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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Antigos carnavais de Aracaju

Legenda foto - Imagem extraída de vídeo do Canal YouTube/Pascoal Maynard e postada pelo blog “Isto é SERGIPE”, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 26 de setembro de 2011

Antigos carnavais de Aracaju

Saber Ciência /Samuel Barros de Medeiros Albuquerque

Na tarde do último dia 27, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe recebeu a visita de uma equipe da TV Sergipe envolvida na produção de uma matéria sobre os antigos carnavais aracajuanos. Buscavam registrar imagens de documentos que remetessem aos festejos de outrora.

No rico acervo da “Casa de Sergipe”, como é carinhosamente conhecido o Instituto, a equipe se interessou por alguns objetos, fotografias e notícias de jornais, além de alguns escritos legados por renomados autores sergipanos.

Inspirado pela produção da referida matéria, tratei de revisitar um dos mais primorosos textos da memorialística sergipana, o encantador “Roteiro de Aracaju”, obra de Mário Cabral, publicada em 1948.

Dialogando com autores como Corinto Mendonça, Mário Cabral informa que, em Aracaju, o carnaval surgiu ainda no século XIX, em princípios da década de 1890. Fomentado, sobretudo, pelo tenente Henrique Silva, surgiram os primeiros grupos de foliões, ao som de clarins e zabumbas, usando máscaras e fantasias. Mário trata com riqueza de detalhes dos desfiles dos primeiros clubes: o Mercuriano, o Cordovínico e, depois, o Baco e o Arranca. Segundo ele, “os carros alegóricos formavam grandiosos préstitos, procedidos, majestosamente, pelos clarins dos arautos” (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, p. 55).

Entre as décadas de 1910 e 1930, o carnaval aracajuano passou por muitas transformações. O corso de automóveis na Rua João Pessoa, o uso generalizado de fantasias, confete e lança-perfume são marcas desse período. Mário também rememorou os concorridos bailes de carnaval. Segundo o poeta, “o povo dançava nos famosos bailes do Cinema Rio Branco. A grã-finagem se divertia no Clube dos Diários. O Recreio Clube, posteriormente, passou a ser o quartel general da folia carnavalesca, sendo o seu baile da terça-feira, um verdadeiro acontecimento social e mundano” (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, p. 55).

Sob o ritmo do frevo, o nosso carnaval ganhou novo fôlego na década de 1940, após a Segunda Guerra Mundial. “Durante quatro dias e quatro noites, na Rua João Pessoa, na Praça Fausto Cardoso e na Travessa Benjamim Constant, ao som de grandes e de poderosos amplificadores, o povo aracajuano realiza[va] um carnaval animadíssimo. Os estandartes, como coisas vivas, oscilam sobre o estranho mar de cabeças humanas”, informa Mário (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, pp. 55-56).

Ele afirma ainda que as ruas eram “decoradas por meio de luzes, cartazes, bandeirolas, figuras e gigantes painéis carnavalescos”. Sem contar com os famosos bailes dos clubes Sergipe, Cotinguiba, Aracaju e Associação. O poeta também caracterizou os antigos carnavais aracajuanos como um “maravilhoso espetáculo de igualdade e democracia”, congregando “velhos e moços, pretos e brancos, ricos e pobres” na festa pagã.

Sem dúvida, os “flagrantes” do “Roteiro de Aracaju” contribuem para o resgate da identidade aracajuana. Ana Maria Fonseca Medina, num belo texto dedicado ao amigo Mário Cabral, escreveu: “Aracaju perdeu o ar provinciano, tudo mudou caro poeta, mas você fez o milagre de deixar para as gerações futuras, a cidade poética intacta, pintada pelo colorido da sua pena de artista da palavra flamante” (Revista do IHGSE, nº 38, 2009, p. 266)

Nesse sentido, o “Rasgadinho”, um dos mais tradicionais blocos no carnaval de rua da cidade, criado na década de 1960, ressurgiu com força em 2003, animando os foliões do Cirurgia e bairros próximos.

Mesmo vivendo em Salvador, Mário Cabral sempre esteve atento aos acontecimentos de sua amada Aracaju. Certamente, antes do seu falecimento, em abril de 2009, o poeta teve notícias do renascimento do tradicional carnaval aracajuano.

É possível que Mário tenha se deixando tomar por um súbito sentimento de satisfação ao constatar que os antigos carnavais inspiraram os foliões do século XXI, promovendo um vibrante encontro do passado com o presente, resignificando uma memória que teima em sobreviver.

Currículo

Professor da Universidade Federal de Sergipe. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Texto reproduzido do site: ufs.br

'Breve memória dos Carnavais de antigamente', por Ivan Valença

Legenda de foto: ‘Antigos Carnavais’ reproduzida do site [aperipe.com.br] e postada pelo blog "Isto é SERGIPE", para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 15 de fevereiro de 2021

Breve memória dos Carnavais de antigamente
Por Ivan Valença (do blog Infonet)

As ruas do centro da cidade, hoje, estão vazias, como convém aos dias que são feriados. Não se veem as aglomerações que estão na expectativa da passagem de mais um bloco carnavalesco. O cenário é a Rua João Pessoa, e os blocos estão vindo da praça Fausto Cardoso, onde sobrava uma nesga de rua para o desfile daqueles intimoratos que teimavam levar seus blocos para a rua. Hoje não tem nada disso. A pandemia do coronavírus simplesmente expulsou todo mundo dos locais onde se comemorava o carnaval. Hoje está tudo proibido para evitar aglomeração que facilitaria a propagação do CoronaVírus, o maldito invisível aos olhos humanos que é uma peste moderna. Ninguém quer contrair a Covid 19 porque sabe que o vírus é o mais fácil transporte para uma cama hospitalar para tentar se curar da doença que o vírus traz. Num passado não tão distante assim seria impensável a não realização do carnaval por causa de um simples vírus que a humanidade hoje combate de março do ano passado. Por causa dele parou-se tudo e os prejuízos que ele está trazendo à humanidade e inenarrável. Os locutores de rádio fazem tudo para convencer o folião: este ano não teve mas no próximo ano tem mais…

AS BANDINHAS LEVAM OS BLOCOS

Num Passado não tão distante assim, podia-se deixar de brincar nos blocos, porque logo depois dele viriam outras concentrações tão boas e anárquicas como elas. Cada bloco era puxado por uma bandinha que se virava para atender a dois ou três clientes. Depois dos blocos – em torno de seis no total que era para não cansar principalmente aqueles que assistiam encostados às paredes das lojas – Os desfiles começavam as três da tarde e mais das vezes passava da hora do início da noite. Parecia uma convenção: os foliões mais possuídos largavam essa brincadeira de poucos garotos e iam para casa.

OS BAILES NOS CLUBES

Os cidadãos mais afortunados encerravam suas participações nos blocos de rua, por volta das 19h30. Corriam para casa para um banho relaxante e trocar de roupa. Agora eram vestimentas mais legais e condizentes com os clubes que frequentavam. Havia pelo menos uns seis clubes que ofereciam bailes carnavalescos durante todos os dias de carnaval. O mais requintado, sem dúvida, o Iate Clube Aracaju que reunia a nata da sociedade sergipana. Oferecia um serviço extraordinariamente bom, enquanto uma bela orquestra jogava para os foliões os últimos sucessos musicai s em forma de marchinha de carnaval. No último dia da folia, a bandinha do Iate ia ao encontro da bandinha da Associação Atlética para um desfile fantástico de belas músicas, enquanto os foliões dos dois clube esbanjavam alegria. O Carnaval do Iate Clube, sem sombra de dúvidas, sempre foi o melhor da cidade. Mas, o carnaval da Associação Atlética não ficava muito atrás. Mais das vezes, a diretoria da Atlética era obrigada a proibir a entrada de foliões porque não havia espaço nos salões para caber tanta gente. Disputava com a Atlética o título de melhor carnaval, o Vasco Esporte Clube cuja sede social ficava no primeiro trecho da rua de São Cristóvão. Era o clube preferido da classe média aracajuana. Os bailes do Cotinguiba Esporte Clube, no final da Avenida Augusto Maynard, também era disputadíssimos. Haviam sempre lugar para “mais um” nos clube dos menos favorecidos da sorte. Era o caso do Flamengo Circulista que ficava no bairro Siqueira Campos. Todos ofereciam belas festas de carnaval, que de certa forma deixaram saudades nos seus frequentadores.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Viagem pelo carnaval sergipano revela histórico de tradição e censura



Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 5 de fevereiro de 2020

Viagem pelo carnaval sergipano revela histórico de tradição e censura

Se o carnaval, hoje em dia, é uma festa já consolidada, há quase 100 anos, a festa popular foi objeto de resistência em época de governos militares. Em Sergipe, muitos blocos e agremiações foram impedidos de saírem as ruas por ordem do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda, setor que era alinhado a ideologia do Governo Federal. Documentos das décadas de 30 e 40 revelam carimbos de censura que eram emitidos pelo Departamento. Apesar do cerceamento da manifestação cultural na época, o início do carnaval sergipano não deixou de ser marcado pela tradição e popularidade da festa. Nossa reportagem acompanhou a seleção de documentos e registros do século passado, que estão em exposição no Arquivo Público de Sergipe – é a exposição Memórias e Encantos do Carnaval Sergipano.

Confira a reportagem completa no vídeo:


Texto, imagens e vídeo reproduzidos dos sites: google, infonet e youtube

sexta-feira, 24 de maio de 2019

"Memória do Carnaval Sergipano" (Aperipê TV, canal 6.1)








"Memória do Carnaval Sergipano" 
Exibição - Aperipê TV, canal 6.1. 
Produção: Francisco Carlos e Dida Araújo

Reprodução da fanpage do Facebook/Aperipê

quarta-feira, 1 de março de 2017

Exposição "Antigos Carnavais" (13/04/2016).

Exposição "Antigos Carnavais" (13/04/2016).
Camarote dos antigos carnavais de Aracaju, no
Palácio Museu Olímpio Campos, em Aracaju/SE.
Sob a curadoria dos pesquisadores Lineu Lins e Murillo Melins.
Foto: Marcela Prado/ASCOM SECC
Reproduzida do site: palacioolimpiocampos.se.gov.br

Antigos carnavais de Aracaju

Antigo Carnaval de Rua em Aracaju/SE. (Rua João Pessoa).
Imagem postada por MTéSERGIPE, para ilustração desse artigo.
Reproduzida no Blog dedinharamos.

Foto do acervo de Edelde Ramos.

Publicado originalmente no site da UFS, em 08/06/2010.

Antigos carnavais de Aracaju
Por Samuel Barros de Medeiros Albuquerque*

Na tarde do último dia 27, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe recebeu a visita de uma equipe da TV Sergipe envolvida na produção de uma matéria sobre dos antigos carnavais aracajuanos. Buscavam registrar imagens de documentos que remetessem aos festejos de outrora.

No rico acervo da “Casa de Sergipe”, como é carinhosamente conhecido o Instituto, a equipe se interessou por alguns objetos, fotografias e notícias de jornais, além de alguns escritos legados por renomados autores sergipanos.

Inspirado pela produção da referida matéria, tratei de revisitar um dos mais primorosos textos da memorialística sergipana, o encantador “Roteiro de Aracaju”, obra de Mário Cabral, publicada em 1948.

Dialogando com autores como Corinto Mendonça, Mário Cabral informa que, em Aracaju, o carnaval surgiu ainda no século XIX, em princípios da década de 1890. Fomentado, sobretudo, pelo tenente Henrique Silva, surgiram os primeiros grupos de foliões, ao som de clarins e zabumbas, usando máscaras e fantasias. Mário trata com riqueza de detalhes dos desfiles dos primeiros clubes: o Mercuriano, o Cordovínico e, depois, o Baco e o Arranca. Segundo ele, “os carros alegóricos formavam grandiosos préstitos, procedidos, majestosamente, pelos clarins dos arautos” (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, p. 55).

Entre as décadas de 1910 e 1930, o carnaval aracajuano passou por muitas transformações. O corso de automóveis na Rua João Pessoa, o uso generalizado de fantasias, confete e lança-perfume são marcas desse período. Mário também rememorou os concorridos bailes de carnaval. Segundo o poeta, “o povo dançava nos famosos bailes do Cinema Rio Branco. A grã-finagem se divertia no Clube dos Diários. O Recreio Clube, posteriormente, passou a ser o quartel general da folia carnavalesca, sendo o seu baile da terça-feira, um verdadeiro acontecimento social e mundano” (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, p. 55).

Sob o ritmo do frevo, o nosso carnaval ganhou novo fôlego na década de 1940, após a Segunda Guerra Mundial. “Durante quatro dias e quatro noites, na Rua João Pessoa, na Praça Fausto Cardoso e na Travessa Benjamim Constant, ao som de grandes e de poderosos amplificadores, o povo aracajuano realiza[va] um carnaval animadíssimo. Os estandartes, como coisas vivas, oscilam sobre o estranho mar de cabeças humanas”, informa Mário (Roteiro de Aracaju. 3ª ed. Aracaju: Banese, 2002, pp. 55-56).

Ele afirma ainda que as ruas eram “decoradas por meio de luzes, cartazes, bandeirolas, figuras e gigantes painéis carnavalescos”. Sem contar com os famosos bailes dos clubes Sergipe, Cotinguiba, Aracaju e Associação. O poeta também caracterizou os antigos carnavais aracajuanos como um “maravilhoso espetáculo de igualdade e democracia”, congregando “velhos e moços, pretos e brancos, ricos e pobres” na festa pagã.

Sem dúvida, os “flagrantes” do “Roteiro de Aracaju” contribuem para o resgate da identidade aracajuana. Ana Maria Fonseca Medina, num belo texto dedicado ao amigo Mário Cabral, escreveu: “Aracaju perdeu o ar provinciano, tudo mudou caro poeta, mas você fez o milagre de deixar para as gerações futuras, a cidade poética intacta, pintada pelo colorido da sua pena de artista da palavra flamante” (Revista do IHGSE, nº 38, 2009, p. 266)

Nesse sentido, o “Rasgadinho”, um dos mais tradicionais blocos no carnaval de rua da cidade, criado na década de 1960, ressurgiu com força em 2003, animando os foliões do Cirurgia e bairros próximos.

Mesmo vivendo em Salvador, Mário Cabral sempre esteve atento aos acontecimentos de sua amada Aracaju. Certamente, antes do seu falecimento, em abril de 2009, o poeta teve notícias do renascimento do tradicional carnaval aracajuano.

É possível que Mário tenha se deixando tomar por um súbito sentimento de satisfação ao constatar que os antigos carnavais inspiraram os foliões do século XXI, promovendo um vibrante encontro do passado com o presente, resignificando uma memória que teima em sobreviver.

* Professor da Universidade Federal de Sergipe. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Texto reproduzido do site: ufs.br/conteudo

Clubes, ruas e cordões, a Aracaju dos carnavais

Foto: acervo Murillo Melins.

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 09/02/2016.

Clubes, ruas e cordões, a Aracaju dos carnavais

Por Emilly Firmino

Serpentina, purpurina, confetes, fantasias, o carnaval é explosão de sorrisos e calores, capaz de unir a diversidade do povo sergipano desde as antigas batalhas de confete que aconteciam na Praça Fausto Cardoso, na Atalaia e pelos bailes dos antigos clubes da cidade. Por mais que viesse cheio de regras e julgado por uma sociedade que afirmava que festa de carnaval era coisa de quem não vinha de “boa família”, os dias de folia eram responsáveis muitas vezes por alinhar em um só ritmo as diferenças. Eram também o canto de resistência para aqueles que quase nunca tinham voz diante das elites locais.

Por volta da década dos anos 40 e 50, o encontro dos blocos de carnaval ocorria em frente ao Palácio do Governo, na praça Fausto Cardoso, espaço que por muitos anos ficou conhecido como o palco de festas de Aracaju. Não muito distante, em frente à praça Olímpio Campos, ficava o Recreio Clube, onde as elites reproduziam os bailes de mascaras franceses, que foram trazidos pela família real quando chegaram ao Brasil. “Foi uma festa que os portugueses trouxeram e com o tempo os negros perceberam que também cabia em suas tradições, o congo e o samba deram sonoridade à festa”, afirma Osvaldo Ferreira Neto, estudante de história.

Enquanto os clubes estavam lotados a ponto de não caber mais gente, desciam pelas ruas do centro blocos como “O palhaço é o que é”, “Mascarados”, “A muda”. “Inicia a década de 60 e no Cirurgia, próximo à Caixa d’água, tínhamos um bairro onde moravam as classes mais populares, que tinham como liderança nomes como Seu Oscar, um dos líderes dentro da comunidade. Junto com outros moradores, ele plantou a semente do que hoje é o Rasgadinho. Protestando por não ter acesso aos clubes, eles saíram em um sábado, com roupas rasgadas e sujos, batendo lata até o centro da cidade”, comenta Osvaldo ao informar que inicialmente Rasgadinho sofreu uma pressão intensa vinda das elites e por isso permaneceu inativo por muitos anos, voltando com força apenas em 2003.

Assim como ocorre hoje com o Rasgadinho e os diversos outros blocos de rua que tem tomado a cidade, já nas primeiras horas de carnaval as ruas eram tomadas pelos foliões que vinham dos bairros para assistir e fazer parte dos shows. Da mesma forma, os salões da Associação Atlética de Aracaju, do Recreio e do Cotinguiba Sport Club estavam tomados pelas fantasias, e ainda que alguns clubes tivessem leis que proibiam a entrada de negros e mulheres solteiras, por exemplo, na prática essas regras eram esquecidas e todos se misturavam como um povo só.

Em um cenário bastante diferente do que é hoje, mas já trazendo os abadás, as cordas que separavam os foliões da pipoca e bebendo da música baiana, o Pré Caju surge em 1992. Durante os 23 anos que esteve na rua o evento se tornou a maior prévia carnavalesca do Brasil, reunindo ritmos como axé, pagode, forró, samba, capazes de atrair publico de todo país, assim como turistas de outros países.

Ainda que os clubes tenham se perdido, o carnaval começou. Os cordões que separam o povo dos blocos tem diminuído e Ernestos e Maré-marés vem retomando a alegria dos blocos de bairro. Entre as diferentes formas de comemorar o feriado, o carnaval tem mensagem única desde 1899, lá quando a primeira marchinha escrita por Chiquinha Gonzaga: abre alas, que eu quero passar. Que venham os nossos carnavais, que as ruas se pintem da alegria do povo.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.wordpress.com

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O carnaval de antigamente tinha encantos

Carnaval em Aracaju/SE., Década de 80.
Clube do Povo, Largo da Praça Fausto Cardoso.
Foto reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br
De: Eudo Robson.

Publicado originalmente no site Infonet/Blog Ivan Valença, em 22/02/2017.

O carnaval de antigamente tinha encantos.
Por Ivan Valença.

Se fosse possível ter congelado um sergipano há quarenta anos atrás e o trouxesse à vida agora, nesta semana de pré-carnaval, certamente ele ficaria surpresa com as transformações da nossa maior festa popular. Aí por volta dos anos 80, só havia carnaval em clubes – praticamente na antiga Associação Atlética, que ficava ali na rua Vila Cristina (o prédio da AAS já foi derrubado), e no Iate Clube de Aracaju, na praia 13 de julho. Também havia festa nos salões do Vasco Esporte Clube, no bairro Industrial, e em outros clubes menores localizados em bairros como Siqueira Campos. O Zé Povão que não podia comprar mesas em clubes sofisticados ia para a praça Fausto Cardoso, notadamente em dias de desfile, no que se chamava de “escola de samba” – ou um arremedo delas. Quem tinha posses, como ainda hoje, se mandava para Salvador, onde o carnaval sempre foi uma delícia. Em bairros, como Siqueira Campos, havia sempre o desfile de blocos, composto por pelo menos sessenta pessoas. Quando os relógios marcavam 10, 11 horas da noite, os observadores iam logo embora. Ou seja, não era um carnaval que atraísse a atenção popular. Por isso, Aracaju ganhou a fama de “cemitério do carnaval”: ele atraia muitos baianos que vinham para Aracaju, a fim de descansar. O carnaval deste ano promete repetir o do ano passado, ou seja, com poucas atrações. Não haverá sequer passagem de blocos pela praça Fausto Cardoso. Quem quiser brincar é melhor ir para a Atalaia – não que lá vá ter alguma coisa, mas é melhor do que ficar no centro da cidade, onde não ocorre nada.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca