Artigo compartilhado do site SÓ SERGIPE, de 4 de setembro de 2026
Ele, João Alves Filho, descrito por eles
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Em novembro de 2020, pelo jornal Correio de Sergipe, publiquei um artigo sobre a importância de João Alves Filho (1941-2020) para a cidade de Lagarto. Na oportunidade, de modo particular, destaquei uma data: julho de 1986. Quando, como resultado de sua preocupação com a melhora das condições do homem do campo por meio do projeto Chapéu de Couro, ele inaugurou a Barragem Dionísio de Araújo Machado, represando cerca de 15 bilhões de m3 das águas do Rio Piauí. O feito ocorreu na gestão do prefeito Artur de Oliveira Reis (1983-1988), obra que segue sendo fundamental para a região até hoje.
Em 2022, foi publicada a sua primeira biografia, de autoria dos escritores Déborah Pimentel e Igor Salmeron, intitulada João Alves Filho: A Saga de um Político Nordestino. Um calhamaço com mais de quatrocentas páginas, que cobre as diversas fases do Negão, como era conhecido carinhosamente pelo seu povo e admiradores, incluindo suas gestões como prefeito de Aracaju, Ministro de Estado e governador de Sergipe.
Agora é a vez dela, sua irmã Marlene Alves Calumby, de trazer à tona outros aspectos da trajetória de vida de João Alves Filho. Para tanto, contou com a colaboração de outros (eles e elas), para organizar a obra Ele, descrito por eles. De antemão, estes trocadilhos pronominais são propositais, dado que, na minha leitura e percepção do livro, pude estar diante de inúmeros Joões. Do João de Anderson Nascimento ao João da organizadora, que teve o privilégio de viver com o homenageado em sua intimidade e de, também, trabalhar com ele nas lides administrativas e da política.
Em trezentos e setenta e seis páginas, impressas pela J Andrade, os colaboradores nos convidam a conhecer João Alves Filho sob diversas facetas, todas elas se encontrando na figura de um homem público devotado às causas populares. Para tanto, Marlene Calumby convocou alguns confrades da Academia Sergipana de Letras, políticos, juristas, empresários, profissionais liberais e clérigos para compor um expressivo itinerário: José Anderson Nascimento (prefácio e capítulo), Igor Leonardo Moraes Albuquerque (apresentação e capítulo), Aglaé Fontes, Artêmio Barreto, Aurélio Belém, Carlos Batalha, Hermínio de Aguiar, Carlos Pinna Júnior, Dilson Barreto, Eduardo Lima, Etélio de Carvalho, Flamarion d´Ávila Fontes, Georlize Oliveira, Gilmar Melo, José Carlos Machado, padre José Lima Santana, Mendonça Prado, Osório de Araújo Ramos Filho, Saumíneo Nascimento, Sérgio Silva, padre Vatewan Cruz, Venâncio Fonseca. Afora os anexos, com textos de João Alves, Ângela Margarida, Jane Guimarães e Lilian Gomes. Há textos dela também, na obra.
Entre eles, os Joões, é possível percebê-los não somente na perspectiva da política, seu mote existencial: “o Pelé da política sergipana”, como bem define Venâncio Fonseca. Mas também sua contribuição no campo cultural, por exemplo, a partir dos textos da professora Aglaé, da sua preocupação, enquanto gestor público, com destaque para o Teatro Tobias Barreto, uma das principais casas culturais até a presente data. O João escritor, por José Anderson Nascimento, que lhe valeu uma cadeira na Academia Sergipana de Letras. O João da educação, da economia, da agricultura, da saúde, do turismo, das grandes obras (inclusive, estruturais), da segurança pública, da engenharia e o João da Imaculada Conceição, sua madrinha de batismo.
Como bem define José Anderson Nascimento, Ele, descrito por eles é um “livro sobre feitos” (p. 8). Em que, reforça Igor Leonardo Moraes Albuquerque, “suas ideias, conquistas e realizações permanecem na vida e no imaginário do sergipano” (p. 11). E nesse diapasão, do imaginário, sobretudo no meu de criança e adolescente em Lagarto, o João das inesquecíveis campanhas municipais e governamentais: o homem de óculos escuros (daqueles que caminhoneiro gosta de usar), sorriso alvo e largo, chapéu de couro na cabeça, de discurso forte, preciso e persuasivo. Ou ainda, como bem arremata Marlene Calumby, “um homem de êxito cuja ambição foi sempre construir, permanecendo em movimento” (p. 16).
Enfim, ela, eles e elas foram muito felizes em descrevê-lo para nós, agregando valor à biografia de um dos maiores líderes políticos sergipanos e da vida pública nacional. Perfis como o de João Alves Filho estão em extinção. Discorde ou não de suas práticas ou mesmo ideologias, foi e é reverenciado até hoje, inclusive por aqueles que lhe fizeram oposição. O João da arte de fazer política, o João da ponte, o João do povo, enfim, o João descrito por eles.
Texto e imagem reproduzidos do site: sosergipe com br
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