sábado, 15 de março de 2025

Aracaju, uma cidade que foi planejada para ser capital.

Bairro Treze de Julho em 1969 (Foto de domínio público)

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 14 de março de 2025.

Aracaju, uma cidade que foi planejada para ser capital.

A capital de Sergipe, Aracaju, que significa cajueiro dos papagaios, está completando neste 17 de março, 170 anos. Fundada em 17 de março de 1855, é a menos populosa capital do Nordeste do Brasil. A história de Aracaju – antigo povoado Santo Antônio de Aracaju – é uma das mais inusitadas. Sua fundação ocorreu inversamente ao convencional. Ou seja, não surgiu de forma espontânea como as demais cidades, foi planejada especialmente para ser a sede do governo do Estado. Passou à frente de municípios já estruturados, principalmente São Cristóvão, do qual ganhou a posição de capital.

Acredita-se que uma capelinha, a Igreja de Santo Antônio, erguida no alto da colina, tenha sido o início da formação do arraial que se transformaria depois na capital do Estado. A cidade de Aracaju, hoje com cerca de 650 mil habitantes, surgiu de uma colônia de pescador que pertencia juridicamente a São Cristóvão. Seu nome é de origem tupi, e, segundo estudiosos da língua indígena, significa cajueiro dos papagaios.

Por ter o privilégio de estar localizado no litoral e ser banhado pelos rios Sergipe e Vaza-Barris, o pequeno povoado foi escolhido pelo presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, para ser a sede do Governo. Deixou para trás, além de São Cristóvão, grandes cidades como Laranjeiras, Maruim e Itaporanga d’Ájuda. Inácio Barbosa assumiu o governo em 1853 com o desejo de fazer prosperar ainda mais a província. Ele sabia que o desenvolvimento do Estado dependia de um porto para facilitar o escoamento da produção. Apesar de várias cidades no Estado estarem desenvolvidas econômica e socialmente, faltava essa facilidade.

Cidade planejada

O presidente contratou o engenheiro Sebastião José Basílio Pirro (homenageado com nome de rua em Aracaju) para planejar a cidade, que foi edificada sob um projeto que traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que lembravam um tabuleiro de xadrez. Com a pressa exigida pelo Governo, não houve tempo para que fosse feito um levantamento completo das condições da localidade, criando erros irremediáveis que causam inundações até hoje.

O projeto da cidade se resumia em um simples plano de alinhamentos de ruas dentro de um quadrado com 1.188 metros. Estendia-se da embocadura do Rio Aracaju (que não existe mais), até as esquinas das avenidas Ivo do Prado com Barão de Maruim, e a Rua Dom Bosco (antiga São Paulo). A cidade cresceu inflexível dentro do tabuleiro de xadrez. Aterrou vales e elevou-se nos montes de areia. Foram feitas desapropriações onerosas e desnecessárias, para que o projeto mantivesse a reta. A única exceção foi uma alteração imposta pelo próprio presidente, permitindo que a Rua da Frente ganhasse uma curva, criando a bela avenida que margeia o rio Sergipe.

As terras de Aracaju originaram-se das sesmarias, doadas a Pero Gonçalves por volta de 1602. Compreendiam 160 quilômetros de costa, que iam da barra do Rio Real à barra do Rio São Francisco, onde em toda as margens do estuário não existia uma vila sequer. Apenas eram encontrados arraiais de pescadores.

Há notícias de que às margens do Rio Sergipe, em 1669, existia uma aldeia chamada Santo Antônio do Aracaju, cujo capitão era o indígena João Mulato. Quase um século depois, essa comunidade encontrava-se incluída entre as mais importantes freguesias de Nossa Senhora do perpétuo Socorro do Tomar do Cotinguiba.

Os fatos mais relevantes da vida política de Aracaju estão registrados a partir de 1855. O desaparecimento das lutas e agitações da vida colonial possibilitou o crescimento da economia. O açúcar, produto básico da província, era transportado por navios que traziam em troca mercadorias e as notícias do reino.

Texo e imagens reproduzidos do site: destaquenoticias com br

sexta-feira, 14 de março de 2025

Exposição sobre a arquitetura e o urbanismo de Aracaju

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 13 de março de 2025

Arquivo Público festeja os 170 anos de Aracaju com exposição

A exposição é composta de 24 itens sobre a arquitetura e o urbanismo de Aracaju

O Arquivo Público de Sergipe (Apes) está promovendo uma exposição fotográfica que ilustra o processo de modernização e a expansão urbana de Aracaju, com foco no centro da cidade, especialmente nas praças Fausto Cardoso e Olímpio Campos. A mostra permanecerá aberta ao público até o dia 31 de março no Museu da Gente Sergipana, centro da capital sergipana.

A exposição é formada por fotografias do acervo do Arquivo Público e foi criada a partir da pesquisa da professora Naide Barboza, que, ao longo dos anos, dedicou-se a investigar e coletar imagens sobre Aracaju. O servidor do Apes, Ackley Santiago, destacou que a exposição tem o objetivo de compartilhar conhecimento e informações sobre o desenvolvimento e a expansão urbana da capital sergipana.

As fotos estão dispostas em uma linha do tempo, começando no início do século XX e seguindo até sua quarta década. Ao longo dos anos, é possível perceber grandes transformações nos elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos. A exposição combina o tradicional com o tecnológico. A exposição é composta de 24 itens que, além de explorar a temática arquitetônica e urbanística da cidade, estabelece, por meio de mediação, conexões com os eventos históricos, políticos e culturais que marcaram Aracaju desde sua ascensão como capital.

A diretora do Arquivo Público, Sayonara Santana, afirmou que a exposição oferece uma oportunidade de reflexão sobre a nossa capital, por meio de locais que nos conectam ao passado, permitindo uma reflexão sobre o presente e fortalecendo nosso sentimento de pertencimento e, por conseguinte, a nossa sergipanidade. A coordenadora do Museu da Gente Sergipana, Karla Santos, ressaltou a importância da parceria com Arquivo Público Estadual.

Fonte e foto: Secom/GS

Texto e imagem reproduzidos do site: www destaquenoticias com br

quinta-feira, 13 de março de 2025

Exposição Rosa Faria e a Arte de Retratar Aracaju

 


Publicação compartilhada do site GOVERNO DE SERGIPE, de 12 de Março de 2025

Palácio Museu Olímpio Campos homenageia a artista plástica Rosa Faria em exposição Em homenagem ao aniversário da capital, o Pmoc convida os sergipanos a visitarem a produção que homenageia retrata a cidade de Aracaju ao longo das décadas

Conhecido por ser um dos berços da memória sergipana, o Palácio Museu Olímpio Campos (Pmoc) também é um local onde artistas do estado realizam suas exposições, valorizando a arte e a cultura de Sergipe. Na tarde desta quarta-feira, 12, o Palácio abriu as portas para a exposição Rosa Faria e a Arte de Retratar Aracaju. A mostra, que segue até 5 de abril, apresenta obras da artista plástica como uma maneira de homenageá-la, além de celebrar o aniversário de Aracaju, que completará 170 anos na segunda-feira, 17 de março.

Com entrada gratuita, a exposição busca resgatar a memória de Aracaju, celebrando a história e as transformações através do olhar de Rosa Faria, uma das principais artistas sergipanas do século XX. As obras em destaque incluem pinturas e painéis em porcelana e azulejo, que mostram a vida cotidiana da cidade, as praças, ruas e festas populares.

Representando o governador Fábio Mitidieri, o secretário Especial do Gabinete de Governo, Tiago Andrade, destacou a importância do incentivo do Governo de Sergipe à arte. “Incentivando cada vez mais a cultura, o Governo do Estado abre as portas do Palácio Museu Olímpio Campos para a exposição de Rosa Faria, que traz belos quadros homenageando a capital. Aproveito a oportunidade para convidar a todos a visitarem a exposição, que estará aberta ao público”, enfatizou.

Segundo o museólogo Romário Portugal, a exposição foi pensada como uma maneira de realizar uma dupla homenagem, tanto a Rosa Faria, quanto à cidade de Aracaju. “Rosa não é aracajuana, ela nasceu em Capela, mas, ao se mudar para a capital, foi se especializando em suas pinturas, tanto a óleo quanto em azulejos e porcelanato. A curadoria foi feita através de doações temporárias para o Pmoc”, explicou.

Para a historiadora Izaura Ramos, ao iniciar a pesquisa na arte, com temáticas que abordassem o Dia das Mulheres e o aniversário da capital, a artista que mais trabalhou a história de Aracaju, no contexto do Dia das Mulheres, foi Rosa Faria. “Antes de falecer, Rosa era uma das únicas artistas mulheres do mundo que trabalhavam com azulejo. Então, é uma valorização da nossa cidade, da nossa história e de Rosa. Temos aqui acervos da Associação Sergipana de Imprensa, pois Rosa também era jornalista, e da Universidade Tiradentes, que nos cedeu os acervos em azulejo e o livro em azulejo que ela escreveu sobre a história da nossa capital”, destacou.

Já a diretora da Biblioteca Pública Estadual, Juciene Maria, ao participar da exposição, destacou que ela engrandece ao trazer uma beleza de cores com a história da capital e resgatar uma Aracaju de antes, com os prédios antigos e paisagens que são capazes de levar ao passado da cidade. “É muito importante visitarmos exposições como essa para conhecermos nossa cidade. Rosa Faria deixou um legado muito importante para a educação, comunicação e cultura sergipanas”, disse.

A diretora do Museu Galdino Bicho, Adinari da Silva, enfatizou que a exposição vai além da representação feminina. “Essa também é uma representação que ativa a memória cultural de um povo sergipano, de suas lutas e de seus patrimônios. Ao observar a exposição, também pude perceber a junção dos acervos de várias instituições. Isso é muito bonito e extremamente enriquecedor”, completou.

Alana Figueiredo, que também é natural de Capela, foi à visitação porque sua família conhecia a artista plástica. “Minha avó a conheceu pessoalmente, pois eram do mesmo convívio, e acabou que minha mãe me contou que essa exposição aconteceria hoje. Aproveitei para trazer minha filha comigo. Eu já conhecia algumas obras dela, mas não todas, então foi bom vir aqui”, disse.

Rosa Faria

Nascida em Capela, foi artista plástica, professora e jornalista que se destacou em diversas áreas ao longo da vida. Rosa se formou em cursos de Arte e Educação no Rio de Janeiro e lecionou em várias cidades, incluindo Petrolina e Juazeiro. Em 1968, fundou a Galeria Rosa Faria, que mais tarde se tornaria o Museu de Arte e História Rosa Faria. Premiada no 1º Centenário de Aracaju, Rosa também foi uma figura importante no jornalismo local. Faleceu em 1997, deixando um legado de dedicação à arte e à cultura sergipana.

Horários

A exposição estará disponível para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e aos sábados, das 9h às 12h30. As visitas são monitoradas, permitindo uma experiência mais rica e educativa para os visitantes.

Texto e imagens reproduzidos do site: www se gov br

terça-feira, 11 de março de 2025

História de Aracaju - Origem do Nome.

Artigo compartilhado do site da Prefeitura Municipal de Aracaju, de 8 de janeiro de 2025

História de Aracaju - Origem do Nome.

Aracaju significa "cajueiro dos papagaios". A palavra é composta por dois elementos: "ará”, que significa ´papagaio´, e "acayú", que significa ´fruto do cajueiro´. Esta interpretação tem grande vigência, embora existam outras versões.

No século XVI, as terras de Aracaju (SE) compreendiam 160 quilômetros de costa, o litoral entre os rios Real e São Francisco, e em toda as margens do estuário não existia uma vila sequer. Na segunda metade do século XVII, apenas arraiais de pescadores eram encontrados nessa região. Uma capelinha (Igreja de Santo Antônio), erguida no alto da colina, teria sido o início da formação do arraial.

O distrito foi criado, em 1837, com a denominação de Aracaju. O Presidente da Província Sergipe Del-Rei, Inácio Joaquim Barbosa, assumiu o governo em 1853, com a ordem de D. Pedro II para modernizar e acelerar o seu desenvolvimento. Em 1855, o povoado foi elevado à categoria de município e capital da Província, posição ocupada anteriormente por São Cristóvão.

Contratado para planejar a cidade, o engenheiro Sebastião José Basílio Pirro elaborou um projeto que traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que lembravam um tabuleiro de xadrez. Com a pressa exigida pelo governo, não houve tempo para a realização do levantamento completo das condições locai e erros irremediáveis que causam inundações até hoje. O projeto da cidade se resumia a um simples plano de alinhamentos de ruas dentro de um quadrado, estendendo-se da embocadura do Rio Aracaju (que não existe mais) até às esquinas das avenidas Ivo do Prado com Barão de Maruim, e a Rua Dom Bosco, antiga Rua São Paulo.

Além das vantagens obtidas pela presença da administração do governo, a nova localização da capital beneficiou, principalmente, o escoamento da produção açucareira da época e propiciou, também, nesse mesmo período, a instalação da primeira fábrica de tecidos nessa área. A cidade viveu um próspero ciclo de crescimento econômico e social que perdurou até os primeiros anos após a Proclamação da República, em 1889.

A cidade cresceu inflexível dentro do tabuleiro de xadrez. Foram aterrados vales e feitas desapropriações onerosas e desnecessárias, para que o projeto mantivesse a reta. A única exceção - uma alteração imposta pelo próprio presidente - permitiu que a Rua da Frente ganhasse uma curva, criando a bela avenida que margeia o rio Sergipe.

Em 1900 inicia-se a pavimentação com pedras regulares e são executadas obras de embelezamento e saneamento. As principais capitais do país sofriam reformas para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes. Aracaju - que já nasceu de vanguarda, acompanhava o movimento nacional e em 1908 é inaugurado o serviço de água encanada, um luxo para a época. Em 1914 é a vez dos esgotos sanitários e no mesmo ano chega a estrada de ferro.

Um Tabuleiro de Xadrez

Aracaju foi uma das primeiras capitais brasileiras a ser planejada. O projeto desafiou a capacidade da Engenharia da época, face à sua localização numa área dominada por pântanos e charcos. O desenho urbano da cidade foi elaborado por uma comissão de engenheiros, tendo como responsável o engenheiro Sebastião Basílio Pirro. Alguns estudos a respeito de Aracaju propagaram a ideia de que o plano da cidade havia sido concebido a partir da implantação dos modelos de vanguarda na época - Washington, Camberra, Chicago, Buenos Aires, etc.

O centro do poder político-administrativo, (atual praça Fausto Cardoso) foi o ponto de partida para o crescimento da cidade. Todas as ruas foram arrumadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, para desembocarem no Rio Sergipe.

Até então, as cidades existentes antes do século XVII, adaptavam-se às respectivas condições topográficas naturais, estabelecendo uma irregularidade no panorama urbano. O engenheiro Pirro contrapôs essa irregularidade e Aracaju foi no Brasil, um dos primeiros exemplos de tal tendência geométrica.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Aracaju, pela Lei Provincial n.º 473, de 28-03-1837.

Elevado à categoria de município e capital do estado de Sergipe, pela Lei Provincial n.º 473, de 17-03-1855. Sede no atual distrito de Aracaju. Constituído do distrito sede.

Pela Lei Municipal n.º 84, de 27.01.1903, são criados os distritos de Barra dos Coqueiros e Porto Grande e anexado ao município de Aracaju.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 3 distritos: Aracaju e Barra dos Coqueiros e Porto Grande.

Assim permanecendo nos quadros do recenseamento geral de 01.09.1920.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído de 2 distritos: Aracaju e Barra dos Coqueiros. Não figurando o distrito de Porto Grande.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 01.07.1950.

Pela Lei Estadual n.º 525-A, de 25.11.1953, desmembra do município de Aracaju o distrito de Barra dos Coqueiros. Elevado à categoria de município.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Por certo, o espírito brilhante de Inácio Joaquim Barbosa, saudoso homem público que governou Sergipe numa fase conturbada de sua história, deve orgulhar-se, agora, de sua gente, do povo de sua Aracaju, que ele fundou e que vê a cada dia, crescer e prosperar.

Texto e imagem reproduzidos do site: www aracaju se gov br/aracaju/historia

sábado, 8 de março de 2025

O Serviço de Luz e Força de Aracaju e as noites de blackouts

Instalações do Serviço de Luz e Força de Aracaju, 
em 1949. Fonte: Acervo do Arquivo Público Estadual de Sergipe.

O Serviço de Luz e Força de Aracaju e as noites de blackouts

Blog Coluna Getempo, Blog Segunda Guerra Mundial, por getempo, de 3 de maio de 2024

Maria Luiza Pérola Dantas Barros

Doutoranda em História Comparada (PPGHC/UFRJ)

Integrante do Grupo de Estudos do Tempo (GE/UFS/CNPq)

E-mail: perola@getempo.org

Muitos talvez ainda não tenham ouvido falar no Serviço de Luz e Força de Aracaju (SLFA), criado pelo estado de Sergipe na década de 1940 para funcionar no lugar da Empresa Tração Elétrica de Aracaju, empreendimento privado dos anos de 1930, cujo maquinário e os muitos operários eram responsáveis pelo abastecimento de energia elétrica em Aracaju.

Em 1942, nos anos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o SLFA estava sob comando de Hormindo Menezes, comerciante que, de acordo com o Processo Crime contra Nelson de Rubina, dirigia-se com frequência à praia de Atalaia com uma caminhonete para ajudar a recolher os corpos dos náufragos, vítimas dos torpedeamentos de navios na costa brasileira pelo U-507.

Esses torpedeamentos ocorreram no litoral entre Sergipe e Bahia, em agosto de 1942, gerando grande medo e revolta em parte da população. As autoridades locais temiam novos ataques e, com a inclusão do Estado, em 1943, no Plano Nacional de Blackout, passaram a realizar os blackouts programados, sempre anunciados pelo som das sirenes.

O memorialista Raymundo Mello, no artigo Histórias do tempo do Serviço de Luz e Força de Aracaju, nos relata que o blackout ocorria a partir de determinada hora da noite, e durava até a manhã do dia seguinte, com o objetivo de nenhuma claridade ser avistada por aviões ou embarcações em trânsito, ficando sob responsabilidade do esquadrão da cavalaria da Polícia Militar, em vários grupos, a fiscalização externa das residências aracajuanas para garantir o cumprimento de tal medida.

Já o memorialista Murilo Melins, em Aracaju romântica que vi e vivi: anos 40 e 50, escreve que, em virtude do toque de recolher, poucas pessoas saíam às ruas durante a noite, mas isso não impedia que os boêmios frequentassem as “zonas”, nem que os seresteiros fizessem suas serenatas. Tanto os músicos dos cabarés quanto os artistas da Rádio Difusora possuíam “passes livres”, fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública, para andarem pelas escuras ruas de Aracaju sem sofrer severas punições.

Vale mencionar que esses blackouts programados resultaram em grandes lucros para o SLFA, pois as máquinas geradoras paravam durante algumas horas, sofrendo assim menos desgastes e economizando combustível.

O tempo passou e o crescimento econômico e social de Sergipe levou à criação de uma nova empresa, capaz de atender não só a capital como também a todo o interior do Estado. Assim, surgiu a Energipe – Empresa Energética de Sergipe S.A, atualmente Energisa Sergipe – Distribuidora de Energia S/A, criada pela Lei Estadual, nº 943, de 03/06/59, desaparecendo assim o SLFA.

Para saber mais:

BARRETO, Luiz Antônio. Dicionário de nomes e denominações de Aracaju. Aracaju: Banese, 2002.

MAYNARD, Andreza Santos Cruz. “Blitzkreig de Muriçocas” e outros problemas no cotidiano de Aracaju. Revista Cadernos do Tempo Presente, nº 10, 2012.

MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi: anos 40 e 50. Aracaju: UNIT, 2010.

MELLO, Raymundo. Histórias do tempo do Serviço de Luz e Força de Aracaju. Isto é Sergipe, 18 de janeiro de 2017. Disponível em: https://istoesergipe.blogspot.com/2017/01/historias-do-tempo-do-servico-de-luz-e.html, último acesso: 01/05/24, às 12:13.

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Texto e imagem reproduzidos do site: getempo org

domingo, 2 de março de 2025

Lei dos Mestres reconhece figuras relevantes na cultura em SE

Foto: Reinaldo Moura

Publicação compartilhada do site do JORNAL DA CIDADE, de 26 de fevereiro de 2025 

Lei dos Mestres reconhece figuras relevantes na cultura em SE

Cinco personalidades foram homenageadas por se dedicarem à preservação das tradições sergipanas

Lei dos Mestres reconhece figuras relevantes na cultura em SE

O Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura Arte Aperipê de Sergipe (Funcap), realizou nesta terça-feira, 25, a assinatura do Programa de Registro de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana – Lei dos Mestres, com a participação do governador Fábio Mitidieri. A solenidade realizada no Palácio Museu Olímpio Campos dá continuidade ao reconhecimento de diversas figuras que se dedicam à manutenção e preservação das tradições culturais, tendo papel de fundamental importância e relevância para manter viva a riqueza cultural e a história sergipana.

A Lei dos Mestres é uma seleção e registro de pessoas com relevante contribuição à cultura local, para que usufruam de direitos e, em contrapartida, mantenham sua prática cultural ativa, compartilhando saberes com a comunidade sergipana. Os selecionados têm como benefícios o Título de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana, bolsa mensal vitalícia de incentivo equivalente a dois salários mínimos, e prioridade na análise de projetos culturais. Ela teve início no ano passado, com cinco contemplados, e agora abrange mais cinco nomes.

O governador exaltou a homenagem e a importância desses personagens para a cultura do estado. “O que a gente aqui faz aqui é uma justa homenagem e é preservação de nossa memória e de nosso saber popular. Esse valor a ser recebido por eles é uma justiça por tudo que eles produziram durante a sua vida, com trabalho e dedicação à arte e cultura em Sergipe. A melhor forma de reconhecê-los é em vida, e tenho convicção que essa lei vem em uma ótima hora, no momento em que o Estado valoriza tanto sua cultura. Isso nos fortalece e passa uma mensagem clara que apoiamos, e por meio da cultura e da arte, valorizamos cada vez mais a nossa história”, afirmou Fábio Mitidieri.

Cinco pessoas foram homenageadas e receberam o título de Patrimônio Vivo da Cultura de Sergipe. Foram elas: Marilene dos Santos Moura, a “Mestra Marilene”, do Reisado São José, no Povoado São José, em Japaratuba; Rosualdo da Conceição, o “Mestre Diô”, que está à frente do grupo de Samba de Coco do Mosqueiro; Josefa Santos de Jesus, a “Finha de Zé de Totó”, mestra da Dança de Roda do Quilombo Sítio Alto, em Simão Dias; Marizete Lessa, a “Mãe Marizete”, candomblecista mais antiga de Sergipe; e Severo D’Acelino, que participou da fundação do Movimento Negro contemporâneo em Sergipe e é fundador e coordenador-geral da Casa de Cultura Afro Sergipana. Ao final, o grupo Samba de Pareia realizou uma apresentação ao público.

Mestra Marilene, além de receber a homenagem, entregou um buquê de flores ao governador em nome dos contemplados. “Para mim é um momento único e maravilhoso. Não esperava tanto a essa altura da vida! Quando eu comecei a viver, resgatei esses grupos e minha vida mudou completamente. Sou muito feliz, faço isso há 25 anos e com o maior prazer do mundo”, disse ela.

Severo D’Acelino também expressou sua felicidade com o reconhecimento. “A cultura é a expressão da vida, da verdade e vivência. Esse reconhecimento do governo é o que a gente busca e espera por fazermos cultura. Se nós somos reconhecidos, há um alimento. Isso é muito importante para nós, e agradecemos muito ao governador e ao grupo que pensou nesse projeto, estando dentro do contexto da representatividade”, colocou.

Sobre a lei

O Programa de Registro de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana – Lei dos Mestres incentiva e impulsiona a atuação de pessoas que tradicionalmente mantém e salvaguardam aspectos relevantes da cultura de Sergipe. O objetivo é assegurar a transmissão de conhecimentos e contribuições culturais, incentivando a participação dos mestres em programas de ensino-aprendizagem e cedendo ao Estado os direitos de uso dos conhecimentos dos mesmos.

A seleção é feita via edital, e para participar os candidatos devem comprovar suas contribuições na manutenção de aspectos da cultura sergipana em diversas linguagens, além de possuir atuação comprovada na área por no mínimo seis anos. O edital dispõe de cinco vagas, sendo ao menos três destinadas às Culturas Populares.

O projeto foi idealizado pelo então deputado estadual e hoje vice-governador Zezinho Sobral. “Como sergipanos, ficamos muito contentes por tudo isso. Nos termos da lei, o mestre recebe um apoio financeiro durante toda a sua vida, com a contrapartida de continuar transmitindo para as novas gerações o seu conhecimento. É a garantia da preservação da nossa história, assegurando a nossa sergipanidade. E para mim, como autor do projeto lá atrás, a alegria é ainda maior”, pontuou.

O presidente da Funcap, Gustavo Paixão, também esteve presente e reforçou a necessidade de cuidar das referências da cultura sergipana. “A cultura de Sergipe é algo indescritível. Nosso estado é muito plural, e estamos aqui para celebrar isso. O prêmio nada mais é que uma valorização a pessoas que se doaram por uma vida em prol da nossa cultura, e ver esse brilho nos olhos de vocês é lindo e nos motiva”, completou.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade net

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Sergipe Encantador - Reprodução do Google

Praça da Bandeira, em Aracaju

Rio Sergipe, banhando a cidade de Aracaju

Torre do relógio, no Mercado, em Aracaju

Ponte Construtor João Alves sobre o rio Sergipe

Praça São Fracisco, em São Cristóvão


Orla Por do Sol, na região do Mosqueiro



Praia de Atalaia, em Aracaju
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sábado, 22 de fevereiro de 2025

'Dom Luciano Duarte na maçonaria', por José Lima Santana

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog, 
para ilustrar o presente artigo.

Artigo compartilhado do site CLICKSERGIPE, de 21 de fevereiro de 2025

Dom Luciano Duarte na maçonaria 

Por José Lima Santana*

Recentemente, o acadêmico e jornalista Luiz Eduardo Costa ofertou-me alguns exemplares do opúsculo “Um Discurso Para a História”, referente à palestra que Dom Luciano José Cabral Duarte proferiu na Loja Maçônica Cotinguiba, em 29 de maio de 1968, três anos após ter recebido o convite para tal. O opúsculo foi publicado pela EDISE, em 2021. 

O motivo do convite para palestrar na Maçonaria foi por conta de um artigo publicado pelo ainda padre Luciano Duarte na revista “Cruzada”, que tanta falta faz à nossa Arquidiocese, quando ele regressou da terceira Secção do Concílio Ecumênico Vaticano II. Era dezembro de 1964. 

No artigo, o padre Luciano Duarte “contava como durante a 3ª Sessão do Concílio os Bispos Mexicanos haviam levantado na aula conciliar esta pergunta: ‘Não será chegado o momento de reabrir o dossiê da questão entre a Igreja e a Maçonaria’”?

Uma questão por demais delicada, naquele tempo e ainda hoje. Mas, com a autorização do arcebispo Dom José Vicente Távora e, mais tarde, do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Sebastiano Baggio, Dom Luciano, já bispo auxiliar de Aracaju, pôde proferir a sua palestra para os maçons. 

O palestrante fez menção à encíclica Populorum Progressio (Sobre o Progresso dos Povos), do papa Paulo VI, uma encíclica que, na visão de Dom Luciano, não teria merecido a devida atenção das pessoas. Eis o que ele disse: “Com um traço de curiosidade na alma, esperei que este primeiro aniversário de um dos documentos mais sérios e mais importantes da humanidade dos últimos tempos encontrasse a repercussão que merecia, para minha surpresa e para minha tristeza, o que verifiquei foi o primeiro aniversário da Populorum Progressio decaindo no Brasil. Os homens se esqueceram deste documento, uns por indolência do espírito, outros, por desinteresse espiritual”. 

Deveras foi uma grande pena que a citada encíclica, publicada em 26 de março de 1967 e dedicada à cooperação entre os povos e ao problema dos países em desenvolvimento, não tivesse obtido a devida repercussão entre nós. Aliás, ao longo dos tempos, muitos documentos emanados da Santa Sé ou da CNBB não têm o alcance que deveriam ter na compreensão de bispos, padres, diáconos e leigos/as. Muitos até vociferam asneiras sobre certos documentos eclesiais, sem sequer os conhecer. 

Dom Luciano citou o 3º § da encíclica papal: “Hoje, o fenômeno importante de que cada um de nós deve tomar consciência é o fato da universalidade da questão social. Os povos da fome dirigem-se hoje de modo dramático aos povos da opulência. A Igreja estremece diante dos diferentes gritos de angústia, e convida a cada um para responder com amor ao apelo do seu irmão. Este é o fato mais grave, mais trágico da hora presente, o fato de que a questão social se tornou universal. Internacional, ela envolve a humanidade inteira”. 

Em sua preleção, Dom Luciano refere-se aos dois blocos políticos/econômicos nos quais o mundo se dividiu, o Ocidental, liderado pelos Estados Unidos, e o Socialista, liderado pela União Soviética. Diz que o papa Paulo VI, não sendo economista, nem estrategista, nem estadista, é “um perito em humanidade”. Portanto, a sua palavra é a de quem conhece as agruras das pessoas, especialmente daquelas mais afetadas pela miséria terceiro-mundista. Dom Luciano fala da evolução tecnológica a serviço dos seres humanos: “A técnica permitiu que o mundo dos subdesenvolvidos confrontasse a miséria com o mundo dos desenvolvidos”. Aquele, situado no hemisfério Sul, e este, no hemisfério Norte. 

Há uma passagem do discurso que merece especial atenção, sobretudo porque Dom Luciano era visto como conservador, contrário, duramente contrário, ao socialismo de origem marxista. Eis, para a surpresa de muitos: “É particularmente significativo ver isso, que estes grandes líderes dos países em revolução, dos países que escolheram o caminho da violência para acabar com injustiças que os sufocavam. Possível citar dois nomes: Chu-En-Lai [companheiro de luta de Mao-Tsé-Tung, na China], antigo estudante da Sorbonne-Paris. Ho-Chi-Minh é um vietnamita que passa em Paris vários anos, que trabalha como garçom em restaurante para poder estudar. São estes homens que, no confronto da miséria a que está submetido o seu corpo, com a opulência destes povos que eles visitam esporadicamente, sentem nascer no seu coração a revolta, e esta revolta que neles desabrocha é apenas o símbolo da revolta que desabrocha hoje em toda esta imensa massa do terceiro mundo, que diante do confronto melancólico da miséria e do seu sofrimento, da sua opressão, do seu submundo, com a condição do desenvolvimento dos outros, parte em protesto, e todo o protesto se baseia nesta frase dita com todas as palavras, ou apenas sentida no âmago do coração: ‘Não, não aceitamos tais coisas, porque nós também somos homens’. E esta redução ao fundamento do sentimento revolucionário não é minha, mas do filósofo ateu Jean Paul Sartre”. 

Para quem critica Dom Luciano por suas posições conservadoras, não dá para acreditar que tais palavras poderiam ter vindo dele. Mas, vieram. Com o passar do tempo, o arcebispo de Aracaju foi se tornado cada vez mais conservador, notadamente no que tange às suas posições contra a teologia da libertação e situações teológicas e/ou políticas afins. Ao seu modo, todavia, tinha uma determinada visão sobre as realidades sociais.

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*Padre (Paróquia Santa Dulce dos Pobres – Aruana - Aracaju), advogado, professor da UFS, membro da ASL, 

Texto reproduzido do site: www clicksergipe com br

O ‘médico mais jovem do Brasil’

Publicação compartilhada do site G1 GLOBO SE, de 22 de fevereiro de 2025

10 anos depois, veja como está o sergipano que surpreendeu ao passar em medicina aos 14 anos

O ‘médico mais jovem do Brasil’, como ele se apresenta nas redes sociais, contou que, em março deste ano, vai finalizar a residência médica em ginecologia e obstetrícia, e pretende inaugurar um Centro Médico na cidade onde nasceu.

Por Antônio Cardoso

José Victor Teles se apresenta nas redes sociais como o 'médico mais jovem do Brasil' 

Há 10 anos, o sergipano José Victor Menezes Teles surpreendeu o país ao conseguir a aprovação no curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS) aos 14 anos. Uma década depois, ele relembrou os desafios e contou ao g1 sobre os novos passos na carreira.

Victor disse que, para poder cursar, houve um obstáculo legal: ele ainda não havia finalizado o ensino médio. Mesmo sendo aprovado em sétimo lugar, o adolescente à época, precisava do certificado de conclusão do ensino regular.

"As pessoas geralmente acham que entramos na justiça pedindo para ingressar na universidade, mas na verdade a UFS nunca barrou, ela apenas pede a conclusão do ensino médio. Então entramos na justiça pedindo para realizar provas de proficiência para concluir o ensino médio, similar a um supletivo"

Para garantir esse documento, o próprio jovem aos 14 anos redigiu o pedido ao secretário de Estado da Educação de Sergipe para conclusão do ensino médio, que foi negado. "Quando foi indeferido entramos na Justiça, e o juiz autorizou a realização das provas, fiz 13 exames, incluindo uma redação, e consegui a aprovação", disse.

Após o breve embate judicial, ele começou o curso, mas, no ano seguinte, em 2016, o adolescente realizou o Enem pela segunda vez e novamente foi aprovado, dessa vez, em segundo lugar. "Para provar que não foi sorte", brincou o médico.

Mesmo sendo muito jovem ao ingressar no curso, o fim da graduação também foi antecipado em 2021. Durante a pandemia, antes mesmo da formação, ele prestou mais de 700 horas de auxílio na linha de frente do combate à doença e foi beneficiado por uma portaria do governo federal com a antecipação da formatura junto com outros 143 novos médicos da UFS, durante a pandemia da Covid-19.

O '"médico mais jovem do Brasil", como ele se apresenta nas redes sociais, vai finalizar, em março deste ano, a residência médica em ginecologia e obstetrícia, área que ele escolheu após ter trabalhado efetivamente nela durante a pandemia da Covid-19, logo após se formar.

“Justamente após tantas perdas durante a pandemia que decidi seguir para a ginecologia e obstetrícia. É de encher o coração de alegria poder atuar diretamente com o cuidado na geração de novas vidas”, afirmou.

Além disso, Victor afirmou que pretende inaugurar em breve um Centro Médico na região Agreste de Sergipe onde vai atuar com a noiva, a também médica obstetra Catarina Fagundes.

“Eu a conheci durante um módulo da residência [...] passávamos todos os dias juntos. Estamos na mesma área e somos uma dupla. Fazemos cursos juntos, operamos juntos e também damos plantão em dupla”, disse.

Victor é natural de Itabaiana, cidade com cerca de 100 mil habitantes, que fica na Região Agreste do estado, distante cerca de 55 km de Aracaju. Em 2015, a cidade vibrou com a aprovação do adolescente e até hoje os moradores demonstram carinho, o que ele sempre tenta retribuir de alguma forma. Segundo ele, pouco mais de 200 itabaianenses já vieram ao mundo com o seu trabalho.

“Morei minha vida inteira em Itabaiana e, desde o primeiro dia de formado, trabalho aqui. No momento, atuo na maternidade São José realizando partos, muitos desses de pessoas conhecidas e, a título de curiosidade, anoto e registro o nome, data e hora de todos os nascimentos que acontecem comigo”, confidenciou.

É em Itabaiana que a família de Victor vive até hoje; a mãe e o pai, que são professores, têm outros três filhos mais jovens e que já foram influenciados pela história de sucesso do irmão e por vivenciarem o dia a dia dele, mas o jovem médico relata que incentiva para que cada um siga o próprio caminho.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1 globo com/se