quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Biblioteca Epifânio Dória completa 163 anos (Junho/2011).





Aracaju, 16 de Junho de 2011.

Biblioteca Epifânio Dória completa 163 anos (Junho/2011).

A maior e mais antiga casa de leitura do Estado, Biblioteca Pública Epifânio Dória (BPED), comemora nesta quinta-feira, 16 de junho/2011, 163 anos de existência. Fundada em 1848 – num grande momento de efervescência cultural do Brasil Império –, a então Biblioteca Provincial de Sergipe foi inaugurada somente no ano de 1851, numa sala do Convento São Francisco, em São Cristóvão. Anos mais tarde, com a mudança da capital, a biblioteca foi transferida para Aracaju, sendo chamada de Biblioteca Pública do Estado.

Somente em 30 de dezembro de 1970, com o Decreto 2020, a instituição passou a se chamar Biblioteca Epifânio Dória. No mesmo ano, o prédio da atual sede em que se encontra a biblioteca foi projetado e construído pelo engenheiro Geraldo Magela. Mas quem foi o homem que dá nome à biblioteca mais antiga de Sergipe?

Saiba quem foi Epifânio Dória

Seu nome é Epifânio da Fonseca Dória e Menezes, que nasceu em 7 de abril de 1884, na fazenda Bairro Caído, na cidade de Poço Verde. Documentarista, jornalista e pesquisador, Epifânio dirigiu a Biblioteca do Estado de Sergipe de 1914 a 1943. Tornou-se ainda presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, membro da Associação Sergipana de Imprensa, da Academia Sergipana de Letras e de várias instituições literárias do Brasil e do exterior.

Em 1935, o documentarista torna-se deputado estadual e em 1937, no governo Eronildes de Carvalho, ele é nomeado secretário de Estado da Justiça, Agricultura e Fazenda. Em 8 de junho de 1976 ele morre – vítima de câncer no aparelho digestivo. Atualmente, ele é considerado um dos mais competentes e importantes conservadores das fontes históricas de Sergipe.

Segundo o historiador Luis Antônio Barreto, Epifânio foi escritor das colunas de Efemérides Sergipanas, ajudando a construir biografias com informações preciosas, selecionadas por uma pesquisa criteriosa – atividade que ele mais tinha prazer em fazer e tinha maior conhecimento.

Memórias de uma das herdeiras

Para a neta de Epifânio, a jornalista Naná Garcez Dória, a mais bela memória guardada ao lembrar-se de seu avô está ligada ao carinho que ele tinha com os netos e aos momentos de contação de história. “Quando eu nasci, ele tinha 80 anos. Meu avô era uma pessoa muito carinhosa e ao mesmo tempo metódica, por isso mantinha todos os papéis organizados. Se um estudante ou pesquisador fosse até a nossa casa, ele tinha, prontamente, a informação para dar àquela pessoa”, contou Naná.

“Dois objetivos marcavam a vida dele, além da organização de documentos. O primeiro era o combate ao analfabetismo e o segundo era tornar a informação disponível para todas as pessoas. Tanto que ele foi por muito tempo diretor da biblioteca. Valorizar a democratização do conhecimento: esta era sua meta de vida”, acrescentou a neta do ilustre Epifânio Dória.

Gestão

Gerir um espaço de tamanha relevância cultural é um grande desafio, como revela a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino. “A Biblioteca Pública Epifânio Dória é um verdadeiro templo da literatura em Sergipe. Desde 2007 o estabelecimento cultural vem recebendo melhorias, como o setor de livros em braile e a aquisição de novos livros para renovação do acervo, após 22 anos sem receber nenhum exemplar do poder público. Sabemos que ainda há muito que fazer na BPED, mas é importante reforçar que os primeiros passos já estão sendo dados”, diz a titular da pasta.

Entre 2010 e 2011, a Biblioteca recebeu mais de 1200 exemplares, dos mais variados gêneros literários. Além disso, recebeu novos equipamentos de informática para catalogação dos exemplares. A Secult já deu início ao processo de modernização da BPED, a partir de um convênio com o Ministério da Cultura (MinC). O estabelecimento cultural também vem recebendo número considerável de rodas de leitura e exposições.

Para a diretora da BPED, Sônia Carvalho, estar à frente da instituição acarreta muita responsabilidade e compromisso com a sociedade. “Esta é uma instituição secular muito importante para a sociedade sergipana. Manter o compromisso de servir o público é muito gratificante para mim. Convido as pessoas para que compareçam à biblioteca, conheçam nosso acervo e saiam daqui com nosso maior tesouro que é a informação”, disse Sônia.

A Biblioteca Pública Epifânio Dória possui mais de 100 mil livros e está aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, e aos sábados até o meio-dia. A unidade está localizada na rua Vila Cristina, número 1051, bairro São José, em Aracaju.

Imagens e texto reproduzidos do site: agencia.se.gov.br

Fotos: Marcelle Cristinne/Arquivo Secult/Divulgação.

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