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quinta-feira, 24 de abril de 2025

Lançamento do Livro "Dom Luciano e a Maçonaria – A Reconciliação”

Imagem: Divulgação

Publicação compartilhada do site CLICKSERGIPE, de 28 de abril de 2025

Lançamento do Livro "Dom Luciano e a Maçonaria – A Reconciliação”

Por Marcelo Carvalho (Agenda)

A Academia Sergipana de Letras tem a honra de convidar os colegas da imprensa e toda a sociedade sergipana para o lançamento do livro “Dom Luciano e a Maçonaria – A Reconciliação”, que celebra a trajetória singular do eterno Arcebispo Dom Luciano José Cabral Duarte – um dos maiores oradores sacros do Brasil – e enfatiza sua inédita atuação na interface entre a fé e a Maçonaria. A obra, de autoria de Antonio Fontes Freitas, explora, com profundidade e clareza, os feitos que transcenderam a vida sacerdotal, ressaltando iniciativas inovadoras como o projeto PRHOCASE (uma reforma agrária voltada às populações do Vale do Cotinguiba), suas conferências históricas na Loja Maçônica Cotinguiba (1968 e 1972), bem como sua importância na criação da Fundação da Universidade Federal de Sergipe, em 1967.

Destacando uma postura visionária à frente de seu tempo, Dom Luciano rompeu barreiras institucionais ao se dirigir publicamente aos maçons – desafiando convenções e promovendo o diálogo entre a Igreja e a Maçonaria –, deixando um legado de coragem e inovação, que agora ganha nova dimensão na narrativa deste livro.

Sobre o Autor

Antonio Fontes Freitas, renomado professor e educador, construiu uma carreira marcada por expressivas contribuições à educação e à gestão pública em Sergipe. Formado em Ciências Econômicas e com especializações em matemática, estatística e educação, Freitas atuou em diversas instituições de ensino, ocupou altos cargos estaduais e federais, e teve papel decisivo na implantação de projetos pioneiros no setor. Além disso, sua trajetória maçônica – que inclui a fundação e liderança na Grande Loja Maçônica de Sergipe – confere a ele um olhar crítico e abrangente sobre as transformações sociais e culturais de nosso estado. Sua obra, neste livro, é um tributo sincero e fundamentado ao legado de Dom Luciano.

Serviço

O quê: Lançamento do livro “Dom Luciano e a Maçonaria – A Reconciliação”

Quando: 28 de abril, às 17h

Onde: Academia Sergipana de Letras – Rua Pacatuba, 28, Centro, Aracaju

Ação Social: Toda a renda do evento será destinada ao Lar de Idosos Isaias Gileno Barreto, em São Cristóvão

Contamos com a presença da imprensa sergipana para que, juntos, possamos fortalecer a memória e o legado de um líder que, com visão e coragem, construiu pontes entre mundos e inspirou gerações.

Texto e imagem reproduzidos do site: clicksergipe com br

sábado, 22 de fevereiro de 2025

'Dom Luciano Duarte na maçonaria', por José Lima Santana

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog, 
para ilustrar o presente artigo.

Artigo compartilhado do site CLICKSERGIPE, de 21 de fevereiro de 2025

Dom Luciano Duarte na maçonaria 

Por José Lima Santana*

Recentemente, o acadêmico e jornalista Luiz Eduardo Costa ofertou-me alguns exemplares do opúsculo “Um Discurso Para a História”, referente à palestra que Dom Luciano José Cabral Duarte proferiu na Loja Maçônica Cotinguiba, em 29 de maio de 1968, três anos após ter recebido o convite para tal. O opúsculo foi publicado pela EDISE, em 2021. 

O motivo do convite para palestrar na Maçonaria foi por conta de um artigo publicado pelo ainda padre Luciano Duarte na revista “Cruzada”, que tanta falta faz à nossa Arquidiocese, quando ele regressou da terceira Secção do Concílio Ecumênico Vaticano II. Era dezembro de 1964. 

No artigo, o padre Luciano Duarte “contava como durante a 3ª Sessão do Concílio os Bispos Mexicanos haviam levantado na aula conciliar esta pergunta: ‘Não será chegado o momento de reabrir o dossiê da questão entre a Igreja e a Maçonaria’”?

Uma questão por demais delicada, naquele tempo e ainda hoje. Mas, com a autorização do arcebispo Dom José Vicente Távora e, mais tarde, do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Sebastiano Baggio, Dom Luciano, já bispo auxiliar de Aracaju, pôde proferir a sua palestra para os maçons. 

O palestrante fez menção à encíclica Populorum Progressio (Sobre o Progresso dos Povos), do papa Paulo VI, uma encíclica que, na visão de Dom Luciano, não teria merecido a devida atenção das pessoas. Eis o que ele disse: “Com um traço de curiosidade na alma, esperei que este primeiro aniversário de um dos documentos mais sérios e mais importantes da humanidade dos últimos tempos encontrasse a repercussão que merecia, para minha surpresa e para minha tristeza, o que verifiquei foi o primeiro aniversário da Populorum Progressio decaindo no Brasil. Os homens se esqueceram deste documento, uns por indolência do espírito, outros, por desinteresse espiritual”. 

Deveras foi uma grande pena que a citada encíclica, publicada em 26 de março de 1967 e dedicada à cooperação entre os povos e ao problema dos países em desenvolvimento, não tivesse obtido a devida repercussão entre nós. Aliás, ao longo dos tempos, muitos documentos emanados da Santa Sé ou da CNBB não têm o alcance que deveriam ter na compreensão de bispos, padres, diáconos e leigos/as. Muitos até vociferam asneiras sobre certos documentos eclesiais, sem sequer os conhecer. 

Dom Luciano citou o 3º § da encíclica papal: “Hoje, o fenômeno importante de que cada um de nós deve tomar consciência é o fato da universalidade da questão social. Os povos da fome dirigem-se hoje de modo dramático aos povos da opulência. A Igreja estremece diante dos diferentes gritos de angústia, e convida a cada um para responder com amor ao apelo do seu irmão. Este é o fato mais grave, mais trágico da hora presente, o fato de que a questão social se tornou universal. Internacional, ela envolve a humanidade inteira”. 

Em sua preleção, Dom Luciano refere-se aos dois blocos políticos/econômicos nos quais o mundo se dividiu, o Ocidental, liderado pelos Estados Unidos, e o Socialista, liderado pela União Soviética. Diz que o papa Paulo VI, não sendo economista, nem estrategista, nem estadista, é “um perito em humanidade”. Portanto, a sua palavra é a de quem conhece as agruras das pessoas, especialmente daquelas mais afetadas pela miséria terceiro-mundista. Dom Luciano fala da evolução tecnológica a serviço dos seres humanos: “A técnica permitiu que o mundo dos subdesenvolvidos confrontasse a miséria com o mundo dos desenvolvidos”. Aquele, situado no hemisfério Sul, e este, no hemisfério Norte. 

Há uma passagem do discurso que merece especial atenção, sobretudo porque Dom Luciano era visto como conservador, contrário, duramente contrário, ao socialismo de origem marxista. Eis, para a surpresa de muitos: “É particularmente significativo ver isso, que estes grandes líderes dos países em revolução, dos países que escolheram o caminho da violência para acabar com injustiças que os sufocavam. Possível citar dois nomes: Chu-En-Lai [companheiro de luta de Mao-Tsé-Tung, na China], antigo estudante da Sorbonne-Paris. Ho-Chi-Minh é um vietnamita que passa em Paris vários anos, que trabalha como garçom em restaurante para poder estudar. São estes homens que, no confronto da miséria a que está submetido o seu corpo, com a opulência destes povos que eles visitam esporadicamente, sentem nascer no seu coração a revolta, e esta revolta que neles desabrocha é apenas o símbolo da revolta que desabrocha hoje em toda esta imensa massa do terceiro mundo, que diante do confronto melancólico da miséria e do seu sofrimento, da sua opressão, do seu submundo, com a condição do desenvolvimento dos outros, parte em protesto, e todo o protesto se baseia nesta frase dita com todas as palavras, ou apenas sentida no âmago do coração: ‘Não, não aceitamos tais coisas, porque nós também somos homens’. E esta redução ao fundamento do sentimento revolucionário não é minha, mas do filósofo ateu Jean Paul Sartre”. 

Para quem critica Dom Luciano por suas posições conservadoras, não dá para acreditar que tais palavras poderiam ter vindo dele. Mas, vieram. Com o passar do tempo, o arcebispo de Aracaju foi se tornado cada vez mais conservador, notadamente no que tange às suas posições contra a teologia da libertação e situações teológicas e/ou políticas afins. Ao seu modo, todavia, tinha uma determinada visão sobre as realidades sociais.

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*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, 

Texto reproduzido do site: www clicksergipe com br

sábado, 18 de janeiro de 2025

Controverso para alguns, mas, um luminar: Dom Luciano Duarte

Imagem reproduzida do site da UFS e postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Artigo compartilhado do site CORREIO DE SERGIPE, de 17 de janeiro de 2025

Controverso para alguns, mas, um luminar: Dom Luciano Duarte

Por Pe. José Lima Santana*

Em sua primeira e mais famosa obra, “Tratado da Natureza Humana”, David Hume (1711-1776), que a concluiu aos 27 anos de idade, escreveu: “Há uma grande diferença entre as opiniões que formamos após uma reflexão serena e profunda e as que abraçamos por uma espécie de instinto ou impulso natural, em virtude de sua adequação e conformidade com a mente. Se essas opiniões se tornam contrárias, não é difícil prever qual terá a precedência” (Tradução de Débora Danowski. 2 ed. São Paulo: Editora UNESP, 2009, p. 247).

Que a precedência, em casos que tais, seja a da “reflexão serena e profunda”. De Aracaju, seu berço natal, para a Universidade de Sorbonne, em Paris, Dom Luciano José Cabral Duarte soube engrandecer a cultura sergipana com o seu talento invulgar.

Para alguns, o arcebispo sergipano foi controverso, especialmente por causa do conservadorismo que marcou a sua trajetória episcopal, em um tempo no qual se dizia que o episcopado brasileiro era dividido entre conservadores, moderados e progressistas.

Como jovem leigo, atuante na coordenação do TLC – Treinamento de Liderança Cristã na nossa Arquidiocese, de 1976 a 1982, entre os meus 21 e 27 anos, eu acompanhei esse tempo de tríade episcopal. O TLC era responsável pela ação pastoral da juventude, que Dom Luciano deixou a cargo do seu Bispo-auxiliar, Dom Edvaldo Gonçalves do Amaral, um moderado.

Se, pois, para alguns, Dom Luciano era controverso, aliado dos militares, como diziam, na verdade ele foi um luminar, refletindo-se de forma serena e profunda, no dizer de Hume. Uma inteligência notável, que cativava tantos quantos o ouviam, notadamente nas missas dominicais, na Capela do São Salvador, com transmissão pela Rádio Cultura, ou, na mesma emissora, ao proferir “A Hora Católica”, também aos domingos, cujo prefixo musical do programa foi tirado da sexta Sinfonia de Beethoven. As suas prédicas encantavam pela beleza das figuras, que transportavam os ouvintes para os cenários e os fatos discorridos. Didática na medida certa, exposição filosófico-teológica ímpar.

Um arcebispo de mão forte na condução da Arquidiocese, quando ninguém ousava caminhar arrastando-se. Não! Ele sabia dar o tom da caminhada, mas permitia que cada um caminhasse com seus próprios pés, sem desvios. Alguns padres afirmavam que ele era duro, inflexível; outros o tinham em condição mais abrandada.

Desde a Faculdade Católica de Filosofia, inaugurada em 1951, e na qual ele pontificou como diretor e festejadíssimo mestre, inúmeros admiradores o reverenciavam. Autoridades ouviam-no, cortejavam-no e atendiam-no. Era exatamente assim.

Alguns podiam não gostar dele, mas negar-lhe a inteligência e a cultura seria insensatez. Dom Luciano foi um dos maiores intelectuais do episcopado brasileiro, no século XX.

Em 1964, a Loja Maçônica Cotinguiba convidou o padre Luciano Duarte para proferir uma palestra. A autorização do Papa Paulo VI só viria em 1968, quando ele já era Bispo-auxiliar de Dom Távora. Foi o primeiro Bispo brasileiro a falar aos maçons. A partir dali a Maçonaria passou a colaborar com a Igreja na implementação da reforma agrária, por meio da PROCHASE, beneficiando centenas de famílias. O seu discurso na Maçonaria foi publicado em livreto pelo acadêmico Luiz Eduardo Costa.

Doutorou-se em Filosofia pela Sorbonne, cuja tese foi defendida em 1957, obtendo a menção ‘Trés honorable’. O tema defendido: “A natureza da inteligência no tomismo e na filosofia de Hume”, perante uma banca composta pelos professores Ferdinand Alquié (orientador), Maurice De Gandillac e ninguém menos que Paul Ricoeur, que deu grande contribuição à fenomenologia e a hermenêutica, autor do consagrado “Tempo e Narrativa”, dentre tantas outras obras.

Eis o lema episcopal de Dom Luciano Duarte: “Scio Cui Credidi” (Sei em quem acreditei).

Educador nato, Dom Luciano integrou o Conselho Estadual de Educação e o Conselho Federal de Educação, este por 15 anos. Fez a cobertura das Sessões do Concílio Vaticano II e do Congresso Internacional Eucarístico de Bombaim. Foi Presidente Nacional do MEB – Movimento de Educação de Base (1971–1977). Presidente do Departamento de Ação Social do “CELAM” – Conselho Episcopal Latino-Americano (1972–1978) e seu Primeiro Vice-Presidente (1979–1983), sob a presidência do Cardeal colombiano Alfonso López Trujillo.

Nascido a 21 de janeiro de 1925 e falecido a 29 de maio de 2018, aos 93 anos, estamos diante do seu Centenário de nascimento. Uma efeméride a merecer muitas comemorações.

Na Arquidiocese de Aracaju, Dom Josafá Menezes da Silva está atento à preservação da memória do seu ilustre antecessor, o segundo Arcebispo Metropolitano de Aracaju. O mesmo se deve dizer com relação à Universidade Federal de Sergipe, de cuja fundação Dom Luciano foi um dos mais valorosos baluartes, tornando-se seu professor. A Academia Sergipana de Letras, na qual ele ocupou a cadeira nº 18, substituindo Dom Mário de Miranda Vilas-Boas, tem comissão formada para festejar o Centenário desse preclaro sergipano, autor de vários livros, e que foi uma das vozes mais firmes do episcopado brasileiro, dentro de sua visão conservadora, mas, ao seu modo, muito lúcida. Isso é inegável.

* Colunista do jornal Correio de Sergipe.

Texto reproduzido do site: ajn1 com br/colunistas

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

É preciso celebrar o centenário de nascimento de Dom Luciano Cabral Duarte

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 10 de Jan de 2025

Opinião - É preciso celebrar o centenário de nascimento de Dom Luciano Cabral Duarte 

Dom Luciano Cabral Duarte: 100 anos bem lembrados

Por Gilvan Rodrigues* (Coluna Aparte)

A Academia Sergipana de Letras, na pessoa de seu presidente José Anderson Nascimento, junto à Arquidiocese de Aracaju, com o arcebispo metropolitano Dom Josafá Menezes da Silva, prepara-se para dar início às comemorações celebrativas quanto ao centenário de nascimento de Dom Luciano José Cabral Duarte - 1925-2025.

E com Anderson Nascimento, há outras pessoas do sodalício que compõem a comissão criada exclusivamente para estabelecer o calendário celebrativo. Portanto, nada mais justo e meritório em relação a um ilustre filho de Sergipe, que tanto bem fez aos seus habitantes.

Dom Luciano Duarte nasceu em Aracaju, filho de Célia Cabral Duarte e do poeta José Goes Duarte. Trata-se, na verdade, de um momento importantíssimo da história sergipana, a fim de podermos resgatar a figura de um grande intelectual, que foi padre, arcebispo, professor, educador e também um dos maiores oradores sacros de Sergipe nos últimos decênios.

Seu púlpito era a Capela São Salvador, em Aracaju, de onde emitia sua pregação envolvente pelas ondas fonéticas da Rádio Cultura de Sergipe, que ele ajudou a fundar e da qual fora o seu primeiro presidente. Dom Luciano ingressou no Seminário Menor de Aracaju em 1936, depois do que se dirigiu aos Seminários Maiores de Filosofia e Teologia, em Olinda e São Leopoldo, respectivamente, em 1942 e 1945.

De espírito profundamente irrequieto e curioso, desde a tenra idade, perspicaz, arguto e intuitivo, sempre se demonstrou insaciável e sedento do saber. De estatura mediana, voz grave e inteligência em permanente estado de ebulição, de frenesi e de arrebatamento interior, devorava livros e jornais do Brasil e do mundo, tentando acompanhar os fatos e as notícias, com espírito crítico e ponderações equilibradas no âmbito de suas colocações, mormente para defender a Igreja e as causas da Igreja, com paixão e sabedoria vocabular.

E vigiava atentamente os desvios teológicos e doutrinários da ala progressista da Igreja, especialmente na América Latina, como acontecera com a Teologia da Libertação, cujas cinzas ainda acobertam o ardor de teimosias reincidentes no caldeirão das altercações filomarxistas.

Dialogando com Raymond Aron sobre a motivação pela qual o comunismo ainda continua a exercer forte fascínio entre os estudantes e os intelectuais do Brasil e da América Latina, apesar do Gulag, ele é enfático, e a palavra é sua: “O problema tem qualquer coisa de um enigma, se não de um mistério. Não pretendo elucidar a questão, mas apenas busco balizar, tateando, o problema. Primeiro, lembrarei que uma ideologia não é puramente da ordem da inteligência: é da zona candente da paixão. E a paixão é cega a argumentos cartesianos, e só o impacto dos testemunhos pode romper sua fronteira de fogo. [...]. Em segundo lugar, assinalo um dado sempre subestimado: todos nós estamos, permanentemente, debaixo do bombardeio incansável do Front Mundial da propaganda ideológica comunista”. (In Medina, 2025, p. 89). 

Visionário que era, suas percepções sobre a incidência dessas questões na Igreja e na dimensão social eram pontuais e alcançavam projeções ultratemporais. Tanto que suas considerações e diatribes em relação ao tema seguem valendo.

Mesmo porque ele não estava sozinho no universo coloquial desses contrapontos. A ele precederam outros personagens como Ratzinger, Raymond Aron, Dom Paul Seitz, missionário expulso do Vietnã, em 1975, entre outros fiéis discípulos do Senhor, que buscavam refrear o avanço ideológico perigoso de vertentes contraditórias dentro da própria Igreja Católica.

E ele se inquietava profundamente, aflitivamente, com tais ameaças. Claro que sua postura contundente e ferrenha na defesa de suas teses despertou sentimentos raivosos em seus adversários, em pessoas que militavam do outro lado. Mas eram posturas próprias de intelectuais que conheciam, e muito bem, os meandros apologéticos de suas investidas argumentativas. Eles extasiavam os leitores no deleite das controvérsias.

Para dizer a verdade, não obstante a pequenez e os estágios limítrofes de minhas apreensões cognitivas ou intelectuais, sinto saudade - sem saudosismo vazio - dos tempos em que, na Igreja, tínhamos homens de ciência, que pensavam e refletiam, com magistral competência e convencimento, as questões cruciais da Igreja.

Aliás, ouvi muito de eclesiásticos contemporâneos – bispos -, quase como numa censura a esses homens pensantes, que a Igreja não precisa de intelectuais, mas de pastores! Mas são os intelectuais, e não os pastores, que tiram a Igreja da borrasca das heresias de plantão, quando elas tentam esgarçar o santo tecido de sua doutrina, conduzindo-a ao caos dispersivo da fé dos filhos da Igreja.

Hodiernamente, vivemos “tempos de cães mudos”, para usar o título do livro do bispo francês Dom Paul Seitz, publicado na França, depois de sua expulsão do comunista Vietnã. Pior: pensar e refletir tem se tornado quase um crime no contexto social moderno da liquidez das ideias, do pensamento, como se a verdade fosse tão relativa quanto o gosto apreciativo dos botecos das esquinas. Dessarte, parece que nos tornamos vítimas e prisioneiros da trincheira dos covardes, a omissão, que, por sinal, para os cristãos, é um pecado grave. 

Dom Luciano Duarte foi um personagem polivalente, mítico, de várias facetas no contexto de sua existência, que fez valer, a ferro e a fogo, o que tentava nos transmitir quando afirmava que “só merece ser levado a sério quem é capaz de sofrer por suas convicções”. 

Um pouco por tudo isso e por tantas outras razões, ele merece o tributo e o reconhecimento da Igreja e da sociedade sergipana por ocasião do centenário de seu nascimento. Então, proximamente, teremos a celebração de duas missas presididas pelo arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Aracaju, Dom Josafá Menezes da Silva.  

Dia 21 de janeiro - dia do nascimento de Dom Luciano - na capelania São Salvador, às 10h - uma terça-feira; e no dia 24, uma sexta-feira, às 16h, na Catedral Metropolitana. Mais adiante, numa data que será oportunamente anunciada, teremos o lançamento de uma antologia – substanciosa coletânea de textos de Dom Luciano Duarte – confiada e organizada pela acadêmica Ana Maria Fonseca Medina, a pedido do presidente da Academia, José Anderson Nascimento. A seu tempo, outros eventos também serão divulgados. 

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* Gilvan Rodrigues, é padre, professor, advogado e escritor. Membro do Movimento Cultural da Academia Sergipana de Letras, da Associação Sergipana de Imprensa e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Governador acompanha sepultamento de Dom Luciano Cabral




Publicado originalmente no site ASN, em 30 de Maio de 2018 

Governador acompanha sepultamento de Dom Luciano Cabral

A cerimônia de sepultamento foi ministrada pelo arcebispo de Aracaju, Dom João José Costa. Ela foi acompanhada pelo Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom José Palmira Lessa, padres, seminaristas, autoridades e católicos

O governador Belivaldo Chagas compareceu, na tarde desta quarta-feira, (30), ao sepultamento do Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, na igreja São Salvador. Dom Luciano faleceu na tarde da última terça-feira, (29), na própria residência, aos 93 anos. Ele  era portador de Alzheimer e vinha acamado há alguns anos. O velório ocorreu durante toda a noite de terça e manhã desta quarta-feira, na Paróquia Jesus Ressuscitado.

O governador afirmou que Dom Luciano foi um grande pastor, um cidadão que soube encaminhar todos os sergipanos, um intelectual e que, com discrição, sempre esteve atento a defender os interesses da comunidade de forma geral. "É uma pessoa que também deixará  saudade, que tem uma história que o sergipano em muito tempo não irá esquecer", enfatizou.

A cerimônia de sepultamento foi ministrada pelo arcebispo de Aracaju, Dom João José Costa. Ela foi acompanhada pelo Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa, padres, seminaristas, autoridades e católicos.

Em nome dos familiares e amigos, o presidente da Academia Sergipana de Letras, Anderson Nascimento, fez uma homenagem. Ele lembrou que todo o acervo de livros e publicação do Arcebispo foi doado à ASL.

Dom Luciano foi bispo Auxiliar de Aracaju no arcebispado de Dom José Vicente Távora e assumiu a titularidade da Arquidiocese de 1971 a 1998. Teve uma atuação marcante como intelectual e pensador da Educação em Sergipe. Ele foi presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação, liderando o trabalho para a fundação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Ainda como Arcebispo, foi membro do Conselho Federal de Educação. Autor de vários livros, entre os quais: Europa, Ver e Olhar; Europa e Europeus; Viagem aos Estados Unidos; Índia a Voo de Pássaro; Estrada de Emaús; A Igreja às Portas do Ano 2000; e “La Nature de l’intelligence dans le thomisme et dans la philosophie de Hume” - tese de doutorado em Filosofia, que ele defendeu na Sorbone. Dom Luciano criou a oração das vocações sacerdotais e religiosas rezada nas igrejas do Brasil inteiro.

Dom Luciano José Cabral Duarte nasceu em Aracaju, no dia 21 de janeiro de 1925. Era filho de José de Góes Duarte e Célia Cabral. Estudou na Escola de Aprendizes Artífices, depois Escola Técnica, hoje IFS, antes de ingressar no Seminário Menor do Sagrado Coração de Jesus, aos 11 anos. Em 1942 mudou-se para o Seminário de Olinda, em Pernambuco. Em fevereiro de 1945 transferiu-se para São Leopoldo (Rio Grande do Sul) onde concluiu os estudos eclesiásticos para se tornar padre.

Foi ordenado sacerdote por Dom Fernando Gomes, então bispo de Penedo, no dia 18 de janeiro de 1948, iniciando suas atividades de sacerdote na Igreja do São Salvador, onde foi sepultado. Ele faleceu ao lado da irmã Carmem Duarte e de Dom José Palmeira Lessa.

Texto e imagens reproduzidos do site: agencia.se.gov.br

Sepultamento de Dom Luciano





Fotos: Marco Vieira

Publicado originalmente no site da PMA, em 30/05/18 

Agência Aracaju de Notícias

Edvaldo comparece a sepultamento de Dom Luciano

O prefeito Edvaldo Nogueira acompanhou o cortejo do velório e o sepultamento do arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, na tarde desta quarta-feira, 30, em Aracaju. Dom Luciano estava com 93 anos, com saúde fragilizada por causa do Alzheimer. Em decorrência do seu falecimento, Edvaldo decretou luto de três dias no município.

Em entrevista à imprensa, o prefeito destacou o legado deixado por Dom Luciano para Sergipe. "Dom Luciano foi um grande pregador e líder religioso, que soube conduzir a igreja enquanto foi arcebispo de Aracaju. Era um homem brilhante, muito inteligente, que com a sua inteligência, sua oratória, conquistava os corações e as mentes dos católicos durante os muitos anos em que foi pastor aqui na nossa comunidade. Além disso, um aspecto ainda mais decisivo de Dom Luciano foi o seu papel na educação de Sergipe, seja como professor, como articulador da Faculdade de Filosofia e, principalmente, como um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe", afirmou.

O velório foi realizado na Igreja Jesus Ressuscitado, onde várias missas foram celebradas em memória do arcebispo. Depois o corpo foi levado em cortejo da praça Olímpio Campos até a Igreja São Salvador, onde foi sepultado. Centenas de pessoas acompanharam a cerimônia, que foi realizada pelo arcebispo metropolitano Dom João José Costa e pelo arcebispo emérito Dom José Palmeira Lessa.

Dom Luciano José Cabral Duarte nasceu em Aracaju em janeiro de 1925, foi bispo auxiliar de Aracaju e assumiu a titularidade da Arquidiocese, permanecendo na função de 1971 a 1998. Chegou ainda a ser presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação, liderando o trabalho para a constituição da Universidade Federal de Sergipe. Era também membro da Academia Sergipana de Letras.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

terça-feira, 29 de maio de 2018

Morre o arcebispo emérito de Aracaju Dom Luciano Cabral


Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 29/05/2018 

Morre o arcebispo emérito de Aracaju Dom Luciano Cabral

Dom Luciano Cabral morreu na própria residência

Faleceu na tarde desta quarta-feira, 29, na própria residência, o arcebispo emérito de Aracaju Dom Luciano José Cabral Duarte aos 93 anos. Dom Luciano sofria de Alzheimer e vinha acamado com problemas de saúde decorrente da idade. A informação foi confirmada pela Arquidiocese de Aracaju.

Segundo a Arquidiocese de Aracaju, o local do velório e sepultamento ainda serão divulgados.

Quem foi Dom Luciano

Dom Luciano José Cabral Duarte, sergipano, nascido em Aracaju, no dia 21 de janeiro de 1925, foi Bispo Auxiliar de Aracaju no governo de Dom José Vicente Távora e assumiu a titularidade da Arquidiocese, após nomeado Arcebispo, permanecendo de 1971 a 1998.

Teve uma atuação marcante como intelectual, antes e durante o episcopado, chegando a ser Presidente da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação, liderando o trabalho para a constituição da Fundação Universidade Federal de Sergipe e foi membro do Conselho Federal de Educação, já como Arcebispo.

Dom Luciano conduziu o primeiro grande projeto de Reforma Agrária de Sergipe e, talvez do Brasil, para a época, quando adquiriu uma fazenda para o projeto chamado PROHCASE (Promoção do Homem do Campo de Sergipe), entre 1968 e 1988, que beneficiou mais de cinco mil famílias.

Dom Luciano foi autor de vários livros, entre os quais: Europa, Ver e Olhar, Europa e Europeus. Viagem aos Estados Unidos, Índia a Voo de Pássaro. Estrada de Emaús, A Igreja às Portas do Ano 2000 e “La Nature de l’intelligence dans le thomisme et dans la philosophie de Hume”(Tese de doutorado em Filosofia, na Sorbone). Dom Luciano criou a oração das vocações sacerdotais e religiosas rezada nas igrejas do Brasil inteiro.

Por Aisla Vasconcelos
Com informações da Arquidiocese de Aracaju

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O homem que me ensinou a ser bispo, por Dom Edvaldo

Foto: arquivo Lineu Lins.

Publicado originalmente no jornal Gazeta de Alagoas, em 01/01/2016.

O homem que me ensinou a ser bispo.
Por Dom Edvaldo G. Amaral*

O homem que me ensinou a ser bispo foi Dom Luciano José Cabral Duarte, figura exponencial do episcopado brasileiro nos anos 1970 a 2005. O ser Arcebispo Metropolitano de sua terra natal, Aracaju, é caso mais único que raro na história dos Bispos do Brasil. Quando padre, doutorou-se em filosofia pela Sorbonne de Paris, com brilhante tese escrita em francês que, infelizmente, só recentemente, após sua doença, foi publicada por sua irmã Carminha Duarte, com a tradução portuguesa. Grande Arcebispo, foi notável no campo da educação, como membro do Conselho Federal de Educação e presidente do MEB (Movimento de Educação de Base), criado pela Igreja do Brasil no combate ao analfabetismo, nos difíceis tempos do regime militar. Empenhou-se com todas as veras e conseguiu, após muita luta com o Ministro da Educação, Jarbas Passarinho, a criação da Universidade Federal de Sergipe que, infelizmente, nunca soube reconhecer e ser-lhe devidamente grata por esse seu esforço decisivo para a educação em Sergipe.

O seu clero estava bem unido e solidário com sua ação pastoral. Alguns, de outras nacionalidades, que o combateram antes de sua promoção de bispo auxiliar para Arcebispo, retiraram-se quando ele assumiu o governo pastoral pleno de Aracaju. Cada ano tinha a grande alegria de promover pessoalmente a tradicional romaria a Divina Pastora, cuja igreja matriz era o santuário mariano da Arquidiocese. Na sua esclarecida ação social, criou a PROHCASE (Promoção do Homem do Campo de Sergipe), com terras de cinco fazendas, compradas ou recebidas em doação e nas quais número expressivo de agricultores trabalhavam para seu honesto sustento, mediante pequena contribuição para a Arquidiocese. Depois da experiência de alguns anos, as terras destas fazendas foram doadas aos que as cultivavam. Foi autêntica e sábia reforma agrária, tão apregoada e mal realizada pela esquerda brasileira.

Dom Luciano exerceu como poucos o ministério da Palavra. Suas homilias aos domingos, na igreja de São Gonçalo, transmitidas pela Rádio Cultura, eram autênticas lições de sábia teologia pastoral. O mesmo se pode dizer de seus programas na mesma rádio da Arquidiocese ao meio-dia dos domingos, seguidos por imenso número de ouvintes em todo o Sergipe.

Fui nomeado seu bispo auxiliar pelo Beato Paulo VI, que me elegeu bispo titular de Zallata, cidade antiga da Algéria. Foi Dom Luciano quem me sagrou bispo em Natal, em 20 de abril de 1975. Trabalhei ao seu lado por cinco anos e foi ele com sua experiência quem me reintroduziu na pastoral. Eu vinha do trabalho na educação, como diretor de escola, membro do Conselho Estadual da Educação e presidente da Associação de Educação Católica e do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio Grande do Norte.

Muito aprendi de sua inquebrantável fidelidade ao Papa, sua irrestrita adesão ao ensinamento da Igreja de Jesus, sua decidida defesa do ensinamento pontifício, nos tempos difíceis, em que ele viveu e exerceu seu ministério. Tempos difíceis na política nacional e tumultuados dentro da Igreja, com posições teológicas equivocadas.

Enfim, foi Dom Luciano Duarte o homem que me ensinou a ser bispo...

* Arcebispo Emérito de Maceó

Texto reproduzido do site: gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Dom Luciano Duarte: noventa anos nas páginas da história de Sergipe I


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 28/01/2015.

Dom Luciano Duarte: noventa anos nas páginas da história de Sergipe (I).
Por Pe. Gilvan Rodrigues.

Trazendo a lume a memória de Dom Luciano Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, nas páginas da História de Sergipe, gostaria de fazer reminiscências de alguns momentos em que tivemos a graça de sua pessoa no Seminário Menor de Aracaju, lá pelos idos da década de oitenta.

Qual bom pedagogo que era, ele nos ensinou que “bom pedagogo” nunca fala assentado. Essa postura, de alguma maneira, arrefece e amortece a expectativa do auditório. Então, quando alguém vinha interpelado por alguma pergunta, ele dizia: “Levante-se, fique de pé, vire-se para seus colegas e fale!” – “Falar o quê?”. Trago à mente a explicação filosófica, que ele quis de um seminarista, do seguinte pensamento de Henri Bergson, um de seus filósofos franceses preferidos: “A alma espiritual do homem é um longo período, uma longa frase, com ponto, dois pontos, ponto e vírgula, reticências, mas, que não tem, jamais, um ponto final [...]”. O seminarista, certamente muito emocionado ou tremendo de nervosismo, levantou-se, virou-se para os demais companheiros e começou a girar o dedo indicador direito em derredor da cabeça, como que para auxiliar a elaboração das ideias, e disse, entaramelando e tartamudeando: “é, é, é, é [...]”. A mão continuava girando, e o pensamento, que parecia vir à manivela, tinha desaparecido. No auge da enrubescida aflição, Dom Luciano nos questionou: “E, então, vamos ajudar o nosso amigo?” A descontração foi geral: “Vamos, Dom Luciano!” Nossa ajuda era tão somente a de um espectador, de igual modo, impotente. Foi quando Dom Luciano sugeriu-lhe: “Repita comigo: ‘o filósofo francês, Henri Bergson, com este pensamento, quis dizer o seguinte [...]”. E a explanação, repetida pela vítima, precipitou-se nas minúcias engenhosas da literatura astuciosa que só a habilidade de um bom e bem preparado filósofo poderia entrelaçar nas teias improvisadas da artimanha irrefutável de seu raciocínio, tão surpreendente quanto convincente.

Terminada a explicação, outra pergunta voltou ferina: “E, então, vocês gostaram da explicação do nosso amigo?” E a aclamação, uníssona, subiu num grito do meio dos seminaristas: “Sim, Dom Luciano” . E ele acrescentou: “Palmas para ele!” A festa foi maravilhosa. Porém, houve um detalhe que só ele percebeu e nos tornou conscientes: “Quem é aplaudido não se aplaude porque é uma gravíssima falta de educação.

Entenderam?” E respondemos que sim, “entendemos”. Porém, ele sempre nos fazia cair nos artifícios de nossas próprias contradições. “Muito bem! Então, palmas para vocês!” A esparrela foi inevitável. Todos aplaudimos e demonstramos que não tínhamos entendido, praticamente, nada. Como habitualmente fazia, ele bateu a mão na testa e deu boas risadas às nossas custas. O melhor de tudo isso era que o seu jeito lúdico de ensinar verdades simples através do contundente estilo da ironia crítica e humorística, sem dispensar a virulência proporcionada pela ocasião, não feria nem ofendia ninguém. Pelo contrário, quem nos jogava no formigueiro do interrogatório, era o mesmo que nos livrava das formigas inconsequentes das respostas. Vez por outra, ele trazia um de seus livros, escolhia um texto e pedia que um seminarista lesse e, depois, fizesse a interpretação do texto. Do livro “Índia a voo de Pássaro”, escolheu o relato de seu encontro com o Patriarca Atenágoras I, de Istambul, antiga Constantinopla. Tratava-se de uma entrevista que lhe tinha sido concedida pelo referido Patriarca. Acabada a leitura, eis que o seminarista não se lembrava, nem sequer, do nome do indivíduo. Mas a demência, a deterioração mental, era comum a todos. Um nome completamente estranho e escutado pela primeira vez, quem se lembraria? Nem mesmo eu. Vindo em auxílio, Dom Luciano, mais uma vez, questionou: “Vamos ajudar o nosso amigo?” Claro: “Vamos, Dom Luciano!” E a pilhéria costumeira, no bom sentido do termo, outra vez, ocupava a cena. O que fez Dom Luciano? Começou a declinar os nomes das autoridades políticas do Estado de Sergipe, para ver se o nome coincidia, ou não, com o da leitura feita: “Era fulano de tal? Era cicrano? Era beltrano?” As repostas eram, desconfiadamente, sempre negativas. Quando Dom Luciano quis saber se era Viana de Assis, o vice-prefeito de Aracaju, a resposta foi imediata: “Sim, Dom Luciano!”. Querem saber qual foi a reação? Batendo a mão na testa, ei-la: “Pelo amor de Deus!”.

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

sábado, 6 de agosto de 2016

Homenagem a Dom Luciano


Homenagem a Dom Luciano.

Quem não lembra, quando Dom Luciano José Cabral Duarte, apresentava todos os domingos, pela Rádio Cultura de Sergipe, às 12h30, "A HORA CATÓLICA", programa de uma audiência impressionante, pois com sua inteligência e cultura, Dom Luciano dava uma aula todos os domingos.
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Abaixo, link e vídeo do prefixo musical (BG). do programa "A Hora Católica". Beethoven 6a Sinfonia "Pastorale" (Allegro I e II -... https://youtu.be/W3XOfkSYNWo


Postagem migrada do Facebook/GrupoMTéSERGIPE.
http://migre.me/uzUJB

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Dom Luciano é homenageado em exposição

Para o secretário Irineu Fontes, é uma satisfação
reconhecer às diversas contribuições de Dom Luciano.
Foto: Secult.

Infonet > Cultura > Noticias > 25/04/2016.

Dom Luciano é homenageado em exposição.

O arcebispo Dom Lessa representou Dom Luciano

Pinturas, fotografias e esculturas com temas religiosos marcam a nova exposição do Corredor Cultural Wellington dos Santos, “Irmão”, lançada nesta segunda-feira, 25, pela Secretária de Estado da Cultura (Secult). Intitulada “A Arte: o Sagrado e a Devoção”, a mostra presta uma homenagem a Dom Luciano, arcebispo emérito de Aracaju.

Para o secretário de Estado da Cultura, Irineu Fontes, é uma satisfação reconhecer às diversas contribuições de Dom Luciano para o Estado, a exemplo de sua participação na fundação da Universidade Federal de Sergipe. “Além de ter sido um grande ícone religioso, é importante ressaltar que Don Luciano foi um dos grandes intelectuais desta terra. Agradeço a oportunidade de estar secretário, no momento desta homenagem, que ilumina este Corredor”, afirmou.

Representando Dom Luciano, o também arcebispo Dom José Palmeira Lessa, falou sobre as qualidades do colega religioso. “Durante esta homenagem, fiquei pensando sobre quantos talentos Deus deu para Dom Luciano. Uma riqueza de inteligência, uma visão do homem, de sua dignidade, de sua grandeza, que o levaram a criar condições de uma vida digna. Neste dia, é grande o sentimento deste Estado, quando se reconhece a ação de Deus e, sobretudo, a resposta de Dom Luciano a este talento que recebeu, se colocando a serviço da Igreja e da sociedade”.

Durante a cerimônia o público assistiu a apresentação do “Coral de Laranjeiras, Coetus Kyriale e do Grupo de Chorinho Odir Caius. A exposição conta com esculturas, telas e fotografias dos artistas Ana Clara, Beto Ribeiro, Charles Henry, Diego DiSouza,Eurico Luiz, J. Inácio, JO’K, Joubert Moraes, Lúcio Telles, Pythiu, Vesta Viana, Willy Valenzuela, Zé Lima e Zeus.

Com sete fotografias expostas, o artista alagoano Diego DiSouza, conta que desde que chegou em Sergipe há três anos, tem acompanhado e fotografado manifestações religiosas. “Comecei fotografando a Festa de Senhor dos Passos, em São Cristóvão. A religião sempre esteve presente na minha família, então é um tema que me chama atenção, assim como a fé”, ressaltou.

Nesta edição do Corredor, receberam menção honrosa, Ana Medina, Carmen Dolores Duarte, Dom João José Costa, Dom José Palmeira Lessa, Enrica Mininni, Everaldo Aragão Prado, Maria Conceição Luduvice e Verônica Nunes. A exposição segue aberta ao público ao longo de todo o mês de maio, no Corredor Cultural, situado na sede da Secult, localizada na Rua Vila Cristina, 1051, bairro 13 de Julho.

Sobre o homenageado

Dom Luciano estudou na Escola de Aprendizes Artífices, depois Escola Técnica, hoje CEFET, antes de ingressar no Seminário Menor do Sagrado Coração de Jesus, aos 11 anos. Em 1942, mudou-se para o Seminário de Olinda, em Pernambuco e de lá seguiu para São Leopoldo (RS) onde concluiu os estudos eclesiásticos necessários para se tornar padre em 1948.

Fonte: Secult.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

sábado, 9 de agosto de 2014

LIVRO - “Memórias de uma fraternidade cristã”


Publicado originalmente no Portal Infonet/Cultura, em 07/08/2014.

Livro é lançado em homenagem a Dom Luciano
“Memórias de uma fraternidade cristã” é o nome da obra.

Foi lançado nesta quinta-feira, 7, no Museu da Gente Sergipana, o livro Memórias de uma fraternidade Cristã, a JUC e o padre Luciano Duarte. A obra, que faz homenagem ao arcebispo emérito de Aracaju Dom Luciano, reúne 610 páginas com palavras e lembranças dos autores e amigos de Dom Luciano: Clara Leite de Rezende, Geraldo de Oliveira, José Alexandre Felizola Diniz, José Carlos de Oliveira, Salvador de Oliveira Ávila, Wellington Santana e Carmen Machado Costa, irmã do arcebispo.

Segundo Geraldo de Oliveira, o livro tem sua origem na realidade de um grupo de jovens com experiências voltadas aos princípios e tradições do cristianismo, influenciando sua vida espiritual e acadêmica. Esses jovens estavam à frente da formação da Juventude Universitária Católica, a JUC, que em Sergipe teve Dom Luciano como assistente eclesiástico. De acordo com Geraldo, partiu da irmã de Dom Luciano a idéia de deixar por escrito as experiências vividas para que outras pessoas pudessem reviver o momento. “Foram dias gloriosos da juventude, e deixamos que cada um trouxesse preciosa contribuição”, disse Geraldo.


A católica Carmen Machado Costa também compareceu ao evento, representando Dom Luciano. Carminha, como é chamada pelos amigos, a irmã de Dom Luciano agradeceu emocionada do lançamento do livro pelos amigos, dizendo “Dom Luciano tem duas famílias: a de sangue e a de coração, e esta está aqui presente” (...).

Por Helena Sader e Aisla Vasconcelos.
Fotos: Helena Sader.

Fotos e trecho de reportagem reproduzidos do site:
infonet.com.br/cultura

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

'Dom Luciano visita o Palácio-Museu Olimpio Campos'


'Dom Luciano visita o Palácio-Museu Olimpio Campos'

"O Palácio-Museu Olímpio Campos recebeu no último dia 02, a visita do Arcebispo Dom Luciano Duarte em companhia de sua irmã, Carmen Duarte e da amiga, Carmelita Fontes. Os visitantes, que outrora foram convidados de jantares e eventos oferecidos por governadores do estado, puderam rever as pinturas, mobiliário e esculturas que àquela época já configuravam os espaços internos do monumento. O passeio reascendeu lembranças de importantes momentos vividos por ambos no Palácio.

Dom Luciano José Cabral Duarte, 85, foi o segundo Arcebispo Metropolitano de Aracaju e contabiliza inúmeras contribuições para a educação, cultura e religião do estado de Sergipe. Ainda como Bispo Auxiliar, foi membro do Conselho Estadual de Educação, destacando-se pelo empenho que dedicou à criação da Universidade Federal de Sergipe, e fundou do Colégio de Aplicação. Enquanto Arcebispo, Dom Luciano fundou o Museu de Arte Sacra de Sergipe, em São Cristóvão, criou diversas paróquias na Capital e no interior, entre outras tantas atividades dedicadas a trazer melhorias à vida dos sergipanos.

Durante a visita ao Olímpio Campos, no Salão de Jantar, onde estão dispostas fotografias de jantares que foram oferecidos pelo ex-governador Paulo Barreto, os irmãos Dom Luciano e Carmem reconheceram a si mesmos em um dos retratos e puderam relembrar algumas cerimônias das quais participaram.

"Este Palácio é o mesmo que nós encontramos quando meu irmão era Bispo Auxiliar, depois quando foi nomeado Arcebispo e em outras ocasiões em governos como o de Dr. Lourival Batista, Dr. Paulo Barreto, Dr. João Garcez. O melhor desta obra é que não foi construído algo novo, o que já estava aqui é que foi totalmente restaurado. O Governo do Estado está de parabéns por essa recuperação", afirma comovida a irmã do Arcebispo.

A professora e poetisa sergipana, Carmelita Fontes, que acompanhou a visita ficou encantada com a restauração. "Este Palácio é uma grande aula para quem vem conhecê-lo. Abrir à visitação foi fundamental para estudantes e pesquisadores, bem como para as próximas gerações que vão poder conhecer tudo isso aqui", diz a poetisa laranjeirense". (Do Site palacioolimpiocampos).
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Foto Ascom SECC