quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Barcos Tototós - Museu da Gente Sergipana.

Programa That's All.
Exposição Barco Tototó - Museu da Gente Sergipana.
Matéria exibida no dia 22/08/2015 na TV Atalaia.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A morte de Acrísio Tôrres - Uma perda para as Letras, por João Oliva Alves

Foto: arquivo Antônio FJ Saracura.
Reproduzida e postada por MTéSERGIPE, 
com o fim de ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no blog Primeira Mão, em 03/01/2016.

A morte de Acrísio Tôrres - Uma perda para as Letras

João Oliva Alves (*)

As letras sergipanas e brasileiras acabam de sofrer grande perda, com o falecimento, em Brasília-DF, aos 12 deste mês de dezembro, do professor e escritor Acrísio de Araújo Torres, vitimado por uma queda que lhe causou fratura do fêmur, seguida de AVC, culminando na sua morte. Acrísio Tôrres nasceu na cidade de Crateús, Ceará, aos 10 de abril de 1928, tendo, naquele Estado, feito os estudos do nível primário ao superior, formando-se afinal em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal cearense.

Nos idos de 1963, casado com D. Maria do Carmo Lima Araújo e já possuindo numerosa família, sentiu-se atraído por uma viagem a Brasília, buscando encontrar perspectivas de melhor futuro. Entretanto, àquele tempo, Acrísio já possuía um irmão residente em Sergipe, Ubaldo Tôrres, engenheiro eletrotécnico, exercendo emprego na empresa estatal Serviços de Luz e Força, hoje representada pela ENERGISA. Antes de uma viagem direta à Capital Federal, Acrísio alugou casa em Aracaju, aonde veio passar algum tempo para rever este irmão e também para experimentar as possibilidades do trabalho remunerado na capital sergipana. Certamente incentivado por esse mano, ele encontrou receptividade à sua oferta de “mão de obra” como professor e jornalista. Dentro de alguns meses, já havendo obtido contrato para ministrar aulas no ensino médio e para escrever em jornais da cidade, resolveu instalar-se aqui mesmo com sua família, logo granjeando pleno apoio, chegando inclusive a assessorar órgãos administrativos e educacionais do Estado.

E assim, desde 1963 a 1977, ou seja, por 14 anos seguidos, passou ele a viver em Aracaju, dedicando-se ao magistério, ao jornalismo e à pesquisa cultural. Durante esse tempo chegou a escrever e a lançar em Sergipe, com base nessas pesquisas, quase duas dezenas de livros de caráter didático ou literário, com os seguintes títulos: 1. “História de Sergipe “ (1967); 2.”Geografia de Sergipe” (Volumes I e II); 3.“Literatura Sergipana” (1974); 4.“Minha Terra, Minha Gente” (1a. Série e 1º grau); 5.“Aracaju, Minha Capital” (2ª.série, 1º grau); 6.“História de Sergipe” (3ª. Série, 1º grau); 7.”Sergipe e o Brasil”(4ª.série,1º grau); 8.”Leituras Sergipanas”(04 volumes para 1ª, 2ª, 3a. e 4ª Séries); 9. “Virgínio de Sant'Anna (1967); 10."O Secretário de Guilherme de Campos (1968); 11. “Graccho Cardoso” (1973) 12. “Zózimo Lima” (1973) 13. ”Augusto Leite” (´1974). Esta obra tem o mérito de haver suscitado os estudos sergipanos num momento em que eles estavam um pouco esquecidos.

Já em 1971, na Administração Paulo Barreto de Menezes, que tinha como Secretário da Justiça o Dr. Carlos Rodrigues da Cruz, o advogado Acrísio Tôrres foi convidado e nomeado para exercer, naquela Secretaria, o cargo de Chefe de Gabinete, no qual permaneceu até 1975, ao término do mesmo Governo. Mas em 1974, quando seu nome já se achava em pleno destaque como pesquisador, jornalista e escritor, foi eleito para ocupar a cadeira nº 36 da Academia Sergipana de Letras, cujo patrono é Brício Cardoso, pedagogo e político nascido em Estância. Nesse mesmo ano também já fora agraciado pela Câmara Municipal de Aracaju, com o título de “Cidadão Aracajuano” e em 1975, pela Assembleia Legislativa Estadual, com o título de “Cidadão Sergipano”. A essa altura continuou realizando seus trabalhos de pesquisa que acabou publicando na imprensa diária sergipana. Esses 14 anos de vida em Sergipe e sua dedicação à cultura e ao estudo da história sergipana proporcionou um legado que ainda hoje é referência aos estudiosos.

Finalmente em 1977 buscando alçar novos voos e com a oportunidade que lhe surgira na capital da República, voltou a pensar em transferir-se para Brasília, como o fez naquele mesmo ano. Lá chegando logo conseguiu ser contratado pela UnB – Universidade de Brasília, para ensinar a matéria denominada Estudo dos Problemas Brasileiros e, tendo levado consigo um enorme bloco de anotações sobre as pesquisas realizadas em Aracaju, voltou a apurá-las e a publicá-las, nas horas vagas, inclusive sob a forma de livros. Neste estágio de sua vida, encerrado com a morte em 12 deste mês, Acrísio de Araújo Tôrres ainda produziu (além de outras crônicas jornalísticas), quatro livros, intitulados: 1. “Os Amores de Pedro II em Sergipe” (1981), 2. “Cátedra e Política” (1988), 3. “Imprensa em Sergipe” (1993) e 4. “Sergipe/ Crimes Políticos” (1999)

Meu conhecimento e amizade com o ilustre escritor, agora falecido, data dos primeiros tempos em que ele chegou a Aracaju , quando passamos a nos encontrar, diariamente, atuando na Imprensa local, às vezes num mesmo jornal, às vezes em jornais diferentes. Em 2001, quando fui eleito para a Academia Sergipana de Letras ele já ali se encontrava e sempre que ocorria vaga pelo falecimento de algum acadêmico, sugeria que eu me candidatasse a preenchê-la, sugestão que só em 2001 me encorajei a aceitar. Por isto mesmo, quando fui eleito, convidei-o para ser meu recipiendário e ele prontamente aceitou. Proferiu, na ocasião, um discurso de recepção que está impresso no mesmo opúsculo em que saiu publicado o meu discurso de posse, sob o título “Jornalismo na Academia”.

Termino dizendo que tenho comigo uma coleção de cartas que ele e eu juntos trocamos, algumas delas sobre assuntos filosóficos e religiosos (ele era ateu confesso) em que divergíamos, sem nunca, porém, nos atritarmos por intolerância. Tive por ele toda amizade e admiração que sempre procuro afirmar e confirmar, nas orações que faço a Deus, para que nos encontremos na eternidade feliz.

(*) João Oliva Alves é jornalista e membro da Academia Sergipana de Letras.

Texto reproduzido do blog: primeiramao.blog.br

Feira Holística debate intolerância religiosa

 Produtos esotérios estão disponíveis...

Grupo 'Um quê de negritude' se apresenta na abertura da Feira.
Créditos - Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 09/12/2016.

Feira Holística debate intolerância religiosa
Evento acontece no Centro de Cultura e Arte J. Inácio

Começou sexta-feira, 09, a III Feira Holística de Sergipe. O evento é gratuito e acontece no Centro de Cultura e Arte J. Inácio, na Orla da Atalaia, com palestras, workshops e apresentações culturais. Até o dia 18, a feira oferece produtos artesanais místicos e terapias alternativas.

A principal proposta desta edição é fomentar a discussão sobre intolerância religiosa. Pastores evangélicos, representantes da umbanda e do candomblé irão fomentar algumas das 32 palestras programadas para o período.

Segundo Neiva dos Santos, criadora do evento, a ideia é expandir a mente das pessoas. “Nosso intuito é trazer a consciência através do conhecimento. Com ele, é possível ter respeito pela crença dos outros e que também se experimentem coisas novas. O objetivo é que isso chegue a Aracaju”, comenta.

Na abertura do evento, o grupo de dança ‘Um quê de negritude’, apresentou elementos da cultura afro e indígena. Formado há dez anos, o grupo é composto por alunos do Colégio Atheneu. “Retratamos a vertente da religião afro e o sofrimento dos negros e indígenas. Trabalhamos os costumes e religiões, como o xamanismo”, fala a professora Clélia Ramos, criadora do projeto.

Por Victor Siqueira e Verlane Estácio.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Descobrindo a Cidade a Pé

Foto: Ascom Sesc.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 09/12/2016.

Descobrindo a Cidade a Pé nesse sábado
Concentração no Mercado Thales Ferraz

O Sesc irá realizar nesse sábado, 10, a partir das 15h, o projeto Descobrindo a Cidade a Pé. A caminhada sairá do Mercado Thales Ferraz em direção ao chamado quadrado de Pirro, que engloba o antigo cais do porto, Centro Cultural de Aracaju, Praça Fausto Cardoso, Parque Olímpio Campos, Catedral Metropolitana, Colégio Jackson de Figueiredo, Tribunal de Relação, dentre outros pontos históricos existentes nessa área.

A ação, voltada à valorização dos espaços públicos, irá reunir comerciários, estudantes e comunidades em geral. As inscrições estão abertas no www.sesc-se.com.br. Os inscritos receberão uma camisa no local da concentração e será distribuída água durante o trajeto.

Segundo a diretora regional do Sesc, Adely Carneiro, o projeto apresenta-se como instrumento educativo importante no processo de valorização do conjunto de bens materiais e imateriais das cidades. “Em seu tempo e ao seu modo, o participante contribuíra não somente para a preservação do patrimônio histórico da cidade, mas também para o próximo crescimento, tanto pessoal quanto profissional”, ressaltou a diretora.

Todo o roteiro da caminhada será mediado pelo pesquisador Heriberto de Souza, que seguirá o percurso narrando fatos sobre a origem de Aracaju, a mudança da capital, o início da construção da cidade e o seu crescimento, despertando o conhecimento dos participantes através dos locais que marcaram a memória histórica da cidade.

Fonte: Ascom Sesc/SE.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

A Naif Ana Denise Resgatando a História e Eternizando Lembranças



A Naif Ana Denise Resgatando a História e Eternizando Lembranças.

Por Luduvice José*

Sergipe, inegavelmente, dispõe de um bom naipe de artistas plásticos, cada um na sua especificidade e comprometidos com o fazer, construindo um caminho que naturalmente filtra tendências e revela talentos. Nesta minha caminhada como galerista privado, como jornalista e como diretor de Galeria oficial, além de ter costurado apresentações de mostras de artistas daqui e alhures e formatado textos críticos sobre muitos artistas, tive o privilégio de observar e comparar produções locais e nacionais e inferir no processo de debruçar-me no trabalho de alguns artistas em especial, a exemplo de José Fernandes, Melcíades, Inácio, Florival e Álvaro, Wellington Oliveira, Félix Mendes, Hortência, Adauto Machado e alguns mais novos. Nessa andança, chama-me atenção de forma especial o trabalho de ANA DENISE, num NAIF bem cuidado e sério, não apenas pela identidade tonal e de grafismo, mas pela proposta do resgate, assim como uma vereda lúdica das brincadeiras de criança ( um retorno ao próprio passado e à observância ao derredor). Mas um salto quântico de responsabilidade ao vestir o ontem e trazê-lo ao hoje para perpetuar a história e sobretudo, eternizar lembranças que se mesclam entre o que ainda possa ter pedaços a serem vistos e depoimentos, experiências e testemunhos de pessoas que vivenciaram ou foram atores de algo significativo que é imperativo perdurar.

Neste CORREDOR CULTURAL de dezembro, neste dia 13, ANA DENISE excede no resgate e no eternizar lembranças, numa temática natalina encrustada no Parque Teófilo Dantas, resgatando o eterno NATAL NA PRAÇA DA CATEDRAL e eternizando lembranças do CARROSSEL DE TOBIAS numa linguagem altiva e contemporânea, cristalizando em telas, lembranças com aura de liberdade revelada pelo tropel dos cavalos do carrossel ultrapassando o espaço circunscrito e leves e soltos, tomando conta do local sem amarras ou limites, desembestando na mente libertária do fazer artístico, consciente e sem improvisos comerciais.

*jornalista e crítico (Dezembro/2016).

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Luduvice José.

Lavagem da Conceição prega luta contra a intolerância


Yalorixá Maria Angélica de Oliveira é a organizadora do evento.
Fotos: arquivo Portal Infonet.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 07/12/2016.

Lavagem da Conceição prega luta contra a intolerância.
Cortejo e lavagem acontecem nesta quinta-feira, 8.

A 34ª edição da Lavagem de Nossa Senhora da Conceição em Aracaju terá como bandeira a luta contra a intolerância religiosa. A homenagem que acontece nesta quinta-feira, 8,envolve cortejo pelas ruas do Centro, entrega de oferendas no Rio Sergipe e lavagem das escadarias da Catedral Metropolitana de Aracaju. No sincretismo religioso, Nossa Senhora da Conceição é representada por Oxum.

“Abrimos os festejos com cânticos aos orixás, principalmente a Oxum que este ano vem acompanhado de Ogum, Iansã e Oxossi. Vamos saudar as águas e trabalhar essa questão de intolerância religiosa”, comenta a organizadora do evento, a Yalorixá Maria Angélica de Oliveira.

A Yalorixá também enfatiza a importância do evento que já é tradição entre as manifestações culturais e religiosas de Aracaju. “Este é um evento muito importante porque reúne um grande número de irmãos, celebra o Dia de Nossa Senhora da Conceição e também o Dia da Mulher Afro Religiosa. É também uma oportunidade de favorecer o melhor entendimento entre as religiões, ajudando a diminuir o preconceito e a intolerância religiosa", destaca Maria Angélica.

Programação:

- Concentração na Colina do Santo Antônio
- Cortejo pelas ruas do Centro de Aracaju Centro de Aracaju
- Cortejo pelo Rio Sergipe para entrega do presente de Oxum
- Cortejo até a Praça Olímpio Campos
- Lavagem das Escadarias da Catedral de Aracaju
- Entrega de presentes aos orixás – Orla de Atalaia
- Apresentações com grupos de Afoxé

Por Verlane Estácio.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

João Brasileiro escreve textos sobre o que lhe encanta

Foto: Divulgação.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 07/12/2016.

Livro de sergipano celebra leveza da vida.
João Brasileiro escreve textos sobre o que lhe encanta.

É com leveza que vida e poesia se confundem no primeiro livro do poeta sergipano João Brasileiro, “Poesia da Vida”, lançado pela Editora Oficial do Estado de Sergipe (Edise). Com temas cotidianos, a coletânea de poesias é a celebração da vida com impressões do autor sobre tudo que lhe causa encantamento.

Da visão do jorro das águas de uma cachoeira às reflexões sobre existência, a métrica de João transita entre o amor, o feminino, a solidão, a natureza, as relações, a espiritualidade, as intuições e tudo mais que é ou vira poesia. No prefácio, José Mário diz que a obra “nos convida a sentir a vida tão quanto cada um deseje”.

João Brasileiro, atualmente com 55 anos, despertou para a literatura ainda menino, aos 14. “Eu lia na adolescência o que era cobrado no Ensino Superior”, conta sobre a precocidade. Aos 16 começou a escrever e, desde então, a inspiração é o que o mantém vivo.

As poesias foram uma espécie de mapa de si mesmo feito por João para registrar e posteriormente analisar sua forma de sentir naquele momento. “Surgiu a elucubração de eu ficar louco e eu tinha esses textos para ler e ver como eu pensava, como João e Maria, que fizeram o percurso que migalhas de pão”, revela.

Além de poeta e entusiasta das lutas por uma sociedade mais igualitária, João é professor de redação e literatura da rede estadual de ensino. Também está na direção da Escola Estadual Rural Educador Paulo Freire, em Quissamã, em Nossa Senhora do Socorro.

Fonte: Ascom/Segrase.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

As Memórias de Junot Silveira – I

Na foto: Junot Silveira e Jenner Augusto entre amigos,
em São Cristóvão, anos 1930.

Publicado no Blog de Thiago Fragata, em 12 de novembro de 2014.

As Memórias de Junot Silveira – I*

Por Thiago Fragata**

À Jenner Augusto (11/11/1924 – 11/11/2014)

Os relatos memorialísticos traçam grandes painéis da realidade. Estes retratos são obras de artistas e/ou historiadores, uns mais realistas, outros mais poéticos, cronistas do passado. Recentemente, recebemos duas excelentes produções biográficas, genealógicas, de marcante rigor historiográfico. A primeira foi “Memórias de famílias: o percurso de quatro fazendeiros”, de Ibarê Dantas; a segunda, “Trilhando Memórias”, de Ana Maria Fonseca Medina. Por demais resenhadas, devo apenas reputar o nível e o vigor do gênero literário em terras sergipanas. Nem sempre as memórias de um contexto historico-geográfico são enfeixadas em livro e chegam ao público leitor. Se o relato memorialístico que Serafim Santiago escreveu para os seus netos em 1920 ganhou o formato livro em 2009 foi graças aos esforços da Universidade Federal de Sergipe e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em razão do consenso destes centros de difusão do conhecimento. O Anuário Christovense traça um panorama geral dos fatos e práticas civis e religiosas de São Cristóvão na segunda metade do século XIX e início do XX, quando o autor comemora a chegada do progresso com a inauguração da Fábrica de Tecidos Sam Christovam em 1914. (1) No presente artigo revelarei a São Cristóvão na década de 1930 através das lembranças de um cronista, Junot José da Siveira (1923/2003).

Junot Silveira era irmão de Jenner Augusto, destacado artista plástico, e teve uma marcante atuação no jornalismo baiano apesar de ter ensaiado seus primeiros voos em Sergipe, assim como o irmão. Foi editor do jornal A Tarde, de Salvador, Bahia, por mais de 40 anos (1958, meados da década de 1990). Na sua crônica registrou a nostalgia dos tempos de infância em São Cristóvão enquanto pauta do gênero literário que dominou magistralmente. “Num sentido, genérico, usa-se a palavra crônica para indicar, até hoje, o registro da feição de uma comunidade e de uma época, as memórias de um passado que se quer fixar”. (2) Apesar do dissenso quanto a classificação da crônica, se é paraliteratura, literatura ou história, tenho o cronista como um historiador dos costumes ou historiador do cotidiano.(3)

Folheei 20 crônicas de Junot Silveira produzidas entre 1968 e 1994 e confesso minha admiração e descoberta do seu potencial memorialístico; “algumas de suas crônicas dominicais – conforme asseverou Mario Cabral – são antológicas”. (4) Da minha parte, não ousarei resenhar ou mesmo resumir seus escritos a respeito da sua encantada infância. Por isso deixarei seu texto “Ontem e Hoje”, publicado em 1988, substituir este elogio. Antes é importante frisar que os irmãos Jenner Augusto e Junot Silveira chegaram em São Cristóvão em 1930. Sua mãe, Maria Catarina Mendes da Silveira, professora, foi transferida para o Grupo Escolar Vigário Barroso, situado na atual Praça da Matriz. A residência simples em que moraram por 4 anos era no fundo da Igreja do Amparo dos Homens Pardos. (5)

ONTEM E HOJE - Vendo tantos carros manobrar no pátio do estacionamento eu me lembrei dos tempos de criança. Da época em que vivi em São Cristóvão com seus casarões coloniais, os seus conventos, os seus frades e suas beatas, as procissões desfilando pelas ruas, a velha fábrica de tecidos que funcionava na Cidade Baixa.

Era para essa fábrica que passavam, madrugada ainda, dezenas e dezenas de operários pela nossa porta. Eram homens e mulheres que acordavam cedo e calçavam tamancos, pisando em passos rápidos o chão de cimento das calçadas ou o barro das ruas. Acordavam cedinho, com o amanhecer, para se dirigirem ao trabalho, que não ficava perto da residência de todos. À época não havia transporte coletivo; o jeito era utilizar as pernas, caminhar muito mais de um quilômetro para lá e muito mais de um outro quilômetro para voltar. Iam limpos para o trabalho, limpos como a manhã que respiravam e quando retornavam estavam suarentos, com os corpos visgando e com vestígios de algodão. Traziam do serviço essa lembrança diariamente, e mais o cansaço de lidar com os teares.

Nas tardes de domingo tinham como lazer o futebol, o quadro da própria fábrica, o União Têxtil, se a memória não me trai, fazendo ótimas exibições frente a representação de outras cidades, inclusive Aracaju. No União Têxtil havia grandes valores, como Zeca Trincheira, um zagueiro pesado e forte e o hábil centroavante Zeca Tenisson. O Zeca Tenisson jogou futebol por mais de 25 anos seguidos, sempre com muita garra, muito empenho e muito brilhantismo. E também com muita discussão em campo, que não era homem para levar desaforo para casa. Por várias e várias vezes seguidas comandou a seleção sergipana que, se nem sempre teve melhor atuação, não foi por sua culpa.

O Zeca Tenisson jogou futebol durante tanto tempo, que eu devia ter uns cinco anos de idade quando ele já era craque do União Têxtil e, já adolescente, quando contava 17 anos, eu jogava ao seu lado em Laranjeiras e ele me transmitia alguns de seus truques e um pouco da sua experiência e da sua habilidade. Tivesse ele atuado em outros meios, em um centro como o Rio de Janeiro ou São Paulo, teria gozado de fama nacional. Fama justa, merecida e não fabricada como é comum acontecer hoje em dia.

O campo do União Têxtil, em São Cristóvão, era aberto; o da Associação Atlética, do Lagarto, colocava uma empanada nos dias de grandes eventos, o de Laranjeiras tinha uma cerca de bambus. No gramado dos três conheci bons atletas, mas nenhum deles se igualava ao Zeca Tenisson. Mas dele tenho também a lembrança de bom amigo que me levava, quando criança e ele adulto, a passear na São Cristóvão, inclusive nos dias de festas religiosas. Nos dias em que a cidade se enchia de visitantes. Nos dias em que chegavam os romeiros de várias partes, em caminhões, que então ainda não eram chamados de paus-de-arara. Ou em trens especiais. E as pessoas de maiores posses, altos comerciantes e senhores de engenho, que se transportavam de automóvel.

Esses automóveis eram, para mim, um deslumbramento. Nunca tive, sequer, um velocípede. O carro em que brincava era de madeira, das quatro rodas ao volante, feito por mim e os amigos. Daí o encantamento pelos veículos que chegavam de fora, especialmente de Aracaju. Pela manhã quase sempre ficavam postados na Praça de São Francisco e à tarde, lado a lado, na Praça da Matriz. Alguns motoristas, mais compreensivos e tolerantes, permitiam que eu sentasse no coxim, pegasse no volante, tocasse na alavanca do câmbio. Tudo isso eu fazia com o maior contentamento da vida. Com a mesma sofreguidão com que Thiago, sentado ao meu colo, mexe no painel do carro, acende e apaga as luzes do farol, vai-se familiarizando, precocemente, com a máquina que eu vejo manobrar no pátio do estacionamento e me traz lembranças de um passado que vai longe, mas sempre presente em minha vida sentimental. (6) Continua.

*Artigo publicado no JORNAL DA CIDADE. Aracaju, 12 de novembro de 2014, p. B-6.

** Thiago Fragata é Especialista em História Cultural (UFS), sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS/SECULT), membro do GPCIR/CNPQ. Email: thiagofragata@gmail.com

NOTAS DA PESQUISA
1 DANTAS, Ibaré. Memórias de família: o percurso de quatro fazendeiros. Aracaju: Criação, 2013; MEDINA, Ana Maria Fonseca. Trilhando memórias. Aracaju: Sercore, 2013; SANTIAGO, Serafim. Annuario Christovense ou cidade de São Christovão. São Cristóvão: Editora da UFS, 2009.
2 BENDER, Flora et all. Crônica: história, teoria e prática. São Paulo: Editora Scipione, 1993, p. 14.
3 EWALD, Ariane P. et all. Crônicas folhetinescas: subjetividade, modernidade e circulação da notícia. In: NEVES, Lúcia Maria et. All. (org.) História e imprensa: representações culturais e práticas de poder. Rio de Janeiro: DP&A, FAPERJ, 2006, p. 242; BENDER, obra citada, p. 14-15.
4 CABRAL, Mario. Jornal da Noite (críticas). Salvador: Editora Artes Gráficas, 1997, p. 307.
5 PONTUAL, Roberto. Jenner e a Arte Moderna na Bahia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974, 41. Imagem foi retirada desta obra.
6 SILVEIRA, Junot. Ontem e Hoje. A Tarde. Salvador, 11 /9/1988.

Texto e imagem reproduzidos do blog: thiagofragata.blogspot.com.br

sábado, 10 de dezembro de 2016

Sergipe é o maior produtor nacional de mangaba


Publicado no YouTube, pela TV Canção Nova, em 1 de maio de 2015

Mangaba: conheça a fruta que aumenta a renda dos sergipanos.

Por TV Canção Nova/CN Notícias.

Sergipe é o maior produtor nacional de mangaba, palavra indígena que significa “coisa boa de comer”; é uma fruta rica em ferro e típica do cerrado e das áreas de restinga no Nordeste do Brasil, que gera renda e tem garantido o sustento de muitas famílias no Estado.

Reportagem de Luciana Munhoz e Sidiclei Sales.

Ação é realizada pela AMO e terá peças novas e usadas

Foto: Divulgação.

Publicado originalmente no site da Infonet, em 06/12/2016.

Brechó com peças a partir de R$5 começa nesta terça
Ação é realizada pela AMO e terá peças novas e usadas

A Associação dos Amigos da Oncologia - AMO realiza nesta terça e quarta-feira, 6 e 7 de dezembro, mais uma edição do Brechó Solidário de Natal com a exposição e comercialização de peças novas e usadas. O brechó funcionará na sede da associação, localizada na Rua Permínio de Souza, 270, bairro Cirurgia, em Aracaju, de 9h às 17h sem fechar para almoço.

Com preços que cabem no bolso de todo mundo, o público (masculino e feminino) pode encontrar as mais variadas peças e estilos de calças, camisas, bolsas e sapatos. Os preços giram em torno de R$ 5 e R$ 20. O objetivo é arrecadar recursos financeiros com a comercialização dos produtos para auxiliar na manutenção dos serviços assistenciais a pessoas carentes com câncer.

O brechó tem como única finalidade a captação de recursos para a manutenção da instituição. Ele ocorre duas vezes por ano, com uma realização a cada semestre, sendo o primeiro no mês de maio e o segundo, em dezembro. Todas as peças do brechó são recolhidas através de doação dos voluntários ou de boutiques e lojas. Um grupo de voluntários se dedica desde janeiro para a promoção desse evento.

Fonte: AMO.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br