sábado, 2 de novembro de 2013

Praça São Francisco foi considerada patrimônio pela Unesco


História e arquitetura são destaques de São Cristóvão, em Sergipe.

Joelma Gonçalves Do G1 SE.

Quarta cidade mais antiga do Brasil fica a 23km da capital Aracaju.
Praça São Francisco foi considerada patrimônio pela Unesco.

O turista que estiver em terras sergipanas se encanta ao deixar o litoral de águas mornas e viajar cerca de 30 minutos rumo ao município de São Cristóvão, a 23 quilômetros da capital Aracaju. O visitante poderá conhecer de perto a história, a arquitetura e os sabores de uma cidade que mantém viva as tradições acumuladas ao longo de séculos de existência.

Quarta cidade mais antiga do Brasil e primeira capital de Sergipe, São Cristóvão tem como símbolo a Praça São Francisco, que foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A cidade ainda esconde em suas ruas e ladeiras a história de invasões holandesas e grandes criações arquitetônicas, que fazem do lugar um passeio na história.

O folclore é passado através das gerações e mantém vivas as danças típicas como: Reisado, Chegança, Caceteira, Langa, São Gonçalo, Barcamateiros e Samba de Coco.
O melhor horário para conhecer São Cristóvão é pela manhã, quando museus e igrejas estão abertos. Depois, os visitantes podem caminhar pela cidade e conhecer mais de perto a beleza de sua arquitetura, realçada pelos casarões coloniais que ainda preservam suas fachadas. As ruas de pedra também impressionam pela conservação. O visitante que decidir fazer o roteiro no período da tarde deve ficar atento ao relógio, pois os locais de visitação funcionam até as 16h, e a maioria dos comerciantes segue o mesmo horário.

“Escolhi conhecer São Cristóvão justamente pela questão histórica. Sempre que a nossa família viaja para alguma cidade gostamos de conhecer o Centro Histórico. Aqui, fiquei encantada com toda essa história de eira, beira, tribeira [telhado dos casarões que diferenciava seus moradores por classe social]. Estamos num lugar onde os escravos estiveram e nos sentimos como há 500 anos”, disse Janeide Ramos, servidora pública, de Brasília.

Entre os locais mais procurados para visitação está o Museu Histórico de Sergipe, localizado na praça São Francisco. É no prédio do século XVIII que estão abrigados os principais elementos que ajudam a contar a história de Sergipe. O acervo reúne relíquias como o famoso quadro de Horácio Pinto da Hora, que retrata Ceci e Peri [eles são os personagens principais do romance, O Guarani, do escritor José de Alencar], móveis, documentos, moedas, louças e outros objetos que revelam a importância de São Cristóvão no contexto histórico.

Também da praça São Francisco, os visitantes podem conhecer a igreja e o convento de mesmo nome, administrado pelas irmãs Carmelitas, e o museu de Arte Sacra, que reúne um dos acervos mais completos do país. Vale a pena visitar o prédio da Santa Casa de Misericórdia, que passou a funcionar como orfanato em 1911 e em 2001 foi transformado no Lar da Ordem Imaculada Conceição.

Ali bem perto está a igreja matriz, Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade, que foi construída no século XVIII, entre os anos de 1608 e 1616, e a igreja de Nosso Senhor dos Passos, também do mesmo século, que tem em seu anexo o museu dos Ex-votos.

No prédio ao lado, fica a Igreja da Ordem Primeira do Carmo, em reforma, e o convento do Carmo, onde irmã Dulce, beatificada em 23 de maio de 2011, passou alguns meses no ano de 1933. No pequeno quarto onde a freira passou seus dias é possível encontrar réplica de objetos pessoais e documentos sobre a sua passagem por São Cristóvão. O local é aberto à visitação de terça a domingo, das 10h às 16h. Atualmente, o convento é administrado pelos freis carmelitas.

Quem decidir fazer o passeio a esses locais sem um guia turístico pode contar com a presença de monitores devidamente orientados a relevar a história e os encantos da cidade. Em poucas horas é possível visitar todos os locais históricos e sair conhecendo um pouco de São Cristóvão e do Brasil. Vale lembrar, que fotografias e filmagens das igrejas só são permitidas sem o recurso do flash, já nos museus, fotos são proibidas.

O Museu Histórico de Sergipe e o Museu de Arte Sacra cobram R$ 5 por visitante (estudantes pagam meia). Militares, professores, idosos com idade acima de 60 anos e crianças menores de 12 estão isentos do pagamento da taxa. O horário de funcionamento dos museus é das 10h às 16h, de terça a domingo. No museu de Ex-votos a entrada é gratuita.

Queijada

Visitar São Cristóvão e não provar uma queijada é apontado como falta grave entre os moradores da cidade. Tudo isso porque, segundo eles, não se trata apenas de um doce de coco, mas de uma tradição secular.
O doce que era preparado pelos escravos, mistura coco, farinha do reino, açúcar, margarina e ovos, e um toque todo especial das mãos de quem aprendeu, desde cedo, a valorizar os sabores de sua terra. Marieta Santos, 68, que faz as queijadas mais famosas da cidade, fala dessa tradicional receita, mas sem revelar como misturar os ingredientes.

Além da queijada, a família de Marieta também fabrica cocadas e os licores de Tamarindo e Genipapo, vendidos ao preço de R$ 10 e igualmente famosos pelo sabor.

Bricelets

O biscoito com sabor leve de laranja é uma tradição na cidade por ser feito pelas mãos das freiras da ordem da Imaculada Conceição. A sugestão é experimentar a delícia acompanhada de café. O lanche pode ser feito no prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia, na praça São Francisco, das 7h às 17h, de segunda a domingo. Um pacote de Bricelet, com cinco unidades, sai ao preço de R$ 2, e o cafezinho a R$1. No local o turista pode conhecer a construção do ano de 1610 e ouvir de quem serve os lanches histórias sobre a construção.

Bonecas de pano

Em São Cristóvão, as bonecas de pano parecem resistir ao tempo e a todas as modernidades. As bonequeiras da cidade, como são conhecidas as artesãs que fazem as bonecas de pano, trabalham para não deixar a tradição desaparecer.

“O que mais gosto do nosso trabalho é que nenhuma boneca que a gente faz fica igual à outra. Sempre sai alguma coisa diferente. Nelas, procuramos destacar o folclore a força histórica de nossa cidade. Cada boneca é como uma filha que a gente coloca no mundo”, resume a bonequeira, Rosângela Maria Santos.

Foto: Joelma Gonçalves/G1 SE.
Imagem e texto reproduzidos do site: senoticias.com.br/se

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