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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

“Operação Cajueiro, 45 anos”

Foto de Milton Coelho - Reprodução da ASCOM/Comissão Estadual da Verdade, postada pelo blog para ilustrar o presente artigo.

Trecho reproduzido de artigo de autoria de Marcos Cardoso, postado no blog INFONET, em 22 de fevereiro de 2021, com o título - “Operação Cajueiro, 45 anos”.  

 (...) A Operação Cajueiro, passados já 45 anos, não deve ser lembrada como motivo de comemoração. Mas também não deve ser esquecida. Como uma ferida incurável que dói, deve ser rememorada por toda a vida. Para que arbitrariedades como essa jamais voltem a se repetir. Sob nenhum pretexto.

Relação dos presos na Operação Cajueiro em 1976

NOME  PROFISSÃO

Antônio Bitencourt        Ferroviário

Antônio José de Góis    Estudante e bancário

Asclepíades José dos Santos      Vendedor ambulante

Carivaldo Lima Santos   Ferroviário

Carlos Alberto Menezes*           Advogado

Delmo Naziazeno            Agrônomo

Durval José de Santana*             Pedreiro aposentado

Edgar Odilon Francisco dos Santos          Serventuário

Edson Sales        Pedreiro

Elias Pinho de Oliveira* Advogado

Faustino Alves de Menezes       Pequeno comerciante

Francisco Gomes Filho (enviado PCB)    Pedreiro

Gervásio Santos*            Jornaleiro

Jackson de Sá Figueiredo            Advogado

João Francisco Oséa       Pequeno comerciante

João Santana Sobrinho*              Advogado

José Soares dos Santos Agricultor

Luiz Mário Santos Silva  Agrônomo

Marcélio Bonfim              Funcionário Público

Milton Coelho de Carvalho         Funcionário da Petrobras (foto)

Pedro Hilário dos Santos              Ferroviário

Rosalvo Alexandre Lima Filho    Agrônomo e funcionário público

Virgílio de Oliveira (Juca)             Ferroviário

Walter Santos* Professor e funcionário público

Wellington Dantas Mangueira Marques*            Advogado

*Não processados – Fonte: Ibarê Dantas, “A Tutela Militar em Sergipe – 1964/1984”

Trecho de artigo reproduzido do site: infonet.com.br/blog

domingo, 16 de agosto de 2020

Operação Cajueiro > Aracaju, 1976 - Conheça Pedro Hilário dos Santos

Pedro Hilário dos Santos - Reprodução

Publicado originalmente no site da revista AVENTURAS NA HISTÓRIA, em 30 de março de 2019

Aracaju, 1976: Conheça Pedro Hilário dos Santos, preso em uma das mais violentas ofensivas da Ditadura Militar.

Descubra o caso do soldado e ferroviário sergipano atacado pelos militares durante a famosa Operação Cajueiro

Por André Nogueira

A Operação Cajueiro foi uma das mais violentas e brutais ofensivas militares do período da ditadura e, ao mesmo tempo, é uma das mais mal explicadas. Trata-se de uma iniciativa do general Adyr Fiúza de Castro da 6ª RM em Salvador, que, no dia 20 de abril de 1976, envia um batalhão numa missão em Aracaju, Sergipe. Nessa oportunidade, uma junta composta por membros do Exército nacional, da RM baiana, do DOI-CODI, do DOPS e da Polícia Federal, ordenados pelo tenente-coronel Oscar Silva, prenderam mais de 25 sergipanos, além de processar 18 soldados e um deputado estadual.

Pelos pronunciamentos do exército, o objetivo principal da ofensiva era minar os membros escondidos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), na ilegalidade na época. Porém, quase nenhum acusado possuía qualquer ligação com o órgão. A iniciativa ocorreu na tarde da véspera do Carnaval de 1976 e veio de uma iniciativa federal de eliminação do Partido. Muitos políticos e homens influentes do Sergipe foram presos: Antônio Góis, Marcélio Bonfim, Rosalvo Alexandre, Milton Coelho e Wellington Mangueira.

Pedro Hilário dos Santos foi um soldado sergipano dedicado. Fez parte, nos anos 1940, das Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB) mandadas por Vargas para lutar na Segunda Guerra Mundial em território europeu (principalmente, Itália). Parte deste grupo também acabou se envolvendo com as manifestações militares ocorridas em 1945 contra o presidente, pois as FEBs e Hilário dos Santos haviam lutado pela derrubada do fascismo na Europa, mas, ao retornarem, se depararam com o cenário de ditadura nacionalista e pesada que Vargas comandava. Porém, com seu retorno ao Brasil, se tornou ferroviário.

Pedro foi um dos sergipanos presos durante a Operação Cajueiro. Os militares, no calor da iniciativa e na falta de poderes de contenção, protagonizaram um cenário de aprisionamento alheio cuja motivação, a caça ao PCB, não pareceu mobilizar a ação. Pedro não era comunista e muito menos partidário do órgão procurado.

Porém, quando o ferroviário percebeu as proporções da iniciativa do exército e a tentativa dos policiais de fazerem um cerco em volta da sede da empresa em que trabalhava (Leste), Pedro mandou que todos fugissem enquanto segurou a porta para impedir a invasão. O ex-soldado travou a porta e deu tempo para que seus colegas de trabalho pudessem fugir com vida. Pelo ato, Pedro Hilário foi preso.

Dois anos depois dessa confusão, por condições de saúde, Pedro Hilário da Silva veio a falecer. Hoje, há homenagem a ele em nome de rua de São Conrado, em Aracaju.

Texto e imagem reproduzidos do site: aventurasnahistoria.uol.com.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Operação Cajueiro, 35 anos

Imagem postada por MTéSERGIPE, a fim de ilustrar o presente artigo.
Foto reproduzida do site: revistagambiarra.com.br

Publicado originalmente do site do Portal Infonet, em 31/01/2011.

Operação Cajueiro, 35 anos.
Por Marcos Cardoso.

A ditadura militar implantada a partir do golpe de março de 1964 atingiu o máximo da brutalidade em Sergipe com a Operação Cajueiro, assim cognominada pelo Exército. No dia 20 de fevereiro, faz 35 anos que uma força especial vinda da Bahia, sob as ordens do general linha-dura Adyr Fiúza de Castro, comandante da 6ª Região Militar, sediada em Salvador, prendeu arbitrariamente 25 sergipanos, processando 18 deles, além de processar também o então deputado estadual Jackson Barreto, que não chegou a ser preso. Essa força especial reunia elementos do temível DOI-CODI, do DOPS e da Polícia Federal e agiu em Aracaju sob as ordens do tenente-coronel Oscar Silva.

A acusação, que nem cabia a alguns deles, era de serem ligados ao proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB). A operação realizada a partir de uma tarde de 1976, véspera de Carnaval, obedecia na verdade a uma ordem nacional que era a de acabar com o Partidão, a exemplo das demais siglas clandestinas. No bojo desse recrudescimento da onda anticomunista, foram assassinados nas celas do DOI-CODI, em São Paulo, o jornalista Wladimir Herzog, em outubro de 1975, e o operário Manuel Fiel Filho, em janeiro de 1976.

“Em início de 1976, enquanto as demais organizações de esquerda estavam praticamente desativadas (o PC do B havia sido vencido na sua experiência no Araguaia em 1974), o PCB, além de possuir representantes na Assembléia Legislativa (Jackson Barreto) e na Câmara de Vereadores (Jonas Amaral), praticamente controlava o Sindicato dos Petroleiros, o Sindicato dos Bancários, alguns centros acadêmicos da UFS e o DCE. Tinha militantes ativos junto aos trabalhadores rurais e exercia alguma influência em diversos órgãos da sociedade civil e do Estado. Nas circunstâncias de então, era uma presa invejável para qualquer sigla clandestina, fato que os militares não ignoravam. Daí a intensificação das perseguições”, conta o historiador Ibarê Dantas, em A Tutela Militar em Sergipe – 1964/1984.

Dentre os presos em Sergipe estavam pessoas hoje conhecidas, e vivas para contar a história, como os ex-vereadores Antônio Góis, Marcélio Bonfim e Rosalvo Alexandre, o aposentado da Petrobras Milton Coelho — que ficou cego devido à pressão da borracha que lhe vendava os olhos —, e o advogado Wellington Mangueira. Este, ainda debilitado por torturas e sevícias que sofrera ao lado da mulher, Laura Marques, em 1973, foi um dos primeiros a serem soltos, supostamente após assinar uma carta renegando a doutrina do comunismo — coisa que ele garante jamais ter feito. O fato, a soltura de Wellington uma semana depois de iniciada a Operação Cajueiro, resultou em acusações injustas que até hoje alguns insistem em imputar contra ele, como a de ter sido colaborador dos militares. Os advogados Carlos Alberto Menezes e Elias Pinho de Oliveira teriam sido presos por engano.

Nos mesmos dias das prisões, que se prolongaram até 23 daquele mês, os presos eram encaminhados para o 28º Batalhão de Caçadores. O comandante do quartel, o coronel Osman de Melo e Silva, havia sido afastado pelo general Fiúza de Castro, um explícito defensor da tortura que queria que seus homens ficassem à vontade para “trabalhar”. “Entre os depoimentos dos militares, colhidos pelos pesquisadores do CPDOC e publicados em três volumes, ninguém defendeu o uso da tortura de forma tão explícita como ele”, diz Ibarê Dantas. O historiador recorda o que aconteceu nos porões do 28° BC:

“No Quartel, segundo depoimentos de alguns deles, colocavam um capuz que pressionava fortemente os olhos com borracha, despiam-no e, algum tempo depois, vestiam um macacão. Submetiam a exame médico, trancavam numa cela incomunicável, e realizavam os interrogatórios entremeados de torturas, cujo nível dependia do estado de saúde e da capacidade de resistência do indivíduo (uma das curiosidades dos inquisidores era detectar onde se realizavam as reuniões clandestinas, para respaldar a acusação). Alguns que reagiram à prisão já foram recebidos debaixo de tapas. Quase todos teriam sofrido pancadas na cabeça, ‘telefones’, choques nas partes mais sensíveis do corpo, da língua aos testículos, bem como tentativas de afogamento, golpes na altura dos rins de ambos os lados do corpo, entre outras sevícias (alguns sergipanos teriam participado ativamente dessas operações, entre os quais o capitão Morais e até juízes de futebol ligados ao Exército: Siqueira, Barreto Góis, Cruz e Sargento Souza). Decorridos cerca de cinco a sete dias de padecimentos, os prisioneiros puderam comunicar-se com os colegas. Um deles, Milton Coelho de Carvalho, quem mais resistiu às torturas, quando lhe foi retirado o capuz, além das marcas de ferimento no rosto, comum a quase todos, estava com deslocamento incurável de retina. As três cirurgias posteriores a que foi submetido e os tratamentos demorados jamais lhe restituíram a visão.”

Em maio de 2009, a Caravana da Anistia do Ministério da Justiça julgou, na sede da OAB em Aracaju, 34 processos de sergipanos que se declararam vítimas do regime militar: 22 processos foram deferidos, as vítimas declaradas anistiadas e o presidente da Comissão de Anistia, em nome do Estado brasileiro, desculpou-se pelo sofrimento causado a cada um desses cidadãos que ousaram lutar pela democracia. Dezoito anistiados tiveram reconhecido o direito de serem indenizados ou de terem corrigidas indenizações anteriormente conquistadas. Um deles foi Antônio José de Góis, o Goizinho, que ficou decepcionado com a indenização de R$ 55.800. Preso na Operação Cajueiro, Goizinho foi torturado e permaneceu 21 dias encarcerado.

A Operação Cajueiro, passados já 35 anos, não deve ser lembrada como motivo de comemoração. Mas também não deve ser esquecida. Como uma ferida incurável que dói, deve ser rememorada por toda a vida. Para que arbitrariedades como essa jamais voltem a se repetir. Sob nenhum pretexto.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/marcoscardoso

quarta-feira, 8 de julho de 2015

"Operação Cajueiro - Um Carnaval de Torturas"



Infonet - Política - Noticias - 30/06/2015.

Governador é o primeiro a depor na Comissão da Verdade
Comissão fará relatório sobre os porões da ditadura militar

O governador Jackson Barreto (PMDB) assumiu compromisso publicamente de ser a primeira testemunha [e vítima da ditadura militar instituída com o golpe de 1964] a prestar depoimento na Comissão da Verdade de Sergipe, instalada nesta terça-feira, 30, por iniciativa do próprio líder do Poder Executivo Estadual. A data ainda é incerta, mas será definida pela presidência da Comissão em sintonia com a agenda do governador.

A Comissão da Verdade tem a missão de trazer à tona todos os fatos históricos relativos aos períodos marcados por torturas, assassinatos, perseguições políticas, prisões arbitrárias e desaparecimento de militantes que resistiram às arbitrariedades do Governo, gatos registrados entre os anos de 1946, que antecede o golpe militar, a 1988, ano em que se instalou a redemocratização do país com aprovação da nova Constituição Federal, pós-anistia. “Estamos começando a passar a limpo uma das páginas mais sombrias da nossa história”, ressaltou o governador.

Os sete integrantes da Comissão da Verdade iniciarão os trabalhos ainda nesta terça-feira com a primeira reunião de seus membros, convocada pelo professor Josué Modesto Passos Subrinho, que presidirá os trabalhos, para definirá os primeiros passos que serão tomados para desvendar os mistérios dos porões da ditadura no âmbito do Estado de Sergipe. “Vamos começar do zero”, revelou o professor Josué Subrinho.

O relatório da Comissão Nacional da Verdade concluído no ano passado será o parâmetro para a equipe sergipana, que pretende se debruçar sobre documentos oficiais liberados pelo próprio Sistema Nacional de Informação (SNI) e dos depoimentos dos sergipanos torturados, que estiveram à frente da resistência ao golpe militar de 1964 e sobreviveram ao período sombrio da história brasileira, a exemplo do casal Wellington e Laura Mangueira e Bosco Rollemberg e Ana Cortes.

O governador deu carta branca para que os membros da Comissão da Verdade tragam à tona toda a história, sem a preocupação a quem possa atingir. “Não importa nada, a comissão tem liberdade e tem compromisso apenas com a verdade. Não tem que se preocupar com A B ou C, tem que saber o papel de cada um no momento certo”, destacou Jackson Barreto.

“Esta Comissão não tem nenhum caráter revanchista, não é o ódio quem conduz. É preciso o esclarecimento dos fatos para guardarmos para a história para que as novas gerações, de forma profunda, tomem conhecimento do que aconteceu em Sergipe e um alerta para que estes fatos nunca mais se repitam”, destacou Jackson.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), Carlos Augusto Monteiro Nascimento, informou que a entidade fará uma interlocução com o governador Jackson Barreto para que a entidade possa contribuir com os trabalhos da Comissão da Verdade em Sergipe. Com esta iniciativa do Governo do Estado, a OAB/SE, segundo enfatizou Carlos Augusto Monteiro, também agirá para criar uma comissão interna com o propósito de investigar os fatos históricos que marcaram a ditadura militar em Sergipe.

A instalação da Comissão da Verdade em Sergipe foi marcada por forte emoção, traduzido em um encontro de militantes políticos que fizeram linha de frente ao regime militar. “Quando a gente rever estes companheiros, a gente diz valeu a pena. Imitando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Digo, com o coração aberto, que tudo que nós fizemos pela democracia e pela liberdade, faremos tudo novamente”, destacou Jackson Barreto, que também sofreu as perseguições políticas típicas de um regime que ceifou vidas e mentes.

Por Cássia Santana.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/politica

Jackson e Rosalvo Alexandre: parceria contra a tortura e perseguições. 
Crédito - Cássia Santana/Portal Infonet).




"Operação Cajueiro - Um Carnaval de Torturas" é um documentário brasileiro que trata da questão da ditadura militar. Seu foco é a operação que ocorreu, em Sergipe, durante o carnaval de 1976.