Publicação compartilhada do site INFONET, de 11 de outubro de 2026
Fábio Dantas fala sobre trajetória e o novo livro “Bússola da Alma”
Em entrevista ao Portal Infonet, escritor sergipano apresenta sua 21ª obra, que aborda autoconhecimento, espiritualidade e busca por propósito
O autoconhecimento e a espiritualidade são os temas centrais de “Bússola da Alma”, 21º livro do escritor sergipano Fábio Dantas. Publicada pela Editora Planeta, a obra reúne reflexões sobre propósito, crenças limitantes e fé, além de uma jornada prática de 21 dias com exercícios, afirmações e meditações guiadas.
Na entrevista ao Portal Infonet, Fábio Dantas fala sobre o processo de construção do livro, a influência das tradições ancestrais em sua trajetória e a relação entre a nova obra e Ervas e Benzimentos, um de seus títulos conhecidos. O escritor também explica como experiências pessoais, desde a infância em Frei Paulo até a construção da Casa de Sossego Vó Tereza, contribuíram para a abordagem apresentada no lançamento.
Infonet: O que o leitor vai encontrar em “Bússola da Alma” e qual é a principal proposta do livro?
Fábio Dantas: O leitor vai encontrar um caminho de volta para si mesmo. O livro tem duas partes. Na primeira, “Desperte o seu propósito”, são doze capítulos que falam de crenças limitantes, fé, dor, abundância, desapego e do alinhamento entre coração e mente. Na segunda vem a Jornada de 21 Dias, um roteiro prático para o dia a dia. Cada dia tem uma intenção, uma afirmação, um mantra, uma meditação guiada e elementos de apoio, como cristais, ervas e cores. A proposta é simples e profunda ao mesmo tempo. Todos nós nascemos com uma bússola interior, que é a nossa centelha divina. O mundo nos distrai e nos afasta dela, mas ela continua apontando o caminho. Costumo dizer que ninguém está realmente perdido, só distraído. O livro não traz fórmulas prontas. Ele traz chaves para que cada pessoa volte a ouvir a própria alma.
Infonet – Por que você escolheu o autoconhecimento como tema central desta nova obra? Há algum aspecto desse tema que você considera pouco discutido?
Fábio: Escolhi porque vejo muita gente com muito por fora e um vazio enorme por dentro. Vivemos conectados às redes sociais e cada vez mais desconectados de nós mesmos. Passamos horas nos comparando, tentando agradar e cumprindo expectativas que nem são nossas. O aspecto que considero pouco discutido é o das crenças herdadas. Muito do que chamamos de destino é só costume, um medo que passou de geração em geração disfarçado de tradição. Eu mesmo carreguei por muitos anos a crença de que o sucesso só vinha com sacrifício e sofrimento extremo. Quando percebi que aquilo não era meu, mas um eco das histórias de luta que testemunhei, minha vida mudou. Autoconhecimento também é isto: reconhecer o que é nosso, agradecer e devolver com amor o que não nos pertence.
Infonet – O livro fala sobre pessoas e situações que funcionam como “espelhos”. Pode explicar esse conceito e dar um exemplo de como isso aparece no cotidiano?
Fábio: As pessoas que encontramos refletem partes de nós, umas luminosas e outras sombrias. Todas revelam algo que precisa ser visto, compreendido e curado. O marido difícil, o chefe autoritário, o filho rebelde, a mãe exigente: são mestres disfarçados que nos dão a chance de desenvolver perdão, paciência e compaixão. Um exemplo do cotidiano é aquela pessoa cuja impaciência nos irrita profundamente. Muitas vezes, ela está apenas mostrando a nossa própria impaciência, que a gente não quer enxergar. A chave é trocar a culpa pela responsabilidade. Ser responsável não é ser culpado, é ser consciente. A culpa paralisa, e a responsabilidade liberta. Eu pratico isso de forma bem literal: todas as manhãs, olho nos meus próprios olhos diante do espelho por um minuto. Esse gesto simples muda a forma como me percebo e como me relaciono com os outros ao longo do dia.
Infonet – Além dos textos, o livro traz exercícios e meditações por meio de QR Codes. Como esses recursos foram pensados e qual é o objetivo deles dentro da obra?
Fábio: Eu queria que o livro não ficasse só no campo da leitura, mas virasse experiência. Cada capítulo termina com uma prática que chamei de “Conexão da Bússola da Alma”, e cada um dos 21 dias da jornada traz uma meditação guiada. Os QR Codes levam o leitor ao meu canal no YouTube, onde as meditações estão em vídeo, com imagens e condução por voz. Muita gente tem dificuldade de meditar sozinha só lendo um texto. A imagem e a voz ajudam a silenciar a mente e a mergulhar na prática. O objetivo é transformar sabedoria em prática e espiritualidade em vida cotidiana. E, como o leitor pode voltar ao vídeo quantas vezes quiser, a meditação deixa de ser um momento isolado e vira hábito. A transformação não acontece só quando a gente entende uma ideia. Ela acontece quando a gente vive essa ideia todos os dias.
Infonet – “Bússola da Alma” é seu 21º livro. O que esta obra representa dentro da sua trajetória como escritor e o que diferencia esse lançamento dos trabalhos anteriores?
Fábio: Tem uma bela sincronicidade em ser o 21º livro e trazer justamente uma jornada de 21 dias. Para mim, ele representa uma síntese. É o livro mais pessoal que já escrevi. Nele conto minha história: a infância em Frei Paulo, as benzedeiras da vizinhança, as Irmãs Doroteias, a mudança para Aracaju aos 18 anos com uma mala simples, os estudos para concurso e a construção da Casa de Sossego Vó Tereza. A diferença é que, nos livros anteriores, eu ensinava práticas, e neste eu abro o caminho interior que deu sentido a todas elas. Também é uma obra que dialoga com qualquer pessoa, independentemente da religião, porque fala de algo universal: a busca por propósito. E chega pela Editora Planeta, com um alcance nacional que me deixa muito grato.
Infonet – Você ficou conhecido por livros como “Ervas e Benzimentos”. Existe alguma relação entre essa obra e os temas abordados agora em “Bússola da Alma”?
Fábio: Existe, e é uma relação de raiz. Inclusive, conto no novo livro como Ervas e Benzimentos nasceu. Foi a minha própria bússola interior que me disse: “Escreva sobre o que pulsa em você”. As ervas que descrevi, eu colhi. As orações, eu rezei. Com as benzedeiras aprendi que fé não é ritual mecânico, mas comunhão com a vida, e que cada folha tem espírito e cada palavra carrega energia. Bússola da Alma continua essa sabedoria, mas olha para dentro. Se em Ervas e Benzimentos a gente limpa a casa e o corpo com arruda, alecrim e oração, aqui a limpeza é da mente e das crenças. As ervas continuam presentes na jornada de 21 dias, mas agora como apoio para um trabalho de autoconhecimento. É a mesma sabedoria ancestral, a serviço do despertar da consciência.
Infonet – Quanto tempo levou para escrever “Bússola da Alma” e como foi o processo de construção do conteúdo?
Fábio: Levei cerca de um ano para escrever o livro, e foi um ano de vivência, não só de escrita. Fiz questão de praticar cada exercício, cada meditação e cada etapa da jornada de 21 dias antes de compartilhar com os leitores. Não me sentiria em paz passando para as pessoas algo que eu mesmo não tivesse experimentado e sentido funcionar. Práticas como acordar dizendo “Hoje escolho ver o bem”, olhar nos próprios olhos diante do espelho e escrever cartas simbólicas aos antepassados passaram primeiro pela minha vida, e só depois viraram texto. Houve madrugadas em que o cansaço tentava vencer, mas a fé sustentou cada linha. Depois veio o trabalho cuidadoso de organizar a jornada em três semanas: o despertar da consciência, o reencontro com o poder interior e a manifestação do novo caminho. Este livro nasceu da experiência, e acredito que é por isso que ele toca as pessoas.
Infonet – Você chega ao 21º livro em um momento em que o público também busca conteúdos sobre espiritualidade, bem-estar e autoconhecimento. Como você percebe esse interesse e qual é o espaço que “Bússola da Alma” pretende ocupar nesse cenário?
Fábio: Vejo esse interesse como um sinal de que as pessoas cansaram de correr sem saber para onde. Vivemos tempos em que quase tudo parece urgente, menos o que realmente importa. A mente quer respostas rápidas, mas a alma quer experiências profundas. O cuidado que tenho é com a superficialidade: há muito conteúdo que promete transformação instantânea. Bússola da Alma quer ocupar o espaço do aprofundamento com os pés no chão. É um livro que une a sabedoria ancestral das benzedeiras, a fé, os princípios espirituais e a prática diária, sem fórmulas mágicas. Ele não pede perfeição, pede presença. Meu desejo é que seja um companheiro de cabeceira, uma pausa sagrada no meio da pressa, para que o leitor lembre que tudo o que busca lá fora já vive dentro dele.
Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

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