quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O pedreiro Evando dos Santos, entrevistado pelo 'Só Sergipe'

Publicação compartilhada do site SÓ SERGIPE, de 13 de junho de 2021  


“Sergipe tem uma história cultural gigantesca”, garante Evando dos Santos, o ‘Homem-livro’ 


Por Antônio Carlos Garcia  


“Sergipe tem uma história cultural gigantesca”. O dono da frase não é nenhum doutor em Letras ou Literatura, mas um pedreiro aposentado,  chamado Evando dos Santos, conhecido nacionalmente como o “Homem-livro”. Nascido em Aquidabã e residindo há décadas no Rio de Janeiro, Evando lamenta que os governantes sergipanos não venham dando, ao longo dos anos, a devida atenção para valorizar a cultura local. “Sergipe deveria usar nas escolas a gramática e os livros de história do Brasil de João Ribeiro e, também, estudar os poemas de Hermes Fontes”, ressaltou. Ele faz a sua parte: já mandou para seu Estado natal mais de 14 mil livros. 


Evando toma emprestado uma frase do sergipano Tobias Barreto para destacar a importância da leitura. “A vida é uma leitura! Ler é lutar! Leitura é libertação”. Tobias também diz que “o desgosto pela vida não é mais do que a incapacidade de criar um ideal”, tanto que Evando levou a frente os seus ideais e criou, na Vila Penha, no Rio, a Biblioteca Tobias Barreto , hoje com mais de 70 mil títulos, a grande maioria doados ou até encontrados no lixo. “Encontrei 30 livros de Ruy Barbosa no lixo, aqui no Rio, e trouxe para a biblioteca”, contou. 


Esse amor pela leitura e pelos livros lhe rendeu, no Carnaval do ano passado, uma homenagem. A verde e branca Império da Tijuca, ao completar 80 anos de fundação, o homenageou com o samba-enredo “Quimeras de um eterno aprendiz”. Um trecho do samba retrata muito bem como trabalha o Homem-Livro: “Quero ser a armadura da leitura e do  saber|Mesmo andarilho,  estandarte|Retirante da arte|A quimera em você”. Às terças e quintas-feiras, Evando veste uma espécie de armadura e, no bairro, ensina a importância da leitura.

 

Em fevereiro de 2018, ele esteve em Aracaju, onde fez um arrastão literário nos calçadões das ruas João Pessoa e Laranjeiras, e também recitou poemas de Hermes Fontes, distribuiu revistas em quadrinhos da Turma da Mônica para incentivar as crianças à leitura. Depois fez outros arrastões semelhantes no Rio de Janeiro, vestindo-se de Machado de Assis, Tobias Barreto e Monteiro Lobato para divulgar as obras destes autores. Mas, devido à pandemia, teve que parar os arrastões, porém, espera, dentro em breve, poder retomar essa atividade. 


Evando aprendeu a ler na Igreja Batista, com o pastor João Evangelista que dizia que “ler é como comer uma feijoada. Tem um monte de carne, mas, às vezes, você só tem paladar para um só tipo” e indicou a leitura dos Salmos, “que é poesia pura”. “O primeiro texto que li, o fiz comendo as letras. Tudo são letras, palavras e números”, completa. A partir da leitura dos salmos, Evando não parou mais de ler e escreveu dois livros: A Vila da Penha e o Dicionário de Pessoas Importantes Desconhecidas, com 700 verbetes. 


Ele devaneia quando fala dos autores sergipanos e tem um carinho todo especial pelo poeta Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes, nascido em Boquim no dia 28 de agosto de 1888.  Evando vê com tristeza que um dos maiores poetas deste Estado esteja relegado ao esquecimento, tanto em Sergipe, como no Rio de Janeiro, onde o corpo foi sepultado, no Cemitério São João Batista. Evando conta que logo depois que Hermes se suicidou, em 26 de dezembro de 1930, possivelmente por uma desilusão amorosa, os artistas fizeram uma homenagem colocando o busto dele no passeio público no Rio, que depois despareceu. “Se tivesse dinheiro, eu mandaria fazer o busto para recolocar no local”, disse ao visitar o passeio público por esses dias. 


Esta semana, o pedreiro Evando foi entrevistado pelo Só Sergipe. Confira. 


SÓ SERGIPE – Em fevereiro de 2018, o senhor fez um arrastão literário no calçadão da João Pessoa, em Aracaju, para incentivar as pessoas a lerem. Nestes últimos três anos, como foram suas atividades para seguir despertando as pessoas para o prazer da leitura? 

EVANDO DOS SANTOS – Depois de Aracaju, eu sempre fazia isso no Rio de Janeiro toda quinta-feira. Eu me visto de homem livro e faço uma exposição contando a história da Vila da Penha e história do Rio de Janeiro. Todo dia 21 de junho, me visto de Machado de Assis e vou com um painel contando a vida dele e dando revista da Mônica. Fizemos com Tobias Barreto, foi no dia 7 de junho, e 18 de abril, de Monteiro Lobato, dia nacional do Livro Infantil. Mas este ano não teve, por causa da pandemia. Guardei os painéis de papelão, que são importantes. 


SÓ SERGIPE – O seu apelido é o “Homem-livro”. Como surgiu? 

EVANDO DOS SANTOS – Surgiu quando fizemos o primeiro Arrastão Literário Tobias Barreto na   avenida Atlântica, Copacabana, no Rio de Janeiro, com o colégio Pequeno Torcedor, da professora Sonia Izoton. 


SÓ SERGIPE – O senhor, sergipano de Aquidabã, começou a ler a literatura de cordel e depois ampliou para outros gêneros. O cordel continua encantando o senhor? Que outros gêneros são seus favoritos hoje? 

EVANDO DOS SANTOS – Sim. Hoje os que mais me encantam são: A História, a Filosofia e a Poesia. Todos me deixam encantado. Eu amo Jesus, Platão, Kant, Tobias. Platão define tudo que você imagina: arte é um instrumento de ação, filosófico, religioso e político. Ele concentra na resposta tudo. Tudo é ação.  Estou relendo um pouco de Machado, Lima Barreto, para mim, a essência da literatura. Digo, também, que a  poesia é essência de tudo. 


SÓ SERGIPE -No Rio de Janeiro, onde mora, o senhor fundou a Biblioteca Tobias Barreto. Qual o seu acervo atualmente? 

EVANDO DOS SANTOS – São 70 mil livros. Eles são disponibilizados para a população. Temos livros do ano de 1.700, 1.800, pode consultar na biblioteca. Teve uma moça que fez um mestrado e levou uma coleção de livros de artes com seis volumes e ficou durante cinco anos. Depois ela veio devolver. Todos esses livros são de doações e, às vezes, os encontro jogados fora. Eu achei os 30 livros de Ruy Barbosa jogados fora e hoje eles fazem parte do nosso acervo. Tenho as obras completas de Sílvio Romero, Tobias Barreto. Um deles, Questões Vigentes, autografado pelo Tobias e fez uma dedicatória. É uma preciosidade. 


SÓ SERGIPE –  O senhor quando fala dos escritores, da cultura sergipana de um modo geral, percebe-se uma emoção muito grande. Na sua opinião, as escolas sergipanas deveriam explorar mais esse grande acervo cultural que nós temos? 

EVANDO DOS SANTOS – Sem dúvida. Sergipe tem uma história cultural gigantesca. Pena que  os administradores do Estado não a valorizam. Sergipe deveria usar nas escolas a gramática  e história do Brasil de João Ribeiro, estudar os poemas de Hermes Fontes. Há muita gente de valor nesta terra que merecia está sendo estudado o tempo inteiro. 


SÓ SERGIPE- A cultura sergipana é uma das suas paixões, mas o senhor tem um carinho especial por Hermes Fontes, o compositor e poeta sergipano nascido em Boquim. 

EVANDO DOS SANTOS – Sim. Um poeta simbolista de primeira grandeza. No Rio de Janeiro, foi considerado o Machado de Assis da poesia. Era uma mente prodigiosa e falava francês fluentemente. É uma pena que tiraram o busto dele do passeio público e o Rio de Janeiro não se mobilizou para recolocar. Quando fui a Sergipe, estive no jornal Cinform e eles fizeram uma matéria sobre a importância do busto, mas aquilo não floresceu. É uma pena. Se eu tivesse dinheiro, eu mesmo mandaria fazer um busto novamente. É um investimento cultural. Só Hermes Fontes tinha busto no passeio público do Rio de Janeiro. 


SÓ SERGIPE – O que lhe encanta na poesia simbolista de Hermes Fontes? 

EVANDO DOS SANTOS –  A novidade e a beleza da sua poesia. Foi um dos que mais escreveram sobre o Rio, e o poema Luar de Paquetá, sobre a Ilha de Paquetá, foi musicado. A poesia mais bela feita sobre Paquetá. 


SÓ SERGIPE – Em sua biblioteca tem todas as obras de Hermes Fontes? 

EVANDO DOS SANTOS – Não. Só tem um livro de Hermes Fontes e duas biografias, uma feita por Povina Cavalcanti e outra feita por Ana Maria Fonseca Medina.  Quando o professor Arivaldo Silveira Fontes morreu, deixou a biblioteca dele e tinha a coleção completa de Hermes Fontes, que seria para minha biblioteca. Achei melhor deixar em Sergipe. De Tobias Barreto, fiquei com alguns livros. Poucas pessoas no Brasil têm a obra completa de Hermes Fontes. 


SÓ SERGIPE – Por cinco vezes, Hermes Fontes tentou entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas sem sucesso. Na sua opinião, ele merecia ter tido assento na ABL? Por quê? 

EVANDO DOS SANTOS – Merecia. Tinha toda capacidade e todo mérito para fazer parte da ABL. Eles achavam Hermes muito jovem e só aceitavam anciãos. Li um artigo de Austregésilo de Athayde dizendo que Hermes “era um dos nossos, mas morreu cedo”. Ele se referia a Hermes, de forma carinhosa, como integrante, mas que na verdade, não foi. 


SÓ SERGIPE – Embora bastante produtiva, Hermes Fontes teve uma vida breve. Ele se suicidou com um tiro no ouvido direito aos 42 anos, em 26 de dezembro de 1930, no Rio de Janeiro, portanto há 90 anos. Passado todo esse tempo, já se descobriu o que levou Hermes Fontes ao suicídio? 

EVANDO DOS SANTOS – Alguns dizem que foi uma desilusão amorosa. Tudo indica que esse foi o motivo. Uma vez conversando com o professor Arivaldo, ele disse que tudo foi por causa de desilusão amorosa. A mulher dele, chamada Alice, era muito bonita. Ela era belíssima. Ele se desesperou tanto que, certamente, esse foi o motivo do suicídio. No ano de aniversário dele, iam caravanas para o cemitério São João Batista fazer saraus. Hermes, culturalmente, era uma personalidade. Os livros didáticos da década 40 a 60 só davam Hermes Fontes. Ele era sempre citado. 


SÓ SERGIPE – O corpo de Hermes Fontes foi sepultado próximo ao túmulo do escritor Lima Barreto, no Cemitério São João Batista. Hoje, o túmulo de Hermes Fontes está abandonado. 

EVANDO DOS SANTOS – Ele não foi enterrado ao lado do escritor Lima Barreto, ele foi enterrado na Quadra 14, plano 2, túmulo 7355 e Lima Barreto está mais ou menos três quadras depois, próximo ao muro. Hoje está abandonado. Tinha que ter uma foto dele com um poema e quem chegasse identificaria logo. 


SÓ SERGIPE – Também, no Rio de Janeiro, fizeram um busto em homenagem a Hermes Fontes, que hoje não existe mais. O senhor, como estudioso da obra do poeta sergipano, procurou as autoridades fluminenses para que fosse feita essa reparação? 

EVANDO DOS SANTOS – Fizemos uma carta em 27/12/2004, comunicando o sumiço do busto para as autoridades. O sumiço foi identificado em 14/01/2004. Também comunicamos esse fato em uma entrevista na rádio. Até hoje nada foi feito. Também comunicamos, na época, para alguém em Sergipe, cujo nome, no momento, não me recordo. Tiramos uma foto do busto, antes do sumiço. Na ocasião, o Passeio Público, local do busto, estava em obra. 


SÓ SERGIPE – O que o senhor considera necessário para resgatar o legado de Hermes Fontes, dada sua importância para a cultura sergipana e brasileira? 

EVANDO DOS SANTOS – O estado de Sergipe deve promover o nome de Hermes Fontes, através de concursos de poesia que leve o seu nome, Arrastão literário e incentive o Rio de Janeiro a fazer um grande Fórum sobre Hermes Fontes, pois o mesmo morou e morreu nessa cidade, que ele chamava de Cidade Luz e Urbe  Canaã. 


SÓ SERGIPE – Em Boquim há uma biblioteca que leva o nome do ilustre poeta e em Aracaju uma das principais avenidas leva, também, o seu nome.  No Rio de Janeiro há alguma rua ou local homenageando o poeta? 

EVANDO DOS SANTOS- Existe a rua Hermes Fontes, no bairro de São Cristóvão. Em Boquim, quando ele morreu, mandaram fazer um pedestal suntuoso. Mas não existe mais. 


SÓ SERGIPE –  O brasileiro preserva seu passado? 

EVANDO DOS SANTOS  – Temos uma carência muito grande. O personagem Cinque, do filme Amstad, diz que “somos o que fomos”. Se você não cuida bem do passado, não tem presente, muito menos futuro. Quando fui a Aracaju, levei 1.500 revistas da Mônica. Uma professora me contou que  as crianças dela  ainda não tinham visto uma revista em quadrinhos e eu doei muitas. Aquilo já valeu o arrastão. Nos sete arrastões que fizemos em Aracaju distribuímos 7 mil livros. Consegui mandar mais s 14 mil livros para Sergipe. Foram para Aquidabã, Tomar do Geru, dentre outros. 


SÓ SERGIPE – Agora, falando um pouco de sua história como Homem-livro. De que maneira o seu nome se tornou samba-enredo da Império da Tijuca? 

EVANDO DOS SANTOS – Aquilo foi um milagre. Um jornalista escreveu um livro sobre personagens pitorescos do Rio de Janeiro e eu sou um deles, isso há mais de 10 anos. O carnavalesco leu o livro e disse que minha história cabia perfeitamente para o samba enredo da escola. Em 2020,  a Império completou 80 anos. Ele viu  que a nossa praça aqui na Vila da Penha é a única no Brasil que tem bancos literários e a calçada da fama literária. Todas às terças e quintas vou à praça como o Homem-Livro. 


SÓ SERGIPE –  Mas, por que o senhor disse que a escolha foi um milagre? 

EVANDO DOS SANTOS – O cara pegou o livro por acaso e havia muitos personagens. Foi uma homenagem além da conta e vi a roupa do Homem-livro e toda a bateria se fantasiou dessa forma. Foi uma honra muito grande. Imagine um homem que sai da roça, sem saber ler nem escrever e vai para o Rio. Aprende a ler e um dia, o maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, lhe dá um projeto da biblioteca Tobias Barreto. Só o projeto vale um R$ 1 milhão. Então eu juntei Niemeyer com o maior poeta Tobias Barreto. 


SÓ SERGIPE – O senhor já contou essa história em Sergipe? 

EVANDO FONTES – Seria bom que, depois da pandemia, a Secretaria de Estado da Educação me levasse a Sergipe para eu contar isso aos alunos e também como criei o Correio Literário. Eu mesmo levava os livros para as pessoas que pediam emprestado. Hoje, com a pandemia, não estou fazendo isso. 


SÓ SERGIPE -Bom, além do samba enredo, o senhor participou de um projeto  MultiRio e entrevistou a imortal da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon. Como foi que isso aconteceu? 

EVANDO DOS SANTOS –  Eu já fazia palestras em muitas escolas do Rio sobre a importância da leitura. A MultiRio tinha um programa e me chamaram para falar. Até o ano passado eu estava por lá. A direção, então, me ligou para fazer uma reportagem e alguém da produção teve a ideia de levar o pedreiro para entrevistar a imortal Nélida. E aí eu fui. Mas bem antes disso, eu já ia às quintas-feiras para a Academia Brasileira de Letras para conhecer os imortais. E numa dessas visitas contei minha história para ela. Na Academia, recebi a Medalha dos 110 anos da Casa Machado de Assis, em 2007. Depois fui a casa de Nélida buscar uns livros que ela me doou e a secretária dela me disse que eu subisse para tomar um café.  Eu estava de bermuda, nem imaginei que fosse vê-la e que pegaria os livros na portaria e ia embora.  Mas fui tomar café com ela. Nélida é  a imortal mais genial que se possa imaginar. 


SÓ SERGIPE – Antes da pandemia, o senhor viajava contando sua história e distribuindo livros? 

EVANDO DOS SANTOS – Sim. Minha história foi contada num curta metragem e ganhou o Candango de Ouro, no Festival de Brasília. Foi um curta de 15 minutos da cineasta  Anna Azevedo. Meu livro ‘A História da Penha contada pelos moradores’ ficou em quarto lugar na categoria em que foi inscrito e recebi o Troféu Viva Leitura, no concurso do Ministério da Cultura. E já escreveram uns seis livros contando a minha história. 


SÓ SERGIPE –  Seu trabalho já lhe rendeu homenagens pelo Brasil e em Sergipe? 

EVANDO DOS SANTOS – Sim, recebi do Ministério da Cultura a honraria de Cavalheiro da República, pelo Ministério da Cultura, assinado pela presidente Dilma Rousseff, ‘pelo serviço prestado à cultura desta pátria’. A presidente não estava presente. Esse evento aconteceu no Salão Nobre do Teatro Santa Isabel, onde houve um embate literário histórico entre Tobias Barreto e Castro Alves. Em Sergipe, o então governador Marcelo Déda me concedeu a Medalha Serigy, uma iniciativa da escritora Ana Medina, da Giselda e da Sônia. 


SÓ SERGIPE – Esse seu trabalho em prol da leitura  já atravessou o Brasil, indo para o exterior? 

EVANDO DOS SANTOS –  Nunca viajei para fora do país. Meu sonho era mandar livros para a reconstrução de Angola.  E aí, um angolano leu uma reportagem sobre meu trabalho, na qual falei que eu tinha uma Bíblia e uma gramática na língua Bunda, falada em Angola. Ressalto que a palavra bunda aqui não tem nada a ver com a parte do corpo. Eu mandei 15 mil  livros para Angola e uma revista de lá me entrevistou e escreveu sete páginas.  Até recebi o convite, mas por questões internas, de transição política em Angola, não pude viajar. 


SÓ SERGIPE – Há quantos anos o senhor vive no Rio de Janeiro? 

EVANDO DOS SANTOS –  Cheguei aqui com 15 anos. Em Sergipe não havia emprego e eu tinha um irmão e uma irmã que já moravam aqui no Rio. Eu e minha mãe viemos duas vezes e na terceira decidimos ficar. Meu irmão era pedreiro e fui trabalhar com ele. Um amigo nosso da época, Santos Santana, me arrumou um emprego na revista Manchete , onde trabalhei um ano e um mês. Lembro que toda sexta-feira, o Adolpho Bloch mandava entregar revista Manchete para todos os empregados. Para mim, a Manchete foi a melhor revista que a América do Sul já teve. 


Texto e imagens reproduzidos do site: sosergipe.com.br 

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