domingo, 12 de fevereiro de 2017

Perdemos Abrahão Crispim de Souza


Publicado originalmente no Facebook/Antônio Samarone, em 10/02/2017.

Perdemos Abrahão Crispim de Souza, neto de tia Zefinha. Um homem que fez de tudo pela cidadania. Em minha infância, quando Itabaiana era regida pelo Concílio de Trento, Abrahão aparecia com novidades laicas. Os bailes, as festas, as músicas, as danças tudo partia dele. Um exímio dançarino, um pé de valsa. Abrahão, com mais uma meia dúzia de gatos pingados, criou o Serrano, jornal livre e inteligente. O mesmo grupo fundou o MDB, quando as trevas da ditadura aprofundavam a escuridão de Itabaiana. Abrahão lançou uma anti candidatura a Prefeito de Itabaiana, com cento e poucos votos, enfrentado os tradicionais coronéis. Botou uma discoteca para levar os discos dos Beatles para a Serra. Foi um torcedor apaixonado do Tremendão da Serra, chegando uma vez a desafiar o temido Barreto Mota, chefe da polícia e cartola do Clube Sportivo Sergipe. Claro, entre os jovens de minha época tinha outros mais cultos, tinha até comunistas, mas ninguém superava Abrahão, no conjunto da luta.

Quando veio estudar em Aracaju, Abrahão não se aquietou, foi presidente do Centro Acadêmico Augusto Leite; Presidente do Sindicato dos Bancários, Vereador de Aracaju, com um mandato centrado na decência. Onde quer que houvesse uma manifestação de trabalhadores, lá estava Abrahão. Militou no PT (o antigo), na CUT, nas lutas sociais, sempre disposto. Foi meu dentista, não tenho o que falar, sempre resolveu meus problemas sem nada cobrar. Quando criamos a Academia Itabaianense de Letras, ninguém teve dúvida, nem um porém, um dos primeiros nomes convidados foi o de Abrahão. Eu e a minha geração devemos muito a ele, pelo exemplo. Itabaiana e Sergipe devem muito a Abrahão. Hoje a cidadania veste luto. Descanse em paz velho líder.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone.

Morre ex-vereador Abrahão Crispim em Aracaju

Foto: Arquivo Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 10/02/2017.

Morre ex-vereador Abrahão Crispim em Aracaju.

Familiares informam que o ex-parlamentar morreu dormindo.

Morreu nesta sexta-feira, 10, o ex-vereador de Aracaju Abrahão Crispim, que também teve forte atuação nos movimentos sociais e presidiu o Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe. Segundo nota divulgada pela família, o ex-parlamentar morreu dormindo. O velório será realizado a partir das 10h na Câmara de Vereadores de Aracaju.

Cirurgião dentista, Abrahão Crispim de Souza era bancário, professor, imortal na Academia Itabaianense de Letras e exerceu cargo de assessor parlamentar.

O ex-vereador foi diagnosticado com trombose e aneurisma na perna esquerda, arritmia cardíaca e um vírus no olho esquerdo em 2014. Naquele mesmo ano, o ex-parlamentar foi vítima de um acidente de trânsito após um mal súbito e foi submetido a algumas cirurgias.

Por Cássia Santana.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Edvaldo emite nota de pesar pela morte de Abrahão Crispim

Foto: Divulgação/AAN.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 10/02/2017.

Edvaldo emite nota de pesar pela morte de Abrahão Crispim.
Abrahão faleceu aos 69 anos enquanto dormia.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, emitiu nota de pesar lamentando a morte do ex-vereador e jornalista Abrahão Crispim de Souza. Político atuante no estado, Abrahão faleceu aos 69 anos enquanto dormia nesta sexta-feira, 10.

Além da trajetória dedicada à política, o ex-vereador era membro da Academia Itabaianense de Letras e teve relevante atuação no Jornalismo em Itabaiana, cidade onde nasceu.

"Comunico ao povo aracajuano minha tristeza pelo falecimento do jornalista, bancário, odontólogo e ex-vereador Abrahão Crispim de Souza, ocorrido nesta sexta-feira (10). Poucas pessoas tiveram atuação tão marcante em minha formação política como Abrahão. Quando, recém chegado ao curso de Medicina da UFS, fui recebido por ele nos corredores do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde com sua pregação em favor da redemocratização, da anistia ampla, geral e irrestrita e pela organização dos estudantes nas suas instâncias e entidades até então proibidas pela ditadura militar. Depois, ele estendeu sua participação política à reorganização dos sindicatos, liderando uma nova geração de sindicalistas que conferiram ao Sindicato dos Bancários de Sergipe um papel fundamental na luta pela em favor dos trabalhadores no estado. Seu papel de protagonista nos movimentos sociais o levou ainda ao Partido dos Trabalhadores, de cuja legenda foi um dos fundadores em Sergipe e pela qual exerceu um mandato de vereador em Aracaju. Na Câmara, foi um vereador propositivo, competente e fiscalizador do Executivo. Manteve-se do mesmo lado por toda a vida, com dignidade, sem abrir mão dos princípios que sempre pautaram sua vida, desde os tempos de juventude em Itabaiana, quando comandou o MDB local, inclusive se candidatando a prefeito numa época em que este simples gesto representava um corajoso desafio. Quero estender minha solidariedade fraterna aos seus filhos e à sua esposa e companheira Rossilar, enfermeira que também muito contribuiu com as conquistas sociais em nosso Estado. Certo de que sua perda nos deixa profundamente mais pobres, manifesto meu respeito e admiração por este grande homem público que fez da própria vida uma trajetória a serviço de um mundo mais justo, daqueles que Bertolt Brecht definiam como "imprescindíveis". Abrahão era imprescindível.".

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Cangaço em Sergipe

Arte de Eduardo Lima.

Publicado originalmente no blog Cariri Cangaço.

O Cangaço em Sergipe.
Por Carlos Brás*

O pequenino Sergipe, entre todos os estados pelos quais o flagelo do cangaço deixou suas marcas, tem lugar de destaque. Entramos definitivamente para a história do banditismo nacional, de forma excepcional e definitiva, no dia 28 de Julho de 1938, quando na gruta de Angicos, localizada no município de Poço Redondo, o tenente João Bezerra e sua volante, liquidou Virgulino Ferreira da Silva, o afamado Lampião, e parte de seus seguidores, interrompendo um reinado de quase 20 anos.

O fenômeno social cangaço teve como pano de fundo o sofrido sertão nordestino com sua temível caatinga, ambiente inóspito, pouco povoado, onde só os fortes sobrevivem. O Raso da Catarina, em território baiano, sintetiza toda a insalubridade e aridez dessa região do Brasil. Tempos medonhos aqueles, onde a presença do estado quase não se fazia notar com o domínio socioeconômico exercido por poderosos coronéis, proprietários de imensos latifúndios, soberanos da terra e da gente, da vida e da morte. A miséria e os constantes conflitos políticos e familiares estão entre os motivos que originaram a escalada da violência, justificando a formação de grupos armados particulares, onde ferozes jagunços garantiam a segurança dos seus patrões.

“Lampião nasceu há muitos anos, em todos os estados do nordeste”, conforme cita Graciliano Ramos no seu livro Viventes das Alagoas (1962). Ser cangaceiro era o grito de revolta dos que não aceitavam a opressão e injustiça. Desse cotidiano participaram outros personagens que muitas vezes faziam jogo duplo, a depender de interesses pessoais. Volantes, grupos formados por soldados (chamados de macacos pelos cangaceiros) e cachimbos (civis contratados pelo estado), que praticavam todo o tipo de violação contra a população dos povoados e grotões, sendo tão temidos quanto os bandoleiros. Coiteiros (moradores da zona de conflito, que forçados ou não, auxiliavam os bandidos com suprimentos e esconderijo) enfim uma rede de omissão, medo e cumplicidade que permitiu a longa duração do reinado lampiônico.

Mesmo passadas tantas décadas dos combates encarniçados e da morte do seu líder maior, este triste enredo ainda desperta paixões. O cangaço é uma epopeia repleta de contradições com relação a comportamento, datas e acontecimentos. A mitificação do general da caatinga é responsável pela aura que o cerca, imagem de herói e bandido, que povoa o imaginário popular, promovendo debates, movimentando um circulo gerador de divisas através de manifestações artísticas e culturais, teses acadêmicas, artigos e investigações sociológicas.

Essa condição permite afirmar que o rei do cangaço teve, na realidade, três vidas distintas: 1) o homem comum, vaqueiro, almocreve e coureiro; 2) O facínora amado e odiado; 3) o personagem imorredouro, eternizado em cordéis, filmes, literatura, história em quadrinhos, telenovelas, artes plásticas e folguedos populares.

Em solo sergipano, os grupos de famigerados com seu chefe à frente, adentram pela primeira vez no dia 26 de fevereiro de 1929. A cidade de Carira foi escolhida para a indesejável visita dos fugitivos das volantes baianas. Dessa empreitada, conforme alguns relatos participaram apenas sete feras sedentas de tudo, o que já era suficiente para aterrorizar qualquer povoação, e ali se utilizou mais uma vez a tática do bom visitante, amigo, cordial e respeitoso, que não pretendia cometer atos violentos, pagando por tudo que precisava, e promovendo festas.

As estripulias em nossas terras gradativamente tornaram-se rotineiras. O rastro do mal logo se fez notar, trazendo ao pacato sergipano a dor da humilhação, as lágrimas pelos entes queridos ultrajados em sua honra ou mortos, as chantagens e extorsões. Como sempre acontecia, uma rede de colaboradores logo foi arquitetada, garantindo uma relativa segurança à cabroeira. Curiosamente, conforme relatos, o estado de Sergipe foi o que mais contribuiu com elementos para os grupos de meliantes, através do município de Poço Redondo.

No livro A misteriosa vida de Lampião, de autoria do cearense Cincinato Ferreira Neto, à página 158, encontra-se alusão ao nome de Eronildes de Carvalho, futuro interventor de Sergipe, e seu pai, Sr. Antônio Caixeiro, como um dos maiores protetores de Virgulino em nossas terras, fato este que é contestado enfaticamente pelos familiares dos citados. Nossa Senhora da Glória, Pinhão, Frei Paulo, Alagadiço, Gararú, Aquidabã, Saco da Ribeira (Ribeirópolis), Monte Alegre, Canindé e Capela, onde a célebre chegada do malfazejo é contada até hoje, foram cidades testemunhas da aventura cangaceira. E muitos ainda recordam desse tempo sinistro. O nome de Zé Baiano, com seu ferro em brasa, que deixou marcas indeléveis no corpo de algumas mulheres ainda causa repulsa na imagem evocada.

Lampião foi senhor absoluto do seu tempo. Enquanto uns o consideravam um facínora impiedoso e sanguinário, capaz das piores atrocidades, outros lhe atribuíam qualidades, tais como, caridoso, sábio, bondoso, justo, educado, refinado, artista etc. Porém, historiadores e pesquisadores respeitados pela seriedade de seus trabalhos, são unanimes quando reconhecem no capitão a astúcia de um guerrilheiro, o tino estratégico e inteligência de um militar experimentado. Implacável quando se tratava de vingança e autoafirmação. Benevolente quando precisava de proteção, exercia liderança absoluta sobre seus comandados, o que lhe permitiu sobreviver, lutando sempre em desvantagem, sendo vencido apenas pela traição.

A derrota, mais cedo ou mais tarde haveria de chegar, e em Angicos se escreveu a última página dessa dolorosa saga brasileira. Dali escaparam alguns, que ajudaram a perpetuar a lenda. Corisco, alcunhado de “Diabo Louro”, ausente no combate final, responsabilizou-se pelo funesto epílogo, promovendo como vingança mais mortes brutais pela região. Consta que a morte de Lampião em 28 de julho de 1938 não significou o fim do cangaço, a esperança de sua continuidade findou-se com Corisco no dia 25 de maio de 1940.

* Pesquisador e acadêmico de Museologia da Universidade Federal de Sergipe, estagiário do Museu Histórico de Sergipe/SECULT.
E-mail: carlos_braz@globo.com

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
MACIEL, Frederico Bezerra. Lampião, seu tempo e seu reinado. 2ª edição. Ed. Vozes. Petrópolis, 1982. (volumes IV e VI)
FERREIRA NETO, Cincinato. A misteriosa vida de Lampião. Fortaleza: Premius, 2008.
RAMOS, Graciliano. Viventes das Alagoas. 8ª edição. Rio de Janeiro: Record, 1962.
FONTE:
http://museuhsergipe.blogspot.com.br/search/label/Lampi%C3%A3o
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Texto e imagem reproduzidos do site: cariricangaco.blogspot.com.br

Secult homenageia José Fernandes e Leonardo Alencar

 Carnaval é tema de exposição no 
Corredor Cultural nesse
mês de fevereiro.

 Neu Fontes: "Cores das obras de José Fernandes
relembram o carnaval, alegria, felicidade".

Curadoras do Corredor da Cultura, da Secult.
Créditos - arquivo Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 07/02/2017.

Secult homenageia José Fernandes e Leonardo Alencar
Obras dos artistas visuais estão expostas no Corredor Cultural

“Ó abre Alas para o Corredor Cultural Saudar o Carnaval”. Esse é o tema da exposição lançada na manhã desta terça-feira, 7, pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que ocupará durante todo este mês de fevereiro o Corredor Cultural. A exposição, que é aberta gratuitamente para a visitação do público, homenageia os artistas visuais José Fernandes e Leonardo Alencar (in memória), responsáveis por obras que fazem alusão ao carnaval sergipano e nordestino.

O secretária da Cultura, Neu Fontes, explica que o Corredor Cultural é um projeto da Secult realizado todos os meses, vinculado a exposições de artes visuais, de fotografias, de obras de artistas plásticos, de esculturas, sempre com um tema diferente.

“Esse mês estamos homenageando grandes nomes das artes visuais sergipanas que é o Leonardo Alencar, falecido ano passado, que sempre pintou o carnaval com seus pierrôs e colombinas e o José Fernandes que tem uma ligação muito forte com o carnaval, é filho de um dos maiores reis momos que já tivemos e tem essas cores que relembram o carnaval, alegria, felicidade”, diz Neu Fontes.

Hilton Lopes, Lisboa, João Barreto Neto, Barrinhos, Gladston Santos, Antônio Valadão, Lânia Duarte, entre outras pessoas que sempre estiveram presentes no carnaval sergipano também são lembrados na exposição deste mês de fevereiro no Corredor da Cultura, localizado na sede da Secult.

A curadora do Corredor Cultural, Eliana Borges, fala como é fazer essa exposição para a população sergipana. “É com muito carinho, muito amor, acho que a cultura não pode prescindir do papel dela, de homenagear realmente quem merece ser lembrado e o Corredor Cultural tem uma metodologia, a gente trabalha com o artista visual em seus três segmentos: pinturas, esculturas e fotografias”, diz.

Por Moema Lopes.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

“Manoel da Funerária” (Funerária Satélite)

Imagem para simples ilustração, postada por "Isto é SERGIPE".

Publicado originalmente no Blog Ivan Valença/Infonet, em 10/02/2017.

Em memória de Manoel Valença
Por Ivan Valença.

No dia em que o escriba comemorava 73 anos de idade, 8 de fevereiro, quis o destino levar o seu irmão mais novo, Manoel Messias Macedo Valença, vitimado por um enfarte fulminante, quando se encontrava sozinho em casa, na rua Permínio de Souza. Manoel – também conhecido como “Manoel da Funerária” – completou no último dia de Natal 65 anos de idade. Ele lutava já há algum tempo contra pertinaz moléstia que reduziram suas atividades físicas e deixaram suas pernas com uma dramática cor escura. É o primeiro filho do casal Hugo Gonçalves Valença e Dulcinea Macedo Valença, ambos já falecidos, a ir encontrá-los no espaço além.  A Funerária Satélite ele herdou do pai, já que o filho mais velho, este escriba,  aos 14 anos, tomou outro rumo, preferindo continuar a estudar e ser jornalista. Manoel, também jovem, começou a ajudar o pai na funerária porque, já naquela época, a coisa que mais gostava era dirigir carros – e na Funerária sempre aparecia algumas viagens para o interior, até m esmo para outros Estados. Mesmo na hora de nascer, Manoel já começou a dar trabalho. D. Dulcinea, minha mãe, sentiu as dores do parto por volta das 19h do dia 24 de dezembro, véspera do Natal, quando não havia ninguém em casa. A empregada já tinha ido embora e meu pai fazia plantão na funerária. Minha irmã mais nova, 4 anos na época, Eleonora, estava  dormindo. Minha mãe pediu que eu ligasse o fogão e botasse água para esquentar. Depois, com uma toalha trazia esta agua meio quente para ela. Foi o tempo de ir e voltar da cozinha, para a criança escapulir ligeirinho da barriga dela e quase ir ao chão. Só então tive tempo de chamar a vizinha, D. Caçula, que começou a tomar as primeiras providências. Já um pouco mais crescido, Manoel não quis estudar e foi trabalhar com meu pai. Fissurado em carro, aprendeu a dirigir aos dez anos de idade e a viajar ao interior do Estado aos doze anos de idade, levando cadáveres. Muito namorador, a partir dos 15 anos, ganhou o apelido de Mané Galinha, e casou-se cedo. Teve três filhos, dos quais dois, Amanda e Gustavo, do casal e um terceiro, Marcelo, com uma outra mulher. Ultimamente, encostado pelo INSS, reduziu o seu tempo de trabalho para cuidar da doença que o acometeu. Minha irmã mais jovem, a professora universitária Ana Valença, cuidava dele, embora ele fosse refratário a qualquer aconselhamento médico. Voltou a morar sozinho de um ano para cá. Como sofria também de diabetes, foi aconselhado a abandonar os doces que tanto gostava e a cerveja que adorava ingerir. As duas coisas, mais o fato de ter voltado a fumar, teriam sido fatais para o enfarte que sofreu no início da noite de quarta-feira. O sepultamento foi ontem, quinta-feira, 9 de fevereiro, no cemitério da Cruz Vermelha. Aos leitores agradeço a atenção dada a este texto.


Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Saxofone, por que choras?


Publicado originalmente no Blog Elifas/Infonet, em 27/08/2015.

Saxofone, por que choras?
Por Elifas Santana

No dia-a-dia de parcerias e eventos, me deparei com uma grande surpresa. Em uma conversa com o amigo Sérgio Thadeu, que além de publicitário e radialista é um grande incentivador cultural do estado e o nome por trás do “Movimento do Choro Sergipano”, fiquei sabendo da grande importância de Luiz Americano, sergipano de Aracaju que se projetou no cenário da música brasileira, especificamente no choro, assim como os grandes Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Luperce Miranda e tantos outros, que fomentaram a linguagem do Chorinho no início do gênero.

Próximo à virada para o século XX, nasce a 27 de Fevereiro de 1900 o futuro músico, sob o nome de Luiz Americano Rego, que passaria sua infância e juventude na capital sergipana, tendo iniciado seus estudos na música aos 13. Começou aprendendo Clarinete com o seu pai, Jorge Americano, mestre de banda em Aracaju. Em 1918, o jovem serve ao exército e entra para a banda do quartel. É nesse período como militar que Luiz Americano sai de Sergipe, sendo transferido para a cidade de Maceió para servir no 20º Batalhão de Caçadores. Em 1921 é transferido para o 3º Regimento de Infantaria no Rio de Janeiro, dando baixa no ano seguinte e abandonando o serviço militar aos 22 anos para dar sequência a sua carreira como músico profissional, tocando além do Clarinete, o Sax Alto, na então capital federal.

Entre as décadas de 20 e 40 sua atividade foi intensa e no começo trabalhou nas mais importantes orquestras como as de Romeu Silva, Justo Nieto, Raul Lipoff e Simon Boutman, além de atuar em inúmeros regionais. Luiz Americano nesse período faz uma temporada trabalhando na Argentina e após voltar ao Rio de Janeiro monta um dos primeiros conjuntos de Jazz do país, o "American Jazz" e por não gostar de viagens, deixa de acompanhar Carmen Miranda aos Estados Unidos, ainda assim, recebendo muitos elogios do mundialmente renomado músico e mestre do Clarinete, Benny Goodman.

O Aracajuano, foi uma peça fundamental no alicerçamento da linguagem do Choro, acompanhou e foi acompanhado pelos mais importantes músicos à sua época, como Donga, Bonfiglio de Oliveira e Pixinguinha. Foi por indicação desse último, o grande Pixinguinha, que Luiz Americano foi convidado pelo eterno Heitor Villa-Lobos a fazer parte da gravação a bordo do navio "Uruguai", para o disco "Native Brazilian Music", dirigido e idealizado pelo maestro norte americano "Leopold Stokowski". Já era um veterano quando os primeiros sistemas elétricos de gravação chegaram ao Brasil e logo em seguida passa a registrar em LP suas composições e interpretações de outros músicos. Entre suas principais composições estão Choros e Valsas variados, das quais podemos destacar, "Lágrimas de Virgem" e "É do que há".

Luiz Americano, um grande músico e um grande nome que abrilhanta a história do nosso estado. Infelizmente o músico faleceu prematuramente aos 60 anos, vítima de uma cirrose, que o acometeu em 1960, como noticiou à época o jornal O Globo: "Luiz Americano do Rego, veterano músico popular, compositor de muitos sucessos, foi enterrado ontem no Catumbi. Morrera pela manhã, às 08:50am, no Hospital dos Radialistas, onde estivera internado durante dois meses. Contava 60 anos de idade e desde os 13 se dedicava ao Saxofone e à Clarineta. O seu último disco - "Porque choras, Saxofone?" -, gravou-o há seis meses, quando já estava bem doente. Os diagnósticos não chegaram a apontar com segurança a moléstia que o fez sucumbir, embora a opinião dos médicos que o assistiram se inclinasse pela Cirrose.".

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/elifassantana

Adeptos das religiões de matriz africana celebram Dia de Iemanjá.

Adepta de Iemanjá leva flores para o orixá.
Foto: Ana Fontes/TV Sergipe.

Publicado originalmente no site do G1 SE., em 02/02/2017.

Adeptos das religiões de matriz africana celebram Dia de Iemanjá.

Cortejo aconteceu pelas ruas do Bairro Industrial.
Iemanjá é uma divindade considerada a rainha do mar.

Do G1 SE

Os adeptos das religiões de matriz africana realizaram um cortejo em homenagem ao orixá Iemanjá pelas ruas do Bairro Industrial, em Aracaju, na tarde desta quinta-feira (2). Esta é a 9ª Edição do cortejo, que foi finalizado na “Orlinha do Bairro Industrial” com apresentações artísticas, cânticos, danças e pratos gastronômicos relacionados à Iemanjá.

Segundo as religiões de matriz africana, o orixá Iemanjá é uma divindade considerada a rainha do mar. Os adeptos jogam no mar oferendas com flores, perfumes, espelhos e outros vários presentes.

História.

A tradição do presente da mãe d'água, (como era conhecida festa), nasce na Bahia, segundo historiadores, teve início em 1923, quando um grupo de 25 pescadores resolveu oferecer presentes para a "mãe das águas" na expectativa de que ela pudesse resolver o problema de escassez de peixes.

A tradição foi crescendo e começou a ganhar força em 1930. O dia 2 de fevereiro, entretanto, só foi oficializado na década de 1950, quando o presente passou a ser chamado de "Festa de Iemanjá".

Desde então, todos os anos eles pedem a orixá fartura de peixes e mar tranquilo. Entre as superstições que envolvem as homenagens, está a questão da receptividade dos presentes. Reza a lenda que, caso o presente seja encontrado na beira da praia, é porque a divindade não gostou da oferta.

Quando a oferenda desaparece no mar, no entanto, é sinal de que o presente foi aceito. Nos últimos anos, são realizadas campanhas de conscientização para que as pessoas adotem presentes sustentáveis, como uma forma também de preservar o meio ambiente.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Canhões e Trincheiras na Praia Formosa

Arquivo Público Mineiro | Fotografias.
Imagens reproduzidas do site: siaapm.cultura.mg.gov.br
Postada pelo blog Isto é SERGIPE, para ilustrar o presente artigo.

Publicado no blog Clodoaldo Alencar, em 18/05/2009.

Canhões e Trincheiras na Praia Formosa.
Por José Anderson Nascimento*

Na madrugada de 13 de julho de 1924, a cidade do Aracaju era sacudida por cruento tiroteio, alimentado pelo matraquear das metralhadoras do 28º Batalhão de Caçadores, cuja corporação havia sido sublevada pelo capitão Eurípedes Esteves de Lima e tenentes Augusto Maynard Gomes, João Soarino de Melo e Manuel Messias de Mendonça, para apoiar a Revolução Paulista de 1924, que havia estourado na cidade de São Paulo, a 5 de julho, sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes, major Miguel Costa, João Cabanas e Joaquim Távora, contra o Presidente da República, Artur da Silva Bernardes.

O objetivo desse movimento de oposição a Bernardes, era pôr fim à oligarquia do Partido Republicano Paulista e Partido Republicano Mineiro, que impunham sempre em seus conchavos os presidentes, impedindo assim que se manifestasse livremente o desejo do povo na escolha do Chefe da Nação. Crises militares foram uma constante na primeira fase da República, mas, a partir de 1922, elas ganhariam um novo protagonista: a oficialidade de baixa patente, de que decorreu a denominação "Tenentismo".

Encarnando as aspirações da classe média urbana, esses revolucionários pugnavam pela adoção do voto livre e secreto e pela moralização dos costumes políticos. O primeiro levante tenentista teve lugar no final do governo do Presidente Epitácio Pessoa, com a Revolta do Forte de Copacabana. Enfrentando uma grave crise militar, provocada pela publicação na imprensa de cartas ofensivas às Forças Armadas, atribuídas ao candidato Artur Bernardes, Epitácio Pessoa determinou o fechamento do Clube Militar e a prisão do seu presidente, Hermes da Fonseca.

Dois meses depois, a 5 de julho de 1922, revoltaram-se as guarnições dos fortes do Vigia e de Copacabana, neste último sob o comando do capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do ex-presidente. A revolta, contornada em dois dias, não teria maiores conseqüências, não fosse o episódio dos Dezoito do Forte de Copacabana, quando o tenente Antônio Siqueira Campos e dezesseis companheiros negaram-se a capitular e marcharam para a praia, onde receberam a adesão do civil Otávio Correia.

Ali, enfrentaram sozinhos as tropas do governo. No combate, morreram os tenentes Nilton Prado e Mário Carpenter e o civil Otávio Correia. A Revolta de 13 de Julho, associada ao 5 de Julho, marca o inicio do movimento tenentista em Sergipe. Os revoltosos atacaram o Palácio do Governo, que foi defendido pelo tenente Stanley Fernandes da Silveira. Na luta, morreu o soldado José Martins de Castro e saíram feridos o cabo Marcílio Cordeiro Santa Bárbara e o soldado Manuel Inácio Teles. No ataque ao Quartel da Policia Militar, situado na antiga Rua da Frente, hoje Ivo do Prado, onde funciona a Secretaria da Educação, morreu o soldado José Rodrigues de Oliveira e muitos ficaram feridos.

O Telégrafo Nacional e a Estação Ferroviária, esta última, localizada nas proximidades do Mercado Thales Ferraz, foram ocupados simultaneamente. Recolhiam-se presos ao Quartel do 28º Batalhão de Caçadores, então, localizado na atual Praça General Valadão, onde, hoje, está edificado o antigo Hotel Pálace de Aracaju, os oficiais que não aderiram ao movimento, a começar pelo seu Comandante, Major Jacinto Dias Ribeiro, capitães Augusto Pereira, Misael Mendonça e Galdino Ferreira Martins e os tenentes Heráclito d'Ávila Garcez, Antenor Cabral, João Batista de Matos e José Figueiredo Lobo, filho do ex-Presidente do Estado de Sergipe, José Joaquim Pereira Lobo. Na mesma madrugada era também preso o Chefe de Polícia, Ciro Cordeiro de Farias, e a resistência do governo estadual ficava fraca e acéfala, tendo os revoltosos ocupado todos os pontos estratégicos da capital.No dia seguinte, o Presidente (Governador) do Estado, Dr Maurício Graco Cardoso, era preso e recolhido ao Quartel do 28º BC, juntamente com alguns auxiliares do primeiro escalão, entre eles o Dr. Hunald Santaflor Cardoso e o Secretário Gera1 do Governo, Dr. Carlos Alberto Rolla.

O governante ficou incomunicável enquanto durou a Revolta. Formada a Junta Governativa, logo passou-se à convocação de reservista e de voluntários. Aracaju estava em pé de guerra. Enorme era o aparato bélico nas suas ruas e areais. Preocupados com um possível desembarque de tropas contrárias pelo mar, os revoltosos cuidaram logo de minar a barra do Rio Sergipe e de estacionar o canhão SERGIPE, nas brancas areias da Praia Formosa, voltado para o canal. Ali, também, colocaram mais dois canhões, um denominado de UNIÃO FAZ A FORÇA e o outro conhecido por 42, mortífera arma alemã da Guerra de 1914. Na Praia Formosa cavaram várias trincheiras e levantaram barricadas com sacos de areia. A resistência à possível reação dos bernardescos não ficou só em Aracaju.

O tenente Maynard deslocou tropas para a Vila do Carmo, atual Carmopólis, ao Norte, visando conter o Batalhão Hercílio Brito, que marchava contra as suas posições com mais de 80 homens em armas e muitos cangaceiros procedentes do Baixo São Francisco. Tropas de Maynard foram ainda enviadas para São Cristóvão e Itaporanga D'Ájuda, ao Sul. Sabia-se, outrossim, que partia de Simão Dias uma coluna comandada pelo coronel Pedro Freire de Carvalho, objetivando defender o Presidente c Estado, em poder dos revoltosos. Em Salvador, o general Marçal Nonato de Faria era encarregado pelo Governo Federal de restabelecer a ordem em Sergipe, sufocando a Revolta e reconduzindo ao Governo o Dr Graco Cardoso.

Para essa tarefa contou com mais de mil homens, procedentes de várias unidades militares, a começar pelo 20º BC, de Alagoas; 21º BC, de Pernambuco e 22º BC, da Paraíba. Contou, mais, com soldados das Policias Militares da Bahia e de Alagoas, além do Batalhão Hercílio Brito. Na verdade, só os revoltosos do 28º BC cumpriram o articulado com os seus camaradas paulistas. Em São Paulo, o Governo Federal reagiu logo, bombardeando a cidade às cegas, atingindo civis e residências.

No final de julho o cornando revolucionário evacuou a cidade, dirigindo-se parte de suas tropas para o sul onde se juntou às forças do capitão Luís Carlos Prestes, e parte para Catanduva, onde ainda houve uma resistência por alguns meses. As tropas de Prestes haviam surgido no Rio Grande do Sul, como decorrência da Revolução de 1924. Quando se uniram à Coluna Paulista, formaram um novo destacamento revolucionário, a Coluna Prestes, ' que por quase três anos percorreu 36.000 km pelo interior do Brasil, através de quase todos os Estados, divulgando o programa revolucionário do tenentismo e travando uma série de combates com as forças do governo.

O restabelecimento da ordem legal em Sergipe tornava-se, contudo, missão espinhosa para o general Marçal Nonato, desde quando te ria que cumpri-la sem derramamento de sangue e sem negociar condições de rendição com os revoltosos. Por outro lado, o capitão Euripedes Esteves de Lima, em nome da Junta Governativa, anunciava às autoridades e ao povo em geral que os revoltosos estavam preparados para reagir a qualquer provocação ou afronta.

Dizia, mesmo, que a deposição do Dr. Graco Cardoso não se prendia à política estadual, absolutamente. Atendia isso sim, a movimento revolucionário. O primeiro choque das revoltosos com o Batalhão Hercílio Brito aconteceu nos arredores de Carmopolis e os ribeirinhos fugiram desesperados ao primeiro tiro de um velho canhão. No Rio de janeiro o Congresso Nacional decretava no dia 14 de julho o estado de sitio sobre São Paulo, que se estendia aos Estados de Sergipe e Bahia. Respaldado com instrumentos legais, o general Marçal nato montou a operação para restabelecer a legalidade em Sergipe.

Seria uma campanha conjunta de mar e terra. Para isso contou com navios da Marinha de Guerra e locomotivas da Ferrovia Leste Brasileiro. Devido às dificuldades ao desembarque que teriam as tropas legalistas na Praia Formosa, o executor do sitio em Sergipe preferiu desembarcá-las nas praias da Estância.Com efeito, no dia 24 de julho, por cerca das 10 horas, os navios Comandante Miranda, Iris, Maraú e Canavieiras singravam as águas do Rio Real e Piauí, desembarcando as tropas e os equipamentos no Crasto, em Santa Luzia do Itanhy. Defronte da praia do Mangue Seco, ficando ao largo o contra-torpedeiro Alagoas.

O cerco aos revoltosos apertava. O general Nonato proclamava a 25 de julho, na Estância, que todos os atos praticados pela Junta Governativa estavam nulos. Adiantava que até o momento do restabelecimento da ordem constitucional, todas as autoridades deviam-lhe obediência, situação que somente cessaria com a reposição do Dr. Graco Cardoso no Governo do Estado. Ajustados os primeiros preparativos, a tropa da Policia da Bahia foi unir-se a segmento do Exército em Salgado. Daí partiram para Itaporanga D'Ájuda, onde os revoltosos recuaram para São Cristóvão e, de São Cristóvão recuaram ainda mais para Aracaju, em que a resistência foi efêmera fazendo-os capitular.

Em Carmópolis a resistência foi maior, em que pese o porfiado tiroteio que abafou a retaguarda dos tenentes. A calma somente voltou a reinar em Aracaju a 3 de agosto. Revoltosos eram capturados e levados ao Quartel do 28º Batalhão de Caçadores, outros entregavam-se voluntariamente. O tenente Augusto Maynard, auxiliado pelo amigo Brasiliano de Jesus, conseguiu fugir ao cerco e bateu-se em São Paulo, sendo preso e conduzido à ilha da Trindade, localizada a 1.150 Km a leste do Estado do Espírito Santo, que se havia transformado em prisão militar. Mais de 500 pessoas foram indiciadas em processos criminais, porém os ideais de liberdade permaneceram vivos entre os sergipanos. Com Maynard, nascia em Sergipe a liderança na luta contra a casagrande e a cana-de-açúcar, na expressão do Professor Artur Fortes.

O coroamento, porém, do movimento tenentista em Sergipe, deu-se com a Revolução de 30 e, principalmente com a nomeação do capitão Augusto Maynard para Interventor Federal no Estado. E, em sua homenagem, a Praia Formosa transformava-se em "Praia 13 de Julho", pelo Ato nº 11, do Intendente Municipal Camilo Calazans, publicado no Diário Oficial de 28 de novembro de 1930, em que Augusto Maynard Gomes foi reconhecido como o grande líder militar do levante de 13 de Julho de 1924.

*Ocupante da Cadeira nº 20 da Academia Sergipana de Letras.

Texto reproduzido do blog: clodoaldoalencar.blogspot.com.br

Alcino Alves Costa (1940 - 2012)


Publicado originalmente no site Substantivo Plural, em 12/11/2012.

Alcino Alves Costa: O Caipira Poeta e Cangaceiro de Poço Redondo-SE. (1940 - 2012).
Por João da Mata.

Alcino Alves Costa – sobrinho do cangaceiro - poeta Manoel Marques da Sila, o Zabelê, nasceu em Poço Redondo/SE, e ai viveu intensamente como ativo protagonista e guardião de sua história contada numa dezena de livros. Filho de Ermerindo Alves da Costa e de Emeliana Marques da Costa, Alcino foi um politico que amava sua terra e costumes. Foi prefeito por três vezes do município de Poço Redondo – SE, deixou a política para se dedicar ao estudo do cangaço e das ricas tradições culturais de sua terra natal amada.

Grande contador de causos, um caipira como gostava de ser chamado, é referencia obrigatória em se tradando de cangaço. Mesmo sendo um profundo conhecedor da saga lampiônica, não tinha a presunção daqueles que se consideram dono da verdade. Gostava de dizer, essa é a minha versão. O seu primeiro sobre o cangaço, já em terceira edição, teve o prefácio da professora antropóloga Luitgarde Barros, que escreve: “este livro não é de ficção”, pelo contrário, o livro tem como objetivo a desmistificação de alguns detalhes envolvendo um dos fenômenos social mais estudado do Brasil, o cangaço. Alcino é um grande contador de estórias ou histórias. Seus livros são muito bem escritos e referenciados com outros escritores da mesma saga. Muitas vezes Alcino corrige informações contidas em outros livros referencia da saga do cangaço. É um escritor que escreve com paixão a dura realidade de um nordeste exsicado pelas longas secas onde sobrevivem as plantas cactáceas: xiquexique, macambira, quipá, mandacaru, cabeça – de – frade e facheiro. E por que não falar da arvores sagrada do sertão, o umbuzeiro. Arvore que mata a sede, serve de sombra e de refúgio para beatos e cangaceiros. A crueldade do bando de Lampião não é maior que a dos volantes. Muitas vezes existe uma migração de um lado para outro. Zé Rufino, por parte dos Volantes e, Lampião, por parte dos bandidos, foram os marechais do sertão e vinha do mesmo tronco familiar. Tanto volantes quanto os bandidos assustavam e espoliavam os homens que habitavam aquele estranho e perverso mundo.

Os nazarenos foram os grandes combatentes dos temidos cangaceiros. Mané Neto, o temido vesgo de Nazaré – PE, luta contra o bandido Sabonete.

“Um bandido pula para a frente dos inimigos. Está enlouquecido Com um punhal na mão corre na direção de Mané Véio. Parece que quer sangrá-lo. O cangaceiro está tão próximo do nazareno que este não tem dificuldade nenhuma em d com um tiro certeiro na cabeça. O Assecla cai morto aos seus pés”.
Morto de sede o nazareno toma a água com sangue na cabaça do “cabra”. (Fogo de Maranduba. Lampião Além da Versão pp. 168). As Nas Batalhas de Maranduba e Serra Grande os cangaceiros desafiaram seus algozes.

Lampião só pode surgir num sertão esquecido pelo poder, numa terra desolada e esturricada por tenebrosas secas, onde reinava os grandes latifúndios governados por coronéis. Mesmo assim, Lampião teve desavença com poucos coronéis e a sua presença fez tremer o poder e riqueza dos senhores das terras que remonta às capitanias hereditárias. O flagelo da seca continua. O sertão é outro e os deserdados da seca recebem, hoje, uma bolsa- família.

As opçoes de vida eram poucas e entrar para o exercito ou cangaço eram faces da mesma moeda. O cangaço também era poder e muitos filhos de famílias entraram para esse mundo sem nenhuma motivação provocada por mortes ou vinganças. Muitas vezes as desavenças surgiam por uma intriga, fuxico ou delação (veja o terrível caso da morte de Zé Vaqueiro ). Cangaceiro detesta fuxico e covardia. Outras vezes as brigas aconteciam por vinganças entres famílias ou traição. “ O traidor sempre foi a figura mais odienta dentro do mundo caipira e do meio do cangaceiro. Para o delator não havia perdão” ( op. Cit. pp. 239).

Um homem simples apaixonado pela vida e pelas mulheres. A paixão pelo cangaço e Sergipe, só perdia para elas. Casou muitas vezes e deixou muitas viúvas. Além dos livros que conseguiu publicar, deixou outros inéditos. Alcino Alves Costa viveu toda a sua vida num dos principais cenários, palco da saga de Lampião. Ouvindo pessoas e pesquisando os lugares e refúgios onde foram travadas as batalhas ele pode reunir muitas histórias e versões contadas dos embates entre coroneis, volantes, coiteiros e beatos.

Pode não ser a versão verdadeira, mas é uma versão que precisa ser ouvida e lida. Seus livros ficam e são imprescindíveis para quem estuda o cangaço e os costumes e cultura dos nordestinos. “Lampião além da versão – mentiras e mistérios de Angico” (3ª edição 2011), “O Sertão de Lampião” ( 2ª edição 2008); e “Poço Redondo, a saga de um povo” ( 2009).

O autor ainda escreveu um livro que ele considerava o seu melhor trabalho. “Maria do Sertão”, seu primeiro romance ficional.

História e Lendas do Sertão, Sertão Viola e Amor, Preces ao Velho Chico entre outros livros escritos por Alcino Costa, enriquecem a etnografia nordestina e a cultura brasileira.

Texto e imagem reproduzidos do site: substantivoplural.com.br