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sábado, 30 de julho de 2022

Os sinos de São Cristóvão já dobraram contra os comunistas

Legenda da foto: Péricles de Azevedo, chegou a tenente - coronel da Infantaria no Rio de Janeiro 

Artigo compatilhado do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 30 de julho de 2022

Os sinos de São Cristóvão já dobraram contra os comunistas

Por Adiberto de Souza *

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) teve forte participação nas eleições de 1945, tendo, inclusive, apresentado Yeddo Fiúza como candidato a presidente da República. Nesse mesmo pleito, o escritor baiano Jorge Amado (PCB) se elegeu deputado federal por São Paulo. Para reforçar a campanha em Sergipe, o Pecebão mandou do Rio de Janeiro o combativo democrata Péricles de Azevedo, dono de um vibrante discurso ideológico, recheado de um verbo afiadíssimo. Candidato a senador, esse sergipano que deixou o estado muito jovem teve 4,53% dos votos, bem menos do que os 23,39% e 23,65% dos eleitos, respectivamente, Durval Cruz e Walter Franco, grandes empresários filiados à UDN.

Nascido em 1903, no Engenho Oitocentas, localizado em Rosário do Catete, Péricles Vieira de Azevedo era o primeiro dos 12 filhos de José Paes de Azevedo Sá e Cecília Vieira de Melo. Em sua tese de mestrado em História pela Universidade Federal de Sergipe, a professora Josineide Luciano Almeida Santos conta que, ainda muito jovem, Péricles foi estudar no Rio de Janeiro. Alí, ingressou na Escola Militar e seguiu a carreira das armas, chegando ao posto de tenente-coronel. A mestra conta em sua pesquisa que Perícles de Azevedo também se formou em Direito, porém advogou por pouco tempo. Segundo a irmã Gulgar de Azevedo, ele “era muito inteligente, de conversa fácil e agradável, um orador primoroso”.

A Igreja e os comunistas

No livro ‘História Política de Sergipe’, o professor Ariosvaldo Figueiredo faz registros sobre a campanha eleitoral do PCB no estado em 1945, destacando um comício realizado pelo Partidão em São Cristóvão. O historiador escreve que, ao chegarem na antiga capital do estado, os comunistas se depararam com uma grande reação da Igreja Católica, que era muito forte no município. Em todas as missas daquele domingo, os padres apelaram aos fiéis para não irem à manifestação vespertina convocada pelos políticos vermelhos.

Achando pouco os sermões feitos nas missas, os padres tentaram abafar o alto-falante do comício. Justo na hora do discurso do candidato a senador Péricles de Azevedo, a principal estrela da companhia, os sinos de todas as igrejas começaram a dobrar. Tarimbado, o orador não perdeu a calma e, para surpresa dos reverendos, fulminou: “Vejam, meus senhores, o Partido Comunista está tão forte em São Cristóvão que até os frades fazem questão de nos prestigiar com esse fabuloso badalar”. E, achando o chiste pouco, Péricles prosseguiu: “Foi a forma encontrada pelos religiosos para participar dessa grande festa democrática”. Acabrunhados com o inesperado contra-ataque do comunista, os padres deram uma contraordem, e, aos poucos, os sinos foram silenciando, para o comício vermelho prosseguir apoteótico. Marminino!

* É editor do Portal Destaquenotícias

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Que político morrerá de velho nas urnas?

Foto simplesmente ilustrativa postada pelo blog 
"Isto é SERGIPE", reproduzida do blog:
habeasmentem.wordpress.com

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 23/04/2018

Que político morrerá de velho nas urnas?

Leandro Maciel em 1974, Lourival Baptista em 1994...

Por Marcos Cardoso (blog Infonet)

Leandro Maciel em 1974, Lourival Baptista em 1994, Albano Franco em 2010, João Alves Filho em 2016... Será que outro político sergipano despencará no cadafalso da senilidade neste 2018? Agora temos Antônio Carlos Valadares e Jackson Barreto namorando com o perigo de colocar-se diante do julgamento popular quando já não contam com o vigor da juventude para se apresentarem a uma cada vez mais impaciente audiência de eleitores.

Uns dizem que política é cachaça, tamanho é o sabor. Outros dizem que política é o diabo, pelo poder que se impõe até às acertas e traições. Mas triste fim do político que não sabe a hora de parar. Um dia, todo orgulho e presunção se desfazem na derrota inevitável e na rejeição quase absoluta. Até os todo-poderosos um dia sucumbem.

O engenheiro civil Leandro Maynard Maciel foi um dos políticos mais influentes de Sergipe no século 20, capaz de dividir as paixões estaduais entre as décadas de 30 e 70. Foi o nome que melhor se identificou com a poderosa União Democrática Nacional, a UDN. Deputado federal em três mandatos, governador de 1955 a 1959, era senador em segundo mandato, em 1974, quando não soube parar e queria se perpetuar no poder.

Contava já quase 77 anos quando se submeteu ao último pleito, agora pela Arena, sendo derrotado pelo jovem médico propriaense João Gilvan Rocha, do MDB, então com 42 anos. Uma surpresa até para o regime militar naqueles tempos de campanha eleitoral restrita e vigiada e censura à Lei Falcão.

Vinte anos depois, o vexame se repetiu. Desta vez com Lourival Baptista, que em 1994 queriair para o quarto mandato senatorial seguido. Ele tinha sido deputado estadual, prefeito de São Cristóvão e deputado federal duas vezes, mas chegou ao topo da carreira quando foi governador, cargo que ocupou de 1967 a 70.

Primeiro governador sergipano indicado pelo regime militar, graças à relação de proximidade com Brasília e ao bom momento econômico vivido pelo Brasil no período, conseguiu fazer um governo operoso, realizador de obras importantes.

Lourival governou até o dia 14 de maio de 1970, quando se afastou para disputar o Senado.Ocupou a câmara alta por três mandatos, de 1971 a 1994, sendo que o segundo mandato de senador não foi conquistado nas urnas, mas por indicação. Foi um dos senadores biônicos pós Pacote de Abril de 1977, uma resposta dos militares ao resultado daquela eleição de 1974.

Em suma, Lourival foi um político relevante, o governador sergipano mais poderoso durante o regime. Mas no derradeiro pleito eleitoral que disputou, em 1994, perdeu o bonde da história para o petista José Eduardo Dutra. O velho político já contava com 79 anos, contra os 37 anos do jovem geólogo do PT.

Albano Franco sofreu a derrota definitiva em 2010, quando tentava retornar aos tapetes vermelhos do Senado, onde já havia pisado em dois mandatos anteriores. Homem bem-sucedido na política e na economia, além de deputado estadual, deputado federal, governador em dois mandatos, de 1995 a 2002, foi presidente da toda poderosa Confederação Nacional da Indústria por 14 anos sucessivos.

Albano estava às vésperas de completar 70 anos quando foi derrotado pelo jovem médico e deputado federal Eduardo Amorim, que tinha 47 anos. Sabiamente, engoliu a derrota e decidiu aposentar-se das disputas eleitorais, embora continue participando das discussões políticas.

O então prefeito de Aracaju, João Alves Filho, já contava com 75 anos quando tentou a reeleição em 2016. Era e ainda é de longe o político sergipano com mais rodagem em cargos no executivo. Ninguém governou Sergipe e nem administrou Aracaju por mais tempo do que ele.

Foi governador em três mandatos distintos (1983-87, 1991-95, 2003-07) e prefeito da capital por oito anos, a primeira vez em 1975-79, por indicação do governador José Rollemberg Leite e anuência dos generais que comandavam o país.

A segunda gestão foi a iniciada em 2013 e concluída após fragorosa derrota para o ex-prefeito Edvaldo Nogueira, então com 55 anos e que caminha para ultrapassar João como o político que governou Aracaju por mais tempo. Na primeira vez, Edvaldo governou por seis anos e nove meses. Quando concluir o atual mandato terá 10 anos e nove meses à frente da capital.

João Alves também foi ministro do Interior no governo José Sarney, permanecendo no cargo de agosto de 1987 a março de 1990. Nunca disputou um cargo legislativo, tarefa da qual incumbiu sua mulher, Maria do Carmo Alves, agora no terceiro mandato de senadora. Mas fez uma gestão desastrosa e foi compulsoriamente aposentado da política pelos eleitores aracajuanos.

Jackson Barreto, 74 anos a fazer agora em 6 de maio, acaba de deixar o governo de Sergipe sem conseguir realizar a obra que gostaria, mas demonstrando muita disposição para voltar a encarar as urnas, apesar de ter anunciado em 2014 que aquela seria sua última eleição. O ex-governador Antônio Carlos Valadares, 75 anos completados agora no dia 6 de abril, está no Senado já há mais de 23 anos, onde sempre se destacou, mas não guarda o mesmo ânimo para tentar permanecer.

Jackson e Valadares terão mesmo coragem de encarar a síndrome do velho político que desafia as urnas? É o que veremos.

Texto reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/marcoscardoso

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Os comunistas de Sergipe: A política proibida

Foto: Arquivo PCB Nacional/Divulgação.
Postada por Isto é SERGIPE, para ilustrar artigo.

Publicado no blog Primeira Mão, em 20 de abril de 2014. 

Os comunistas de Sergipe: A política proibida
Por Afonso Nascimento*

Os comunistas do “partidão” são a matriz da esquerda sergipana. As suas origens, não como indivíduos, mas como membros de uma instituição, são desconhecidas em termos de fontes documentais. Por ora, se alguém deseja se debruçar sobre essa questão, tem que recorrer a fontes orais, ou seja, a depoimentos de velhos militantes do PCB. Geralmente, quando interrogados a respeito do começo de sua existência institucional, eles sempre respondem que foi em 1922. Noutras palavras, a mesma data da fundação do PCB do Rio de Janeiro. Isso parece improvável, porque implicaria uma grande articulação em nível nacional num tempo em que os meios de comunicação e de transporte eram muito precários. Eu tenderia a pensar que essa fundação pode ter ocorrido em meados ou fins da década de 1920. Durante os tempos da ditadura dos interventores de Getúlio Vargas, o ativismo político comunista não é algo que se questione.

Os comunistas de Sergipe funcionaram sob dois formatos institucionais, a saber, como partido e como organização. Enquanto partido, a sua existência foi muitíssimo curta, e ocorreu com o fim da ditadura dos interventores quando conquistaram alguns poucos mandatos eletivos. Depois desse tempo, lograram eleger políticos sob o guarda-chuva institucional de partidos como o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Para efeito dessas reflexões, não estou interessado na transformação do PCB sergipano em PPS ou nas tentativas de fazer funcionar o velho “partidão” a partir do fim dos anos 1980. Por outro lado, enquanto organização, os comunistas de Sergipe tiveram uma existência longeva, de mais ou menos setenta anos, mesmo com suas crises, com seus rachas e com seus desmantelamentos causados pelos diversos ciclos repressivos em tempos de democracia e em tempos de ditaduras civil e militar.

Não é demais dizer que eles foram os ativistas mais persistentes e mais teimosos da história política sergipana. Com efeito, os comunistas de Sergipe quase sempre trabalharam na adversidade, na ilegalidade e na clandestinidade. Em diversos momentos, a sua política foi tolerada informalmente, mas não deixou de ser ilegal. A sua política foi quase sempre proibida. Assim sendo, é de esperar que pesquisadores busquem fontes documentais para tratar de sua história? Em minha opinião, as melhores fontes para falar de sua história ainda são aquelas dos arquivos da justiça estadual e da justiça militar porque nesses processos judiciais estão anexadas provas de sua militância ilegal. Esse trabalho, que eu saiba, ainda não foi começado em Sergipe e, acho, no Brasil.

A estruturação institucional dos comunistas de Sergipe parece ter sido sempre muito frágil. A sua instituição comportava os seus grupos dirigentes, os militantes e os simpatizantes. Os grupos dirigentes são as elites comunistas (a direção estadual), os militantes são os tarefeiros distribuídos em bases e os simpatizantes são as pessoas que davam apoio, prestavam solidariedade em bons e maus momentos. Dizendo em outras palavras, sempre houve uma divisão e uma hierarquia no trabalho político entre os que mandavam e entre aqueles que faziam funcionar a organização no cumprimento de decisões tomadas pelo famoso centralismo “democrático”. Essa estrutura aracajuana tinha ramificações em meia dúzia de cidades do interior de Sergipe (Itabaiana, Estância, etc.). Acrescente-se a isso os laços dos sergipanos com os comunistas da Bahia.

Em se tratando de uma organização política trabalhando à base da desobediência civil e à margem da política permitida (tendo no seu encalço as diversas leis de segurança nacional), os comunistas de Sergipe sempre tiveram o seu próprio sistema de segurança, para prevenir quedas de seus quadros nas investidas do sistema de segurança estadual e federal do Estado em Sergipe – existindo entre os dois sistemas, o comunista e o estatal, a diferença de o primeiro ser defensivo e de o segundo ser repressivo. Do sistema de segurança dos comunistas sergipanos faziam parte codinomes, esconderijos, senhas, rotas de fuga, sítios e casas para reuniões, etc. Minha impressão é que o sistema comunista segurança era muito débil, visto que, nas prisões e nos processos judiciais, as forças repressivas nunca erravam – mesmo que os indiciados fossem absolvidos de justiça por falta de provas. A pequenez territorial da sociedade sergipana e o peso das relações pessoais (“Em Sergipe, todo o mundo se conhece”) tornavam o trabalho de vigilância e de repressão mais fácil, quando os agentes da repressão decidiam agir.

O recrutamento de quadros para o “partidão” em Sergipe ocorria em muitas instituições. Não dá dizer quantos ou quais eram os modos de abordagem. Havia o recrutamento de dentro de famílias já com histórico comunista; havia o recrutamento em sindicatos, escolas e locais de trabalho em geral, em que pesavam as relações pessoais, as amizades, laços corporativos, etc; havia ainda o recrutamento de desconhecidos com a distribuição de jornais etc., testando o recrutador a “sensibilidade social” do candidato a comunista para temas de acordo com cada período histórico. Não pode deixar de ser dito que, recrutar quadros para atividades políticas ilegalizadas (que poderiam ter como consequências perseguições, prisões, perseguições, torturas e mortes), devia ser um exercício de muita habilidade e capacidade de persuasão para membros que, sem ser categórico, mais pareciam ser de classe média.

A socialização de comunistas sergipanos é um capítulo à parte. Implicava a oferta de cursos de formação política com textos do marxismo-leninismo, manuais de marxismo como o de Georges Politzer, entre outros. Esses cursos eram dados por intelectuais do partido (como Jackson “Tetéia” Figueiredo, Wellington Mangueira, etc.) a novos membros organizados em grupos de estudos que se reuniam em sítios, chácaras, casas, clubes, etc. Para as elites comunistas de Sergipe, havia a possibilidade de receberem cursos de formação política na União Soviética como foram os casos de Wellington Mangueira Marques e Marcélio Bonfim. Depois da teoria vinha a prática política dos militantes que consistia em ações de distribuição de jornais comunistas, saber fazer uso de mimeógrafos, fazer pichações, mobilizar grupos para greves, marchas, manifestações, etc. Não dá para dizer quais foram os números desses quadros nos diversos períodos de sua história – e muito menos o grau de comprometimento dos seus militantes e como se afastavam da organização.

O financiamento do “partidão” é um assunto bem desconhecido. Para todos os efeitos, o ativismo comunista era voluntário. Todavia, fazer funcionar uma organização implica, ontem e hoje, despesas, contas a pagar, etc. Dinheiro vindo de Moscou? È possível. Oficialmente, os velhos comunistas falam em campanhas para arrecadação de fundos de diversos tipos e financiar suas atividades. Por outro lado, os militantes não eram certamente remunerados, porém é possível que as elites comunistas recebessem, não sei com que extensão, regularidade ou valores, alguma forma de “remuneração”e detinham o controle do caixa.

Existiram três importantes áreas de atuação para os comunistas de Sergipe: a sindical, a estudantil e a política – além de um varejo distribuído em diversos setores.  A sindical foi importante durante o estado populista (1930-1964), quando os comunistas foram hegemônicos, inserindo-se principalmente nos setores urbanos do sindicalismo sergipano (ferroviários da Leste, funcionários dos Correios, etc.) e um pouco no sindicalismo rural em parceria com a Igreja Católica. Na verdade, os comunistas sergipanos foram- como, de resto, todos os brasileiros - beneficiários da organização corporativista que Vargas deu aos sindicatos. Com o advento da ditadura militar (1964-1985), perderam espaço na área sindical, especialmente com a emergência do “novo sindicalismo” sergipano.

Embora o ativismo estudantil não se inaugure com o regime varguista, este lhe deu novo arcabouço institucional e novas regras para funcionar no país inteiro e para servir de meio para legitimar essa ditadura civil. Os comunistas de Sergipe souberam se aproximar do movimento estudantil, sendo bastante influentes, por exemplo, da estudantada secundarista do Colégio Atheneu por muitas décadas, onde formaram seguidos grupos de quadros que continuaram a militância nas faculdades e na política partidária até os anos 1970. Celeiro comunista, o Atheneu era uma escola secundária que contava com alguns professores abertamente comunistas como Ofenísia Freire, seu marido, Margarida Costa, entre outros.

A política era uma prática social proibida aos comunistas de Sergipe. O que lhes sobrava então? Depois da maluquice de 1935 (chamada pelos militares de “intentona” comunista, quando os comunistas brasileiros tentaram tomar de assalto o poder no Brasil), os comunistas sergipanos se limitaram a querer influenciar o poder. Transformaram-se num grupo de influência política, lançando candidatos seus e outros por eles apoiados, ocasiões em que funcionavam para estes como excelentes cabos eleitorais. Quando lhes foi permitida uma nova legalidade em fins dos anos 1970 e 1980, não sabiam trabalhar na legalidade e, para complicar, tinha terminado a Guerra Fria, caíra o Muro de Berlim, e a sua referência internacional, a Rússia decidira seguir a trajetória do capitalismo.

Não quero terminar esse pequeno texto sem me interrogar sobre as funções que cumpriram os comunistas sergipanos. Elas foram muitas, a saber, a) difundir a doutrina comunista entre os sergipanos, remando contra uma maré anticomunista generalizada; b) levantar e pôr a gravíssima questão social sergipana na ordem do dia por diversas décadas do século passado, animando diversas instituições sociais e políticas; c) lutar contra duas ditaduras, uma civil e outra militar e; d) dinamizar a política sergipana que, do contrário, não teria passado de um “cemitério de oligarquias”. Os comunistas sergipanos não foram nem heróis, nem bandidos, nem vítimas. Considerando as condições históricas e políticas, eles cumpriram - nem mais, nem menos - o papel que lhes foi possível no quadro da política de Sergipe.

* Professor de Direito da UFS.

Texto reproduzido do blog: primeiramao.blog.br

terça-feira, 25 de março de 2014

Documentário 'A Mesa Vermelha' será lançado no Museu da Gente Sergipana

Publicado por F5 News, em 23/03/2014.

Documentário 'A Mesa Vermelha' será lançado no Museu da Gente Sergipana

Uma Mesa Vermelha e o verbo de 23 ex-presos políticos. No documentário A Mesa Vermelha, senhores jovens subversivos comentam, 50 anos depois do golpe, sobre a experiência nos presídios masculinos pernambucanos durante o período militar (1964-1985). O lançamento do filme acontece no próximo dia 1º de abril, às 19h, no Museu da Gente Sergipana, com exibição gratuita e aberta ao público.

Dirigido pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira, o documentário resgata a memória dos anos de chumbo através dos depoimentos de 23 militantes de organizações de esquerda da época que estiveram detidos, de 1969 a 1979, entre a antiga Casa de Detenção, a atual Casa da Cultura, em Recife, e a Penitenciária Professor Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá.

Da chegada ao cárcere, do afeto, das greves de fome, do papel dos coletivos dentro da cadeia. O sentimento de pertencimento é o que move este documentário. Aos personagens, o pertencimento a uma geração. Ao público, o sentimento de pertencimento a um país que busca sua Memória, que busca a Verdade.

Através das lembranças e denúncias dos ex-presos politicos, o filme retrata como era a convivência, as diferenças, os rachas, as resistências e o sentimento de solidariedade existente entre eles. O documentário começa abordando o contexto político, o que levou aquelas pessoas a atuarem em organizaçãos, a luta, a clandestinidade, a queda e a chegada deles à prisão.

Os ex-presos políticos eram encaminhados para duas unidades prisionais depois do período de torturas e interrogatórios para responder a processos e cumprir as penas??Estima-se que, de 1969 a 1979, passaram pela antiga Casa de Detenção cerca de cem presos políticos e 40 na Penitenciária Barreto Campelo.

Sergipe em cena

Entre os 23 entrevistados, um sergipano. Ex-preso político e militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Bosco Rolemberg, 66, viveu por cinco anos, dos 27 aos 32 anos, atrás das grades da Penitenciária Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá, entre 1974 e 1979. Casados desde 1969, a ex-presa política sergipana Ana Côrtes também permaneceu detida em Pernambuco, entre junho e novembro de 1974, nas dependências da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), no centro de Recife.

Gravado em Recife, em maio-junho de 2012, o documentário foi, para Bosco, o momento de reencontrar colegas de luta e cela que não via há 35 anos, e de reencontrar sua própria história, seus silêncios, suas dores e suas convicções desses anos sombrios.

“Eu vim porque é uma experiência que não pertence a mim. Pertence ao povo brasileiro, pertence aos comunistas do Brasil, pertence aos meus filhos, pertence ao meu neto, pertence a minha esposa. Então eu não tinha o direito de ficar com isso escondido ou guardado”, afirma no filme, no depoimento que abre A Mesa Vermelha.

Com 80 minutos de duração, o documentário é fruto do Projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça em parceria com o Movimento Tortura Nunca Mais de Pernambuco.

Idealizado pelas ex-presas políticas Lilia Gondim e Yara Falcón, elas contam que a iniciativa surgiu após a experiência do curta Vou contar para os meus filhos sobre o reencontro das ex-presas políticas da Colônia Penal Bom Pastor, também em Recife, 40 anos depois. “É um reencontro com a história. Uma lacuna que está sendo preenchida. É a história viva. Passamos muito tempo sem falar nada. Tínhamos receio”, relata Yara Falcón.?

Desde que foi lançado, em maio de 2013, A Mesa Vermelha já passou por Recife, Brasília e Porto Alegre, e circulará nos próximos meses por várias cidades do país, com o Festival Cinema pela Verdade, da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Agora a exibição chega em Aracaju, com o apoio do Museu da Gente Sergipana, do Instituto Banese e da Secretaria de Comunicação do Governo de Sergipe.

Imagem e texto reproduzidos do site: f5news.com.br

Fonte e Foto: divulgação.