domingo, 9 de junho de 2013

Povoado Angico, Município de N.S. da Glória


Publicado no site Mais Glória, em 2 de novembro de 2012.

Povoado Angico

Mais de um século e meio de glória.
Por Euvaldo Lima dos Reis.

A 17 km da sede do município, localizado a oeste de Nossa Senhora da Glória (SE), limitando- se ao norte com a comunidade Serrinha, ao sul com o Rio Sergipe, a oeste ainda com o Rio Sergipe e com o município de Carira e a leste com os povoados: Riachão e Baixa Limpa; Angico é também um dos povoados mais antigos do município e relatos de moradores nos dão conta de que seus primeiros habitantes lá chegaram nos meados do século XIX.

A pequena sesmaria que abrangia as terras onde hoje se localizam os povoados: Fazenda Boa Vista, Gravatá, Guia, Barriguda e Riachão; pertencia ao casal Antônio Francisco de Lima (Antônio Cabeça Preta) e Maria Filirmina de Jesus.

Ele, já idoso, foi assassinado em 1930, por causa de uma pendenga travada pela posse de suas terras em Hereu que eram simplesmente invadidas por pessoas que ali foram chegando. Dona Filirmina faleceu no povoado, em 1942, com 98 anos.

Sua denominação se deu pelos constantes encontros de moradores e vizinhos que aos poucos formavam grupos para prosear e findavam efetuando alguns negócios sob as frondosas e típicas árvores da região conhecidas por Angico.

De 1933 e 1939, a região fez parte da rota do cangaço de Lampião. Por isto, as casas foram abandonadas e seus habitantes migraram para outras plagas.

Extinto o cangaço, com a morte de Virgulino Ferreira, as pessoas retornaram, reativando a feira do Patrimônio (como era chamado, na época, o local dessas reuniões).

A primeira casa pertenceu à Dona Zezé Teles. Mais tarde, em 1945, foi construído pelo então prefeito, Ulisses Alves de Oliveira, no centro do aglomerado de casas, uma estrutura coberta com telhas e sem paredes, com bancadas de madeira, que serviria como mercado.

Ainda na década de 40, com o crescimento populacional, frequentemente se fazia necessário transportar, de forma pouco digna, os falecidos para o sepultamento na sede do município.

Foi quando o senhor Joventino Tavares Pereira, doou uma área para construção do cemitério, e da capela que recebeu a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tornando-se a Padroeira da aglomeração que definitivamente passou a ser conhecida por Angico.

Ao longo do tempo, vários de seus filhos contribuíram com o desenvolvimento, não só de Nossa Senhora da Glória, mas também de outros municípios e estados brasileiros, tais como: o Comerciante, proprietário da primeira bodega; Domingos José de Andrade, fundador do povoado; e Gerino Tavares, falecido em abril deste ano, com 106 anos. Este último trouxe para o município a primeira e única fábrica de beneficiamento de algodão, a primeira sala de cinema do Alto Sertão sergipano e, pelos relevantes serviços prestados à comunidade, muitos o consideravam uma espécie de intendente municipal.

Também Francisco Xavier de Andrade, filho do fundador do povoado e esposo de D. Zenita, por sua visão muito precoce, tudo fez pela educação dos seus doze filhos, conseguindo a proeza de vê-los, quase todos, portadores de títulos de nível superior.
Maria Helena de Andrade, funcionária da Reitoria da Universidade Federal do Estado de Alagoas; Juanita Andrade, pedagoga com relevantes serviços no povoado; Eunice Andrade, Neuzice Andrade e Eurides Andrade, todas administradoras lotadas na ENDAGRO; Elizabete Andrade, pediatra; Izabel Andrade, odontóloga; Marilene Andrade, administradora, lotada na UFS; Leonardo Andrade, pedagogo aposentado; Antônio Xavier, José Augusto e Valtuilso, desde cedo dedicados ao comércio.
Augusto César de Andrade, engenheiro químico, proprietário de uma usina de reciclagem de plástico no Complexo Industrial de Nossa Senhora do Socorro, na Grande Aracaju.

Clebelrei Pereira de Andrade in memoriam, filho de José Carlos e Terezinha Mendonça, ainda jovem, criou a banda “Os Amantes da Vaquejada”, falecendo em consequência de um acidente.

Sônia Maria de Lima, filha de Maria José de Bebé, encantada pela vida religiosa, desenvolveu trabalhos sociais em vários Estados do país; fez seus votos perpétuos na capela da Padroeira do povoado e hoje desenvolve projetos sociais fora do País.
Maria do Carmo Souza, professora, iniciou sua vida profissional na Escola 13 de Maio daquela comunidade, onde ajudou na formação de muitos daqueles jovens; formou-se em Letras pela UFS, e especializou-se em Letras e Literatura. Atualmente é professora do Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Gloria, e cursa mestrado na área de Português e Literatura.

José Augusto Andrade, pedagogo, professor das redes municipal e estadual de ensino, desde cedo esteve à frente de todas as manifestações socioculturais e religiosas do Angico, além de administrar o Centro Comunitário.

Por ser um dos povoados mais antigos e pelo seu manifesto desejo de crescer, todos os prefeitos lá deixaram marcas de suas administrações. Entre eles destacam-se: Ulisses Alves de Oliveira, Filemon Bezerra Lemos, Antônio Alves Feitosa, José Elon Oliveira e Sérgio Oliveira da Silva.

Não se pode esquecer o ex-vereador por aquele povoado, José Augusto Dantas, e o casal líder daquela comunidade, Anselmo Correia Dantas e esposa Marisa Adriana, esta que nas últimas eleições municipais conquistou a preferência dos eleitores.
Eventos:

Missa do Vaqueiro, criada e mantida pelo casal Anselmo Correia e Marisa Adriana.
Festa da Padroeira.
Festejos juninos.
Outros eventos em datas comemorativas, com apoio das administrações públicas e comunidades circunvizinhas.

Foto e texto reproduzidos do site: maisgloria.com.br

Filarmônica Lira Santana de Simão Dias


Patrimônio Cultural - Filarmônica Lira Santana de Simão Dias/SE.

A Filarmônica Lira Santana é um dos maiores patrimônios culturais de Simão Dias. A orquestra resiste ao tempo e marca presença em todas as festividades importantes do município para a alegria dos simãodienses.

Foto: jornal simãodiense.

Reproduzida do site: sergipetradetour.com.br

Município de Simão Dias

Praça Barão de Santa Rosa

Município de Simão Dias/SE.

Simão Dias é uma terra especial. A cidade pérola de Sergipe é circundada de beleza sem rivais. A cidade de Simão Dias (distante 100 quilômetros de Aracaju) tem 121 anos de Emancipação Política – Dos Tapuias e do Caiçá – é um celeiro político e econômico que marcou e continua demarcando a história do estado de Sergipe. A conjectura que ocupa em Sergipe é explanada perfeitamente pelo refrão do hino da cidade com letra e música do mestre Te. Zótico Guimarães Santos: “De Sergipe cidade inspiração, No sertão e na fronteira, és Rainha, Na cultura gloriosa tradição. Linda Praça, cheia de amores, Vigiada por palmeiras imperiais. No Centro o excelso templo de Sant'Anna, Circundado de belezas sem rivais”. O nome da cidade é em homenagem ao seu fundador, o vaqueiro Simão Dias.

O município tem uma superfície de 560.8 Km² que fica entre os rios Vaza Barris (ao norte) e Piauí (ao sul) e está situado na zona fisiografica do Oeste limitando-se com Pinhão, Macambira, Lagarto, Riachão do Dantas, Tobias Barreto, Poço Verde e o estado da Bahia. A cidade acha-se encravada à margem do Rio Caiçá, e é a terceira em altitude do Estado, porém a mais fria de Sergipe, onde a temperatura fica entre 14º a 9,5º graus no inverno. A circunscrição é dotada de beleza e riqueza imensurável tanto na cidade quanto nos povoados.

A principal atividade econômica é baseada na agricultura com destaque para a cultura do milho, onde o grão recebeu o epíteto de 'o ouro do sertão'. Além de ser o maior produtor de milho da região, o município de Simão Dias apresenta proeminência na produção de abóbora, criação de ovinos da raça Dorper, avicultura robusta, comércio forte e franco crescimento industrial.

Foto e texto reproduzidos do site: sergipetradetour.com.br

sábado, 8 de junho de 2013

Renan Tavares

Desportista Renan Tavares (de casaco banco e óculos).

Reconhecimento Por Manuel Meneses Cruz (06.junho.2008)

"Durante os 49 anos de existência da Federação, vale ressaltar a administração do desportista Renan Tavares. Com mais de 18 anos à frente da entidade, Renan estruturou o esporte em Sergipe. Ele conseguiu mobilizar torcedores, dirigentes, atletas e demais pessoas interessadas na modalidade na tentativa de engrandecer o futebol de salão em todo o estado. Além de promover vários campeonatos estaduais, das mais diversas categorias, Renan conseguiu também trazer alguns jogos importantes da Seleção Brasileira de Futsal na década de 90".

Foto do blog: futsalcearense2010.blogspot.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

História do Seu Bairro - Bairro 13 de Julho, em Aracaju



História do Seu Bairro.
Por cinform.com.br

13 de Julho é um dos mais cobiçados, mas manguezal míngua com agressão.

Esse bairro foi palco de acontecimentos históricos de guerra que marcaram a Capital, e passou por várias transformações urbanísticas

O bairro hoje chamado de 13 de Julho é um dos mais cobiçados de Aracaju. A localização privilegiada, na Zona Sul, a caminho da Atalaia, influencia, e muito, nos altos valores cobrados por metro quadrado. Apesar de tão disputado, é o 10º menor bairro da Capital, com uma população de 8.328 pessoas, segundo estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

O registro histórico mais antigo que existe, segundo o historiador Amâncio Cardoso, é que a área, antes chamada Ilha dos Bois, foi vendida ao Governo Imperial pelo sitiante José Honório dos Santos, em 1872. De acordo com ele, o Governo pretendia construir ali um abrigo para controle sanitário, onde seriam mantidas pessoas portadoras de epidemias. Amâncio Cardoso explica que, no entanto, o abrigo não foi construído e que, já no final do século XIX, a área começou a ser povoada por marujos e pescadores, por ser região ribeirinha.

No início do século seguinte, os banhos na praia se popularizaram, e o lugar recebeu um novo e sugestivo nome: Praia Formosa. Mas a tranquilidade não durou muito tempo. Em 13 de julho de 1924, durante a Revolta Tenentista, Aracaju foi tomada por tropas rebeladas do Exército. A cidade ficou em clima de guerra durante 21 dias.

Em 27 de novembro de 1930, foi decretada a mudança do nome do bairro. A Praia Formosa passou a se chamar 13 de Julho. O historiador relata que, no ano seguinte, o bairro já possuía quase 100 casas. Décadas depois, foi ocupado por prédios luxuosos e se tornou um cartão-postal dos mais cobiçados de Aracaju.

A empresária Beljania Almeida mora ali há 11 anos. Ela diz que o lugar mudou muito na última década. "Há alguns anos, havia vários terrenos baldios. Hoje, o bairro se tornou, praticamente, um centro comercial, com várias galerias", afirma a empresária. De fato.

Segundo Beljania, é um ótimo local para viver, principalmente pela localização. "Tudo o que a gente procura, acha por perto: padaria, supermercado, escola para os filhos, academia. O essencial para o dia a dia", destaca a moradora.

Mas os residentes dali se queixam dos altos valores cobrados pelos comerciantes. "Tudo aqui é mais caro. Os preços do pão, do leite, das roupas são bem mais elevados do que os praticados em outros bairros de Aracaju", reclama o aposentado José de Ramos Sobral.

Sobral observa também que o canal que corta o bairro incomoda um pouco os moradores. "Já deveriam ter resolvido isso. É um mau cheiro insuportável", diz o aposentado. O calçadão do Bairro 13 de Julho, que funciona como uma espécie de cílios do bairro, é propício para a prática esportiva. E atrai, também, dezenas de pessoas para caminhadas ao ar livre.

Mas o manguezal ao lado começou a ser degradado e a deixar o local com um aspecto bem diferente de anos atrás. "Isso aqui era tudo verdinho. Agora, a vegetação parece morta. O mangue está bem feio", diz o estudante Márcio Santos de Oliveira. Algo que, certamente, o Bairro 13 de Julho não merece.

CINFORM - Dados: IBGE 2010.

Fotos e texto reproduzidos do site:

cinform.com.br/historiadosbairros/trezedejulho.html

Amendoim é patrimônio do Estado de Sergipe


Publicado pelo JornaldaCidade.Net, em 08/03/2012.

Amendoim é patrimônio do Estado.

Iguaria foi tombada há um ano juntamente com outros alimentos, como pé-de-moleque e beiju macasado e saroio.

Tira-gosto dos mais apreciados por sergipanos e turistas que vêm ao Estado, o amendoim verde cozido é um dos alimentos típicos sergipanos que foram reconhecidos como patrimônio imaterial de Sergipe. Embora daqui a duas semanas completa um ano que o decreto 27.720/2011 foi assinado pelo governador Marcelo Déda fazendo o reconhecimento, poucas pessoas sabem disso. Nem os próprios comerciantes do produto sabem da grandiosa importância do alimento.

Segundo a presidente do Conselho Estadual de Cultura de Sergipe, Ana Luiza Dorta Valadares, o decreto 27.720, de 24 de março de 2011, publicado no Diário Oficial de 14 de junho do ano passado, reconhece o amendoim verde cozido, bem como a queijada, o manauê, bolachinha de goma, o doce de pimenta do reino, o pé-de-moleque de massa puba, o beiju de tapioca, macasado e saroio como patrimônios imateriais de Sergipe. Ela acrescentou que foi a lei 2.770/1989 que disse que compete ao Conselho de Cultura pronunciar-se sobre o tombamento de bens culturais pelo poder público.

Ana Luiza Dortas explicou que com o reconhecimento fica assegurado que o amendoim cozido de Sergipe apenas na água e sal, como esses outros alimentos típicos da nossa culinária, é essencialmente sergipano. “Com o reconhecimento, ninguém vai aparecer dizendo que o amendoim ou qualquer outro desses alimentos surgiu primeiro em outro Estado”, explicou. Ela acrescentou que eles podem até ser feitos em outros locais, mas o reconhecimento assegura que é um produto típico nosso e os outros é que foram se originando do nosso.

O subsecretário de Patrimônio Histórico e Cultural de Sergipe (Subpac), Luiz Alberto, informou que desconhece o estudo que foi feito de que essa iguaria é uma exclusividade sergipana. Mas disse que é importante destacar que o amendoim cozido só com água e sal lhe parece que é uma coisa muito peculiar de Sergipe, pois em outros locais come-se o amendoim torrado. “Acho que o reconhecimento é um destaque importante, porque quando se declara um bem imaterial se fala de algo que faz parte da identidade de um povo. São elementos que fazem com que o sergipano seja sergipano”, afirmou. Ele acrescentou que quando há um tombamento tem um conjunto de procedimentos que precisa ser adotado e por isso são solicitadas orientações ao próprio Conselho de Estado da Cultura para saber como é que se dá a sua preservação.

Desconhecimento

Passado quase um ano de o decreto ter sido assinado, os vendedores de amendoim verde cozido nem imaginavam que o produto que diariamente comercializam em cestos no Mercado Albano Franco, em sacos nas feiras livres, ruas ou na orla de Atalaia é agora um alimento com selo de patrimônio imaterial de Sergipe. “É mesmo! Não sabia. Isso é bom”, disse o vendedor José Antônio dos Santos. A divulgação mais ampla de que o nosso amendoim cozido entre vendedores e sergipanos como um todo poderia resultar em estímulo para valorizar o produto e até melhorar as estratégias de comercialização.

O vendedor José Ricardo Batista dos Santos, que trabalha em uma das bancas que comercializam amendoim cozido no Mercado Albano Franco, também não sabia da novidade e ficou feliz em ver o prestígio da matéria-prima de seu trabalho diário. Para ele, essa é uma boa notícia, um atrativo a mais na hora de convencer cliente a levar mais uma latinha do nosso amendoim.

Grande parte do amendoim verde cozido comercializado em Aracaju vem dos municípios de Itabaiana e Lagarto. Segundo o vendedor, a produção desse tira-gosto tão apreciado tem todo um processo, que vai desde a colheita do fruto, ainda verde ou um pouco mais maduro, seleção e cozimento, para que mantenha a característica do nosso amendoim cozido. “Ele é colhido no dia, cozido à noite e vem de madrugada para ser vendido aqui. Às vezes até chega quentinho ainda”, garante o Ricardo, enfatizando que não é conversa de vendedor quando diz que “o amendoim é novinho, cozido hoje”, um dos bordões mais usados pela categoria para cativar o cliente.

Durabilidade

Embora seja um produto perecível, os vendedores asseguram que o amendoim cozido chega a durar até três dias depois de cozido. Os mais maduros aguentam até cinco dias, sem começar a visgar ou esverdear a casca, quando não está mais próprio para consumo. Como bom vendedor, Ricardo Batista procura cativar a pessoa que chega à banca, sempre procurando dar dicas de como aproveitar melhor o fruto. Ele disse que tem turista que já contou que deixou o amendoim cozido no freezer durante um ano, com o produto em condições de ser consumido. “Tem turista que leva muito amendoim quando vai embora de Sergipe. Leva numa caixa de papelão e quando chega em casa coloca na geladeira. Quem quer guardar por mais tempo coloca no congelador, pois ele não congela, apenas conserva, e dura um ano, mantendo o sabor. Eles fazem isso porque lá fora não encontram o amendoim cozido para vender”, revelou.

Sem contar detalhes, Ricardo disse que no caso de turista tem todo um processo que os vendedores fazem para que o amendoim cozido resista mais tempo. Ele somente revelou que precisa deixar vagem do amendoim mais seca, para que a pessoa quando for consumir coloque na água quente. “Mais detalhes a gente não pode falar, porque é segredo de Estado”, disse.

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

Foto reproduzida do blog: dralucianagranja.blogspot

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cortejo do São João da Sarandagem anima Japaratuba


Portal Infonet - Cultura - Publicado em: 01/06/2013.

Cortejo do São João da Sarandagem anima Japaratuba
Festejo é uma das antigas manifestações populares da cidade

O ritmo compassado dos instrumentos dos grupos Cacumbi e Reisado soou como despertador. À meia noite deste sábado (1º), a população de Japaratuba, distante 54 km de Aracaju, saiu às ruas do município em cortejo, dando boas vindas ao São João na Sarandagem.

O tradicional festejo é uma das mais antigas manifestações populares da cidade e implica, principalmente, no recolhimento de bebidas alcoólicas para ofertar ao santo junino, ‘acordando-o’ para o período festivo, como explicou o secretário de Cultura de Japaratuba, Robson Santos.

“É a abertura oficial das festas juninas em nosso município. Todo ano, na virada de 31 de maio para 1º de junho, reunimos a população e convidamos para participar desse momento tão importante para a cultura desta cidade”, destacou o secretário.

Segundo Robson, apesar do cortejo se iniciar exatamente à meia noite, há uma preparação horas antes, com apresentações de quadrilhas juninas e bandas.

“Organizamos tudo com cautela, dividindo a comemoração em dois momentos: no dia 31, às 20h, começamos a celebrar reunindo crianças, adultos e idosos para assistir as quadrilhas. Nesta noite, por exemplo, contamos com as apresentações da Alegria e Pisa na Fulô”, explicou, continuando.

“Aproveitamos a oportunidade para fazer a entrega simbólica dos cheques aos grupos, uma vez que, o auxílio financeiro destinado às quadrilhas foi entregue na semana passada. Na sequência, abrimos espaço para a banda Mibemol conduzir a festa e animar o público. Tudo isso, antes da Sarandagem sair. Sem contar que, ao final do cortejo, ofertamos um belo café da manhã”, detalhou Robson.

Robson informou ainda que a prefeitura, através da Secretaria de Cultura organizou um calendário junino vasto e que Japaratuba terá aproximadamente dois meses de festa. “Neste sábado, dia 1º, teremos o concurso de quadrilhas Levanta Poeira, da TV Sergipe, com duas representantes da cidade. Dia 13 começamos o concurso das ruas mais enfeitadas, teremos São João, várias cavalgadas, festas das ruas campeãs, entre outras surpresas”, confirmou.

Foto: divulgação
Com informações da Assessoria de Comunicação.

Texto e foto reproduzidos do site: infonet.com.br/cultura

terça-feira, 4 de junho de 2013

Aracaju e Ilustres Desconhecidos




Publicado pelo Portal Infonet em 17/03/2005.

Ilustres desconhecidos

Aracaju está a todo vapor comemorando o seu sesquicentenário. A ocasião rende homenagens a ilustres moradores da capital, depoimentos e entrega de comendas para os filhos, adotados ou não, que contribuíram para o avanço, progresso, modernização e expansão

Aracaju está a todo vapor comemorando o seu sesquicentenário. A ocasião rende homenagens a ilustres moradores da capital, depoimentos, reconhecimentos e entrega de comendas para os filhos, adotados ou não, que contribuíram para o avanço, progresso, modernização e expansão da jovem Aracaju ao longo de seus 150 anos de história. Durante as homengens, quando Inácio Barbosa, Tobias Barreto, Graccho Cardoso, dentre outros, são citados, não há grandes discordâncias. Afinal de contas, é inegável e visível a contribuição que eles deram ao processo de nascimento e de desenvolvimento da capital sergipana.

Muitos historiadores afirmam que Inácio Barbosa foi um visionário, responsável pela idealização e construção de Aracaju. Devido seu olhar progressista, e a vontade de ver Sergipe Del Rey crescer, dentre uma série de outros fatores, nova capital sergipana nasceu. Planejada, imitando um tabuleiro de xadrez, ela surge a partir do que há de mais moderno na época. Basílio Pirro é o arquiteto contratado para planejar a cidade e, assim, concretizar a ousada idéia de Barbosa.

Inácio Joaquim Barbosa não era sergipano, nem sequer nordestino. Fluminense, nascido no Estado do Rio de Janeiro em 1823, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo em 1844. Sua caminhada até achegar a Sergipe teve algumas paradas. Entre elas, Barbosa foi juiz municipal, funcionário público, secretário da Província do Ceará e suplente de Deputado Federal, pelo mesmo Estado, tendo assumido durante algum tempo o mandato para somente então aportar nas terras antes comandadas pelo Cacique Serigy. Com 30 anos, Inácio Barbosa chega à província em 1853, com a incumbência de governá-la. E é exatamente onde morre dois anos mais tarde, em 6 de dezembro de 1955.

Contudo, vale lembrar que nem só destas figuras ilustres Aracaju se fez. Para que ela realmente existisse, milhares de pedreiros, operários e operárias, escravos e escravas, carpinteiros, mestres de obras, dentre tantos outros, deram seu tempo, dedicação, suor e mesmo vidas. Homens e mulheres simples, do povo, que misturados à multidão não passam de anônimos, “ilustres” desconhecidos que, na verdade, foram de fundamental importância para que a Aracaju de hoje existisse.

Esse é o caso de dona Maria Antônia Oliveira, ou simplesmente dona Tonha. Mulher simples no linguajar, e de uma religiosidade notória, ela concedeu entrevista ao professor doutor em História da Universidade Federal de Sergipe, Antônio Lindvaldo Sousa, na década de 90. Com o objetivo de não interferir no sentido do texto, além de dar maior realidade e originalidade ao depoimento da entrevistada as falas foram mantidas como elas a proferiu.

Segundo o professor, dona Tonha parece ter, ao longo de toda a vida, zelado honestidade e fé, valores comuns na época, principalmente para a população pobre. Quando perguntada por sua data de nascimento ela aguarda um momento antes de explicar: “A data que eu nasci? Eu não tenho gravação da data que eu nasci. você bem sabe que naquela época não era como hoje. Agora, a minha data mesmo é de abril, minha mãe me dizia que eu nasci no dia 25 de abril, um domingo da ressurreição. Agora a data do ano é que eu não sei. Eu tenho mais ou menos de 80 pra lá”.

Nascida em Rosário do Catete, Maria Antônia Oliveira, filha de Olímpio Maciel e de Maria da Conceição Efigênia, veio para Aracaju com 20 anos de idade. Na ocasião da mudança para a capital, dona Tonha só tinha a mãe e mais nove irmãos. Quanto ao motivo ela explica que “meu pai faleceu, os maiorzinhos vieram, ela (sua mãe) também. Eu não ia ficar em Rosário sem ter do que viver”. Logo que chegou a Aracaju, dona Tonha foi trabalhar em casa de família, mais pouco depois trocou o emprego de doméstica por outro na fábrica de tecido. “Fui trabalhar na fábrica porque achei que a fábrica era melhor. Porque a fábrica tinha instituto e nas casas domésticas não tinha. Eu tomei o conselho das outras colegas me dizendo que a fábrica era melhor. Não era por nada, é que as casa domésticas, agora tem, mas antigamente não tinha instituto”, conta.

Sobre a Aracaju daquele tempo, início do século XX, dona Tonha narra. “Aqui era casa de palha. Tudo era terra. Por exemplo, aqui no Santo Antônio tudo era mato. Eu também morava em casa de palha. Esta casa daqui caiu, era de vara, e naquele tempo que tinha aqueles invernos fortes a chuva veio e derrubou a frente da casa. O povo passava e eu via pelas varas. O futuro que todos nós tivemos foi depois de Getúlio que deu o instituto. Antes, quem saía perdia tudo. O dinheiro meu filho, eu vou lhe falar que não dava não. Nessa época nossa agora é que quem não tem muita família pode segurar qualquer coisa. Mas, naquele época, era a conta de dar para vida se passar. Por exemplo, eu não tinha família, minha família era eu e o marido, fiquei viúva pronto. Então eu não tinha família, o meu era a conta. Agora depois do Cruz (um dos donos da Sergipe Industrial) pra cá, num sabe, dessa época pra cá, que o ordenado foi aumentando aos pouquinho e eu também fui fazendo minhas economias”, relata.

Ela também explica que consegue a primeira casa de alvenaria "graças a uma benção que o nosso senhor mandou". A benção era um vizinho, que comprou o terreno ao lado daquele onde dona Tonha morava. “Quando ele formou a casa dele eu pedi: ‘Moço, quando o senhor formar a sua casa vai fazer uma casa boa né? E a minha casa é de palha, de vara. Então o senhor faz uma casa boa pra mim também, para a minha casa não desmoralizar a do senhor. O senhor tenha a bondade de indireitar a minha’”, conta. Na época, dona Tonha trabalhava na fábrica de tecido e se comprometeu a, depois, ajustar com o vizinho as despesas que o mesmo tivesse na construção da casa. "E fiz questão de cumprir", garante.

Dona Maria Antônia Oliveira, que trabalhou na fábrica de tecido Sergipe Industrial por 30 anos até se aposentar devido alguns problemas de saúde. Ela conta, com orgulho, que ao longo desse tempo não teve nenhuma falta. Ao deixar o posto em frente ao tear e fiandeira de algodão, dona Tonha agradeceu o cargo - um costume da época - e afirma que não tem do que se queixar de nenhum dos patrões que teve. Hoje esta figura simples e trabalhadora já não se encontra mais viva. Ela faleceu no final da década de 90, sem saber ao certo a própria idade.

Dona Alda: Não foi difícil conciliar a maternidade e o emprego como auditora fiscal
Outro personagem é Alda Cruz Santos Nunes. Nascida em 1929, essa aracajuana, nasceu e viveu grande parte da vida de solteira no bairro Siqueira Campo, antigo Aribé. Lá, segundo ela, a maioria das pessoas trabalhava como pescadores ou na rede ferroviária, e as construções eram de palha ou de taipa. Sobre a infância ela conta que foi marcada por dificuldades mas, mesmo assim, foi boa ou, como ela mesmo define, “paupérrima, mas compreensiva”. Dona Alda narra que naquela época as brincadeiras eram simples e em grupo, tais como pique-esconde, cabra-cega, roda, pega-pega, corda, dentre outras.

De 49 a 55 foi professora, tendo de 53 a 54 dirigido o Grupo Escolar José Rolemberg Leite. Em 54, dona Alda prestou concurso para integrar os quadros da Previdência, aposentando-se em 1983 como auditora fiscal. Casada e com cinco filhos, ela explica que não foi difícil conciliar a maternidade e a profissão. “Contei com secretarias que me ajudaram, então não foi difícil”, conta. De uma lucidez e disposição de viver invejáveis, a ex-auditora diz que nem sempre a vida foi tão boa. Ela afirma que o período da Segunda Guerra Mundial foi muito difícil. O namorado, que mais tarde tornou-se marido, José Cruz, e o irmão de dona Alda, Edgard Francisco, foram enviados à Itália integrando as tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Segundo ela, naquele tempo o governo distribuía vales para as famílias dos saldados para que estas fizessem a feira. “Nós saíamos de casa e voltávamos com a feira completa. Carne, arroz, feijão e ai daquele que não atendesse e deixasse de vender a mercadoria”, conta. Em 1945 acaba a guerra e em 1954 dona Alda casa-se e vai morar na rua Laranjeiras, 1073. Ela conta que, neste período, não se tinha muito que fazer. “O que nós fazíamos era visitar um doente ou um recém-nascido e sua mãe. Trocar plantas com os conhecidos, dançar na casa dos colegas de três às cinco da tarde. Tinha gente que ia passear no presídio ou então era hábito ficar sentado na porta, apenas conversando”, explica. Quanto a ir ao cinema, ela diz que isso era coisa para aqueles que tinham dinheiro e que, ela mesmo, só passou a ir depois que começou a trabalhar.

Sobre a Aracaju daquele tempo ela fala ainda das festas nas praças, do Carrossel do Tobias, da festa de Bom Jesus, onde se comia caruru, barquinhos de castanha, rolete de cana, pipoca e doce de banana. Dona Alda lembra também que as igrejas viviam cheias e que se percebia claramente a divisão social que existia nestas ocasiões. "E não era algo forçado. Era natural", revela sem rancor. "As pessoas automaticamente se juntavam de acordo com a sua classe social", relembra.

A aposentada também cita um outro lado da cidade, pouco falado, que era a zona de baixo meretrício. Ela relata que além dos Becos dos Cocos, atualmente rua Santa Rosa, as ruas Simão Dias, Lagarto, Divina Pastora, entre outras, também eram pontos usados pelas prostitutas. “As famílias tinham medo de passar por ali depois de certa hora da noite”, afirma. Depois de já estar trabalhando na Previdência, dona Alda resolveu voltar para a sala de aula. Declarando o magistério como vocação, ela cursou e se formou em Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe.

Hoje, com 79 anos e viúva, ela retornou aos estudos na Universidade cursando disciplinas isoladas. Cheia de alegria e sempre bem disposta, a aposentada tem uma rotina que prevê, além das atividades acadêmicas, visitas a Comunidade Religiosa São José e ao Clube da Melhor Idade. Sobre a cidade de Aracaju dona Alda só tem elogios. “Aracaju teve muita garra, soube se impor, respeitar-se. E, apesar de tudo, ainda é uma cidade tranqüila e boa de se viver”, garante.

Fotos e texto reproduzidos do site: infonet.com.br

Fotos de Dona Tonha e Dona Alda

Morre o prefeito de Japaratuba, padre Gerard

Publicado pelo Portal Infonet, em 03/06/2013 - 10:22

Morre aos 76 anos o prefeito de Japaratuba, padre Gerard.
Ele estava internado no Hospital São Lucas vítima de câncer

Acabou de falecer em um apartamento do Hospital São Lucas, aonde estava internado desde a última sexta-feira, 31, o prefeito de Japaratuba, Padre Gerard Lothaire Jules Olivier (PT), o padre Geraldo Oliveira, 76.

Ele sofria de um câncer que foi detectado no pulmão, mas desencadeou uma metástase óssea. O estado de saúde do administrador se agravou na manhã desta segunda-feira, 3.

A prefeitura de Japaratuba informa que o velório do líder Gerard Lothaire Jules Olivier, o padre Geraldo, será às 17h de hoje, 3, na Igreja Nossa Senhora da Saúde, localizada em Japaratuba. O enterro do prefeito acontece amanhã, 4, às 9h no cemitério da cidade. A Prefeitura decretou luto oficial de três dias.

Histórico

Nascido em 10 de outubro de 1936 em Tournai, na Bélgica, Gerard Lothaire Jules Olivier, mais conhecido como padre Geraldo, é um dos maiores políticos que já existiu na história de Japaratuba. Estando atualmente em seu quarto mandato como prefeito do município, o filho de Richard Olivier e Elizabeth Cardon, aprendeu ainda na infância – quando viu membros de sua família serem prisioneiros na Segunda Guerra Mundial – a persistir em seus objetivos, com garra e determinação, sem esmorecer diante das dificuldades.

Descobriu sua vocação para padre ao se envolver em movimentos de juventude, através de uma caminhada de engajamento pelos trabalhos desenvolvidos pela Ação Católica, coordenada pelo famoso Cardeal Cardin, que aplicava o método do ver, julgar e do agir. Decidiu, então, entrar para o seminário na Bélgica, ao passo que investia nos estudos, sendo aluno livre de Medicina Tropical e Sociologia, pelas Universidades de Lyon, na França e Louvain, na Bélgica.

Ordenou-se em 19 de março de 1964, transformando-se em um dos primeiros sacerdotes da Bélgica. Depois de ordenado, passou um ano estudando a língua portuguesa na Universidade de Louviana. Foi justamente nesta época que Gerard passou a conhecer um pouco da realidade latino-americana. Parecia que o caminho do atual prefeito de Japaratuba já se direcionava para o Brasil.

Foi quando o bispo da cidade de Propriá, Sergipe, na época, Dom José Brandão de Castro, precisou viajar à Bélgica para resolver um problema enfrentado por ti, em sua diocese: havia apenas dois padres para conduzir os fiéis. Uma realidade contrastada com a do país de Gerard, em que 1000 padres se dividiam por nove dioceses. A diferença considerada absurda pelo então recém-ordenado, o fez se entusiasmar com a perspectiva de desenvolver seu trabalho no Brasil.

Foi designado para o menor estado do país para trabalhar na paróquia da cidade de Japaratuba. Chegou no período da revolução militar, para desenvolver um novo trabalho na Igreja, voltado para o social. Encontrou certa resistência por parte dos habitantes nos primeiros meses, mas com seu jeito simples, conquistou a população. Em pouco tempo, Gerard já conhecia o modo de viver, pensar e até mesmo, rezar de seus paroquianos. Mesmo residindo em Japaratuba desde 1965, Padre Geraldo teve ainda a oportunidade de trabalhar nos municípios de Canhoba e Ilha das Flores.

Empenhado em suas funções, ajudou a população de Japaratuba em grandes conquistas, sobretudo em posses de terras. Segundo o próprio padre Geraldo, com o apoio do Estado, conseguiu angariar oito mil tarefas de terra. Dentre as benfeitorias que realizou, Gerard também colaborou para a fundação da Cooperativa Agrícola Mista de Colonização Jardim Ltda, foi presidente da Associação de Caridade de Japaratuba, e esteve à frente das bandas de músicas Euterpe Japaratubense e Santa Terezinha.

Por ser uma pessoa bem quista pelos moradores de Japaratuba, o ingresso na política não demorou acontecer. Atendendo a um pedido dos japaratubenses, resolveu iniciar sua carreira. Começou entrando em contato com todos os partidos, inclusive os de esquerda. Optou pelo PMDB “pois naquela época era o partido que acolhia, praticamente, toda a esquerda, todos que não tinham espaço, pois só existiam no Brasil, dois partidos. Quando o PT foi formado, nosso relacionamento foi o mais válido possível”, lembra Gerard.

Uma vez inserido na política, continuou com a mesma proposta revolucionária, aplicada em Japaratuba no período em que fez parte da pastoral de Dom José Brandão de Castro. Em 1982 resolveu, finalmente, se lançar candidato a prefeito, mas foi cassado pelas “forças conservadoras”, um mês antes da eleição. Neste mesmo ano, após dois anos de luta, conseguiu se naturalizar brasileiro, após uma análise minuciosa das autoridades federais.

Apesar de não ter conseguido se eleger na primeira tentativa, Gerard não desistiu. Em 1988 voltou a se candidatar e venceu a eleição para prefeito de Japaratuba, com a coligação ‘Força Popular’. Nascia naquele momento, uma forma de governo diferente, voltava para a participação popular e para a democracia. Era a maneira “Gerard de governar”.

Nove anos após seu primeiro mandato, padre Geraldo voltou a vencer uma disputa eleitoral no município que lhe acolheu. Em janeiro de 2001, iniciava-se a gestão “Dignidade e Esperança”. No ano de 2004 disputou a reeleição logrando êxito e vencendo nas urnas. Passou a dar continuidade ao seu trabalho na administração “Com Paz, Dignidade e Esperança”.

Texto e foto reproduzidos do site: infonet.com.br/politica

Por Aldaci de Souza com informações da Ascom Japaratuba.

Foto: Aline Acioli

História do Seu Bairro - Bairro São José, em Aracaju



História do Seu Bairro - Bairro São José.
Publicação do cinform.com.br *

São José, tradição e referência em Aracaju
Bairro até hoje carrega identidade nobre e reúne moradores de classe média alta

Um dos mais tradicionais de Aracaju, o Bairro São José foi criado a partir da fusão de duas antigas localidades: Fundição e Bariri. A Fundição era situada ao Sul do Centro da cidade, margeando o Rio Sergipe, onde ficava o depósito de inflamáveis e a sede dos primeiros clubes de regatas da cidade - o Cotinguiba Esporte Clube, o Clube Sportivo Sergipe, ambos de 1909, e o Iate Clube de Aracaju, de 1953.

Já o Bariri, era uma área pantanosa situada nas proximidades do Carro Quebrado, atual Salgado Filho, onde haviam riachos que foram aterrados e canalizados. Esse espaço, hoje, compreende o entorno da paróquia São José e do Hospital São Lucas. Com a expansão da cidade de Aracaju, após a década de 40, o São José passou a ser um local de referência de pessoas da alta sociedade, que queriam morar um pouco mais afastadas do Centro, que começava a se tornar cada vez mais comercial.

Assim, diversos casarões e mansões foram erguidos na localidade - atualmente, porém, poucos sobraram para testemunhar essa história, visto que Aracaju, talvez por ser uma cidade jovem de pouco mais de 150 anos, não tem ainda a cultura de preservar o patrimônio arquitetônico. Para que essas casas fossem construídas, muitos aterramentos foram necessários, pois a área era alagada e tinha manguezal.

URBANIZAÇÃO

Os aterramentos intensificam-se a partir da década de 50, com o surgimento de praças e o calçamento de ruas, tornando possível a inauguração do Estádio Estadual de Aracaju. Em 1969, ele foi reformado e ampliado, passando a se chamar Estádio Estadual Lourival Baptista ou, simplesmente, Batistão. Esse foi um passo importante para a transformação da região.

A partir da década de 70, a cidade sofre um novo processo de expansão, mais ao Sul, e o São José começa a sofrer mudanças socioespaciais. Médicos, advogados, arquitetos e outros estratos sociais que residiam no bairro passam a morar em outras localidades, como os bairros 13 de Julho, Atalaia, Grageru e Inácio Barbosa.

As antigas e tradicionais residências, então, dão lugar a escritórios de advocacia, engenharia e arquitetura, mas, principalmente, a clínicas e hospitais, sendo esse o principal setor de serviços do São José, que recebe, todos os dias, milhares de pessoas da Capital e do Interior em busca de consultas, tratamentos e cirurgias nas centenas de casas de saúde existentes no bairro.

REFERÊNCIA

Outra tendência do São José é no setor educacional. Algumas das escolas mais tradicionais da cidade estão lá, a exemplo do Colégio Patrocínio de São José, Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, Colégio Atheneu Sergipense e Colégio Dom Luciano Cabral Duarte.

Os núcleos residenciais que ainda persistem encontram-se, cada vez mais, pressionados por essa tendência comercial. Em grande parte, os moradores dessas casas e edifícios são pessoas idosas que resistem a sair da localidade, agitada pelo dia, mas muito tranquila durante o período noturno.

Essa tranquilidade, aliás, foi o que fez com que a engenheira química Floraci Guimarães morasse no bairro por mais de 30 anos. "Quando cheguei, era tudo mangue. Havia pouquíssimas casas, e as que existiam eram de taipa ou palha. Era bem diferente de hoje", comenta Floraci. Aliás, para ela, as diferenças não são só positivas.

INSEGURANÇA

"Hoje, não pode ficar sentado à porta de casa, porque é roubado", lamenta. A funcionária pública Lindalva Mendonça afirma que, principalmente na Praça Tobias Barreto, a violência é grande. "O espaço está abandonado e só atrai mendigos e marginais. Não vejo policiamento e falta iluminação", argumenta Lindalva.

Para Gilda Alves de Mendonça, cabeleireira, de fato, a praça é bem perigosa. "Desde que moro aqui, há oito anos, ela está assim", diz. Mesmo assim, Gilda afirma que o bairro é ótimo para morar com a família. "É tranquilo e bem-localizado, porque é perto de tudo. Levo e busco a minha filha na escola à pé", revela Gilda, acrescentando que não tem pretensão de mudar o endereço.

CINFORM - Dados: IBGE 2010.

Texto e fotos reproduzidos do site:

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