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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

São Cristóvão inicia cadastramento de terreiros, quilombos e aldeias

A coordenadoria de Inclusão e Promoção de 
Igualdade Racial será a responsável pelo trabalho 
Foto: Márcio Garcez

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 17 de janeiro de 2019

São Cristóvão inicia cadastramento de terreiros, quilombos e aldeias

A Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fundact) iniciou esta semana o cadastramento de todos os terreiros, quilombos e aldeias indígenas do município, através do projeto (RE)Conhecendo. A coordenadoria de Inclusão e Promoção de Igualdade Racial será a responsável pelo trabalho.

Segundo a coordenadora de Inclusão e Promoção de Igualdade Racial, Acácia Maria Santos, o (RE)Conhecendo: Terreiros, Quilombos e Aldeias Indígenas de São Cristóvão nasceu da necessidade de se identificar o quantitativo relacionado a estes setores para que no futuro, a Prefeitura de São Cristóvão possa realizar ações sociais específicas e também inserir estes terreiros, quilombos e aldeias indígenas nos projetos federais e estaduais de fomento à cultura, por exemplo.

“Nosso foco é levar políticas públicas a esses locais, pois sabemos que existem vários benefícios para terreiros, aldeias indígenas e povos quilombolas, mas que sem a documentação necessária esse público não tem acesso. Assim, a nossa equipe da Fundact vem percorrendo a cidade para que o cadastro possa ser feito, e na sequência possamos dar mais voz a essas populações”, informou Acácia Maria Santos.

De acordo com o diretor de cultura e arte da Fundact, Thiago Fragata, o trabalho deve se manter durante todo este ano, visto a extensão geográfica de São Cristóvão, e a quantidade de lugares com características para entrar no cadastramento. “Sabemos que ao longo dos anos, fruto da perseguição social do passado, muitos terreiros, por exemplo, se mantém até hoje de forma discreta, o que acaba refletindo em não termos políticas públicas para estas pessoas. É preciso criarmos essa ponte e o (RE)Conhecendo tem foco também em oportunizar personalidade jurídica a estes locais. Será um trabalho longo, feito com cautela, onde estamos também registrando fotograficamente as visitas”, explicou Fragata.

No cadastro do (RE)Conhecendo é possível saber detalhes que vão da simples localização geográfica até questões relacionadas ao preconceito racial. Ao final, a Prefeitura de São Cristóvão terá um catálogo com dados geográficos e pontuações sociais que serão refletidas em ações diretamente voltadas para cada público cadastrado. O (RE)Conhecendo: Terreiros, Quilombos e Aldeias Indígenas de São Cristóvão começou o cadastramento visitando terreiros de Umbanda e do Candomblé localizados no Grande Rosa Elze. Ao todo, a cidade foi dividida em 11 regiões para melhor demarcar o território cadastral.

Para Arvanley Augusto Santos Wanderley (Pai Obáfanidê), o (RE)Conhecendo servirá para clarear a visão da sociedade perante o ser de religião de matriz africana. “Participamos do cadastramento para desmistificarmos os assuntos sobre o candomblé, enquanto religião. Precisamos de integração comunitária para manter os terreiros, e que este projeto possa ser convertido em ação”, disse.

Segundo Helena Denise dos Santos (Mãe Denise de Oxum), a visita dos técnicos da Fundact mostrou a preocupação para com todos os adeptos das religiões de raízes africanas. “Creio ser muito importante este projeto para que venha amenizar o sofrimento causado pelo preconceito. Em meu terreiro nunca passamos por situações de abuso ou preconceito, mas em nossa religião temos relatos de situações desses tipos e isso precisa acabar. As pessoas precisam conhecer mais e nós precisamos de mais visibilidade e apoio”, pontuou.

Contextualizando o negro em São Cristóvão

São Cristóvão, primeira capital de Sergipe, recebeu contingente de africanos escravizados entre os séculos XVII e XIX. Os escravos trabalharam nos engenhos do Vaza-Barris, estuário do Rio Paramopama e Mosqueiro, bem como, no centro burocrático da cidade, desenvolvendo atividades domésticas. Sobre a origem destes escravos, Luis Mott (um dos mais esclarecidos pesquisadores da formação étnica sergipana), explicou que a procedência dos negros que chegaram à antiga capitania, no final do século XVIII, tem origem de: Angola, Congo, Benguela, Costa do Ouro, Nagô, Golfo do Benin e Gêgê.

Fonte: Prefeitura de São Cristóvão

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

sábado, 30 de setembro de 2017

Negritude e empoderamento são tema da III Conferência da Igualdade Racial






 Eliane Aquino, vice-prefeita e secretária da Assistência.

 Lídia Anjos, diretora da Diretoria de Direitos Humanos.

 Maria Nely, historiadora.





Fotos: Danillo França.

Publicado originalmente no site da PMA, em 29/09/2017.

Negritude e empoderamento são tema da III Conferência da Igualdade Racial

Aracaju é negra. Basta olhar com atenção para o seu povo, para os seus traços, formas e cores. Aracaju é negra e não se envergonha de sua tez. Para reafirmar e discutir os direitos das pessoas negras, levando, posteriormente, as propostas a nível estadual e federal, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Assistência Social, realizou a III Conferência Municipal em promoção da Igualdade Racial com o tema “Aracaju na Época dos Afrodescendentes”, no auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Presidente Vargas, durante toda esta sexta-feira, 29.

A batida dos tambores pulsava seca enquanto as saias rodavam cadenciadamente. Os rostos coloridos pela noite, adornados pelas cores vibrantes dos tecidos, colares e turbantes se misturavam e formavam um só povo, que tomou assento para dialogar a respeito de Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento e Igualdade de Direitos. O recorte feito para a escolha da temática a ser trabalhada nesta Conferência se deve à resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que, percebendo o genocídio e as desigualdades contra a população afrodescendente, entendeu que essas questões devem ser encaradas como prioritárias pelos países. Por esse motivo, foi tomada a decisão de tornar o decênio 2015/2024 em década dos afrodescendentes, fazendo com que os países se empenhem em uma série de políticas públicas ligadas aos direitos desses povos.

A vice-prefeita e secretária da Assistência Social de Aracaju, Eliane Aquino, saudou a todas as pessoas que caminharam os direitos constitucionais pudessem ter validade atualmente e discorreu sobre o momento importante que a sociedade como um todo vivencia. “Eu aprendi uma oração de agradecimento aos ancestrais por tudo que a nossa sociedade evoluiu até aqui. Eu tenho certeza que muitos deles derramaram suor e sangue para que nós pudéssemos dialogar sobre esse tema. Não é uma conferência simplesmente para cumprir papel, mas para romper com as barreiras. As outras conferências não aconteceram em um momento tão decisivo quanto o que estamos vivendo agora. Nós precisamos estabelecer em nossas mentes e corações que não vamos deixar os nossos direitos se esvaírem, como se as nossas conquistas e dos nossos ancestrais, ao longo dos anos pudessem ser jogadas fora. Por tanto, uma das primeiras coisas que nós fizemos quando assumimos essa secretaria foi criar a diretoria de Direitos Humanos, para que as ditas minorias pudessem ter vez e voz. Avançar nesse momento não é condicional, é urgente e necessário”. 

Na Prefeitura como diretora de Direitos Humanos, Lídia Anjos, assistente social e ativista do movimento negro, acredita que o ambiente das Conferências Municipais é extremamente favorável ao diálogo. “Quando eu assumi essa tarefa nós tínhamos um único propósito: compreender que quando discutimos sobre as políticas públicas para os negros, as pessoas com deficiência, as mulheres, à população LGBT e para os idosos, estamos falando de direito humanos, compreendendo que existem realidades diferenciadas em cada vivência e esse é um momento fundamental para falarmos da vivência das pessoas negras na cidade de Aracaju”.

A historiadora Maria Nely dos Santos foi uma das palestrantes do evento e ela entende que as pessoas negras precisam ser representadas nos vários âmbitos da sociedade. “Nós precisamos ocupar muitos espaços e sermos reconhecidos. Hoje, infelizmente, nós continuamos vendo poucos negros em cargos de poder e nós temos pessoas extremamente categorizadas e capazes. Existe um leque muito grande de intelectuais e empreendedores negros, que poderia trazer representatividade, mas isso ainda não acontece. A conferência é um espaço bastante importante para estarmos e que daqui nós possamos colocar em prática a maioria das resoluções porque o nosso povo precisa deixar de somente resistir para existir, democraticamente falando”.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br