quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Danças e Folguedos de Sergipe. [Taieira]


Memorial de Sergipe/UNIT, em 31 de outubro/2013.
Publicado por Suyan Dionizio

Danças e Folguedos de Sergipe. [Taieira]

Folguedo popular de caráter religioso, com objetivo de louvação. A dança das Taieiras é acompanhada por um tambor, som oriundo dos querequexés, sutilmente sacudidos pelas dançarinas e, ainda, varetas que funcionam como marcação de ritmo.

O cortejo sai anualmente da residência da grande líder do grupo, seguindo pelas ruas da cidade em direção à igreja, diante da qual os integrantes dançam e cantam; entram no templo sagrado sem parar de dançar e cantar, depois o cortejo volta a percorrer a cidade, dançando nas residências das pessoas, cumprindo um ritual belo e emocionante.

Saem às ruas nos dias de Reis e na festa de Bom Jesus dos Navegantes. Os santos são louvados com muito respeito e devoção. Os personagens que integram a manifestação são: Taieiras (dançarinas), Guias, Lacraias, Capacetes, Ministro, Patrão, Rei e Rainhas.

Foto e texto reproduzidos do site: unit.br/memorialdesergipe

Danças e Folguedos de Sergipe. [Maracatu]


Memorial de Sergipe/UNIT, em 31 de outubro/2013.
Publicado por Suyan Dionizio

Danças e Folguedos de Sergipe. [Maracatu]

Vestígios dos cortejos negros que acompanharam os reis de congos eleitos pelos escravos, para coroação e posteriores batuques no adro, em homenagem ao santo padroeiro.

Não sendo propriamente um auto, o maracatu, não tem um enredo ordenado para sua exibição. É sobrevivência dos desfiles de caráter religioso-africano.

Personagens: Rei, Rainha, Príncipe, Princesa, Vassalos, Ministros, Conselheiros, Lanceiros, Busineiras, Porta-bandeiras, Soldados, Baianas e tocadores. E mais, “Calungas”, que são bonecas representando Oxum e Xangô.

O cortejo real é lembrança da célebre rainha africana Ginga de Matamba. Vestidos de cores extravagantes, os participantes dos cortejos caminham pelas ruas da cidade a cantar, sacotear, entre umbigadas, comprimentos e marchas. Ritmo marcado, batido. Melodia ao mesmo tempo com tom forte do caráter religioso. Algumas cantigas são proferidas numa presumível língua africana.

Foto e texto reproduzidos do site: unit.br/memorialdesergipe

Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em Aracaju

  Um registro histórico: O IHGS visto por um olhar dos anos 30.
Fachada do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em 1939.
Foto/Legenda reproduzidas do site: congressodehistoria.com.br

Fachada do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, hoje.
Foto reproduzida do site: congressodehistoria.com.br

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Augusto Maynard Gomes (1886 - 1957)


Augusto Maynard Gomes (1886 - 1957), Foi governador de Sergipe em duas ocasiões: o primeiro mandato no período de 16 de novembro de 1930 a 28 de março de 1935 e o segundo mandato no período de 27 de março de 1942 a 27 de outubro de 1945. Por duas vezes ocupou também uma cadeira no Senado Federal nos períodos de 1947 a 1951 e de 1955 a 1957. (Fonte: Wikipédia).

Foto: acervo Adaílton Andrade.
Imagem reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Adaílton Andrade.

sábado, 9 de novembro de 2013

Parque dos Falcões




Infonet - Cultura - Noticias - 09/11/2013.

Aniversário de 30 anos do Falcão Tito atrai turistas.

O Falcão é a principal atração do Parque dos Falcões

Uma história de amor, carinho e dedicação aos animais que se transformou em um dos destinos turísticos mais visitados de Sergipe. A aproximadamente 45 Km de Aracaju, localizado aos pés da Serra de Itabaina, o Parque dos Falcões foi construído através do trabalho e esforço de dois sonhadores, José Percílio e Alexandre Correia.

Na sexta-feira, 8, Tito comemorou 30 anos com grande festa no Parque. Turistas, amigos e frequentadores realizaram uma festa com direito a homenagem e muito carinho para o Falcão. O Instituto cuida de mais de 300 aves, entre gaviões, falcões, corujas, socós-boi, pombos, etc.

Já conhecido por muitos turistas, estudantes, biólogos, e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, o Instituto é um dos poucos locais do país com autorização do IBAMA para a criação dessas aves em cativeiro. A Instituto começou ainda na infância do fundador. Aos 7 anos, Percílio ganhou um ovo de Carcará (Caracara plancus), e depois de 28 dias sendo chocado por uma galinha, nasceu Tito, seu primeiro grande amigo.

Com o objetivo de proteger as espécies de aves de rapina que habitam o céu brasileiro, o Parque dos Falcões tornou-se uma referência mundial no manejo, reprodução e reabilitação desses animais, acumulando um grande conhecimento sobre o seu comportamento.

O Parque dos Falcões está aberto ao público todos os dias da semana. Para chegar ao centro conservacionista siga de Aracaju em direção à Itabaiana. Depois de passar pelo município de Areia Branca, percorra aproximadamente 9 km. No lado direito, há uma placa indicativa sobre o Instituto. Entre por essa estrada (única parte do trajeto não asfaltado) e percorra mais 2,5 km. É indispensável agendar previamente a sua visita.

As visitas ao Parque dos Falcões devem ser previamente agendadas e ocorrem às 9h e às 14h. Faça seu agendamento através dos telefones: (79) 9962-5457 / 9131-3496.

Fotos: Peter John Ellice.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

Um Pouco da História de Itaporanga D' Ajuda

Clique nas fotos para aumentar.


Fotos reproduzidas do blog itaporangasergipe.blogspot.com.br
De Edesio Garcez Sobral Junior.

Tecelagem

Tecelagem

"Tobias Barreto e Poço Verde, em Sergipe, são dois municípios de grande vocação artesanal. Tobias Barreto, aliás, transformou-se numa espécie de centro comercial. O bordado, a renda, a tecelagem e mesmo o uso de retalhos para confecção de peças movimentam o dinâmico segmento econômico do artesanato têxtil, atraindo compradores de todo o Nordeste e outras regiões pela variedade e preço dos itens produzidos".

Reproduzido do site pt.scribd.com*
Página de Rodeval Lima de Santana.
Sergipe - Cultura - e - Diversidade
Conhecer, Reconhecer e valorizar.

Carlos Alberto de Menezes Firpo (1912 - 1958)


Carlos Alberto de Menezes Firpo


"Nasceu em 14 de abril de 1912, em Aracaju/SE, filho de João Firpo e D. Antonia Menezes Firpo e irmão do médico João Firpo Filho. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1933, ao lado de João Batista Perez Garcia Moreno, do qual foi grande amigo. Médico obstetra, dirigiu o Hospital Santa Isabel por nove anos, onde promoveu uma total transformação com a construção de um novo centro cirúrgico, instalação de lavanderia mecânica, construção da clausura das irmãs e outras reformas. Foi Prefeito nomeado de Aracaju de 1941 a 1942, na segunda interventoria de Augusto Maynard Gomes. Foi casado com Milena Napolioni Mandarino, filha do imigrante italiano Nicola Mandarino, que se radicou e progrediu em Aracaju na área do comércio. Presidente da Somese (1952-1954). É patrono da cadeira sete da Academia Sergipana de Medicina. Prócer udenista, morreu assassinado em 29 de abril de 1958, com 46 anos, em Aracaju/SE, na sua residência, crime não completamente elucidado até os dias de hoje". *

*Fonte: Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe
*Foto e texto reproduzidos do site linux.alfamaweb.com.br

Genolino Amado (1902 - 1989)


O Amado Genolino

Leveza e densidade, o fortuito e o reflexivo, a crônica e o ensaio caracterizam a prosa do itaporanguense Genolino Amado (1902/1989), segundo o seu maior especialista, o poeta Jeová Santana (2000). Contraditórios tais atributos – como a vida do autor, repartida entre a crítica social e a freqüência aos gabinetes do governo Vargas –, eles transformaram-se em “janelas abertas para a cidade e para o mundo”, de onde se pode observar um dos “projetos de brasilidade” em curso no período 1930/1950 (Cf. Santana, 2000, p. 142-142) e a idéia de uma identidade sergipana para a primeira metade do século XX.

Genolino Amado, cronista, ensaísta, tradutor, político, professor de História Universal, foi um exilado voluntário. Sua produção esteve fortemente marcada pelos ares metropolitanos. As referências a Sergipe, no entanto, abundam nos livros que enfeixaram suas crônicas. A prosa memorialística vai pelo mesmo caminho. O texto mais conhecido foi Um menino sergipano (1977). A este, planejou dar prosseguimento, escrevendo “a história do moço que estudou na Bahia e se formou no Rio de Janeiro”, e que se chamaria “Um rapaz sergipano”.

Um terceiro livro contaria a sua vida em São Paulo, a iniciação literária, o retorno ao Rio de Janeiro e a comemoração das bodas de ouro do casamento dos seus pais. Essas memórias eram também “a narrativa de toda uma família sergipana, a do velho Melk, a de Donana”, a dos quatorze irmãos Amado, com destaques para o excepcional Gilberto e, quem sabe até, para “um outro grande Amado que a Bahia nos levou, [s]eu primo Jorge, sergipano de origem.” (Cf. Amado, 1977, p. 41-43; 1977b, p. 199).

O surto memorialístico de Genolino não se iniciou com a visita que fez a Sergipe, nos anos 1970, início da escrita de Um menino sergipano. Ele havia publicado O reino perdido (1971), livro de reminiscências sobre a vida de professor de história no Rio de Janeiro. Quanto aos flagrantes de memória sobre os modos sergipanos de pensar, agir e sentir já estão dispersos em crônicas publicadas desde a década de 1940. É por essa janela que se pode, em parte, observar “todo um Sergipe que vive na lembrança dos sergipanos exilados, que constitui a obsessão poética do seu degredo”. (idem, 1946, p. 137). Exemplo dessa catarse: “cheiros de mangaba madura, músicas de reisado, versos do ‘colibri’ ao som da Dalila, cadeiras na calçada, serenatas de violão soluçante, a fala cantada do povo, as mocinhas de fita no cabelo passeando ao largo da matriz.” (idem, p. 1977b, p. 136-137).

Mas, por que observar “em parte”? Porque o Genolino rememorador é o mesmo que apõe a crítica à lembrança e reconhece a impotência da cultura provinciana do final do século XIX frente à “revolução” operada pelo rádio no início dos anos 1940: em Laranjeiras, Orlando Silva substitui Fausto Cardoso; em Propriá, o reisado perde espaço para os sambas de Odete Amaral; as histórias contadas sob os alpendres do Riachão dão lugar às novelas radiofônicas; os “rr” do locutor César Ladeira estragam a prosódia das meninas de Itabaianinha e de Itaporanga; as imagens do amor e da namoradinha encarnam-se na figura de Linda Batista e não mais em Julieta; enfim, sucesso do rádio significa “a morte da província”. (cf. Amado, 1946, 136-139).

O menos famoso dos Amado era também um homem da mídia, um cultor da modernidade. Esse fato, entretanto, não o obriga a concordar com o expresso aniquilamento de um modo de vida coletivo. Essa preocupação de Genolino reverbera sempre nesses instantes de mudanças bruscas, desde Maiackowsk aos críticos da globalização: “Se perdermos a província, que será de nós, de nós que tanto já perdemos? Onde encontrar o sentido da nossa existência, se lhe turvamos a fonte de onde ele sempre veio?” (idem, p. 138).

Trinta anos mais tarde, a fonte da singularidade (a província) continuava pródiga. O rádio não era novidade, a televisão se impunha, mas ao que parece, a “alma de Sergipe” não fora destruída pela modernidade. Ela foi ganhando nitidez na cabeça do viajante Genolino à medida em que ele amadurecia, exercitando todos os sentidos, analisando, generalizando, sintetizando, comparando e diferenciando maneiras de viver, timbre de humanidade, inclinações morais e sentimentais, dotes criadores, simpatias e idiossincrasias do sergipano. (cf. Amado, 1977b, p. 193).

Genolino chegou a definir a alma de Sergipe: “um conjunto de qualidades próprias, facetas caracterizadoras, aspectos específicos e inconfundíveis dos meus conterrâneos, enfim, sergipanidade.” (idem, p. 193). Mas, na hora de demonstrá-la academicamente, recuou. Seria muito cansativo e trabalhoso!

“Sergipanizou”, portanto, ao léu, com o que lhe veio à cabeça no momento da escrita (idem, p. 196). Agiu impressionisticamente, tentando demonstrar que o sergipano era mais caboclo que negro, majoritariamente pardo, sofredor. O nativo era, como o cearense, um eterno migrante e, talvez – pela ausência de um porto –, um forte ascendente judeu. No legado cultural, não se sobrelevaram os sonetistas, oradores e romancistas (Cf. Amado, 1977, p. 192-200). A ausência dos Amandos Fontes anteriores à década de 1930, por exemplo, esteve relacionada ao caráter do “espírito sergipano”: denuncista, influenciador, inovador. “No espírito sergipano, concluía Genolino, “o senso crítico prepondera sobre o imaginativo, sobretudo de caráter meramente estético.” (Amado, 1997b, p. 41).

Genolino Amado não era cientista social, nem saudosista melancólico. Mas, é curioso como releva e, ao mesmo tempo, critica a idéia de alma cultivada pelos patrícios do final do século XIX. Para o cronista, alguma “coisa”, em última instância, deveria ser preservada. Que “coisa” seria essa, e do passado de quem seria recuperada é a pergunta que não quer calar. Com a introdução desse componente político, Genolino dinamiza o debate sobre o passado, memória e identidade sobre o qual nos debruçamos no momento.

Para citar este texto
FREITAS, Itamar. O Amado Genolino. A Semana em Foco, Aracaju, p. 6B-6B, 02 nov. 2003.

Referências
AMADO, Genolino. O reino perdido: histórias de um contador de história. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1971.
__________. A morte da província. In.: Os inocentes do Leblon: crônicas do Rio. Rio de Janeiro: Globo, 1946. p. 136-139.
__________. Um menino sergipano: memórias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
Momento entrevista Genolino Amado. Momento: Revista Cultural da Gazeta de Sergipe, Aracaju, n. 9, p. 41-43, fev. 1977.

SANTANA, Jeová. A crítica cultural no ensaio e na crônica de Genolino Amado. Campinas, 2000. 245 p. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas.

Foto e texto reproduzidos do blog: itamarfo.blogspot.com.br

Sobre palavra "Sergipe": a versão de João Vampré.


Sobre palavra "Sergipe": a versão de João Vampré.

O estanciano João Vampré (1868/1949) chegou à província de São Paulo aos dezoito anos de idade, radicando-se em Limeira e, depois, na capital paulista. Fez nome como jornalista e historiador dos costumes – folclorista, diziam no início do século XX – nas páginas do Diário Popular, no Comércio de São Paulo, Correio de São Paulo, Correio Paulistano e no Estado de São Paulo. Da terra bandeirante, retratou as festas de São João, Corpus Christi, da Santa Cruz do Pocinho, a dança dos Caiapós, e a figura de Fernão Dias Pais (cf. Guaraná, 1925, p. 148; Cordeiro, 1949, p. 288-289; Lima, 1984, p. 80).

Não deveria o Vampré ser pouco expressivo nesta São Paulo que ensaiava saltar de vila provinciana à metrópole, no final do século XIX, haja vista a sua participação como sócio fundador da Academia Paulista de Letras no distante 1909. Como dizem alguns enciumados, seria mais um desses curiosos personagens que, por absurda casualidade, insistira em nascer no modesto Sergipe, como os Joões Ribeiro da vida.
Ocorre que o literato João Vampré não parece ter rompido em definitivo os laços com a terra mãe e nem é de todo improvável que nela tenha exercitado o olhar antropológico que tanta projeção lhe trouxera em São Paulo. Prova-o seu trabalho sobre “O natal em Sergipe”, editado em italiano, bem como o verbete que discute o significado do vocábulo que dá nome ao nosso Estado.

O verbete foi publicado da Revista de Língua Portuguesa (Rio de Janeiro, n. 43, p. 25-26, set./out. 1926), veículo dirigido por Laudelino Freire – outro sergipano “acidental” – e faz parte de uma série de comentários filológicos divulgados nesse e em outros periódicos. Tais comentários foram, provavelmente, organizados no trabalho intitulado “Influência do Tupi nos nomes geográficos” (Rio de Janeiro, 1938/1940).

João Vampré (1868/1949).

O único juízo que colhi sobre o Vampré tupinólogo não lhe foi muito favorável. Plínio Airosa, primeiro professor de Etnologia brasileira e Língua tupi-grarani, da Universidade de São Paulo, classificou o sergipano de “curioso” e ao seu trabalho como de “valor muito reduzido” (Airosa, 1954, p. 39-40). Como as verdades mudam de dono conforme o tempo e a embalagem, segue a transcrição paleográfica do étimo “Sergipe”, quase noventa anos após a primeira divulgação para que o leitor sergipano tire as suas próprias conclusões.

“O Brasil offerece um quinhão original no estudo da sua toponymia, na maior parte derivada da raça aborigene.

‘Quase todos os nossos nomes naturalisticos e geographicos’, como escreve o profundo polygrapho João Ribeiro, ‘dimanam dessa fecunda fonte que desalterou a imaginação primitiva. E os conquistadores, que tudo destruiram, não puderam apagar do arvoredo, dos rios e das montanhas essas vozes claras e sonora que ainda hoje palpitam e agonizam sobre o destroço das tribus vencidas”. Despertado por esta ordem de idéas, peço venia ao eminente patricio citado, a que consagro estas linhas, para tentar uma explicação da origem controvertida da palavra Sergipe. A lexeogenia do referido vocabulo, corruptela de Cerijipe ou Sirigipe, primitivo nome da illha de Villegaignon e assim graphado nos mais antigos documentos, não pode ser entendida senão pelos agrupamentos dos adjectivos adverbiaes Ceri e ipe, ligados pelo relativo j, como ensinaram os padres Montoya e Luiz Figueira, nas suas grammaticas da lingua tupy.

Manuseando o diccionario de Montoya, vê-se que Ceri significa ‘pouco’ e ipe ‘perto’. Os indigenas quizeram referir-se á situação de outros aldeamentos que ficavam mais afastados do ponto da sua taba principal; pretenderam elles designar por este termo idéa analoga á que exprimimos pelo temo ‘sertão’, isto é, ponto afastado ou pouco proximo. A consoante j introduzida no vocapulario tupy, por influencia portugueza, exprime relatividade da distancia em razão do ponto em que elles se achavam. Os relativos e os reciprocos têm grande valor na lingua geral dos indios, como ensinaram os referidos indianologos; o relativo j é empregado para substituir o primitivo i, quando o nome a que se liga principia por vogal, como se verificou no latim em relação ás linguas modernas que delle se derivaram. Assim, em vez de jaguara, japy, japecanga, se diriam primitivamente: iaguara iapy e iapecanga.

Se da propria estructura do vocabulo ‘Cerijipe’, sem alteração alguma, resulta uma significação propria, não temos o direito de dar-lhe semantica estranha, tal como ‘Rio de siris’ e outras.

Cada vez mais me convenço da affirmativa do padre Ives d’Evreux, na investigação dos nomes tupys, aplicados aos logares.

‘Os indigenas, muito sabios na formação dos designativos locais, compunham taes nomes, após deliberação em conselho, assignalando caractéres physicos da coisa nomeada, ou factos permanentes, taes como molestias endemicas, perigos constantes, etc.’

O systema geographico e´, além disso, o unico que acha conformação na estructura grammatical da lingua tupy e o que menos se presta a corrupções. Assim, a palavra ‘Ciará’ composta do relativo ‘Ci’ e do nome ‘araá’ que significa ‘molestia do calor’, como se pode verificar no lexico de Montoya, exprime perfeitamente um logar sujeito aos perigos da sêca.

Em nossa vaidosa presunção, vivemos a suppor que o indio barbaro na predicação dos nomes é tão futil como nós outros civilizados.”

Para citar este texto:
FREITAS, Itamar. Da palavra 'Sergipe': a versão de João Vampré. Jornal da Cidade, Aracaju, 31 ago. 2003.

Saiba mais sobre Vampré:
"Vampré - Uma família sergipana em São Paulo", de Luiz Antônio Barreto. http://infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=94267&titulo=Luis_Antonio_Barreto

Fontes das imagens
João Vampré.
Fonte:<http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/colunistas/grande-22-10-luiz-antonio.jpg>.

Referências bibliográficas
LIMA, Jáckson da Silva. Os estudos antropológicos, etnográficos e folclóricos em Sergipe. Aracaju: governo do Estado de Sergipe/Secretaria de Estado da Educação e Cultura/Subsecretaria de Cultura e Arte, 1984.
VAMPRÉ, João. Étimo do vocábulo “Sergipe”. Revista de Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, n. 43, p. 25-26, set./out. 1926.
VAMPRÉ, João. A influência do tupi nos nomes geográficos. An. Hidrog. Mar. Brasil, Rio de Janeiro, 1938/1940. (Obra não consultada).
AIROSA, Plínio. Primeiras noções de Tupi. São Paulo: sn, 1933.
AIROSA, Plínio. Apontamentos para a bibliografia da língua tupi-guarani. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, São Paulo, n. 169, 1954. (A primeira edição é de 1943).
SAMPAIO, Teodoro. O tupi na geografia nacional. [São Paulo]: sn, 1928. (“Sergipe, ant. Cirigype, c. ciri-gy-pe, no rio dos siris. Alt. Sirigype, Sirgipe, Sergipe.” p. 306).

CORDEIRO, J. P. Leite. Necrológio de João Vampré. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, São Paulo, v. 49, p. 288-289, 1949.

Foto e texto reproduzidos do blog: itamarfo.blogspot.com.br