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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Padroeira de Aracaju, N. S. da Conceição inspira católicos e povos de terreiro na fé



A Catedral Metropolitana de Aracaju celebra 150 anos 
 Foto: Ronald Almeida/Secom PMA



Anderson Gomes, pároco da Catedral Metropolitana de Aracaju


Iyalorixá Angélica de Oliveira, organizadora 
da Lavagem da Conceição
 Fotos: Karla Tavares/Secom PMA

Adriano Oliveira, organizador da Lavagem da Conceição
Fotos: Karla Tavares/Secom PMA.

Publicação compartilhada da Agência Aracaju de Notícias, de 8 de dezembro de 2025 

Padroeira de Aracaju, Nossa Senhora da Conceição inspira católicos e povos de terreiro na fé

A celebração em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju, reúne todos os anos duas tradições que expressam a identidade cultural e religiosa da capital sergipana: o novenário católico dedicado à santa e a Lavagem da Conceição, realizada pelos povos de terreiro em reverência a Oxum. No sincretismo religioso, Nossa Senhora da Conceição é associada à orixá das águas doces, da fertilidade, da riqueza e do amor. Relação que, ao longo de décadas, moldou práticas, crenças e símbolos da cidade.

Na história da fé católica, a devoção local à Imaculada Conceição remonta ao período da transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, entre 1855 e 1860. Em 1875, foi concluída a Catedral Metropolitana, considerada a Igreja Mãe da Arquidiocese, consolidando a presença da santa como padroeira da cidade. Segundo o pároco Anderson Gomes, essa relação permanece profundamente enraizada. Para ele, a devoção acompanha a formação urbana e cultural de Aracaju, marcada pela presença da Catedral no centro da capital. “As pessoas que têm mais idade carregam uma devoção profunda à Nossa Senhora da Conceição, porque ela realmente fundou uma geração, uma cultura imbuída na fé católica”, ressalta. Mesmo com a expansão urbana e o distanciamento dos fiéis em relação ao centro da cidade, o padre destaca que, durante o período da festa, muitos devotos retornam à igreja para renovar suas orações e agradecimentos.

Ao falar sobre o significado da santa, o pároco reforça sua dimensão espiritual e seu exemplo para os fiéis. “Para nós, Nossa Senhora da Conceição é a Mãe de Deus, a mulher que acolheu o anúncio do anjo e nos inspira pela humildade, pela esperança e pela capacidade de acreditar. Neste tempo difícil, ela aponta para a luz e para o amor”, disse.

Ao lado da tradição católica, os povos de terreiro também celebram, no dia 8 de dezembro, a força de Oxum por meio da Lavagem da Conceição, que se tornou um dos rituais mais marcantes da capital. O cortejo sai da Colina do Santo Antônio em direção à Catedral, onde ocorre a lavagem das escadarias, gesto simbólico que une fé, resistência e ancestralidade.

Responsável pela cerimônia, a iyalorixá Angélica de Oliveira, da casa Humkpame Karê Le Wi Oyá Güilê Ginan, relembra a origem da celebração, iniciada em 1982 a partir da promessa de oito estudantes aprovados no vestibular. Eles atribuíram a conquista à intercessão de Nossa Senhora da Conceição e de Oxum e decidiram realizar um gesto de agradecimento. “Naquela época só existia a procissão. Terminava a celebração religiosa e a cidade se recolhia. Os estudantes quiseram pagar a promessa, mas foram impedidos de realizar a homenagem na frente da Catedral. Ainda assim, seguiram com a ideia, apoiados pelas tias de um deles, que guardaram o estandarte e o material de divulgação”, recorda.

Sem estrutura e com poucos recursos, os jovens improvisaram a primeira lavagem. “Fizeram tudo com o que havia na praça. Com um balde de água tirado de um espelho d’água. Não havia flores; tiraram das árvores do local. Fizeram buquês improvisados. A caminhada começou ali mesmo”, conta Angélica. O cortejo seguiu até as escadarias e marcou a história da celebração, hoje com 43 anos.

Para a iyalorixá, conviver com as duas devoções representa um aprendizado contínuo. Ela afirma que a fé demonstrada pelos participantes, seja por Nossa Senhora da Conceição ou por Oxum, alimenta a caminhada de todos. “Se a pessoa está ali, é porque confia nas duas. Isso é muito positivo para nós”, diz. A mãe de santo também reforça a importância de desmistificar preconceitos contra as religiões de matriz africana. “A nossa caminhada mostra que não é como ensinam nos livros ou na escola. A fé que levamos é construída com respeito, estudo e tradição”, completou.

O padre Anderson Gomes destaca que as duas celebrações caminham juntas no respeito mútuo. Para ele, reconhecer diferentes expressões de fé é essencial. “A dimensão da fé só é humana e profundamente mística quando respeitamos o modo do outro professar a sua crença. A cada ano, acolhemos a lavagem das escadarias com muito respeito. Onde houver um ser humano promovendo o bem, a paz e os bons valores, ali deve haver acolhimento”, frisou.

Programação

Católicos: Com o tema ‘Celebremos os 150 anos da Catedral, sob o patrocínio da Imaculada, Mãe da Esperança’, o novenário de Nossa Senhora da Conceição teve início em 29 de novembro e culmina nesta segunda-feira, 8. A programação inclui missa dos devotos às 7h; missa solene às 9h30, presidida pelo arcebispo Dom Josafá Menezes; celebração às 15h30 seguida da consagração; e, às 16h30, procissão pelas ruas da cidade, retornando à Catedral. Às 18h, será realizada a missa de encerramento, dedicada a agradecer os feitos atribuídos à intercessão da santa.

Povos de terreiro: Neste dia 8 de dezembro, às 8h, começa a concentração para a Lavagem da Conceição na Colina do Santo Antônio. A saída ocorre às 9h, com apresentação inicial sobre o tema escolhido para o ano, que aborda a missão dos iniciados como guardiões do sagrado. O cortejo segue pelas avenidas Simeão Sobral, João Ribeiro e Ivo do Prado (Rua da Frente), com parada no Mercado para homenagem das mulheres das flores a Oxum. No percurso, também são celebrados expositores que apresentaram obras inspiradas na lavagem. O grupo realiza ainda o tradicional encontro entre o rio e o mar na Ponte do Imperador, onde é entregue o balaio ritual. O cortejo segue então para a Catedral, encerrando com a lavagem das escadarias.

Texto e imagens reproduzidos do site: www aracaju se gov br

domingo, 9 de dezembro de 2018

Manifestações culturais e religiosas marcam homenagens à padroeira

Fiéis fazem gesto de adoração e fé em cortejo 
Fotos: Portal Infonet

Publicado originalmente no site Portal Infonet, em 8 de dezembro de 2018

Manifestações culturais e religiosas marcam homenagens à padroeira

Manifestações culturais e religiosas no sincretismo entre a Igreja Católica e religiões de matrizes africanas marcam as homenagens dos sergipanos à padroeira de Aracaju: Nossa Senhora da Conceição, para a Igreja Católica, e traduzida como Oxum, a rainha das águas doces e orixá da beleza e do amor, na linguagem do candomblé e das religiões afins.

Na catedral, grupos de capoeira aguardam a lavagem

A Igreja Católica fez celebrações durante toda manhã com missas celebradas na capital e no interior, eventos que serão encerrando com a tradicional procissão que ocorrerá à tarde. Os devotos das religiões de matrizes africanas se reuniram pela manhã e saíram em cortejo, iniciado no bairro Santo Antonio, percorrendo as principais ruas da cidade até o centro da cidade, com concentração na Praça da Catedral, onde ocorre tradicionalmente a lavagem das escadarias daquele templo católico.

Os fiéis das nações vestiram as indumentárias, esqueceram as diferenças filosóficas que os dividem e desfilaram unidos pelas ruas da capital sergipana, atraindo um grande público, sempre acompanhado por um trio, carregado de músicas que fazem referência à rainha da água doce, e a imagem de Nossa Senhora da Conceição destacada, transportada por um veículo, rodeada de flores.

Saudação à deusa da água doce

Na Praça da Catedral, como é conhecida a Praça Olímpio Campos, seguidores e simpatizantes se aglomeraram logo cedo aguardando o desfecho das comemorações, com a lavagem da catedral, como ficou conhecida a manifestação que se consagra como uma tradição na capital sergipana.

Na praça, o clima converge para um grande encontro de amigos, fiéis, artistas. Grupos organizados realizaram exibições performáticas de capoeira, músicas, batuques, traduzindo-se como um gesto de fé e agradecimento à Nossa Senhora da Conceição. À noite, as homenagens se encerraram com um outro cortejo, na Praia de Atalaia.

Por Cassia Santana

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

Fiéis saem às ruas para louvar a padroeira Nossa Senhora da Conceição





Fotos reproduzidas do Facebook/Rádio Cultura AM 670
e postadas pelo blog "Isto é SERGIPE"

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 08/12/2018

Fiéis saem às ruas para louvar a padroeira Nossa Senhora da Conceição

Por Victor Siqueira

Dando continuidade ao dia de celebrações à padroeira de Aracaju, Nossa Senhora da Conceição, fiéis da Igreja Católica participaram de uma procissão de louvor durante a tarde deste sábado, 8. Partindo da rua Propriá, os devotos caminharam pelo centro da cidade em mais um ato religioso no dia de hoje.

Uma multidão entoou cantos à padroeira, pedindo bênçãos e agradecendo. Esse é considerado o ponto alto da festa, já que todos os preparativos vinham acontecendo, nos últimos nove dias, para a sua realização. O Dom Frei João Costa, arcebispo metropolitano, explicou a importância de exaltar Nossa Senhora da Conceição. “A expressiva presença de fiéis de tantos lugares, de tantas paróquias, vêm para expressar seu amor, carinho, para com a Virgem mãe de Deus. É um momento belo, precioso, e uma resposta ao grande presente dado por Jesus a todos nós”.

Pela manhã, houve um cortejo saindo do bairro Santo Antônio com destino à praça Olímpio Campos, no centro da cidade, para realizar a lavagem das escadarias da Catedral Metropolitana. A data é celebrada em harmonia entre a Igreja Católica e religiões de matrizes africanas, que vêem em Nossa Senhora da Conceição uma poderosa e importante figura: Oxum, a rainha das águas doces, do ouro, da fertilidade e do amor.

As atividades cristãs se encerram neste sábado, com a Benção do Santíssimo, após o encerramento da procissão. Em seguida, há a Missa da Imaculada Conceição. “Nenhum católico pode deixar de comparecer, só por motivos graves. É um momento de gratidão e louvor a Deus, para celebrar a grandeza de Maria na vida de todos nós”, convocou o Dom Frei João Costa.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br