel o que seria aquele incômodo, sangrento por vezes, escondido em outros. Com empatia e uma sensibilidade a cada conto escrito, Michel de Oliveira, cria sergipana que hoje reside em Porto Alegre (RS), onde faz Doutorado, acaba de lançar o primeiro livro. Intitulado ‘Cólicas, câimbras e outras dores’, a publicação compartilha ansiedades, medos, angústias nossas de cada dia. É sobre elas, o processo de criação, a revelação do ‘eu’ e de ‘tus’, que o JORNAL DA CIDADE conversou com o jovem autor. Boa leitura e dores compartilhadas!

JORNAL DA CIDADE - Que dores são essas acumuladas em ‘Cólicas, câimbras e outras dores’?

MICHEL DE OLIVEIRA - Acredito que sejam dores silenciadas, das angústias que não se falam, de cenas tão ordinárias que são ignoradas. Muitas das histórias giram em torno de um cotidiano nada espetacular, do dia a dia que pode ser enfadonho, mas também cheio de experiências que são extremamente significativas para a vida.

JC - Foi doloroso o processo de imersão, mais popularmente falando ‘meter dedo na ferida’, e fazer escrever essas linhas de ansiedade, angústias, agonia?

MO - O processo foi mais incômodo que doloroso, pois não posso dizer que são dores minhas, isso seria muito cinismo. Melhor considerar que foi uma tentativa de me aproximar das dores alheias, em um exercício imaginativo e incompleto de entender as aflições do outro. É como se eu olhasse a vida de alguém pela janela e me deixasse me afetar, sem fazer julgamentos. Ao propor o tema das dores como fio condutor da obra, acabei me deparando com as muitas dores silenciadas das mulheres, por isso maior parte das personagens são femininas, o que me obriga a tentar compreender além de mim, de ser homem em um mundo feito por e para homens. Nesse sentido, houve um choque pessoal ao contar essas histórias, pois por mais que racionalmente discutamos a perversa condição da mulher em nossa sociedade, tudo não passa de discurso. Então, me colocar diante dessas dores fêmeas, ainda que como exercício de imaginação, me fez repensar muitas coisas. E se na ficção isso já é incômodo, na vivência de carne e osso, para a maioria das mulheres, é ainda pior.

JC - É você autor revelado ou escritos de ‘um segundo tu’? 

MO - Talvez o autor se revele quando se esconda e se mostre quando tenta se esconder. Mas mais do que projeções do meu próprio eu na história, creio que tem muito da minha visão de mundo, ou do que me incomoda por não ser compreensível, ou que me choca por ser brutal, ou que me resigna a aceitar a vida como é, com tantas incoerências. Então além do “eu” e do “tu”, que sempre se fazem presentes, tem uma busca pelo “nós”, e as dores foram o caminho para encontrar isso, o que é comum e que pode provocar alguma aproximação. Tanto que um dos personagens questiona: “Quem te dói?”. Eu me doo, você se dói, nós nos doemos, e por mais que as dores sejam sempre pessoais, o fato de doer nos une. E talvez parar de negar que há, sim, muitos momentos doloridos na vida, nos ajude a ter alegrias mais sinceras e risos menos forçados.

JC - Há quanto tempo latejavam essas dores e que agora chegam compartilhadas?

MO - O primeiro conto foi escrito em 2011, quando eu ainda trabalhava como repórter, estando sujeito às mais variadas histórias, de pessoas que comiam do lixo à mãe que presenciou o abuso da filha e teve que ficar calada escondida no banheiro para que ambas não fossem mortas. No começo, eram apenas rabiscos, que eu colocava no papel em noites de insônia, para tentar dormir quando alguma ideia ficava ecoando na cabeça. Depois decidi levar a brincadeira mais a sério e passei a organizar os contos que acabaram sendo materializados no livro. Isso foi no começo de 2015, depois que terminei o mestrado e fiquei com tempo livre. Quando consegui organizá-los, inscrevi o original em concursos e recebi o convite das editoras da Oito e Meio para publicá-lo.

JC - O livro foi uma forma de neutralizá-las?

MO - Além de ajudar a neutralizar as dores externas que se juntavam às minhas próprias dores, foi uma tentativa de expor isso de alguma forma, pois a ficção tem a estranha potência de ajudar a repensar nossa forma de estar no mundo. Talvez gritar tantas histórias incômodas seja uma forma de, paradoxalmente, tentar encontrar outras formas de existir que sejam menos dolorosas.

JC - Ao mesmo tempo, o lançamento é mais uma dor desconhecida? Tipo, uma dor de parto?

MO - Sim, o lançamento é um grande incômodo. É um processo que me deixa vulnerável, pois ao mesmo tempo em que quero expor isso para o mundo, tem a insegurança de apresentar algo seu para o julgamento público. Sempre brinco que o lançamento é um parto, mas tenho consciência que é uma metáfora cretina da minha parte. Mas se nascer alguma coisa desse processo e a cria for muito mal-educada, a culpa não é minha, ela tem vida própria.

JC - Conquistar leitores sempre é um desejo, meta como escritor ou a publicação é mais uma realização meramente pessoal?

MO - Aparentemente todo escritor oscila entre a exibição narcísica e certo desejo de encontrar alguma acolhida e diálogo com o outro. São forças bem contraditórias que motivam o processo de escrita e, mais ainda, de juntar isso num livro e publicar. Se fosse só uma realização pessoal, bastava imprimir e ficar contemplando a própria obra, ou escrever e guardar para mim mesmo, como um diário. Aí é onde entra o desejo de acolhida, de querer que essas histórias não morram em si, que também impactem o outro e faça nascer algum diálogo. O livro não se basta, a história não está nas letras, mas no fato de que alguém escreveu e outro alguém vai ler. É no encontro dessas duas pontas que a obra nasce, por esse motivo que os leitores são tão importantes quanto o autor. E o autor sempre espera que sua obra seja muito lida, pois também é um exibicionista.

JC - Depois de Porto Alegre (RS), pretende fazer o lançamento em outras cidades, especialmente em Sergipe?

MO - O lançamento em Porto Alegre aconteceu pela precariedade financeira do autor, para usar um eufemismo. E, por sorte, aqui encontrei amigos que apoiaram essa insanidade de me aventurar pela literatura. Mas sou do calor e minha fala é cantada, sou enraizado no sertão e criado com cuscuz, então espero, muito em breve, poder voltar para casa, e não só por causa do livro, mas para matar a saudade do meu povo e comer muito acarajé e tapioca.

JC - Há mais dores por vir?

MO - Sempre há dores por vir, inclusive no que se trata de literatura, pois publicar um livro não é nada fácil em um país com índices tão baixos de leitura. Mas há também muitas alegrias, um tanto de frustrações, ilusões e esperanças, pois tudo isso faz parte da vida. Tem outras histórias em andamento, muitos contos, que é meu principal gênero narrativo e, quem sabe, um romance, por que não?

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net