quarta-feira, 8 de julho de 2015

"Operação Cajueiro - Um Carnaval de Torturas"



Infonet - Política - Noticias - 30/06/2015.

Governador é o primeiro a depor na Comissão da Verdade
Comissão fará relatório sobre os porões da ditadura militar

O governador Jackson Barreto (PMDB) assumiu compromisso publicamente de ser a primeira testemunha [e vítima da ditadura militar instituída com o golpe de 1964] a prestar depoimento na Comissão da Verdade de Sergipe, instalada nesta terça-feira, 30, por iniciativa do próprio líder do Poder Executivo Estadual. A data ainda é incerta, mas será definida pela presidência da Comissão em sintonia com a agenda do governador.

A Comissão da Verdade tem a missão de trazer à tona todos os fatos históricos relativos aos períodos marcados por torturas, assassinatos, perseguições políticas, prisões arbitrárias e desaparecimento de militantes que resistiram às arbitrariedades do Governo, gatos registrados entre os anos de 1946, que antecede o golpe militar, a 1988, ano em que se instalou a redemocratização do país com aprovação da nova Constituição Federal, pós-anistia. “Estamos começando a passar a limpo uma das páginas mais sombrias da nossa história”, ressaltou o governador.

Os sete integrantes da Comissão da Verdade iniciarão os trabalhos ainda nesta terça-feira com a primeira reunião de seus membros, convocada pelo professor Josué Modesto Passos Subrinho, que presidirá os trabalhos, para definirá os primeiros passos que serão tomados para desvendar os mistérios dos porões da ditadura no âmbito do Estado de Sergipe. “Vamos começar do zero”, revelou o professor Josué Subrinho.

O relatório da Comissão Nacional da Verdade concluído no ano passado será o parâmetro para a equipe sergipana, que pretende se debruçar sobre documentos oficiais liberados pelo próprio Sistema Nacional de Informação (SNI) e dos depoimentos dos sergipanos torturados, que estiveram à frente da resistência ao golpe militar de 1964 e sobreviveram ao período sombrio da história brasileira, a exemplo do casal Wellington e Laura Mangueira e Bosco Rollemberg e Ana Cortes.

O governador deu carta branca para que os membros da Comissão da Verdade tragam à tona toda a história, sem a preocupação a quem possa atingir. “Não importa nada, a comissão tem liberdade e tem compromisso apenas com a verdade. Não tem que se preocupar com A B ou C, tem que saber o papel de cada um no momento certo”, destacou Jackson Barreto.

“Esta Comissão não tem nenhum caráter revanchista, não é o ódio quem conduz. É preciso o esclarecimento dos fatos para guardarmos para a história para que as novas gerações, de forma profunda, tomem conhecimento do que aconteceu em Sergipe e um alerta para que estes fatos nunca mais se repitam”, destacou Jackson.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), Carlos Augusto Monteiro Nascimento, informou que a entidade fará uma interlocução com o governador Jackson Barreto para que a entidade possa contribuir com os trabalhos da Comissão da Verdade em Sergipe. Com esta iniciativa do Governo do Estado, a OAB/SE, segundo enfatizou Carlos Augusto Monteiro, também agirá para criar uma comissão interna com o propósito de investigar os fatos históricos que marcaram a ditadura militar em Sergipe.

A instalação da Comissão da Verdade em Sergipe foi marcada por forte emoção, traduzido em um encontro de militantes políticos que fizeram linha de frente ao regime militar. “Quando a gente rever estes companheiros, a gente diz valeu a pena. Imitando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Digo, com o coração aberto, que tudo que nós fizemos pela democracia e pela liberdade, faremos tudo novamente”, destacou Jackson Barreto, que também sofreu as perseguições políticas típicas de um regime que ceifou vidas e mentes.

Por Cássia Santana.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/politica

Jackson e Rosalvo Alexandre: parceria contra a tortura e perseguições. 
Crédito - Cássia Santana/Portal Infonet).




"Operação Cajueiro - Um Carnaval de Torturas" é um documentário brasileiro que trata da questão da ditadura militar. Seu foco é a operação que ocorreu, em Sergipe, durante o carnaval de 1976.

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