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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Artesanato em barro de Santana do São Francisco











Fotos: Ascom Seteem

Publicação compartilhada do site do GOVERNO DE SERGIPE, de 3 de Junho de 2026 

Artesanato em barro de Santana do São Francisco celebra conquista do selo de Indicação Geográfica do INPI

Articulação entre Governo de Sergipe, Sebrae e Prefeitura consolida o segundo registro de IG do estado, valorizando o patrimônio cultural e o trabalho dos artesãos locais

As curvas do Rio São Francisco e as cores do barro, agora, estão eternizadas em um selo oficial. Na última terça-feira, 2, Santana do São Francisco celebrou o lançamento da Indicação Geográfica (IG) para o seu tradicional artesanato em barro, concessão conferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A cerimônia, realizada no Centro Comercial de Artesanato do município, marca o segundo registro de IG em Sergipe – o primeiro foi a Renda Irlandesa de Divina Pastora – e é resultado de uma articulação estratégica entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a prefeitura municipal. 

Os selos de Indicação Geográfica funcionam como uma ferramenta de proteção e valorização territorial. Eles atestam que um produto possui qualidade, reputação e características únicas estritamente ligadas à sua origem. Com essa certificação, as peças locais ganham um forte diferencial competitivo de mercado e proteção jurídica, impedindo o uso indevido da fama do município por produtores de outras regiões, além de promover a inclusão social e o turismo na região reconhecida.  

A diretora de Artesanato da Seteem, Daiane Santana, enfatizou que o reconhecimento consolida o compromisso do Governo de Sergipe com o fortalecimento do artesanato local e a preservação cultural.  “Estamos aqui em Santana de São Francisco, em um dia totalmente histórico. Estamos aqui com os artesãos, entregando o selo do IG do artesanato em barro de Santana de São Francisco, garantindo o compromisso do Governo do Estado, da Secretaria de Estado do Trabalho, para que possamos desenvolver economicamente ainda mais essa cidade belíssima, para que possamos criar novas oportunidades de geração de emprego e renda para todos os artesãos desta cidade e tenham sempre a certeza que nós estaremos sempre com vocês”, ressaltou.

Quem molda a matéria-prima diariamente enxerga na certificação a colheita de um trabalho que começou a ser desenhado há dois anos.
 
O artesão Douglas Moura, presidente da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco, relembrou a caminhada até a conquista. “É um momento muito especial e vamos comemorar a nossa conquista da IG de Santana de São Francisco. Essa IG é muito importante para a gente, ela vai nos representar, vai agregar valor às nossas peças, vai abrir novos leques de oportunidades para a gente. Passamos por um processo pelo INPI para conseguir esse selo. Desde 2024, com essa parceria Sebrae, Prefeitura de Santana de São Francisco, Governo do Estado, a Seteem, estamos buscando esse selo, e, graças a Deus, em fevereiro, conseguimos nosso selo. E hoje é um dia marcante para todos nós de Santana, porque vamos conseguir melhorar nossa produção, ter algo melhor para apresentar ao público e para o mundo”, pontuou.

O presidente da associação relembra as origens e fala do esforço de manter viva a tradição cultural da cidade, que é oficialmente reconhecida como a “Capital Sergipana do Artesanato de Barro”. “Sou filho de artesão e carrego comigo, no sangue, o artesanato. Sempre busco incentivar e ensinar aos jovens a trabalharem com artesanato, a mudarem a situação, a realidade da nossa Santana de cada vez ter menos artesãos. Incentivar e ensinar é uma forma de a gente manter nossa cultura. Quero dizer também que nossa participação aqui é coletiva, é de todos, então, não vamos deixar nossa cultura morrer, não vamos deixar que isso se acabe”, enfatizou Douglas.  

O artesão Luiz Carlos, mais conhecido como ‘Lulu’, apresentando uma de suas obras mais conhecidas, o vaso-caju, celebrou o novo patamar alcançado pelo município. “É um prazer imenso estar participando da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco, agora, com Indicação Geográfica. Acredito que esse selo vai agregar valor, vai agregar visibilidade, vai fomentar mais e mais aqui nosso artesanato de Santana de São Francisco, nossa regionalidade, nossa cultura”, celebrou.  

Por trás da conquista impressa no selo, há um minucioso processo técnico de validação que mobilizou especialistas e a comunidade. A analista do Sebrae e responsável direta pelo projeto de estruturação, Ângela Souza, detalhou as etapas que antecedem a concessão do INPI. “Uma alegria estarmos aqui depois de bons meses de trabalho para fazer essa entrega à sociedade de um reconhecimento porque a IG é um reconhecimento. Inicialmente, o Sebrae faz um diagnóstico para ver se há uma possibilidade mesmo daquele território, que tem um produto que ficou famoso por causa da sua qualidade, da sua autenticidade, ter a IG. Então, se o diagnóstico der positivo, a gente segue em frente a um processo que é chamado de estruturação, que é justamente juntar os artesãos, juntar os parceiros, verificar se há interesse, reunir toda a documentação, explicar o que é uma Indicação Geográfica, mostrar toda a responsabilidade que isso traz e também todos os ganhos que a IG pode trazer também”, explicou. 

Ela afirmou, ainda, que o momento coroa a dedicação histórica de Santana do São Francisco em manter um padrão de excelência reconhecido nacionalmente. “Esse momento de entrega simbólica do selo de reconhecimento de identificação geográfica para o artesanato de barro de Santana de São Francisco é um momento histórico, importante, que mostra todo o esforço que os artesãos fazem para manter viva a tradição de fazer artesanato de qualidade, com muita beleza, para estar eternizando o que é que tem essa cidade de bonito através das mãos talentosas deles. Hoje é um dia importante em que ficamos muito felizes de estar contribuindo para esse crescimento e reconhecimento do artesanato de Santana”, concluiu Ângela.

 Texto e imagens reproduzidos do site: www se gov br

domingo, 20 de setembro de 2015

Artesanato molda Santana do São Francisco/SE.

Foto: Noel Lino

Publicado originalmente no site f5news, em 08/04/2012.

Artesanato molda Santana do São Francisco/SE.

Cerca de 70% da população sobrevive dos trabalhos em cerâmica.

Por Mirella Mattos

Quem vê a grande quantidade de placas indicando a confecção de artigos de cerâmica na Rua São José, na cidade de Santana do São Francisco, até se admira com tantas opções. Entretanto, o logradouro não é o único reduto do artesanato local, uma vez, essa atividade se constituiu na maior fonte de renda do município.

Conforme dados fornecidos pela secretária de Turismo, Paloma Lima, cerca de 70% da população tira seu sustento da cerâmica e com maestria. Prova disso é que todos os artesãos visitados pela equipe de reportagem do portal F5 News quase não dispunham de peças em seus ateliês para a comercialização, uma vez que já estavam destinadas às encomendas, tanto para lojas de artesanato como para atravessadores.

Ao mesmo tempo em que a venda quase que total dos artigos é vista como algo positivo, demonstra também as perdas sofridas pelos artesãos, que acabam vendendo suas peças a preços incompatíveis com o trabalho, deixando grande parte dos lucros para os intermediários.

Uma solução visada pelo prefeito do município, Ricardo Roriz, a fim de diminuir as desigualdades e a desvalorização dos trabalhos, é promover a profissionalização da atividade.

As barreiras atribuídas pelo próprio sistema parecem nada significar para os profissionais que seguem a carreira em um misto de vocação e necessidade. A trajetória da maioria deles é similar, começando a carreira em ateliês de outros parentes através da função de ‘candango’, uma espécie de aprendiz, até estarem preparados para gerenciar seus próprios negócios.

Foi assim que Wilson de Carvalho, mais conhecido na região como Capilé, começou a sua trajetória. Hoje um dos artesãos mais requisitados da área, é um dos poucos a fazer peças únicas, exclusivas, como também os presépios em tamanho natural. “Comecei como candango dos meus primos e hoje faço peças melhores do que as deles”, diz.

Questionado sobre os motivos que o levaram a se destacar na arte, Capilé revela sempre ter tido essa busca. “O que me faz me destacar dos outros artesãos é a minha determinação, minha procura por algo a mais. Todo mundo aqui na comunidade se especializou em vasos e moringas, e tudo a um valor irrisório. Eu vi na necessidade razão para criar algo diferente”, esclarece e acrescenta que um presépio completo, a depender do tamanho e quantidade de peças, pode custar até R$ 7 mil.

Cangaceiros

Outro que passou a investir em um nicho diferente do experimentado pela grande fatia de artesãos foi José Soares de Melo, o Juquinha. Atualmente ele se dedica quase que exclusivamente ao feitio de cangaceiros. “Faço outras peças, mas a minha especialidade mesmo é o cangaceiro. Fabricamos ao dia cerca de 20 dessas unidades”, declara.

Tradição

Exceção à regra, seu Nonô, que há 60 anos atua como artesão, entrou no ramo já adulto e aprendeu o processo por observação. “Quanto tinha 21 anos me interessei por cerâmica depois de ver um vizinho meu fazendo”, conta.

O idoso afirma já ter mantido a meta de fazer 200 moringas por dia durante anos, antes mesmo do advento do motor elétrico nos ateliês. “Já fiz mais de 200 moringas por dia e vendia muito. Na época eu empurrava a roda com o pé, hoje com o motor é mais fácil”, explica e garante que mesmo aos 81 anos tem disposição de sobra para trabalhar.

“Há pouco tempo eu caí tentando colocar umas peças no forno e quebrei o fêmur. Fiquei mais de um mês na cama agoniado sem poder levantar e agoniado por não poder trabalhar. Enquanto tiver condições vou continuar trabalhando, não pretendo parar nunca”, finaliza.

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Artesãos em Santana do São Francisco


Publicado originalmente pelo site G1/Globo Reporter, em 28/11/2014.

Capital sergipana da cerâmica constrói em casa a tradição da cidade
Janelas, calçadas, tudo vira vitrine para o negócio dos artesãos em Santana do São Francisco. Famílias inteiras atuam nas linhas de produção caseiras.

Grandeza a perder de vista. O rio que leva o nome de um santo, faz milagre por onde correm suas águas. É o sustento de milhares de pessoas.

O Velho Chico sabe ser generoso com os ribeirinhos. Em tempos de cheia, o rio vai além das margens e forma lagoas. E foi assim, ao sabor das marés que nasceu a vocação de Santana do São Francisco. Lá, 70% dos moradores construíram em casa a tradição da cidade.

Vem do barro extraído das margens do rio o segredo do sucesso do pequeno município de 8 mil moradores. Nas ruas é fácil perceber porque a cidade e considerada a capital sergipana da cerâmica. As janelas as calçadas, tudo vira vitrine para o negócio dos artesãos, e é um trabalho que começa em casa e não vai muito longe não, continua na região.

Globo Repórter: Seu Antônio, seu negócio deu tão certo como o de muita gente aqui que o senhor teve que ampliar a sua casa?

Antônio Ramos, artesão: Comecei pequenininho e deu certo com a minha família, hoje está grande.

Globo Repórter: Seu Antônio, é peça demais, não para não?

Antônio Ramos: Aqui não para, não para não, é fazendo o forno tá lá, já tá secando as peças no forno para amanhã entregar as peças e fazendo mais, não pode parar, tem que continuar e eu quero que aumente.

Na linha de produção a família inteira. Filhos, genros, noras. Aos 65 anos, Seu Antônio é quem toma as rédeas do negócio. Hoje está aposentado, ele já foi agricultor, minerador, trabalhou na construção civil mas sempre acabava voltando para o artesanato. A chance de trabalhar em casa, ele nunca largou.

Globo Repórter: E é bom ser patrão de você mesmo?

Antônio Ramos: É bom demais.

Troca da enxada pelo trabalho em casa.

Histórias assim são comuns em Santana do São Francisco.

Em um piscar de olhos, a habilidade e o talento dão forma a peças pelas mãos de Capilé. No Nordeste, Capilé quer dizer menino curioso, destemido. O apelido que Wilson ganhou na infância, define bem o espirito desse artesão.

“E com muita persistência, porque eu fui sempre uma pessoa assim, persistente, aí eu consegui aprender a fazer peças pequenas, aí dali por diante eu fui tentando, tentando e conseguia uma, caia duas e não parava”, diz o artesão Wilson de Carvalho, o "Capilé".

Com planejamento, organização, as peças do Capilé ganharam um tamanho que nem ele imaginava que seria capaz de fazer. Como um dos muitos presépios que o Capilé confecciona. Os reis magos Belchior, Baltazar e Gaspar. Tradição católica retratada em tamanho gigante.

Há 15 anos ele trocou a enxada pelo trabalho em casa. Cansado da dependência da chuva e do sol, deixou para trás a roça de milho. Agora depende só dele.

Globo Repórter: Você não se arrepende de jeito nenhum de ter abandonado a lavoura?
Wilson de Carvalho, artesão: Deus me livre. Para mim foi muito importante porque aqui agora estou aqui tranquilo.

A pausa nas tarefas quem determina é Dona Fátima, a esposa. Morar em frente ao trabalho é só vantagem.

“Não tem melhor não, não tem melhor.”, afirma Capilé.

Regra cumprida à risca para o trabalho render.

Mas Dona Fátima não fica só nas tarefas de casa. Ela é responsável pela pintura das peças.
“Uma emoção de ver uma peça pintada pelas minhas mãos e o povo quando chega, gosta e compra”, conta Maria de Fátima de Carvalho, artesã.

Para o trabalho render, Capilé tem uma regra cumprida à risca;

“Planejamento. É a alma do negócio, se planejar. Todo o seu tostãozinho que arrecadar, que ganhar, planeje ele, pague suas coisinhas e deixe sempre uma reserva”, revela Capilé.
Assim, ele fez um pé de meia, e que pé de meia.

“Carro não comprei, porque eu não tenho muita vontade de comprar carro não, mas eu graças a Deus tenho minha casa própria, tenho outra casa ali, tenho outra casa que mora meu filho”, explica Capilé.

Conforto para família e realização pessoal. Foi o que Capilé conseguiu trabalhando em casa e aos 50 anos, o menino travesso nem pensa em parar.

Wilson de Carvalho, artesão: Eu quero que o pessoal me reconheça com um cidadão ribeirinho, aqui de Santana do São Francisco.

Globo Repórter: E feliz no que faz?

Wilson de Carvalho, artesão: Com certeza!

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/globo-reporter

Clique no link abaixo para assistir vídeo da reportagem:

sábado, 22 de novembro de 2014

Artesanato Sergipano - Município de Santana do São Francisco




Município de Santana do São Francisco/SE.

Visita as instalações das Olarias de Santana do São Francisco (antiga Carrapicho), onde se produz um dos artesanatos em argila mais importante do estado de Sergipe.

Durante a visita diversos artesãos explicaram todo o processo de produção, na maioria ainda rudimentar.

Foto e informação de legenda, reproduzidas do site: portaljovem.net.br

Santana do São Francisco, a cidade ribeirinha que molda formas

Em Carrapicho, cada casa uma pequena olaria.


Claudionor Filho, 31, herdou do pai o dom de moldar formas.


Dona Carminha é a responsável pelo acabamento
das peças que o filho produz.

O forno a lenha fica no próprio quintal das olarias.

Após moldadas, as peças ficam secando por
24hrs, para só então ir ao forno.

Mercado onde também são comercializadas as
peças produzidas na cidade
Créditos das fotos: Roberto Miranda.
Imagens e Legendas reproduzidas do site: aquiacontece.com.br

Publicado originalmente no site Aqui Acontece, em 23/11/2012.

SE: Santana do São Francisco a cidade ribeirinha que molda formas
Por Roberto Miranda.

A aspereza do homem nordestino em Santana do São Francisco, pequena cidade sergipana banhada pelo Rio São Francisco, com 6.800 habitantes, não corresponde à práxis. Das olarias, surgem através das mãos de homens rudes, expressivas obras de arte, criadas com o barro retirado do leito e dos antigos arrozais das margens do rio, conhecida como cerâmica de Carrapicho.

Carrapicho ou Santana do São Francisco, tanto faz. A cidade é conhecida pelos dois nomes, localizada no Baixo São Francisco na margem sergipana do rio, é também o lugar das olarias. Quem empresta o nome à cidade é a padroeira do lugar, Nossa Senhora Santana. Carrapicho é como a cidade era chamada no tempo em que era comarca de Neópolis. O local tem um ar bucólico, de que parou no tempo. Onde carroças de burro e parelha de bois ainda dividem espaço nas ruas com automóveis.

As olarias estão presentes por toda a cidade e a negociação das peças são realizadas ali mesmo nas calçadas que servem de vitrine. Cada casa é um pequeno comércio, e quem chega pode conferir no mercado de artesanato todo o trabalho moldado com técnicas do passado que ainda usadas no presente.

O turista ainda pode acompanhar todo o processo artesanal da modelagem de silhuetas. Pois as olarias são abertas à visitação e a compras. Como é o caso da pequena olaria familiar, que fica na Rua Berlamino Gomes. Lá trabalham o pai, Claudionor, 74, e os filhos, José, 48 e Claudionor Filho, 31. Isso revela o ritual de transmissão de um ofício de pai para filho, fenômeno observado nas mais diversas manifestações culturais.

O homem cria as peças e a mulher se encarrega do acabamento final, que é a pintura. Esse é o caso de dona Carminha, 58 anos. Ela explica que o filho produz as peças de barro e ela se encarrega da pintura em sua casa, que também funciona como atelier.

O processo: da oleiro ao acabamento.

A técnica de criação da cerâmica se inicia com o oleiro fabricando a peça, depois é colocada para secar ao sol por 24 horas. Em seguida, vai ao forno à lenha até atingir o ponto de cardeação, o que significa dizer: o ponto mais quente do forno, daí então, não se coloca mais lenha. Espera-se que o fogo apague por si e retiram-se as peças, quando frias, para a última etapa, que é realizada pelas mulheres, o acabamento e a pintura...

Texto e imagens reproduzidos do site: aquiacontece.com.br/

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ARTESANATO - O colorido do artesanato sergipano.






Infonet - Cultura - Especial - 07/11/2009.

O colorido do artesanato sergipano.

Em Santana de São Francisco, a arte representa o sustento de 70% da população. Perfeição, beleza e baixo preço impressionam

Na sala do apartamento da estudante Marina Dias, algumas peças de decoração arrancam elogios até dos mais exigentes (e sinceros) visitantes. “Algumas amigas quando vêem logo dizem que é lindo, de muito bom gosto e perguntam em qual loja comprei. Quando falo o lugar que achei e o preço que paguei, não acreditam”, conta.

Os objetos não foram adquiridos em nenhuma loja da capital, nem são assinados por designers de marcas badaladas. As peças de cerâmica, na verdade, levam a assinatura de grandes artistas da cidade de Santana de São Francisco, cidade banhada pelas águas do rio São Francisco e abençoada pelotalento da sua população.

Uma cooperação em família

“Aprendi com minha mãe, que por sua vez aprendeu com minha avó, e hoje, como não tenho filhos ainda, já ensino minha sobrinha. Não tem coisa melhor que se sustentar de uma atividade que nos dar prazer", fala Rejane Silveira, que diz vender mais de 100 peças por dia. Ela, como a maioria das mulheres do Centro de Comercialização de Artesanato da cidade, trabalham em conjunto com o marido.

A dinâmica funciona da seguinte maneira: enquanto os homens são responsáveis pela produção da cerâmica, suas companheiras assumem a tarefa da pintura e da venda. Há cinco anos nesse ramo, Leilane Santos garante que a dupla união entre marido e mulher é positiva. "A gente consegue monitorar eles mais direitinho", conta a divertida moça.

Sustento que vem da arte

No pequeno município de seis mil habitantes, conhecido também como 'Carrapicho', cerca de 70% da população vive dessa arte, de acordo com informações da Rede Cultura de Sergipe. O centro onde as peças são vendidas por 64 famílias foi viabilizado graças ao esforço dos artesãos e do apoio do Governo do Estado e da Unesco.

No lugar é possível encontrar conjuntos de chá, vasos, bonecos que representam os costumes da população ribeirinha e outros artigos decorativos. Mas o carro-chefe das vendas, segundo as artesãs, é o conjunto composto por três peças decorativas de tamanhos diferentes. O trio sai para o consumidor ao preço de R$ 3 e é o produto predileto da turista alagoana Gleidisane Oliveira.

"Sou de Arapiraca e sempre que venho passear aqui por essa região saio com a mala do carro cheia (risos). O trabalho da comunidade é perfeito, a gente sente o capricho no acabamento. Além de serem ótimas peças de decoração são excelentes presentes.A alagoana Gleidisane Oliveira é cliente fiel também. E o preço é super convidativo", comenta a alagoana.

Conheça o município

Santana de São Francisco fica a 120 quilômetros de Aracaju e é um ex-povoado de Neópolis. Além de poder ver e comprar as peças feitas de cerâmica, tinta e paixão, é possível tomar um refrescante banho nas águas do Velho Chico e conhecer a história desta cidade que foi erguida a partir da riqueza proporcionada pela argila.

Por Glauco Vinícius.

Texto e foto reproduzidos do site: infonet.com.br/agenda