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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Artista Plástico Joel Dantas


Artista Plástico Joel Dantas.

Filho de pais sergipanos, Joel Dantas nasceu em Pilão Arcado, sertão da Bahia, em julho de 1950.

Veio morar em Sergipe com seus pais e reside no município de General Maynard até hoje. Aos oito anos de idade começou a despertar interesse pelo desenho. A temática predominante de suas obras é a presença da figura humana. Através das obras de Joel Dantas, jovens e estudantes foram motivados didaticamente. As manifestações culturais e folclóricas de Sergipe e do Nordeste são manifestadas em suas obras, destacando-se trabalhos como: bacarmateiros, lança de espada e busca-pés, vaqueiros, festas juninas, entre outros. O artista plástico sergipano utiliza o realismo em suas obras com a finalidade de expor os valores e tradições culturais de Sergipe.

Texto reproduzido do blog: pintandoosetenaescola.blogspot.com.br

Obra de Joel Dantas. 
Aracaju - A Nascente, Uma Alegoria
Óleo sobre tela 40 x 60cm 2005
Imagem reproduzida do site: sociedadesemear.org.br

Postagem originária da página do Facebook/MTéSERGIPE.
http://migre.me/mL0Ty

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Eurico Luiz dos Santos




Eurico Luiz dos Santos 
Por Mário Britto

Eurico Luiz dos Santos, pintor, escultor, cenógrafo e professor de pintura
Assinava Eurico Luiz

Nascimento: 20 de novembro de 1936, em Araçatuba/SP
Falecimento: 09 de dezembro de 2004, em Aracaju/SE

Paulista de nascimento, costumava dizer que era “baiano pelo coração e sergipano por adoção”. De origem humilde, foi alfabetizado em casa, pela mãe, mas aos seis anos de idade já falava corretamente o francês. Depois de se formar na Escola de Belas Artes, na Universidade Federal da Bahia, veio para Sergipe onde morou por mais de trinta anos, tendo como fiéis companheiros de morada, os seus muitos gatos.

Em Sergipe, construiu uma carreira sólida. Detalhista, crítico, inquieto e polêmico pela própria natureza, vivia em permanente estado de criação, pintava, desenhava, esculpia, criava cenários para espetáculos, realizava decoração para ambientes particulares e públicos. Como esmerado artífice, foi responsável por uma das restaurações do Palácio-Museu Olímpio Campos.

Em sua rica e diversificada iconografia, incluem-se temas como: paisagens remanescentes da mata atlântica, feiras, cenas nordestinas, casarios com telhados em relevo, igrejas, retratos, naturezas-mortas, madonas e imagens sacras.

Em 1964, criou uma de suas marcas icônicas: os Cabeças-Chatas, crianças desnutridas que denunciavam a miséria das periferias onde viviam. Já os “cajus”, outra referência marcante em sua iconografia, datam de sua chegada a Aracaju.

Eurico Luiz foi presidente da Associação dos Artistas Plásticos Sergipanos e fundador da Galeria de Arte e Ateliê Livre Eurico Luiz/Galeu, na década de 70. Participou ativamente das manifestações culturais da década de 80, fazendo cenários para espetáculos e decorações públicas. Na década de 90, recebeu o título de cidadão sergipano da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, outorga que muito o orgulhava. Foi presença marcante nos Festivais de Arte de São Cristóvão.

Em sua trajetória profissional, participou de diversas exposições, festivais e encontros culturais, expôs, individualmente, na Galeria Portal em São Paulo; na Galeria Macunaíma, no Rio de Janeiro; na Galeria Bazarte, em Salvador-BA, e na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju-SE. Com igual brilho, expôs nos Estados Unidos: na Pensilvânia, em Nova Iorque e em Los Angeles, como também no Salão de Artistas Baianos, em Madri.

Realizou uma quantidade considerável de obras públicas e painéis, hoje espalhados pela cidade de Aracaju-SE, a exemplo do obelisco, em forma de caju, na ponte da Coroa do Meio; os painéis do Gonzagão, no bairro Augusto Franco; os murais do Parque dos Cajueiros. A sua obra mais representativa encontra-se no praça do iate Clube, em Aracaju/SE, ela é formada pelo boto, em homenagem ao legendário Zé peixe; pelo brasão de Aracaju e a pela imensa Arara ladeada por grandes cajus amarelos e vermelhos.

Mestre na utilização da técnica mista, usava cores fortes e exuberantes. Eurico se eternizou nos muitos monumentos feitos para Aracaju, suas obras, pioneiras intervenções urbanas, tornaram-se símbolos da cidade e referência turística. É quase impossível visitar Aracaju e não se deparar com uma delas.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Ronaldo Gomes de Oliveira “Caã”




Ronaldo Gomes de Oliveira “Caã”
Por Mário Britto

O pintor nasceu em 05 de julho de 1953, em Novalguaçu/ RJ. Em 1960, ainda criança, na companhia dos pais, Dona Núbia e José Inácio, o nosso J. Inácio, mudou-se para Salvador. Em 1961, novamente, transferiu-se com a sua família para Salgado, Estado de Sergipe e, finalmente, em 1962, fixou residência em Aracaju.

A adolescência culminou com as mudanças de paradigmas dos anos sessenta, e já no início da década seguinte, contra a vontade do pai, que não queria vê-lo artista, foi morar sozinho na Atalaia Nova e lá se tornou Caã, nome por ele adotado em homenagem a tribo dos Caãs, indígenas que tinham como lema - a devoção à liberdade e o culto à natureza.

Autodidata, desde muito cedo, Caã gostava de desenhar e pintar. Adorava observar o pai pintando, daí a marcante e importante influência dele em seu trabalho, de quem herdou o talento e de quem pegava "escondido" as tintas para fazer os seus primeiros quadros. Como consequência, a criatura fez-se criadora e possuidora de estilo próprio, muito embora em seu trabalho, sem nenhum demérito, percebe-se a mesma luminosidade que o pai-mestre, J. Inácio, transmitia nas telas por ele pintadas.

Cãa, desde 1973, vem expondo, sistematicamente, em Sergipe. Realizou exposições individuais na Galeria Álvaro Santos, nos anos de 1975, 1976, 1977, 1979, 1981, 1982, 1985 e 1989, a última em parceria com o amigo Zeus, e coletivas em 1973, 1974, 1976, 1977, 1978, 1983, 1984 e 1985. Com o pai, o mestre J. Inácio, expuseram juntos em 1984, na Galeria Álvaro Santos; em 1985, na Caixa Econômica Federal e, em 2002, no Hall do Centro Administrativo do Banese.

Em Sergipe, fez, ainda, as seguintes exposições individuais: na Galeria Galeu, em 1974; no Centro de Turismo de Aracaju, em 1978; no Foyer da Biblioteca Epifhânio Dórea, em 1981; na Galeria Jordão de Oliveira, em 1983, no Espaço de Arte, em 1993, no Shopping Riomar, em 2004, e na Procuradoria Geral do Estado em 2010.

Protagonista do movimento de renovação das artes visuais em Sergipe, Caã, também, esteve presente, dentre outras, nas seguintes coletivas: em 1973, na Aliança Francesa/Se; em 1974: na Escola de Arte Eurico Luiz; em 1975: na Galeria São Roque e na Galeria Kennedy, ambas em Salvador/Ba; em 1975 e 1978: na Galeria Horácio Hora/Se, em 1976: no Festival do Cinema Amador e na Galeria da UFBA; em 1978: nas Galerias Rodrigues/Pe e Canizares/Ba e, ainda, no Foyer do Teatro Castro Alves/Ba; em 1979: na Galeria Rodrigues/Pe e na Galeria Eucatexpo/Ba; em 1981: na Coletiva Artistas Sergipanos no Campus da UFS e na inauguração da Galeria J. Inácio; em 1982: no Salão de Arte José de Dome; em 1983: na Feira de Arte do Ibirapuera/Sp e na Coletiva Permanente do Galeria J. Inácio.

No apuro de sua técnica, recebeu forte influência dos impressionistas, a exemplo de Paul Cezánne e Van Gogh. Com mais de trinta anos de carreira, encontramos em sua iconografia, além de belíssimas paisagens regionais, cenas e costumes do interior Nordestino; graciosas e sensuais "caboclas", trajando curtos e esvoaçantes vestidos e personagens folclóricos, dando-se destaque aos circenses, dentre tantos outros temas.

Como colecionador e filotécnico, orgulho-me de possuir, em minha modesta coleção, um emocionante quadro denominado "O Gladiador das Tintas", no qual Caã retratou o seu pai, o eterno J. Inácio, em um bananal com pincel em riste, em um gesto heroico e desafiador, como se todos nós fôssemos alvo e, de uma certa forma, somos, de suas pinceladas, de sua inquietude e de sua irreverência.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Antônio Cruz




Antônio Cruz
Por Mário Britto

Nasceu no dia 8 de outubro de 1956, na cidade de Maruim/SE. Autodidata, Antônio da Cruz sempre contou com o apoio e o incentivo da sua genitora para desenvolver a sua vocação artística. Aos 10 anos de idade já demonstrava aptidão para o desenho, interesse pelas artes e curiosidade pelas biografias dos grandes mestres da pintura. Inspirado nos muitos gibis que lia, aos 12, fazia retratos de parentes e reproduzia retratos de personalidades históricas.

Artista contemporâneo, não segue escola ou regras, firma a sua arte alicerçado no talento e no trabalho. O domínio de técnica no manejo do alumínio, do cobre e, sobretudo, do aço, outorgou-lhe reconhecimento e prestígio no universo artístico como escultor. Destaca, entre outros, Van Gogh, Picasso, Michelângelo, Portinari, Carlos Scliar e Lígia Clark como referências de inspiração e Willy Valenzuela, Fábio Sampaio, João Valdenio e Zeus como artistas de sua admiração.

O desenho é a base de seu trabalho e também o recurso técnico utilizado para detalhar a montagem de esculturas tridimensionais de grandes proporções como, por exemplo, o monumento aos “Garis e às Margaridas” e o esculto/painel “Contra todas as forças que nos oprimem”, de 5 metros por 2, onde se destaca, em suspensão, uma imponente figura humana masculina com aproximadamente 2,3 m de altura.

Em 1974, participou da sua primeira exposição coletiva, na Galeria de Arte Álvaro Santos, vindo a ser, posteriormente, entre maio de 2001 a fevereiro de 2005, o seu Diretor; nesse mesmo período foi, também, coordenador de difusão e intercâmbio cultural da Funcaju - Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes. Como importante protagonista do movimento cultural, entre 1996 e 2001, atuou como presidente e diretor da ASAP - Associação Sergipana dos Artistas Plásticos e de Artes Visuais. Produtor e cenógrafo premiado, é filiado ao SATED. Atualmente, escreve textos sobre artes plásticas, teatro e audiovisual para jornais e revistas e, ainda, é um ativos colaboradores do Fórum Permanente de Artes Visuais de Sergipe, do qual foi um dos criadores e coordenador. Colabora, também, com o Fórum de Audiovisual.

Ao longo de sua trajetória profissional, tem participado de várias exposições coletivas e importantes festivais de arte, como os de São Cristóvão, Laranjeiras e Propriá, em Sergipe, e da segunda edição do Afro-Americano de Salvador. Em Vitória da Conquista, na Bahia, participou de uma coletiva de intercâmbio. Em Brasília, na Câmara dos Deputados, realizou exposição em parceira com Hortência Barreto.

Artista inovador, pesquisador e estudioso da arte, Antônio da Cruz preza pela liberdade de expressão, realiza exposições focado mais nos aspectos didáticos do que nos mercadológicos, pois, para ele, a expressividade e o simbolismo de suas esculturas sempre prevalecem sobre pretensões de rigor estilístico.

Suas esculturas lúdicas e tridimensionais possuem beleza inquietante por suscitar transitoriedade entre o surpreendente admirável e o esteticamente inusitado, geralmente são suspensas, sugerindo flutuar. Cabos, barras curvas ou fios de aço elevam as obras desafiando a lei da gravidade e convidam o observador para interagir com elas. Muitas dessas esculturas constituem séries. A partir de 1989, como múltiplos, muitas têm sido eternizadas em troféus para homenagear personalidades nas cenas desportista, cultural e empresarial.

Sua prestigiada obra encontra-se em importantes endereços como no Museu da Gente Sergipana, no Museu-Palácio Olímpio Campos, na Sociedade Semear, no Hospital Nestor Piva, no Sindicato dos Petroleiros, na UNIT, na Galeria de Arte Álvaro Santos, na Pinacoteca da UFS, no SESC, na Procuradoria Geral do Estado, no Yázigi, no Museu da Câmera Federal, no Museu de Vitória da Conquista e em várias coleções particulares de obras de arte por todo o Brasil.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Ismael Pereira, artífice do belo




Ismael Pereira, artífice do belo
por Mário Britto

Ismael Pereira Azevedo é pintor, ilustrador, cronista, chargista, cartunista e desenhista. Nascimento: 01 de outubro de 1940, em Capela/SE. Estudioso e conhecedor das obras dos grandes mestres da pintura mundial, sempre encontrou na família, sobretudo, em sua genitora Joana Pereira Azevedo, apoio para desenvolver a sua vocação artística. No início da década de 50, em busca de melhores oportunidades, Ismael se muda de sua cidade natal Capela para Aracaju. Lá permaneceu até os dezessete anos.

Em 1960, ingressou na Força Área Brasileira, servindo na Base Aérea de Salvador/BA, depois retornou para a Aracaju e, no início da década de sessenta, torna-se pequeno empresário, abrindo a primeira fábrica de letreiros luminosos em acrílico de Sergipe.

Em 1965, depois de trabalhar por quase dez anos como empresário, Ismael se muda para Arapiraca/AL, onde, paralela às suas atividades empresariais no ramo da publicidade, torna-se importante partícipe do movimento artístico e cultural de Alagoas, realizando exposições e salões de arte. Idealizou e ajudou a fundar a emissora de rádio, a Novo Nordeste-AM e a Câmara Júnior de Arapiraca, da qual fora o seu presidente. Estreia, em 1973, na vida pública, elegendo-se vereador na cidade de Arapiraca/AL por dez anos. Preside a Câmara Municipal daquela municipalidade e, em seguida, foi eleito deputado estadual pelo extinto MDB, ocupando uma cadeira no parlamento alagoano, durante doze anos consecutivos; na Assembleia Legislativa de Alagoas, fora Deputado Constituinte.

Tem o sergipano Jenner Augusto como um artista de referência e grande influência em razão do rico colorido e da lucidez temática do trabalho daquele grande mestre . Confessa-se, ainda, encantado com os muralistas mexicanos, em especial, David Alfaro Siqueiros, que teve a honra de conhecê-lo, em seu atelier, na cidade dele, em Guernavaca, quando esteve no México. Michelângelo, Rembrandt, Delacroix, Caravaggio, Rubens, Monet, Manet, Picasso e Van Gogh são outros artistas de sua admiração e registro de suas influências.

Em 1965, realiza a sua primeira exposição individual em Aracaju/SE, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em 1965. Em Salvador/BA, faz a sua primeira exposição interestadual no foyer do Teatro Castro Alves e, em 1968, acontece a sua primeira exposição em Maceió/AL, na já extinta Galeria Arko's.

Em 2005 é agraciado com a Medalha Inácio Barbosa pelo Governo Municipal de Aracaju. Recebeu, em 2006, a Medalha do Mérito Parlamentar, outorgada pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe. É membro da Associação Internacional de Artes Plásticas-AIAP, com sede em Paris, da Academia Alagoana de Cultura, da Associação Alagoana de Imprensa; da Associação Sergipana de Imprensa e da Casa do Poeta de Sergipe.

Premiado artista, logrou, na categoria pintura, o primeiro lugar na I Mostra de Arte do Nordeste em Feira de Santana/BA e a medalha de ouro no I Salão Atalaia de Sergipe. Participou de várias edições do tradicional Festival de Artes de São Cristóvão/SE, dos Salões de Arte de Alagoas e dos Festivais de Verão de Marechal Deodoro/AL.

Com um amplo e rico currículo, vem realizando importantes e prestigiadas exposições individuais e coletivas, em diversas cidades do Brasil, entre elas: Aracaju/SE, Salvador/BA, Maceió e Arapiraca, ambas em Alagoas, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Governador Valadares/MG, Porto Alegre/RS, São Luís/MA e, em São Paulo, na capital e em Campinas. No exterior, realizou sua primeira mostra individual (internacional) na Cidade do México. Em 2007, participou da Feira Internacional de Artes de Lisboa. Suas obras estão espalhadas mundo afora, destacando-se: Holanda, França, Alemanha, Inglaterra, Panamá, Canadá, Espanha, Portugal, México, Estados Unidos, Argentina, Índia e Peru.

Em seu vasto universo pictórico, as mandalas tornaram a sua marca registrada, a criação passou a ser sinônimo do criador e o notabilizou. Místicas e enigmáticas, as mandalas sempre pautam por um primoroso desenho e possuem uma harmoniosa combinação cromática. São peças únicas, ricas em detalhes, perfeitas no desenho e plenas de simbologias. “A forma circular se repete, mas a mensagem alegórica é sempre nova, única”, esclarece o artista.

As peças de barro também são individualizadas, sem réplicas. Elas são paciente e cuidadosamente garimpadas em feiras de artesanato, em diversos torrões do Brasil ou são adquiridas diretamente das mãos de oleiros e artesãos. Possuem variados formatos e diversificados temas, podem ser: os bois-bumbás, galos, corujas, figuras do Guerreiro e do Reisado, anjos, santos, chaleiras, moringas, panelas, travessas, vasos, etc, mas para executar a pintura multidimensional de cada uma, o artista faz previamente um estudo meticuloso de todas as formas e ângulos, para, posteriormente, escolher as cores e os motivos.

Sua obra de extraordinário efeito alegórico e rara beleza goza de absoluta identidade iconográfica. Tanto os quadros quanto as cerâmicas, acusam-nos, no primeiro olhar, que estamos diante de uma obra de Ismael Pereira, esse artista multifacetado que sabe explorar, com o abundante talento que lhe é peculiar, todas as possibilidades que a tela em branco ou o barro nu pode oferecer-lhe. A pintura de Ismael Pereira, pois, não tem similar, é singular, é só dele, não sem razão afirmou o crítico italiano Mario Gelenni “Ismael lembra Ismael”.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

José Fernandes




José Fernandes
Por Mário Britto.

José Fernandes Alves dos Santos é pintor, professor de artes e produtor cultural. Nascimento: 19 de outubro de 1959, em Lagarto/SE. Em 1961, órfão de pai, mudou-se com a mãe para Aracaju/SE. Entre as peladas e outras brincadeiras de menino, rabiscar papel fez parte de sua infância. Pessoas, plantas, aves e peixes inspiraram os seus primeiros desenhos. Aos nove anos, recorda-se haver feito o seu primeiro quadro: um mendigo cansado com o semblante triste. Satisfeito com o expressivo resultado, então decidiu que seria artista.

Desde os 14 anos de idade, José Fernandes desenvolveu atividades ligadas às artes. Em 1972, já estava produzindo e assinando suas obras. Em 1976, depois de trabalhar por um curto período na Agência Nacional de Notícias, como operador de telex, passou a viver do seu ofício de artista. Nesse mesmo ano, participou de sua primeira exposição coletiva na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju/SE.

Em 1977, participou da Escolar/97, promovida por Pincéis Tigre, em São Paulo/SP. Em 1978, teve brilhante participação no VII Festival de Arte de São Cristóvão/SE; e, nesse mesmo ano, foi auxiliar de restauração do Museu de Arte Sacra, através da Universidade Federal de Sergipe e da Empresa Sergipana de Turismo. No início da década de 80 morou em Brasília. Em 1982, voltou para Aracaju, mas a sua inquietude aliada ao temperamento forte e à personalidade firme, não o permitiu fixar residência na capital sergipana. Rio de Janeiro, São Paulo, Goiânia, Recife e Salvador, entre outros rincões, são endereços alternativos de suas moradas.

Florival Santos, J. Inácio, Jordão de Oliveira e, principalmente, Jenner Augusto são os artistas que mais o influenciaram. Admirador de vários deles, destaca como de sua preferência pessoal Picasso e o pintor goiano Siron Franco, este, segundo ele “possuidor de imaginário e linguagem fantásticos”.

As obras de José Fernandes estão presentes em várias coleções particulares, entre elas a da Presidente Dilma Rousseff, Caetano Veloso, Arlete Sales, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Tom Cavalcanti, Giliard, Wando e Joana, bem como em museus, a exemplo do MAM, em São Paulo/SP e do MAB, em Brasília/DF. No exterior estão, entre outros países, na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos.

Em 1979, depois de haver realizado a sua primeira exposição individual, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju/SE, José Fernandes vem participando de inúmeras exposições em várias cidades brasileiras, como em Aracaju/SE, em Salvador/BA, em Brasília/DF; no Rio de Janeiro/RJ; em São Paulo/SP e, em Porto Alegre/RS, esta, em 1991, na Galeria Tina Zapolli, com outros 22 artistas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, ocasião em que o jornal Zero Hora de Porto Alegre ressaltou que "A brasilidade, o lado onírico na pintura, aparece no trabalho do sergipano José Fernandes."

Laureado artista, em 1978 recebeu a Medalha de Prata, no Salão Atalaia, em Aracaju/SE e o Prêmio Medalha de Bronze, no Salão Norcon de Artes Plásticas, com a pintura “Mocidade Perdida”, uma de suas prediletas. Em 1980, foi premiado com a Medalha de Bronze, pela participação no Salão Atalaia, em Aracaju/SE. Em 1981, fundou o Arte Belle, em Brasília/DF, participou do 70º. Salão da Fundação Cultural do Distrito Federal e do XX Salão de Artes Plásticas da Aeronáutica, no Centro de Convenções de Brasília/DF, no qual foi agraciado com o Prêmio de Aquisição, na categoria pintura a óleo.

Idealizou, em 1982, com Anselmo Rodrigues e Marinho Neto, o Movimento das Artes, que alavancou o mercado de arte de Sergipe, em Aracaju/SE. Em 1983, foi selecionado para representar Sergipe no Circuito Nordeste de Artes Plásticas. Em 1987, lançou álbum de xilogravuras. Em 1988, é homenageado pela Rede de Televisão Aperipê, de Aracaju/SE, com o documentário “Memória José Fernandes”’.

No exterior, em 1990, participou de exposição coletiva na Dodge House Gallery, em Rhode Island, Estados Unidos da América. Em 1991, venceu o concurso de cartazes das Universidades Brasileiras e fundou a Associação dos Artistas de Sergipe, de onde foi eleito Tesoureiro e depois Presidente. Em 1993, foi premiado no Salão Bradesco, em Aracaju/SE. Em 1995, foi nomeado diretor da Galeria de Arte Álvaro Santos.

Em 2000, idealizou e participou da coordenação do I Encontro Cultural e Esportivo do Conjunto Inácio Barbosa, no bairro Inácio Barbosa, em Aracaju/SE. Participou do catálogo “Rumos, Artes Plásticas Sergipe 2000”, patrocinado pelo Banco do Estado de Sergipe. Em 2011, participou do projeto Caju na Rua e, em 2003, idealizou o projeto Aracaju de Tototó.

Em 2013, foi tema do kit: “Traços de personalidade e cores de sergipanidade”, da Gráfica e Editora J. Andrade. Quatro de suas obras, em 2013, foram reproduzidas em 12.000 latinhas colecionáveis, como brinde da promoção do Dia das Mães do Shopping Jardins, em Aracaju/SE.

A iconografia de José Fernandes, formada por quadros, murais e painéis, conjuga o real com onírico. Possuidor de estilo próprio, não segue escolas ou regras estéticas. Sua arte dispensa assinatura, pois o seu traço marcante e a sua inconfundível pincelada o denunciam ao primeiro olhar do observador. Sua obra figurativa é fulcrada em temas regionais e norteada por corpos e rostos femininos; feiras e mercados; pescadores e outros personagens do cotidiano; cavalos, peixes, galos e, sobretudo, pombas, uma de suas marcas e que o deixou conhecido como o artista das pombas. Para ele, a ave é “o símbolo universal da paz, do amor, da harmonia e da fraternidade”.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Rosa Faria


Sergipe nas Louças de Rosa Faria.

Rosa Faria fundou em 17 de março de 1968 o Museu de Arte e História Rosa Faria, instalado em um imóvel situado em uma das laterais do Parque Teófilo Dantas. O Museu possuía mais de 1.000 peças entre azulejos, pratos de porcelanas, telas pincéis e molduras. A história de Sergipe foi contada através destas obras de arte. Diga-se de passagem, que ela nunca recebeu auxílio de nenhum órgão governamental para manter o Museu. Tudo foi realizado com o fruto de suas economias.

Rosa Faria faleceu no dia 1º de maio de 1997. Neste mesmo ano, o dia 14 de julho, foi assinado um contrato de transferência do acervo do Museu para o Memorial de Sergipe, órgão implantado pela Universidade Tiradentes.

Foto: Jornal da Cidade n. 2238 - 16/03/1980.
Imagem e texto reproduzidos da página:
Facebook/Aracajuantiga.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Joubert Moraes



Joubert Moraes
Por Mário Britto.

Nascimento: 13 de dezembro de 1947, em Propriá/SE.

Nascido no seio de uma família de artistas: o pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira, ambos apaixonados por música e literatura, não demorou para Joubert despertar-se para o universo artístico. Aos treze anos, já começava a esboçar os primeiros desenhos. Sua irmã Gêlda Maria era pintora e, desistindo do ofício, deu ao irmão mais novo todo o seu material de trabalho.

Na adolescência, já imerso no meio das artes, Joubert começava a tomar conhecimento e gosto pela pintura. Tinha o hábito de visitar Galerias de Arte, comparecia a todas as exposições e frequentava, assiduamente, os ateliês dos mestres J. Inácio e Florival Santos.

Mais tarde, no final dos anos sessenta, impulsionado pelas mudanças dessa pujante e revolucionária década e em busca de aperfeiçoamento técnico, Joubert foi morar em Salvador/BA, onde fez o curso livre de arte, oferecido pela tradicional Escola de Belas Artes. Lá estudou com o renomado desenhista Juarez Paraíso, por quem tem uma grande admiração e confessa ter sido o artista que mais o influenciou.

Nessa mesma época, em Salvador, faz as primeiras excursões pela abstração, conhece o pintor russo Lev Smarscheviski e compartilha conhecimentos com os artistas Aleixo Belov, Luiz Jasmim, Tatty Moreno, Fernando Coelho.

De volta a Aracaju, em 1968, Joubert realiza a sua primeira exposição individual na Galeria de Arte Álvaro Santos. Foram trinta obras, com diversos temas, dentre eles marinhas, casarios, alagados, abstratos e figurativos.
Em meados dos anos 70, Joubert dirigiu o espetáculo teatral “Vôos Mitos Coloridos” dando início a mais um viés de seu talento artístico – a arte performance. Em 1975, realiza na Igreja do Solar do Unhão uma marcante exposição prestigiada pelos artistas e pela a elite da sociedade baiana. Registra, ainda, como momento de muita emoção em sua carreira, a pintura da Igreja matriz da cidade de São Francisco do Conde/BA.
O Festival de Artes de São Cristóvão - FASC - uma idealização da Universidade Federal de Sergipe, também foi palco para Joubert revelar o seu talento. Em 1976, por ocasião da quinta edição, ele revolucionou o importante encontro cultural expondo em uma igreja abandonada. Participaram dessa inusitada e inovadora exposição, denominada “Circo Mágico”, fotógrafos, músicos, poetas e dançarinos.

Nos anos oitenta, Joubert realiza, em Salvador/BA, outra exitosa Mostra no antigo Hotel Meridien, hoje Pestana. Nos idos de 1990, expõe em Aracaju, Salvador e Porto Alegre. Atualmente, Joubert participa, regularmente, de exposições individuais e/ou coletivas em diversas cidades brasileiras.

Artista premiado, recebeu o Prêmio Horácio Hora de Artes Plásticas. Em dezembro de 1984, ganhou o Prêmio J. Inácio, do Salão Nuarte, concedido pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura, com uma escultura em parafina rósea denominada "Cor Nua". Em 2006, Joubert realiza, sob encomenda, a monumental obra “Holoformas”, entregando-a, em dezembro do mesmo ano, à Galeria de Arte AMA, em Aracaju/SE.

As obras de Joubert estão espalhadas pelo Brasil e em vários países do mundo, como EUA, Peru, França, Portugal, Espanha, Senegal etc. Elas povoam residências, órgãos públicos, instituições privadas, prédios, museus, escolas, escritórios, mas, sobretudo, estão na memória e no coração do povo sergipano.

Para Joubert, o importante na obra não é a forma, a técnica ou a aparência visual final do trabalho, o que vale para o artista é a ideia, o conceito, o que ele quer dizer. E, como poucos, seja com um pincel, com os dedos ou com um lápis, com tintas ou notas musicais, ele sabe expressar-se - diz sabendo o que quer dizer -, porque transcende para a arte que faz toda a emoção que o domina.

Para o artista, o que importa é se expressar livremente, sem amarras ou regras. Arte e liberdade são partes de um mesmo todo, uma se alimenta da outra. É como o pavio, da cera; o pássaro, do canto; a boemia, da noite. Em quaisquer de suas formas de expressão, Joubert as faz com paixão e muita dedicação.

Vanguardista, Joubert está e, sempre esteve, à frente do seu tempo. Sua opulenta obra é individualizada, possui estilo próprio que o denuncia ao primeiro olhar. Ainda que preencha a bidimensionalidade da tela, Joubert sempre reserva ao observador um espaço extra para que ele se transponha para a obra, interaja com a arte e, de pronto, estabeleça um franco diálogo com ela, dando, afinal, à pintura um senso de tridimensionalidade.

Pessoas reais ou fictícias, camufladas entre nebulosas nuvens e esvoaçantes coqueiros; paisagens surrealistas, lembranças da suave brisa que sopra os coqueiros da Praia da Atalaia e as alvas dunas do Abaís e autorretratos, numa figuração metafísica, caracterizam a sua inconfundível arte pictórica.

Joubert tem uma relação completa e visceral com a arte, que a realiza com apurado gosto e aptidão. Toca violão com a mão direita, pinta com a esquerda, e, com ambas, faz as esculturas.

Assim, em razão da vocação variada para a arte, Joubert tem uma carreira rica e diversificada: pintura, desenho, escultura, música, cenografia, poesia, produção e direção de espetáculos e shows são, apenas, punhados da sua arte e partes de seu multifacetado talento.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Antônio Maia




Antônio Maia, Pintor, desenhista e gravador, assinava/ Antônio Maia.

Nascimento: 09 de outubro de 1928, em Carmópolis/SE
Falecimento: 11 de julho de 2008, no Rio de Janeiro/RJ

Inspirado pela religiosidade, Antônio Maia retratou santos populares e utilizou, nas composições, elementos de cunho religioso, como o trigo, a pomba, o peixe e as rendas das toalhas que ornam os altares e os nichos das capelas e igrejas. Sua pintura é caracterizada pela expressão no campo do abstracionismo informal; encontrou, por volta de l963, o caminho que marcou a sua iconografia: ex-voto, figuras esculpidas em madeira ou cera, representando partes do corpo humano, que são colocadas em igrejas ou capelas, por agradecimento de graça ou cura alcançada, feitas por força de uma promessa ou “voto”.

Maia participou de vários exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, a exemplo de Portugal, França, Inglaterra, Espanha, Chile, Estados Unidos, dentre outros. Dos vários prêmios que recebeu, destacamos, em 1966, o de viagem pelo país e, em 1969, o cobiçado prêmio de viagem ao exterior.

Segundo o conceituado crítico de arte Roberto Pontual, Antônio Maia figurava entre os oito mais importantes artistas do XVIII Salão de Belas Artes. Não sem razão, em 1969, ao editar o Dicionário de Artes Plásticas do Brasil, estampou um quadro de Antônio Maia na capa.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Florival Santos




Florival Santos
Por Mário Britto

Nascimento: 16 de outubro de 1907, Propriá/SE
Falecimento: 26 de setembro de 1999, Aracaju/SE

Autodidata, ainda criança já revelava aptidão artística. Em 1927, com 20 anos, muda-se para Aracaju em busca de melhores condições, e, dois anos mais tarde, morou no Rio de Janeiro para seguir carreira militar.

Florival, assim como o irmão mais novo, o artista Álvaro Santos, nasceu às margens do Rio São Francisco, o que o levou, na juventude, a ser um exímio nadador.

Em grande parte de suas obras encontramos remanescências das memórias do “velho chico” com as suas canoas de proa com velas coloridas, os plantadores de arroz, os pescadores puxando redes de arrasto, os catadores de conchas, de siris e de massunins.

Em sua diversificada iconografia, retratou com muita precisão a fome dos retirantes, a dor dos flagelados e a miséria dos ribeirinhos que moram nas palafitas. Mesmo em um cenário de extrema pobreza, a sua obra se apresenta rica graças ao seu talento e a sua apurada técnica.

Sua obra “Retirantes” pertence ao acervo do Vaticano (Itália). Além desta, possui trabalhos em diversas instituições públicas, como o Museu de Histórico de Sergipe, na cidade São Cristóvão, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, o Instituto Dom Luciano Duarte, Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, Prefeitura Municipal de Aracaju, além de outros órgãos do Estado.

Pintou a tímida Aracaju da década de trinta, a antiga ponte da Atalaia, a praia Formosa, a rua da Frente, Carro Quebrado. Como acadêmico, imortalizou a sua obra retratando políticos e autoridades sergipanas, cujo acervo encontra-se no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, e, em uma linguagem mais modernista, fez marinhas inspiradas em Propriá e a série Xangô, fases que merecem destaque em sua iconografia.

A sua casa, onde também exercia o seu ofício, era ponto de encontro dos amantes das artes, bem como dos consagrados artistas com os jovens aspirantes. Costumava trocar correspondências com Jordão de Oliveira e recebia Jenner Augusto sempre que ele seguia para Aracaju.

Realizou diversas exposições, ocorrendo a primeira individual em 1933, na Associação Comercial de Sergipe. Na década de 60, expôs individualmente no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Salvador e em Brasília. De forma unânime, ganhou o concurso para a escolha do brasão de Aracaju, em 1955, por ocasião do centenário da cidade. Em 1966, assumiu o primeiro mandato de Diretor da Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju/SE.

Pelo conjunto de sua obra, recebeu diversas homenagens, a exemplo da “Medalha de Honra ao Mérito Inácio Joaquim Barbosa”, da Prefeitura de Aracaju. A Universidade Federal de Sergipe também o laureou dando o seu nome à galeria de arte do Centro de Cultura e Arte – Cultarte.

Fotos e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural

Leonardo Alencar




Leonardo Alencar
Por Mário Britto

Como consigna em suas obras, vem de "fontes" de águas raras e valorosas. Natural de Estância/SE, nasceu no dia sete de abril de 1940. Filho do casal formado pelo poeta Clodoaldo de Alencar e por D. Eurydice Fontes de Alencar, cujos filhos, entre eles, o mestre Leonardo, dignificam o Estado de Sergipe, por sua expertise em diversas áreas do saber, da cultura e do conhecimento.

Sua estreia no universo das artes plásticas ocorreu em uma exposição coletiva no Palácio Olímpio Campos, em Aracaju, em 1959, e ,depois, realizou outras várias, individualmente, em Aracaju (1960, 1963, 1965, 1982, 1983, 1985, 1987, 1991, 1994, 1996, 1997, 1998, 2001, 2002, 2003 e 2004); em Salvador (1960, 1962, 1964, 1965, 1967, 1974, 1978, 1985, 1986, 1990, 1994 e 2000); e, diante de tantas outras, no Rio de Janeiro (1961, 1964, 1969 e 1987); no Panamá (1966); em Londres (1971); em Paris (1971); em Liverpool (1972); em Brasília (1984 e 1993); em Recife (1987); em Curitiba (1989); em Rhode Island (1995); em Boston (1996) e em São Paulo (2000). Participou, ainda, de inúmeras coletivas dentro e fora do Brasil. Nunca a arte plástica sergipana esteve tão bem representada. Leonardo é um turbilhão de criação, ama seu ofício e vive de sua arte.

A obra de Leonardo é completa. Além de suas telas, de cores vibrantes!, produziu painéis, murais e ilustrações para livros. O conjunto de seu vasto trabalho o coroou com diversas e importantes premiações e o credenciou, em 1972, como sócio do Instituto Nacional de Arte Contemporânea na Inglaterra, vindo , ainda, a ser, desde 2005, o ocupante da cadeira n° 9 do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho, da Academia Sergipana de Letras.

Há muito que admiro o Mestre expressionista e conheço as suas diversas fases, todas sempre tão marcantes, seus "peixes" de cores intensas nadam nos aquários de nosso inconsciente. Seus "pierrôs", nem sempre apaixonados, seus "arlequins", sempre espertos, e suas "colombinas” encantadoras emocionam-nos e enchem os nossos olhos de beleza e enigmas - parecem personagens vivas da “Commedia dell’Arte”. (1)

Suas "delicadas rendas de bilros" cobrem rostos e corpos desnudos e nos envolvem de mistério, inquietam-nos e nos transportam para o mundo do artista, coisas do Mestre!

Seus "pássaros" voam, exaltam a liberdade, cantam, encantam e nos alegram. Seus "cavalos", sempre de crinas esvoaçantes, galopam livres sob os nossos olhos incrédulos; tudo tem muito significado. Sua arte conjuga com mestria, ímpar, poesia e magia.

Leonardo abusa das cores primárias, mas com um domínio de múltiplas técnicas, só comum aos grandes artistas, provoca matizes fenomenais. À primeira vista, seus quadros chamam-nos, apaixonam-nos e denunciam sua autoria; suas pinceladas, sejam soltas ou trabalhadas, definidas ou indecifráveis, são inconfundíveis, e isso, por si só, consagra-o, fazendo dele um artista único.

Mesmo apaixonado pela sua arte, Leonardo não tem ciúme em dividi-la e faz, de sua casa-ateliê, escola para os novos aspirantes ao fascinante mundo das artes plásticas, ensinando-lhes o pulo de seus "felinos", sempre vivos, coloridos e multifacetados.

Suas obras obrigam-nos à leitura do subentendido; ao contemplá-las, estabelece-se um franco diálogo com o observador, que a cada "conversa" descobre uma nova interpretação, um novo significado; elas não são estáticas, são questionadoras, mexem com nosso imaginário e cumprem divinamente o seu mister, que é despertar a inquietação dos seus admiradores.

Em Cida, sua amada, sua musa e sua curadora, encontrou, concomitantemente, o amor, a inspiração e a guardiã de seu talento... sorte nossa!!!

(1) – Citações originárias do livro “Metáforas dos Arlequins”, de autoria do acadêmico José Anderson Nascimento.

Foto e texto reproduzidos do site: pge.se.gov.br/index.php/cultural