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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Monsenhor José Carvalho de Souza

 Monsenhor Carvalho, moço (Acervo Pessoal).

 Posse na Academia Lagartense de Letras (2013 Acervo da ALL).

 Uma das inúmeras Missas celebradas em 60 anos 
de Sacerdócio (2012-Acervo Pessoal).


Publicado originalmente no site do Portal Lagarto Notícias, em 4/12/2016.

Monsenhor José Carvalho de Souza : A Voz da fé católica em Sergipe.

Por Claudefranklin Monteiro.

A História do Catolicismo em Sergipe foi marcada por inúmeras passagens que atestam a sua fé no legado de Jesus Cristo. Parte disto, pode ser atribuída a trajetórias de vida de leigos e, sobretudo, de pessoas do clero que pontuaram, com suas ações e a representação que construíram na sociedade, um nível de referência digno de nota.

Nesse cenário, um nome e uma voz se destacam, em que pese a sua importância histórica, teológica e moral. Alcançando, por obra e graça de Deus, uma notável longevidade, Monsenhor José Carvalho de Souza, certamente, está entre os grandes nomes do catolicismo sergipano.

Órfão de mãe (Maria Carvalho de Souza), natural de Lagarto, no dia 24 de novembro de 1926, ainda muito cedo e sob os cuidados do avô, o Cel. Zacarias, José Carvalho de Souza resolveu ser sacerdote a ser fazendeiro (função social que dava notoriedade na cidade pelos idos dos anos 40 e 50).

Logo, não tardou a inserir-se no Seminário, sob a orientação do Padre João Marinho, onde se destacou sem demora, indo estudar Filosofia na Paraíba, na Universidade Católica de Pernambuco e no Seminário Maior de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, considerado, à época, uma das melhores instituições de formação de sacerdotes do Brasil.

Teve, ainda, uma passagem pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São João Del Rei-MG, onde recebeu o Diploma de Administração Escolar (outra vocação latente que lhe serviria de base para mais tarde implantar uma das mais renomadas escolas de Sergipe – O Arquidiocesano).

Marcado pela sábia e profícua retórica e por uma voz inconfundível e muito peculiar, certamente recebeu influências de seu Mestre espiritual, o padre Frederico Loufer, do qual herdou ainda o interesse pelos estudos bíblicos.

Não tardou para que seus méritos fossem reconhecidos. Ao longo de 60 anos de Sacerdócio, Monsenhor Carvalho ocupou e aceitou as honrosas, como também desafiantes, missões sacerdotais.

Foi ordenado presbítero, em 1956, por Dom Fernando Gomes, na matriz de Lagarto, já foi vice-Reitor e Reitor do Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus.

Porém, sua história sacerdotal se confunde com a do Colégio Arquidiocesano. Pelos idos de 1957, quando assumia a reitoria do Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, o Monsenhor Carvalho enfrentou a duras penas o desafio de zelar pela parte espiritual, pedagógica, e por contingências contextuais, a financeira também.

Em 1959 nascia, numa das dependências do seminário na Praça Camerino, o então Educandário Sagrado Coração de Jesus (denominação dada à época para instituições de ensino mantidas pela Igreja Católica, a exemplo do Educandário Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto). Mais tarde, em 1960, à Rua Dom José Thomaz, o Educandário se transforma em Ginásio Diocesano Sagrado Coração de Jesus.

Com os anos, o Arquidiocesano se transformou, sob sua direção, numa das maiores e melhores instituições de ensino particular do Estado de Sergipe, com destaque especial para o excelente desempenho de seus alunos em competições esportivas e no vestibular, carregando a marca registrada do determinismo e garra de Monsenhor Carvalho, seu fundador. Em 2012, afastou-se da instituição deixando marcas inesquecíveis e insuperáveis.

Desse modo, com destacada passagem pela educação e pela cultura, ele foi nomeado Conselheiro do Conselho de Cultura do Estado de Sergipe, em 1968. Tendo sido, também, Diretor-Presidente da Rádio Cultura de Sergipe.

Em 1975, foi nomeado Cônego Catedrático do Cabido Metropolitano da Arquidiocese de Aracaju, pelo arcebispo de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte.

Orgulho da gente lagartense, Monsenhor Carvalho é presença assídua no novenário dedicado a Nossa Senhora da Piedade, por quem devota apreço especial. Nas últimas festas da padroeira de sua querida terra natal, ao longo de seus 90 anos de vida, tem tido a honra (como gosta de frisar) de encerrar as festividades da Padroeira.

Em 2002, foi nomeado monsenhor pelo Papa João Paulo II, por solicitação de Dom José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju. Título que ostenta com galhardia e mérito.

Em 2006, publicou seu primeiro livro, ‘Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju’, um opúsculo que condensa passagens importantes do catolicismo da capital sergipana, desde os primórdios da Capitania de Sergipe D´El Rei.

Pelas mãos do saudoso Governador Marcelo Déda, recebeu, em 2007, a Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar, honraria da Assembleia Legislativa de Sergipe.

Por ocasião das comemorações do centenário de falecimento de Monsenhor Daltro, em Lagarto, na Administração do Prefeito Valmir Monteiro, em 2011, ele recebeu a Comenda Daltro.

No âmbito das academias literárias, em 1998, foi nomeado membro titular da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História de São Paulo. Desde o dia 19 de abril de 2013, tornou imortal da Academia Lagartense de Letras, ocupando a cadeira de número 10, cujo Patrono é Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro.

Ainda em 2013, foi tema da dissertação de Mestrado de Educação, pela UNIT, de Cristiane de Souza Santana Lima, sob a orientação da Prof. Dra. Raylane Andreza Dias Navarro Barreto, que traça seu perfil à luz da História da Educação em Sergipe.

Em 2015, pelo conjunto da obra, o Conselho Estadual de Educação de Sergipe concedeu-lhe o título de Honra ao Mérito Educacional.

Em que pesem as considerações aqui expostas, pode-se dizer que Monsenhor Carvalho faz jus a diversas passagens da Bíblia Sagrada que discorrem sobre a longevidade. Sua trajetória vai ao encontro das palavras de Deus, que prometeu alongar os anos daqueles que seguissem seus preceitos e procurasse fazer de seu viver um gesto concreto de amor ao seu próximo.

Texto e imagens reproduzidos do site: lagartonoticias.com.br

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Homenagem a Monsenhor Carvalho



Hoje (24 de novembro de 2016), Monsenhor Carvalho comemora 90 anos.
José Carvalho de Souza nasceu no dia 24 de novembro de 1926,
no município de Lagarto - Sergipe.
Curtidas e comentários em post no Facebook.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Monsenhor José Carvalho de Souza (2009)



Publicado originalmente no blog Em Pauta UFS, em 03/12/2009.

Monsenhor José Carvalho de Souza: 50 anos de compromisso com a educação

Monsenhor José Carvalho de Souza
Por Catarina Schneider

Monsenhor José Carvalho de Souza, 83 anos, é um nome de referência em Aracaju. Conhecido por fundar o Colégio Arquidiocesano desde 1º de março de 1960 e pela sua visão cristã moderna, é tido como um grande educador. Nascido em 24 de novembro de 1926, é bem humorado e bastante acessível, dando-se muito bem com os adolescentes e as crianças. Nascido na cidade de Lagarto, órfão de mãe desde o seu nascimento, foi criado pelos avós e tios. Desde a sua infância já pensava em ser padre. Estudou em uma escola católica, “Dona Maria Teles”, e gostava bastante de prestar atenção nas pregações que os padres faziam e de ajudar as missas como coroinha, o que demonstra sua vocação para o sacerdócio. Porém, seus tios fizeram uma pressão muito grande e ele acabou desistindo da idéia. Quando completou 17 anos, teria que vir para Aracaju cursar o ginásio no colégio Tobias Barreto em regime de internato, já que não existia segundo grau na sua cidade. Como não queria, sua avó o mandou pra fazenda. Lá ele tomou gosto pelos animais e tornou-se muito apto naquilo. “Tinha 36 cabeças de gado e sempre trocava animais com meu tio”, conta todo orgulhoso. Em uma venda de ferreiro onde levava o material da fazenda para o conserto, perto da casa onde morava em Lagarto, tinham dois adventistas (religiosos que guardam o sábado ao invés do domingo) que ficavam criticando a igreja católica. Como tinha princípios religiosos, Monsenhor Carvalho, objetivava-os discordando do que falavam. Então, uma pergunta trouxe à tona o que estava adormecido. “Eles me perguntaram se eu já havia lido a Bíblia e eu disse que não, aí eles falaram que foi por isso que eu acreditava na igreja católica, pois ela deixou de pregar a língua de Deus para pregar a língua dos homens. Naquele mesmo dia eu comprei o Novo Testamento e comparei o que tinha aprendido na escola e na igreja”, relembra. Assim, foi se apegando à igreja, ao Evangelho e voltando a freqüentar as missas. No dia 8 de setembro de 1945, na hora do jantar, seu tio o interperou: “Eu pedi a preferência da fazenda pra você e você não disse se quer ou não comprá-la, então se decida porque venderá para outra pessoa”. Então, ele disse : “Se meu avô, Zacarias da Silva Junior, em vez de me dar a fazenda, quiser custiar a despesa no seminário, prefiro ir para lá”. Sua avó não apoiou muito, pois dizia que nunca gostara de estudar e nunca havia perseverado com nada.

Porém, aquilo era o que ele realmente queria e prometeu estudar e prosperar. Assim, seu avô cedeu para ele ir ao seminário. Foi uma bomba na cidade. Filho de fazendeiro, um menino novo como outro qualquer, abandonar tudo isso e ingressar no seminário aos 19 anos. No dia 20 de fevereiro de 1946 começou uma vida de estudo e dedicação que toda a sua vontade o fez chegar ao nível dos outros em um só semestre, terminando o seminário em apenas cinco anos. Em seguida, fez um curso de Filosofia na Universidade Católica de Pernambuco em dois anos. Logo depois, o bispo escreveu dizendo que queria que ele fizesse teologia em outro lugar para o sacerdócio, e o indicou para o Rio Grande do Sul para o Seminário Maior de São Leopoldo, para onde foi. Tendo ainda uma passagem pela Faculdade de Ciências e Letras de São João Del Rei (MG), onde recebera o Diploma de Administração Escolar (outra vocação latente que lhe serviria de base para mais tarde implantar uma das mais renomadas escolas de Sergipe – O Arquidiocesano). No dia dois de dezembro de 1956, o bispo o nomeou para ser vice-reitor do seminário que assumiu aqui em Aracaju. No dia 12 de março ele o transferiu para reitor do seminário e logo depois fundou o colégio Arquidiocesano com a intenção de trazer uma formação para jovens que também não se destinavam ao sacerdócio. O objetivo geral do seu trabalho é estimular os alunos para que e eles se tornem felizes, capazes e iluminados, para que prosperem aqui e na eternidade. “Ser uma pessoa justa, com fé, que queira bem ao trabalho, tenha o suficiente para viver, seja solidário e atenda as necessidades dos outros: isso é o que tento passar para eles”, conta. Coordenador e diretor do colégio mais antigo de Aracaju que completa no próximo ano 50 anos, tem sua história relatada num enorme acervo de placas, medalhas, prêmios e reconhecimento do excelente trabalho que vem exercendo para o Arqui e famílias que depositam sua confiança na educação que o Monsenhor Carvalho se propõe dar todos os dias.

Texto e imagem reproduzidos do blog: empautaufs.wordpress.com/2009/12/03