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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Renda irlandesa: saberes e fazeres da tradição de Divina Pastora


Dona Alzira Alves, uma das mais 
antigas artesãs do estado.

Artesã Verônica Leite.

Maria José Souza, vice-presidente da 
Associação de Renda Irlandesa de Divina Pastora.

Legenda a foto: Maria da Graça, artesã há mais de 40 anos - (Créditos das fotos: Caio Rodrigues)

Publicação compartilhada do site GOVERNO DE SERGIPE, de 16 de Fevereiro de 2023

Renda irlandesa: saberes e fazeres da tradição de Divina Pastora

Resgatada pelas rendeiras daquele município desde o período colonial, arte cheia de detalhes revela beleza e sofisticação

Localizado a 41 km de Aracaju, o município de Divina Pastora, situado no Leste sergipano, é marcado por um talento em particular: o bordado. Trata-se da renda irlandesa, que representa a identidade do povo divina-pastorense no artesanato. Aliás, a cidade se destaca no cenário turístico nacional pela produção dessa renda tão cheia de delicadeza e requinte. Inclusive, é uma confecção artesanal reconhecida em 2008, pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Com base em tradições seculares da Europa do século XVII, os saberes e fazeres tradicionais resgatados pelas rendeiras divina-pastorenses desde o período colonial resultam em minuciosos detalhes. Eles combinam uma multiplicidade de pontos executados sob relevo em desenhos feitos com uma agulha, tendo como suporte papel-manteiga, papel-madeira e lacê, produto industrializado que se apresenta sob várias formas, a exemplo do cordão. Assim, as peças delicadas nascidas dessa mescla revelam beleza e sofisticação.

Para dar oportunidade às artesãs de incluírem as peças na cadeia produtiva desse artesanato, há 23 anos, foi criada a Associação para o Desenvolvimento de Renda Irlandesa de Divina Pastora (Asderen). Com sede própria, a entidade possui, atualmente, 60 associadas com idades entre 14 e 80 anos. É lá onde as rendeiras se reúnem para produzir peças sob encomenda, que vão de artigos para o vestuário, a exemplo de blusas e vestidos, até toalhas de mesas, jogos americanos, colares, dentre outros.

A vice-presidente da Asderen, Maria José Souza, que aprendeu o ofício aos 8 anos com uma tia, reflete que o fazer renda irlandesa não se limita simplesmente a um trabalho manual. Para ela, é um ofício que proporciona uma viagem ao imaginário feminino. “Quando nos reunimos para bordar, além da distração e da reflexão, também acabamos compartilhando as nossas histórias, alegrias, angústias. Enfim, também é uma forma peculiar que permite uma imersão em nós mesmas”, considera.

Transmissão dos saberes

É fato: desde cedo, as meninas de Divina Pastora aprendem a arte da renda irlandesa. Isso ocorre por meio das mulheres da família que, diariamente, convivem com tal ofício. E o fazem tanto para gerar renda com a produção de peças, como para preservar os saberes, perpetuando a renda irlandesa como trabalho e arte.

Bolsas, toalhas e roupas são exemplos das peças produzidas pelas mãos hábeis de Dona Alzira Alves, que, com destreza, transforma cordões e linhas em obras de arte. Mestra da renda irlandesa, ela é uma das mais antigas artesãs em atividade nessa prática não somente em Divina Pastora, mas, também, em todo o estado de Sergipe, acumulando mais de 50 anos dedicados à arte de rendar. “Aprendi a bordar por volta dos 12 anos com minha tia Sinhá e, até hoje, não parei. Na verdade, muito mais que um ofício, para mim, é uma terapia, porque é aqui na associação onde venho todos os dias, ou pela manhã ou de tarde, me distrair, fazendo o que mais gosto”, afirma.

A artesã Verônica Leite também aprendeu o ofício de bordar peças em renda irlandesa ainda criança. Muito curiosa, assimilou os primeiros passos desse ofício só de olhar. “Quando minha mãe percebeu meu interesse, começou a me dar pequenas peças. Aos poucos, me aperfeiçoei nas técnicas e pontos. Posso dizer que amo o que faço e, ao final de qualquer peça que produzo, sinto um orgulho danado”, declara.

Na família de Neidiele de Jesus Silva, presidente da Associação das Rendeiras Independentes de Divina Pastora (Asdrin), bordar renda irlandesa é uma tradição há mais de 50 anos, sendo repassada de geração a geração. “Minha avó, minhas tias, minha mãe [praticam a arte da renda irlandesa]. Atualmente, as crianças, que são minhas primas, também estão aprendendo”, revela.

Segundo Neidiele Silva, no município, há famílias em que essa arte está inserida há mais de cem anos, com até quatro gerações de ensinamento. “A renda irlandesa é nosso maior orgulho, afinal, trata-se de uma renda de agulha que é completamente delicada”, salienta. Maria das Graças Sampaio, artesã que também faz parte da Asdrin, confirma o fato e ainda afirma. “Há mais de 40 anos, produzo peças em renda irlandesa, e quanto mais trabalho, mais me aperfeiçoo”.

Do significado ao aprender

Em março, a Asdrin vai promover a primeira oficina de renda irlandesa. A inscrição é gratuita, voltada a jovens ou qualquer pessoa da cidade que tenha interesse em aprender a bordar a renda irlandesa. O conteúdo vai incluir desde a parte histórica dessa arte até chegar aos módulos da confecção, para que o aprendiz – homem ou mulher – entenda e valorize a renda irlandesa.

Serão disponibilizadas 20 vagas por turma em dois turnos – manhã e tarde –, durante três semanas, com duas horas cada aula. Todo o material será disponibilizado pela associação e ao final do curso será entregue certificado. As inscrições podem ser realizadas até o final de fevereiro, e a previsão de início das aulas é dia 6 de março. O telefone para contato é (79) 98856-7749.

Espaço garantido

O secretário de Estado do Turismo, Marcos Franco, garante que a renda irlandesa tem espaço garantido, inclusive, para outros municípios onde ela é praticada. Prova disso é o incentivo e a divulgação dessa arte em feiras e eventos em que a Setur participa, como aconteceu no mês de janeiro, durante a Expo Verão 2023, realizada na Orla de Atalaia. No estande da Setur no evento, foram expostos e comercializados artigos de renda irlandesa de Divina Pastora, possibilitando gerar renda para as artesãs.

“Sergipe é belíssimo e tem muito a mostrar. A renda irlandesa é um exemplo disso. É uma arte secular que é patrimônio nosso. Ficamos orgulhosos em poder divulgá-la por onde passarmos”, assegura Marcos Franco. Ele ressalta, inclusive, que o governador Fábio Mitidieri constantemente afirma o turismo como prioridade no governo, com projetos para fortalecer os atrativos turísticos em todo o Estado e inseri-lo no circuito turístico de forma permanente. “Com o apoio do governador, estamos empenhados em alavancar o nome de Sergipe”, reforça.

Texto e imagens reproduzidos do site: se.gov.br

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

PL busca tornar Renda Irlandesa como Patrimônio Imaterial de Sergipe

A renda irlandesa é um tipo de renda de agulha, 
dentre as muitas existentes no Brasil
Foto: Arquivo Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 30 de outubro de 2019

PL busca tornar Renda Irlandesa como Patrimônio Imaterial de Sergipe

Tramita na Assembleia Legislativa de Sergipe a proposta de declarar como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Sergipe a “Renda Irlandesa de Divina Pastora”.  A iniciativa do Projeto de Lei de nº 197 partiu do deputado estadual Garibalde Mendonça (MDB).

A cidade de Divina Pastora se tornou o principal polo da renda irlandesa em razão de condições históricas de produção vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, à abolição da escravatura e às mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular do ofício de rendeira, restrito originalmente à aristocracia. A renda irlandesa é um tipo de renda de agulha, dentre as muitas existentes no Brasil. Combina uma multiplicidade de pontos executados com fios de linha tendo como suporte o lacê, produto industrializado que se apresenta sob várias formas, sendo o fitilho e o cordão os mais conhecidos na atualidade.

Em Sergipe, a opção das mulheres no município de Divina Pastora por trabalharem com o lacê do tipo cordão sedoso achatado, mesmo empregando uma técnica que é muito difundida no Nordeste, resultou na confecção de uma renda singular, de grande beleza, ressaltada pelo relevo e brilho do lacê. Isto confere ao produto do seu trabalho um diferencial em relação às rendas produzidas em vários estados da Região. Desse modo, a renda irlandesa de Divina Pastora, devido ao tipo de matéria prima empregada, apresenta características próprias, gerando um produto em que textura, brilho, relevo, sinuosidades dos desenhos se combinam de modo especial, resultando numa renda original e sofisticada.

Segundo o texto da matéria, o projeto de lei visa unicamente a preservação e a valorização da cultura sergipana. “A renda irlandesa é conhecida em todo o país e no exterior, pois o trabalho realizado pelas rendeiras é de excepcional qualidade. Em Sergipe várias localidades produzem a renda, mas é no município de Divina Pastora que existe uma maior concentração delas. Para fortalecer o trabalho das rendeiras é necessário criar espaços para a comercialização de seus produtos, promover oficinas de qualificação e cursos de aperfeiçoamento para que melhore a qualidade de vida das mesmas”, destaca a justificativa do Projeto de Lei.

Fonte: Rede Alese

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Divina Pastora pode se tornar a Capital Nacional da Renda Irlandesa

O Projeto de Lei é da senadora Maria do Carmo Alves (DEM) 
Foto: Arquivo Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 26 de agosto de 2019

Divina Pastora pode se tornar a Capital Nacional da Renda Irlandesa

O município de Divina Pastora pode receber o título de Capital Nacional da Renda Irlandesa. É o que está sugerindo a senadora Maria do Carmo Alves (DEM), autora do Projeto de Lei 4641/2019, que tramita no Senado da República. “A renda irlandesa deu visibilidade às rendeiras de Divina Pastora. Tornando-se sua marca específica, passou a ser um dos itens mais destacados do fazer artesanal sergipano”, afirmou.

Maria destacou que a concessão do título de Capital Nacional da Renda Irlandesa ao Município “é o reconhecimento dessa iniciativa pioneira, que reafirma sentimentos de pertencer e de identidade cultural, além de possibilitar a transmissão da técnica e o compartilhamento de saberes, valores e sentidos específicos”.

Ao pedir o apoio dos colegas, a senadora lembrou que em 2008, a técnica adotada por cerca de 200 rendeiras, teve o seu modo de fazer incluído no Livro de Registro dos Saberes Nacional e reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Essa certificação foi o primeiro grande reconhecimento das artesãs em organização administrativa, sob forma de associação, e serviu de estímulo para o desenvolvimento de outras iniciativas”, contou Maria.

De acordo com ela, em 2011, a renda de Divina Pastora recebeu o Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, figurando entre os melhores produtos artesanais do País. Já em 2012, obteve o Selo de Identificação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que concedeu aos produtos fabricados na região do Município garantia de qualidade e autenticidade.

Distante 39 quilômetros de Aracaju, capital do Estado de Sergipe, Divina Pastora tem cerca de cinco mil habitantes e desses, uma parcela cria produtos que encantam pela delicadeza e perfeccionismo. “A renda irlandesa original é baseada na técnica de renda de agulha e fitilho. O que a diferencia nos produtos de Divina Pastora é justamente a substituição do fitilho por um cordão achatado, o lacê, o que lhe confere características próprias, onde a textura, o brilho, o relevo e as sinuosidades dos desenhos se combinam de modo especial, produzindo uma renda original e sofisticada”, disse Maria, ao justificar a propositura.

História

A renda irlandesa, ou ponto de Irlanda, é uma arte que surgiu no norte da Itália, em torno dos séculos XVI ou XVII. Consagrou-se como irlandesa, pois, da Itália, foi levada por missionárias italianas para a Irlanda, onde foi disseminada a nova técnica.

Na época imperial, missionárias irlandesas visitaram Divina Pastora e lá difundiram a habilidade entre as senhoras de engenho.

Fonte: assessoria parlamentar

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Documentário sobre renda irlandesa será lançado nesta quarta, 28

A Renda Irlandesa foi inscrita no Livro dos Saberes 
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN,
tornando-se Patrimônio Cultural do Brasil (Arte: NPD)

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 27/11/2018  

Documentário sobre renda irlandesa será lançado nesta quarta, 28

O saber tradicional e o universo feminino ganham espaço na produção audiovisual. Nesta quarta- feira, 28, a Prefeitura de Aracaju, através Núcleo de Produção Digital (NPD) Orlando Vieira, coordenado pela Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), lança o documentário “Renda Irlandesa – Vida e arte das rendeiras sergipanas”, fruto do Projeto ‘Modo de fazer Renda Irlandesa’ do convênio celebrado entre Fundação e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN- Sergipe). O evento começa a partir das 15h, na sede do NPD, no Centro Cultural de Aracaju (CCA), localizado na Praça General Valadão, com entrada franca.

Gravado nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Laranjeiras, Maruim e Divina Pastora, o curta-metragem é resultado de uma oficina de produção de vídeo com adolescentes indicados pelas rendeiras das refletidas cidades. Teve como objetivo, através do olhar desses jovens, documentar mulheres rendeiras sergipanas e o modo de fazer renda irlandesa, tendo como protagonistas as próprias rendeiras e suas histórias de vida.

A exibição da produção audiovisual sergipana é de extrema importância para o Núcleo de Produção Digital (NPD) Orlando Vieira. De acordo com coordenadora geral do NPD, Graziele Ferreira, receber as rendeiras protagonistas do documentário para o lançamento do filme será uma honra e uma experiência muito especial. “Filmes são para ser vistos, e o NPD tem como vértice prioritário o equilíbrio entre a produção e difusão do talento sergipano, portanto, realizar lançamentos como esse sempre é uma oportunidade de equacionamento do cenário audiovisual local”, afirmou Graziele.

Com o lançamento do documentário, as rendeiras recebem em festa o convite para a estreia na sala de exibição do NPD, em especial, Alenalda Felix, de 48 anos, e artesã há mais 10 anos, do Povoado Estivas em Nossa Senhora do Socorro e uma das personagens do filme. Ela conta que a atividade com a Renda Irlandesa apareceu em momento propício para as mulheres da comunidade. “No início, não sabia muito bem como fazer, mas só tenho bons resultados com esse trabalho, pois, agora, tenho uma ocupação e um dinheiro a mais. A renda é uma terapia para mim e poder participar do documentário é gratificante”, destacou.

A Renda Irlandesa foi inscrita no Livro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, tornando-se Patrimônio Cultural do Brasil.

Fonte: Ascom Funcaju

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Renda irlandesa ganha diversas formas nas mãos das rendeiras


Publicado originalmente pelo site do Jornal do Dia, em 12/12/2012.

Renda irlandesa ganha diversas formas nas mãos das rendeiras.

O trabalho com a renda irlandesa é um dos mais famosos no artesanato do Estado. Com um acabamento requintando e produção exclusivamente manufaturada, as rendas chamam a atenção dos turistas nos principais pontos de venda de Aracaju, como o Centro de Cultura e Arte J. Inácio, na Orla de Atalaia, ou a Rua do Turista, no Centro da capital.

"Quando o turista chega, nós passamos para ele como é feita a tipologia e o uso do bordado, de modo que eles gostam, se encantam e compram", afirma Anunciada Bezerra, funcionária do Centro de Cultura e Arte.

Anunciada também explicou que muitas vezes, o turista chega com certo conhecimento sobre a renda, tendo ouvido falar sobre ela por conhecidos ou por algum veículo de comunicação. Este é o caso da turista Joci Dacin, de Salvador.

"As rendas são lindas, maravilhosas, de uma criatividade incrível", declara. O esposo da turista também admira o artesanato produzido em Sergipe. "Aprecio muito essas coisas. As rendas, por exemplo, eu já conhecia pela internet e a minha esposa adora", completa.

Sobre a renda irlandesa - A renda irlandesa é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil. A técnica veio a Sergipe através de missionárias e data do tempo medieval. O principal pólo produtor é a cidade de Divina Pastora, onde o produto se constitui como uma importante fonte de renda para a população.

A técnica consiste em uma agulha que tem como suporte o lacê, cordão brilhoso que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios a serem preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda com motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Artesanato de tradição: um pouquinho de Sergipe para levar pra casa


Fotos: site Turismo Sergipe e Infonet.

Artesanato de tradição: um pouquinho de Sergipe para levar pra casa

(...) Em Sergipe você vai encontrar os mais variados tipos de renda, a depender da região do estado onde ela seja produzida. Esta é uma curiosidade que poucas pessoas sabem. Na verdade, a produção da renda tornou-se uma característica e uma identidade para a região onde ela surge; e isto faz com que a produção seja ainda mais autêntica. É o caso da renda irlandesa. Ela transformou-se num dos artigos mais preciosos do estado e ganhou tamanho reconhecimento que o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) catalogou o processo no livro de Registro de Saberes; denotando a importância deste processo no artesanato nacional.

Com isso, a cidade de Divina Pastora passou a ser ainda mais conhecida e visitada, afinal ela é a responsável por grande parte da produção da renda irlandesa no estado de Sergipe, tornando-a numa das maiores expressões do artesanato local. Por isso, nada melhor do que um produto de alta qualidade, singular e que traduz a essência do trabalho artesanal sergipano para você guardar um pedacinho do nosso estado.

Tudo bem o nome ser “irlandesa” e não “sergipana”, afinal essa técnica de rendado nem mesmo surgiu na Irlanda: foi na Itália, no século XV, que se iniciou a produção das primeiras peças com esta identidade; posteriormente, a técnica foi repassada às missionárias irlandesas, que difundiram a produção da renda na Europa. Já aqui em Sergipe, mais precisamente na cidade de Divina Pastora, a renda veio através do imigrantes italianos, durante o período de colonização. Aqui, a renda é caracterizada pelo uso de lacê, um cordão sedoso, e manipulado cuidadosamente com linha e agulha, fazendo com que o produto final seja ainda mais sofisticado, seja ele um simples pano de copa, um belo vestido ou uma colcha, que vai deixar seu quarto bem mais bonito.

Já em Poço Redondo, o destaque é para a renda de bilro: sua delicadeza confere ainda mais beleza para estes produtos. Difundida no semi-árido sergipano durante o século XVIII pelos portugueses que aportaram na região, esta técnica utiliza-se de um instrumento característico, o “bilro”, que é um pequeno pino de madeira. Vários bilros são presos a uma base almofadada – que é marcada com agulhas, para delimitar os desenhos da renda – e trançam as linhas amarradas a eles, criando formas em meio ao barulhinho bom do toque dos bilros. Um trabalho de habilidade e concentração, que é produz verdadeiras obras de arte.

Além destes, existem dezenas de outros locais que produzem estes e outros tipo de renda: na Barra dos Coqueiros, a renda de filé, tradicionalmente alagoana, também é muito produzida e consumida por locais e turistas. A renda tipo Renascença, uma renda de agulha tal como a renda Irlandesa, é facilmente encontrada no interior sergipano, principalmente na cidade de Japaratuba. Em todo o Sergipe, a cultura da renda é tão forte que em vários municípios é comum encontrar associações, cooperativas ou comunidades organizadas na produção deste tipo de artesanato. Afinal, os investimentos feitos tem gerando uma melhoria no orçamento familiar de grande parte dos envolvidos. Existem famílias que se mantém há gerações através dos trabalhos desenvolvidos com o artesanato de renda.

E não se preocupe: mesmo que você passe poucos dias em Aracaju e não possa ir a uma dessas cidades para comprar uma bela peça de renda, existem diversos centros de cultura e artesanato na capital onde as peças podem ser encontradas. É só escolher a sua preferida e investir em um produto que é muito mais que uma simples “lembrança”; é uma verdadeira obra de arte autenticamente sergipana. Esperamos que aproveitem estas informações para conhecer um pouco mais das tradições sergipanas, afinal, o artesanato é uma delas. Comente, critique ou mande sua sugestão. Queremos descobrir o que você deseja saber sobre Sergipe para que este seja o seu próximo destino.

Confira abaixo alguns dos locais onde você pode encontrar opções de peças de artesanato em renda na capital sergipana:

Centro Centro de Arte e Cultura J. Inácio, Orla de Atalaia;
Mercado Municipal, Centro Histórico;
Centro de Artesanato Chica Chaves, Orla do Bairro Industrial;
Centro de Turismo, Praça Olímpio Campos;
Feirinhas da Praça Tobias Barreto, aos domingos;
Passarela do Artesão, Orla de Atalaia – diariamente das 16 às 23h.

Texto e imagens reproduzidas do site: blogcelihotel.wordpress.com

Renda irlandesa é uma relíquia

A renda Renda Irlandesa chegou a Sergipe no inicio do século XIX

Publicado originalmente no site Destaque Notícias, em 16/11/2015.

Renda irlandesa é uma relíquia

A potencialidade de comercialização da renda irlandesa, de beleza ímpar, foi vista pela Prefeitura de Divina Pastora como boa oportunidade de gerar emprego e renda no município, que vive praticamente dos royalties pagos pela Petrobras. A empresa explora gás natural no Vale do Cotinguiba, onde a cidade se localiza.

Apoiada na vocação têxtil, a Prefeitura desenvolveu o projeto de criação da marca Roupas Divina, com a Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa. Além das rendeiras, costureiras e jovens receberam treinamento para transformar o município numa referência de moda que alia qualidade, beleza e exclusividade.

Além de gerar renda, a Prefeitura pretende, com esse projeto, reduzir a informalidade no setor de confecções. Segundo os técnicos envolvidos, esse é o maior obstáculo a ser superado para viabilizar e qualificar a mão-de-obra especializada em costura industrial. Os primeiros passos já foram dados. Organizadas desde 2000, as rendeiras já estão familiarizadas com o trabalho cooperado e a gestão de negócios.

Produtos para romeiros

Elas desenvolvem uma linha de produtos mais acessíveis aos romeiros, que vão, anualmente, ao município para a tradicional procissão da Divina Pastora. Também participam de eventos nacionais e têm produtos de alto valor agregado distribuídos em vários pontos do Brasil.

Outra iniciativa foi atrair a juventude do município para o projeto. A princípio, 32 jovens entre 15 e 25 anos, vinculados à paróquia, foram capacitados para produzir lembranças a serem vendidas durante a procissão. Lenços, bandanas, bonés e embalagens com materiais recicláveis são as principais peças a serem desenvolvidas com a marca.

Por fim, a Prefeitura buscou a participação de um grupo de costureiras socialmente mais vulnerável. Elas residem na periferia ou na área rural, têm baixa escolaridade e, em geral, sustentam as famílias sozinhas. Essa iniciativa resultou na capacitação de 100 costureiras, qualificadas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pela Rede Sergipe de Design.

A criação da marca Roupas Divina exigiu a formação de parcerias para a adequação do produto e para evitar riscos ao empreendimento. Ainda foi formada uma comissão com representantes dos beneficiários diretos do projeto: rendeiras, jovens e costureiras de Divina Pastora. “A parceria da Prefeitura com as entidades foi de grande valia. Além de tirar as pessoas de atividades de subsistência e da informalidade, tem fortalecido a economia local”, revela a costureira associada, Vera Lúcia dos Santos.

Renda Irlandesa

Mais de uma centena de mulheres se dedica a fazer renda irlandesa, um dos mais belos e sofisticados produtos do artesanato sergipano. Aprender a fazer renda irlandesa é, para as mulheres de Divina Pastora, uma possibilidade que se coloca cedo em suas vidas. É quase um dado que se inscreve naturalmente em sua biografia. Nascem e crescem vendo parentes e vizinhas às voltas com a renda e são também incentivadas a aprender. E aprendem ainda com pouca idade.

A origem dessa renda europeia na região remonta ao século 19 com Ana Rolemberg, que havia aprendido a técnica de Violeta Sayão Dantas. Júlia Franco, que aprendeu com Ana, transmitiu-a a três mulheres: Marocas, Ercília e Sinhá, que foram responsáveis pela transmissão do conhecimento a gerações de artesãs. Hoje, há rendeiras por toda o municípios de Divina Pastora e é possível encontrá-las imersas no ofício em grupos ou sozinhas, na porta de casa ou nas praças.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A renda irlandesa é sergipana



Publicado originalmente no blog de Aglacy Mary, em 17/06/2010.

A renda irlandesa é sergipana.
Por Aglacy Mary.

Estou sempre me reapaixonando pelas coisas do lugar onde nasci. Essa talvez seja uma de minhas práticas de 'sustentabilidade cultural'. Gosto da arte que se faz por aqui e divulgo o que me dá gosto.

No ano passado, redescobri a renda irlandesa e quero que o mundo a conheça. Como atingir o mundo é muita pretensão, mirei alguns alvos. Aprendi: quem quer aparecer pendura melancia no pescoço. Mexi um pouquinho nessa ideia e este ano pendurei no pescoço o que eu queria exibir: um pequeno objeto de arte feito por divinas mãos de alguma pastora. De branca renda irlandesa é feito meu porta-celular. Tão leve como o caroço da melancia, ganhou apenas o pouco peso do conteúdo, ao qual já estava adaptada.

Desconheço o nome da mestra rendeira que criou o risco definidor da peça e o da artesã que, movendo a agulha e o lacê sobre o debuxo, naquele conversê com tantas outras, produziu minha nova riqueza. Mas sei que é assim que se faz. Em grupo, todas seguindo o traço da mestra, de modo que se apropriam daquilo coletivamente.

De tanto andar com o meu 'colarzinho' pra todo lado, descobri que muita gente desconhece o fato de a renda irlandesa ter o título de Patrimônio Cultural do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2008. O título foi concedido ao modo de fazer renda irlandesa, e a referência é o artesanato produzido no município sergipano de Divina Pastora.

Esse modo de fazer renda irlandesa guarda saberes tradicionais que nos levam à Europa do século XVI ou XVII, quando missionárias italianas criaram esta e outras rendas de agulha, um conhecimento que chegou à Irlanda. Com a vinda de missionárias irlandesas para a região sergipana do Vale do Cotinguiba, a arte se difundiu no lugar. As rendeiras de Divina Pastora são responsáveis pelo resgate desse bem que carrega a história da mulher brasileira desde o Brasil Colônia.

Para chegar mais perto desse tesouro, fale com a Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora - ASDEREN: (79) 3271-1306, 9929-4031 e 8122-0174.

Eu fico aqui, toda orgulhosa de ter uma peça tão fina andando comigo quase sempre. Viva Dona Sinhá e Dona Marocas e Dona Dina e Dona Alzira e Dona Ester e Dona Gilda e Dona Edileuza... Viva a mulher rendeira!

Texto e imagens reproduzidos do blog: aglacy.blogspot.com.br

sábado, 29 de novembro de 2014

Catálogo de Renda Irlandesa é lançado em Aracaju com presença das rendeiras


Fotos: Priscila Reis/Secult

Publicado originalmente no site Sergipe Cultural, em 27/11/2014.

Catálogo de Renda Irlandesa é lançado em Aracaju com presença das rendeiras

O modo de fazer renda irlandesa em Sergipe é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O título, concedido em 2008, só fez aumentar o interesse de pesquisadores culturais e da indústria da moda e do design pelo produto feito a mão por mulheres sergipanas. Para melhor divulgar essa arte e turbinar a economia nesses municípios, foi formatado um Catálogo de Produtos da Renda Irlandesa em Sergipe, lançado na noite de quarta-feira, 26, no Museu da Gente Sergipana.

O catálogo é uma iniciativa da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Sergipe, em parceria com o Instituto Banese, o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e outros órgãos, e da Prefeitura Municipal de Divina Pastora. “Trata-se de uma iniciativa no contexto Plano de Salvaguarda de Bens Registrados, que compreende ações de proteção a esses bens, organizadas em eixos e tipos pré-estabelecidos, com metas de curto, médio e longo prazo e resultados sistematicamente monitorados”, explica a superintendente do Iphan/SE, Terezinha Oliva.

Representando o governador Jackson Barreto no evento, a secretária da Cultura, Eloísa Galdino, parabenizou todos os envolvidos no projeto. “É uma iniciativa importantíssima, tanto do ponto de vista patrimonial quanto da economia criativa. São peças riquíssimas produizidas no interior do nosso Estado que estão ganhando o mundo da moda e do design. Quero aqui felicitar todos pela iniciativa, mas, especialmente, as rendeiras aqui presentes”, discursou Eloísa.

Dona Alzira Menezes, uma das rendeiras presentes, mostrou-se orgulhosa com o catálogo. “Estou muito feliz de ver o zelo que todos têm com o nosso trabalho e tenho certeza de que essa felicidade também está presente em todas as minhas amigas que aqui estão, pois vai aumentar o interesse de gente de todo o Brasil pelos nossos produtos”, declarou.

Sobre a renda irlandesa

O Modo de Fazer Renda Irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora, no Estado de Sergipe, é relacionado ao universo feminino e vinculado, originalmente, à aristocracia. A partir, especialmente, da metade do século 20, a confecção da renda surgia como uma alternativa de trabalho, e hoje essa tarefa ocupa cerca de trezentas artesãs, além de ser uma referência cultural. O Modo de Fazer Renda Irlandesa, tendo como referência este ofício em Divina Pastora/SE, foi inscrito no Livro de Registro dos Saberes, em 2009.

Constitui-se de saberes tradicionais que foram re-significados pelas rendeiras do interior sergipano a partir de fazeres seculares, que remontam à Europa do século XVII, e são associados à própria condição feminina na sociedade brasileira, desde o período colonial até a atualidade. Trata-se de uma renda de agulha que tem como suporte o lacê, cordão brilhoso que, preso a um debuxo ou risco de desenho sinuoso, deixa espaços vazios a serem preenchidos pelos pontos. Estes pontos são bordados compondo a trama da renda com motivos tradicionais e ícones da cultura brasileira, criados e recriados pelas rendeiras.

O “saber-fazer” é a qualidade mais característica da produção da Renda Irlandesa, a qual é compartilhada pelas rendeiras sob a liderança de uma mestra reconhecida pelo grupo. As mestras traçam o risco definidor da peça, que é apropriado coletivamente. Fazer Renda Irlandesa é, portanto, uma atividade realizada em conjunto, o que permite conversar, trocar ideias sobre projetos, técnicas e pontos. Neste universo de sociabilidades, são reafirmados sentimentos de pertença e de identidade cultural, possibilitando a transmissão da técnica e o compartilhamento de saberes, valores e sentidos específicos.

A cidade de Divina Pastora se tornou o principal polo da renda irlandesa em razão de condições históricas de produção vinculadas à tradição dos engenhos canavieiros, à abolição da escravatura e às mudanças econômicas que culminaram na apropriação popular do ofício de rendeira, restrito originalmente à aristocracia. A renda irlandesa é um tipo de renda de agulha, dentre as muitas existentes no Brasil. Combina uma multiplicidade de pontos executados com fios de linha tendo como suporte o lacê, produto industrializado que se apresenta sob várias formas, sendo o fitilho e o cordão os mais conhecidos na atualidade.

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br