sexta-feira, 29 de maio de 2026

Lançamento do documentário sobre o 'Folha da Praia'

No Instagram, perfil do documentário segue
 fazendo e contando histórias

Alex Nascimento: Folha da Praia “desencaretou” Aracaju

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 27 de maio de 2026

Tirando a memória sergipana do abismo, Alex Nascimento lança nesta quinta documentário sobre o Folha da Praia

Sergipe tem tradição em morte. Não em mortes humanas e corporais propriamente ditas, mas morte de memórias, de culturas e de trechos históricos que formaram e formam a identidade sergipana. Uma rápida passada no Centro de Aracaju basta para comprovar a maldição do abandono de prédios históricos e de histórias que hoje se escondem nas esquinas aracajuanas atrás de frios outdoors e blocos de cimento.

Felizmente existem pessoas que lutam para recuperar um certo âmago da cultura sergipana. Uma delas é o jornalista Alex Nascimento, que resgata a trajetória da “nau dos insensatos” que foi o velho Folha da Praia, extinto jornal alternativo e que será tema do documentário do estreante sob o título “Folha da Praia - Um Pasquim Sob o Sol de Aracaju”.

O Projeto será lançado nesta quinta-feira, 28, no Memorial de Sergipe Professor Jouberto Uchôa, às 19h, numa sessão para 80 pessoas, mas a expansão posterior já está no radar. “O Folha da Praia marcou a imprensa sergipana pela ousadia, pela rebeldia, pela inovação na linguagem e no tipo de texto com muito humor, com muita ironia”, diz ele.

Em entrevista a Coluna Aparte, o diretor Alex Nascimento revela que a ideia inicial era a de um curta-metragem de 16 minutos, mas a riqueza de arquivos e de depoimentos foi tamanha que a história teve que crescer. E cresceu. “Em função da dinâmica adotada nas gravações, em que nós não estabelecemos limites para os entrevistados, fizemos quase 15 horas de captação de entrevistas, já pensando, de fato, em ter um acervo bacana de depoimento sobre o Folha da Praia. E decidimos entregar um produto que tem 73 minutos”, diz ele. Logo, um longa.

E tudo isso para falar sobre o categórico Folha da Praia, jornal que circulou nas ruas e praias de Aracaju entre os anos das da década de 1980 e de 1990 e teve como fundador o poeta Amaral Cavalcante. O semanário alternativo até hoje é lembrado – ou esquecido – pelo jeito irreverente de se comunicar num período onde a censura ainda estava para cair e “numa Aracaju extremamente conservadora e extremamente careta”, segundo o Alex Nascimento, abusando dos adjetivos.

Além do desafio de qualificar e organizar o acervo, o filme mais que triplicou de tamanho e seguiu com o orçamento inicial de R$ 100 mil, o que rendeu um verdadeiro trabalho à equipe já reduzida da produção. Auxiliados pela Lei Federal Paulo Gustavo e pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê – Funcap -, com o edital Tarcísio Duarte, o roteiro saiu do papel e virou uma gama de depoimentos e histórias que enchem os olhos. “Para produzir um longa-metragem, hoje é uma média de R$ 500 mil a R$ 1 milhão numa base mínima. Então, nós fizemos malabarismo com o recurso”, explica o diretor.

A SAÍDA DO PAPEL - Como se sair de 16 para 76 minutos já não fosse trabalho o suficiente, Alex Nascimento revela que a parte mais delicada dessa empreitada foi o processo de pesquisa após a concessão dos arquivos do Folha da Praia pelo herdeiro dos espólios de Amaral Cavalcante.

“Foram duas caixas gigantescas de jornais e esse trabalho de pesquisa durou uns quatro, cinco meses, e mais todo o trabalho de pesquisa que foi necessário ser feito durante o trabalho da edição”, diz o diretor. Na produção, ele ainda buscou a estética do extinto jornal, fato que conta com orgulho.

“O documentário traz a linguagem do Folha da Praia, traz a estética, traz a paleta de cores do Folha da Praia. Ele é composto com muito material de acervo. Então, às vezes, uma frase de um entrevistado ou outra me fazia voltar ao trabalho de pesquisa”, relata.

UMA NAVE DE LOUCOS - “Seria improvável a existência do Folha da Praia sem a mente de Amaral Cavalcante. Amaral era o grande comandante de uma nave cheia de malucos, mas também com a presença de muitos formadores de opinião, de muitos intelectuais, tudo quanto é de artista, de escritor, de intelectual, passou de alguma maneira pelo Folha da Praia”, diz Alex Nascimento.

À Coluna Aparte, o diretor não cansou de elogiar o legado do extinto semanário e as grandes figuras profissionais que dali saíram. “Tinha uma rapaziada muito criativa, muito ousada. Luciano Correia, que é extraordinário, tínhamos a figura brilhante, gigantesca, que fez história no audiovisual e na literatura, na arte sergipana, como a jornalista Ilma Fontes. Você tem, ainda, uma figura histórica, que também foi uma alma, talvez, do Folha da Praia, que foi o jornalista Fernando Sávio, entre tantos outros que formaram aquela casa”, diz ele.

LANÇAMENTO. E DEPOIS? - Resgatar as histórias esquecidas nos tempos atuais requer muito mais que a tela grande – que já é muita coisa. Requer também traquejo para alcançar as telas da internet. Por isso o diretor foi além e lançou o perfil @folhadapraiadoc nas redes socais e já publicou conteúdos descobertos recentemente e que não entraram no longa-metragem. Exclusividade na palma da mão.

“Nós estamos aproveitando para aproximar, através das redes sociais, o Folha da Praia, de alguma maneira, dessa nova geração, dessa linguagem da internet, dessa linguagem das redes sociais. O perfil foi criado há mais ou menos 20 dias e nós temos quase 50 mil visualizações, o que é muito bacana. E a proposta é que mesmo após o lançamento a gente continue. A ideia é essa, se eu vou conseguir são outros 500”, diz Alex Nascimento.

Festivais, prêmios e mostras também estão no radar do documentário. Segundo o diretor, até a cidade natal do fundador será contemplada com esse resgate. “Primeiro ele vai ser exibido no mês que vem através da TV Alese. Há um diálogo também já com a TV Aperipê. A ideia é circular com esse documentário também pelas universidades sergipanas. Eu vou fazer o lançamento também em Simão Dias, onde Amaral Cavalcante nasceu, para que a população conheça a história”, diz ele.

“E claro, a gente vai inscrever em festivais, escrever em amostras, ou seja, circular. Depois ele entra em streamings, mas isso só depois que ele circular um bocado. Já, há inclusive, convite de streaming interessados em documentários e vamos sim divulgar ainda mais a história desse jornal que ajudou a renovar a linguagem da imprensa sergipana e desencaretar, digamos assim, um pouco, a cidade de Aracaju”, finaliza Alex Nascimento.

Texto e imagens reproduzidos do site: jlpolitica com br

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