quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Homenagens pelo Centenário de Ofenísia Soares Freire (1913 - 2007).


Fotos: Victor Ribeiro/ASN.

ASN, Aracaju, 08 de Janeiro de 2014.

Governador descerrou placa e inaugurou busto em homenagem à intelectual sergipana.

A história de Ofenísia Soares Freire inspira e orgulha Sergipe, uma mulher de ideias e ações à frente do seu tempo, mestra, militante política, escritora e acima de tudo um exemplo, que inspirou - e continua inspirando - várias gerações sergipanas, sobretudo aqueles que foram alunos do Colégio Atheneu Sergipense, onde a professora lecionou por muitos anos.

Por reconhecer a importância de Ofenísia Freire, seja como educadora ou como expoente intelectual e político, o Governo do Estado realizou na tarde desta quarta-feira, 8, uma programação voltada a homenagear o centenário da mestra, que, caso estivesse viva, teria completado 100 anos no último dia 6 de dezembro. O governador de Sergipe, Jackson Barreto, idealizador das homenagens, e ex-aluno da professora, disse se sentir honrado em poder prestar tais homenagens à intelectual.

“Quis o destino, com essas coisas que preparam para a vida da gente, que eu fosse governador do Estado no ano do centenário de Ofenísia, um ex-aluno, admirador e amigo daquela velha companheira da Rua de Boquim, nº 457. Ofenísia representa a história das mulheres sergipanas, das guerreiras deste estado, como professora, intelectual e militante política. Era uma mulher tão corajosa, que no processo de redemocratização do Brasil, após a ditadura de Vargas, foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista Brasileiro. Uma mulher antenada, à frente do seu tempo”, afirmou Jackson, durante a solenidade de descerramento de placa em homenagem a Ofenísia Freire, no Colégio Atheneu, acompanhado de ex e atuais alunos da instituição de ensino, antigos colegas de profissão e familiares da professora, autoridades do Estado e admiradores de Ofenísia.

O governador salientou ainda, que as homenagens não ocorreram na data adequada, 6 de dezembro de 2013, devido ao falecimento de Marcelo Déda à época.

Emocionado, o filho da homenageada, Ivan Freire, mal conseguia expressar por palavras a felicidade em presenciar a dedicação do Estado em reconhecer e homenagear sua mãe. “Quero agradecer esse presente maravilhoso ao comemorarmos o centenário da minha mãe. Meu coração está emocionado, porque tem 7 anos que minha mãe faleceu e vocês não esqueceram dela nesta data e trazem estas belas lembranças em forma de homenagens”.

Após a homenagem no Atheneu, todos se dirigiram à Academia Sergipana de Letras, para a solenidade de inauguração do busto em homenagem à professora. A iniciativa da confecção da placa e busto homenageando a Ofenísia Freire foi do Governo do Estado de Sergipe. A placa foi confeccionada pelo artista Leonardo Leal Santana e mede 70 cm (altura) por 80 cm (largura). Também confeccionado pelo mesmo artista, o busto conta com 65 cm de altura por 40 cm de largura e fica sobre pedestal em granito com 1,05 cm de altura.

Academia Sergipana

Ofenísia Freire ocupou a cadeira nº 16 da Academia Sergipana de Letras. Ana Medina, sucessora da cadeira destacou a postura vanguardista da professora. “A intelectual, a literata, integrante dos conselhos de Educação e Cultura, jornalista, pianista, oradora, acadêmica, mestra de tantas gerações, mulher engajada nos movimentos políticos, qual o melhor poder para distingui-la?”, indagou a acadêmica ao listar as multifacetas de Ofenísia.

Para a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, o que mais lhe tocou, como mulher, ao pesquisar um pouco da biografia da professora Ofenísia, foi o fato da intelectual ter sido uma precursora em um contexto extremamente adverso para as mulheres.

“Ela marcou época exatamente por ser uma mulher que se posicionou no meio dos homens e conseguiu se destacar, só por isso ela já mereceria todas as homenagens. Mas, esta foi uma solicitação direta do governador Jackson Barreto que nos permitiu promover uma verdadeira imersão de parte do Governo na história de uma mulher que tem um significado muito grande para intelectualidade, para a formação política de uma geração de sergipanos. O que vimos aqui, durante esta programação, foi uma aula, na qual as pessoas se emocionaram, e passaram para gente, ao se emocionarem, momentos da história recente e da história política e acadêmica do nosso estado”, explicou a gestora da pasta responsável pela coordenação das homenagens pelo Centenário de Nascimento da professora Ofenísia Freire.

O ex-aluno do Atheneu, e ex-secretário da Educação do município de Nossa Senhora do Socorro, Welligton Mangueira, recordou das orientações da professora aos estudantes do Atheneu, membros do grêmio estudantil e militantes políticos. “A professora Ofenísia sempre foi o orgulho de todas as gerações do Atheneu. Foi ela quem nos apresentou a beleza da filosofia e de ler “O Manifesto Comunista”, de Friedrich Engels e Karl Marx, e muito antes de qualquer um defini-lo como uma obra,também, literária, era já o definia, em 1963”, destacou Mangueira.

A homenageada

Ofenísia Soares Freire nasceu em 06 de dezembro de 1913, em Estância. Mudou-se para Aracaju nos anos 1930 e, a partir daí construiu uma biografia como professora, militante política e intelectual. Lecionou Língua Portuguesa e Literatura em colégios públicos e particulares, a exemplo do Atheneu e do Tobias Barreto.

Casada com Filemon Franco Freire, funcionário público, Diretor do Tesouro do Estado no Governo de Seixas Dória, Ofenísia Freire alternou as atividades do magistério com a militância política. Filiada ao PCB, engajada no processo de redemocratização do País, candidatou-se em 1947 a deputado estadual. Com o PCB proscrito e seus militantes na clandestinidade, Ofenísia Freire voltou-se à cátedra.

À época do movimento militar de 1964, Ofenísia integrava o Conselho Estadual de Educação, quando teve seu mandato extinto e foi afastada do magistério do Atheneu.

Já aposentada e viúva, passou a dedicar-se a atividades intelectuais, tomando parte em conferências e debates e integrando instituições culturais, como a Academia Sergipana de Letras, para a qual foi eleita em 1980, na vaga do poeta Abelardo Romero. Também em 1980 publicou seu livro A Presença feminina em Os Lusíadas (reeditado pela Edise/Segrase em 2013). Foi membro do Conselho Estadual de Cultura, Secretária Municipal de Cultura, na gestão José Carlos Teixeira (1985), e Vice Presidente da Academia Sergipana de Letras. Faleceu em 24 de julho de 2007.

Presenças

Participaram das solenidades os secretários de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, da Infraestrutura, Valmor Barbosa, da Educação, Belivaldo Chagas, da Comunicação, Carlos Cauê, do Trabalho, Fábio Mitidieri, do Esporte e Lazer, Maurício Pimentel, da Fazenda, Jeferson Passos, do Meio Ambiente, Genival Nunes, da Segurança Pública, João Eloy e da Controladoria Geral do Estado, Adinelson Alves; os subsecretários de Estado de Articulação com os Municípios, Jorge Araújo, de Articulação com os Movimentos Sociais e Sindicais, Francisco dos Santos e de Desenvolvimento Energético Sustentável, Oliveira Júnior.

Assim como, a deputada estadual, Ana Lúcia; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa; a superintendente da Polícia Civil, Catarina Feitosa; os secretários adjuntos de Estado da Segurança Pública, João Batista, e da Comunicação, Sales Neto; os presidentes da Cohidro, Mardoqueu Bodano, da Fundação Aperipê, Luciano Correia e da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento; o diretor do Atheneu, professor Genaldo Lima; familiares, ex-colegas e ex-alunos da professora Ofenísia Freire.

Fotos e texto reproduzidos do site: agencia.se.gov.br 

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