Plublicação compartilhada do site FANF1, de 26 de maio de 2026
Sergipe vive boom de shoppings: mercado comporta tantos empreendimentos?
Por Leonardo Dias
Sergipe atravessa uma expansão inédita no setor de shopping centers. Além dos empreendimentos já consolidados na capital, cidades como Barra dos Coqueiros, Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro e Estância passaram a receber investimentos voltados ao varejo organizado. O avanço dos centros comerciais levanta um debate entre empresários e especialistas: o mercado sergipano consegue sustentar tantos empreendimentos ao mesmo tempo?
Atualmente, o estado reúne operações como o Shopping Jardins, RioMar Aracaju e o Aracaju Parque Shopping na capital sergipana, o Shopping Prêmio em Socorro, o Avelan Shopping em Glória, o Shopping Peixoto em Itabaiana e o o Passeio Guanabara, em Estância.
Recentemente, empreendimentos foram lançados como o Shopping Praia Sul, na região do bairro Aruana, o Centro-Sul Shopping em Lagarto. Na região metropolitana, a Barra dos Coqueiros está construindo o Shopping Barra Park.
Especialistas apontam que um shopping center normalmente leva entre cinco e dez anos para atingir maturidade financeira e consolidar um fluxo constante de consumidores.
“São três fases: inicial, consolidação e maturidade, durando em média de cinco a dez anos para atingir a maturidade plena”
Segundo ele, fatores como localização, renda regional, presença de lojas âncoras e potencial econômico da área de influência são decisivos para o sucesso do empreendimento.
Aracaju Parque ainda vive fase de maturação
Um dos principais exemplos desse processo é o Aracaju Parque Shopping, inaugurado em 2019 e impactado diretamente pela pandemia poucos meses depois.
O diretor da JR Malls, Josivaldo Ramos, afirma que o empreendimento ainda atravessa sua fase de consolidação, mesmo apresentando sinais de recuperação operacional.
“O ciclo natural de maturidade de um empreendimento greenfield gira em torno de dez anos, e o Aracaju Parque Shopping está atualmente em seu sexto ano de operação. Mesmo tendo iniciado sua trajetória em um cenário extremamente desafiador, com os impactos da pandemia logo após a inauguração, o empreendimento vem apresentando evolução consistente em indicadores operacionais, fortalecimento do mix e aumento gradual da ocupação”, destacou.
Segundo Josivaldo, a saída de operações consideradas estratégicas afetou diretamente o ritmo de crescimento do shopping. “Naturalmente, a descontinuidade de uma âncora relevante, como a Renner, gera impactos temporários no processo de maturação do empreendimento. Porém, o shopping respondeu de forma positiva, fortalecendo seu mix e mantendo operações importantes”, afirmou.
Ele cita como exemplo o desempenho da Riachuelo, que, segundo a administração, estaria entre as unidades com maior crescimento da rede no país. “O empreendimento conseguiu preservar sua relevância regional e hoje vive um importante processo de reestruturação, fortalecimento operacional e retomada do crescimento”, completou.
Josivaldo Ramos também defende que a localização do empreendimento, na Zona Norte de Aracaju, foi uma aposta acertada.
“O empreendimento está inserido em um eixo de forte desenvolvimento urbano, conectando Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros, atualmente um dos principais vetores de crescimento da região metropolitana. O crescimento populacional, imobiliário e comercial confirma diariamente a assertividade da escolha”, avaliou.
“O empreendimento está inserido em um eixo de forte desenvolvimento urbano, conectando Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros, atualmente um dos principais vetores de crescimento da região metropolitana. O crescimento populacional, imobiliário e comercial confirma diariamente a assertividade da escolha”, avaliou.
A estratégia atual do shopping é ampliar serviços e transformar o empreendimento em um centro multiuso. “O mercado de shopping centers vem evoluindo para um modelo cada vez mais multiuso, no qual o empreendimento deixa de ser apenas um centro de compras para se tornar um polo de convivência, conveniência, lazer e serviços”, explicou.
Entre os novos investimentos anunciados estão clínica oftalmológica, centros de estética, serviços de internet, expansão na área de saúde e até um Auto Shopping voltado para veículos seminovos.
Praia Sul aposta em experiência e expansão imobiliária
Outro empreendimento que representa a nova fase do setor é o Shopping Praia Sul, inaugurado em abril deste ano, em Aracaju. Após a consolidação do Shopping Prêmio, em Nossa Senhora do Socorro, o grupo decidiu investir em um novo centro comercial voltado para um modelo mais moderno de consumo, acompanhando o crescimento imobiliário da antiga Zona de Expansão da capital.
O diretor-geral dos dois empreendimentos, Lula Duarte, afirma que o avanço populacional e a carência de serviços na região foram determinantes para a aposta no novo shopping.
O diretor-geral dos dois empreendimentos, Lula Duarte, responsável pelas operações dos Shoppings Prêmio e Praia Sul
“A zona de expansão vem crescendo exponencialmente, com inúmeros lançamentos imobiliários de vários padrões e formatos. A população do entorno continuou crescendo, porém as opções de consumo não apresentaram a mesma dinâmica, deixando cada vez mais evidente a necessidade de um centro de consumo que agregasse e suprisse todas as necessidades”, afirmou.
Segundo Lula Duarte, estudos de mercado realizados antes da implantação identificaram uma demanda reprimida por varejo, serviços e lazer “Em todas as pesquisas que antecederam a compra da área destinada à implantação do Shopping Praia Sul, captamos a carência em todos os segmentos do varejo e de serviços, confirmando nossa percepção”, disse.
O empresário destaca que o Praia Sul foi pensado dentro de um conceito diferente dos modelos tradicionais de shopping center, priorizando experiência, conveniência e permanência do consumidor.
“O mix projetado para o Praia Sul foi pensado com uma visão atualizada das tendências de consumo, sejam elas no varejo físico, online, serviços e gastronomia. A ideia era uma composição que gerasse experiência, conforto e proximidade do público frequentador”, explicou.
O empreendimento reúne operações consideradas inéditas para o mercado sergipano, incluindo home center, arena multieventos e centro empresarial, numa estratégia voltada à diversificação do fluxo.
Para Lula Duarte, o comportamento do consumidor mudou profundamente nos últimos anos e obrigou os shoppings a se reinventarem.
“O consumidor de hoje frequenta menos os shoppings, mas permanece mais tempo. A estratégia é aprimorar a experiência durante essa jornada, proporcionando aconchego e resolvendo necessidades de consumo e serviço”, afirmou.
Apesar da expansão do setor em Sergipe, o empresário avalia que o mercado da capital começa a se aproximar de um limite no modelo tradicional de shopping center. “Na minha visão, no formato de shopping centers, chegamos a um limite, pois temos empreendimentos atendendo a todas as regiões da capital”, declarou.
Ainda assim, ele acredita que há espaço para empreendimentos conectados ao conceito multicanal e à experiência do consumidor. “A força do consumo não está apenas ligada à tradição ou tendências, e sim na convergência de todos esses fatores em um modelo multicanal”, pontuou.
Interiorização do varejo exige planejamento
A expansão de centros comerciais para o interior também chama atenção de especialistas. Para analistas do setor, o movimento pode representar desenvolvimento regional, desde que exista sustentação econômica. “Há espaço para tudo, desde que seja planejado e pensado no consumidor e na base da economia local”, avaliou um especialista ouvido pela reportagem.
Segundo ele, o avanço do comércio eletrônico obrigou os shoppings a mudarem de perfil.
“Antes os shoppings focavam em movimento e quantidade de pessoas. Hoje apostam mais em experiências, entretenimento, gastronomia e serviços. Eles vivem da experiência e do lazer, algo que o e-commerce ainda não é capaz de oferecer”, explicou.
A transformação no comportamento do consumidor também impulsionou a chegada de clínicas, academias, espaços de saúde e serviços de conveniência dentro dos centros comerciais. “Essa foi uma mudança imposta pelo mercado. Os shoppings perceberam isso e passaram a agregar saúde, bem-estar e lazer como estratégia para atrair fluxo”, afirmou.
Mercado competitivo e necessidade de inovação
Mesmo diante do crescimento do setor, empresários e especialistas concordam que os empreendimentos precisarão inovar para sobreviver. “O shopping deixou de ser apenas um centro de compras. Hoje precisa ser um espaço de convivência, serviços, entretenimento e conveniência”, resumiu Josivaldo Ramos.
Já especialistas alertam que localização, mix de lojas e presença de âncoras continuam sendo determinantes para o sucesso financeiro dos empreendimentos. “Talvez um plano de marketing mal elaborado, a falta de lojas âncoras e a disputa com o comércio do centro tenham afastado consumidores e lojistas”, avaliou um analista ao comentar os desafios enfrentados pelo Aracaju Parque Shopping.
Enquanto novos empreendimentos avançam no estado, o mercado acompanha se a expansão será sustentada pelo crescimento do consumo ou se Sergipe entrará em uma disputa cada vez mais intensa por clientes, marcas e investimentos.
Interior entra na rota de novos investimentos e expansão do varejo
No interior do estado, um dos projetos que simbolizam a interiorização do varejo organizado é o Lagarto Centro-Sul Shopping. O empreendimento surge em uma das cidades economicamente mais fortes do interior sergipano, impulsionada pelo comércio regional, setor educacional e crescimento populacional nos últimos anos.
A expectativa do mercado é que o shopping fortaleça a economia local, atraia novas marcas e reduza a necessidade de deslocamento de consumidores para Aracaju em busca de serviços, lazer e grandes redes varejistas.
Especialistas avaliam que o avanço de centros comerciais em municípios do interior demonstra uma mudança no perfil de consumo fora da capital, mas alertam que o sucesso desses empreendimentos dependerá diretamente da capacidade de adaptação à realidade econômica regional e da criação de um mix capaz de unir compras, serviços e entretenimento.
A realização da live “Arraiá do Embaixador”, do cantor Gusttavo Lima, movimentou Lagarto e também impulsionou ações promocionais do Shopping Centro Sul, que aproveitou a grande repercussão do evento para divulgar a retirada dos ingressos no empreendimento. Os vouchers foram disponibilizados mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis, destinados ao Hospital de Amor de Lagarto, gerando intensa movimentação de fãs no shopping antes da apresentação realizada no Parque de Vaquejada Parque das Palmeiras, palco da transmissão nacional da live junina do artista.
Para o economista, ações integradas entre grandes eventos e o comércio local fortalecem a economia regional e ampliam o fluxo de consumidores nos centros comerciais.
Quando um empreendimento aproveita um evento de grande alcance popular, como a live de Gusttavo Lima, ele transforma a movimentação cultural em oportunidade econômica. Isso gera impacto positivo para lojistas, aumenta a circulação de pessoas e fortalece a marca do shopping como espaço de convivência e entretenimento”, avaliou.
Enquanto novos empreendimentos avançam entre a capital e o interior, o mercado sergipano acompanha uma transformação no perfil dos shopping centers, que deixaram de ser apenas espaços de compras para se tornarem polos de serviços, lazer e convivência. Em meio à expansão do setor, especialistas avaliam que o futuro desses empreendimentos dependerá menos da quantidade de lojas e mais da capacidade de oferecer experiência, conveniência e adaptação ao novo comportamento do consumidor.
Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1 com br





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