quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os seis filhos de João Augusto de Freitas Garcez

Os seis filhos de João Augusto de Freitas Garcez 

JOÃO SOBRAL GARCEZ, JOSÉ SOBRAL GARCEZ, SILVIO SOBRAL GARCEZ, FRANCISCO SOBRAL GARCEZ, CELSO SOBRAL GARCEZ E ALVARO SOBRAL GARCEZ.

Foto reproduzida do Blog: itaporangasergipe.blogspot.com.br

De Edésio Garcez Sobral Junior

João Augusto de Freitas Garcez


JOÃO AUGUSTO DE FREITAS GARCEZ UM DOS PRIMEIROS DONOS DA F. CAMAÇARI

"A ESCRITURA DATADA 1893/1897, A FAZENDA CAMAÇARI já pertencia a João Augusto de Freitas Garcez, casado com Josephina Sobral Garcez, genitores de João Sobral Garcez casado com Alzira Rolemberg Garcez, genitores do ex-Governador Arnaldo Rolemberg Garcez; Sílvio Sobral Garcez do Engenho Dira, casado com Carolina Sobral Garcez (Zazá), genitores do Escritor José Augusto Garcez e de Maria Augusta Garcez que convolou núpcias , continuando com José Sobral Garcez, casado com Beatriz Sobral Garcez, conhecida por Pombinha, pais de Antonio Francisco Sobral Garcez e mais quatro irmãos, Francisco Sobral Garcez, Celso Sobral Garcez mais outro irmão". (EGSJ)

Foto e texto reproduzidos do Blog: itaporangasergipe.blogspot.com.br

De Edésio Garcez Sobral Junior

sábado, 24 de agosto de 2013

Benedito Santos (Benedito Letrado)

Benedito Santos (Benedito Letrado)

Nasceu em Aracaju-SE em 12 de fevereiro de 1961. Foi enfermeiro do Hospital Cirurgia, em Aracaju-SE, deixando a profissão para viver do teatro. Realizou sua primeira performance na década de oitenta encenando a peça “Atrás dos bastidores” no Teatro Atheneu Sergipense. Participou de vários espetáculos de variedades e cortejos de ruas com o grupo Imbuaça. Depois de realizar um curso de mímica, se apresentou com a técnica nos Festivais de Arte de São Cristóvão e Laranjeiras, ambos em Sergipe. Trabalhou por muitos anos em circos como O Grande Circo Popular de Marcos Frota, realizando performances. Além disso fez vários comerciais, desfiles de moda e lançamentos de produtos famosos na década de oitenta. Se apresentou no Festival Internacional Very Special Arts e também para seis mil operários durante a construção da usina de Xingó-SE. É considerado como um dos precursores do movimento punk e do transformismo em Aracaju-SE, dado ao seu estilo ousado e exótico. Juntamente com Téo Leão, Hélio Santos e Décio Carlos, criou a Companhia dos Quatro (C&A dos 4), realizando apresentações performáticas e teatrais. Sua performance se caracteriza pelo teor caricato e satírico com o qual compõe seus personagens, em sua maioria voltados para o universo feminino. Ganhou diversos prêmios como o troféu Scarpin de Ouro na Bahia. Além de performista, é fotógrafo e artista plástico, expondo seus trabalhos em individuais e coletivas. Obra que representa sua produção: Maria Feliciana, 2002; fotografia, Pratika, f 5.6, ASA 100; 20x30cm; Aracaju.

Foto e texto reproduzidos do site: itabi.infonet.com.br

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Juventude e tradição dividem espaço no folclore sergipano.


Agosto/2012.

Juventude e tradição dividem espaço no folclore sergipano.
Por Carla Sousa, da Ascom/Secult

O grupo das Caceteiras é uma manifestação folclórica única em Sergipe que já conquistou seguidores das novas gerações.

Aos cinco anos de idade, Maria Clara Santos da Luz já mostra que tem energia e compasso para a brincadeira. A pequena é uma das mais animadas integrantes do grupo das Caceteiras de Rindu, do município de São Cristóvão. A manifestação folclórica única em Sergipe já conquistou seguidores das novas gerações, a exemplo de Clara, e com isso vem garantindo a preservação do grupo e das tradições folclóricas do Estado.

Essa é a grande preocupação de José Gonçalo Oliveira, o ‘Seu Rindu’, que aos 72 anos comanda o grupo com a energia de um menino. “Ainda estou com todo gás para brincar”, afirma. No entanto, ele sabe que um dia esse gás acaba e para não ver sua brincadeira morrer, ele tem incentivado a participação de jovens e crianças no grupo. Ele e sua esposa, Dona Maria Acácia, estão empenhados em formar o grupo mirim das Caceteiras.

“Vou montar o grupo das meninas para quando as velhas não aguentarem mais já vamos ter outro grupo formado. Por mim a cultura nunca vai acabar. Eu tenho muito gosto pelo que faço”, destaca o mestre. Rindu conta que começou a brincar aos oito anos de idade. “Eu via meus pais, avós, tias todo mundo indo brincar e pedia pra ir também. Se não me levassem eu começava a chorar”, relembra.

José George dos Santos, 12 anos, é neto do Seu Rindu e vem seguindo os passos do avô. O pequeno comanda o tambor das Caceteiras, do Samba de Coco e do Reisado de São Cristóvão. Ele conta que desde pequeno ia para os ensaios e apresentações dos grupos e naturalmente aprendeu a tocar. “Eu gosto muito. Meus amigos ficam rindo de mim, mas eu não ligo. Faço porque gosto”, afirma o pequeno tocador que não perde o ritmo um só segundo.
Assim como ele, o Seu Milton Bispo, 59 anos, também começou cedo a sua trajetória no folclore e sabe a importância de inserir os mais jovens nos grupos, que hoje são formados em sua maioria por idosos. “Nós temos que colocar essa nova geração para brincar também. Só da minha família tem cinco pessoas, minha esposa filhos e netos”, ressalta o pai da pequena Clara.

A cultura não pode morrer

Hoje, as crianças e os jovens integram a maioria dos grupos. Ao lado dos mais velhos, eles compartilham o mesmo encantamento e a mesma história dentro da cultura popular. O tamanho não os diferencia dos adultos ou idosos dos grupos. A diferença de geração só torna a brincadeira ainda mais bonita e mostra como o Folclore é uma manifestação que encanta diferentes gerações, que se unem para não deixar morrer a tradição.

“Essas crianças crescem vivenciando o folclore no seu dia a dia, no seio da família. Para elas é muito natural, elas dançam porque gostam e dançam com muita desenvoltura e empolgação. Toda criança tem no pai a figura de um herói e acompanhar o que eles fazem e reproduzir, é uma satisfação muito grande para elas”, explica a assessora cultural da Secult, Maurelina Santos, que trabalha há 27 com os grupos folclóricos do Estado.

Segundo a historiadora e folclorista Aglaé Fontes de Alencar, é ótimo quando surgem grupos formados também por crianças. “Acho bom que as crianças tenham esse interesse porque quando o mestre morre é muito difícil conseguir outro para substituí-lo.

No entanto, Aglaé afirma que esses líderes precisam estar abertos para receber os mais jovens no grupo. Para Rindu, essa tarefa não é nada fácil, mas o retorno é gratificante. “Dá um pouco de trabalho, mas vale à pena. Amanhã ou depois esses meninos vão saber as cantigas, as danças, e não vão deixar a tradição morrer”, destaca Seu Rindu.

Fotos: Denisson Alves/Secult.

Imagens e texto reproduzidos do site: agencia.se.gov.br

Folclore: o mundo em Sergipe, na boca do povo


Folclore: o mundo em Sergipe, na boca do povo.
Por Luiz Antônio Barreto.

O Folclore – sabedoria popular, manifestação genuína, colegiada, dinâmica e expressiva do povo -, faz a ponte do presente com o passado, guardando na memória social os repertórios marcantes do mundo, com os quais mantém valores importantes utilizados na formação dos povos novos, como aconteceu com as Américas e com o Brasil. Cada fato folclórico tem sua origem emblemática, simbólica, nem sempre precisa em termos geográficos, mas sempre válida como lúdica na vida do povo.

A história humana carrega a marca do folclore, ainda que o termo e o que ele representa entrassem em uso muito mais tarde, no século XIX, quando surgiram as primeiras sistematizações de pesquisas e interpretações dos fatos culturais ligados ao povo. Antes circularam na Europa algumas antologias de poesias tradicionais. A partir da difusão do termo Folclore e de sua incorporação no bojo dos ideais românticos tiveram início as pesquisas, em várias partes do mundo, recolhendo os fragmentos mais antigos da criação popular.

Vários povos, no entanto, tinham repertórios próprios, transmitidos em velhos códices copiados a mão, onde enfeixavam textos nacionais, heroicos, verdadeiros guias do brio e da honra dos seus usuários. Era comum aos povos catalogar as suas aventuras para que servissem à educação das crianças e dos jovens e de exortação aos governantes, pela clareza dos exemplos. Assim surgiram as grandes coleções de estórias, como o Panchatranta, escrito em sânscrito, entre o séculos IV e VI, ou coleções de poemas, como Os Vedas. O Mahabharata, o Ramaiana, que parecem confirmar o uso das antiguidades como princípios pedagógicos, realimentadores da sobrevivência.

Talvez mesmo por conta desse traçado histórico Splengler não tenha feito dos homens e nem dos povos, mas da cultura destes, a protagonista da história, como se bastasse dizer: Era uma vez... A oralidade tem, portanto, um vínculo completo com o passado dos povos e funciona para manter a tradição. Foi com ela que os povos criaram ou prolongaram a vida das orações e dos cantos, para a exaltação das forças divinas, do mesmo jeito que glorificaram as façanhas famosas do passado.

É certo que a escrita alongou o campo da memória, fazendo recircular os repertórios, mas ainda hoje a oralidade cumpre papel essencial, com o qual alimenta e realimenta as bases da sobrevivência dos povos e das sociedades. Não é tarefa fácil separar, pela medida da importância, o oral e o escrito na história dos povos, nem de suas culturas, notadamente os povos novos, como o brasileiro. O domínio da escrita não impõe e nem significa uma ruptura definitiva e completa com o passado da pessoa, a tradição herdada, o contexto social, nem com o conhecimento oral.

A cultura dos povos anteriores ao Novo Mundo tem um marco divisor no longo período, do século IX ao século XV, denominado de Idade Média, cobrindo a monarquia de Carlos Magno, Rei de França, até as descobertas marítimas que deram a Espanha e a Portugal uma glória nova, que trocou a imaginação pela ação. Um bom exemplo é a preservação da imagem de Carlos Magno, como monarca e como guia espiritual da Europa, morto em 814, num livro intitulado História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, que apareceu aproximadamente em 1485. Com este exemplo se pode projetar a vigência cronológica da Idade Média, como síntese da expansão dos domínios da cristandade.

Sem precisar recorrer a outra referência, que não a de Carlos Magno, se pode identificar o entranhamento, nas culturas dos povos novos, de toda a atmosfera medieval, que inspirou o Império Carolíngio nas suas cruzadas em favor do Cristianismo. Isto porque a essencialidade dos repertórios literários da Idade Média pode ser resumida na sobrevivência de temas históricos, lendários e heroicos, na exaltação dos valores morais, sociais e religiosos, e na profunda inspiração cristã.

Os repertórios novos, é bom que fique logo claro, foram “colados” por cima de todo o acervo indígena, múltiplo e variado, e africano, igualmente dotado de variedades, sendo ambos eminentemente orais. Foi, enfim, pela força do Império de Carlos Magno que os poemas, cantigas, estórias, fábulas, que pertenceram a povos mortos da história, chegaram ao Novo Mundo, ao Brasil e a Sergipe.

De igual modo, a Idade Média projetou seu engenho cultural no renascimento – época da descoberta da América e do Brasil – tingindo com as cores dos estandartes cristãos toda a arte e toda a cultura dos povos descobertos e conquistados. Neste sentido, a Idade Média não cobre apenas seis séculos da cronologia histórica que a destaca, mas recua a tempos imemoriais para colher a memória do passado, e ainda avança no tempo futuro para legar uma herança que vive, sempre, pela boca do povo.

Não bastasse o exemplo do livro A História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, que chegou ao Brasil em 1728, em 1ª edição portuguesa, traduzida do espanhol por Jerônimo Moreira de Carvalho, e que na opinião de Luiz da Câmara Cascudo se tornou um dos livros mais lidos no Brasil e um dos cinco livros do povo. E se teria Roldão, forma espanholada e abrasileirada de Roland, personagem principal de uma canção de gesta do ano 1070, sobre a emboscada sofrida pelo rei franco, no desfiladeiro de Roncesvales, pelos bascos, em 778. Roldão está em dezenas de folhetos de cordel, nos versos recitados durante a corrida das argolas, nas Cavalhadas, como está também na rica iconografia das xilogravuras, correndo mundo.

Estão igualmente na boca do povo, na literatura de cordel, nas estórias e romances, nomes como Roberto da Normandia, personagem da primeira das cruzadas, ainda no século XI. Muitos outros heróis da utopia de Carlos Magno de estabelecer um Estado Teocrático na França, unificando a Europa pelo Cristianismo. Idéia muito próxima de um modelo cristianizador ibérico, posto em prática no Novo Mundo pelas coroas de Espanha e Portugal, com a participação qualificada da Companhia de Jesus.

Mais do que personagens da literatura oral sobreviveram os gêneros, depositários de todo o espectro repertorial da humanidade antiga. São os adágios, os aforismos, os apólogos, as apotegmas, os axiomas, os dísticos, os enigmas, epigramas, as epopéias, as fábulas, as cantigas, as coplas, as canções de gestas, as lendas, os provérbios, as saetas, as sagas, as sentenças, os romances, as xácaras, as estórias que troveiros, jograis, goliardos, clérigos cultuaram no curso da vida e da história, como manifestação estética e moral de suas próprias realidades.

A descoberta do Brasil coincide, cronologicamente, com a travessia entre o oral e o escrito, o códice e o livro. Além da palavra dos predicantes, com o todo o repertório transformado em arsenal de combate – a guerra santa – o Brasil contou na sua colonização com diversos outros instrumentos de cultura, notadamente literários e artísticos, como coleções de contos, a começar pelos Contos e Histórias de Proveito e Exemplo, de Gonçalo Fernandes Trancoso, de 1575, que praticamente deu nome a todas as estórias populares no País. Contou com as coplas pastoris, que cantam o nascimento de Jesus, com autos populares, como o Reisado, dos dois cordões – o azul e o encarnado -, e como a Chegança, que retrata a luta entre cristãos e mouros, com a nau da cristandade abordando o quartel da mourama, com embaixadas e lutas que visam submeter os árabes ao Catolicismo, com o batismo que significa a vitória cristã.

Durante a dependência formal a Portugal, o Brasil conviveu com a fantasia dos repertórios antigos, medievais, que transplantavam reinos e cortes, fidalgos e vassalos, como uma lúdica a aplacar o fadário da ocupação e da colonização da terra. A diversidade dos repertórios fez de cada brasileiro um ser do mundo, de cada palavra uma chave universal de contato, de cada estória, de cada verso ou cantiga, de cada dito ou romance fez uma senha de entrada, ou de regresso ao mundo velho da história humana.

Nem mesmo a presença imensa de gente indígena, nas praias e florestas, com seu ritos, seus deuses, seus meios próprios de distinguir nas plantas o remédio que cura, o veneno que mata, alterou o plano colonizador, com seu mundo de cultura. Aos poucos, pelas fazendas e engenhos, foram mescladas e incorporadas ao imaginário, as contribuições das diversas nações autóctones, aumentando muito mais o volume das coisas intangíveis, ao lado da produção material, dos artefatos, e de hábitos que distinguiam o viver local.

A sobrevivência dos índios, em vários pontos do país, não garantiu a sobrevivência de sua cultura, íntegra como a registra Gabriel Soares de Souza, em 1587, no primeiro contato branco, no Tratado Descritivo da Terra do Brasil. Os índios do norte não guardam maiores semelhanças com as nações que sobreviveram no nordeste, como os Xocó da ilha de São Pedro, em Porto da Folha, no sertão sanfranciscano de Sergipe.

O imenso universo de crenças, de mitos, de saberes e de fazeres indígenas, de música e de dança, não compõem, ainda hoje, um repertório ordenado que pudesse atestar a existência histórica e moral de milhões de pessoas da natureza, com suas sociedades típicas, e da cultura dos primeiros tempos do Brasil.

A presença dos negros africanos, arrancados à força como bestas de carga para o trabalho escravo, também foi ignorada no plano plural da cultura. Não porque faltasse ao convívio colonial a contribuição negra, clara e permitida ou oculta e proibida. O que faltou foi a visão geral da criação negra, a ancestralidade antiga, os mitos e ritos, as produções materiais, a herança mítica da terra berço, onde parece que a humanidade deu os seus primeiros passos.

Os negros foram reduzidos pela força e pela catequese ao estado jurídico e cultural de coisas, reconhecido pelo preço que custava aos seus donos, ou pelos sinais anatômicos da raça. Portadores de expressões culturais proibidas, simularam, no sincretismo possível, a sobrevivência. O Brasil foi, num certo sentido, um laboratório de raças e de culturas. Produziu o mestiço, dando-lhe uma feição universal, mas não conseguiu consagrar a igualdade social, nem mesmo eliminar as discriminações da cidadania desigual.

Evidentemente que personagens vencidos nas insurgências da história deixaram nome e fama na memória do povo. Antonio Mendes Maciel, o Bom Jesus Conselheiro, Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampeão, rasgaram com suas alparcatas as trilhas espinhosas das caatingas sertanejas, com seus seguidores, perdidos do tempo e da marcha do País. O Belo Monte Santo do sertão da Bahia tornou-se um cenário das mais emocionadas refregas, onde homens e mulheres simples, tomados de uma ira santa, enfrentaram armas e Poder, com o pensamento fixo no paraíso.

Poucas vezes no curso da história humana um pedaço do povo sonhou tão alto a utopia da felicidade, da fartura, da salvação, quase como a repetir o gesto audaz do jovem Rei Dom D. Sebastião, que tombou sem vida, no Marrocos, emprestando na sua espada a coragem da luta pela vitória do cristianismo contra os infiéis. Poucas vezes um pedaço do corpo social brasileiro sofreu tanto a adversidade da história, sob o terror dos dominadores. A página de Canudos se insere na história do Brasil como um retrato da tragédia dos fracos, como a saga dos cangaceiros reflete a ousada rebeldia dos sem - terra, constituídos em força ilegal, no desafio provocador ao Poder.

Mortos, com as cabeças decepadas, os homens e as mulheres do Cangaço deram entrada, no panteão da história, como personagens das estórias, cantigas, rezas e fatos que passaram a ser, nas noites solidárias do Nordeste, os assuntos preferenciais do povo. O tempo não injuriou, ainda, Conselheiro, nem trapaceou com Lampeão. Mas, ao contrário, quanto mais passa, mais o tempo deixa um rastro antigo dessas pessoas, na memória social do Brasil. Conselheiro construiu igrejas e cemitérios em cidades e povoados sergipanos e Lampeão andou e morreu em Sergipe, deixando aqui sua filha, Expedita, para sobreviver, constituir família e ser uma lembrança viva do seu tempo.

Fonte: Serigy - A história de um povo

Foto e texto reproduzidos do blog: tribunadapraiaonline.com

Quem foi Professora Núbia Marques?

Foto reproduzida do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

Quem foi Professora Núbia Marques?

Professora Núbia Nascimento Marques nasceu na cidade de Aracaju em 21.12.1927 e faleceu em 26.08.1999. Cursou o primário no Colégio Menino Jesus, o Ginásio e o Clássico no Colégio Atheneu Sergipense, onde integrou a Arcádia Literária Estudantil. Graduou-se em Serviço Social e era Mestra pela PUC de São Paulo. Ensinou o 1º e o 2º graus, além disso, foi professora da Universidade Federal de Sergipe. Geriu o Departamento de Cultura e Patrimônio Histórico e presidiu a Fundese.
Atuava nos estudos de comunidades, de mulheres trabalhadoras e da igualdade de gênero. Foi exemplo de força através da realização de denúncias e organização de movimentos pela Anistia em Sergipe na época da Ditadura Militar.
Sempre foi independente em suas ações, complementando suas obras com traços modernos e desafiadores. Poeta e romancista, Núbia foi a primeira mulher a fazer parte da Academia Sergipana de Letras. Atualmente permanece entre os grandes destaques da nossa literatura, o que demonstra a atuação da mulher brasileira no campo das letras. Feminista, emprestou toda sua rebeldia as obras, nas quais fica evidente a sua indignação diante das injustiças praticadas na sociedade.
Sempre com um toque de artista, dedicou-se à pintura e ao desenho. Em 1948 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde frequentou a Sociedade Brasileira de Artes Plásticas. Logo após o seu casamento regressou a Sergipe. Foi autora de várias obras, dentre elas: “Dente na Pele”, Berço de Angústias, O Passo de Estefânia, O sonho e a Sina. Para comemorar seus setenta anos de existência e o quadragésimo ano de imersão no universo literário que a transbordava e que a cercava, Núbia lançou em 1997 Caminhos e Atalhos. O livro Do Campo à Metrópole foi lançado postumamente em 1º de setembro com o apoio da empresa G. Barbosa e pela família da autora.

Texto Reproduzido do Blog: abrigonubia.blogspot.com.br

Foto: Marinho Neto

O Crime de Fausto Cardoso


O Crime de Fausto Cardoso (*)
Por Acrísio Torres

Fausto Cardoso era um espírito singular, de extremos. Passava da arrogância desmedida, em provocar lutas, à doçura da clemência, em conceder perdões; do silêncio do gabinete, onde era filósofo, lançava-se ao tumulto da praça pública, onde era revolucionário. Pontificou em vários pontos da ciência. Escreveu obras notáveis. No Cosmos, sonhou com a hegemonia do direito, na Taxeonomia Social, desvendou o âmago da história, em Lei e Arbítrio, pregou a ditadura no próprio seio do congresso nacional. No jornalismo, sua pena foi o estilete dos tiranos. Tomou de “assalto” todas as tribunas, a acadêmica, a judiciária, a dos comícios, a parlamentar, nas quais empolgava, concentrava as atenções, as aclamações, os aplausos. Era o tribuno invejado, invejável.

Foi assim Fausto Cardoso. Filósofo, historiador, jornalista, tribuno, poeta, revolucionário. Raro na sua originalidade. Tocado pelo gênio, tal era o vigor e arrojo de seus vôos, só impedidos mesmo por uma bala de carabina. Esse herói carlyliano, nascido em Divina Pastora, em 1864, estava destinado a sucumbir numa tragédia política que sensibilizou o estado, a nação. Tudo ocorreu em 1906, em 28 de agosto, devido a um conflito de mentalidades políticas.Culminava um grave conflito ideológico, na época. Fausto Cardoso, de um lado, encarnava o pensamento liberal, o espírito revolucionário, e, Olímpio Campos, de outro, o ideal conservador, contra-revolucionário, interessado na ordem estabelecida.

Fausto Cardoso, deputado federal, chefia a revolta progressista, com o apoio da força policial. Guilherme Campos, presidente do estado, irmão de Olímpio Campos, é deposto. Não lhe restava senão pedir a intervenção federal, assegurada no artigo seis da constituição de 1891, a primeira republicana. Rodrigues Alves, presidente da república, autorizado pelo congresso nacional, ordenou ao general Firmino Lopes Rego, comandante do primeiro distrito militar, repor no poder o governo legal. Era 28 de agosto de 1906. Gumercindo Bessa, dos amigos que em vão tentaram demover Fausto Cardoso de reação, foi o último a deixar o palácio do governo. Chorava. Eram lágrimas prenunciadoras da tragédia.

Firmino Lopes, baldadas as tentativas de dissuadir Fausto, ordenou fosse evacuado o palácio do governo. Era soldado, cumpria ordens. Os soldados penetraram o palácio, no momento em que Fausto, sem medo, sem receio, como se sentisse que ia (ou devia?) morrer, gritou da escada: - “Atirem, bandidos!”. Um tiro foi disparado. Era o fim de Fausto. Melpômene triunfava sobre Calíope. Assim morreu Fausto Cardoso. Na verdade, uma morte trágica, ocorrida num lance de aventura, nunca antes ocorrido em Sergipe, que, certamente, nunca mais se repetirá, muito raro mesmo na história política da nação brasileira. Pesado luto caiu sobre Sergipe. Em todo o país, a imprensa lamentou o trágico sucesso. No Rio, A Tribuna dizia que Fausto “foi um organismo permanentemente em ebulição, uma alma de fogo, e o fogo que lavrava nela acabou por devorá-la”.

No império, na república, não há registro de caso de tamanha gravidade. Por isso, não deixa de ser estranho que, na comunicação ao congresso nacional, de que havia sido reposto o presidente de Sergipe, Rodrigues Alves não haja feito a menor referência à morte de Fausto. Dizia apenas “o que de mais ocorreu consta dos documentos anexos”.

(*) Do Livro “Cenas da Vida Sergipana, 2 – Acrísio Torres – SERGIPE/CRIMES POLÍTICOS, I”, Thesaurus Editora, prefácio de Orlando Dantas, páginas 13/14.

- Sobre a referência final, do presidente da república, Rodrigues Alves, o autor recomenda a leitura de “Fausto Cardoso e a Revolução de 1906”, de José Calasans.

Foto e texto reproduzidos do blog: clovisbarbosa.blogspot.com.br

De Clóvis Barbosa.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Aracaju, 2003

Aracaju, 2003.
Foto reproduzida do Blog: antoniogeografo.blogspot.com.br
Acervo de antonioSpS.

Aracaju, 1986

Aracaju, 1986.
Foto reproduzida do Blog: antoniogeografo.blogspot.com.br

Acervo de antonioSpS.