sexta-feira, 12 de maio de 2017

Museu Capunga, no município de Moita Bonita




Publicado originalmente no blog São João da Gente/Sergipe, em 25/06/2015.

As relíquias do Museu Capunga.
Por Priscilla Bittencourt (repórter do São João da Gente).

Há alguns anos seu José Vicente recebeu de herança um baú carregado de inspirações. Não era nada de valor comercial, afinal de contas, o avô dele, seu Domingos Castiliano viveu a vida com muita simplicidade.

Seu Domingos era lavrador, de um sítio pequeno no povoado Capunga, município de Moita Bonita, agreste de Sergipe. Criou os filhos e os netos na base da macaxeira, da batata e das criações da propriedade. Foi ali, ainda menino, que seu José Vicente aprendeu a ser um tanto sonhador. Fazia das mangas, gado leiteiro, das latas, perna de pau. Era dominador de árvores e domador de insetos.

No baú do avô Domingos havia uma porção de moedas antigas. Tinham também canetas e outras quinquilharias de tempo que seu José mal podia lembrar. Quando viu aquilo, guardado com tanto carinho, seu José Vicente de repente teve uma ideia que o perseguiria por toda vida.

Passou então a acumular todo tipo de objeto antigo que lembrasse aquele Capunga dos tempos de menino. Bules, sinos de bode, rádios, relógios, facas, roupas, chapéus. Montou com cuidado uma roda de Moinho dentro de casa. Cada coisa nova que chegava encontrava um canto pra ficar, e um espaço no plano mirabolante do colecionador.

Seu José Vicente não queria manter o tesouro pra si, e decidiu abrir um Museu. 'O primeiro Museu do Capunga', que logo virou atrativo ilustre da comunidade.

Só que o sonhador queria mais.

Seu José imaginou um grande teatro. Com centenas de pessoas, revivendo as cenas do passado que ele nunca tirou da mente. Planejou com cuidado, desenhou no papel, e saiu por ali recrutando a moçada(e a velharada também). E não é que deu certo?

No dia marcado, com pompa e circunstância, seu José botou na estrada os atores amadores do Capunga. Era verdade, a saga do Agreste assim, pra quem quisesse ver.

E muita gente viu, inclusive nossa equipe que entrou na dança, passeou de carro de boi, dançou e viveu um pedacinho do que seu José Vicente passou a vida sonhando em realizar.

Nessas horas de festejo criativo do Capunga, eu e minha equipe aprendemos quantos feitos a imaginação de um menino pode realizar.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/se/blog/sao-joao-da-gente

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