sábado, 12 de novembro de 2016

Histórico do Colégio Estadual Tobias Barreto de Aracaju

 Antiga foto do Colégio Tobias Barreto, 
na Rua Pacatuba, em Aracaju - Sergipe.
Imagem do blog "Aracaju Saudade", do Professor Eudo Robson.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br

Colégio Tobias Barreto - Alunos em formação.
Revista Renascença n. 08 - 1935.
Reproduzida do blog: aracajuantigga.blogspot.com.br

Foto reproduzida do site: infonet.com.br
Imagens para ilustração de artigo, postadas por MTéSERGIPE.

Publicado em 02 de outubro de 2011 por Arionaldo Moura Santos:.

Histórico do Colégio Estadual Tobias Barreto de Aracaju/SE.

Colégio Estadual Tobias Barreto.
Prof. Arionaldo Moura Santos.

Esta Escola tem um passado histórico de grande relevância na educação sergipana pois, sua trajetória vem do início do século XX, quando foi fundado na cidade de Estância pelo professor José de Alencar Cardoso,(1) em 09 de maio de 1909, passando a funcionar em Aracaju a partir de 1913. Segundo relatos encontrados no livro da professora Maria Thétis Nunes - História da Educação em Sergipe, era urna de suas características a militarização adotada.

Funcionou nesta Escola o 1º Tiro de Guerra do Estado, que, mais tarde, se transformou na Escola de Instrução Militar. Na década de 1920, era freqüentado pelo elemento feminino. Passando para a administração do Professor Alcebíades Melo Vilas Boas, esteve em atividade até 1969, quando o Governador do Estado Dr. João Andrade Garcez adquiriu os prédios e, em 1976, no Governo do Dr. José Rollemberg Leite, foi instalada a Escola de 1º e 2 º Graus "Tobias Barreto". Estão guardados nela os arquivos do antigo Colégio "Tobias Barreto" e da Escola Técnica de Comércio de Sergipe.

O Colégio Tobias Barreto, pela sua tradição, pela sua notável parcela no setor da instrução em Sergipe pelo empenho que os mestres dessa Casa têm em realizar o aprimoramento moral e mental da juventude, sem dúvida é o educandário que mais tem pugnado pelo engrandecimento intelectual de Sergipe. No decorrer das homenagens dos 30 anos de fundação do tradicional Colégio Tobias Barreto, cuja recomendação melhor está presente na pessoa do seu diretor e superintendente, professor José de Alencar Cardoso, popular mente conhecido, professor Zezinho, o Diário Oficial do Estado, registrou em suas páginas, da edição de 10 de maio de 1939, a extensa programação de suas festividades, bem como alguns depoimentos sobre o Educandário:

“O Colégio Tobias Barreto, ministrando com o máximo de preferência, graças ao selecionado corpo docente que mantém o ensino das disciplinas secundárias, da educação física e da música, sob regimes de externato, internato e semi-internato, militarizado, com um departamento feminino também já muito desenvolvido ocupa uma posição de justa saliência entre os bons educandários do norte do país.

Atingindo tal adiantamento e o renome que hoje desfruta, devem ambos a essa figura admirável de preceptor e formador de jovens consciências, para quem se dirigem os aplausos e protestos de reconhecimento partidos de todas as camadas sociais, contempladas, sem acepção de pessoas, pela solicitude e generosidade de preclaro educador sergipano.”

Três anos mais tarde, durante as festividades do trigésimo terceiro aniversário do Ginásio, em 9 de maio de 1942, não havendo em sua trajetória nenhuma interrupção, a direção homenageou o professor e poeta Artur Gentil Fortes (1881-1944). Na sessão solene falou em nome do corpo discente, o aluno José Bonifácio Forte, filho de Arício de Guimarães Fortes, que proferiu um expressivo discurso, solicitado pelo professor Alencar Cardoso:

“Não sei como exprimir o reconhecimento sincero dos seus alunos desse estabelecimento pelo benefício que ele nos irá prestar, no aprimoramento da nossa cultura, dedicando-se de ora por diante, exclusivamente neste educandário, ao ensino da cadeira de História Pátria e da Civilização.

Sábado passado, deixou, esse querido mestre, com as saudades de seus alunos do Ateneu Sergipense, a cátedra que ali honrou por mais de 26 anos.
Os médicos da Junta médica oficial acharam chegada a hora de forçá-lo a descansar um pouco da luta gloriosa que encerou oficialmente a 5 de julho de 1916, quando o Governo Estadual de então o nomeou professor vitalício da Cátedra de História Geral e do Brasil daquele Ateneu.”

Em seguida representando o Corpo docente, falou o professor José Calasans, proferiu uma eloqüente e substanciosa oração alusiva à vida do referido educandário e ressaltou, pormenorizadamente, o valor do professor Artur Fortes como homem de letras e grande didata e conhecedor profundo da História da Civilização e do Brasil. Por último, agradecendo à homenagem que acabara de receber, o professor Artur Fortes proferiu um longo discurso de agradecimento:

“Que enfadonha monotonia a da existência, si o seu imenso cenário multiface não fosse uma multiplicação continua de contrastes. O anseio de eternidade da vida, bem o sabeis, encontra razão de ser na lei universal de perpetuidade da morte. E como lógica conseqüência, gerações que sem descontinuidade se sucedem herdeiras do conseguido, desejosas de conseguir; e sempre assim, numa como maravilhosa corrente, cujos opostos extremos, principio e fim, só na piedosa mentira da crença encontram enganosa e confortadora explicação.

Os que ficam e os que vão! Dentro do presente, os que olham melancolicamente para traz e os que caminham resolutos e iluminados para frente!”

Ao encerrar a sessão, o professor Acrisio Cruz usou a palavra, ressaltando as atividades educacionais do Ginásio Tobias Barreto, de cujo corpo docente ele se orgulhava de fazer parte e concluiu pondo em relevo à obra do professor Alencar Cardoso a quem Sergipe inteiro admira pelo muito que tem feito à causa do ensino no Estado.

Inspetor Geral – nomeado Inspetor Geral do Ensino Primário, pelo coronel Augusto Maynard Gomes, o professor Alencar Cardoso, passa a responder pelo expediente da Escola Normal - Rui Barbosa, ganhando aquele estabelecimento de ensino mais uma grande oportunidade para cumprir as suas finalidades, dentro da sociedade sergipana:

“Com um tirocínio do magistério que o torna entre nós, o maior educador de todos os tempos, o governo de Sergipe há de ter no professor Alencar Cardoso um auxiliar a altura dos seus desejos de dar mais amplitude no programa de ensino que se traçou e tão bem defendido é pelo dr. José Rolemberg Leite, ilustre diretor geral da Instrução Pública, e melhor amparação por vultos de destaque do professorada sergipano.” (...) “O professor Alencar Cardoso mais uma prova de que Sergipe, pelos seus pró-homens, sabe recompensar os esforços de seus filhos e premiá-los com a sua elevação aos postos que podem honrar.” Registra o Diário Oficial do Estado;

No início de 1943, o professor Alencar Cardoso esteve alguns dias no Rio de Janeiro, onde teve ocasião de receber da grande colônia sergipana ali domiciliada as mais inequívocas provas de respeito e consideração, exteriorizada nas espontâneas manifestações afetivas que lhe foram prestadas. O Diário Oficial do Estado de Sergipe, edição de 21 de março registra:

“Durante o tempo em que permaneceu no Rio de Janeiro, o Inspetor Geral do Ensino Primário procurou manter estreitas relações com as figuras de maior proeminência do magistério carioca, procurando conhecer melhor a organização dos diversos serviços municipais e federais referentes ao nobilitante mistér de ensinar e educar. Com os resultados dessa viagem do Prof. Alencar Cardoso, muito terá, pois a lucrar a instrução pública sergipana.”

A partir de 1942, o Colégio Tobias Barreto é incorporado a Cooperativa de Assistência Financeira do Ensino e Cultura da Mocidade de Sergipe, contando com o apoio do Coronel augusto Maynard e segundo seu diretor não sofreria qualquer transformação radical na sua estrutura educacional, continuaria, dentro da “Cooperativa” a funcionar sob o aureolado nome original – o do seu imortal e glorioso patrono. Na Circular (Meus dignos patrícios e co-estaduanos) assinada pelo professor José Alencar Cardoso, publicada em 8 de julho de 1942 no Diário Oficial do Estado, Cardoso inicia dizendo que:

“Cumpro o grato dever de levar ao vosso conhecimento que o Ginásio Tobias Barreto, tesouro de várias gerações sergipanas, até então, de minha exclusiva propriedade, desde que iniciou suas atividades pedagógico-educativas, vai para mais de trinta anos, aderindo aos largos e superiores propósitos da “Cooperativa de Assistência Financeira do Ensino e Cultura da Mocidade de Sergipe”, recentemente fundada nesta capital e que persegue o amplo objeto de congregar professores e alunos e todos quantos desejem cooperar na obra educacional da mocidade de Sergipe, estreitando-lhe os laços de aproximação, acabar de ser incorporado a essa novel e futurosa Sociedade.

Nenhuma idéia mais patriótica e fraternal não poderia ter surgido nesse sentido, que esta – a de sair do estreito campo em que agem os educadores de Sergipe, à míngua de capitais, para execução de um plano qual seja o prometido pelos estatutos da Cooperativa, que tem no seu programa de ação dotar Sergipe de Escolas superiores, construindo amplos edifícios onde impere um perfeito senso de conforto e ambiente propício ao ensino sadio e técnico, assistência médica, dentária e hospitalar, além de evitando o intermediarismo, proporcionar, por baixo custo, livros, objetos escolares e tudo quanto constitui despesa maior para os estudantes.”

E finalizando a longa Circular, “Fazendo-vos como me cumpria, a presente comunicação, tenho por último o prazer de oferecer-vos meus serviços e meu maior interesse para solução dos problemas educacionais da esperançosa juventude dessa privilegiada terra, nos domínios das coisas espirituais e, bem assim, ao que se reporte à admissão de candidatos aos diversos cursos do Ginásio Tobias Barreto”, com uma maior amplitude dentro no programa de ação da “Cooperativa de Assistência Financeira ao Ensino e Cultura da Mocidade de Sergipe.”

FUNDAÇÃO: Como unidade da rede estadual de ensino, foi fundada em 9 de janeiro de 1976, através do Decreto3328176, na administração do Dr. José Rollemberg Leite e do Secretário da Educação e Cultura Prof. Everaldo Aragão Prado.

DENOMINAÇÃO: Foi batizada pelos seus fundadores de 'Colégio "Tobias Barreto", os quais assim prestariam homenagem a uma das figuras mais expressivas do mundo intelectual sergipano e brasileiro Tobias Barreto de Menezes. Ao ser adquirido pelo Estado, foi mantida a denominação, passando a chamar-se Escola de 1º e 2º Graus "Tobias Barreto". Hoje, é Colégio Estadual "Tobias Barreto".

LOCALIZAÇÃO: Está localizada na Rua Pacatuba, n. 288, Centro - em Aracaju - Sergipe.

AUTORIZAÇÃO: Foi autorizada a funcionar pela Resolução n. 39/76 de 3 de junho de 1976, sendo reconhecido pelo mesmo ColegiaRo pela Resolução 31/81 de 25 de março de 1981.

CURSOS OFERECIDOS: Estando situada em local privilegiado, goza de grande preferência pela sociedade sergipana na procura dos cursos nela ministrados. Em 1990, por exemplo, eram oferecidos: 1º grau - da 5ª à 8ª séries; Contabilidade e Administração - em nível de 2º grau.

MATRÍCULA: Em 1990, a matrícula atingiu o total de 1.200 alunos no 1º grau e 650 no 2º grau, distribuídos em 39 turmas, nos três turnos, assistidas por técnicos em Pedagogia e professores em sua totalidade portadores de curso superior, sobretudo, licenciados, com uma filosofia de ensino seguindo o princípio "Servir e Educar".

ADMINISTRAÇÃO:: Este Colégio sempre contou com grandes equipes administradoras:

1978 - Prof. José Araújo Santos,
1979 - Antônio Dantas, - diretor,
Geraldo José Santana - vice-diretor;
1983- Maria da Conceição Lisboa Alves de Almeida - diretora
1984 - Maria da Conceição Lisboa Alves de - diretora,
1987 - Maria Helena Silva Freire - diretora,
Geraldo José Santana - vice-diretor,
Maria da Graça Rolemberg Azevedo - vice-diretora,
Maria Enalva Andrade Santos.
1991 - Maria da Graça Rolemberg Azevedo - diretora,
Geraldo José Santana - vice-diretor, _
Maria Enalva Andrade Santos - vice-diretora, ,
Ruth Prado Barreto - vice-diretora;
1993 - Pedro Amado de Oliveira Nunes - diretor,
Geraldo José Santana - vice-diretor;
Gladston Batalha de Góis - vice-diretor,
Ruth Prado Barreto - vice-diretora,
Luiz José de Santana;
1995 - Geraldo José Santana - diretor,
Maria Ortênsia de Melo Cardoso - vice-diretora,
Júlia Alta Sá Trindade - vice-diretora
1997- Katia Suyane Travassos S. Araújo- diretora
2000 - Júlia Alta Sá Trindade - diretor,
Maria das Graças Menezes - coordenadora,
Rosa Maria Araújo de Oliveira - coordenadora,
Rosa Maria Martins Santos - secretária.
2003 – Jacy Souza Santos – diretora
2007 – Leilde Aquino Santana de Souza - diretora
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1- Expulso da Escola Militar do Realengo em virtude de ter se envolvido na revolta de novembro de 1904, retorna a Sergipe o professor José Alencar Cardoso (1878-1964) e funda em 9 de maio de 1909 na cidade de Estância este educandário que completa cem anos de funcionamento ininterruptos. Educador de rara têmpera a quem deve o Estado a formação cultural dos seus mais dignos homens, Professor Zezinho jamais deixou de lado o seu reconhecimento aqueles que integravam o seu corpo docente, do qual faziam parte os maiores vultos da intelectualidade sergipana.

A Revolta da Vacina – No caótico processo de urbanização, a falta de saneamento básico e higiene pública eram regra e criavam um quadro propício para a proliferação de doenças e epidemias que deveriam ser combatidas. Com o tempo essa questão deixou de ser apenas um problema médico-sanitário para transformar-se numa questão social e política. Em 9 de novembro de 1904, o governo decretava a obrigatoriedade da vacina contra a varíola.

Comandava a campanha o Dr. Oswaldo Cruz, jovem promissor àquela altura, responsável pela diretoria da Saúde Pública da capital Federal. O Governo de Rodrigues Alves (1902-1906) que havia negado a demitir Oswaldo da direção do Departamento, mais uma vez resistiu às pressões, recusando-se a desligar o ministro da justiça de sua equipe de governo. A situação tornava-se cada vez mais complicada para o Presidente. Em 14 de novembro, a ação popular continuava a paralisar o dia-a-dia dos cariocas e, nos comícios, o presidente e o médico Oswaldo Cruz era apontado como os maiores inimigos do povo.

Por isso, à noite, alunos da Escola Militar da Praia Vermelha e outros militares do Realengo, entre eles o cadete José Alencar Cardoso, rebelaram-se contra o presidente. Desconcertados com a debandada das forças leais ao presidente, os alunos da Escola Militar, ao invés de continuarem a marcha em direção ao palácio do governo, preferiram procurar um tenente conhecido que morava nas proximidades. Como não encontraram o oficial que poderia liderá-los, os cadetes desistiram de atacar o palácio onde se encontravam Rodrigues Alves e um pequeno grupo de civis e militares fiéis ao presidente da República. O governo perdeu completamente o controle da capital, só retomando com a ação do Exército, da Marinha e da Guarda Nacional. A Revolta tornou-se epidêmica.

Segundo o jornalista Zózimo Lima (1889-1974) em artigo publicado no Correio de Aracaju em 28 de setembro de 1945 e republicado em Variações em Fá Sustenido (2003) tece comentário acerca das boas ações praticadas pelo professor Zezinho, comparando-as com as desenvolvidas por São João Bosco (1815-1888), que se preocupava com o destino das crianças pobres e abandonadas, por isso fundou a consagração dos Padres de São Francisco de Sales, ou salesianos (1851) e a congregação das Filhas de Maria Auxiliadoras, ditas salesianas (1872), ambas dedicadas à educação e à instrução profissional das crianças do povo. Assim escreve Zózimo em sua crônica:

“Narro-o porque pratico um ato de reconhecimento. (“Nullum officium referenda gratia magis necessarium referenda gatia magis necessarium est. “) – Cícero. Encontrei-me, certa feita, vai para pouco mais de um lustro, a braços com situação financeira mui difícil, decorrentes de sucessivos casos de moléstia na família. Quando fui avisar ao professor Zezinho que deliberara, por não mais dispor de recursos, retirar dois filhos do seu Colégio, opôs-se ele ao meu intuito com a declaração de que os meus rapazes, mesmo sem pagar, lá terminariam o curso secundário. Agradeci-lhe a generosidade e esperei que passasse a tempestade para que meus filhos reiniciassem o curso interrompido.

“Jamais pôde ele, decorrente desses atos de proteção ao estudante pobre, amealhar qualquer importância para proteger-se, na velhice, contra os azares da sorte.”

Apesar de ser funcionário público, José Alencar Cardoso, era pobre e não possuía um lar próprio onde pudesse viver seus últimos dias tranquilamente. Pai, nos bancos escolares e fora deles. Professor Zezinho, mestre e formador de gerações, o descobridor de futuros talentos, ídolo de uma geração inconformada, por suas mãos passaram as lições tomadas por rapazes e moças de todas as condições sociais.

A imortalidade do seu nome será de pequena valia para o tanto que fez com paciência, desenvoltura e boa vontade. O Professor José de Alencar Cardoso, filho do poeta estanciano Severiano Cardoso (1840-1907), faleceu nas primeiras horas da madrugada de 4 de maio de 1964, nesta capital em sua residência à Avenida João Ribeiro, 1244, sendo o sepultamento realizado com enorme acompanhamento, no cemitério Santa Isabel. O Governador do Estado, Sebastião Celso de Carvalho, ao ser informado sobre o falecimento do professor Zezinho, decretou feriado escola e determinou à Secretaria de Educação, Cultura e Saúde, providenciar para convocar as representações dos diversos estabelecimentos de ensino quer público ou particular comparecimento no sepultamento do inesquecível educador.

Em companhia do Dr. João Marques Guimarães, Secretário de Imprensa e Capitão Nívio Matias, ajudante de Ordens, esteve na residência do falecido onde apresentou condolências à família enlutada e comunicou-lhe a decisão do Governo do Estado de custear os funerais. Após o velório, o Chefe do Executivo enviou uma coroa fúnebre, com os seguintes dizeres: “Ao Professor José de Alencar Cardoso,, Mestre inesquecível de tantas gerações, homenagem do Governo do Estado.” Em seguida o Governador Celso Carvalho juntamente com Secretários de Estado e membros da Casa Civil e Militar, compareceu aos funerais do saudoso professor.

Fonte: webartigos.com/artigos

Reproduzido do site: webartigos.com/artigos

Felisbelo Firmo de Oliveira Freire


Ilustres Sergipanos:

Felisbelo Firmo de Oliveira Freire.

Nasceu em Itaporanga, Sergipe em 30 de janeiro de 1858 tendo concluído o curso de medicina na Bahia. Regressou ao seu Estado natal, para exercer a profissão, no interior (Laranjeiras) em 1882. Filiou-se ao grupo cientificista, desenvolvendo grande atividade como publicista, inclusive envolvendo-se em múltiplas polêmicas. Com a República, ingressou na política tendo sido o primeiro governador de Sergipe no novo regime. Participou da elaboração da Carta Constitucional de 1891 e foi ministro do governo Floriano. Subsequentemente ocupou-se da elaboração de obra representativa no âmbito do direito constitucional brasileiro. Faleceu em 7 de maio de 1916, aos 58 anos.

Fonte: cdpb.org.br

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Enrica Mininni emociona ao se tornar cidadã sergipana

Enrica Mininni emociona ao receber Título de Cidadã Sergipana na Alese.
Foto: César de Oliveira.

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 07/11/2016.

Enrica Mininni emociona ao se tornar cidadã sergipana.

Governador Jackson Barreto participou da solenidade.

A italiana Enrica Mininni, recebeu na tarde desta segunda-feira, 7 durante Sessão Especial na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), o Título de Cidadã Sergipana. A propositura é de autoria da deputada Ana Lúcia Vieira (PT). A solenidade foi presidida pelo deputado Luciano Bispo (PMDB) e contou com a presença do governador Jackson Barreto (PMDB), que disse estar muito feliz em tê-la como conterrânea.

A deputada Ana Lúcia, ressaltou que Enrica é uma italiana extremamente preparada que escolheu Aracaju há mais de 50 anos para viver. “Enrica trabalhou com Dom Távora, com Dom Luciano e agora com Dom Lessa. É uma mulher que nós devemos muito quanto às atividades sociais da Arquidiocese de Aracaju. Participou da Reforma Agrária; participa de todas as lutas em defesa da criança, do adolescente, dos idosos, dos soropositivos. Coordenou por muito tempo as pastorais, hoje é coordenadora da Cáritas e nós vamos estar reconhecendo hoje o que ela já é de fato: uma cidadã sergipana”, destaca lembrando o atual momento de retirada de direitos no Brasil e a participação de Enrica nas edições do Grito dos Excluídos.

Tomada por muita emoção, a homenageada disse não se sentir estrangeira. É um momento de reencontro com as pessoas com quem trabalhamos, caminhamos juntos, ficamos alegres juntos, choramos juntos. E saber que a indicação da deputada Ana Lúcia foi aprovada por unanimidade, me deu muita alegria, uma responsabilidade muito grande. São 50 anos de caminhada e estou vendo como um momento de fazer um resumo da nossa vida, dos trabalhos e do crescimento humano. Espero poder ainda trabalhar muito por esse povo do Brasil e principalmente pelo povo sergipano, que foi de um acolhimento fora de série. Já vivi em muitos lugares do mundo, mas nunca tinha encontrado uma receptividade, uma bondade, um acolhimento como aqui em Sergipe. Eu nunca me sento estrangeira e isso foi muito importante para mim, me sentir uma sergipana em terras brasileiras”, comemora.

O arcebispo de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa completou: “Ela chegou jovenzinha ao Brasil, mergulhou como uma cristã que podia ter constituído uma família natural, mas por causa de Jesus e por causa dos pobres, dedica a vida nos serviços aos pobres. A sociedade através dos seus legisladores soube reconhecer esse trabalho tão bonito de alguém que veio de fora”.

Para o governador de Sergipe, Enrica Mininni merece a homenagem recebida na Alese. “Uma bela homenagem, Enrica merece. Ela tem uma vida longa de serviços prestados a Sergipe. Chegou aqui pelas mãos de Dom Távora, quem o conheceu sabe que dominava a cabeça, o coração, as mãos, os passos de Dom Távora, o compromisso social. Depois conheci o trabalho de Enrica nas fazendas comunitárias e programas de Reforma Agrária com Dom Luciano. Sempre a encontrei envolvida nas questões sociais ligadas ao compromisso da Igreja Católica. Fico muito feliz em tê-la como conterrânea. Enrica merece por tudo que ela fez por nossa gente”, enfatiza.

Homenageada

Enrica Mininni nasceu em Roma (Itália) em 06 de setembro de 1939. Filha de Michele Mininni e Maria De Rossi, teve quatro irmãos: Luigi, Anna Maria, Paola e Franco. Viveu em Roma até concluir os estudos de nível médio, recebendo o Diploma de Contadora. Logo em seguida, em 1958 entrou na Associação de Fraternidade Internacional (AFI), em Bruxelas, na Bélgica, da qual continua a fazer parte como membro efetivo. Após um ano de estudos bíblicos e teológicos, voltou à Itália onde cursou a Faculdade de Economia e Comércio na Universidade Scro Cuore de Milão, recebendo a “Láurea de Doutor em Economia e Comércio”, em 1963.

Trabalhou mais dois anos em Milão, no Crocevia (Encruzilhada), projeto da AFI, destinado a acolher, num contexto de intercâmbio internacional, estudantes e profissionais de diversos países do mundo. Em outubro de 1966 chegou ao Brasil, vindo a Aracaju para integrar uma equipe da AFI, a convite do arcebispo Dom José Vicente Távora. Trabalhou, inicialmente, numa pesquisa socioeconômico-religiosa na Região da Cotinguiba, e em seguida na equipe de Coordenação do Secretariado de Pastoral da Arquidiocese de Aracaju.

Trabalhou como secretária executiva, de 1968 a 1988, na Promoção do Homem do Campo de Sergipe (PRHOCASE), uma experiência de Reforma Agrária, idealizada e realizada por Dom Luciano, através de cinco fazendas comunitárias para centenas de famílias de camponeses sem terra. Durante esse período cursou a Faculdade de Administração, nas Faculdades Integradas Tiradentes, em Aracaju, recebendo o diploma em 1983.

Desde 1988, continua exercendo o cargo de superintendente da Sociedade Sergipana de Cultura, entidade da Arquidiocese de Aracaju, responsável por diversas obras sociais na capital e no interior, junto a mulheres e crianças em situação de risco e vulnerabilidade social como a Escola João XXIII, O Centro Educacional Bem me Quer e a Creche Dom Távora.

Desde o final dos anos 90 foi designada coordenadora da Pastoral Social da Arquidiocese de Aracaju, além de realizar articulações e mobilizações junto aos Movimentos Sociais e Populares, como plebiscitos e o Grito dos Excluídos. A partir de 2001 participou da criação da Cáritas Arquidiocesana de Aracaju, a pedido do arcebispo Dom José Palmeira Lessa, da qual é a atual coordenadora acompanhando os trabalhos da Casa de Apoio O Bom Samaritano para portares de HIV. Foi Membro Titular do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Aracaju, em 2014 e 2015.

Enrica tem exercido um papel fundamental através da Arquidiocese de Aracaju, junto às pastorais sociais, aos movimentos populares e à sociedade civil, de conscientização, acolhimento e se somando nas mais variadas lutas da classe trabalhadora, dos humildes e excluídos, pela garantida dos direitos sociais, políticos e econômicos; sendo merecedora de várias homenagens, entre elas, a Medalha Quintina Diniz, também na Assembleia Legislativa de Sergipe.

Participaram da Sessão Especial, o presidente da Alese, deputado Luciano Bispo, a autora da indicação Ana Lúcia (PT), os deputados Maria Mendonça (PP) e Samuel Barreto (PTC); familiares e amigos da homenageada.  O Coral da Alese – Corales, prestigiou com o Hino Nacional.

O presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Luciano Bispo encerrou a Sessão Especial destacando que “os sergipanos é que estão felizes em recebê-la como uma filha. Quero dizer que essa Casa faz justiça. A senhora é a pessoa mais importante nesse momento e Sergipe está muito orgulhoso pelo seu trabalho em favor dos mais pobres”.

Fonte: Alese.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Os 100 anos de Seixas Dória.

Foto postada por MTéSERGIPE, para ilustrar artigo.
Imagem reproduzida do site: globotv.globo.com/tv-sergipe

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 07/11/2016.

Os 100 anos de Seixas Dória.

O ex-governador Seixas Dória, vivo fosse, faria 100 anos
Por Marcos Cardoso*

O ex-governador Seixas Dória, vivo fosse, faria 100 anos no dia 23 de fevereiro de 2017. Esse herói sergipano nascido em Propriá e que quase deu a vida na defesa dos seus ideais de liberdade e justiça, faleceu há quase cinco anos, em 31 de janeiro de 2012.

A homenageada coluna política “Painel” da Folha de S.Paulo quase dez anos atrás cometeu uma “barrigada” jornalística e uma ofensa histórica aos sergipanos quando noticiou que, após a morte de Miguel Arraes, o então prefeito de São Paulo, José Serra, teria passado a ser o único sobrevivente entre os oradores do histórico comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. Um e-mail foi enviado ao “jornal a serviço do Brasil”, esclarecendo que o ex-governador João de Seixas Dória estava vivíssimo, do alto do seu pouco mais de metro e meio de altura e 88 anos e meio de memória, a lembrar que foi um dos principais oradores daquela noite de sexta-feira, dia que definiu a queda de João Goulart e que desencadeou o golpe militar. Mas eles não se deram ao trabalho de publicar nem um “erramos”. Autocentrado, o paulista vive às voltas com os mistérios do próprio umbigo.

José Serra estava lá, tinha 21 anos, era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e foi o segundo orador da noite. Discurso frio, de principiante. Além, de Jango, os oradores mais aguardados pela multidão de 200 mil pessoas que se espremia na Praça da República, centro carioca, eram mesmo o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e Seixas Dória. Este colunista abre um parêntese para fazer uma inconfidência. Em conversa com o ex-governador sergipano, ele transmitiu uma opinião e pediu que não fosse publicada, era informação em off: “Eu acho que fui o mais aplaudido”. Quem há de duvidar? O talento de Seixas Dória para discursar era reconhecido.

Ibarê Dantas (História de Sergipe República: 1889-2000) recorda que, quando Seixas Dória discursava, não perdia oportunidade de exercitar sua retórica, que se apresentava “mais incandescente” nos discursos proferidos fora do Estado. “Seu pronunciamento de maior repercussão foi no famoso comício de 13 de março, no Rio de Janeiro, quando anunciou bombasticamente que, ao retornar a Sergipe, iria fazer a reforma agrária”, conta o historiador. O comício resultou na cassação dos mandatos dele e de Miguel Arraes. Os ex-governadores que defendiam as Reformas de Base foram obrigados a conviver por longos quatro meses no degredo em Fernando de Noronha.

Arraes foi preso já no dia 1º e enviado imediatamente ao arquipélago. Seixas, na madrugada do dia 2 de abril, sendo encaminhado primeiro ao 29º Batalhão de Caçadores, em Salvador, onde passou sete dias. Da prisão na capital baiana, enviou carta ao presidente empossado, Humberto de Alencar Castello Branco, desafiando-o a apontar o crime pelo qual estava pagando. Não obteve resposta, claro. Ali mesmo, o Exército lhe ofereceu a possibilidade de retornar ao governo de Sergipe, desde que assinasse um manifesto de apoio ao novo regime, como fizeram alguns governadores para se garantirem nos cargos. Seixas negou-se a assinar: como olharia para a mulher, os filhos e os amigos depois? Foi embarcado também para Fernando de Noronha.

“Miguel Arraes falava pouco, mas tinha opiniões muito sábias”, disse o ex-governador de Sergipe, acrescentando que guardava as melhores recordações do colega cearense que se tornou líder socialista e governador de Pernambuco por três mandatos, morto no dia 13 de agosto de 2005, também aos 88 anos. “Foi um homem singular, que gostava de rapadura e que queria que eu também comesse. Mas eu não gosto de rapadura”, afirmou Seixas Dória, revelando que, indiretamente, evitou que ambos fossem assassinados.

“Uma vez, Arraes propôs que nós fugíssemos. No nosso quarto, havia um buraco no chão coberto por uma tampa que nós poderíamos retirar e escapar por ali. Eu fiquei receoso e ponderei: ‘Como nós vamos sair da ilha? O continente é distante e acontece que eu não sei nadar!’ Depois, nós íamos dar razão para que nos matassem. Aí eu o convenci do contrário.”

Arraes e Seixas liam muito na prisão, inclusive os jornais Última Hora e Correio da Manhã, que eram contra o regime, mas que chegavam às suas mãos graças à simpatia do coronel que governava o arquipélago. “Era um homem civilizado, que nos tratava com respeito”, acrescentou. Ali, ele começou a escrever os depoimentos que acabaram resultando no livro Eu, réu sem crime, um libelo contra a opressão, publicado graças à interferência do amigo jornalista e conterrâneo Joel Silveira e o apoio do jornal Correio da Manhã. O livro tornou-se best-seller e vendeu mais de 5 mil exemplares na noite de autógrafo, segundo cálculo do autor, lembrando, humildemente, que o número é contestado. Rubem Braga escreveu, surpreendido, que a noite de autógrafos da Livraria Entrelivros, no Edifício Avenida Central, resultou na venda de 2.432 exemplares.

“Espero que os rapazes do DOPS e os do SNI, que certamente estavam por lá, tenham informado corretamente o coronel Borges e o general Golbery: toda essa gente, na maioria humilde, fazia questão de mostrar que estava solidária com o homem que foi arrancado do governo e preso durante meses injustamente. E que a gente do governo sinta que a homenagem não era apenas à pessoa de Seixas Dória: era a todos os que são demitidos, humilhados, presos e torturados. Sinta que o povo brasileiro não aprova esses processos de opressão”, disse o maior dos cronistas, em texto publicado no Jornal do Brasil no dia 29 de dezembro de 1964.

Seixas Dória lembra que o momento de maior aflição para ele e sua família aconteceu pouco antes de ser libertado. “Um dia, em Fernando de Noronha, eu fui raptado por um grupo radical do Exército e levado de volta à Bahia”. Nem ele e nem sua família sabiam onde se encontrava. Havia rumores de que estava desaparecido. “Não fui morto porque se levantou um clamor da imprensa e de alguns políticos cobrando uma explicação para o meu desaparecimento”. Então mandaram o general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar do governo Castello Branco, para mostrar à família e à sociedade que ele estava vivo. “O general me perguntou se eu estava sendo maltratado no 19º BC. Eu respondi que dependia da interpretação que se quisesse dar. Eu comia a mesma comida dos oficiais, portanto, nesse sentido não era maltratado. Mas convivia diariamente com os gritos de dor dos torturados”.

No final do mês de março de 2004, quando a Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, promoveu um evento para debater os 40 anos do golpe militar, Seixas Dória e Miguel Arraes participaram como conferencistas. Ali, o ex-governador sergipano definiu o movimento como uma “revolta” e não uma revolução, como denominavam os conspiradores. “Revolta é saque, é sangue, é desordem, é violência, é quartelada. Revolução é quebra de estruturas arcaicas”, comparou. E aproveitou para denunciar o descaso histórico dos governos nacionais com o Nordeste. Descaso que está na divisão inconsciente que há entre o Brasil do sul e o Brasil do norte e que se repete agora, quando o maior jornal do país esquece de um herói sergipano, um herói nacional.

No dia do lançamento de Eu, réu sem crime, 22 de dezembro de 1964, Joel Silveira escreveu assim no Correio da Manhã: “João de Seixas Dória, (...) 1,56 de altura, 58 de peso, gestos inquietos, palavra fácil, humilde e teimoso ao mesmo tempo — um ‘carne de pescoço’. (...) Quando Sergipe acerta, é assim. Acertou com Tobias, com Sílvio, com João Ribeiro. No caso de Seixas Dória, estava acertando como governador, que em catorze meses de governo modificou radicalmente a fisionomia oligárquica e semifeudal do Estado; e acertou em cheio com o prisioneiro.”
Quem não acertou foi a Folha de S.Paulo, que nunca corrigiu seu erro.

* Marcos Cardoso é jornalista, autor de "Sempre aos Domingos:
Antologia de textos jornalísticos".

Texto reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/marcoscardoso

Doido ou Burro: Na visão do Prof. Barretão.




Publicado originalmente no Facebook/Clarkson Moura, em 6 de novembro/2016.

Doido ou Burro: Na visão do Prof. Barretão. 
Por Clarkson Moura.


Para os coestaduanos, jovens ou adultos, que não tiveram o privilégio de conhecê-lo ou ouvir falar dele; permito-me, com o devido beneplácito, a honra de apresentar-lhes, na minha intelecção, um dos autênticos "Orgulhos da Sergipanidade". Trata-se do saudoso e imortal Prof. José Barreto Fontes, reverente e popularmente chamado de "Prof. Barretão" ou "Barretão", sergipano dos quatro costados, químico industrial de ponta, professor universitário excelente, cientista consagrado, Intelectual notório etc.

Como os verdeiros gênios, o ilustre sergipano era simples, espontâneo, comunicativo, erudito, criativo, cartesiano, resignado, atencioso, curioso, liberal, solícito e brincalhão.

Suas aulas cotidianas registravam 100% (cem por cento) de presença e pontualidade espontâneas de nós, assíduos e incondicionais alunos, independentemente das turmas e períodos seriados. Todos nos esforçávamos para chegar, com antecedência, à sala de aula, onde se tornaram corriqueiras as disputas acirradas por carteiras ou bancadas situadas nas primeiras filas ou lances, em face do espaço de circulação do querido Mestre. Nenhum de nós queria perder uma só palavra de suas teóricas ou práticas lições, bem como deixar de ouvir seus gracejos e piadas.

Volta e meia, o inesquecível Professor contava, de forma peculiar, um caso concreto e tragicômico de sua diferenciada vida: "Por estranho que pareça, nasci ali, em Laranjeiras, na 'Rua da Bosta'. Antes que um de vocês me pergunte o porquê desse nome, eu lhes explico: nos fundos do terreno onde era erguida a casa de meus Pais, passa o Rio Cotinguiba.
Pela presença mais impetuosa deste, não se tinha quintal, mas uma nesga de terra escarpada. Cavar uma rasa vala, nem pensar, a água aflorava. O penico, que, no linguajar mais polido, era chamado urinol e vaso, era a única alternativa indispensável.
De outra banda, o leito das ruas era de terra, não tinha sequer um rústico ensaio de assentamento de pedras irregulares, na melhor das hipóteses, de um material misto de areia e argila, brotavam gramíneas e erva-daninhas.

Como o dadivoso Continguiba era uma fonte de subsistência, de renda, de água para uso doméstico, para matar a sede dos animais irracionais, não restou à época -- segundo o veraz depoimento de Barretão -- outra solução mais plausível, prática e imediata, a não ser fazer a discreta, a primeira das altas hora da madrugada, a mais dissimulada deposição do produto de suas eventuais necessidades fisiológicas, beirando à perfeição dos gatos".

Passados alguns anos, como filho de ourives e joalheiro bem-reputado, "Seu Sindulfo", eu já graduado em química, agraciado com algumas distinções honoríficas, titular de uma cátedra do famoso Instituto de Química de Sergipe, inventor de um engenho patenteado. Até aí, tudo bem, tudo natural.

Eis senão quando, um vereador de Laranjeiras, a outrora Atenas Brasileira, teve a justificável ideia de homenagear, entre uma extensa plêiade de mentes privilegiadas, mais uma de seus inúmeros conterrâneos, sugerindo, no corpo de seu projeto, denominar a antiga e consagrada 'Rua da Bosta', doravante a nascitura lei, 'Rua Prof. Barreto Fontes'"

Consoante não poderia ser diferente, a vereança, reconhecendo a notoriedade profissional do homenageando, concordou adotar o regime de urgência urgentíssima no trâmite e garantiu-lhe pauta, discussão e aprovação o mais depressa possível. Conquanto, naquela época, não houvesse, nem ao menos, precogitação das instantâneas e interativas redes sociais, as fofoqueiras de plantão, ao longo de duas horas, espalhariam o distorcido rumor do embrionário Projeto de Lei.

Antes de começar a sessão em que a justa e merecida proposta seria discutida e aprovada, uma turba de moradores da 'Rua da Bosta' invadiu a galeria da Câmara e, aos berros, proclamava: "Ou 'Rua da Bosta' ou nada!"

A partir daí, perguntei-lhe: Qual o resultado, Mestre? Sem titubeio e ressentimento, o Lente respondeu-me: "O Povo laranjeirense de então preferiu a Rua da Bosta' à 'Rua Prof. Barreto Fontes".

Noutra ocasião, estávamos a conversar, quando, de repente, eu, um tanto quanto indiscreto, resolvi fazer-lhe uma sincera indagação: Professor por que aqui, em Sergipe, é tão comum ou melhor, chega a ser até brincadeira recorrente e inofensiva tratar, mesmo em público, a alguém de "Doido"? Antes de mo responder, ele me faz outra exploratória pergunta: "Isso, meu Filho, lhe acontece esporádica ou frequentemente?" De pronto, respondi-lhe: Frequentemente!

E do elevado de sua notória e rara Sabedoria oraculou:

"Em Sergipe é sempre assim: quem não é doido é burro. Só existem essas duas classes.

Por isso, todas as vezes que me chamaram de Doido, senti-me elogiado: prefiro ser doido a burro!

Ou você prefere ser burro a doido?!"

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Clarkson Moura.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sergipana Mônica Meira vai lançar o livro de poesias ‘Sala de Estar’

Foto: Júlia Duarte/Divulgação.

Publicado originalmente no site do G1 SE., em 04/11/2016.

Sergipana Mônica Meira vai lançar o livro de poesias ‘Sala de Estar’
'Livro contempla a vida e a diversidade de sentimentos do ser',define autora.

Ela escreve contos, crônicas e poesias desde a infância.

Do G1 SE.

A poeta sergipana Mônica Meira vai lançar a obra ‘Sala de Estar’ no dia 16 de novembro, às 18h30, na Livraria Escariz, localizada na Avenida Jorge Amado, 960, no Bairro Jardins em Aracaju (SE).

Segundo definição da própria autora, o livro contempla a vida e a diversidade de sentimentos do ser diante de si, do outro e do mundo. “Traduz a volubilidade das emoções diárias e também as permanências que transitam estáveis até que um dia comum as transgridam. Como a pena que pairando ao vento ensina sobre a delicadeza diante do desafio”, descreve.

‘Sala de Estar’ é um livro introspectivo que imerge na intensidade dos sentimentos mais profundos, mas também na força da existência das coisas mais simples.

Apesar de ser lançado oficialmente só no próximo dia 16, o livro já está em pré-venda no site da autora.

Biografia.

Mônica Meira tem 27 anos, é graduada em Direito pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e desde a infância escreve contos, crônicas e poesias. Ao longo desse período, ela publicou os trabalhos em uma página virtual chamada Vermelho Vivo.

Em 2012, foi uma das vencedoras de um concurso cultural com a crônica ‘O Encontro’, que foi ilustrada e publicada em um livro. Em 2014, realizou a primeira oficina de poesia em parceria com o projeto Rodas da Vida do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se/sergipe

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Discurso de posse na Academia, do escritor Antônio Saracura



Discurso de posse de Antônio F. J. Saracura, na cadeira 10 da Academia Sergipana de Letras, em 31 de outubro de 2016.

1. Saudações:

Excelentíssimo presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento, em nome de quem saúdo todos os demais membros aqui presentes da histórica arcádia.
Excelentíssimo presidente da Academia de letras do amplo sertão sergipano professor Vasko, em nome de quem saúdo todos os acadêmicos de todas as academias dos municípios, de instituições, etc. aqui presentes,
Padre José Carvalho de Souza, o eterno reitor do Seminário, educador de três gerações de minha família:eu, meus filhos e meus netos.
Minha mãe, Florita de Zé de Pepedo Saracura, 95 anos e dez meses de muita sabedoria, ela sabe tudo e deveria ser o escritor da família (hoje amanheceu sem condição de sair);  Meu irmão, José Silva de Jesus, Rita de Cássia, Fernandes, Zé Luiz, Marinês, Neuza Maria, Adler, Maria Inês, em nome dos quais saúdo os membros de meus povos Saracuras e Ferreiros aqui presentes ou torcendo por mimem algum recantgo desse país imenso.
Meu presidente da Academia Itabaianense de Letras, Vladimir Souza Carvalho, que proferiu o discurso de saudação: saudações serranas. A Domingos Pascoal de Melo, meu guru,  que tenho na conta de um irmão. Queridas poetisas que declamaram ou declamarão poemas aqui hoje,  Dirce Nascimento, Jane Guimarães e Martha Hora. Em nome de vocês eu saúdo a todos que tomam parte ativa nesta cerimônia de posse, a começar por minha prima, neta do mitológico Zé Antônio Ferreiro, Josevanda Mendonça, que aceitou ser a mestra de cerimônia.
Minha esposa Josefa Iracilda Pinheiro, meus filhos e meus netos. Em nome deles saúdo todas as famílias presentes.
Demais pessoas que me deram a imensa honra de vir hoje aqui à minha posse na Academia Sergipana de Letras, notadamente os que vieram de Itabaiaiana:  Fefi, Zé Carlos da madeireira... E os que são daqui mesmo, dessa minha segunda pátria, Aracaju: Alonso, Luduvice, ....

2. Introdução:

Sinto-me premiado em ter sido eleito para ocupar uma cadeira na Academia Sergipana de Letras, histórica arcádia que acomoda os grandes intelectuais de Sergipe desde 1929. É muito mais do que se  tivesse ganho o Jabuti ou o Brasil Telecom, galardões ambicionados pelos literatos da língua portuguesa. Trabalhei duro, publiquei livros que foram lidos, mas o prêmio vai além, sinto assim.
Nas campanhas, foram três, tive de quebrar tabus, e “pedir”: verbo que nunca soube conjugar adequadamente. Recuei ante plumagens eriçadas, mas fui recompensado, com folga, pelas portas que se abriram e pelos corações que me acolheram em festa. Finalmente, a vitória, que é boa demais! Todos os 40 acadêmicos da Sergipana, mesmo os que não puderam vir ao pleito, sinto que votaram em mim, ou quiseram fazê-lo em algum momento. Ouso assim me apropriar de um patrimônio que será útil na minha missão de trabalhar junto.
Eu não ganhei um prêmio apenas, mas dois. Além da eleição à Academia Sergipana de Letras, ganhei a cadeira 10. Uma nobre cadeira. Como um desígnio do destino. Sei que todas as cadeiras dessa arcádia são nobres. Seus ocupantes, nesses quase cem anos, as fizeram assim. Mas nenhuma é como a cadeira 10, para mim, ela me coube, e é uma cadeira de pura poesia. Todos os ocupantes anteriores foram poetas, desde o patrono: Elziário Prudêncio da Lapa Pinto; também o primeiro ocupante e fundador: Artur Gentil Fortes (o poeta da rosa vermelha); e o segundo ocupante: Severino Pessoa Uchoa; e, por fim, Hunald Fontes de Alencar, meu antecessor.
E eu?
Sinto-me poeta também. A poesia ronda, como um enxame de abelhas, a minha cabeça desde menino, quando meu avô Totonho Bernardino, no Sítio dos Ferreiros, nas Flechas de Itabaiana, recitava cordéis para uma roda de matutinhos encantados. Ronda, ronda e nunca se desgarrou de mim. A prosa que escrevo tem o tom das cantigas de amor e de dor. Acho isso!
Cadeira de pura poesia! Vou levá-los, em rápida viagem, aos velhos livros da Biblioteca da Academia Sergipana de Letras, e aos Sítios da Web, em especial, ao do professor Antônio Miranda, a quem presto uma homenagem pelo zelo com que trata a poesia sergipana e a brasileira[i]; e ao Jornal da Poesia, o mais visitado site da língua portuguesa na internet, mantido por um semideus, o cearense Francisco José Soares Feitosa.[ii]

3. O patrono da cadeira: Elziário Prudêncio da Lapa Pinto

Inicialmente, conheceremos um pouco do patrono da cadeira 10, Elziário Prudêncio da Lapa Pinto.
Por ocasião da visita de Dom Pedro II a Aracaju, no dia 13 de janeiro de 1860, Elziário dirigiu alocução ao imperador e à imperatriz, em nome dos habitantes da Barra dos Coqueiros.
Atuou como voluntário na Guerra do Paraguai, sem se envolver diretamente no conflito. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Peru, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e dedicou-se ao estudo da medicina homeopática.
Perfeito artista do verso, imaginoso e fluente, nutriu, com Gonçalves Dias, a ideia de nacionalizar a poesia, dando-lhe uma feição brasileira.
Contemporâneo de Tobias Barreto, Machado de Assis, Carlos Gomes, Afonso Celso e Castro Alves, além de Gonçalves Dias, sofreu influência desses monstros todos.
O Festim de Baltazar, composição de notável valimento, gênero épico-lírico, é seu poema mais conhecido. Mereceu louvores de Alexandre Herculano. Sílvio Romero o considerou um dos mais belos da língua portuguesa.[iii][iv].

“O Festim de Baltasar (Elziário Lapa Pinto).

“Rompe a orquestra — e as concubinas,
Com os seios nus, palpitantes,
Entoam febris descantes,
Lasciva, ideal canção;
E em volta ao seu trono de ouro
Nabonid, rei poderoso,
Sente a alma a nadar no gozo,
Em que se afoga a razão.”

4. Arthur Fortes, primeiro ocupante da cadeira

Arthur Fortes, o fundador da cadeira e o primeiro ocupante, era muito mais poeta em pessoa do que na obra escrita, avalia Jackson da Silva Lima, o grande cientista da cultura sergipana.[v] Ele foi poeta na cátedra, no batente do jornal, na tribuna parlamentar. Iluminou durante 29 anos a inteligência sergipana:[vi] “Misto de cavaleiro medieval e cidadão da Revolução Francesa, era escrupuloso no cumprimento dos deveres, mas risonho e folgazão na intimidade; fascinante das reuniões literárias onde expandia o fulgor jovial do seu espírito gaulês.”, diz seu sucessor, Severino Uchoa, na introdução do livro: Esparsos e Inéditos. 
Ocupou cargos burocráticos até se tornar vitalício na cadeira de História Geral e do Brasil no Atheneu Sergipense. Murilo Melins foi seu aluno; contou-me que nas aulas sobre as três guerras púnicas, cada aluno  foi arrebatado pela eloquência do mestre e participou dos combates, alguns como soldados romados outros como guerreiros fenícios. Muitos tombaram, outros desfilaram em bigas pelas ruas de Roma, comemorando as vitórias. Na política, Arthur foi deputado estadual por duas legislaturas e líder do partido majoritário.
Freire Ribeiro, de similar estilo declamatório-arrebatador (eu o ouvi, enlevado, algumas vezes, em minha juventude), diz, movido pela saudade e pela admiração, referindo-se ao poeta da rosa vermelha: “Eu sentia a irradiação Auro real da sua inteligência criadora e fecunda, quando passava rua afora semeando alegria. Meus olhos o acompanhavam como quem segue, na solidão noturna do céu, o roteiro de um astro ou o fulgir de uma estrela que se tresmalha radiosa e diáfana no redil das alturas.”

Saboreiem a primeira estrofe do soneto (declamação da poetisa Martha Hora):

“Noite de Estio (Arthur Fortes)

Há pelo espaço imenso uma alma sonhadora,
De um artista genial, de um noturno pintor,
Que o seu painel debuxa assim como se fora
Em pleno mês de maio uma campina em flor!

E sobre a rosa vermelha que o poeta Arthur sempre trazia na lapela como um enigma a incitar malícias?
(Eu conto lá no livrinho, em um soneto de seu sucessor na cadeira, Severino Uchoa).

5.  Severino Pessoa Uchoa, o segundo ocupante da Cadeira 10

“Esse ovo de codorna
Comi dezoito em jejum.
Depois fui fazer a prova
Não fez efeito nenhum.”

João Oliva, um dia, em sua casa, recitou essa quadra malvada e picante. E sorriu-me com certo pejo. Eu a repeti, depois, algumas vezes, em “O Escritor na Livraria”, para incitar os puros, injetando duas estrofes de malícia, transformando em sextilha a trova original atribuída a Severino.

Esse ovo é uma ova
Foi propaganda enganosa
Não faz efeito nenhum
Severino Uchoa foi professor e poeta,  pertenceu também à Academia Paraibana de Letras, à Academia Santista de Letras, à Academia Brasileira de Trovas, à Associação Sergipana de Imprensa. Exerceu o magistério, sua maior missão: ensinou nas faculdades de Direito e de Filosofia, no Instituto de Educação Rui Barbosa. Foi ainda advogado, jornalista e brilhante tribuno.
Publicou várias obras.
Por “Cantigas do Coração (trovas)” recebeu elogio do Brasil literário inteiro. Luiz Otávio, considerado, ainda hoje, o Rei das Trovas, disse que “as trovas de Severino são mensagens de encantamento e ternura”:

A principal obra de Severino Uchoa, “Brasil de Chapéu de Couro”, (de 1964), adota o estilo sertanejo de Zé da Luz e Catulo da Paixão Cearense[vii]. O folclorista potiguar Luiz da Câmara Cascudo escreveu o prefácio e desmanchou-se em louvores ao vate sergipano:
“Vocabulário claro, dúctil, coleante, preciso. Melodia dos ritmos antigos que dão a taquicardia da emoção, sacudindo os nervos, empurrando o sonho para a fronteira do entusiasmo; técnica veterada e fiel aos modelos clássicos do verso do sertão de vaquejada, aboio e aparições.
A poetisa Jane Guimarães fez justiça a Severino na declamação do poema, ouçam a primeira estrofe, apenas guardar melhor.
 
“Negra Barbina (Severino Uchoa)

Negra Barbina que está na cozinha
Fumando cachimbo ao pé do fogão,
Negra biruta que canta modinha,
Que incha as bochechas soprando o tição,
Negra que adora xangô e batuca
De noite, depois que acaba o trabalho,
Pedindo que Ogum proteja o Manduca,
Carreiro do antigo engenho Pau D’Alho.

6. De volta ao presente

Não foi fácil entrar na Academia. Repito. Enfrentei três duras guerras. Não as Púnicas de Arthur Fontes e do centurião Murillo Melins, mas Cartago me parecia, a cada vez, mais inexpugnável.

7. Disputa pela cadeira 13, de Gizelda Morais, a primeira guerra.

Corri atender o telefone, que tocava na sala,  e ninguém aqui de casa  demonstrava qualquer interesse em fazê-lo.  Não reconheci a voz de imediato. Pouco havíamos conversado na vida. Rápidos cumprimentos. Eu o conhecia mais pelos artigos que publicava nos jornais, que me encantavam e me inspiravam. Recendiam a perfume de terra e céu.

(...)
Por que um imortal me telefonava? 
Perguntei-me, mudo, segurando o telefone ao ouvido; eu de boca aberta, ele identificando-se, desculpando-se pela ligação e, por fim,  falou imperativo:
— Acorda! Chegou sua vez de entrar na Academia Sergipana de Letras. Há uma vaga aberta.
— Mas...? – Gaguejei.
Ele cortou meu gaguejo:
— Não se comporte como outros, que recusam aquilo a que têm direito. A cadeira será ocupada de qualquer jeito. Muitos também merecem. Seja o nosso candidato nessa eleição!
Fiquei remoendo grilos.
E percebi que os grilos eram apenas desculpas para voltar a dormir. E isso não tinha mais sentido, o dia já estava adiantado e o sol esquentava minha sala. Acordei-me de vez.

(...)

Obrigado, José Lima Santana, Vladimir Souza Carvalho, Murillo Melins, Domingos Pascoal, e mais alguns outros, por me terem acordado, naquela singular manhã. [viii]

xxx

Gizelda Morais me disse
No silêncio de um poema
Que eu podia vir, sem medo,
Mas vigiasse o sistema.

Nunca soube jogar bem
Sempre fui perna de pau
A cadeira de Gizelda
Escapou-me, ao final.

Meus romances reclamaram
Minha poesia também...
Mas depois comemoraram.
Ganhou um homem de bem.

8. Disputa pela cadeira 36, de Acrísio Torres Araújo, segunda guerra.

Eu era o redator-chefe do jornal A Cruzada, idos em 1966, e estava fechando uma edição conflituosa. Acrísio apareceu à minha frente e, vendo-me assoberbado, estendeu-me a mão. Com um sorriso dócil disse que voltaria depois, queria conversar comigo sobre jornalismo. Entendeu que eu não poderia ser interrompido naquele momento. Fiquei-lhe devendo obrigação por isso. No dia seguinte, ou em outro qualquer, depois que a edição do jornal foi para a rua, ele apareceu. Apertei sua mão como a de um amigo de velha data.
Fizemos camaradagem e passamos a andar juntos pela cidade, entrevistamos pessoas, documentamos situações, debatemos temas polêmicos... Tomamos cerveja quebrando caranguejo nos quiosques da Atalaia. Aprendi com ele a ciência das patinhas do caranguejo. Não mais importava se havia carne entranhada ou apenas felpas. O sabor, o prazer estava agora no ritual: o martelinho de madeira batendo cadenciado; a patinha reagindo, querendo escapar. Os sentidos imersos naquela cerimônia. O mundo inteiro apagava-se. Não mais uma mesa de bar, não mais manchetes ofensivas ou tipos empastelados, mas um altar de consagração.
Acrísio Torres envolveu-se com os velhos livros da Epiphânio Dória, com os arquivos empoeirados do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e do Acervo Público, de onde saiu sua obra literária, a começar com a História de Sergipe, um opúsculo para subsidiar seus alunos. Ganhou fôlego. O livro preencheu um vazio, transformou-se em sucesso de vendas. E foi seguido por outros, geografia, literatura... Sergipe ficou pequeno e Acrísio foi ser professor na Universidade de Brasília.

O problema todo é:
Ao vagar uma cadeira
Muita gente boa a quer
Nem liga que você queira

Você briga pelo voto
Os outros brigam também
Até seu santo devoto
Ouve a reza de outrem.

A esperança e a incerteza
Dominou-me em toda luta
Contados os votos na mesa
Perdi de novo a disputa

Mas eu senti alegria,
A mesma do vencedor,
Pois entrou na Academia
Mais um homem de valor.

9. Disputa pela Cadeira 10, de Hunald Fontes de Alencar, e a vitória.

Três imortais enterrados..
Como morrem os imortais!
Querer ser um, é arriscado.
Acho que não quero mais!

Todos, dentro de um ano...
Talvez nem chegou a isso...
É um nada, o ser humano!
E essa guerra é um desperdício!

Hunald era um homem forte
No ápice de uma rica história
À noite chegou-lhe a morte
Só nos restou a  memória.

Eu sempre andei no encalço de Hunald, atraído por sua poesia. Desde o meu tempo de A Cruzada, 1965, por aí. Ele publicava, àquela época, na imprensa local, já, lindos poemas. E era autor de livro consagrado.
Quando retornei a Sergipe, em 1982, após uma eternidade em São Paulo, Brasília e resto do mundo,  passei a acompanhar a obra de Hunald mais amiúde. Antes de publicar meu primeiro livro, Os Tabaréus do Sítio Saracura, encontrei-o em algum evento e pedi uma dica: “eu faço poucos exemplares, sempre me acerto com a Nossa Gráfica, na rua Santa Luzia”.
Em 2015 eu publiquei Os Ferreiros, e o Romance de Antoninho Ferreiro, um poema de Hunald, do livro Ária Suspensa, recebeu meu livro solenemente. As redes sociais, pela mão de Roseneide Santana, das Rodas de Leitura da Ephifânio Dórea (obrigado pela presença aqui), ligaram as duas forjas e fizeram os foles feitos de couro de boi caatingueiro soprarem brasas que viraram fagulhas, limalhas e fráguas.
“O Romance de Antoninho Ferreiro (de Hunald de Alencar,
 para Aglaé D’Avila Fontes),

As duas primeiras estrofes para despertar interesse:

Antoninho trazia nas mãos
Estrelas de calo e frágua:
Agudos galos metálicos
Carpiam negras auroras.

Nas madrugadas, cavalos
Com ferraduras na alma:
Guizos de crinas de lágrimas.
Dos seus olhos faiscavam
As limalhas mais amargas.

Mas, Antoninho, que querias
Do ferro bruto que eras?
Não te bastava o casebre,
Cisterna de água e cobre?

Antoninho e a forja
Pela noite se inflamavam.
(...)
Uma beleza! Excede em todas as dimensões! São palavras cheias de força e mistério, só os abençoados conseguem desfrutar todo o néctar, que contêm. Só deuses dizem-nas pela primeira vez.
Hunald de Alencar descende de deuses mesmo: de José de Alencar, ancestral próximo,  que encheu nossa juventude de momentos lindos com os espetaculares romances que jamais morrerão. O Guarani, O Sertanejo, Iracema, a virgem dos lábios de mel... e outras irresistíveis tentações literárias.
João Oliva escreve, no livro Mural de Impressões, página 124, que o nosso poeta vem da excelente cepa alencariana do Ceará, ratificando o que afirmei, baseado em mais fontes, indubitáveis[ix].
Clodoaldo de Alencar, o pai de Hunald, chegou a Sergipe, com Graccho Cardoso, nos idos de 1922. Foi membro da Academia Sergipana de Letras (alçado em 1957) e é autor de uma obra de raro brilho: Archotes (poemas, 1933), Orós (poemas, em 1961, que assisti o lançamento na Livraria Regina, (eu: um seminarista,  gazeteiro pela sede de cultura jamais pela vã vadiação), e muitas outras. Criou filhos que são, todos, ilustres sergipanos. A mãe de Hunald pertence aos troncos de Jessé de Andrade Fontes, do Arauá, que fez história na Estância. Médico dedicado, derrotou a gripe espanhola, na sua região, em 1918, e deu assistência aos náufragos, vítimas dos torpedeamentos de nossos navios, na costa sergipana, em 1942.[x] Salvou vidas a vida toda.

Hunald foi bacharel em direito e licenciado em letras. Sempre mais poeta e dramaturgo. Um profundo conhecedor da linguagem e da arte. Misto de Virgílio e Shakespeare. Senhor  de todas as teorias literárias. Publicou muitos livros, desde jovem:.

Tempo de Leste (1963), o primeiro, contrariando Mário de Andrade, que dizia: ninguém com menos de 25 anos deve publicar livros de poesia. Hunald tinha 21.

Oito Poemas Densos (1964, em parceria com Alberto Carvalho, Santo Souza e outros);
Verde Silêncio da Semente (1967)
Poemas de Kandior (1970),

Uma vez em Olduvaí (1973),

Elogio dos Peixes Ágeis (1983)
Três peças de Teatro (1987),
Morte no Estuário (1995).
Sílex Gunflint (?)

Ária Suspensa (2003), onde está montada a forja de Antoninho.

Vassalagem das Pedras (2005),
Duo (2011)

Quatro Monólogos Trágicos (2014), o último de uma pródiga bibliografia, é o único que não está esgotado. Na semana que anteceu à sua morte, comprei três exemplares ao autor, fui buscar na sua residência em um humilde condomínio no bairro Atalaia, para dar presentes à amigos que já possuíam os livros de minha autoria. Ele estava sentado, ao portão, muito ansioso. É que me atrasei. Perguntei-lhe por Ária Suspensa. Êle riu e disse que não tinha um exemplar sequer.

Por que sempre estão esgotadas as obras dos escritores sergipanos?

Hunald escreveu poemas, peças teatro. Foi diretor de ator.  Algumas de suas peças são encenadas, com sucesso, pelo Brasil. Participou de antologias, foi premiado em concursos literários. É autor de letras para músicas.

Cabral Machado escreve que Hunald usava:  “uma linguagem despojada e sóbria. O verso, quase sempre livre  e leve, exprime mais uma obsessão de nitidez do que de encantação verbal, é rico de surpresas, inclusive pelas flutuações rítmicas...”.[xi]

Jorge Amado, ao ler “Tempo de Leste”, comoveu-se e, na Academia Brasileira de Letras, vaticinou o surgimento de um poeta “dono de real vocação, nascido para a poesia e para ser seu arauto”.[xii]

Com Hunald sempre esteve a “palavra esculpida, a beleza lírica das íntimas verdades, a tênue cor das tristezas vívidas, a brisa noturnal das amenas recordações”, garante Antônio Garcia Filho, em Um Pensamento na Praça, livro recentemente reeditado pela Associação Sergipana de Imprensa.[xiii]

Uma Canção em Oduvaí (poema de Hunald de Alencar):

Para despertar ao vasto mundo hunaldiano, uma estrofe apenas:

“Uma vez em Olduvaí, sem que eu soubesse
Misturado nas amoras coletadas
Bebi o sangue da manhã, do primeiro(proto)-amanhã”.[xiv]

Xxx

Ele diz coisas que alguém
Jamais consegue dizer
As palavras dele têm
Um misterioso poder.

Me conte aí, Hunaldinho!
Por onde eu devo seguir
Qual é o melhor caminho
À garganta Olduvaí?

Quero ver minhas sementes
Plantadas por Deus ali
Sou elefante e sou gente,
Sou guerreiro desgarrado
Da aldeia Massaí.[xv]

Xxx

Hunald de Alencar faleceu na madrugada de 21 de maio, um enfarto fulminante. João Oliva, velho amigo desde a redação dos jornais de minha juventude, ligou-me, logo na manhãzinha do sábado, triste.
Fui ao velório, encontrei-me com os três irmãos de Hunald, mais idosos, bem vivos. Cumprimentei Luiz Carlos, que eu conhecia pela obra e de rápidos telefonemas anteriores garimpando votos. Chegara de Brasília, onde morava numa superquadra tranquila. Perguntou se eu já havia sido eleito. Sorriu quando lhe disse que não. “Não perca mais”, ordenou sério.
Não fui ao enterro de Hunald, viajei a Propriá, participei de uma solenidade da Academia de Letras local, acompanhando Domingos Pascoal de Melo (o Semeador de Academias, como Hunald costumava chamá-lo). O tempo todo, estive silencioso, rezando pelo poeta, que fosse acolhido com honras no Céu. Uma reza desnecessária certamente. Já estava lá, desde a noite, a hora da sua morte. Amém! [xvi]

A jornalista Gilmara Costa, da equipe do Jornal da Cidade (Gilmara está aqui?), em matéria publicada três dias depois da morte de Hunald, disse, pranteada, que o poeta e dramaturgo, nos últimos tempos, se mantivera triste ante a falta de reconhecimento de Sergipe ao seu trabalho. Mas, com sua peça ‘Musical Billie Holiday – A Canção’, a alegria renasceu. Na noite de estreia, no teatro Lourival Batista, no dia 18 de maio, ele disse, escreve Gilmara Costa: “Já posso morrer feliz, estou supercontente com o resultado da encenação, com o público”.

E a jornalista prossegue: “Hunald, um dos nossos maiores poetas, é hoje um homem a menos nesta feira-doida que é a vida. O coração, que tanto o impulsionou à criação e lhe deu cordas pelos caminhos crespos da generosidade, resolveu dormir pra sempre na madrugada deste sábado.”

Jozailto Lima, também poeta de similar jaez, lamentou nas redes sociais, ao mundo estupefato, seguindo os passos de WilliamYeates:

“Terra! Acolhe um hóspede famoso:
Hunald de Alencar, e dá-lhe repouso.
Fique a taça de Sergipe vazia
Do que continha de poesia”.

Xxx

E eu, timidamente, choro também, em trôpegos versos: 

O poeta,  cheio de dor,
Rasgou as vestes, sangrou...
Mas a taça da poesia
Jamais ficará vazia.

Há um altar consagrado
Em cada coração
Para aternamente celebrar
A poesia de Hunald de Alencar
E toda poesia que brotar
Nesse fértil torrão.

10. Uma pequena biografia do Saracura para ajudar meu sucessor

Direi algo sobre mim também. Rapidamente. Vladimir Souza Carvalho ...Obrigado, mestre das letras serranas! Belas palavras podem consagrar um homem. Ou matá-lo de emoção.
Sempre fui ligado a livros, desde menino, com os cordéis de meu avô materno: Antônio Francisco de Oliveira, Totonho Bernardino. No seminário, onde estudei o ginásio, editei jornais murais e mimeografados e fiz parte da Arcádia Literária São Tomás de Aquino (cadeira 37, se não me falha a memória).  Aqui estão presentes o reitor do seminário monsenhor José Carvalho de Souza, para quem peço uma salva de palmas, e os escritores José Bezerra eLuduvice José, seminaristas comigo nos antigos tempos, que não me deixam mentir.
Li, incansável, à vida toda. Esvaziei estantes de bibliotecas.

Enchi  cadernetas com nomes de livros lidos, para não correr o risco de começar a ler o mesmo livro outra vez. E escrevi, sempre, diários de bordo, em livros pretos, de capa dura, até quando conheci o eficaz Word. Tenho assim, guardados em casa, um volume considerável de anotações inúteis e também boas fontes de onde saíram parte dos livros até agora publicados.

Pertenço à Associação Sergipana de Imprensa, desde 1965 (minha matrícula é a 84), ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, e à Academia Itabaianense de letras, da qual sou vice-presidente. Agora, sou também da Academia Sergipana de Letras.
Essas são minhas igrejas, e mais a católica do bairro, aonde pouco tenho ido, e as livrarias do shoppings da cidade, onde sempre fico.
Os livros que escrevo falam de meus povos (Saracuras e Ferreiros, do povo de Sergipe inteiro), de sua epopeia, para que sejam conhecidos e admirados pelo mundo afora.

11. Conclusão

Saracura na Academia Sergipana de Letras!
Hoje, 31 de outubro de 2016, neste momento especial, tomo posse (cadeira 10, cheia de pura poesia) e terei a honra de me sentar ao lado de ilustres sergipanos, de invejáveis conterrâneos, como Vladimir Souza Carvalho (cadeira número 25, com quem convivo desde a juventude na biblioteca do padre e nas retretas da praça da matriz de Itabaiana) e Patrícia Verônica Nunes Carvalho Sobral de Souza (cadeira número 32, que se criou ouvindo meu primo Genário das Flechas recitar poemas na rua onde moravam, um canário cantador).
Pode não ser nada a muitos, mas, para mim, é uma honra estar na Academia Sergipana de Letras. Não, particularmente, por mim, mas:
Por Itabaiana! pela Terra Vermelha, Pé do Veado, Flechas, Bastião, Matapoã... todos os povoados rudes que me fizeram o homem que hoje sou!
Pelos Saracuras e Ferreiros, povos bárbaros, aos quais, digo, com vanglória:  eu pertenço pela graça de Deus.
Por Zé de Pepedo Saracura, meu pai, que me ensinou a trabalhar como um bicho na busca aos objetivos.
Por minha mãe, Florita, ela me banhou no amor aos clãs sagrados, acima de tudo, tirante somente Deus.
Por Totonho Bernardino, meu avô; ele colocou cadência nos meus versos e vida na minha prosa.
Por minha esposa, Iracilda, meus três filhos, Candire, Raoni e Mohara, e meus três netos, Augusto, Catarina e Artur, que me deixaram correr atrás de quimeras, e, algumas vezes, correram junto, solidários.
Pelos amigos que votaram em mim e os que conquistaram outros votos, acharam que eu fazia jus à honra de estar ao lado deles.
Por tanta gente que ficou ao meu lado, às vezes em silêncio, nesses setenta e um anos, que tenho hoje, de luta sem trégua na busca da excelência evasiva.
(O Congresso nacional reduziu as palavras “por” e “pelos” a um nível ridículo; precisamos corrigir, o quanto antes, essa injustiça).

Por isso tudo, vale muito pertencer à Academia Sergipana de Letras. Sem esse tudo, eu folgaria em estar nas livrarias da cidade papeando literatura, ou nas bienais de São Paulo, Maceió ou de Itabaiana, catequizando compradores relutantes, que é o trabalho justo a um escritor que quer ser lido. E nos eventuais descansos, que ninguém é de ferro, me bastaria uma rede de algodão, nem haveria necessidade do conforto da cadeira de uma academia.

Dou graças a Deus por tanta ventura, além da conta.
Agradeço a todos vocês que vieram me prestigiar.

E aos que têm me prestigiado pela vida toda., que não são poucos. Ganhei até, de Luduvice José (obrigado por ter vindo), seminarista do meu tempo, jornalista e poeta, um poema que me tocou, e corre o mundo ao vento pelas redes sociais. Também do poeta João Lover, revisor e primeiro leitor de meus últimos livros, ganhei um soneto, intitulado Saracura, no qual sou poeta também.    

Para representar a todos esses amigos diletos e solidários, invocarei José Bezerra Lima Irmão, autor de Lampião a Raposa das Caatingas, um sucesso nacional, também colega de seminário no tempo de menino; ele disse palavras bonitas nas redes sociais; peço licença para as repetir:

“Mil vezes parabéns, Saracura!
Não foi em vão que o incansável Zé de Pepedo lhe ensinou a trabalhar como um bicho na perseguição aos seus objetivos, pois a genialidade não cai dos céus.
Também não foi em vão que dona Florita lhe inculcou na consciência o culto aos valores dos bravos ceboleiros e plantadores de mandioca das Flechas, da Terra Vermelha e da Matapoã.

Totonho Bernardino, que não interrompeu seu trabalho nem mesmo quando Lampião passou beirando o terreiro de sua tenda, com certeza neste 19 de setembro (dia da eleição) ele susteve o malho no ar, para ouvir, sem erro, a formidável notícia trazida pelos ventos que sobrevoam a serra: seu neto Tonho foi eleito para a Casa de Tobias Barreto!
Feita uma pausa breve, seu Totonho Bernardino fez descer com força o malho na bigorna, já pensando no futuro, porque, como bom leitor de cordel, sabe que essa história não acaba aqui: se ele bem conhece o seu neto, essa conquista não é uma meta de chegada, e sim um ponto de partida.”

Lamento o discurso longo, não tive competência para fazê-lo mais curto com tanta coisa a falar.

Havia muito mais a dizer, um pouco mais está no livrinho, leiam com carinho.


Me perdoem as claudicadas, pois sempre fui meio atrapalhado.

Obrigado pela tolerância...
(tenho dito)

 [i] http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/sergipe_index.html
[ii] SOARES FEITOSA, Francisco José, 19.01.1944, Ipu, CE. Infância em Monsenhor Tabosa, CE. Ingressou no jornalismo, ainda menor de idade, repórter no jornal Gazeta de Notícias. Aos 20 anos, concurso ao Banco do Brasil e Fiscal do Consumo, atual auditor da Receita Federal, de que se aposentou depois de 35 anos de serviço. Trabalhou no Recife e em Salvador. Até os 50 anos, não se envolveu com Literatura, nada tendo escrito até então. Publicou um único livro, Psi, a Penúltima, em 1997, esgotado, com ampla repercussão à crítica especializada. Mantém na Internet o Jornal de Poesia, imenso, inesgotável, autêntica Biblioteca de Alexandria, milhares de poetas e, segundo o Google, o mais visitado endereço de poesia de língua portuguesa em toda a rede mundial de computadores. http://www.jornaldepoesia.jor.br/
[iii] Também contem informações do livro: Orações Acadêmicas, de Severino Uchoa e Carvalho Netto.
[iv] Dicionário Biográfico dos Médicos Sergipanos (Antônio Samarone e outros) e
[v] Introdução (O poeta Artur Fortes) na edição Esparsos e Inéditos
[vi] Em Orações Acadêmicas, de Severino Uchoa e Carvalho Neto, texto de Severino Uchoa.
[vii] Veja no blogdomimica.blogspot.com.br
[viii] Trechos do artigo publicado no Jornal do Dia em 03/03/2016 (O acadêmico que me acordou).
[ix] Veja o blog: http://bainosilustres.blogspot.com.br/2015/05/67-familia-alencar_29.html
[x] Dicionário Biográfico de  Mediso de Sergipe (Antônio Samarone e outros) e Um Pensamento na Praça, de Antônio Garcia Filho.
[xi] Aproximações Críticas, Cabral Machado, página 18  (Dois Poetas).
[xii] Citação consta`nte na página 139 do livro Um Pensamento na Praça,2. Edição.
[xiii] Página 142 do livro Um Pensamento na Praça (de Antônio Garcia Filho)
[xiv] Do livro, Uma canção em Onduvaí (1973) de Hunald de Alencar.
[xv] Referência ao povo nômade que habita essa região da Tanzânia e que, como os elefantes, nas grandes secas, mastiga a planta Oduvaí para saciar a sede.

[xvi] Trechos do artigo publicado no jornal do Dia em 31/05/2016 (Hunald de Alencar, Ária Suspensa, Ágeis momentos!).

Texto e imagens reproduzidos do blog: antoniosaracurasobrelivroslidos.blogspot