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terça-feira, 11 de março de 2025

História de Aracaju - Origem do Nome.

Artigo compartilhado do site da Prefeitura Municipal de Aracaju, de 8 de janeiro de 2025

História de Aracaju - Origem do Nome.

Aracaju significa "cajueiro dos papagaios". A palavra é composta por dois elementos: "ará”, que significa ´papagaio´, e "acayú", que significa ´fruto do cajueiro´. Esta interpretação tem grande vigência, embora existam outras versões.

No século XVI, as terras de Aracaju (SE) compreendiam 160 quilômetros de costa, o litoral entre os rios Real e São Francisco, e em toda as margens do estuário não existia uma vila sequer. Na segunda metade do século XVII, apenas arraiais de pescadores eram encontrados nessa região. Uma capelinha (Igreja de Santo Antônio), erguida no alto da colina, teria sido o início da formação do arraial.

O distrito foi criado, em 1837, com a denominação de Aracaju. O Presidente da Província Sergipe Del-Rei, Inácio Joaquim Barbosa, assumiu o governo em 1853, com a ordem de D. Pedro II para modernizar e acelerar o seu desenvolvimento. Em 1855, o povoado foi elevado à categoria de município e capital da Província, posição ocupada anteriormente por São Cristóvão.

Contratado para planejar a cidade, o engenheiro Sebastião José Basílio Pirro elaborou um projeto que traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que lembravam um tabuleiro de xadrez. Com a pressa exigida pelo governo, não houve tempo para a realização do levantamento completo das condições locai e erros irremediáveis que causam inundações até hoje. O projeto da cidade se resumia a um simples plano de alinhamentos de ruas dentro de um quadrado, estendendo-se da embocadura do Rio Aracaju (que não existe mais) até às esquinas das avenidas Ivo do Prado com Barão de Maruim, e a Rua Dom Bosco, antiga Rua São Paulo.

Além das vantagens obtidas pela presença da administração do governo, a nova localização da capital beneficiou, principalmente, o escoamento da produção açucareira da época e propiciou, também, nesse mesmo período, a instalação da primeira fábrica de tecidos nessa área. A cidade viveu um próspero ciclo de crescimento econômico e social que perdurou até os primeiros anos após a Proclamação da República, em 1889.

A cidade cresceu inflexível dentro do tabuleiro de xadrez. Foram aterrados vales e feitas desapropriações onerosas e desnecessárias, para que o projeto mantivesse a reta. A única exceção - uma alteração imposta pelo próprio presidente - permitiu que a Rua da Frente ganhasse uma curva, criando a bela avenida que margeia o rio Sergipe.

Em 1900 inicia-se a pavimentação com pedras regulares e são executadas obras de embelezamento e saneamento. As principais capitais do país sofriam reformas para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes. Aracaju - que já nasceu de vanguarda, acompanhava o movimento nacional e em 1908 é inaugurado o serviço de água encanada, um luxo para a época. Em 1914 é a vez dos esgotos sanitários e no mesmo ano chega a estrada de ferro.

Um Tabuleiro de Xadrez

Aracaju foi uma das primeiras capitais brasileiras a ser planejada. O projeto desafiou a capacidade da Engenharia da época, face à sua localização numa área dominada por pântanos e charcos. O desenho urbano da cidade foi elaborado por uma comissão de engenheiros, tendo como responsável o engenheiro Sebastião Basílio Pirro. Alguns estudos a respeito de Aracaju propagaram a ideia de que o plano da cidade havia sido concebido a partir da implantação dos modelos de vanguarda na época - Washington, Camberra, Chicago, Buenos Aires, etc.

O centro do poder político-administrativo, (atual praça Fausto Cardoso) foi o ponto de partida para o crescimento da cidade. Todas as ruas foram arrumadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, para desembocarem no Rio Sergipe.

Até então, as cidades existentes antes do século XVII, adaptavam-se às respectivas condições topográficas naturais, estabelecendo uma irregularidade no panorama urbano. O engenheiro Pirro contrapôs essa irregularidade e Aracaju foi no Brasil, um dos primeiros exemplos de tal tendência geométrica.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Aracaju, pela Lei Provincial n.º 473, de 28-03-1837.

Elevado à categoria de município e capital do estado de Sergipe, pela Lei Provincial n.º 473, de 17-03-1855. Sede no atual distrito de Aracaju. Constituído do distrito sede.

Pela Lei Municipal n.º 84, de 27.01.1903, são criados os distritos de Barra dos Coqueiros e Porto Grande e anexado ao município de Aracaju.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 3 distritos: Aracaju e Barra dos Coqueiros e Porto Grande.

Assim permanecendo nos quadros do recenseamento geral de 01.09.1920.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 2 distritos: Aracaju e Barra dos Coqueiros. Não figurando o distrito de Porto Grande.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 01.07.1950.

Pela Lei Estadual n.º 525-A, de 25.11.1953, desmembra do município de Aracaju o distrito de Barra dos Coqueiros. Elevado à categoria de município.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Por certo, o espírito brilhante de Inácio Joaquim Barbosa, saudoso homem público que governou Sergipe numa fase conturbada de sua história, deve orgulhar-se, agora, de sua gente, do povo de sua Aracaju, que ele fundou e que vê a cada dia, crescer e prosperar.

Texto e imagem reproduzidos do site: www aracaju se gov br/aracaju/historia

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Aracaju


Publicado originalmente no site EFECADE, em 1 de fevereiro de 2013.

Município de Aracaju.

Após o descobrimento do Brasil, em 1500, a situação em algumas áreas da nova colônia de Portugal era a de um verdadeiro estado de guerra. A necessidade de conquistar a faixa territorial que hoje compreende o Estado de Sergipe, e acabar com as lutas contra índios, franceses e negros que não aceitavam o domínio português, era de extrema urgência para o trono.

O local onde hoje se encontra o município de Aracaju era a moradia do temível cacique Serigy, que se destacou pela resistência aos conquistadores portugueses. Segundo Clodomir Silva, no “Álbum de Sergipe”, de 1922, ele dominava desde as margens do rio Sergipe até às do rio Vaza-Barris. Em 1590, Cristóvão de Barros (filho de Antonio Cardoso de Barros, devorado pelos índios caetés juntamente com o bispo Pero Fernandes Sardinha), um personagem histórico português que fez parte da colonização brasileira, atacou as tribos de Serigy e de seu irmão Siriri, matando os dois. Foi ele quem fundou, em 1° de janeiro de 1590, a cidade de São Cristóvão (mais tarde capital da província) junto à foz do Rio Sergipe.

Muito mais tarde, a pequena São Cristóvão já não mais oferecia as condições necessárias à uma sede administrativa. A pressão econômica do Vale da Cotinguiba – maior região produtora de açúcar da província – em busca de um porto que permitisse melhor escoamento de seus produtos, resultou, em 1855, no nascimento de Aracaju, nome que na língua indígena significa cajueiro dos papagaios (a palavra é composta por dois elementos: ará – papagaio -, e acayú – fruto do cajueiro).

As terras de Aracaju originaram-se das sesmarias doadas a Pero Gonçalves por volta de 1602. Compreendiam 160 quilômetros de costa que iam da barra do rio Real à barra do rio São Francisco, onde em todas as margens do estuário não existia uma vila sequer, sendo encontrados apenas arraiais de pescadores. Há notícias de que às margens do rio Sergipe, em 1609, existia uma aldeia chamada Santo Antônio do Aracaju, cujo capitão era o indígena João Mulato.

Voltada para as margens do rio Sergipe e Vaza-Barrís, a área do antigo povoado de Santo Antônio de Aracaju foi escolhida em 1853 para receber a nova sede do governo, graças aos esforços do então presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa. e de João Gomes de Melo, primeiro e único Barão de Maruim. Localizada numa região de pântanos e charcos, seu projeto desafiou a capacidade da engenharia da época.

O desenho urbano de uma das primeiras capitais brasileiras a ser planejada foi elaborado por uma comissão de engenheiros liderada por Sebastião Basílio Pirro, e consistia em um projeto que traçava ruas em linha reta formando quarteirões simétricos lembrando um tabuleiro de xadrez. Até então, as cidades existentes antes do século 17 adaptavam-se às condições topográficas naturais, estabelecendo uma irregularidade no panorama urbano. O engenheiro Pirro contrapôs essa irregularidade e Aracaju foi, no Brasil, um dos primeiros exemplos de tal tendência geométrica.

Mas somente em 1865 a cidade se firmou. Era o término de uma década de lutas contra o meio físico, e contra uma série de adversidades políticas e sociais. A partir deste data ocorreu um novo ciclo de desenvolvimento, que durou até os primeiros anos após a proclamação da república. Em 1884 surgiu a primeira fábrica de tecidos, marcando o inicio do desenvolvimento industrial. Em junho de 1886, Aracaju já possuía uma população de 1.484 habitantes, além de imprensa oficial e algumas linhas de barco para o interior. Em 1900 foi iniciada a pavimentação com pedras regulares, e executadas obras de embelezamento e saneamento. Em 1908 foi inaugurado o serviço de água encanada, um luxo para a época. Em 1914 chegou a vez dos esgotos sanitários e da estrada de ferro. Em 1900 inicia-se a pavimentação com pedras regulares e são executadas obras de embelezamento e saneamento. As principais capitais do país sofriam reformas para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes.

Aracaju já se encontrava estabilizada nos anos 70. Cidade de porte médio, sem problemas de segurança nem infra-estrutura, boa densidade demográfica, belas praias e um povo simpático e de bem com a vida. Alguns turistas acidentais começavam a visitá-la, muitos desembarcavam na cidade por curiosidade e acabavam ficando – há vários casos de estrangeiros morando em Aracaju após uma paixão arrebatadora pela cidade. O turismo não era explorado profissionalmente e somente em 1977 foi criada a EMSETUR – Empresa Sergipana de Turismo. Até o início dos anos 80 pouca coisa havia sido feita em prol do desenvolvimento do turismo sergipano, mas uma grande guinada estava para acontecer.

O governo despertou para a grande indústria e as obras de infra-estrutura turística começaram a ser realizadas. Aracaju recebeu hotéis de nível e teve sua orla na praia de Atalaia construída, o que hoje constitui o mais importante cartão-postal da cidade. Rodovias foram implantadas para facilitar o acesso ás praias dos litorais sul e norte; e além de outros equipamentos turísticos instalados, um grande trabalho de catalogação das potencialidades foi feito, aliado á divulgação nos principais veículos do pais.

Segundo o Censo do IBGE, em 2010 Aracaju, com uma área global de 181,856km2, abrigava uma população de 571.149 habitantes (265.484 homens e 305.665 mulheres)

Fonte: Prefeitura de Aracaju – www.aracaju.se.gov.br

Texto reproduzido do site: efecade.com.br/aracaju

sábado, 28 de janeiro de 2017

Aracaju, mais um ano de vida e sobrevida

 Inauguração Jardim Olímpio Campos na década de 1910.

 Foto recente da Praça Fausto Cardoso no centro comercial de Aracaju, 
núcleo inicial da cidade, o antigo Plano de Pirro.

 Vista aérea de Aracaju na década de 1920, 
onde é possível observar o Plano de Pirro.

 Processo de verticalização nas áreas que margeiam o Rio Sergipe, 
onde na foto, é possível observar inclusive seu encontro
 com o mar Av. Beira Mar,  que na realidade beira o rio, 
e Bairro Jardins são as zonas mais nobres, de solo mais caro.

 Av. Beira Mar, que na realidade beira o rio, 
e Bairro Jardins são as zonas mais nobres, 
de solo mais caro e com grande adensamento da cidade.

O Rio Poxim corta a cidade de Aracaju,  na foto, 
observa-se uma grande área de preservação do manguezal 
e imensos vazios urbanos decorrentes 
das antigas políticas de urbanização da cidade.

Aracaju SE Brasilano 08, out. 2007.

Aracaju, mais um ano de vida e sobrevida.
Por Maíra Campos.

Aracaju completou mais um ano oficial de vida em 17 de março. Uma cidade de contrastes desde a sua fundação, onde temos: de um lado prédios altos e verticalidade, do outro a horizontalidade; de um lado barracos, do outro a estrutura sólida; de um lado avenidas cruzam e ligam ao restante da cidade, do outro as ruas são esburacadas e de barro, quem dirá ter avenidas ligando à cidade...

Num resgate histórico, é possível observar que a paisagem urbana da cidade já se configurava com muitos contrastes desde a sua fundação, em 1855. A passagem de tantos anos apenas reforçou os contrastes e distanciou mais a realidade de quem vive na cidade e de quem vive na periferia.

Foi Inácio Joaquim Barbosa quem escolheu o então Povoado de Santo Antônio do Aracaju para ser a nova sede da Província de Sergipe del´Rey, vindo a substituir São Cristóvão. A transferência da capital produzia condições mais favoráveis para o funcionamento de um bom porto e assim tornar fácil o escoamento dos produtos. As águas do Rio Sergipe, mais profundas e de longo estuário, tornavam a navegação mais fácil e segura, pois a região do Cotinguiba, amplo recôncavo produtor de cana-de-açúcar, necessitava de um bom porto.

A capital foi transferida em 1855. Os motivos que levaram à escolha de Aracaju como nova sede foram encabeçados por diversos fatores, mas o preponderante foi sua situação geográfica, próxima à foz do rio Vaza-Barris, enquanto São Cristóvão possuía difícil acesso até para as embarcações de pequeno porte.

Para a fundação da nova cidade, Inácio Barbosa encarregou o Eng. Sebastião José Basílio Pirro de planejá-la de forma a representar o “espírito progressista da época”. O “Plano de Pirro”, como ficou conhecido o projeto urbanístico de Aracaju, resumia-se a um traçado em xadrez, extremamente geometrizado, o que facilitaria a demarcação das ruas, atitude justificada pela pressa em se tornar Aracaju uma realidade, pois existia ainda o perigo de a mudança de capital não ser aprovada pela Corte.

Mesmo existindo o quadrado de Pirro (32 quadras de 110mx110m cada uma), ocorreu outra expansão paralela, originada pela falta de recursos da população pobre para atender às exigências do Código de Posturas Municipal, o qual determinava: o alinhamento dado pelos Fiscais da Câmara estabelecia o pé-direito mínimo, dimensões para esquadrias, mandava caiar as frentes das casas duas vezes por ano e vedava a cobertura de palha. Fazia-se apenas questão das fachadas. Logo, a população pobre começou a construir casebres no lado norte da cidade.

A partir de 1862, com a criação da Praça da Matriz e o lançamento da pedra fundamental da Igreja Nossa Senhora da Conceição (atual Catedral Metropolitana de Aracaju), a cidade começou a crescer rumo ao oeste. Logo o entorno da igreja foi demarcado por construções de edifícios públicos e residenciais.

Nascendo a cidade não de forma espontânea, mas de uma vontade política, competia ao Governo Provincial criar condições para sua existência. Por isso, durante os primeiros vinte anos o poder público teve uma atuação decisiva no desenvolvimento da cidade. Preocupava-se com a abertura de ruas, problemas de aterros, incentivava e financiava construções de casas sem exigir dos proprietários, no primeiro ano de fundação da cidade, o cumprimento das leis do código de posturas.

Após 1870, o crescimento da cidade é quase paralisado porque ficou à mercê da iniciativa privada. E é fora do Plano de Pirro que a cidade continua a crescer intensamente, abrigando os negros recém-libertos e outros grupos de baixa renda. Aglomerações caracterizadas como verdadeiras “cidades livres”, onde a população não era absorvida pelo mercado de trabalho da cidade, fulminando nos primeiros problemas urbanos. Enquanto isso, no centro comercial da cidade está localizada a nova burguesia. Tal confronto evidencia que nessa época já se constituía uma estrutura espacial estratificada em termos de classe social e segregação urbana.

A partir de 1910, com a Lei nº 168 de 2 de julho de 1914 para embelezamento das praças, começou a se investir mais em arborização, calçamento, etc. Então surge o jardim Olympio Campos. Dá-se o primeiro embelezamento de espaço público, com uso de vegetação na composição urbana da cidade. Porém o mais marcante é a instalação de um coreto de ferro, o primeiro existente num espaço público da cidade, representando a projeção da cidade européia da segunda metade do século XIX. E, a exemplo da maior parte das capitais brasileiras, Aracaju importou o coreto europeu.

Para acompanhar as tendências urbanísticas da época, o jardim é contornado por um gradil de ferro, com acesso controlado por um jardineiro que ficava com as chaves dos portões. Ao público era determinado um horário de acesso e, através do regulamento nº 12 de 10 de outubro de 1911, ficou determinado que o ingresso somente fosse permitido para aquele decentemente vestido. O contraponto do Jardim é a Praça da Matriz, que tem toda a área livre e aberta às manifestações populares. A praça é palco dos folguedos populares nas tradicionais festas de Natal que acontecem ali desde épocas remotas, possivelmente quando implantam o carrossel em 1900. O local começa a ser ocupado por uma classe mais abastada da sociedade e bancos privados também se instalam ali.

Orgulhava-se o Governo por ter obtido a beleza tão almejada para os espaços públicos e ainda ter conseguido servir a cidade de estrutura urbana, registrando ainda a passagem do famoso Eng. Saturnino de Brito: “todas as ruas são corretamente calçadas a paralelepípedos e fartamente iluminadas, sendo algumas já arborizadas. Possui lindas avenidas e atraentes jardins e parques, onde dizem os visitantes ser a arborização mais bem cuidada do Brasil! Existem para quase todos os bairros bondes elétricos, lotações e ônibus. As construções obedecem as mais belas e harmoniosas linhas da engenharia contemporânea. É regular sua rede de telefones, possuindo água encanada limpa e esgotos que foram reconstruídos pelo Eng. Saturnino de Brito” (Cadastro de Sergipe, nº 4, ano 1953).

No entanto, as melhorias obtidas pela gestão municipal e estadual não chegavam às zonas mais periféricas da cidade. Lá faltava todo tipo de infra-estrutura básica. Isso se devia ao fato de que ao redor da área ocupada pelo Plano de Pirro havia vários sítios e chácaras dos burgueses que residiam na cidade e, apenas após esse vazio urbano, estava a periferia, o que dificultava e encarecia a chegada de serviços como iluminação e saneamento.

Como maior centro urbano do Estado, Aracaju será portadora dos grandes males encontrados nas cidades industrializadas do século XIX, em conseqüência do rápido crescimento populacional imprimido pela Revolução Industrial. Determinados tipos de problemas urbanos, como ruas estreitas para circulação e falta de espaço para lazer, não aconteceram dentro do Plano de Pirro, mas sim fora de seu limite.

Na década de 1970, inicia-se o processo de metropolização de Aracaju impulsionado por políticas públicas. O período foi marcado pela presença de migrantes motivados pelo início da exploração de recursos minerais sergipanos, pela transferência da sede da Região Nordeste de Maceió para Aracaju, pela criação da Universidade Federal de Sergipe, pela implantação do Distrito Industrial de Aracaju e pela política habitacional desenvolvida pela COHAB – Companhia de Habitação Popular em Sergipe.

Foi a COHAB-SE que em trinta anos financiou mais de 15.000 unidades habitacionais para as classes menos favorecidas. Na década de 1980 foram construídas 62,65% dessas unidades, fase em que se construíam conjuntos com mais de 1.000 unidades. Já o INOCOOP – Instituto Nacional de Cooperativas Habitacionais construiu cerca de 6.000 unidades habitacionais destinadas à população de classe média.

Como a COHAB construiu seus conjuntos habitacionais distantes da malha urbana consolidada, tal procedimento exigia uma ampliação dos serviços de infra-estrutura, valorizando ainda mais os espaços vazios localizados entre a malha e as novas áreas ocupadas. Com o solo valorizado, a especulação imobiliária se fortalece e, na década de 1970, surgem várias empresas imobiliárias e construtoras.

Por conta de sua própria política habitacional, valorizou-se o solo urbano e atiçou-se o interesse dos grandes empreendedores da construção civil e do mercado imobiliário, que logo adquiriram os terrenos remanescentes. E, assim, a cidade começa a ser empurrada para áreas mais distantes, em terrenos nos municípios limítrofes, onde ficou estabelecido pela COHAB que a administração municipal seria a responsável pela manutenção dos mesmos, porém ocorria que somente após os planejamentos o Prefeito era convidado a assinar um termo de compromisso para a sua manutenção.

Em 1980 o processo de metropolização avança seus limites, invadindo os municípios limítrofes. Na década de 1980, Nossa Senhora do Socorro apresentou um crescimento em torno de 35%, São Cristóvão de 95% e Barra dos Coqueiros cresceu 60%. Semelhante ao processo de ocupação de outras capitais brasileiras, o aglomerado de Aracaju passou a possuir mais da metade da população urbana do Estado, com mais de 50% do total em 1991.

A partir da metade da década de 1970, Aracaju inicia um processo de verticalização que irá definir uma nova paisagem urbana. Esse processo começa na parte central da cidade, direcionando-se para o sul e ocupando as áreas dos antigos casarões. O processo de verticalização foi desenvolvido inicialmente através de empresas imobiliárias.

Essa verticalização que tende a se acentuar de forma concentrada em áreas da cidade vem causando problemas, uma vez que há descompasso entre o adensamento e o serviço de infra-estrutura disponível. Outro efeito é o comércio que começa a se desenvolver junto a esses aglomerados humanos, que dinamiza essas áreas e diminui suas relações de dependência com o centro comercial da cidade. Eis o “Jardins”, bairro mais recente e mais “nobre” da cidade, como exemplo.

sobre o autor

*Maíra Campos é Arquiteta e Urbanista, pós-graduanda em Reabilitação Ambiental Arquitetônica e Urbanística pela Universidade de Brasília – UNB e em Artes Visuais pela Universidade Federal de Sergipe – UFS.

Texto e imagens reproduzidos do site: vitruvius.com.br/revistas

sábado, 19 de março de 2016

Aracaju 161 anos: conheça a história da capital.

 A mudança da capital se deu no povoado de Santo Antônio.

 A professora e historiadora Aglaé Fontes conta essa história.
Créditos - Portal Infonet.

nfonet > Cidade > Noticias > 17/03/2016.

Aracaju 161 anos: conheça a história da capital.

O povoado de Santo Antônio do Aracaju se torna capital em 1855.

Este 17 de março é o dia que se comemora os 161 anos do aniversário da capital. Uma decisão de Inácio Joaquim Barbosa, então presidente da província de Sergipe, que elevou em março de 1855, o povoado de Santo Antônio como capital da província.

Segundo a professora e historiadora Aglaé Fontes, a mudança da capital não foi mera decisão espontânea de Inácio Barbosa, mas também envolveu questões econômicas.

“Essa ideia de mudança já vinha sendo falada há muito tempo, mesmo antes da chegada de Inácio Barbosa. Muito se falou em Laranjeiras como a capital, em Maruim e Estância. Esses foram nomes ventilados pra possível mudança da capital porque já achavam que são Cristóvão era bem longe do mar. Tinha ainda a pressão dos senhores de engenho já que a saída do açúcar era na região da cotinguiba porque era mais perto do mar”, diz.

Devido a brigas políticas entre grupos [conservadores e liberais], Dom Pedro escolheu uma pessoa isenta para decidir a questão. “Na época havia politicamente um clima tenso na província de Sergipe e os partidos se acabando de brigar e Dom Pedro que estava montando um ministério de conciliação tentando pegar pessoas diferentes, escolheu um jovem de 33 anos, advogado que estava como secretário na província do ceará que se chama Inácio Joaquim Barbosa, daí essa razão por trazer uma pessoa de fora, ou seja, porque ainda não estava contaminada com as brigas locais. Inácio veio comprometido com o desenvolvimento da província”, conta.

Dois dos parlamentares da época eram contrários a mudança da capital de São Cristóvão à Santo Antônio do Aracaju. “Pensou-se em vários lugares, mas o escolhido foi o povoado do Santo Antônio do Aracaju por sua proximidade com o mar. Inácio Barbosa fez reuniões fora da cidade de São Cristóvão. Houve revoltas para alguns deputados como o padre Barroso e Martinho Garcez que enviaram ofício para o imperador condenando a ideia da mudança, mas Inácio insistiu e começou tirando coisas importantes em São Cristóvão como a mesa de renda, alfândega, o Correio”, relata.

A decisão da mudança foi sancionada com apenas dois votos contrário. “Fez a reunião, eram 20 deputados provinciais e dois foram contra e o restante a favor e ele sancionou em 17 de março. Por isso que a gente comemora a mudança da cidade nesta data”.

Ainda como acrescenta Aglaé Fontes, Inácio Barbosa viu o seu desejo se realizar apenas por alguns meses. “O próprio Inácio mudou a capital em março e morreu em outubro. Nesse período tivemos uma epidemia muito grande das ditas febres de Aracaju. Ele não conseguiu melhorar aqui, foi pra Estância aonde veio a falecer em outubro. Ele chegou aqui em 1853 e governou até outubro”, afirma.

Por Aisla Vasconcelos.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/cidade

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Aracaju


ARACAJU
Terezinha Alves de Oliva

Cajueiro dos papagaios, Tempo dos cajus ou Lugar dos cajueiros : divergem os estudiosos quanto à interpretação da palavra ARACAJU, nome dado pelos indígenas ao lugar onde, um dia, seria erguida a nova capital de Sergipe. O conquistador português cristianizou a denominação, consagrando “o Aracaju” a Santo Antônio. O povoado de Santo Antônio do Aracaju, desmembrado da povoação de Nossa Senhora do Socorro, foi escolhido para a execução do plano mais ousado da vida sergipana até o século XIX: a mudança da capital, da velha cidade de São Cristóvão para a praia quase deserta, região entrecortada de mangues e charcos.

A decisão do Presidente Inácio Joaquim Barbosa, consagrada pela Resolução de 17 de março de 1855, atendia aos interesses maiores da Província, de buscar meios para a exportação direta do açúcar, sem a intermediação da Bahia. Tratava-se, pois, da busca da independência econômica, situando a capital próxima a um bom porto e na região economicamente mais ativa, a da Cotinguiba.

O projeto do engenheiro Sebastião Basílio Pirro criou uma cidade onde predominou a linha reta, em quadras matematicamente desenhadas, como num tabuleiro de damas. Era a nova concepção, distante do perfil das velhas cidades que o colonialismo português nos legara. Era também o sonho da modernidade, do progresso, da novidade que a capital deveria representar.

Após o impulso das construções iniciais, Aracaju manteve-se pequena e melancólica até fins do século XIX; com a República, o papel conferido às capitais traz para ela vários melhoramentos urbanos. O movimento fabril e comercial alimenta o sonho dos sergipanos do interior que buscam fugir da pobreza e da falta de perspectivas. A cidade interpõe-se ao fluxo migratório que exaure a população do Estado castigado pela crise econômica, dando nova orientação à vida de uma comunidade que buscava alhures a rota da esperança.

Superando crises, ironizada pelo provincialismo, Aracaju ganhou nova face, a partir das últimas décadas do século XX, como resultado da exploração do petróleo e da industrialização. Hoje, abrigando quase a metade da população de Sergipe, faz uma transição decisiva para a modernidade, sem perder o traço e o jeito dos sergipanos, que se orgulham da capital sesquicentenária, progressista e aberta às novidades do mundo que se globaliza.

Diretora do Museu do Homem Sergipano –UFS
Vice-Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
Mestre em História (UFPE) e Doutora em Geografia (UNESP/Rio Claro).

Artigo reproduzido do site: sociedadesemear.org.br
Imagem reproduzida do site: vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

As Dificuldades da Nova Capital

Na foto, o Hospital de Caridade, chamado Nossa Senhora da Conceição,
hoje Santa Izabel.

Aracaju - 1855
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As Dificuldades da Nova Capital

Os primeiros anos da transferência para Aracaju foram extremamente difíceis, isso porque, em meados de 1855 a sociedade sergipana enfrentou a maior epidemia de sua história, a "Cholera Morbus", vitimou milhares de pessoas. Inclusive o Presidente da Província, Inácio Joaquim Barbosa, na cidade de Estância contraiu a febre palustre (malária) e não resistiu. Até mesmo com essa tragédia foi motivo de sátira e vingança em seus versos pelos sancristovenses ironizando a calamidade que atingia a nova capital.

"Quem for para Aracaju
Leve terço pra rezá
Que Aracaju é a terra
Onde as almas vão pená
Pobre cidade do Aracaju, nos dias tristes e agitadas de 1855".
(SILVA, 1992, p. 83).

Por causa dessa grande epidemia, as pessoas sentiram medo de morar em Aracaju, pela precariedade do local sem a menor estrutura para cuidar dos doentes. Diante disso, o governo investiu na organização da nova cidade e incentivando a vinda de novos moradores para Aracaju, concedendo terrenos e a ajuda para a construção das casas.

Com as epidemias o governo teve que tomar providências urgentes para minimizar os transtornos e os óbitos causados pelas doenças. Uma dessas medidas foi a construção de um cemitério em 1856, junto ao Morro Santa Cruz que recebeu a visita do imperador D.Pedro II em 1860. Em 1858 foi construído o Hospital de Caridade, chamado Nossa Senhora da Conceição, hoje Santa Izabel.

Em meados de 1862, a nova capital conseguiu enfrentar as dificuldades, com a construção da Igreja Matriz, a Catedral , a cidade cresceu nas localidades próximas, com as ruas Santo Amaro, Capela, Arauá e Santa Luzia. A partir daí, Aracaju apresentava os primeiros sinais de uma cidade próspera e promissora.

Texto e foto reproduzidos do blog:
sergipeesuashistorias.blogspot.com.br
de postagem feita por: Silvia Maia.